CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADE ABC NA ATIVIDADE ELÉTRICA: O caso de uma indústria de geradores de Francisco Beltrão Paraná, Brasil.

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1 CUSTEIO BASEADO EM ATIVIDADE ABC NA ATIVIDADE ELÉTRICA: O caso de uma indústria de geradores de Francisco Beltrão Paraná, Brasil. Leonice Raimundo, Graduada Instituição: Universidade Paranaense (Brasil) Alisson Lucas Mariotti, Graduado Instituição: Universidade Paranaense (Brasil) André Luiz Comunelo, Mestre Instituição: Universidade Paranaense (Brasil) Palavras Chaves: Atividade Elétrica Custeio Baseado em Atividades (ABC), Tomada de decisão. Área temática: A8 Custos em perspectivas setoriais (indústria) Metodologia de Investigação: M2 Case/Field Study

2 Resumo: O estudo foi realizado em uma indústria de geradores, situada no Sudoeste do Paraná, tendo como objetivo encontrar qual a melhor estrutura para a aplicação do sistema de custeio ABC. Foi aplicado o conceito do Método de Custeio Baseado em atividades (ABC), o qual permite identificar através dos direcionadores de custos os custos de todas as atividades. Esta ferramenta auxilia no processo de análise de quais atividades precisam reduzir os gastos ou sofrer processos de racionalização, pois ela possibilita a mensuração do desperdício em cada atividade dentro do sistema produtivo e também dando suporte para conhecer os reais custos das atividades com maior exatidão e assim contribuindo com os gestores no processo de tomada de decisão tornando-os mais eficientes e eficazes. Esta pesquisa se caracteriza como um estudo de caso, desenvolvido por meio de coleta de dados in loco na unidade social estudada, mediante a aplicação de um protocolo de procedimentos. Após realizada a coleta de dados, esse foram tabulados e iniciado o processo de implementação do método na organização. Esses dados foram apresentados no formato de tabelas, com o intuito de apresentar a evolução e a sistemática do método ABC. Foram identificadas 15 atividades no departamento de fabricação de bobinas para geradores, sendo que a atividade mais onerosa é a atividade de inserção de fita de mica. 1. INTRODUÇÃO Ao longo das pesquisas científicas no campo da contabilidade de custos aplicadas ao setor de prestação de serviços, pode-se citar uma linha de pesquisadores que partem para o estudo de quais os métodos de custeios estão sendo praticados pelas organizações, nesta direção cita-se a pesquisa de Rosa e Morgan (2006). De outro lado têm-se pesquisadores que emanam suas pesquisas na aplicação de métodos de custeio nas empresas, com o intuito de verificar se determinado método é mais indicado à aquela estrutura organizacional, dentre esses pode-se citar Jerico e Castilho (2010) e Nogueira et all (2001). A nova realidade empresarial, destacada por Garrison e Noreen (2001), determina que as empresas devem buscar diferenciais para seus clientes, devido a globalização e a perda de reservas de mercado, os consumidores passaram a ter um leque maior de opções, com preços diferenciados e ainda com mais qualidade. Nesse sentido, a contabilidade como fonte de informações para seus usuários, se destaca ao implementar os pressupostos da Contabilidade Gerencial e assim fornecer informações importantes para o processo de tomada de decisão. E dentro dessa ramificação da contabilidade Martins (2006), destaca que a contabilidade de custos surgiu tendo por objetivo inicial resolver os problemas de mensuração dos estoques e dos resultados. Porém, com o decorrer do tempo, e mediante a nova realidade das empresas, esta passou a ser encarada como forma de auxílio ao processo decisório. Nas últimas décadas como afirma Viceconti (2009), a contabilidade de custos passou a prestar funções importantes para a contabilidade gerencial que é a utilização dos dados dos custos para o auxílio ao controle e para a tomada de decisões. Dentro desse cenário, destaca-se o Método de Custeio Baseado em Atividades ABC, o qual segundo Martins (2006) surgiu com o intuito de reduzir as distorções provocadas pelos

3 critérios de rateio dos custos indiretos. Além disso, sua utilização não se limita apenas ao custeio de produtos; trata-se, pois, de um mecanismo eficaz na gestão de custos. Concomitantemente a afirmação anterior, Horngren, Foster e Datar (2004) afirmam que essa foi uma das melhores ferramentas para o aprimoramento de um sistema de custeio. O Custeio por Atividades considera atividades individuais como objetos de custos fundamentais; cada tarefa é um evento específico. Esses autores afirmam ainda que esse sistema calcula os custos das atividades e atribuem custos para os objetos de custos, como os produtos ou serviços, com base nas atividades necessárias para produzir cada produto ou serviço. Nesse sentido esse trabalho possui como questão orientativa: Qual é a estrutura de um modelo de custeio aplicável à atividade de fabricação de bobinas para geradores, considerando os conceitos do método de custeio ABC (Activity Based Costing)? Como objetivo desse trabalho tem-se o de desenvolver um modelo de custeio para aplicação na atividade de fabricação de bobinas para geradores, descrevendo, os conceitos relacionados ao negócio utilizando como ferramenta o ABC. O presente trabalho faz-se necessário devido às escassas pesquisas na área de indústria de geradores e ainda, conforme descreve Iudícibus (1996, pág. 31): Em primeiro lugar, é importante deixar claro que o que mais importa, na realidade. É a qualidade da prática contábil. A doutrina tem sua grande importância, é bem verdade, quando consegue projetar estruturas conceituais que se antecipam à prática (mas que devem ser validadas pelos experimentos reais). O trabalho está divido em cinco seções. Na seção seguinte apresenta-se a revisão da literatura, na terceira seção a metodologia da pesquisa. A análise dos dados esta descrita na quarta seção, e por fim, a conclusão está apresentada na quinta seção. 2. REFERENCIAL TEÓRICO Devido a utilização de conceitos teóricos e práticos, o referencial teórico, está estruturado como intuito de apresentar os conceitos do método de custeio ABC. Após analisar-se-á as vantagens e desvantagens da utilização do método discutindo as ferramentas gerenciais que este método proporciona para o processo de tomada de decisão. Por fim, será apresentado um roteiro de implementação e operacionalização. 2.1 Método de Custeio Baseado em Atividades (ABC) Este método, segundo Kaplan e Cooper (1998, p. 16) é uma abordagem que analisa o comportamento dos custos por atividade, estabelecendo relações entre as atividades e o consumo de recursos. Ainda o ABC é considerado uma metodologia desenvolvida para melhorar e facilitar a

4 análise estratégica de custos relacionados a atividades que mais agregam gastos nas empresas. Segundo NAKAGAWA (2008), a quantidade, a relação de causa e efeito e a eficiência e eficácia com que os recursos são consumidos nas atividades mais relevantes de uma empresa constituem o objetivo da análise estratégica de custos do ABC. NAKAGAWA (2008) relata ainda que embora caracterizado por esta simplicidade, o ABC é uma poderosa ferramenta de alavancagem de atitudes das pessoas envolvidas no processo de mudanças de uma empresa. Sua principal característica é atribuir os custos às atividades e posteriormente atribuir dessas aos produtos/serviços em questão. Segundo Martins (2006, p. 87), esse método é uma metodologia de custeio que procura reduzir sensivelmente as distorções provocadas pelo rateio arbitrário dos custos indiretos, buscando amenizar as distorções provocadas pelo uso do rateio, necessários aos outros sistemas. O método ABC pondera sobre as atividades envolvidas em cada processo de produção, seja de uma mercadoria ou um serviço, como afirma Martins (2006, p.96) em que há que se distinguirem dois tipos de direcionador... direcionador de custos de recursos, e os...direcionadores de custos de atividades. O citado autor continua afirmando que o primeiro identifica a maneira como as atividades consomem recursos e serve para custear as atividades. Afirma ainda que o segundo identifica a maneira como os produtos consomem atividades e serve para custear produtos. Quanto ao conceito de atividade Nakagawa (2008, p.42), conceitua como um processo que combina, de forma adequada, pessoas, tecnologias, materiais, métodos e seu ambiente, tendo como objetivo a produção de produtos. Em sentido mais amplo, entretanto, a atividade não se refere apenas a processos de manufatura, mas também à produção de projetos, serviços etc, bem como às inúmeras ações de suporte a esses processos. O ABC reconhece que os produtos não usam diretamente os recursos; o que eles usam de maneira direta são as atividades (COOPER, 1990) que podem ser definidas como as ações que são realizadas por diversos indivíduos ou grupos especializados, buscando atingir os objetivos da empresa. De acordo com BRIMSON (1991): "Uma atividade é uma combinação de pessoas, tecnologia, materiais, métodos e ambiente, que realiza um dado produto ou serviço. As atividades descrevem o que a empresa faz." "A premissa básica do Custeio Baseado em Atividades é que as atividades consomem recursos e os produtos consomem as atividades." (CHALOS, 1992). Isso significa que os custos de uma empresa devem ser primeiramente alocados no nível de seus departamentos, e a seguir relacionados aos serviços.

5 De acordo com NAKAGAWA (2008) o ABC "tem como objetivo facilitar a mudança de atitudes dos gestores de uma empresa, a fim de que estes, paralelamente à otimização de lucros para os investidores, busquem também a otimização do valor dos produtos para os clientes, tanto interno quanto externo. BERLINER & BRINSON (1988), por sua vez, afirmam que a Contabilidade por Atividades fornece uma linha básica natural para descrever o processo de manufatura e estabelecer um denominador comum entre a Contabilidade de Custos, a Mensuração de Desempenho e a Administração de Investimentos. Além disso, essa contabilidade pode também propiciar a visibilidade de atividades que não adicionam valor ao produto. A importância que se dá à utilização do método de custeio ABC é em virtude do mesmo não ser apenas um sistema que dá valor aos estoques, mas também proporciona informações gerenciais que auxiliam os tomadores de decisão, como por exemplo, os custos das atividades, que ajudam aos gestores atribuírem responsabilidades aos responsáveis pelas mesmas. Dentre as vantagens, Martins (2010) descreve que o sistema de custeio ABC permite que os processos que ocorrem dentro da empresa também sejam custeados não restringindo apenas ao custo do produto, a sua continuidade ou não, a sua lucratividade ou não, ele permite uma visão mais adequada para a análise da relação custo/benefício de cada atividade e processo. Bornia (2009) descreve que uma das principais vantagens do ABC sobre o método dos centros de custos seja permitir o gerenciamento das atividades através do qual é possível identificar os custos com as atividades, medir o desempenho e reconhecer quais atividades estão influindo significativamente nos gastos da empresa e a partir dessa informação a gerência pode planejar e executar ações de controle sobre atividades específicas. No que se refere às desvantagens, Leone (2009) menciona que é preciso ter muito cuidado no trabalho contábil de identificação dos custos e despesas em relação às atividades. Como em todo trabalho dessa natureza, poderemos encontrar alguns itens de custos e despesas que são diretamente relacionados à atividade em estudo e muitos itens que são comuns a muitas atividades e precisam ser apropriados por meio de critérios subjetivos ou presumidamente científicos, estes resultantes de uma pesquisa estatística dispendiosa, demorada e complexa. Em análise as desvantagens, Martins (2010), comenta que diversas críticas são feitas ao ABC no sentido de que este método de custeio não elimina a figura do rateio dos custos e ele explica que no rateio há a alocação dos custos de forma altamente arbitrária e subjetiva e que no método do rastreamento, este procura analisar a verdadeira relação entre o custo e a atividade através do direcionador de recurso, identificando o que é que efetivamente gerou o custo de maneira racional e analítica de forma a dirimir as possíveis distorções.

6 2.3 Etapas do Método de Custeio ABC A implementação do ABC possui as seguintes etapas segundo BORNIA (2009). 1ª Etapa: Mapear as atividades; Nesta etapa, a empresa será divida em setores, e posteriormente alocar as atividades que cada setor desenvolve, proporcionando assim, a visualização e distribuição dos custos. Essa etapa é considerada um dos pontos cruciais para uma boa implantação do método ABC, pois segundo Bornia (2009, p.114): A organização deve ser modelada em atividades, as quais, encadeadas, formam os processos. Essa visão de processo, talvez seja a maior diferença entre ABC e os métodos tradicionais, pois facilita o apoio a ações de melhoria da empresa. O citado autor continua afirmando que o nível de detalhamento a ser empregado é uma decisão importante na implantação do ABC e está intimamente relacionado aos objetivos do sistema. Se o objetivo for meramente o cálculo dos custos dos produtos, pode-se usar um menor grau de detalhamento, ao passo que, se o objetivo for apoio ao controle operacional e à maioria do processo, é necessário detalhar mais as atividades. Para o correto mapeamento das atividades é necessário realizar procedimentos como: entrevistas as pessoas envolvidas, ou seja, os colaboradores, para detalhar as rotinas internas de forma a atender as necessidades anteriormente fixadas pela empresa, para posteriormente formar o processo. 2ª Etapa: Distribuição dos custos às atividades; Nesse momento são distribuídos os custos de forma primária e da melhor maneira possível para as atividades, é onde os custos devem representar os insumos por ele utilizados, o critério para o rateio deve ser o dos custos indiretos, já que os diretos são de fácil alocação. Conforme BORNIA (2009, p.115). O cálculo dos custos das atividades corresponde à distribuição primária do método dos centros de custos. Os custos a serem distribuídos são os custos indiretos, já que os custos diretos não apresentam dificuldade para serem alocados aos produtos. 3ª Etapa: Distribuição dos custos das atividades indiretas até as diretas; O grande fator que distingue o ABC dos métodos tradicionais é a maneira como ele atribui os custos aos produtos. Portanto, o grande desafio, a espinha dorsal, a verdadeira arte do ABC está na escolha dos direcionadores de custos (MARTINS, 2000, p.103).

7 4ª Etapa: Distribuição dos custos dos produtos. Para a distribuição dos custos dos produtos são utilizados os direcionadores de custos, os quais devem ser definidos no momento da implantação do método e de acordo com o nível de detalhamento das informações que deverá gerar. Conforme BORNIA (2009) de forma geral, os custos são alocados em objetos de custos, que podem ser produtos, clientes e canais de distribuição, entre outros. O citado autor afirma ainda que com a utilização dos direcionadores de custos, o ABC objetiva encontrar os fatores que causam os custos, isto é, determinar a origem dos custos de cada atividade para, dessa maneira, distribuí-los corretamente aos produtos, considerando o consumo das atividades por eles. 3. DESIGN DA PESQUISA DE CAMPO Neste tópico se estabelecem os fundamentos metodológicos, os quais validam a pesquisa como científica, sendo considerado a tipologia da pesquisa, amostra e a coleta e tratamento dos dados. 3.1 Classificação da Pesquisa, Amostra, Coleta e Tratamento dos Dados. A referida pesquisa está inclusa dentro do contexto estabelecido pelos estudos de casos, os quais para Martins (2006, p.2) "[...] o seu objetivo é o estudo de uma unidade social que analisa profunda e intensamente [...], pesquisa fenômenos dentro de seu contexto real". Richardson (1999, p.80) afirma que estes estudos "podem descrever a complexidade de determinado problema, analisar a interação de certas variáveis, compreender e classificar processos dinâmicos vividos por grupos sociais". Os trabalhos realizados mediante a aplicação da metodologia de estudo de caso, possui como pontos fortes, a profundidade, a possibilidade de geração de novas teorias empiricamente validadas e a possibilidade de testes por meio de constructos mensuráveis. (YIN, 2005) Nesse sentido o referido trabalho tratou-se de um caso único, pois se pretendeu analisar os procedimentos das áreas focadas com profundidade e maior detalhadamente. Quanto ao desenvolvimento da referida pesquisa, primeiramente os pesquisadores analisaram a teoria que norteia os pressupostos do método de custeio ABC e ainda a estrutura e desenvolvimento da atividade de geradores. Posteriormente, os mesmos, realizaram a coleta de dados, onde visitas na empresa para desenvolver a observação direta da estrutura e dos procedimentos e ainda a pesquisa de documentação mediante a analise dos registros em arquivos da unidade social em estudo foram os mecanismos adotados.

8 No processo de coleta de dados, foram utilizados ainda, entrevistas semi-estruturas com os profissionais que trabalham nos setores além do administrador, contador e proprietário. Com o intuito de direcionar a pesquisa, elaborou-se um protocolo de estudo, o qual segundo YIN (2005) é utilizado para aumentar a confiabilidade da pesquisa, pois o mesmo serve como um sistema de orientação no desenvolvimento dos trabalhos. O referido protocolo contemplou o projeto de pesquisa, os procedimentos de campo, as questões de estudo e o plano de análise, ou seja, contou com os procedimentos e regras gerais desta pesquisa. A referida pesquisa foi realizada em uma indústria de geradores localizada na cidade de Francisco Beltrão estado do Paraná, o qual possui 40 anos no mercado e ainda uma estrutura com 200. O estudo ainda possui as características de um estudo ex post fact, pois esses estudos segundo Cooper e Schindler (2003), os pesquisadores não possuem controle das variáveis, sendo que o intuito dessa pesquisa é apenas relatar a aplicabilidade do método de custeio ABC na indústria já mencionado acima. No sentido de atendimento ao objetivo proposto, a pesquisa realizou um estudo transversal, ou seja, foi realizado em um período definido, à , retratando assim esse momento da organização. 4. ANÁLISE DE DADOS O conceito do método ABC foi aplicado apenas no departamento de fabricação de bobinas para geradores por ser um dos setores que possui as atividades totalmente mapeadas, controles internos atualizados, pela disposição do responsável pelo departamento em fornecer as informações para a análise e tendo em vista também a complexidade das demais atividades relacionadas ao processo de fabricação de geradores, para tanto foi realizado a análise do processo e identificado às atividades relevantes, conforme segue: Foram identificadas 15 atividades dentro do processo de fabricação de bobinas e realizado a análise e detalhamento de cada atividade para encontrar as causas dos custos e alocar os custos aos produtos.

9 Tabela 1 Levantamento das atividades relevantes do departamento de fabricação de bobinas. Departamento Fabricação de bobinas ATIVIDADES ISOLAMENTO ELÉTRICO/ MECÂNICO PRÉ-MOLDADOR INSTALAÇÃO DO ISOLAMENTO ESCRAVO MODELAGEM AJUSTE FINO DA BOBINA REMOÇÃO DO ISOLAMENTO ESCRAVO INSERÇÃO DA CAMISA DE POLIÉSTER APLICAÇÃO DE VERNIZ - Etapa 1 INSERÇÃO DA FITA MICA INSERÇÃO DA FITA DE FIBRA DE VIDRO APLICAÇÃO DE VERNIZ - Etapa 2 PRENSAGEM TESTE DE ISOLAMENTO ELÉTRICO LIMPEZA DA PONTA DAS BOBINAS APLICAÇÃO DE TINTA CONDUTORA E TINTA SEMICONDUTORA/CORTINA D'ÁGUA Fonte: Dados da Pesquisa (2012). Para o processo de fabricação de bobinas o mesmo inicia-se com o isolamento elétrico/mecânico até chegar a atividade de aplicação de tinta condutora e tinta semicondutora/cortina d água. Para encontrar os fatores que causam os custos e realizar a distribuição dos custos das atividades aos produtos, foram escolhidos os direcionadores de recursos de cada atividade, como segue: Tabela 2 Natureza do gasto versus direcionadores de recursos NATUREZA DO GASTO mão de obra (supervisão ) mão de obra (técnico) manutenção das máquinas depreciação máquina energia elétrica DIRECIONADORES DE CUSTOS custo da hora custo da hora custo da hora custo da hora Quilowatt - hora Depreciação prédio área utilizada (m 2 ) limpeza e conservação área utilizada (m 2 ) iluminação do ambiente área utilizada (m 2 ) seguro do imóvel área utilizada (m 2 ) Fonte: Dados da pesquisa (2012)

10 Nota-se que para a mão de obra (supervisão e técnica), manutenção das máquinas e depreciação das máquinas, foram utilizados como direcionados de custo o custo hora, ou seja, o tempo gasto. Quanto a energia elétrica utilizou-se o gasto com o quilowatt-hora e por fim a depreciação do prédio, a limpeza e conservação, iluminação do ambiente e seguro do imóvel, utilizou-se como direcionador a área utilizada do setor em questão. Com relação ao direcionador de custos custo da hora, considerou-se os tempos gastos em cada produto para que a atividade seja efetuada e foram utilizados para o cálculo os gastos com pessoal e encargos e o gasto com manutenção e depreciação das máquinas. No que se refere à natureza do gasto energia elétrica utilizou-se a média da fatura de energia durante o período mencionado e o cálculo de quilowatt hora baseado nas horas máquina utilizadas por produto. Quanto às naturezas dos gastos com depreciação, limpeza e conservação, iluminação do ambiente e seguro do imóvel, foram encontrados os gastos relativos aos mesmos nas demonstrações contábeis e realizado o cálculo encontrando os valores pela área utilizada e apropriando os custos de acordo com as unidades produzidas. Foram extraídos os valores das demonstrações contábeis da empresa para efetuar os cálculos dos direcionadores de custos, dos demonstrativos financeiros foram retirados os valores dos gastos e da planta do imóvel a metragem para utilização nos cálculos para a alocação dos custos às atividades, valores conforme demonstra a tabela 3: Conforme a tabela abaixo, identificou-se que o setor, possui um parque de máquinas avaliados conforme demonstrativos contábeis em R$ ,00. Ainda o valor gasto com manutenção desse maquinário totalizou R$ 1.775,00, sendo que a grande maioria desse valor considera-se manutenção preventiva. Tabela 3 Descrição de custos e dados Máquinas R$ ,00 Manutenção Máquinas / Ano R$ 1.775,00 Instalações R$ ,00 Seguro do imóvel R$ 8.600,00 Energia Elétrica R$ ,00 Área total metros quadrados Área ocupada (departamento) 720 metros quadrados Salários e encargos R$ 5.759,00 Fonte: Dados da pesquisa (2012)

11 Ainda as instalações da empresa possui um valor de R$ ,00, sendo que o seguro dessa instalação é de R$ 8.600,00. O consumo de energia no referido período estudado foi de R$ ,00 e os salários e encargos foi de R$ 5.759,00. A referida empresa possui como área total metro quadrados e o setor em questão e em estudo consume 720 metros dessa. Mapeadas as atividades, realizado o cálculo dos custos das atividades utilizando como base os direcionadores encontrou-se o custo de cada atividade no processo de fabricação, considerando o custo de cada unidade produzida conforme demonstra a Figura 1. Figura 1 Fluxograma de processos e alocação dos custos às atividades Fonte: Dados da Pesquisa (2012) O critério utilizado para a distribuição dos custos foi o consumo dos insumos pelas atividades, não foi considerado para o cálculo a matéria prima consumida em cada atividade, uma vez que esses custos não apresentam dificuldades para serem alocados aos produtos. Identifica-se que a tabela 4 apresenta todas as atividades do departamento de fabricação de bobinas para geradores, totalizando um custo de R$ 190,59 para cada unidade produzida, sendo que a atividade que mais consome recursos é a inserção de fita mica a qual representa 16,62% dos custos totais, seguida da atividade de instalação do isolamento escravo que representa 7,75% dos custos totais, a terceira atividade que mais consome recursos é a modelagem representando 7,5% dos custos totais e conclui-se que há três atividades que consomem menos recursos sendo elas

12 aplicação de verniz etapa 1, aplicação de verniz etapa 2 e limpeza das pontas das bobinas sendo que cada uma delas consomem 4,08% do total dos custos, as demais atividades representam 55,89 do custo total. 5. Conclusão e Recomendações O referido estudo desempenhou um papel de busca de informações e operacionalização acerca do método de Custeio Baseado em Atividades (ABC), desde a escolha, passando pela fase de implementação e operacionalização até a fase de análises e de informações que este proporciona para seus usuários. Através do cálculo efetuado para todas as atividades demonstramos que a atividade inserção da fita mica é a atividade que mais consome recursos e em análise, este consumo é justificado pelo fato de que esta atividade utiliza em grande quantidade a natureza do gasto mão de obra do técnico, sendo um processo que não existe a possibilidade de automatizar esta atividade devido ao tamanho da bobina, as atividades aplicação de verniz-etapa1, aplicação de vernizetapa 2 e limpeza da ponta das bobinas são as três atividades que consomem menos recursos. O projeto de implantação do método de custeio ABC visa mensurar o custo das atividades para obter vantagens competitivas e é caracterizado por decisões estratégicas onde objetiva a melhoria dos processos, a eliminação de desperdícios para que a empresa consiga manter-se no mercado com produtos de alta qualidade em um mercado competitivo. Conclui-se que o resultado apresentado pela aplicação do método ABC pode contribuir para a tomada de decisão no que tange a gestão dos custos, porém a tarefa de coleta das atividades deve ser feito de forma detalhista e minuciosa para que se tenha um resultado confiável, que realmente apresente o valor de cada atividade e sendo assim é um projeto caro, demorado e depende de bons controles internos que devem estar sempre atualizados e ainda colaboradores comprometidos a prestar às informações, pois estes têm o conhecimento dos processos, depende de pessoas capacitadas para coletar e analisar os dados e dar continuidade ao projeto. De acordo com as literaturas o método ABC elimina as distorções provocadas pelos métodos de custos tradicionais permitindo identificar os custos através de análise das atividades desempenhadas e suas respectivas relações com os produtos, propiciando aos gestores informações precisas sobre o custo de cada produto. Em resposta ao objetivo deste estudo identificou-se o custo de cada atividade dentro do processo de fabricação de bobinas para geradores, apresentando a estrutura de um projeto de implantação do sistema de custeio através do método de custeio baseado em atividades. Como o presente estudo abordou somente as atividades da fabricação de bobinas, do processo de fabricação

13 de geradores, fica como sugestão o estudo deste método nos demais departamentos com o objetivo de identificar, reduzir ou eliminar custos que não agregam valor ao produto. Bibliografia ANDRADE, N. A.; BATISTA, D. G.; SOUSA, C.B.de. Vantagens e desvantagens da utilização do sistema de custeio ABC BERLINER, C. & BRINSON, J. A. Cost Management for Today's advanced manufacturing. Boston: Harvard Business School Press, BRIMSON, J.A. Contabilidade por Atividades: uma abordagem de custeio baseado em atividades. São Paulo: Atlas, p. BRUNI, A. L. Gestão de custos e formação de preços:com aplicações na calculadora HP 12C e Excel.5.Ed.São Paulo,Atlas,2008. CATARINO, Jorge Aníbal (1999). Poised to Explode. Diário econômico ( ), Lisboa. CERVO, A. L. Metodologia Cientifica 6 Edicao, São Paulo: Pearson Prentice Hall, CHALOS, P. Managing Cost in Today's Manufacturing Environment. New Jersey, Prentice Hall, COOPER, R. ABC: A need, not an option. Accountancy. Sep GARRISON, R. H.; NOREEN, E. W. Contabilidade gerencial. 9 ed. Rio de Janeiro: LTC, GASPARETTO, V. Uma discussão sobre a seleção de direcionadores de custos na implantação do custeio baseado em atividades. Dissertação. Programa de Pós-graduação em Engenharia de Produção (PPGEP), UFSC, Florianópolis, SC, GIL, A. C, Como elaborar projetos de pesquisa, 4ed. São Paulo: Atlas, 2002 HORNGREN, C. T.; FOSTER,G.; DATAR, S. Contabilidade de custos. 11 ed. Vol. I. São Paulo: Pearson Prentice Hall, KAPLAN, Robert; COOPER, Robin. Custo e desempenho: administre seus custos para ser mais competitivo. Trad. O.P. Traduções. São Paulo: Futura, LEONE, G.S.G. Curso de contabilidade de custos. 3. Ed. São Paulo:Atlas, MARTINS, E. Contabilidade de custos. 7 ed. São Paulo: Atlas, Contabilidade de custos. 9 ed. São Paulo: Atlas, MARTINS, Gilberto de Andrade. Estudo de Caso Uma Estratégia de Pesquisa. 1.ed. São Paulo: Atlas, NAKAGAWA, M. ABC: Custeio baseado em atividades. 2. ed. São Paulo: Atlas, NEVES, S. das.; VISCONTI, P. E. V. Contabilidade de custo: um enfoque direto e objetivo. 8. Ed. São Paulo: Frase, ROSA, M. S.; MORGAN, B. F. Custos em Empresas Prestadoras de Serviços: O Conceito de Objeto de Custo e a Realidade das Empresas. In: Congresso de Contabilidade e Controladoria USP. 6º, São Paulo. Anais... São Paulo: Congresso de Contabilidade e Controladoria, Disponível em Acesso em 06 jul YIN, Robert K. Estudo de Caso: planejamento e métodos. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2005.

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