CORREIOS ENVELOPAMENTO AUTORIZADO PODE SER ABERTO PELA ECT

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1 Abastecer Março/Abril/ Maio/2014 I n o 14 I I DISTRIBUIÇÃO GRATUITA Brasil Mala Direta Postal Básica /2009/DR/MG/SP Abracen //// CORREIOS//// ENVELOPAMENTO AUTORIZADO PODE SER ABERTO PELA ECT classificação selo de qualidade para os produtos vegetais 40 anos centrais comemoram avanços na qualidade do abastecimento saúde informações na web sobre alimentação saudável

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4 Presidente / Mário Maurici de Lima Morais [ceagesp-sp] 1º Vice-presidente / Antonio Reginaldo Costa Moreira [ceasa-ce] 2º Vice-presidente / Romero Fittipaldi Pontual [ceasa-pe] 3º vice-presidente / Luiz Damaso Gusi [ceasa-pr] Diretor Norte / Paulo Sérgio Braña Muniz [ceasa-ac] Vice-diretor Norte / Marco Antônio Soares Rapozo [ceasa-pa] Diretor Nordeste / José Tavares Sobrinho [ceasa-pb] Vice-diretor Nordeste / Marco Aurélio Casé [ceasa de caruaru-pe] Diretor Sul / Paulino Olivo Donatti [ceasa-rs] Vice-diretor Sul / Felício Francisco Silveira [ceasa-sc] Diretor Sudeste / Leonardo Penna de Lima Brandão [ceasa-rj] Vice-diretor Sudeste / José Paulo Viçosi [ceasa-es] Diretor Centro-Oeste / Wilder da Silva Santos [ceasa-df] Vice-diretor Centro-Oeste / Edvaldo Crispim da Silva [ceasa-go] Secretário Executivo / José Amaro Guimarães Moreira Vice-presidente FLAMA / Antonio Costa Moreira [ceasa-ce] Conselho Fiscal Titular Vinícius Petrônio Ferraz [ferbraz] Hélio Tomaz Rocha [craisa ceasa santo andré] Mario Dino Gadioli [ceasa de campinas] Conselho Fiscal Suplente Marcos Lima [ceasa-mg] Rodrigo Soares Gaia [ceasa-al] Francisco Estrela Abrantes [ceasa maranhão co-hortifrúti] COORDENAÇÃO EDITORIAL Eduardo Luiz Correia Jornalistas Bruna Queiroz, Carlos Dusse, Ciro Cavalcante, Delfino Araújo, Eduardo Luiz Correia, Glória Varela, Larissa Trevisan, Luciano Somenzari, Marisa Ribeiro, Matheus Feitoza, Vinícius Mattiello ABRACEN SGAS, Quadra 901, Bloco A, Lote 69 Ed. CONAB Sala 101 B Cep Telefone Responsável: Jusmar Chaves A Abracen é filiada a: WUWM World Union of Wholesale Markets: Flama Federación Latinoamericana de Mercados de Abastecimento Direção Executiva: Flávia Soledade Edição: Glória Varela - Mtb 2111 Revisão: Fátima Loppi Edição Gráfica: Cláudia Barcellos / Grupo de Design Gráfico Periodicidade: Trimestral Fotolito Impressão: RD Gráfica Distribuição: nacional Tiragem: unidades ATENDIMENTO AO LEITOR: A revista Abastecer Brasil não se responsabiliza pelo conteúdo dos anúncios e artigos assinados. As pessoas que não constam do expediente não têm autorização para falar em nome da Revista Abastecer Brasil ou de retirar qualquer tipo de material se não tiverem em seu poder autorização formal da direção-executiva constante do expediente.

5 parceria para definição de políticas públicas o potencial e as vantagens de empreendimentos em conjunto, como base comum de dados estatísticos Neste início de 2014, a Abracen apresenta mais uma edição da Abastecer Brasil, a de número 14. Dentre os vários assuntos abordados, alguns merecem ser destacados, não apenas porque são temas relevantes, mas também por sinalizar as iniciativas de integração e aprimoramento técnico do setor de entrepostagem, como as discussões sobre padronização de embalagens, classificação de produtos, entre outras. Outro aspecto começa, agora, a ganhar musculatura, no sentido de as CEASAS brasileiras contribuírem em patamar mais elevado para as definições de políticas públicas voltadas para o abastecimento da população. A Associação Brasileira de Centrais de Abastecimento (Abracen), juntamente com técnicos do Programa Brasileiro de Modernização do Mercado Hortigranjeiro (Prohort), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Fazenda e do Banco Central, iniciou as articulações para a criação de uma base comum de dados estatísticos. O primeiro encontro para tratar disso aconteceu em Curitiba (PR), em fevereiro, com a participação de representantes técnicos das CEASAS do Paraná, do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina, de São Paulo, de Minas Gerais, do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Ressalte-se que as Centrais de Abastecimento são importantes, se não fundamentais, no escoamento de produtos in natura do País. Por suas unidades passam, anualmente, nada menos que 20 milhões de toneladas de produtos hortícolas. Mas as centrais não se restringem aos canais de abastecimento da população. São também geradoras de informações estatísticas para a observação dos preços, de ofertas, da qualidade de produtos e de seus impactos no custo de vida da população. Ou seja, as CEASAS brasileiras produzem dados cruciais que podem auxiliar no balizamento de políticas públicas voltadas para o campo. O que faltava, agora que começaram as considerações de viabilidade técnica do projeto, era a proposição de uma base de informação comum, em um modelo de abrangência nacional. O encontro de Curitiba foi o primeiro passo nesse sentido, mas já sinaliza o potencial de outros empreendimentos conjuntos que podem, e devem, ser feitos pelas centrais de abastecimento. Outro destaque desta edição diz respeito aos aniversários das CEASAS de Minas Gerais, de Caxias do Sul e de Porto Alegre, construídas entre os anos 1970 e 1980, e que passam por processos de modernização de suas instalações e de suas operações. Ressalto, ainda, as reportagens sobre classificação de produtos vegetais e sobre a elaboração de um Manual de Boas Práticas a ser adotado nas centrais atacadistas do Brasil. Boa leitura. Mário Maurici de Lima Morais Presidente da ceagesp e da abracen Abastecer Brasil 5

6 EVENTOS , 19 e 20 de março Encontro da Flama/Mercosul Porto Alegre (RS) Encontro da Abracen, em Porto Alegre (RS) Assembleia geral e comemoração do aniversário da CEASA-RS 8 e 9 de abril 5 0 Seminário Nacional de Tomate de Mesa Unimep, Piracicaba, SP 8, 9 e 10 de maio II Hortifruti Brasil Fórum Internacional de Tecnologia em Horticultura, Fruticultura e Flores Curitiba (PR) 16 a 20 de maio Encontro da WUWM World Union of Wholesale Markets em Tessalônica, Grécia julho (data a definir) Encontro da Abracen Comemoração dos 40 anos da CEASA-MG 28 de julho a 1 de agosto 53 0 Congresso Brasileiro de Olericultura Palmas, TO A Olericultura na Amazônia Legal: Perspectivas e Desafios 24 a 27 de setembro Conferência da WuWM Londres, Inglaterra 6 Abastecer Brasil

7 entrevista Internacional México investe nas relações entre produtores e comerciantes 40 SUMÁRIO reportagens Manual de Boas Práticas Novos tempos, novas práticas 8 manual de boas práticas Lei de Licitações À luz da legalidade 12 Metodologia CEASAS buscam padronização de dados estatísticos 17 De pai para filho Em Londrina, a tradição abre espaço para novos projetos 18 Padronização Embalagens, a caminho do ideal 26 alimento saudável Capa Classificação de produtos vegetais: garantia de qualidade 30 Expansão CeasaMinas: 40 anos de conquistas 34 Caxias do Sul Novo modelo de gestão 46 Técnicos experientes Regionalização da CEASA impulsiona a economia 49 Alimento saudável Quem quer saúde vai à feira e à web 50 padronização Painel II Hortifrúti Brasil Show atrai empresários europeus 53 Modelo espanhol Evolução à vista 54 Ceasa Destaque CEASA-RS Quatro décadas de qualidade alimentar 58 artigos Tânia Mara Evaristo Moumeso Oásis no deserto 24 Angelo Bolzan Desafio na cadeia do abastecimento 44 Paulino Olivo Donatti Exemplo de sustentabilidade 56 ceasa destaque Abastecer Brasil 7

8 manual de boas práticas Novos tempos, novas práticas Necessidade de mais integração e de serviços à altura das exigências dos consumidores levou a Abracen a organizar um Manual de Boas Práticas das CEASAS. A publicação deverá servir de referência para solução de problemas operacionais, administrativos e ambientais. Por Luciano Somenzari O conceito de funcionamento das Centrais de Abastecimento tem seu início ainda nos anos 1960, quando a construção de grandes centros de distribuição foi usada para resolver um sistema de comercialização obsoleto e estrangulado pela falta de logística. O século XXI já avança e os novos tempos exigem mais uma vez que certas adequações ocupem o lugar de formas ultrapassadas de gestão e administração. No Brasil e no mundo não há mais como adiar o enfrentamento de problemas ligados, por exemplo, às questões socioambientais. Como tratar o lixo gerado nas CEASAS brasileiras? Vale a pena utilizar os resíduos sólidos para geração de energia ou água de reuso? Como se relacionar com os moradores ou com os fornecedores que têm relação direta com as centrais de abastecimento? Pois bem, os tais novos tempos trazem desafios complexos que, não necessariamente, exigem soluções igualmente complexas. Às vezes, se for adotado um simples modelo padrão para manipulação de alimentos ou de transporte, muitas dores de cabeça podem ser evitadas, e o que é melhor, zelará pela qualidade e pela segurança do alimento comercializado. Recentemente a diretoria da Associação Brasileira de Centrais de Abastecimento (Abracen) nomeou uma equipe de trabalho que ordenou e sistematizou o conteúdo de um Manual de Boas Práticas das CEASAS. Os primeiros exemplares desse manual deverão ser entregues na reunião da direção da Abracen, em março deste ano, em Porto Alegre (RS). Trata-se de um documento em que estão descritas as atividades e procedimentos adotados pelas empresas que produzem, manipulam, transportam, armazenam e/ou comercializam, para garantir que os alimentos tenham segurança e qualidade sanitária, atendendo à legislação federal em vigor. O ponto final dessa publicação foi dado a seis mãos, graças ao esforço de três técnicos escalados para elaborar a redação final do documento: José Lourenço Pechtoll, gerente de Armazenagem da CEAGESP; Carmo Zeitune, diretor-técnico operacional da CEASA-ES; e Claudinei Barbosa, diretor-técnico da CEASA-Campinas (SP). Pechtoll sintetiza a importância de um documento como esse: Faz tempo que a Abracen sente a necessidade de adotar um instrumento para nortear as CEASAS para que elas sejam mais proativas. Longe de ser a panaceia que irá solucionar todos os problemas crônicos das CEASAS, a maioria das quais sem condições de realizar os investimentos necessários para aprimorar o próprio negócio, o Manual oferecerá recomendações que todas podem seguir voluntariamente para aumentar a competitividade e atender às exigências do mercado atual. Em suma, vai ajudar a modernizar as centrais brasileiras para que possam garantir a qualidade dos produtos, o aperfeiçoamento do comércio, da estrutura e dos procedimentos, complementa Pechtoll. Dividido em cinco eixos estruturantes, o Manual parte do princípio de que as Centrais têm vida própria, mas, muitas vezes isoladas uma das outras, acabam prejudicando o próprio desenvolvimento, segundo avaliação de Claudinei Barbosa, acostumado a enfrentar essas mesmas circunstâncias na Central de Campinas. 8 Abastecer Brasil

9 Os cinco eixos são: Infraestrutura das Centrais de Abastecimento; Serviços de Alimentação; Sustentabilidade Ambiental; Formação/Qualificação de Profissionais; Sistema de Informação/ Comércio Justo. Infraestrutura Esse tópico do Manual aborda os requisitos necessários à instalação das Centrais de Abastecimento e inclui os seguintes assuntos: Estrutura predial adequada; Plano Diretor; Mobilidade e conforto logístico; Acessibilidade interna e externa; Áreas de estacionamento para caminhões que estão fora da operação de carga e descarga; Rotas alternativas para entrada e saída das centrais; Impacto na vizinhança e adequação viária; Central de embalagens (Banco de Caixas). Serviços de Alimentação Nesse eixo constam os requisitos específicos de fracionamento e manipulação de produtos a serem comercializados. Aliada a esse tema está a recomendação de instalar, dentro das centrais, restaurantes, lanchonetes, quiosques, espaço para vendedores ambulantes etc., ou seja, serviços para atender aos funcionários, permissionários e demais usuários das CEASAS. Determinar áreas específicas para serviços; Seguir orientações da Vigilância Sanitária; Exigir a apresentação de licenças e demais autorizações de funcionamento; Implementar a Rotulagem nas embalagens; Instalar o Controle de Pragas; Normatizar o comércio ambulante e realizar inspeção sanitária periódica; Normatizar pré-preparo, preparo e exposição de alimentos; Estimular a higienização de equipamentos, móveis, instalações e utensílios. Sustentabilidade ambiental O tema trata das formas adequadas de manejo de sobras e resíduos, de tratamento de efluentes e abastecimento de água nas instalações. Ter um plano de Gerenciamento de resíduos; Fazer uso racional da água, com elaboração de um Plano de Redução e uso sustentável, otimizado de três formas: água potável, para consumo e higienização de alimentos; água de reuso; e água pluvial armazenada, para limpeza e higiene de ambientes; Implementar estações de tratamento na produção de água para reutilização e sistema de coleta e armazenamento de água da chuva; Descartar adequadamente resíduos com aplicação de penalidades aos usuários infratores; Facilitar acesso à água para higienização; Elaborar projeto de combate ao desperdício (evitar produzir foto: lilian uyema Técnicos discutem conteúdo do Manual de Boas Práticas Abastecer Brasil 9

10 comunicação / ebal Manual oferecerá recomendações para modernizar as Centrais brasileiras sobras, criação de Banco de Alimentos utilizando produtos com perda de valor comercial mas ainda próprio para consumo etc.); Fazer coleta seletiva; Compartilhar com permissionários e produtores os custos da gestão de resíduos e contaminação de efluentes. Formação/Qualificação Abordagem dos requisitos para a formação e qualificação de todos os manipuladores de alimentos que trabalham nas centrais de abastecimento, que inclui funcionários das próprias CEASAS, funcionários de permissionários, produtores e transportadores. Adotar metodologia adequada à realidade formativa-educativa do formando; Oferecer treinamento prévio para a função, definindo direitos e deveres; Realizar periodicamente campanhas de conscientização de manipulação do alimento, limpeza e asseio do ambiente; Oferecer cursos de capacitação contínuos para os operadores do mercado; Desenvolver projeto de gratificação no alcance de metas educativas e informativas; Exigir dos permissionários cursos de capacitação dos funcionários das empresas alocadas nos mercados; Promover capacitação para conhecimento de metodologia de embalagens e logística de transporte. Sistema de Informação/ Comércio Justo Os dois temas foram agrupados em um único tópico sobre a necessidade de se estabelecerem sistemas de gestão de informação e controle (por meio inclusive de implementação de estrutura de Tecnologia da Informação TI e de comércio justo). Investir em sistema de informação permitindo acesso do produtor aos dados; Disponibilizar índices de preços praticados nas CEASAS por meio eletrônico; Implementar sistema único de controle de entrada de produtos, exigindo identificação do alimento, rastreabilidade, origem e destino, nota fiscal etc.; Informatizar as portarias; Instalar sistema unificado de rede mídia eletrônica; Instituir e medir indicadores de qualidade; Criar políticas para agregar valores na produção por meio de beneficiamento por cooperativas e associações; Estabelecer padrões mínimos de qualidade para classificação dos produtos; Criar regras comerciais com responsabilidades e deveres para cada elo da cadeia de produção e de um sistema de arbitragem por adesão voluntária; Instituir cadastro de compradores com índice de confiabilidade; Incentivar parcerias entre permissionários e produtores rurais para maior eficiência e qualidade dos produtos. O levantamento dos pontos que farão parte do Manual foi feito depois de várias reuniões com técnicos e operadores de mercado das centrais atacadistas, com a participação de pelo menos 11 representantes de CEASAS afiliadas à Abracen. Para Carmo Zeitune, da Central capixaba, o Manual de Boas Práticas se traduz em um extraordinário instrumento de gestão e aproxima os mercados atacadistas brasileiros dos principais mercados mundiais, que priorizam a inocuidade e segurança dos alimentos como fatores indispensáveis à saúde humana. 10 Abastecer Brasil

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12 lei de licitações à luz da legalidade Aplicação da Lei de Licitações chega no momento de modernização das ceasas Por Delfino Araújo A maior central de abastecimento do País e da América Latina quer se renovar. Na verdade, precisa. A Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo (CEAGESP) busca novos ares após 45 anos de serviços prestados. Primeiro aos paulistanos, que são os mais próximos. Mas o espírito empreendedor dos que se estabeleceram ali, desde o início, conseguiu estender a força dos negócios do abastecimento para muito além das fronteiras da cidade e do próprio estado de São Paulo e chegar a quase todas as regiões do País. Exatamente por essa grandeza é que a renovação torna-se essencial. O entendimento da necessidade de modernização chega em um momento chave para a vida de todos que ali trabalham. A Lei nº 8.666, conhecida como Lei das Licitações, bateu à porta da Central e surpreendeu os seus quase permissionários estabelecidos em boxes, módulos e pavilhões onde fervilham os negócios 24 horas por dia. E olha que demorou a chegar. A Lei é de 1993, há mais de 20 anos. Mas, agora, o Tribunal de Contas da União, o Ministério Público de São Paulo e, claro, a direção da CEAGESP, fazem os preparativos necessários para começar a transformação. O primeiro passo é cumprir o que exige a lei: toda área de concessão do espaço público precisa passar por um processo de concorrência para ser ocupada. É exatamente esse primeiro passo que faz bater mais acelerado o coração de todos na Central, desde que foram anunciadas as providências para adequação à lei. Corações batendo mais forte? Com razão. Desde os pioneiros, os contratos que abrigaram os comerciantes ali dentro estabeleciam um confortável uso por tempo indeterminado. Como contrapartida, só mesmo o pagamento de um valor mensal e despesas de condomínio, calculados por metro quadrado de espaço ocupado. Mesmo esse valor retorna a eles em benefícios como a prestação de serviços de manutenção, seguro, limpeza, segurança, entre outros itens. O EXEMPLO DOS OUTROS A questão mais palpitante, que está na mente dos dirigentes da CEAGESP e deixa bastante inquietos permissionários e trabalhadores, diz respeito ao tempo de transição que será concedido a esses comerciantes até que se realizem as primeiras licitações públicas. Outras centrais de abastecimento do País já enfrentaram a tarefa da aplicação da Lei. Na CeasaMinas, que também é vinculada ao governo federal, como a CEAGESP, o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) foi assinado com o Ministério Público Federal depois de um longo e difícil período de negociações. O novo contrato de conceção de uso que foi firmado em Minas concedeu um prazo de 20 anos aos concessionários da época. E só no final desse período é que essas áreas de comercialização do entreposto mineiro serão licitadas. No Distrito Federal e no Rio de Janeiro a opção foi pela criação de novas leis. Na capital do País, a Lei Distrital nº 4.900, de 16 de agosto de 2012, garantiu um contrato de 15 anos de permissão de uso das áreas de comercialização, que podem ser prorrogados por mais 15 anos, para os atuais ocupantes, desde que estivessem em dia com as suas obrigações fiscais e trabalhistas. No Rio de Janeiro, a Lei Estadual nº 6.482, de 2 de julho de 2013, também definiu o prazo de 15 anos, renováveis por mais 15. Nos seis entrepostos da CEASA Rio, já foram regularizados mais de 600 dos contratos, e o processo de regularização continua. 12 Abastecer Brasil

13 Outra Central que chegou a um entendimento com os permissionários é a CEASA do Espírito Santo. Primeiro com o ressarcimento, definido por uma tabela escalonada dos investimentos feitos nos boxes, no momento da abertura das licitações, e mais a concessão de 10 anos de uso das áreas, definida em contrato. fotos: lílian uyema QUANDO E COMO SERÁ? Vai ser uma batalha dura. A frase sincera e dita em tom sereno traduz bem o que se espera de todo o processo de adequação da CEAGESP à Lei das Licitações. Carlos Eduardo de Melo Ribeiro, responsável pelo setor jurídico da CEAGESP, e que certamente estará na linha de frente das negociações, junto com o TCU e o Ministério Público, mostra que está atento a todos os movimentos que acontecem dentro da Central. É claro que a notícia sobre a necessidade de adequação à Lei tirou todo mundo da zona de conforto. Mas eu entendo que todos terão condições de participar, e certamente em condições bem competitivas. Há risco? Claro que há, mas qualquer atividade empresarial tem risco, faz parte da natureza dos negócios. Caminhando pelas alamedas que levam aos 40 pavilhões da CEAGESP, repartidos em boxes e módulos, e por onde circulam perto de 50 mil pessoas e 10 mil veículos por dia, a sensação é de que a grande maioria permanece alheia ao que está por acontecer. Mas é só aparência. A verdade é que está no ar um constante alerta imaginário, mas bem evidente no semblante de cada um: Atenção, homens negociando! Todos agarrados a tablets, calculadoras, telefones celulares, preenchendo comandas, manobrando empilhadeiras ou empurrando pilhas de caixas de frutas, legumes, carregando e descarregando carretas de batatas, bananas, cebolas. Esses homens não param. Este é o lema: primeiro os negócios. Conceder alguns minutos de conversa sobre qualquer outro assunto é interromper aquilo que eles mais sabem, e também mais gostam de fazer: negociar. E a primeira reação à menção de concorrência pública vem quase sempre intempestiva, indignada. Tá bom, licita, eu perco. Rua para meus 127 funcionários. Eu vou pra casa, no auge do meu desempenho profissional. Tá tudo errado, diz um empresário para todo mundo ouvir. Ele atingiu recentemente os 10 milhões de reais de faturamento em um só mês. Não, não, é muito prematuro. A gente tem que discutir muito bem, diz outro empresário, cercado de caixas de legumes. Afora isso, mostra-se otimista em relação às mudanças. Acredita mesmo que será possível melhorar os serviços, a logística dos transportes, diminuir custos operacionais. Quanto tempo, 15 anos, 20 anos? É muito pouco. A Central está ultrapassada, precisa melhorar muito, Melo Ribeiro coleta opiniões que chegam de todos os cantos Edmilson da Luz está há 25 anos no setor de legumes Abastecer Brasil 13

14 Como ficaria isso aqui? Não consigo imaginar isso tudo retalhado entre diversos novos permissionários concorrentes. decreta outro. E acrescenta: Isso aqui foi construído para caminhões como aquele ali, e aponta um velho GMC. Ninguém nem sonhava com as carretas ou os trucks do tamanho que se produz hoje. Quando os batateiros chegam com eles, trava tudo. Ninguém passa. Não há espaço pra tudo isso. No box vizinho, um comerciante dos mais antigos, e também bananeiro, quase consegue dizer tudo só com o olhar sereno que vai percorrendo aquelas montanhas de mercadorias, o corre-corre, o produto que chega e que sai um olhar melancólico, como se estivesse prestes a se despedir de tudo aquilo. No Sindicato dos Permissionários em Centrais de Abastecimento de Alimentos do Estado de São Paulo (SINCAESP), o presidente José Luiz Batista, recém-eleito, está preocupado. A ocupação de espaço proposta na Lei nº não leva em conta a gestão do abastecimento. Mas devia. A grande maioria aqui é de produtores com longo histórico de atuação dentro da CEAGESP. De novo o advogado da CEAGESP, Melo Ribeiro, mostra-se sereno diante dos argumentos que ele sabe que terá que enfrentar durante todo o processo de negociações: Ninguém desconsidera os investimentos feitos ou o papel dos permissionários aqui dentro. Mas tudo que eles investiram foi no próprio negócio, no que é deles, está certo? Claro que muito da grandiosidade da Central se deve a esses comerciantes, só que isso não significa que a CEAGESP não teve nenhum papel nisso. O QUE SERÁ, QUE SERÁ... O Projeto de Lei 174 tramita no Congresso Nacional desde De autoria do deputado Weliton Prado, do PT/MG, a proposta institui o Plano Nacional de Abastecimento de Hortigranjeiros (PLANHORT). Quer dizer, define um novo marco regulatório para o setor de abastecimento no País. O PL 174 propõe um período de transição de dez anos, e mais a consideração dos investimentos feitos pelos permissionários, além de um prazo de até 25 anos para os novos contratos. A aprovação de um novo marco regulatório seria muito melhor. Mas o projeto atual merece aprimoramentos e ainda deve passar por duas comissões técnicas da Câmara antes de chegar ao Senado, diz Melo Ribeiro. José Luiz Batista, presidente do SINCAESP: a Lei n não leva em conta a gestão do abastecimento, mas devia. Independentemente da aprovação desse projeto, ele se prepara para os próximos passos: firmar o TAC com o MP para iniciar o recadastramento dos permissionários, fazer o levantamento das certidões de regularidade, das questões tributárias, da vida fiscal e trabalhista de tudo o que acontece dentro do entreposto e estabelecer um novo modelo de contrato a vigorar já no período de transição. Nas mesas de discussões, Melo Ribeiro não só terá a tarefa de debater, mas também a chance de ouvir muitas histórias. E talvez aí estejam as maiores dificuldades que ele vai encontrar: conciliá-las, porque elas constituem exemplos muito fortes de vidas construídas literalmente dentro da central. Por consequência, trata-se de gente vencedora que estruturou dia após dia as convicções que serão levadas à consideração dessa nova ordem que se quer estabelecer. Dessa gente faz parte o piauiense Edmilson da Luz, que chegou há 25 anos ali no setor de legumes. Determinado, veio com uma leva de conterrâneos em busca de dar um jeito na vida. E foi ligeiro. Trabalhou oito meses de empregado, como vendedor. E logo depois conseguiu o seu módulo, o primeiro passo para a independência. Agora já alcançou os 29 módulos e não esconde o medo de não ter condições de concorrer e manter todos eles. Como ficaria 14 Abastecer Brasil

15 isso aqui? Não consigo imaginar isso tudo retalhado entre diversos novos permissionários concorrentes. Quem não deve faltar a essas rodadas de negociações é o empresário João Barossi, do ramo de batatas. Ele já está na CEAGESP há 15 anos, quando deixou a sua Monte Alto, interior de São Paulo, terra da cebola. Quando lembra os prazos para a transição, nada do que foi estabelecido nas CEASAS de Minas Gerais e do Rio de Janeiro o comove: Não pode, assim de repente, limitar o empresário que quer crescer. Por isso, o debate vai ser longo. Bem longo. Mas também faço parte de um grupo de empresários do entreposto que querem construir uma central longe daqui. Já existe até uma área escolhida, ao longo da Rodovia dos Bandeirantes. Luiz Roque, do setor das bananas, é outro entusiasta de uma central fora dos limites da cidade. Mas é certo que vai se lembrar sempre dos bons tempos da CEAGESP. Afinal, era só um garoto quando começou. Lembra que o pai não sabia ler nem escrever, e foi ele, aos 11 anos, o escolhido para tomar conta do coração da empresa: o caixa. Quarenta nos depois, Roque entende que modernização é mesmo a palavra da hora. Mas não aqui. Quando o rodoanel de São Paulo ficar pronto, como justificar o tráfego de caminhões pesados aqui do lado de dentro? Roque acredita que as autoridades deveriam pensar nisso, porque o valor imobiliário que se alcançaria com a área da atual CEAGESP certamente compensaria a construção de uma nova central de abastecimento fora da cidade. O respeitado produtor de tomates José Luiz Batista é agora presidente do Sindicato dos Permissionários. Tem a responsabilidade de representar o interesse de todos eles nas negociações. O ideal seria um regramento específico para o setor de abastecimento. Porque mais que permissionários, nós aqui somos produtores, financiadores da produção, responsáveis pela logística de transporte e de abastecimento. Tudo isso está nas mãos dos permissionários. Ainda há outra questão importante: a licitação traz também o risco de concentração dos espaços nas mãos das distribuidoras. Mais antigo no entreposto do que todos eles, Edson Magario confessa que era só um rapazinho tímido, caipira da roça mesmo, lá em Registro, no Vale do Ribeira (SP), quando foi intimado pelo pai, que confiava nele para to- mar conta do box de bananas no entreposto que estava surgindo. Ele conta que os pioneiros tinham que suportar a zombaria dos comerciantes que ainda resistiam na Zona Cerealista da Rua Santa Rosa, centro da cidade. Ninguém queria vir. Como atrair clientes para aquele mar de lama e mosquitos? Magario apostou na força da gentileza. Deu certo. Era apenas um pequeno box, hoje já são cinco. E por isso, quando fala em licitação, é direto: E os 45 anos de investimentos feitos aqui, quem vai pagar? A PALAVRA É... Conciliação. Porque será mesmo preciso conciliar interesses distintos. E que se entenda que não são só dos permissionários, mas também da CEAGESP. A Central tem ainda a responsabilidade de atender às exigências legais, com acompanhamento permanente, tanto do Ministério Público quanto do Tribunal de Contas da União. Até aqui Melo Ribeiro vai coletando as opiniões que chegam de todos os cantos e que, certamente, constituirão um valioso patrimônio de recursos e argumentação, para nortear as melhores decisões na mesa de negociações com os permissionários da CEAGESP. Todos precisam saber que a intenção não é tirar o comerciante daqui. Queremos que todos eles permaneçam, e comercializem cada vez mais. Acontece que um espaço de uso público precisa observar as regras de ocupação previstas em lei. Não pode ser ocupado indefinidamente, passando de pai pra filho. E ainda teremos a chance de corrigir uma distorção que ocorre aqui dentro: o mercado paralelo de áreas oferecidas até no Google, por mais espantoso que pareça. Os valores dessas ofertas chegam a 850 mil reais, muito acima dos praticados nas licitações, informa o advogado. E tem mais: instalar uma nova Central exige um investimento considerável, e é preciso avaliar se vale a pena, quanto isso vai custar. E que mesmo numa central privada, de tempos em tempos eles terão que sentar com os proprietários e discutir contratos. Eu tenho certeza de que o empresário que está no setor dificilmente vai abrir mão de participar do processo de licitação. Afinal, aqui é o lugar deles. Todos precisam saber que a intenção não é tirar o comerciante daqui. Queremos que todos eles permaneçam, e comercializem cada vez mais. Acontece que um espaço de uso público precisa observar as regras de ocupação previstas em lei. Abastecer Brasil 15

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17 Qual a variação do preço do tomate nos últimos meses? A questão, levantada pela imprensa no ano passado, quando se registrou uma combinação entre quebra de safra no Sul do País e outros fatores, tornou-se recorrente naquele período. Os jornalistas queriam explicar para as pessoas a grande variação dos valores na comercialização do produto. Invariavelmente, as fontes de dados sobre o tema foram as Centrais de Abastecimento. Isso porque elas colhem, processam e subsidiam com dados confiáveis os interessados no assunto. Apesar, porém, de serem geradoras de dados estatísticos importantes, não há uma base uniforme para o processamento das informações. Para contornar o problema, representantes das CEASAS de nove estados brasileiros, da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), da Associação Brasileira das Centrais de Abastecimento (Abracen), da Secretaria de Política Agrícola do Ministério da Fazenda e também do Banco Central realizaram o primeiro encontro para discutir a uniformização da metodometodologia CEASAS buscam padronização de dados estatísticos Começa a ser definida uma metodologia comum para o processamento de informações Eduardo luiz Correia logia e do sistema de processamento dos dados sobre o mercado produtor de hortifrútis do País. A reunião aconteceu em Curitiba (PR), em fevereiro, oportunidade em que foram apresentados vários modelos de captação de informações das Centrais e as ações necessárias à padronização de um sistema único para todos os agentes envolvidos no tema. O intuito é unir esforços para melhorar o sistema de informações das CEASAS. A padronização de procedimentos é a oportunidade de mostrar a importância de comercialização dos mercados das Centrais, avalia Newton Júnior, gerente de Modernização do Mercado Hortigranjeiro da Conab. Para o representante do Ministério da Fazenda, Vitor Ludvig, a padronização permitirá a elaboração de projeções, a fim de auxiliar os produtores a definir quando e quanto têm que plantar. Além disso, os dados ainda poderão auxiliar no cálculo de índices econômicos, como o IPCA Índice de Preços ao Consumidor Amplo. A Conab, por sua vez, apresentou o trabalho desenvolvido em sua plataforma para a inserção de dados da produção e comercialização de hortigranjeiros no País. Agora, após a reunião técnica feita em Curitiba, coordenada pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), e de posse dos mecanismos de captação de dados de cada CEASA, o grupo de trabalho vai se dedicar a construir uma metodologia comum a todos e definir os modos de operar a plataforma comum. Para se ter uma ideia do manancial de informações que são, ou podem ser, geradas pelas CEASAS, basta lembrar que cerca de 20 milhões de toneladas de produtos in natura passam, anualmente, por suas unidades. Abastecer Brasil 17

18 de pai para filho EM londrina, A TRADIÇÃO ABRE ESPAÇO PARA NOVOS projetos A diversificação da atividade econômica não desbancou a agricultura, que ainda é o motor da economia municipal Por Larissa Trevisan fotos: sara bornholdt Novo modelo de logística vai reduzir as perdas 18 Abastecer Brasil

19 Foi uma floresta típica de Mata Atlântica que os primeiros colonizadores encontraram ao chegar ao norte do Paraná, no final do século XIX, na área onde hoje estão municípios como Cambará e Londrina. Na região de terra roxa, extremamente fértil, gaúchos, mineiros e nordestinos se depararam com uma paisagem composta de araucárias, perobas, figueiras e ipês. A partir da década de 1920, o governo estadual passa a conceder terras a empresas privadas de colonização. O objetivo era abrir estradas e derrubar a floresta para a implantação de projetos agrícolas. Foi com esse espírito que, em 1924, a Companhia de Terras Norte do Paraná, uma subsidiária da firma inglesa Paraná Plantations, instalou-se na região. O café já era plantado nessa terra privilegiada, mas os ingleses também tinham interesse em abrir áreas de cultivo de algodão, para alimentar a sua indústria têxtil. A proposta de expansão incluía a construção de uma ferrovia que atravessasse o norte do estado, em direção à fronteira com o Paraguai. O ramal faria a interligação de toda essa área com outros centros agrícolas e industriais do País, pois se ligaria à estrada de ferro Sorocabana, em Ourinhos (SP). À frente dos trabalhos de prospecção para instalar a Companhia de Terras Norte do Paraná estava Simon Joseph Fraser, conhecido como Lord Lovat, uma figura marcante no processo de ocupação desse território. A partir de 1930, a região de Londrina recebeu um grande número de colonos ingleses, alemães, espanhóis, italianos, japoneses e também brasileiros, explica a professora e pesquisadora da Universidade Estadual de Londrina, Magda Tuma, autora de seis livros. No começo, os imigrantes dedicaram-se principalmente ao cultivo do algodão, mas o plantio de hortaliças tornou-se uma questão de sobrevivência. Os japoneses abriram várias chácaras para plantar hortaliças, porque aqui não havia o que comer, complementa a pesquisadora. Mais tarde, nos anos 1950, o café ganharia força. Graças à fertilidade do terreno e aos números expressivos da produção, Londrina passou a ser conhecida como a Capital do Café. A cidade conserva o título, talvez por nostalgia, já que o produto não é mais o motor da economia municipal. A principal fonte de receita de Londrina, que atualmente possui mais de meio milhão de habitantes, continua sendo a agricultura, embora a atividade econômica tenha se diversificado. O turismo ecológico, por exemplo, desponta com força na região. Os produtos mais comercializados e exportados são o café, o trigo, a soja, o milho, o algodão, as frutas e as hortaliças. Marcos: expansão inclui mercado de flores e de pescado ABASTECIMENTO A agricultura vigorosa, que movimenta os negócios da região, impulsiona também a Central de Abastecimento de Londrina, que hoje abastece metade do Paraná, e também cidades do sul dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul. São dois milhões de pessoas e mais de 300 municípios, estima o gerente da instituição, Marcos Augusto Pereira. Em 2013, a Central comercializou mais de 88 mil toneladas de alimentos, o correspondente a R$ 153 milhões. Pereira afirma que em 2014 esses números serão ainda maiores. O mercado de flores está em fase de execução e será inaugurado ainda este ano. A maioria das centrais já tem um setor destinado à floricultura, mercado em expansão no País, então, nós não podemos ficar para trás, explica. O projeto de expansão prevê ainda uma área destinada ao comércio de pescados, mas o espaço precisa passar por uma reforma. Vamos ver se até o fim do ano inauguramos tudo, pondera o gerente. Abastecer Brasil 19

20 Fundada no início da década de 1980, a Ceasa de Londrina só decolou mesmo no começo dos anos 90. Hoje, quase três mil pessoas passam pela Central nos dias de maior movimento segundas, quartas e sextasfeiras. Um grande diferencial que atrai consumidores de várias regiões é o horário. É uma das únicas centrais que funciona na parte da tarde para comércio. Então, o comprador chega cedo, faz a cotação e tem o período da tarde para fazer as compras com calma e economia, revela Pereira. É o caso do comerciante Leôncio Araceli, que mora na cidade de Assis, no interior de São Paulo. Há 14 anos, toda semana ele viaja 130 quilômetros, distância do município até a Central, para abastecer o restaurante da família. Segundo ele, além do horário de funcionamento, as pedras também são um atrativo. Você chega aqui e pode negociar diretamente com os produtores. Além disso, eles têm sempre produtos da estação, o que nos permite mudar o cardápio do restaurante sem ter que mexer no preço final, explica Araceli. As pedras fazem parte da rotina da Ceasa de Londrina. Embora possam ser encontradas em outras centrais, a diferença é que elas só funcionam no período da tarde. O nome designa áreas marcadas por faixas pintadas no chão, como se fossem vagas de estacionamento cobertas. É assim que os pequenos produtores cadastrados na Central dividem o espaço para comercializar suas mercadorias. É uma forma de dar espaço ao pequeno produtor em época de safra e, ao mesmo tempo, aumentar a oferta de mercadorias para o consumidor, analisa Marcos Pereira. Numa quarta-feira quente de dezembro de 2013, o agricultor Claudio Aparecido Moreira ocupava a pedra número 91. Ele e o irmão trabalham juntos e já tinham vendido quase toda a colheita daquela semana: 100 dúzias de repolho, 15 de berinjela e 12 de abobrinha verde. Claudio voltou para casa com dois mil reais no bolso. Prefiro trabalhar na pedra a ter um box. A clientela é fiel, mas você tem que oferecer sempre mercadoria de qualidade. Não adianta botar o repolhão bonito por cima e os miudinhos por baixo. Tem que ter capricho para fazer a carga, zelar pelo freguês, avalia ele. Os fregueses de Claudio são, principalmente, feirantes, supermercados, quitandas e varejistas ambulantes. Segundo dados da Ceasa, a região de Londrina abriga mais de 6 mil produtores de frutas, que plantam em 28 mil hectares e geram uma receita de R$ 247 milhões por ano. Já no segmento das hortaliças, são 20 mil produtores em 20 mil hectares, responsáveis por R$ 500 milhões, anualmente. As duas atividades, juntas, empregam diretamente quase 69 mil pessoas. Marcelo: família unida comanda 35 empregados Claudio prefere trabalhar na pedra a ter um box 20 Abastecer Brasil

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