Informe Econômico SEFAZ/RJ

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1 Economia Mundial. Em julho, o cenário geopolítico internacional apresentou-se bastante conturbado. Entre os acontecimentos que têm gerado grande apreensão internacional, são destaques: (i) o aumento das tensões políticas entre a Ucrânia e Rússia, tendo em vista a queda do avião da Malaysia Airlines, que culminou na morte de 298 pessoas supostamente por separatistas pró Rússia, e a imposição de uma terceira rodada de sanções dos governos norte-americano e europeus voltadas para setores vitais russos de finanças, energia e armamento; (ii) o agravamento dos conflitos no Oriente Médio, na região da Síria e Iraque, entre extremistas muçulmanos do ISIS (Islamic State of Iraq and Syria) e xiitas apoiados pelo Irã; e (iii) o retorno do estado de guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. Esses eventos têm como consequência a diminuição da disposição de assumir riscos por parte dos investidores, afetando diretamente o preço do barril de petróleo, os mercados financeiros e as taxas de câmbio mundo afora. Indiretamente, a Rússia ameaça encarecer a energia fornecida para Europa se a política de sanções permanecer. Nos Estados Unidos, o Fed voltou a reduzir os estímulos econômicos via compra de títulos, para US$ 35 bilhões mensais, em julho, e projeta o encerrament o completo do programa de injeção de liquidez para outubro. Além disso, a autoridade monetária manteve a taxa de juros referencial na faixa entre 0% e 0,25% aa, o que já era esperado devido ao recuo de 2,1% no PIB do primeiro trimestre em relação ao mesmo período do ano anterior, ocasionado principalmente pelo inverno rigoroso. Apesar da queda no primeiro trimestre, o resultado positivo no segundo surpreendeu os analistas. O PIB cresceu 4%, acima dos 3% esperados pelo mercado, puxado pelo consumo das famíli as; despesas das empresas em equipamentos, edifícios e propriedade intelectual; e investimento residencial fixo. Esse resultado aumenta ainda mais a confiança das famílias e das empresas, gerando mais consumo e investimento nos próximos trimestres. O PIB chinês do segundo trimestre surpreendeu positivamente, crescendo 7,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior, após dois trimestres consecutivos de desaceleração. A produção industrial apresentou alta de 8,8% em maio, na comparação anual. Em junho, a balança comercial ficou superavitária em US$ 31,6 bilhões, abaixo das estimativas do mercado. As exportações cresceram 7,2% e as importações 5,5%, em relação ao mesmo mês de Esses resultados expressam a reorganização da economia chinesa em direção ao aumento do consumo e serviços internos. Apesar disso, a meta de crescimento de, pelo menos, 7,5% para 2014 ainda produz desconfiança, em virtude de dados negativos do setor imobiliário chinês. Na zona do euro, a inflação de 12 meses em junho ficou em 0,5%, mesmo resultado que havia sido observado em maio e bem inferior à meta estipulada pelo Banco Central Europeu, ligeiramente abaixo de 2%. Esse resultado não descartou o risco de deflação, já que junho é o nono mês consecutivo em que a taxa de inflação da zona do euro manteve-se abaixo de 1%, apesar das medidas adotadas pelo BCE no mês anterior. O Fundo Monetário Internacional revisou para cima a estimativa de crescimento da 1

2 Alemanha, maior economia europeia, de 1,7% para 1,9% em 2014, a despeito da queda da produção industrial e da redução da confiança dos investidores. Essa revisão de crescimento da economia germânica ocorre em momento particularmente deli cado, pois o país é afetado diretamente pelas tensões políticas envolvendo Ucrânia e Rússia, posto que a Rússia é responsável pelo fornecimento de cerca de 40% do petróleo consumido na Alemanha. Em Fortaleza, os BRICS, grupo formado por Brasil, Rússia, Ín dia, China e África do Sul, anunciaram a criação do banco dos BRICS, chamado de Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), com sede em Xangai e capital social inicial de US$ 50 bilhões (US$ 10 bilhões de cada sócio), destinado a financiar projetos de infraestrut ura em países emergentes; e do Arranjo Contingente de Reservas, no valor de US$ 100 bilhões (US$ 41 bilhões da China US$ 18 bilhões do Brasil, Rússia e Índia US$ 5 bilhões da África do Sul) com objetivo de aumentar a segurança financeira global através do financiamento de déficit no balanço de pagamento dos países membros, sendo contraponto ao Banco Mundial e ao Fundo Monetário Internacional, respectivamente. Economia Brasileira. O índice de atividade econômica do Banco Central (IBC-Br) voltou a apresentar resultados negativos em maio, tanto em relação a abril, quanto na comparação com maio de 2013 (-0,2% em ambos). No acumulado do ano até maio, alta de 0,6% e no acumulado em 12 meses, crescimento de 1,9%. A perspectiva é que continue a apresentar valores negativos nos próximos meses, de modo a convergir para um crescimento anual próximo a 1%. Dados da indústria ajudam a explicar o comportamento do índice ao registrar quedas em maio, tanto na comparação com o mês anterior (-0,6%), quanto em relação a maio de 2013 (-3,1%). No acumulado até maio, queda de 1,6% em Indústria geral, influenciada pela Indústria de transformação (-2,4%), mas também marcada pela recuperação da Indústria extrativa (+4,7%). No acumulado em 12 meses (em maio), baixo crescimento da Indústria geral, Indústria extrativa e Indústria de transformação (+0,2%, +0,6% e +0,2%, respectivamente). Destaque negativo na indústria para Fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, registrando quedas em maio na comparação com o mês anterior (-3,9%), na comparação com maio do ano anterior (-20,1%), no acumulado dos cinco primeiros meses (-12,5%) e no acumulado de 12 meses encerrado em maio (-2,8%). As expectativas de mercado sinalizam queda na produção industrial ao final de 2014 (- 1,15%), e com isso foram revistas para baixo as estimativas para o crescimento do PIB (de +1,10% há quatro semanas para +0,90% hoje) i. 2

3 O comércio varejista registrou entre janeiro e maio deste ano crescimento de 5,0% (em relação ao mesmo período do ano anterior), com destaque para Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos (+10,5%). No acumulado em 12 meses (em maio), alta de 4,9%. No entanto, no comércio varejista ampliado o resultado entre janeiro e maio foi bastante inferior (+1,4%), novamente influenciado por Veículos, motocicletas, partes e peças (-5,6%). A balança comercial registrou em junho o quarto superávit consecutivo do ano (US$ 2,36 bi). Por outro lado, o saldo da balança comercial continua negativo no 1º semestre de 2014 (US$ - 2,49 bi), um pouco melhor que o registrado no mesmo período de 2013 (US$ - 3,07 bi). Nas exportações, destaque positivo para Óleos brutos de petróleo (+28,6%) e negativo para Automóveis de passageiros (-31,6%). Nas importações, destaque para Óleos brutos de petróleo (-4,2%). O IPCA variou 0,40% em junho de 2014, a menor taxa desde setembro de O principal fator de contribuição foi o setor de Alimentação e bebidas ( -0,11%), de grande peso no cálculo do índice. No acumulado em 12 meses (em junho), o índice geral variou 6,52% acima do teto da meta, porém inferior ao observado no mesmo período do ano anterior quando atingira 6,70%. No acumulado em seis meses, alta de 3,75% (+3,15% em junho de 2013), com destaques para Educação (+7,34%), Despesas pessoais (+6,02%) e Alimentação e bebidas (+5,07%). Para o final de 2014, as expectativas de mercado ii são de alta de preços de 6,41%. O número de postos líquidos de trabalho com carteira assinada, de ac ordo com o CAGED/MTE, registrou enorme queda para o mês de junho em comparação com o mesmo mês de 2013 (-80%), o que influenciou o fraco resultado do 1º semestre, o pior para o 1º semestre desde 2009, gerando menos de 600 mil postos líquidos ( -29% em relação ao mesmo período de 2013). A perspectiva para os próximos meses é de continua redução na geração de novos postos de trabalho. Economia Fluminense. Indústria. A Indústria Geral no Rio de Janeiro recuou 4,3% nos primeiros cinco meses do ano, resultado mais intensamente negativo do que o observado no país: queda de 1,6% no mesmo período. O desempenho da indústria geral no Rio de Janeiro no período é consequência da queda da indústria extrativa (-1,4%) e da indústria de transformação (-5,3%). Destaque-se que no país a indústria extrativa apresentou resultado positivo (+4,7%). 3

4 10% Produção Industrial: acumulado no ano (Maio) 0% -10% -20% Brasil Rio de Janeiro Fonte: PIM/IBGE. Os destaques positivos da indústria são: Borracha e Plástico (+8,3%), Manutenção de Máquinas (+7,2%), e Bebidas (+6,6%). O primeiro setor mantém seu crescimento no acumulado no ano, puxado pela produção de insumos para indústria automobilística nos primeiros meses do ano; o segundo setor caracterizado pela manutenção e instalação, principalmente de embarcações, apresentou crescimento forte em maio; o setor de Bebidas foi fortemente influenciado pelo evento Copa do Mundo. Entre os setores que apresentaram queda (7 de 13), destacam-se: Veículos (-16,6%), Equipamentos de Transporte (-13,3%) e Outros Químicos (-11,3%). O setor Veículos, depois de bom resultado nos dois primeiros meses do ano, apresentou queda no segundo bimestre, não havendo ainda recuperação em maio; os setores Equipamentos de Transporte e Outros Químicos encontram-se em patamar inferior ao do ano anterior. Comércio. As vendas no comércio varejista (restrito) no estado aumentaram (+3,4%) nos primeiros cinco meses de 2014, comparado com mesmo período de 2013, resultado abaixo do observado no país (+5,0%). Considerando o comércio varejista ampliado, o resultado no estado do Rio de Janeiro foi de crescimento de 2,9%, maior do que o observado para o país (+1,4%). O crescimento do comércio varejista restrito no Rio de Janeiro abaixo do país é decorrente do arrefecimento das vendas no setor Artigos farmacêuticos, setor com desempenho muito discrepante em relação à media nacional. Para o índice como um todo, o destaque no Rio de Janeiro é o setor de Veículos, motocicletas, partes e peças, com crescimento de 1,6% no período, enquanto observa-se queda de 5,6% para o país. O destaque negativo se deu no setor Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação, com queda de 9,5% no período, muito superior ao observado para a média nacional. 4

5 Volume de Comércio Varejista Ampliado 2014 (até Maio) RJ BR Combustíveis e lubrificantes 6,2% 5,5% Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo 4,7% 4,1% Tecidos, vestuário e calçados -1,2% -0,4% Móveis e eletrodomésticos 0,1% 6,1% Artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos, de perfumaria e cosméticos 4,1% 10,5% Livros, jornais, revistas e papelaria -5,3% -4,7% Equipamentos e materiais para escritório, informática e comunicação -9,5% -1,9% Outros artigos de uso pessoal e doméstico 4,6% 10,0% Varejo 3,4% 5,0% Veículos, motocicletas, partes e peças 1,6% -5,6% Material de construção 2,7% 3,4% Varejo Ampliado 2,9% 1,4% Fonte: PMC/IBGE. Dívida Financeira. Em maio de 2014, a dívida financeira do estado contratada ao longo dos anos totalizou R$ 39,5 bilhões. Deste montante, 99,7% são contratos da administraç ão direta, sendo 56,9% corrigidos pelo IGP-DI (PAF) e 16,6% pela TJLP (projetos de investimento financiados pelo BNDES). Outros 7,5% dos empréstimos da administração direta correspondem a operações de crédito com instituições internacionais, o que expressa a baixa exposição estadual a risco de câmbio. Receita Total. A arrecadação tributária estadual iii somou R$ 19,224 bilhões no 1º semestre do ano. Esse resultado representou um crescimento nominal de 5,93% em comparação ao mesmo período de O ICMS, principal tributo do estado, com participação de 82% na arrecadação tributária, avançou 5,77%, totalizando R$ 15,794 bilhões. Em relação aos outros tributos, destaque para o ITD que apresentou o maior aumento semestral, 15,05%, seguidos pelo IPVA e pelo FECP, com altas de 6,04% e 5,98%, respectivamente. Considerando a arrecadação total iv no 1º semestre, houve 24% de aumento em relação ao 1º semestre de 2013, atingindo o montante de R$ 41,7 bilhões. Parte dessa alta deve-se às receitas de capital que aumentaram 82% (R$ 7,37 bilhões) na comparação com o 1º semestre do ano anterior. Os destaques são Receitas de outros títulos mobiliários (R$ 3,37 bilhões apenas no mês de junho) e Operações de crédito, que cresceram 40%, principalmente em função dos financiamentos (interno e externo) de programas de investimento. i Boletim Focus de 25/07/2014. ii Idem. iii ICMS, FECP, ITD e IPVA. iv Receitas tributárias e não tributárias. 5

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