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1 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUÇÃO LATO SENSU EM DOCÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR UNIVERSIDADE E MERCADO: O ENSINO DE TECNOLOGIAS EMPRESARIAIS NO CURSO DE GRADUAÇÃO EM TURISMO DOCUMENTO PROTEGIDO PELA LEI DE DIREITO AUTORAL POR: RAQUEL SOUZA DA SILVA Prof. Orientador Dr Vilson Sergio Rio de Janeiro 2013

2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES INSTITUTO A VEZ DO MESTRE PÓS-GRADUÇÃO LATO SENSU EM DOCÊNCIA NO ENSINO SUPERIOR UNIVERSIDADE E MERCADO: O ENSINO DE TECNOLOGIAS EMPRESARIAIS NO CURSO DE GRADUAÇÃO EM TURISMO POR: RAQUEL SOUZA DA SILVA Apresentação de monografia ao Instituto A Vez do Mestre como requisito parcial para obtenção do título de especialista em Docência no Ensino Superior. Orientador: Porf. Dr. Vilson Sergio Rio de Janeiro 2013

3 AGRADECIMENTOS Agradeço especialmente ao meu marido, Guilherme Butter Scofano, pelos conselhos e orientações, e a minha mãe, Maria Silvana de Souza, por tudo que sou hoje e pelo que poderei ser no futuro.

4 RESUMO A presente monografia tem como objetivo principal analisar o ensino de tecnologias no curso de Graduação em Turismo. Para compreender o fenômeno do Turismo, foi discutida a importância socioeconômica desta atividade, bem como sua relação com as modernas tecnologias. Verifica-se, em particular, a necessidade de analisar as ferramentas tecnológicas desenvolvidas exclusivamente para este setor. Para que este estudo fosse realizado de acordo com o contexto atual do tema, foram necessárias, além da pesquisa bibliográfica, consultas a artigos recentemente publicados, sites de empresas de tecnologias, notícias e legislação pertinentes ao assunto. Também foram observadas as necessidades das empresas do setor, através do acompanhamento de dois sites que oferecem oportunidades de emprego. Constatou-se que as empresas, em geral, exigem pouco ou nenhum conhecimento em tecnologias, mesmo quando as atividades descritas nos cargos demandam conhecimentos tecnológicos. Em complemento, avaliou-se como as universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro que oferecem curso de bacharel em Turismo inserem o tema tecnologia em sua grade curricular. Este estudo foi realizado com base nos documentos disponibilizados pelas universidades, no que diz respeito ao planejamento curricular dos seus cursos de Turismo. Por fim, conclui-se que, mesmo não havendo a necessidade de formar profissionais especializados no uso das tecnologias utilizadas no mercado, é essencial que o graduando em Turismo seja familiarizado com as tecnologias que têm sido desenvolvidas na sua área de atuação.

5 METODOLOGIA O presente trabalho terá três formas diferentes de pesquisa: a pesquisa bibliográfica a fim de analisar os conceitos pertinentes ao trabalho e embasar teoricamente o desenvolvimento de algumas ideias; uma pesquisa quantitativa a fim de analisar as exigências do mercado referente ao conhecimento de tecnologias e uma pesquisa qualitativa sobre os currículos desenvolvidos nos cursos de turismo das universidades públicas do estado do Rio de Janeiro. Por ser um tema muito recente, durante todo o trabalho serão citados não só os escritores que tratam sobre os temas, como também artigos acadêmicos e notícias divulgadas pela mídia, bem como a legislação pertinente e outras fontes governamentais. Dessa forma, será possível realizar análises teóricas e conceituais mais contemporâneas e dinâmicas, de acordo com o próprio perfil do tema proposto. Alguns dos temas a serem desenvolvidos que exigem pesquisa bibliográfica são: finalidades e funções da universidade, conceitos e análises sobre currículo, o avanço da tecnologia na atualidade, conceitos que envolvem o mercado de turismo e as principais tecnologias desenvolvidas para esta área, dentre outros assuntos. A pesquisa bibliográfica será realizada a partir de fontes que envolvam os temas turismo, tecnologia e ensino superior tanto isoladamente quanto dois ou três desses elementos de forma conjunta. A fase quantitativa do presente trabalho será uma pesquisa realizada diariamente durante 90 dias no site de ofertas de emprego Catho e no setor de vagas do site da ABAV-RIO. A empresa Catho foi escolhida após uma pesquisa tanto em artigos sobre oportunidades de emprego encontrados nas mídias de grande circulação quanto em mídias especializadas em oportunidades e empregos. Além disso, foi observado o número de vagas oferecidas por cinco sites de emprego em três dias diferentes: nos dias 20 de setembro, 24 e 31 de outubro. Em todas as situações, o site que apresentou maior número de vagas foi a Catho. A outra fonte desta pesquisa, a Associação Brasileira dos Agentes de Viagens do Rio de Janeiro ABAV-RIO, é uma das poucas entidades que mantém, em seu site, um espaço permanente para a oferta de empregos e, por isso, também será examinada. Nesta pesquisa, será

6 contabilizado o número total de ofertas de empregos na área do turismo bem como o perfil dessas vagas. Vale ressaltar que o turismólogo (termo recentemente concedido ao profissional especialista na área do turismo) tem uma grande variedade de opções de trabalho. Segundo Trigo (2000), seu portifólio engloba: planejamento turístico (privado e público), agências de viagens, operadoras turísticas, hotelaria, consolidadoras, preservação artística e histórica, gastronomia, eventos, turismo rural e ecológico em geral, centros de informação e documentação para pesquisa turística, cruzeiros marítimos, educação para o turismo, marketing direcionado, dentro muitos outros setores e segmentos. Levando em consideração a afirmação acima, serão registrados, sempre que possível o tipo de empresa que está oferecendo a vaga, lembrando que a empresa tem a opção de aparecer como confidencial. Caso não seja possível identificar o tipo de empresa pelo nome desta, o texto da oferta será analisado por inteiro a fim de observar algum elemento que deixe claro a qual setor a empresa pertence. Vale destacar também que serão contabilizadas apenas as vagas que exigem formação em turismo. Dessa forma, não serão consideradas as vagas que, apesar de serem oferecidas por empresas da área de turismo, exigem exclusivamente outro tipo de formação e/ou experiência que não o turismo, como, por exemplo, contabilidade, marketing ou apenas ensino fundamental. A pesquisa sobre a oferta de empregos será contabilizada em documento do Excel, onde haverá uma planilha para cada site pesquisado. Nesta planilha serão inseridas as seguintes informações: data da pesquisa, data em que a vaga foi publicada no site, número da oferta (para que não haja repetições), nome no cargo, formação acadêmica exigida, conhecimento de softwares exigidos ou considerados como diferencial, nível hierárquico de acordo com a divisão do próprio site e, sempre que possível o setor da empresa. Ao final de 90 dias, as informações sobre número total de ofertas, exigências, nível hierárquico e setor serão contabilizadas e cruzadas para a realização de uma análise do perfil do profissional mais procurado nestes sites.

7 A pesquisa será limitada às vagas oferecidas por empresas localizadas na cidade do Rio de Janeiro. A pesquisa qualitativa consiste na coleta documentos curriculares dos cursos de bacharel em Turismo oferecidos pelas universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro Universidade Federal Fluminense (UFF), que oferece o curso em Niterói e em Quissamã, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), com o curso localizado na cidade do Rio de Janeiro, e Universidade Rural do Estado do Rio de Janeiro (UFRRJ), oferecendo o curso no campus de Nova Iguaçu. Será observada a forma que o conhecimento sobre tecnologia é tratado como conteúdo. Vale ressaltar que esses cursos tem algo em comum: todos foram criados a partir de 2003, quando também foi criado o Ministério do Turismo. Dentre os autores que norteiam esta monografia, diversos foram utilizados como base para cada um dos temas. Em relação aos conceitos gerais de turismo, os autores COOPER et al (2001) e LAGE e MILONE (2000) estão entre os principais que abordaram os temas mais pertinentes ao presente trabalho. Já os autores BARRETTO (1995 e 2004) e TRIGO (1999), puderam ser citados tanto no que diz respeito ao turismo quanto no que diz respeito ao ensino superior nesta área. Outros autores também auxiliaram na análise sobre a evolução da educação em Turismo como ANSARAH (2002) e MATIAS (2002). Outros autores foram discutidos em áreas mais específicas como MARÍN (2004) e VALLEN e VALLEN (2003) que apresentaram ótimas análises sobre a tecnologia desenvolvida para o setor do Turismo, ou, no caso da educação, TRALDI (1987), PIMENTA e ANASTASIOU (2005) e MOREIRA e SILVA (2005) cujas duas últimas obras citadas tratam mais especificamente do currículo escolar.

8 LISTA DE SIGLAS ABBTUR - Associação Brasileira de Bacharéis em Turismo ABDETH - Associação Brasileira de Dirigentes de Escolas de Turismo e Hotelaria BDET - Boletim de Desempenho Econômico do Turismo BSP - Business Server Provider CBO - Classificação Brasileira de Ocupações CEDERJ - Centro de Educação Superior a Distância do Rio de Janeiro CEEAD - Comissão de Especialistas de Ensino de Administração CF - Constituição Federal CFE - Conselho Federal de Educação CNE - Conselho Nacional de Educação CRM - Costumer Relationship Management (Gestão do Relacionamento com o Cliente) CRO - Central Reservation Office (Escritórios Centrais de Reservas) CRS - Central Reservation System (Sistemas Centrais e Reservas) DM - Datamining DW - Datawarehouse EMBRATUR - Instituto Brasileiro de Turismo ENBETUR - Encontro Nacional de Bacharéis em Turismo ERP - Enterprice Resourse Planning (Sistema de Planejamento de Recursos Empresariais) GDS - Global Distribuiton System (Sistemas de Distribuição Global) GPS - Global Position System IES - Instituição de Ensino Superior

9 IUOTO - União Internacional das Organizações Oficiais de Propaganda Turística LDB - Lei de Diretrizes e Bases para o Ensino MEC - Ministério da Educação MTE - Ministério do Trabalho e Emprego MTur - Ministério do Turismo OMT - Organização Mundial do Turismo PMS - Property Management System (Sistema Gerenciamento de Propriedade) PNT - Plano Nacional do Turismo SeSu - Secretaria de Educação Superior SIG - Sistema de Informação Geográfica TI - Tecnologia da Informação TICs - Tecnologias da Informação e Comunicação UFF - Universidade Federal Fluminense UFRRJ - Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro UHs - Unidades Habitacionais UNIRIO - Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro

10 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Quadro de Pessoal (%): empresas que aumentaram, mantiveram ou reduziram seu quadro de funcionários Tabela 2 - Quadro de Pessoal (%): empresas que aumentaram, mantiveram ou reduziram seu quadro de funcionários (Transporte Aéreo) Tabela 3 - Quadro de Pessoal (%): empresas que aumentaram, mantiveram ou reduziram seu quadro de funcionários (Operadoras de Turismo) Tabela 4 Empresas que exigem experiência anterior (Catho e ABAV-RIO). 61 Tabela 5 Exigência de experiência no setor de Turismo (Catho e ABAV-RIO) Tabela 6 Vagas que exigênciam em conhecimento em algum tipo de tecnologia (Catho e ABAV-RIO) Tabela 7 - Tecnologias exigidas de acordo com a categoria da vaga (Catho) 65 Tabela 8 - Tipos de tecnologias exigidas de acordo com a categoria da vaga (ABAV-RIO) Tabela 9 - Número de cursos ligados à área do Turismo LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 1 - Evolução do Emprego Gráfico 2 - Categoria dos Cargos (Catho) Gráfico 3 - Categoria dos Cargos (ABAV-RIO) Gráfico 4 - Formação acadêmica exigida (Catho) Gráfico 5 - Tipos de tecnologias exigidas (Catho) Gráfico 6 - Tipos de tecnologias exigidas (ABAV-RIO) LISTA DE FIGURAS Figura 1 - Ciclo estratégico do CRM... 41

11 SUMÁRIO INTRODUÇÃO CAPÍTULO I O TRADE TURÍSTICO E SUA RELAÇÃO COM A TECNOLOGIA O fenômeno do turismo O conceito de tecnologia e sua influência sobre o turismo CAPÍTULO II AS PRINCIPAIS TECNOLOGIAS VOLTADAS PARA O MERCADO DO TURISMO Como os setores do Trade Turístico utilizam a tecnologia Setor hoteleiro Setor de agências de viagem Os principais Sistemas de Reservas e de distribuição global CAPÍTULO III AS EXIGÊNCIAS DO MERCADO Análise teórica Análise quantitativa sobre a pesquisa de campo CAPÍTULO IV A QUESTÃO DA TECNOLOGIA DENTRO DAS UNIVERSIDADES A finalidade da universidade e seu papel na sociedade Debates sobre o currículo e o currículo no Ensino Superior A evolução do curso superior em Turismo no Brasil Análise sobre a abordagem da tecnologia nas IES públicas do Rio de Janeiro Universidade Federal Fluminense Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro... 97

12 4.5 Considerações finais CONCLUSÃO BIBLIOGRAFIA WEBGRAFIA

13 12 INTRODUÇÃO O objetivo geral do presente trabalho é demonstrar a importância do ensino das tecnologias desenvolvidas no mercado do turismo para a formação profissional do bacharel em turismo. A fim de desenvolver plenamente este objetivo, são considerados no decorrer da pesquisa os seguintes objetivos secundários: contextualizar o fenômeno do turismo bem como as tecnologias envolvidas nesta área; estudar como o mercado de trabalho se comporta no que diz respeito à exigências de conhecimento em tecnologias e finalmente observar tanto do ponto de vista teórico quanto na prática como as universidades públicas se comportam frente a essa demanda. A opção de analisar o ensino da tecnologia no curso de Turismo se mostra relevante pela importância que as atividades deste setor vêm alcançando nas últimas décadas e como o desenvolvimento econômico do turismo vem ganhando destaque no mundo e no Brasil, mesmo diante das recentes crises econômicas, criando cada vez mais postos de trabalho e atraindo a atenção do governo e de grandes investidores. Podemos observar a importância que o Estado tem dado a este setor com a criação do Ministério do Turismo (MTur) em 2003 e, neste mesmo ano, com a publicação do primeiro Plano Nacional do Turismo (PNT). Paralelamente à criação do MTur e do PNT, foram criados os primeiros cursos de graduação em Turismo nas universidades públicas do estado do Rio de Janeiro. Em 2006, o Ministério da Educação (MEC), em conjunto com o Conselho Nacional de Educação e a Câmara de Educação Superior publicou a resolução nº 13, que instituiu as diretrizes curriculares nacionais do curso de graduação em turismo. Tudo isso demonstra que, nos últimos anos, o Estado tem considerado a formação acadêmica do profissional como um dos determinantes para o desenvolvimento do Turismo. Como podemos observar atualmente, a tecnologia está cada vez mais presente em todas as áreas do conhecimento, influenciando inclusive na formação acadêmica. E não é diferente com o turismo. Desde a década de 1970, sistemas tecnológicos vêm sendo desenvolvidos especialmente para o

14 13 gerenciamento e operação das mais diversas áreas setor de turismo, otimizando e maximizando sua produtividade. A popularização da internet foi outro marco que, sob vários aspectos, trouxe grandes modificações no meio profissional, dentre os quais: novas formas de comunicação com clientes e fornecedores, sistemas tecnológicos interligados mundialmente por redes, acesso às informações em tempo real, dentre outros. O último elemento deste tema, a educação no Ensino Superior, demanda maiores reflexões principalmente no que diz respeito ao contato inicial do graduando em Turismo com as ferramentas tecnológicas mais utilizadas na sua área. Dois fatores nos alertam para os problemas a serem enfrentados por esses alunos: de um lado, um mercado altamente competitivo e que exige cada vez mais do profissional, do outro lado, cursos de bacharel em Turismo oferecidos pelas universidades públicas do Rio de Janeiro, criados recentemente e ainda em fase de adequação de acordo com as normas mais atuais sobre as Diretrizes Curriculares do curso. Esses dois fatores nos alertam duas questões que neste trabalho serão analisadas de forma conjunta: como a universidade está preparada para a inserção da tecnologia no seu currículo e qual é a importância deste conhecimento para a formação do bacharel em turismo? O presente trabalho se justifica pelas contribuições que pode oferecer sobre o desenvolvimento curricular do curso de Turismo, a formação do graduando e sua preparação para o mercado de trabalho. Este estudo se encontra dividido em quatro capítulos. No primeiro capítulo serão delineados os conceitos básicos relacionados ao fenômeno do turismo para entendermos melhor o contexto desta atividade atualmente. Posteriormente neste mesmo capítulo serão desenvolvidos os conceitos básicos que envolvem a ideia de tecnologia: tecnologia da informação, inteligência artificial, programas e softwares. Por último, será apresentada uma breve análise relacionando os dois elementos: tecnologia e turismo. No capítulo seguinte serão detalhadas as diversas formas que a tecnologia foi desenvolvida para auxiliar exclusivamente o setor de Turismo. Haverá um subcapítulo em especial para os Sistemas de Distribuição Global e Sistemas de Reservas, ferramentas que possuem um histórico próprio e que

15 14 atualmente são indispensáveis para os principais setores do turismo (Hospedagem, agenciamento e transporte aéreo). No terceiro capítulo será apresentado um breve debate teórico sobre o que o mercado espera do profissional de turismo. Posteriormente, através dos resultados sobre a pesquisa de ofertas de emprego será possível observar até que ponto o conhecimento de tecnologias poderia auxiliar o turismólogo na sua inserção ao mercado de trabalho. No quarto capítulo o presente estudo se volta para a Educação Superior. Inicialmente haverá um debate sobre a finalidade da universidade frente ao aluno e à sociedade. Posteriormente, em um subcapítulo separado será dada uma atenção especial ao Currículo, principal ferramenta de planejamento e controle de uma instituição de ensino. Serão desenvolvidos alguns conceitos gerais sobre o tema, os elementos e atores que o influenciam, bem como o seu planejamento, em especial, no ensino superior. No próximo subcapítulo será realizado um enfoque no ensino superior em Turismo, apresentando um breve histórico no Brasil e no Rio de Janeiro. Este capítulo será finalizado com uma análise sobre como o tema tecnologia é abordado nos cursos de Graduação em Turismo oferecidos pelas universidades públicas do Estado do Rio de Janeiro. Tal análise será realizada através de um estudo sobre as ferramentas curriculares disponibilizadas pela coordenação dos cursos. O quinto e último capítulo, será finalizado, a partir dos capítulos anteriores, com um panorama geral sobre o tema a fim de delinear o objetivo principal: concluir até que ponto as tecnologias são importantes na formação profissional do turismólogo. Além disso, será possível identificar as lacunas entre as tecnologias desenvolvidas para o setor do Turismo e o que é visto sobre o assunto nas universidades pesquisadas. E finalmente, serão apresentadas sugestões de como abordar o tema Tecnologia tanto na questão de conteúdo quanto na questão metodológica.

16 15 CAPÍTULO I O TRADE TURÍSTICO E SUA RELAÇÃO COM A TECNOLOGIA 1.1 O fenômeno do turismo O ato de se deslocar, segundo alguns autores, segue a história do homem há milhares de anos (BARRETTO, 1995; IGNARRA, 2000; DIAS, 2005). Barretto, ressalta que esses deslocamentos foram as primeiras grandes imigrações, não podendo ser consideradas como viagens, pois viajar implica voltar, e o homem primitivo ficava no novo lugar desde que este lhe garantisse o sustento; ele não tencionava retornar (BARRETTO, 1995, p. 44). De qualquer maneira, as primeiras eras da nossa evolução são constantemente mencionadas pelos autores para demonstrar que o ato de se movimentar é algo inerente ao homem. Para entender melhor o fenômeno do turismo, é preciso salientar algumas características acerca da sua teorização. Em primeiro lugar, o turismo é um tipo de viagem, mas nem toda viagem é turismo conforme será detalhado posteriormente (BARRETTO, 1995 e DIAS, 2005). Além disso, de acordo com Dias (2005), o conceito de turismo é uma matéria bastante controversa segundo os vários autores que tratam desse assunto (p. 23). Margarida Barretto (1995), por exemplo, citou 17 definições diferentes que foram elaboradas no decorrer da história teórica e acadêmica do turismo. Finalmente, se compararmos a história teórica do turismo com outras áreas de conhecimento, observamos que este é muito recente. Sancho (2001) e BARRETTO (1995) afirmam que o início das teorias que envolvem este fenômeno surgiu com a criação da escola de Berlim, por volta da década de Devido às dificuldades em definir o tema (semelhança da conceituação com outras atividades, diversidade de conceituações entre grande número de autores e teorização relativamente recente), é importante relacionar os elementos que são comuns a todas as definições e, consequentemente, diferenciam esta atividade de outras, como viagens e migrações:

17 16 Existe um deslocamento por parte da demanda até o local de consumo; Existe um prazo de permanência (a viagem pode ser um deslocamento só de ida, contudo no turismo deve existir o deslocamento de ida e volta ) O turismo compreende tanto as atividades no local de visitação, quanto seu deslocamento até o destino; Seja qual for o motivo da viagem, para ser considerado turismo, ela inclui serviços e equipamentos criados para satisfazer as necessidades dos turistas. (o que pode não ocorrer em uma viagem comum, como, por exemplo, para trabalho temporário ou estudos) 1. Um exemplo do quão recente é a conceituação de turismo é a definição estabelecida pela Organização Mundial do Turismo (OMT), publicada apenas em 1994, a ser adotada pelos países membros com o propósito de padronizar as pesquisas estatísticas no mundo: O turismo compreende as atividades que realizam as pessoas durante suas viagens e estadas em lugares diferentes ao seu entorno habitual, por um período consecutivo inferior a um ano, com finalidade de lazer, negócios ou outras. (SANCHO, 2001, p. 38) Vale ressaltar que a OMT foi criada em 1970 com o nome União Internacional das Organizações Oficiais de Propaganda Turística (IUOTO), adotando o nome atual em Atualmente a OMT é um órgão especializado das Nações Unidas, se tornando a principal organização internacional com papel de promoção e desenvolvimento do turismo responsável e sustentável no mundo (DIAS, 2005). A história das viagens é longa, passando pelos gregos que viajavam para tratar da saúde e para se reunirem para os jogos olímpicos. Na Idade Média, destacam-se as grandes cruzadas, era também uma época em que as viagens dentro da Europa se mostravam pouco seguras e apenas aquelas pessoas que tinham necessidades administrativas ou sociais a realizavam. Depois na Idade Moderna, a partir do século XVI, começam as grandes 1 Tópicos adaptados de Sancho (2001, p. 39) e Quevedo (2007, p. 20).

18 17 viagens exploratórias para as Américas. Foi neste momento que surgiu o termo tour, de origem francesa. Eram assim chamadas as viagens que os jovens de família rica realizavam pela Europa, particularmente pela França, por alguns anos, antes de retornarem e recomeçarem seus estudos. Ainda que esta seja uma das primeiras manifestações de viagens que se assemelhem com o turismo atual, foi apenas no final do século XIX, com o crescimento das ferrovias e trens, que este fenômeno começou a se desenvolver como o conhecemos hoje, contudo ainda se manifestava apenas entre as elites. (DIAS, 2005; IGNARRA, 2000; BARRETTO, 1995). O turismo só começou a tomar a dimensão que vemos hoje após a Segunda Guerra Mundial, na década de 1950, quando surge um novo mundo que, por conta de diversos fatores presenciou o advento de uma nova concepção de turismo: o turismo de massas. Alguns desses fatores foram: desenvolvimento da aviação civil que diminuiu as distâncias, o direito às férias remuneradas e maior democratização do ensino (TRIGO, 1999, p. 15), dentre outros fenômenos. Com o advento do turismo de massas, nos países industrializados, integrantes de todas as classes sociais tendem a praticar o turismo, que se incorpora gradativamente aos hábitos e costumes, convertendo-se em um fato significativo da vida das pessoas, principalmente daquelas que habitam os grandes centros. (DIAS, 2005, p. 38) A partir deste momento, houve uma explosão do turismo das massas, que tinha como características viagens padronizadas e, em muito casos, em grupo a fim de manter o baixo custo. Nunca houve um número tão grande de viagens a turismo, pois esta atividade se tornou algo inerente aos mais diversos grupos sociais (DIAS, 2005). Hoje vivemos um novo momento deste fenômeno que se torna global. Vemos principalmente o desenvolvimento do turismo segmentado (diferente daquele turismo das massas, padronizado), compreendendo serviços e atividades voltadas especialmente para os mais diversos perfis de turista: terceira idade, jovens estudantes, esportistas, amantes da natureza, o turismo social, dentre outros (QUEVEDO, 2007 e LAGE e MILONE, 2000). Segundo Quevedo:

19 18 Atualmente, é possível observar que o fenômeno do turismo tomou grandes proporções e se tornou uma das atividades econômicas e sociais mais importantes do mundo influenciado por uma sociedade caracterizada pelo acesso ilimitado à informação, maior tempo livre e busca por uma melhor qualidade de via. (QUEVEDO, 2007, P. 27). Lage e Malone (2000) detalham algumas características da sociedade contemporânea que influenciam uma nova forma de pensar em turismo: Com a modernidade e o desenvolvimento da comunicação, do avanço tecnológico, de novos costumes, valores culturais e hábitos emergentes, as viagens foram crescendo, sofisticandose e se adequando às novidades globais da época, demandada pelos consumidores e oferecida pelos produtores. (LAGE e MALONE, 2000, p. 26) Assim, a partir de diversos autores é possível concluir que o perfil da demanda do turismo no século XXI se apresenta cada vez mais informada e informatizada. Atualmente, com grande experiência em viagens, o turista não aceita qualquer tipo de serviço e o custo da viagem já não é o principal fator decisivo e motivacional (como foi com o turismo de massas), sobretudo por conta da alta concorrência que força os produtores a otimizarem sua produtividade diminuindo da melhor forma possível seus preços. Cooper destaca o novo perfil do turista sob o viés do mercado, destacando-o como novo um consumidor que: Tem capacidade de discernimento, busca qualidade e participação e, no mundo desenvolvido, faz cada vez mais parte de um grupo etário mais velho. As motivações para a viagem estão se afastando do passivo prazer ao sol, indo em direção a outras mais relacionadas à educação e à curiosidade. (Cooper et all, 2001, p. 483) Por ser um tema amplamente analisado sob o enfoque econômico, o presente trabalho levará em consideração o conceito de mercado turístico (ou Trade Turístico, Dias (2005)) cujo sistema o futuro turismólogo está inserido. Ao levar em consideração o mercado como um conceito geral, é preciso observar que há dois elementos fundamentais para sua existência: a oferta e a demanda (LAGE e MILONE (2000), SANCHO (2000) e DIAS (2005)). Lage e Milone (2000) determinam demanda e oferta como os agentes econômicos, respectivamente, consumidores e produtores cuja relação se define através de uma troca de informações e decisões de compra e venda de diversos bens e

20 19 serviços a disposição. Essa relação chamada pelos autores de vasta rede de informações (Ibid, 2000, p.29) é o que chamamos de mercado turístico. Segundo Dias (2005), no caso do turismo, a demanda é composta por: (1) turistas efetivos; (2) turistas potenciais (aqueles que pretendem ou desejam realizar turismo). Lage e Milone detalham que a demanda pode ser interpretada como a quantidade de bens e serviços que os consumidores estão dispostos a adquirir por um dado preço e em um dado período de tempo (2000, p. 26). Analisando a demanda com base neste conceito é possível quantifica-la através de pesquisas de campo sobre o consumo real e potencial de equipamento e serviços turísticos, obtendo assim uma análise sobre o perfil do turista (Ibid, 2000). Já a oferta, segundo Dias (2005) é composta por: (1) recursos turísticos, são os atrativos turísticos naturais e artificias; (2) serviços e equipamentos turísticos, que são: meios de hospedagem, alimentação, entretenimento, e outros serviços como agência de viagem, transportadoras, locadoras de veículos, etc; e (3) infraestrutura e serviços básico, definido por Lage e Milone como infraestrutura de apoio turístico, formada pelo conjunto de obras e instalações de estrutura física de base para a atividade turística (2000, p. 29). Alguns exemplos de infraestrutura de apoio turísticos são: sistema de transportes urbanos, sistemas de comunicações, serviços urbanos como esgoto e água, energia, sinalização, limpeza urbana, dentre outros (Ibid, 2000). É dentro da oferta que se encontram os chamados setores turísticos, composto por todos os tipos de empresas que oferecem direta ou indiretamente equipamentos e serviços para a realização de uma viagem a turismo. Ao analisarmos os setores turísticos é possível observar o mercado de trabalho onde o turismólogo poderá atuar (Ansarah, 2005). Foram encontradas diversas formas de divisões do setor, contudo a classificação resumida no presente trabalho utilizará as fontes que apresentaram as divisões semelhantes entre si como Dias (2005), Ansarah (2005) e dois documentos estatísticos do MTur: Estatíticas Básicas de Turismo, Outubro de 2010 e Boletim de Desempenho Econômico do Turismo, publicado em Outubro de 2012.

21 20 A partir destes autores é possível englobar os principais setores que atendem o turista na seguinte divisão: meios de hospedagem, agências e operadoras de viagens, o setor de transportes entre os destinos (Transporte aéreo, rodoviário, marítimo e pluvial), organizadores de eventos, alimentos e bebidas (bares, restaurantes e lanchonetes) e lazer (parques temáticos, boates, casas de espetáculos, dentre outros). Muitos desses setores apresentam uma ampla demanda, sendo os turistas um dos perfis de clientes que atende (como os setores de alimentos e bebidas e de lazer localizados no destino turístico, que também atendem aos moradores da região). Finalizando este tópico, é importante destacar o contexto do turismo atualmente. Como se encontra esta atividade hoje? O turismo, mais do que outros campos do mercado, é altamente vulnerável. Consequentemente, os mais diversos fatores externos, ou seja, variáveis que estão fora do alcance dos produtores, (mudanças políticas, econômicas ou sociais, acidentes ambientais naturais ou causados pelo homem, evolução do transporte e da comunicação, dentre outros) influenciam seu futuro provocando sua expansão ou retração e alterando o perfil dos viajantes e dos fornecedores de equipamentos e serviços turísticos (Cooper et all, 2001). Na prática, é possível citar vários fatores que provocaram algum tipo de variação no mercado do turismo nos últimos anos: os conflitos políticos da Primavera Árabe, por exemplo, foram os principais fatores de redução na chegada de turistas no norte da África (-8%) e no Oriente Médio (-9%) em 2011; a crise econômica de 2008/2009 provocou redução mundial no número de turistas 2 ; problemas de saúde mundial, como, por exemplo, o que ocorreu com a disseminação da gripe H1N1 que ameaçou a movimentação dos viajantes internacionais entre 2008 e Contudo, estatísticas apresentadas tanto pelo MTur quanto pela OMT evidenciam que o turismo demonstra grande força de crescimento mesmo em meio aos grandes problemas mundiais, firmando sua importância na economia mundial. Abaixo segue uma citação do Panorama OMT del turismo editado em 2012 referente aos dados coletados de 2011: 2 OMT - Panorama del turismo. Edición MTur - Estatística e indicadores de turismo no mundo, 2009

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