Uso do preservativo masculino por adolescentes no início da vida sexual

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1 ARTIGO ORIGINAL 37 Dulcilene Pereira Jardim 1 Enir Ferreira dos Santos 2 Uso do preservativo masculino por adolescentes no Condom use by male adolescents when becoming sexually active RESUMO Objetivo: Identificar o uso do preservativo entre adolescentes do sexo masculino no início da sua vida sexual. Métodos: Trata-se de um estudo descritivo-exploratório cuja coleta de dados foi feita por meio de questionário respondido por 166 adolescentes do sexo masculino de uma escola pública da cidade de São Paulo-SP, Brasil. Resultados: Entre os estudantes, 93,4% conhecem a camisinha masculina e 69,8% consideram seu uso importante. A sexarca já ocorreu para 69,3% dos adolescentes aos 13,4 anos, sendo que 40,4% usaram a camisinha na primeira relação sexual e 31,3%, nas relações subsequentes. Conclusão: Os adolescentes deste estudo mantêm-se expostos a uma gravidez indesejada ou a doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), ressaltando a necessidade de conscientização do grupo para os riscos do sexo sem proteção. Palavras-chave Adolescente, preservativos, enfermagem, educação em saúde. ABSTRACT Objective: To explore the use of condoms among male adolescents as they become sexually active. Methods: This descriptive exploratory study collected data through a questionnaire completed by 166 male adolescents at a government school in the city of São Paulo, SP, Brazil. Results: Among the students, 93.4% know about the male condom and 69.8% consider its use important. Sexual initiation (intercourse) had occurred for 69.3% of the adolescents by 13.4 years old, with 40.4% of them wearing a condom for their first intercourse and 31.3% during subsequent intercourse. Conclusion: the adolescents addressed by this study are exposed to unwanted pregnancies and sexually transmitted diseases, highlighting the need to enhance their awareness of the risks of unprotected sex. Key words Adolescent, condoms, nurses, health education. 1 Mestra; professora da Universidade de Santo Amaro (UNISA). São Paulo, SP, Brasil. 2 Estudante do 8º semestre do Curso de Enfermagem da Universidade de Santo Amaro (UNISA). São Paulo, SP, Brasil. Dulcilene Pereira Jardim - Universidade de Santo Amaro - Av. Nossa Senhora de Sabará, 960/43 - Torre Ásia - Vila Isa - São Paulo, SP, Brasil. CEP: Recebido em: 27/04/ Aprovado em: 31/05/2012

2 38 Uso do preservativo masculino por adolescentes no Jardim e Santos Introdução A adolescência, período da vida entre 10 e 19 anos de idade, caracteriza-se por intenso crescimento e desenvolvimento, com modificações anatômicas, fisiológicas, psicológicas e sociais 1. Durante este período o adolescente pode dar início à sua vida sexual sem que esteja física e/ou psicologicamente preparado para isso. Desta forma, a adolescência caracteriza-se por ser um grupo vulnerável ao risco de gravidez não esperada e de contaminação por doenças sexualmente transmissíveis (DST) 2. O conhecimento e a reflexão por parte dos adolescentes em relação aos riscos advindos de relações sexuais desprotegidas são fundamentais para que os mesmos possam vivenciar o sexo de maneira adequada e saudável, assegurando a prevenção da gravidez indesejada e da contaminação pelas DSTs, além de exercer um direito que possibilita cada vez mais o ser humano ao exercício da sexualidade desvinculado da procriação 3. Neste sentido, ressalta-se a necessidade da construção de espaços de diálogo entre adolescentes, professores e profissionais da saúde como um importante dispositivo para construir uma resposta social com vistas à superação das relações de vulnerabilidade entre o grupo 4, tendo o uso do preservativo um papel de destaque como recurso disponível, que atende à função de proteção contra gravidez indesejada e DSTs simultaneamente, sendo necessárias a informação e a conscientização do grupo por meio da educação em saúde. A educação em saúde é um processo que abrange a participação de toda a população no contexto de sua vida cotidiana, e não apenas das pessoas sob risco de adoecer 5, havendo a necessidade de abordar o adolescente não como um problema, mas como um grupo que possui identidade e conhecimentos próprios cujos comportamentos e atitudes devem ser compreendidos a partir do seu universo e dos sentidos que atribuem aos diferentes fatos e eventos da vida 6. Entre os profissionais da saúde capacitados para este diálogo está o enfermeiro, um educador por natureza, que pode muito contribuir no sentido de orientar o adolescente quanto à importância do uso do preservativo, bem como sua correta utilização, desde o início da sua vida sexual, de forma que se torne um hábito saudável expresso na continuidade do uso nas relações sexuais que se sucederão 7. O trabalho educativo com o adolescente pode ser feito em unidades básicas de saúde (UBSs), hospitais, centros comunitários ou na escola, que tem um importante papel social na vida dos seus alunos, entre outros espaços sociais. OBJETIVO Diante deste cenário, este estudo teve como objetivo identificar o uso do preservativo entre adolescentes do sexo masculino no início da sua vida sexual. MÉTODOS Trata-se de um estudo descritivo-exploratório realizado em uma escola estadual localizada na Zona Sul do município de São Paulo. A escola possui ensino fundamental II (do 6º ao 9º ano) e ensino médio (da 1ª à 3ª série) com um total de alunos, distribuídos nos períodos matutino (das 7 h às 12h20), vespertino (das 13 h às 18h20) e noturno (das 19 h às 23h). Destes, aproximadamente 700 alunos são do sexo masculino. A amostragem utilizada foi do tipo não probabilística, por conveniência, e critérios de inclusão foram: ter entre 10 e 19 anos, ser do sexo masculino, estar devidamente matriculado na escola em questão, ter manifestado interesse em participar do estudo, além de obter a permissão expressa do seu responsável legal, somando 166 adolescentes. A coleta de dados foi realizada no mês de outubro de 2010 após a apresentação da pes-

3 Jardim e Santos Uso do preservativo masculino por adolescentes no 39 quisa pelo responsável, bem como a entrega do Termo de Consentimento Livre Esclarecido (TCLE), que foi levado pelos alunos ao domicílio, assinado pelos pais ou responsável e devolvido em dia posterior. O instrumento de coleta de dados utilizado neste estudo foi um questionário estruturado com 40 perguntas abertas e fechadas divididas em: parte I: caracterização sociodemográfica; parte II: conhecimento da camisinha masculina; parte III: uso da camisinha masculina no. O questionário foi respondido pelos sujeitos da pesquisa em ambiente escolar, em horário de aula, de acordo com a indicação do coordenador pedagógico e a autorização do professor, com duração média de 20 minutos. A análise dos dados obtidos com o questionário foi baseada em estatística descritiva e apresentada por meio de tabelas com o valor total e a porcentagem. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade de Santo Amaro (UNISA) sob o Protocolo nº 071/10. RESULTADOS E DISCUSSÃO Caracterização sociodemográfica A amostra do estudo foi constituída por 166 (100%) adolescentes do sexo masculino, com idade média de 15,1 anos e que cursavam, na maior parte, a 3ª série (63/38%). Em relação ao estado civil, apenas quatro (2,4%) já eram casados e oito (4,8%) informaram ter um filho. A maioria dos adolescentes morava com os pais (110/66,2%); 136 (81,9%), em casa própria; 22 (13,2%), em casa alugada; e três (1,8%) em casa construída em terreno da prefeitura. A renda familiar desta população situou-se entre R$ R$ (46/27,7%), enquan- to a renda individual dos adolescentes era de até um salário mínimo (R$ 510) (41/24,6%). Quanto à religião, 95 (57,2%) eram católicos; 39, (23,4%) evangélicos; e nove (5,4%), espíritas. Conhecimento dos adolescentes sobre o preservativo masculino Questionados quanto a seu conhecimento sobre os métodos contraceptivos existentes, os adolescentes classificaram-no como bom (103/62,0%), excelente (49/29,5%) e ruim (9/5,4%). O conhecimento dos adolescentes sobre os métodos contraceptivos é bom, especialmente quando possuem melhor comunicação com os pais, mas este fato não é diretamente proporcional ao uso de um dos métodos contraceptivos em sua primeira relação sexual 8. Entre os métodos contraceptivos existentes, a camisinha masculina ganhou destaque, sendo conhecida por 155 (93,4%) dos adolescentes, e o seu uso foi considerado importante para 116 (69,8%). Entretanto 10 (6,0%) não a consideraram assim, fato que levanta preocupação quanto à vulnerabilidade desses sujeitos que, em sua maioria, já possuem vida sexualmente ativa. As razões citadas para justificar a importância da camisinha foram o fato de a mesma prevenir contra as DSTs (77/46,4%), sua capacidade de proteção contra DST e gravidez indesejada simultaneamente (44/26,5%) e somente para a prevenção da gravidez (16/9,6%). Os adolescentes que não consideraram o uso da camisinha importante afirmaram que diminui o prazer sexual. A maioria dos adolescentes deste estudo relacionou mais o uso da camisinha à prevenção das DSTs do que à prevenção da gravidez, o que pode estar relacionado com a diminuição do uso do preservativo em relacionamentos mais sólidos. O conhecimento desses adolescentes sobre a camisinha masculina foi adquirido em 83 casos (41,6 %) mediante os meios de comunicação em massa como televisão e internet; 57 (34,3%) aprenderam com os pais; 46 (27,7%), com os

4 40 Uso do preservativo masculino por adolescentes no Jardim e Santos professores na escola; e 35 (21,1%) construíram seu conhecimento sobre a camisinha com os amigos. Atualmente a sexualidade é abertamente debatida nos meios de comunicação e entre os grupos de amigos, o que tem influenciado diretamente o comportamento do adolescente com informações muitas vezes destorcidas sobre a saúde sexual e reprodutiva 9. Ressalta-se a importância do papel dos pais na educação sexual de seus filhos, de maneira informal e oferecida desde o nascimento da criança. A escola completa o que é iniciado no lar, aprofundando as informações oferecidas pela família e estimulando a discussão e a reflexão dos alunos, o que se acredita colaborar para a formação de conceitos que atuem em favor do indivíduo em seu comportamento sexual. Cabe ressaltar ainda a importância da participação dos profissionais da saúde, entre eles o enfermeiro, neste processo de educação em saúde, ampliando sua atuação nas escolas e na saúde dos adolescentes 7. O uso de preservativo masculino por adolescentes no A sexarca já ocorreu para 115 (69,3%) adolescentes deste estudo, tendo sido em média aos 13,4 anos. Estudos mostram que a iniciação sexual tem acontecido cada vez mais cedo entre adolescentes do sexo masculino com 14 1 e 15 anos 6, 10 nas grandes cidades brasileiras, devido, entre outros fatores, a maior possibilidade de adiantamento do convívio conjugal e maior abertura sexual, que possibilitam a multiparceria desde a adolescência, principalmente para o sexo masculino 1, o que contribui para a ocorrência de gravidez e DSTs nesse grupo. A sexarca já havia ocorrido para a maioria dos adolescentes deste estudo e, considerando que a camisinha é conhecida por quase a totalidade deles, os sujeitos da pesquisa foram questionados quanto a sua utilização na primeira relação sexual. As respostas estão reunidas na Tabela1. A maior parte dos adolescentes deste estudo tinha uma camisinha no momento da primeira relação sexual, sendo que 47 (28,3%) guardavam o preservativo na carteira/bolso ou na mochila escolar. Em 13 (7,8%) dos casos, a camisinha estava em posse das meninas. Este fato demonstra a facilidade de acesso ao método por parte deste grupo. Mas, apesar de ter a camisinha disponível, somente uma parcela desses adolescentes lembrou-se dela na hora da relação sexual e uma parte ainda menor utilizou-a na sexarca. Os motivos relacionados com o não uso da camisinha nas relações sexuais adolescentes compreendem, entre outros, a falta de planejamento do coito ou a resistência em interromper o momento para a colocação do preservativo. Os sujeitos afirmaram que eles próprios foram os maiores responsáveis por sugerir o uso da camisinha na relação, sugestão esta que foi bem aceita por 72 (43,4%) das companheiras. Em uma porcentagem significativa dos casos, a sugestão do uso da camisinha partiu da menina, sendo esta sugestão bem aceita por 67 (40,4%) dos meninos, porcentagem discretamente menor, o que demonstra certa resistência dos meninos ao uso do preservativo 8. Os adolescentes foram questionados sobre a possibilidade de haver recusa por parte da menina na utilização da camisinha, se a maior parte deles teria a relação sexual da mesma forma, ou seja, sem proteção. Esta realidade é um pouco contrária aos dados anteriores que expressam maior resistência por parte dos meninos quanto à utilização do preservativo, o que confirma que os estereótipos de gênero predominantes em nossa sociedade conferem maior poder ao homem, o que muitas vezes impede a mulher de negociar o uso de preservativo nas relações sexuais. Menos da metade dos adolescentes usou a camisinha na sexarca, sendo a mesma colocada por eles próprios. Dificuldades na sua colocação foram referidas por 28 (16,9%) adolescentes, o que demonstra a falta de habilidade com o método no 8 e pode contribuir

5 Jardim e Santos Uso do preservativo masculino por adolescentes no 41 Tabela 1 Distribuição das variáveis referentes ao uso da camisinha masculina na primeira relação sexual dos adolescentes (São Paulo, 2010) Variáveis Total n % Tinha uma camisinha na primeira relação sexual Sim 76 45,8 Não 45 27,1 Não respondeu 45 27,1 Lembrou-se da camisinha na hora da relação Sim 71 42,8 Não 48 28,9 Não respondeu 47 28,3 Quem sugeriu o uso da camisinha na hora da relação Ele 69 41,6 Ela 31 18,7 Não respondeu 66 39,7 Em caso de recusa dela ao uso da camisinha, a relação aconteceria da mesma forma Sim 79 47,6 Não 49 29,5 Não respondeu 38 22,9 Usou a camisinha na primeira relação Sim 67 40,4 Não 76 45,7 Não respondeu 23 13,9 Quem colocou a camisinha Ele 60 36,1 Ela 27 16,3 Não respondeu 79 47,6 Gostou/gosta de usar a camisinha Sim 59 35,5 Não 72 43,4 Não respondeu 35 21,1

6 42 Uso do preservativo masculino por adolescentes no Jardim e Santos para a sua não utilização ou uso incorreto com exposição do par a gravidez indesejada ou contaminação por DST. Grande parte dos adolescentes deste estudo referiu não apreciar o uso da camisinha, o que influencia no seu uso habitual. Quanto à utilização posterior da camisinha, os adolescentes a têm feito em todas as relações em 52 casos (31,3%), 51 (30,7%) raramente usam e 13 (7,8%) nunca usam. A literatura revela que o uso do preservativo masculino tem aumentado entre os adolescentes, inclusive na primeira relação sexual 11. No entanto, não é usado nem por todos, nem em todas as relações sexuais 2, 12. A não utilização da camisinha não está relacionada com a falta de conhecimento sobre o método e sua importância para o sexo seguro, e tampouco com a dificuldade de acesso, mas com o senso de invulnerabilidade próprio do adolescente influenciado pelo prazer momentâneo. A porcentagem de adolescentes que faz uso esporádico ou não utiliza o preservativo ainda é muito expressiva, assim, os alunos foram questionados quanto à utilização de outro método contraceptivo e apenas 19 (11,4%) afirmaram usar algum outro método, entre eles o anticoncepcional hormonal oral (pílula), por ser um método fácil e seguro de ser usado, e a pílula do dia seguinte (PDS), utilizada em situações de sexo desprotegido na intenção de prevenir uma gravidez. A facilidade de acesso à PDS tem despertado receios por parte de profissionais da saúde que atuam com adolescentes, dado que o uso abusivo e indiscriminado pode levar à diminuição ou ao abandono do preservativo em prol do contraceptivo de emergência 13. Quando relacionada com a primeira relação sexual, a camisinha mostra-se como o método mais utilizado entre os adolescentes, mas, considerando as demais relações sexuais do grupo, perde o lugar para a pílula. Considera-se ainda o uso crescente da contracepção de emergência, ou PDS, entre os adolescentes que tiveram alguma relação sexual sem proteção 14. Em ambos os casos observa-se a preocupação dos adolescentes apenas com a gravidez indesejada, sem atentar para o risco de contaminação por DST e suas consequências físicas, psíquicas e sociais para o presente e o futuro dessa população. No momento da pesquisa, 64 (38,6%) adolescentes tinham uma camisinha consigo comprada na farmácia; 70 (42,1%) a adquiriram na unidade básica de saúde (UBS); 53 (31,9%) a receberam da família; e 10 (6%); e 6 ganharam dos amigos 6 (3,6%). Em 56 (33,5%) dos casos as camisinhas estavam guardadas na carteira, no bolso ou na mochila escolar; em 17 casos estavam em casa (10,4%). Estes dados mostram a importância da colaboração das ações públicas na distribuição gratuita do preservativo masculino, contribuindo assim para a saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes 15, ação que será insuficiente se não for acompanhada de instruções para seu uso correto e, ainda, da conscientização do público adolescente sobre o sexo seguro. Questões para reflexão: adolescente em relação ao (não) uso do preservativo Em um momento para reflexão sobre o (não) uso do preservativo ao final do instrumento de coleta de dados, os adolescentes deste estudo expressaram seus sentimentos em relação a ter um filho nesta fase da vida, sendo que 132 (80%) consideram que não é o momento para serem pais, por serem muito novos e por ainda não terem condições de criar um filho. É importante considerar, entretanto, que 12 (7,2%) adolescentes demonstraram entusiasmo com a ideia de serem pais na adolescência, o que confirma que a gravidez na adolescência nem sempre é indesejada 6. Outra reflexão feita pelos adolescentes refere-se à descoberta de uma DST nesta fase da vida, o que para 105 (63,2%) seria motivo de muita tristeza e geraria desejo de morrer e sentimentos de culpa e arrependimento intensos. Apenas 25 (15%) disseram que procurariam tratamento e oito (4,8%) referiram que continuariam vivendo normalmente. Espanta-nos

7 Jardim e Santos Uso do preservativo masculino por adolescentes no 43 mais ainda que quatro (2%) alunos deste grupo continuariam a ter relações desprotegidas com a intenção de contaminar outras pessoas. Os resultados suscitam inquietação em relação aos reais sentimentos que, ainda que só na imaginação, os adolescentes realmente têm ao pensar nestas questões e se o mal-estar causado nestas reflexões surte algum efeito preventivo em suas ações para consigo mesmos e o outro durante o intercurso sexual. Na intenção de elucidar essas interrogações, ainda que superficialmente, os adolescentes foram questionados quanto ao que têm feito para evitar a gravidez ou uma DST neste momento especial de suas vidas e 105 (63,2%) responderam que fazem uso da camisinha para esta dupla proteção. Outros seis (3,6%) utilizam a pílula como método contraceptivo por terem relação sexual somente com parceiros conhecidos, como se o fato de conhecer alguém fosse um procedimento protetor contra a contaminação por doenças. Finalizando, quatro (2,4%) adolescentes referiram não fazer nada para se prevenir de uma gravidez e/ou DST. Sabe-se que o uso da camisinha está associado às relações esporádicas e não planejadas. Quando se trata da namorada ou esposa, a camisinha é substituída pela confiança, recorrendo-se à pílula para se evitar a gravidez. Adquirir alguma doença não está em pauta 16. Quando questionados sobre a existência de dúvidas acerca da colocação correta da camisinha, apenas 25 (15%) afirmaram ter dúvidas, especialmente os que ainda não iniciaram sua vida sexual ou estão em seu início. Resta saber se os 132 (79,5%) adolescentes que não referiram dúvidas realmente sabem a sequência correta para colocação da camisinha e os cuidados com a mesma durante a após o ato sexual para total eficácia do método, pois sabe-se que entre os adolescentes é frequente o desconhecimento sobre o uso correto da camisinha, sendo as dúvidas mais frequentes relacionadas com a maneira de abrir e armazenar, a necessidade de apertar a ponta da camisinha, por que a camisinha estoura e sobre os tipos de lubrificantes que podem ser usados concomitantemente 2. Assim, confirma-se mais uma vez a necessidade da educação em saúde para o público adolescente, ressaltando a importante atuação do enfermeiro na promoção do sexo seguro, assistindo o adolescente de maneira integral e humanizada, contribuindo para a diminuição das vulnerabilidades, propiciando melhores condições de qualidade de vida e beneficiando, assim, o indivíduo e a sociedade. Reconhecida a importância da dimensão educativa como indissociável da prática de enfermagem em qualquer campo de atuação, ainda há carência da formação pedagógica do enfermeiro com a reflexão teórica e a discussão sobre os modelos de educação em saúde e a adequada reflexão sobre o assunto 17. Devidamente capacitado, o enfermeiro poderá somar seus conhecimentos aos de outros profissionais da saúde, em apoio multidisciplinar à escola, atuando diretamente com os estudantes adolescentes ou, ainda, capacitando os professores para ações educativas. CONCLUSÃO Este estudo verificou que os adolescentes consideram ter um bom conhecimento sobre os métodos contraceptivos existentes, sendo a camisinha conhecida pela quase totalidade deles. Para eles, o uso da camisinha é importante para a proteção contra as DSTs em primeira instância e, também, a gravidez, o que justifica a diminuição de seu uso em relacionamentos mais sólidos. Ainda que conheça o preservativo e reconheça sua importância, grande parte dos adolescentes, apesar de ter uma camisinha consigo, não utilizou o método por ocasião da sexarca. Uma porcentagem expressiva deles continua a resistir ao seu uso nas demais relações sexuais, usando-a esporadicamente ou nunca, expondose aos riscos do sexo desprotegido. Quase metade dos adolescentes deste estudo refere não gostar de usar a camisinha porque interfere no prazer e, em alguns casos,

8 44 Uso do preservativo masculino por adolescentes no Jardim e Santos substituem o método pela pílula e a PDS por conhecer a parceira e confiar nela, em ambos os casos mantendo-se expostos aos riscos de contrair uma DST. Diante desta realidade observa-se a importância da atuação do enfermeiro no processo de educação em saúde aos adolescentes, partici- pando no processo de orientação e conscientização do grupo, salientando a importância do uso da camisinha e estimulando o uso contínuo do método para proteção contra a contaminação por DST e, também, uma gravidez indesejada, assegurando uma vida sexualmente saudável e contribuindo para um futuro promissor. REFERÊNCIAS 1. Gubert D, Madureira FSV. Iniciação sexual de homens adolescentes. Ciênc Saúde Coletiva. 2008;13(Suppl2): Silva CV. Uso da camisinha por adolescentes e jovens: avaliação da seqüência dos procedimentos. Acta Paul Enferm. 2004;17(4): Vieira ML, Saes SO, Dória AAB, Goldberg TBL. Reflexões sobre a anticoncepção na adolescência no Brasil. Rev Bras Saúde Mater Infant. 2007;6(1): Fonseca AD, Gomes VLO, Teixeira KC. Percepção de adolescentes sobre uma ação educativa em orientação sexual realizada por acadêmicos (as) de enfermagem. Esc Anna Nery Rev Enferm. 2010;14 (2): Leonello VM, Oliveira MAC. Competências para ação educativa da enfermeira. Rev Lat Am Enfermagem. 2008;16(2) Corrêa JS, Bursztyn I. Representações e práticas referentes à gravidez e contracepção entre jovens. Adolesc Saude. 2011;8(1): Oliveira TC, Carvalho LP, Silva MA. O enfermeiro na atenção a saúde sexual e reprodutiva dos adolescentes. Rev Bras Enferm. 2008;61(3): Janeiro JMSV. Educar sexualmente os adolescentes: uma finalidade da família e da escola? Rev Gaúcha Enferm. 2008; 29(3): Jardim DP, Brêtas JR. Orientação sexual na escola: a concepção dos professores de Jandira. Rev Bras Enferm. 2006;59(2): Brasil. Ministério da Saúde. Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher. Brasília: Ministério da Saúde; Villela WV, Doreto DT. Sobre a experiência sexual dos jovens. Cad Saúde Pública. 2006;22(11): Madureira VSF, Trentini M. Da utilização do preservativo masculino à prevenção de DST/AIDS. Ciênc Saúde Coletiva. 2008;13(6): Figueiredo R, Neto J. Uso de Contracepção de emergência e camisinha entre adolescentes e jovens. Rev da SOGIA-BR. 2005;6(2): Teixeira AMFB, Knauth DR, Fachel JMG, Leal AF. Adolescentes e uso de preservativos: as escolhas dos jovens de três capitais brasileiras na iniciação e na ultima relação sexual. Cad Saúde Pública. 2006;22: Borges ALV. Homens adolescentes e vida sexual: heterogeneidade nas motivações que cercam a iniciação sexual. Cad Saúde Pública. 2007;23(1): Alves CA, Brandão ER. Vulnerabilidades no uso de métodos contraceptivos entre adolescentes e jovens: interseções entre políticas e atenção á saúde. Ciênc Saúde Coletiva. 2009;14(2): Almeida AH, Soares CB. Ensino de educação nos cursos de graduação em enfermagem. Rev Bras Enferm. 2010;63(1):111-6.

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