O MISTÉRIO DA CAIXA-PRETA

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1 Flávio Marcus da Silva Copyright 2012, Flávio Marcus da Silva. Capa: Kythão 1ª edição 1ª impressão O MISTÉRIO DA CAIXA-PRETA Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta edição pode ser utilizada ou reproduzida - em qualquer meio ou forma -, nem apropriada e estocada sem a expressa autorização de Flávio Marcus da Silva. E OUTRAS HISTÓRIAS Virtualbooks 2

2 ÍNDICE Felizes acima do peso / 05 Olho gordo / 09 Amar Deus / 14 Realidade gritante / 19 Muito esquisito / 22 Pôr do sol no campo / 27 A pescaria / 30 Felicidade / 35 Descendo do salto / 40 Soberba / 45 Pombos / 49 Flores brancas na noite escura da alma / 53 Labaredas na Escuridão / 58 Na voz de Amália / 64 Partir / 70 Café com ingleses / 75 O mistério da caixa-preta / 82 O sol então brilhou mais forte / 94 Outro caminho / 99 Não foi preciso matar ninguém / 103 Para ter certeza / 109 Das profundezas / 116 Comadre seca / 122 O soar da Trombeta / Quatro / 130 Iogurte com aveia / 134 No clube de escritores / 138 No avesso de mim / 142 Subindo na vida / 144 Bicho feroz / 147 Antes do fim / 151 4

3 Felizes acima do peso Na festinha de aniversário da filha de um conhecido advogado na cidade, o jovem professor e sua esposa dividem a mesa com um casal de amigos. Eles não têm filhos, mas vieram assim mesmo, por vir. Para cumprir o social. O prato com coxinhas, empadas e canapés acaba de chegar. As crianças brincam no parquinho longe dos pais, que nas dezenas de mesas espalhadas pelo enorme salão colorido conversam ao som de Xuxa e Balão Mágico. O professor olha para a sua linda e jovem esposa os cabelos negros, lisos e brilhantes, a pele clara, de uma palidez de conto de fadas e sente no peito uma dor difícil de explicar, porque não dói: algo como uma nuvem densa e fria, quase gelada, preenchendo os espaços entre o coração e os pulmões, indo até a garganta e voltando, indo e voltando, lentamente. É a angústia. A esposa não conversa. Observa os amigos do marido com desprezo. Não sabe o que está fazendo ali, nem por que está casada com um professor pobre e acima do peso. Justo ela, que é tão magra, linda e saudável, e ainda por cima de estirpe nobre, pois seu pai, embora falido, é tataraneto do Marquês de Itamaracá. Na opinião de algumas colegas de trabalho do jovem professor, aquela barriga levemente inflada esticando a camisa de malha tamanho M, que a esposa insiste em fazê-lo vestir (quando está claro para todos que a G é a única possibilidade), é um charme a mais, tornando-o até 5 mais bonito e sexy. Mas sua mulher não concorda com isso de jeito nenhum. Quer vê-lo magro, sem barriga, sem bunda, sem coxa, sem aquele harmonioso preenchimento de gordura que disfarça os ossos salientes do rosto, tornando sua face mais redonda e mais atraente, na opinião das colegas. Quer vê-lo na balança digital do quarto todos os dias, anotando o peso, calculando o índice de massa corporal e as calorias ingeridas. A caminhada é um ritual diário sagrado na vida do casal. Pelo menos para a mulher. Porque para ele é uma tortura das mais difíceis de suportar. Ele simplesmente odeia cada segundo passado na avenida, onde caminham todos os dias, faça chuva, faça sol, morra parente morra quem quer que seja, acabe o mundo: eles estão lá, no mesmo ritmo, a passos largos, rápidos, em silêncio. Um silêncio pesado e triste que ele preenche conversando baixinho consigo mesmo, preparando aulas, imaginandose longe dali, em qualquer outro lugar, comendo um pastel, um crepe ou uma torta de limão. Mas, como eu disse, o pratinho com coxinhas, empadas e canapés acaba de chegar. Com um olhar fulminante, a esposa faz o marido se lembrar do pacto selado entre eles há duas semanas: nada de gordura, nada de fritura e nada de açúcar. Discretamente ela lhe faz um sinal com a mão, mostrando-lhe a bolsa de couro que ela traz no colo, onde duas barras de cereal se encontram sequinhas, durinhas, com seu gostinho inconfundível de capim seco. Como é sábado, os nomes dos sabores podem variar: trufa e torta de morango (mas no fundo é tudo a mesma coisa). O combinado era que, quando a fome apertasse, ele pegaria discretamente uma das barras e se dirigiria ao banheiro para comê-la. Simples e prático. 6

4 Mas nesse momento a nuvem densa e fria que cresce em seu peito fica mais pesada e escura (de um cinza quase preto), cheia de ódio e desilusão. E nela surgem raios e relâmpagos, que aos poucos vão quebrando a crosta que serve de fachada para esse casamento infeliz, sacudindo a alma faminta de vida desse jovem quase gordo. E ele toma uma decisão. Olha desafiador para a esposa (que o encara com determinação e frieza) e lentamente pega uma coxinha. Não é daquelas coxinhas vagabundas, frias e emborrachadas, que viram uma pasta sem gosto antes mesmo de se misturarem à saliva. Não. É coxinha frita na hora, firme, sequinha por fora, com recheio abundante de frango e catupiry. Ele dá a primeira mordida. Sente seus dentes quebrarem a fina capa crocante e penetrarem lentamente a maciez tenra da deliciosa massa recheada. E nesse momento de sublime deleite, um pouco de catupiry escorre pelo seu queixo. Ele sorri e passa o dedo no creme, que leva à boca com sofreguidão, sorvendo tudo com um estalar de língua molhada que faz a esposa tremer de indignação e ódio no mais íntimo do seu ser. Os olhos da mulher estão em chamas. Mas ele continua. Um canapé inteiro desaparece na sua boca de uma só vez. E outro. E mais outro. Mais uma coxinha. Uma empada. Um copo de coca-cola bem gelada (da legítima, com açúcar). E outro. E mais outro. E mais uma coxinha. E depois dos parabéns, uma mão cheia de doces, sob o olhar atônito da esposa (que não acredita no que vê). Do 7 bolo ele come dois pedaços, saboreando-os com uma alegria de dar gosto. O olhar resoluto e frio da esposa diz tudo. Ela se levanta e, sem se despedir de ninguém, desaparece da festa. Ao chegar em casa, o professor descobre que a mulher foi embora levando todas as suas roupas e objetos pessoais. Dois dias depois ele recebe a visita de um advogado, que lhe explica todos os detalhes do divórcio. Ele aceita tudo sem reclamar. Finalmente está livre. O divórcio deixa-o mais pobre e um pouco mais gordo, mas muito mais feliz. Três semanas depois ele começa a namorar a nova professora de História colégio, uma mulata linda de morrer, cheia de carne para pegar e de amor para dar. Comem de tudo, reservando as guloseimas mais calóricas para os finais de semana, e exercitam-se na cama quase todas as noites, o que ajuda a manter o excesso de peso num nível aceitável. Ele adora suas ancas largas, sua bunda redonda e volumosa e até suas celulites. Formam um casal perfeito... Acima do peso... Mas felizes... Muito felizes. 8

5 Olho gordo Ah, o Facebook... Elas eram amigas, mas morriam de inveja uma da outra. Uma inveja febril, dolorosa e intensa, mas que elas sabiam disfarçar muito bem. (É que a maioria das pessoas não consegue perceber o mal no brilho do olhar). Eram jovens, lindas e de um nível social elevadíssimo, muito acima do que os economistas costumam chamar de Classe A: um mundo à parte, cercado por muralhas, grades, guaritas e seguranças armados 24 horas. Tinham quase a mesma idade. Eram casadas com dois irmãos gêmeos, jovens como elas, herdeiros do mesmo império: um enorme conglomerado de indústrias espalhadas pelo mundo todo. Era dinheiro que não acabava mais. E a inveja... Uma inveja que ardia por dentro, apesar dos sorrisos encantadores, que vinham sempre acompanhados de elogios, abraços e beijinhos: Você está linda, Que cabelo!, Onde você comprou o vestido?. Mas por dentro era pura brasa ardente: fogo azul, frio, queimando, espetando, como farpas incandescentes. Elas procuravam sempre dar destaque aos detalhes que realçavam e valorizavam uma em detrimento da outra: um vestido, uma viagem, um cabelo, uma festa, uma façanha, e faziam questão de exibi-los com acinte, sobretudo onde a outra se encontrava, ou pelo menos fazer a informação chegar a ela da forma mais ostentosa possível. E quando elas descobriram o Facebook? 9 Como era bom se exibir, colecionar amigos, gente curtindo, comentando, e a outra assistindo a tudo, morta de inveja. Na opinião dos psicólogos, quem utiliza esse recurso visando a criar uma imagem positiva de si para o mundo, embora diga que o que sente é simplesmente prazer em compartilhar com os amigos os momentos bons da vida, no fundo o que lhe move o espírito é um desejo ardente de causar inveja no outro, de se destacar, de aparecer. Elas eram desse tipo, mas jogavam num nível muito mais alto que o dos simples mortais. Enquanto nas zonas baixas da arraia-miúda pululavam viagens a Castelhanos, Rio das Ostras, Cabo Frio e Caldas Novas, na camada onde as duas navegavam, as fotos revelavam nada menos que restaurantes sofisticados em Paris, Praga, Genebra e Nova York; cruzeiros de luxo no Mar Mediterrâneo e no Caribe; cassinos em Las Vegas e Monte Carlo. E elas postavam as fotos como jogavam cartas numa partida de poker: Cubra essa agora, vagabunda. Agora eu quero ver. E as cartas eram lançadas na mesa: viagens, festas, jóias e também amigos importantes curtindo suas futilidades de luxo, como governadores, ministros, grandes empresários e artistas de renome: um puxa-saquismo de alto nível, requintado, sem erros de português. Bastava uma delas postar Dudu me deu hoje um relógio cravejado de diamantes para que um bando imenso de puxa-sacos curtisse a foto, alguns chegando até a comentá-la! O interessante é que as duas curtiam as postagens uma da outra. Algumas vezes elas hesitavam, indecisas, os 10

6 olhos faiscando de ódio, mas curtiam assim mesmo, para mostrar amizade. E quando já tinham uma carta guardada na manga, comentavam felizes as vantagens que a outra contava, mas sabendo que em breve o jogo viraria. Até que um dia uma delas postou: Estou grávida. Para a outra, que nunca tinha pensado em ter filhos, foi quase o fim do mundo. O marido foi convencido naquela noite mesmo a engravidá-la, porque se para a outra estar grávida era uma vantagem, ela também tinha que engravidar, mesmo que no fundo não desejasse isso. Muito mais fácil seria destacar as inúmeras desvantagens de ter filhos, dizer a verdade: Eu e meu marido não queremos ter filhos por isso e aquilo. Mas não. Ela optou por engravidar também, com medo das pessoas acharem que ela afirmava não querer ter filhos porque não podia ter, por ser estéril. Nunca, jamais ela poderia ser estéril! Mas era. Eles tentaram, tentaram, tentaram e nada. Consultaram um especialista renomado nos Estados Unidos e receberam o diagnóstico com lágrimas nos olhos: ambos eram estéreis. O marido não tinha nenhum espermatozóide aproveitável, e ela tinha o útero completamente atrofiado e seco. Enquanto isso a outra postava as fotos de sua bela gravidez planejada, desejada, esperada. Cada etapa vivida com uma alegria inexprimível, o marido feliz, junto dela, o quartinho do bebê sendo montado aos poucos, com tudo do bom e do melhor, e a barriga crescendo, o corpo se transformando... E para ela nada mais importava, nem as fotos que a amiga colocava diariamente em seu álbum mostrando cenas dela e do 11 marido escalando montanhas, saltando de paraquedas, exibindo corpos perfeitos coisas que uma mulher grávida não poderia fazer, mas que, para ela, com um filho crescendo na barriga, plena de uma felicidade que só uma mãe pode sentir, não tinham a menor importância. E aquela indiferença da futura mãe fazia com que a inveja doentia da outra ganhasse proporções terríveis. Brasas em chamas. Labaredas que ardiam e cresciam, tomando conta dela toda, saindo pelos olhos em faíscas que brilhavam com intensidade (mas que pouquíssimas pessoas conseguiam perceber). No sétimo mês de gravidez as duas se encontraram numa festinha boba, na casa de um amigo. Estava lá um rapaz que não era conhecido de nenhum dos convidados, um professor particular de matemática que havia conseguido um verdadeiro milagre na escola com o filho do dono da casa. Ele estava sentado sozinho no sofá, bebendo uma taça de vinho tinto, a cabeça vazia de pensamentos, completamente em paz consigo mesmo. Mas assim que a mulher grávida entrou no apartamento, ele sentiu uma forte energia negativa concentrando-se aos poucos no bebê que a jovem carregava orgulhosa e feliz na barriga. Ele sentia essas coisas desde pequeno. E quando as sentia, rezava. Rezava até passar. Tinha muita fé em Santa Teresa de Ávila. Mas aquilo... Aquilo era demais... Ele então procurou a fonte da energia e levou um susto ao perceber um brilho estranho e forte nos olhos da mulher que, dentre todas as pessoas que estavam na festa, parecia ser a mais feliz com a chegada da futura mamãe. Ela sorria e dizia Que linda!, Que barriga 12

7 linda!, mas seus olhos estavam em chamas e cresciam, cresciam... Ninguém via isso, só ele. E a felicidade da jovem mãe só fazia aumentar a força do mal que aos poucos envolvia a sua barriga. Durante toda a festa, os olhos vivos de carne e sangue da invejosa poucas vezes se dirigiram à amiga. Mas seus olhos do espírito, gordos, em chamas, que só o jovem professor conseguia ver, atravessavam móveis e paredes e não se desgrudavam da bela barriga cheia de vida nova se fazendo, surgindo, crescendo. Até que a mulher grávida não aguentou e caiu no chão, com fortes dores, gritando. Todos foram até ela para socorrê-la, inclusive a amiga, que demonstrava preocupação e queria ajudar Tragam isso, tragam aquilo, vai ficar tudo bem, querida. Mas isso na máscara visível, na encenação, porque o professor estava de olho nela e viu. Viu seus olhos crescerem quase do tamanho do próprio rosto, e aquela energia escura (ele viu!), tão densa que ele quase podia tocá-la e enrolá-la no braço, como um tecido grosso, molhado e frio. Então ele disse, com as mãos na barriga da mulher caída: Todos vocês, rezem comigo. E de seus lábios saiu uma bela oração de Santa Teresa de Ávila. Rezou com muita fé, e foi seguido por todos, até pela invejosa, que aos poucos foi perdendo a força, seus olhos se encolhendo, voltando para as órbitas, e a dor na barriga da jovem grávida foi passando, passando, até desaparecer. 13 Amar Deus Lucas é casado com Sofia, uma jovem alegre e calma, de uma beleza simples, quase feia. (Mas como brilham seus olhos de amor e generosidade! Como é iluminada!). Lucas é professor de Literatura e escreve uma tese sobre Clarice Lispector. É jovem também, mas tem se descuidado um pouco de seu aspecto ultimamente, o que o faz parecer mais velho e também mais feio do que realmente é. Mas é um bom rapaz, humilde, quase sem ambições, o que faz dele um alvo privilegiado para as cobranças dos parentes, sempre prontos a chamá-lo de preguiçoso quando percebem que ainda não trocou de carro, não viajou para este ou aquele balneário da moda ou não comprou uma televisão nova (daquelas que todo o mundo tem, menos ele). É que Lucas só trabalha em um colégio, no turno da manhã, e não dá muitas aulas, porque quer se dedicar mais à sua tese e ao trabalho voluntário que realiza no Hospital do Câncer, contando histórias para as crianças. Lucas é apaixonado pela obra de Clarice Lispector, e escreve uma tese sobre ela por puro prazer, sem nenhuma ambição intelectual ou vontade de ingressar como professor em uma universidade. Na verdade, Lucas quer ser escritor de ficção. Quer escrever contos e romances de aventura. Já tem algumas histórias concluídas, mas elas ficam guardadas, em segredo. Só duas pessoas sabem desse seu desejo: sua esposa Sofia (que o alimenta com carinho, para que um dia floresça na forma de um belo livro publicado) e um jovem 14

8 chamado Oscar, filho de um grande amigo seu, um poeta, já falecido. Oscar é cego desde os cinco anos. Hoje, aos dezoito, sentado sozinho na varanda da sua casa, aguarda a chegada de Lucas, que lê para ele todos os sábados. Oscar conhece Braille, que aprendeu ainda criança, e está sempre ouvindo algum CD com romances e contos gravados, mas gosta muito das leituras de Lucas, que além de ter uma presença reconfortante, dá vida aos textos de uma maneira extraordinária. (É que Lucas lê com amor, sem querer nada em troca). Oscar é um rapaz solitário e triste. Faz tratamento para depressão. E segundo o psiquiatra que o trata, as leituras de Lucas, todos os sábados, fazem muito bem a ele. Gabriel é filho de Lucas e Sofia. Tem seis anos, é esperto, inteligente, e hoje está muito feliz porque vai se apresentar no sarau da escola, onde fará uma homenagem ao pai. Lucas explicou a ele que não poderia assistir ao início do sarau, pois estaria na casa de Oscar, mas que chegaria a tempo para ver a sua apresentação, às dezoito horas. Lucas está agora na casa de Oscar, sentado numa confortável poltrona de couro, lendo para ele A paixão segundo G.H., de Clarice. Faltam quinze minutos para as dezoito horas. Lucas sabe que se não interromper a leitura agora não chegará a tempo de assistir à apresentação do filho. 15 Oscar estremece a cada frase lida pelo amigo, tocado pela força e beleza do texto, que ele sente vibrar fundo em sua alma. Chora por dentro, segurando junto ao peito o último livro de poemas do pai, entregue hoje cedo pela editora. Oscar está sozinho com Lucas. Enquanto lê, Lucas segura a mão gelada e trêmula do amigo, esforçando-se para não perder a concentração. A mãe de Oscar disse que chegaria por volta de cinco e quinze, mas até agora nada. Lucas vai à cozinha e tenta ligar para a esposa, sem sucesso. Com certeza o celular dela está desligado, pois o sarau já começou. Volta para a sala e recomeça a leitura, ouvindo dentro de si um apelo mudo para que ele não vá embora, para que não deixe ali, no silêncio de uma leitura interrompida de um livro mágico e perturbador que não permite interrupções, um jovem cego, sozinho, mergulhado na escuridão da própria dor. E continua... Sofremos por ter tão pouca fome, embora nossa pequena fome já dê para sentirmos uma profunda falta do prazer que teríamos se fôssemos de fome maior. O leite a gente só bebe o quanto basta ao corpo, e da flor só vemos até onde vão os olhos e a sua saciedade rasa. Quanto mais precisarmos, mais Deus existe. Quanto mais pudermos, mais Deus teremos. E continua... Chega em casa às oito da noite, levando um exemplar do último livro de poemas de Amadeu Rodrigues, seu 16

9 falecido amigo: uma bela edição em capa dura, presente de Oscar. Amadeu... O velho e querido Amadeu... Poeta solitário, homem simples, que poucos viam e quase ninguém conhecia. Lucas pensa no amigo com afeto, buscando na memória uma imagem que o traga de volta, mas tudo que lhe vem é uma alegria doce que se abre toda num sorriso. De repente, Gabriel vem correndo do quarto, com os olhos brilhando de alegria, e lhe dá um abraço apertado. Sofia aparece logo em seguida e faz um sinal com o dedo, pedindo silêncio ao marido. Lucas pega o livro de poemas que está sobre a mesa. Abre-o na página onde há uma foto do autor e pergunta: É ele? Olhe bem... Sim, diz Sofia espantada.você o conhece? Lucas sente um arrepio lhe percorrendo o corpo e seus olhos se enchem de lágrimas lágrimas de alegria e gratidão. Este é o Amadeu, Sofia... O velho e querido Amadeu... Gabriel volta para o quarto e Sofia explica: Ele viu você ao meu lado hoje no sarau, durante toda a apresentação, e depois, no portão, não te encontrando, perguntou onde você estava. Eu ia dizer que você não tinha ido ao sarau, quando o homem que estava ao meu lado no auditório, sentado onde você certamente estaria, apareceu do nada e disse para o Gabriel, cheio de ternura, que você tinha ido ajudar um amigo e que nos encontraria em casa. O homem me olhou sorrindo, e aquele sorriso me calou... Sofia se aproxima do marido, maravilhada, e continua: Dá para acreditar, Lucas? O Gabriel viu no rosto daquele homem simpático, sentado ao meu lado, a poucos metros do palco, o seu rosto. O SEU rosto, Lucas! Ele até sorriu e acenou para o homem... Um desconhecido! Na hora eu achei estranho, pensei que fosse para mim, mas vi que o homem acenou de volta, sorrindo... O que foi? 17 18

10 Realidade gritante Sozinho em casa o mês inteiro lendo, escrevendo e vendo filmes de terror. A família de férias no litoral. Nenhum telefonema. Ninguém chamando no interfone. Solidão perfeita. Era o que ele queria. Saía só para comprar comida e alugar filmes. À tarde, por volta de cinco horas, fazia um café bem forte. E assava pão de queijo. Que ele recheava com queijo Gorgonzola e presunto de Parma. A televisão ficava ligada o tempo todo. O som também. Só música clássica e jazz. À noite ele preparava um talharim al dente. Cada dia com um molho diferente, mas sempre com muito azeite. E bebia vinho tinto. Vinho bom. Comprava garrafas pequenas, porque não suportava vinho na geladeira. Só na sextafeira ele abria uma grande. E tinha que ser uma obra de arte. Categoria três dígitos. Ou seja: jamais custar menos de cem reais. Comia sobremesa todos os dias. Torta holandesa. Manjar. Pavê de chocolate. Tinha trinta e cinco anos. Saúde perfeita. Bonito. Muito dinheiro. Era empresário, mas quem tocava o negócio era seu irmão mais velho, liberando-o para fazer o que ele realmente gostava: escrever. Ele escrevia muito bem. Seus contos eram primorosos. A crítica e o público gostavam. Um mês inteiro... Que maravilha! Sem filhos. Sem esposa. Podendo ouvir o seu jazz e comer o que quisesse. Sua mulher detestava jazz e enchia o seu saco por causa da comida: Sua barriga está crescendo. Não está na hora de maneirar um pouco, querido?. Mas ele nem ligava. Comia escondido. Fazia o que queria. 19 Um mês sozinho... Puro prazer. Ninguém para amolá-lo. Andava pela casa de cueca, pelado, do jeito que lhe desse na telha. Revia seus filmes preferidos: A Morte do Demônio, A Hora do Espanto, Cemitério Maldito, O Massacre da Serra Elétrica. Lia muito também: Tolstoi, Poe, Agatha Christie, Stephen King. Ia dormir às cinco da manhã. E quando acordava, por volta de duas da tarde, a empregada já tinha arrumado tudo e deixado o almoço prontinho para ele no forno. O cardápio variava. Salmão grelhado ao molho branco. Lulas. Camarão. Lagosta. Filé ao molho madeira. Moqueca de peixe. Foi aí que ele acordou. O despertador buzinava e piscava insistentemente. Seis da manhã. Acordou assustado. Olhou para o lado e viu a esposa dormindo. Uma mulher enorme e feia. Na verdade ela não era feia. Era descuidada. Desleixada. Por isso ficava feia. O homem esfregou os olhos remelentos e viu de novo. Colocou as mãos pesadas na frente do rosto. Este sou eu, disse para crer. A realidade pulsante. Pum, pum, pum... Paredes descascando. Goteira na sala. Privada entupida. Mulher feia. Dor nas juntas. Ele não tinha trinta e cinco anos, mas cinquenta. Tinha que trabalhar para sustentar a família. Era assistente de não sei o quê numa empresa onde quase ninguém sabia o seu nome. Se fosse demitido, ninguém nem ia notar. Mas tinha que estar lá em menos de uma hora. Por isso o despertador. Seis da manhã. Buzinando, buzinando... E ele foi se lembrando de tudo. Era diabético. Não podia beber vinho francês nem comer queijo Gorgonzola. Tinha que estar sempre fazendo dieta. Mesmo assim era gordo. E feio. Não era só desleixo. Era feio mesmo. Tinha três filhos adolescentes que só sabiam cobrar e reclamar. 20

11 Sobretudo reclamar: Aqui em casa não tem nada, Que pobreza. E ele não estava de férias. Nem de folga. Era segunda-feira. Mês de março. Chovia muito lá fora. Os motoristas de ônibus estavam em greve. Ele não tinha carro. O despertador continuava buzinando. E o homem sentado na cama. A barriga enorme. O reumatismo latejando nos joelhos. A mulher roncava. De repente ela se virou na cama e peidou. Um peido alto e fedido. A mulher do sonho era mais nova. Mais bonita. Ele também era mais bonito. Tinha saúde. Dinheiro. Podia comer e beber o que quisesse. Mas a realidade gritava Acorda, desgraçado. O despertador pi, pi, pi, pi, pi... Ele gostava de ler e escrever. Mas não podia. Tinha que trabalhar, trabalhar. Um trabalho detestável. Humilhante. Para pagar as contas. O aluguel. As roupas de marca dos filhos. As baladas. As festas de aparência. E a aposentadoria que não chega, meu Deus!, suspirou aflito. A mulher peidou de novo e gritou Desliga essa merda!. Ele se levantou ai, ai, ai. Foi ao banheiro, lavou o rosto, olhou-se no espelho... E chorou. 21 Muito esquisito A vizinhança não gostava dele. Achava-o muito esquisito. Era um jovem calado, magro, de olhar mortiço e pele clara. Andava pelas ruas do bairro quase sempre de mãos dadas com a filha de seis anos, uma cópia em miniatura do pai, de quem herdara, além dos traços tristes e o olhar perdido, a timidez e o medo das pessoas. A esposa era uma professora primária, e ele, um escritor. Mas ninguém conhecia seus livros o que não era de se estranhar naquela cidade, onde ler, para a maioria dos habitantes, era considerado uma perda de tempo. Porém, mesmo se houvesse ali uma cultura literária mais refinada, que não se limitasse apenas à leitura esporádica de alguns livros de auto-ajuda, ninguém seria capaz de descobrir as obras daquele misterioso escritor. Alguns vizinhos chegaram até a vasculhar a sua caixa de correio, descobriram seu nome completo e pesquisaram na internet, mas não encontraram nada sobre a sua ocupação. O que ninguém desconfiava era que aquele jovem excêntrico havia se tornado, nos últimos anos, um famoso escritor de livros de terror, que ele publicava em vários países do mundo com o pseudônimo de Daniel Zafón. Escrevia originalmente em inglês, mas havia traduções de seus trabalhos em quase todas as línguas, inclusive em português. Ganhava muito dinheiro, mas vivia modestamente, numa pequena casa alugada, em um bairro tranquilo de classe média. Tinha um carro popular bem conservado, que só saía da garagem nos finais de semana, quando ia com a mulher e a filha passear pelos pequenos vilarejos das redondezas, para pescar, acampar e curtir a natureza. Doava grande parte da sua renda para instituições de caridade, que cuidavam de 22

12 crianças e idosos, mas investia também em livros (a maioria de terror) e na educação da filha, que se quisesse, quando completasse 18 anos, poderia estudar em qualquer universidade do mundo. Na casa ao lado vivia um casal de aposentados e seu filho solteiro. O rapaz tinha a mesma idade do escritor, 32 anos, mas não podia ser mais diferente. A começar pelo tamanho. Enquanto o escritor era magro, pequeno e de aspecto doentio, o vizinho era um armário de músculos, mantidos firmes e fortes com várias horas de academia por semana e, para minimizar os esforços e o tempo nos aparelhos, com algumas injeções de hormônio bovino, aplicadas regularmente por um amigo veterinário. Trabalhava como entregador de móveis numa loja e vendia cigarros de maconha de vez em quando; ganhava uma miséria, mas tinha um carro importado e um guardaroupa entupido de marcas famosas e caras. Seu dinheiro era todo queimado em malhação, injeções, roupas, tênis, parcelas do carro financiado, mulheres e, é claro, nas latinhas de cerveja dos finais de semana. O resto da despesa era pago pelos pais, que o tratavam como uma criancinha mimada, aceitando seus caprichos e violências como algo normal: Coisa de homem, costumava dizer a mãe, sempre que recebia um soco ou um pontapé do filhinho querido. Todas as tardes, quando chegava do trabalho, o Bad Boy colocava uma camiseta que valorizasse bem seus músculos tatuados, uma bermuda e um tênis, e ia passear na avenida com Stálin, seu cão Pit Bull, o terror da vizinhança. O animal era quase uma miniatura do dono, cheio de músculos, com dentes enormes, e andava pelos passeios sem focinheira, latindo para todo o mundo. Quando o escritor e sua filha voltavam da escola, quase sempre se encontravam com o cão e seu dono a caminho 23 do desfile exibicionista na avenida. Pai e filha mudavam de passeio, mas mesmo assim o animal latia ferozmente para eles, enquanto o dono, embora segurasse firme a guia, fazia movimentos com o braço como se ameaçasse soltar o animal, para amedrontar os dois. A menina tremia de medo, mas o pai não dizia nada. Segurava-a firme em seus braços e seguia seu caminho, sem olhar para trás. Numa sexta-feira à tarde, a cena se repetiu. Só que no momento em que o rapaz sorria e ameaçava soltar o cão no escritor e sua filha, uma dor muito forte no seu braço fez com que ele largasse a guia. Sentindo-se livre, Stálin avançou sobre a menina, sedento de sangue. Tudo aconteceu em apenas alguns segundos, mas vou descrever a cena em câmera lenta, de forma que o leitor possa visualizar os detalhes. Como eu dizia, Stálin avançou sobre a pobre criança com a rapidez de um touro que, enlouquecido, salta de seu cubículo em direção ao matador no meio da arena. Seu alvo era o frágil pescoço da menina, que ele queria morder com toda a sua força e estraçalhá-lo, até transformá-lo numa pasta de carne, pele e cartilagem moídas. Enquanto corria, contraindo seus músculos num tiro de alta potência, Stálin mantinha seus olhos focados naquele pescoço que, por instinto, ele sabia ser o ponto vital da sua presa. A menina fechou os olhos, aterrorizada. Felizmente, ela não sentiu nenhuma dor. E quando abriu os olhos novamente, num movimento involuntário das pálpebras, tudo já tinha acabado. 24

13 Dois corpos jaziam sobre o passeio: o do cão e o do dono do cão. Como eu disse, tudo aconteceu em questão de segundos. O cão enraivecido saltou como um touro sobre a menina, mas antes de conseguir fechar sua poderosa mandíbula em torno do seu alvo, duas mãos a seguraram no ar com a rapidez de um relâmpago e ergueram o animal, que se debatia ferozmente, sem conseguir se soltar. As mãos daquele pai franzino abriram a mandíbula de Stálin até seus ossos e cartilagens se quebrarem, transformando a cabeça do animal num arremedo de planta carnívora gigante, com suas pétalas cor de sangue escancaradas, esperando a chegada de um besouro ou de um pássaro. Um som borbulhante, como um gargarejo, saía do buraco onde antes estava a boca do animal, cujos membros continuavam se debatendo violentamente no ar. Foi quando o escritor começou a morder a barriga de Stálin, puxando para fora, com os dentes, fígado, rins, estômago, tripas e outras vísceras. Em seguida, quase ao mesmo tempo, abriu o peito do animal e arrancou com as mãos coração e pulmões, puxando também traquéia, esôfago, língua e outras partes difíceis de identificar. Mas a vizinhança continuou não gostando dele. Realmente, ele era muito esquisito. Os restos mortais de Stálin, espalhados pelo passeio, foram então pisoteados pelo escritor que, sujo de sangue dos pés à cabeça, mais parecia um personagem possuído pelo demônio em uma de suas histórias macabras. Logo à frente, o dono do cão morria de enfarte assistindo à cena. A menina nada sofreu. O escritor também nada sofreu

14 Pôr do sol no campo Desde que perdeu sua fortuna e teve que vender quase todos os seus bens para pagar os credores, o velho fazendeiro ceifava e punha para secar ele mesmo as gramíneas que cresciam ao redor de sua casa, conduzindo-as, depois de secas, em uma velha carroça até o curral, onde alimentava com o feno as dez vacas leiteiras que possuía, seu único sustento naqueles tempos de crise. Viúvo e solitário, vivendo a trinta quilômetros do arraial mais próximo, sem nada para ocupar o tempo livre a não ser os poucos livros que encomendava a um mascate que passava por ali de mês em mês, com quem às vezes trocava um dedo de prosa sobre a política na Corte, o velho fazendeiro, ao abrir a janela do seu quarto em uma bela manhã de domingo, no início do outono de 1828, sentiu seu coração encher-se de alegria quando viu chegar seu filho Miguel, em uma carroça puxada por dois cavalos estropiados, trazendo com ele sua jovem esposa Amália e seu filhinho Amadeu, nascido naqueles dias. Cinco anos depois, no final de uma tarde fria de maio, enquanto colocava o feno numa velha carroça de madeira, o fazendeiro lembrava-se da chegada do filho como uma benção de Deus, um milagre que o salvara da morte, expulsando-a de sua casa no momento em que ela já se erguia, com a foice em punho, para abatê-lo. Ele tinha tudo preparado numa das gavetas da cozinha: uma porção de ervas venenosas, que cresciam no seu jardim, mas que, para que fossem mortais, tinham que ser preparadas de uma maneira especial, respeitando-se a época da colheita, a maturação das plantas, os horários, as misturas corretas das folhas e a temperatura. 27 E tudo isso estava pronto naquele domingo o veneno guardado na gaveta, à espera, quando o filho chegou, reconciliador, disposto a fazer as pazes com o pai depois de quinze anos, e trazendo, para a alegria da casa, uma esposa bondosa e uma criança cheia de amor para dar. Foi o que lhe devolvera a vida. E lá estava ele, juntando o feno com um garfo ao pôr do sol, enquanto o filho cuidava das vacas, a nora preparava uma sopa e o neto brincava com pedrinhas e gravetos embaixo de uma frondosa árvore de sombra acolhedora. De repente, um vento forte começou a soprar, vindo de várias direções, levantando e espalhando o feno que se encontrava na carroça. Essa imagem das plantas secas voando para todos os lados fez-lhe pensar na sua vida, que, ele sentia, aproximava-se do fim, às vésperas de completar 75 anos: Penso que a maior parte do que eu plantei, eu colhi... Veja isto, velho... Neste feno há gramíneas e leguminosas de diversas qualidades e tamanhos que, quando não são ingeridas pelas vacas, são absorvidas pelo solo como adubo, que vai alimentar outras vidas, nesta e em outras gerações. Ora, não é assim a própria vida? Como eu disse, muito do que eu plantei, eu já colhi. A solidão amarga e triste que eu vivi durante anos só pode ter sido fruto do meu egoísmo e da maldade que eu pratiquei na juventude e nos anos de abastança, guiado pelo meu desejo de poder e riqueza... 28

15 Ao outro que me desprezava, eu dei o meu desprezo, plantando assim o desprezo na minha vida... A humilhação que eu sofri, eu paguei com a humilhação que eu fiz o outro sofrer, plantando assim a humilhação na minha vida... Vinganças, traições... Julguei e espalhei boatos sobre pessoas que eu nem conhecia, só para prejudicá-las... E se eu estendi a mão a alguém, foi por puro interesse... Maldade, perversidade, cinismo, maledicência... Tudo isso eu plantei... Mas será que eu já colhi todo o mal que eu fiz? Não. Eu não colhi tudo... Veja estas folhas e talos que voam ao vento, velho imbecil... Veja os frutos da sua colheita... Eles vão alimentar outras vidas, que continuarão depois que os vermes já tiverem comido toda a sua carne. Meu filho... Meu neto... O que eles colherão do que eu plantei?... Que seja só o bem, meu Deus, só o bem... E o vento soprava forte, enquanto o sol se punha no horizonte, numa confusão de azuis, roxos, alaranjados e rosas; e o feno dourado continuava seu vôo, chegando até onde o pequeno Amadeu brincava, embaixo da árvore. Ele construía uma cabana para as suas pedrinhas, que representavam ele, a mãe, o pai e o avô. E ao perceber o feno que se juntava ao pé da árvore, quando o vento já se acalmava, ele teve a ideia de usá-lo como parede e teto para a sua construção, onde, ele acreditava, sua família viveria feliz e em paz por muitos e muitos anos. 29 A pescaria No sonho ele caminhava por uma trilha estreita no meio do mato, sentindo um cheiro forte e agradável de esterco de vaca. Seu avô seguia na frente, com três varas de bambu e uma latinha de iscas, cantando uma velha canção caipira dos seus tempos de caixeiro. Os dois iam pescar bagre no córrego, numa parte funda que quase ninguém conhecia. O poço é bom, mas tem que ser de noite, o avô dizia. Ele acordou do sonho em plena madrugada sentindo uma paz tão grande que seus olhos se encheram de lágrimas. Foi como se todos os instantes de alegria e prazer que ele vivera até então, nos seus trinta e cinco anos, se concentrassem ali, naquele acordar, ouvindo a voz distante do avô, seus passos rápidos sobre as folhas secas, o tilintar das chaves do carro no seu bolso folgado, respirando um cheiro gostoso de mato verde e esterco misturado ao ar frio da noite. Há muito tempo ele não ouvia a voz do seu falecido avô: uma voz distante, mas cheia de vida, que em ondas suaves atravessava décadas no espaço da memória até chegar aos seus ouvidos (não do corpo, mas da alma). E os cheiros... Como era bom sentir os cheiros do passado! A mulher e o filho continuavam dormindo. Ela, na cama de casal, ao seu lado, e o garoto numa velha cama de solteiro, próximo à janela. Desde que o médico anunciara que não havia mais o que fazer, que era só uma questão de tempo, o filho de dez anos começou a sonhar todas as noites com a morte do pai e a acordar assustado, aos prantos. (Via o pai esquelético desaparecendo na impessoalidade branca e 30

16 luminosa de um quarto de hospital, preso a tubos e fios, sofrendo). Só quando ia para o quarto dos pais ele se acalmava e conseguia dormir. Por isso a cama extra junto à janela. Mas isso não acontecia mais. Naquela noite o filho tinha se deitado na cama de solteiro, ao lado do pai, para assistir a uma entrevista com um escritor famoso, e adormecera. Ele não tinha mais pesadelos. Em várias conversas com o pai e a mãe ele foi aos poucos entendendo que perder alguém que se ama faz parte da vida, e que no fundo não é uma perda, pois o espírito não morre, só o corpo. E eu não vou sofrer, afirmava o pai confiante. Ao se levantar, com a mente ainda inebriada pelos sons e cheiros do passado, o pai olhou para a esposa e o filho dormindo e agradeceu a Deus por estar com eles naquele instante de paz e felicidade: o filho abraçado ao travesseiro, sereno, e a mulher de barriga para cima, respirando suavemente a brisa fria que entrava pela janela. A casa na verdade era um sítio, cercado por muros de pedra, tudo muito simples e prático, com um quintal enorme cheio de árvores, flores, frutas, hortaliças e ervas, que a família cuidava com amor e de onde tirava uma parte do seu sustento. Ao se levantar, sentiu o cheiro doce e exuberante da dama da noite, que lhe lembrava a casa da avó nos tempos de infância, quando a família se reunia para cantar e dançar ao som das cordas e vozes dos tios músicos. Ajoelhou-se sobre a cama do filho, com cuidado para não acordá-lo, e olhou pensativo para o quintal mergulhado no 31 silêncio escuro da madrugada. Era assim, no meio da noite, que ele sentia a natureza em seu estado mais puro: descansando para morrer e nascer de novo, morrer e renascer... (às vezes um inseto, um morcego ou uma coruja perturbavam o seu sono de mãe cansada, mas sem despertá-la, sem se destacarem dela própria, do seu silêncio grosso, cheio de vida e morte). Foi para a cozinha e fez um café, que sorveu lentamente, enquanto caminhava descalço pelo quintal, sob a luz fraca de um poste, observando os insetos, as flores, as folhas, as cascas das árvores, a terra fria e seca. Sentou-se no chão e pegou com as mãos um pouco de terra, que levou aos lábios, para sentir sua textura, seu cheiro. O café o despertara, ele estava lúcido, com os sentidos aguçados, mas aquilo tudo lhe parecia um sonho. O cheiro de esterco e a voz do avô lhe chegavam novamente do passado, mas com uma presença que ele nunca havia sentido: como se pudesse tocá-los. Levantou-se devagar, tonto, e abraçou uma árvore à sua frente, um enorme pé de pequi cheio de flores. Colou o ouvido no seu tronco áspero e teve a sensação de ouvir o movimento de alguma coisa lá dentro, um fluxo de quê?, como um riacho, uma nascente, algo profundo, como um gemido contínuo numa caverna escura e fria. Deixou-se cair no chão, ao lado da árvore, e ao se esticar, sentiu a terra em movimento, como se ela viva quisesse abraçá-lo, absorvê-lo. O cheiro do café... Eu quero mais café, ele dizia, mas não conseguia alcançar a caneca. 32

17 Fechou os olhos, respirou fundo por alguns minutos e se levantou num salto, sentindo-se melhor, mais forte. Correu pelo quintal, e o cheiro de esterco era como se estivesse ali. E a voz do avô era como estar de volta àquela pescaria, jogando o anzol no poço fundo daquele córrego, sentindo a fisgada do bagre e o avô sussurrando cuidado com o ferrão. Mas naquela hora, no quintal, junto a uma laranjeira carregada de frutas, o que o avô lhe dizia era venha comigo, venha comigo, como se estivesse ali, sua voz suave e vibrante ao mesmo tempo. O sol nascia entre as árvores e ele continuava de pé, parado, recebendo a luz morna da manhã que aos poucos ia clareando tudo ao seu redor: o verde das folhas, os vários tons de marrom da terra, o vermelho, o amarelo, o branco e o roxo das flores... Foi quando ele viu a esposa e o filho sentados no chão, junto ao pé de pequi. Sentindo-se bem disposto, caminhou na direção deles, mas logo parou, entendendo tudo. Esta etapa já acabou, pensou feliz. E ao se voltar para a laranjeira viu o avô, com sua boca desdentada aberta num sorriso cheio de amor e compreensão. gostava, ao som de um dos concertos de Brandenburgo, de Bach... Eles ficarão bem, disse-lhe o avô, estendendo-lhe a mão pequena e branca, cheia de sardas. Ele sorriu. E de repente tinha dez anos e procurava minhocas com uma enxada num barro preto, e puxava as traíras e mandis com a respiração presa de emoção, sentindo seu peso na vara, seu balançar brilhante e molhado sobre a lagoa escura, e olhava para o avô, que sorria, sorria sem dentes, e sem dentes continuava sorrindo ali, ao seu lado, depois de tantos anos... Vamos pescar?. O avô perguntou. Ah Deus, então é isso.... E partiram. Dedico este conto à memória do meu avô, Vicente Batista da Silva, o Vicente Fabiano ( ). Deitado entre a esposa e o filho havia um corpo sem vida, que ele não precisou ver para ter a certeza de que era o seu. Sob o olhar alegre e sereno do avô, ele acompanhou tudo sem se aproximar muito: viu como o filho chorava e sorria ao mesmo tempo, acariciando o rosto e os cabelos do pai; como a esposa beijou seus lábios secos e sem vida, derramando sobre eles lágrimas de dor e saudade; como juntos o levaram para a banheira e lhe deram um banho perfumado com as essências das flores que ele mais 33 34

18 Ela se chama Das Dores. Felicidade Na verdade Das Dores é como as pessoas a chamam, não sei se é nome, sobrenome ou apelido. Está agora debruçada na pia enxaguando os pratos e talheres do almoço. É noite. Hoje é sexta-feira. Jorge vai chegar daqui a pouco e ela está muito feliz. Das Dores está feliz todos os dias, eu não consigo entender por quê. Sua casa é pequena e simples. Não tem máquina de lavar, mas o Jorge disse que vai comprar uma das grandes para ela, assim que ele terminar de pagar a televisão. Ela disse a ele não precisa, Jorge, aqui é pouca roupa, eu dou conta, mas o Jorge insistiu e ela disse tudo bem, então. E sorriu. Das Dores sorri muito. Lava os pratos e talheres sorrindo. A água sai pouca da torneira, porque eles moram no alto de um morro e a pressão é fraca, não tem jeito. Das Dores é jovem, não tem nem trinta anos, mas parece que tem mais. Peitos caídos, cabelo ensebado, pele 35 encardida, está um pouco acima do peso, mas quando ela se olha no espelho do guarda-roupa, acha-se bonita. Jorge gosta. Até elogia. Toda sexta-feira ela prepara um jantar especial para ela e o Jorge. Ele traz um vinho tinto suave, docinho, do jeito que ela gosta. Semana passada ele comprou duas taças no supermercado e fez uma surpresa para ela: encheu-as de vinho e foi até o quarto, enquanto ela se penteava, levando também, além do vinho, um prato com petiscos (salsicha, queijo e azeitona). Ela disse que loucura, Jorge, você gastou dinheiro com esses copos chiques, não precisava, mas o Jorge nem ligou. Foi logo beijando a sua boca, e os dois se jogaram na cama. Toda sexta-feira eles fazem amor. É muito bom, ela gosta do Jorge, ele é carinhoso e fala que ela é bonita. Nunca foram a um motel, mas o Jorge disse que um dia vai levála, e ela fica imaginando como deve ser. Ela está agora preparando a lasanha para o jantar. É o prato que o Jorge mais gosta, e ela também. Hoje ela decidiu colocar um pouco mais de presunto na lasanha (na verdade, não é presunto, mas algo parecido, mais barato. Só que, para ela, é tudo a mesma coisa, então ela prefere chamar de presunto, que é uma palavra mais bonita. Presuuunnnto, ela gosta de dizer baixinho, sorrindo, quando volta para casa com as compras). O molho está ótimo, ela pensa, enquanto prepara a lasanha ouvindo A Hora do Brasil. Daqui a pouco o Jorge chega e os dois vão tomar banho. Ela ensaboa o Jorge toda sexta-feira, para tirar o cheiro que fica grudado na pele dele. 36

19 É que o Jorge trabalha no serviço de limpeza urbana, recolhendo os lixos das casas. Jorge também é jovem, tem trinta e um anos, mas gosta de se cuidar, por isso parece ser mais novo do que Das Dores, que é um pouco desleixada. Ele é musculoso de tanto levantar sacos de lixo e correr atrás do caminhão da limpeza pela cidade, mas seu cheiro não é bom, por isso ela faz questão de ensaboá-lo na sexta-feira e de passar bastante loção no seu corpo, porque é o dia deles jantarem juntos e fazerem amor. Ela prefere fazer amor, não gosta das palavras que o Jorge usa quando estão na cama, vou te comer, vamos trepar, coisas assim, de animal. Das Dores não entende nada do que ela ouve na Hora do Brasil. Não sabe dos gastos milionários do Governo com estádios de futebol, enquanto os professores estão em greve. Das Dores nem pensa no seu trabalho, que recomeça segunda-feira, pregando solas de sapatos, milhares de solas, nada além de solas, solas, solas e mais solas, o dia inteiro, até o crepúsculo. Ela gosta da palavra crepúsculo. Ela leu isso em algum lugar e sua amiga Josefa lhe explicou o que era: Pôr-do-sol. Ficou boba. 37 Depois disso, ao sair da fábrica de sapatos, ela trocou seu trajeto só para passar por uma rua que lhe permitia ver o pôr-do-sol. E ela parava e admirava... Ela gosta das cores do crepúsculo. Ela está agora olhando pela janela. Noite estrelada, muito calor. Escuta alguns tiros lá embaixo, mas nem liga. Não pensa em nada, vive o instante. Das Dores estudou na escola pública do bairro, aprendeu a ler, mas não entende quase nada do que lê, somente avisos bem simples como Cuidado: chão molhado, Caixa fechado, Seja bem-vindo à Casa do Senhor, etc. Uma vez tentou ler o resumo de uma novela, mas só entendeu algumas palavras isoladas, que ela guardou na memória: luxo, praia, motel, patife, vagabunda, aborto, drogas. Jorge estudou mais tempo que Das Dores, em uma escola pública melhor. Jorge até pega livro na Biblioteca. Das Dores fica impressionada com a inteligência do Jorge. Ele é esperto, sabe das coisas. Jorge tem até uma caixa de papelão onde guarda os livros que ele encontra no lixo, a maioria com um título que Das Dores acha muito estranho: Tex. O cheiro dos livros é que não é bom, mas Das Dores nem liga, porque ela adora ver o Jorge feliz, e quando ele pega um desses livrinhos para ler, ele parece muito feliz. Jorge chega com o vinho. 38

20 E a surpresa da noite é que o vinho não é de uva, mas de pêssego, fruta que Das Dores nunca experimentou. Das Dores sorri e abraça Jorge com carinho. O cheiro dele não está nada bom. Tomam banho, fazem amor e Das Dores, com uma taça de vinho de pêssego na mão, coloca a lasanha para assar. (Na verdade não é bem um vinho, mas para Das Dores isso não importa). Jorge liga o rádio e fica olhando as luzes do morro pela janela. Outro tiro. Ele se assusta, vira para Das Dores e os dois começam a rir. Você está tão bonita hoje, Das Dores, ele diz. Você também, Jorge. Acho que já entendi por que Das Dores está feliz todos os dias. 39 Descendo do salto A bela professora universitária entrou na sala de aula como se estivesse na passarela de um desfile de modas em Paris ou Milão. Era sexta-feira à noite e, embora já estivesse com o atestado médico em mãos, assinado por uma prima ginecologista, ela resolvera, de última hora, abandonar o marido e os amigos no refinado restaurante francês Le Bistrot e ir direto para a universidade. Fez isso pelos alunos, que queriam muito a sua presença durante a realização da atividade que ela havia preparado para aquela noite, e que seria aplicada por uma estagiária. Quando ela entrou na sala, irradiando beleza e simpatia, havia em seus intestinos meia garrafa de um vinho francês da Borgogne, já completamente absorvido pelo maravilhoso Cassoulet que ela havia comido antes de sair. (E ao distribuir os exercícios aos alunos, ela fez questão de referir-se a esse jantar requintado, que prosseguia sem a sua presença encantadora no restaurante mais caro da cidade). Enquanto ela desfilava pelos corredores da sala, fazendo soar no piso de madeira o leve toc toc dos seus belos saltos importados, uma enorme quantidade de bactérias atacava os carboidratos da mistura de iguarias francesas que se movimentava no interior de suas tripas. Desse processo de fermentação é perfeitamente natural que surjam gases, como o metano, o sulfeto de hidrogênio ou o dióxido de carbono. Se os componentes da mistura vêm da França, da Alemanha ou do quintal de um pequeno roceiro do interior de Minas Gerais não interessa às bactérias que produzem tais gases. E quanto mais enxofre tiver na mistura, mais fedidas serão as ventosidades produzidas, não fazendo qualquer diferença 40

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