MAURÍCIO NOVAES SOUZA DEGRADAÇÃO E RECUPERAÇÃO AMBIENTAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

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1 MAURÍCIO NOVAES SOUZA DEGRADAÇÃO E RECUPERAÇÃO AMBIENTAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL VIÇOSA MINAS GERAIS - BRASIL 2004

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3 MAURÍCIO NOVAES SOUZA DEGRADAÇÃO E RECUPERAÇÃO AMBIENTAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Tese apresentada à Universidade Federal de Viçosa, como parte das exigências do Programa de Pós- Graduação em Ciência Florestal, para obtenção do título de Magister Scientiae. VIÇOSA MINAS GERAIS - BRASIL 2004

4 Ficha catalográfica preparada pela Seção de Catalogação e Classificação da Biblioteca Central da UFV T Souza, Maurício Novaes, S729d Degradação e recuperação ambiental e desenvolvimento 2004 sustentável / Maurício Novaes Souza. Viçosa : UFV, xviii, 371p. : il. ; 29cm. Orientador: James Jackson Griffith. Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Viçosa. Referências bibliográficas: p Recursos naturais - Conservação. 2. Degradação ambiental. 3. Impacto ambiental - Avaliação. 4. Desenvolvimento sustentável. 5. Solo - Uso - Aspectos ambientais. 6. Recursos hídricos - Conservação. 7. Revegetação. I. Universidade Federal de Viçosa. II.Título. CDD 20.ed

5 MAURÍCIO NOVAES SOUZA DEGRADAÇÃO E RECUPERAÇÃO AMBIENTAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL Tese apresentada à Universidade Federal de Viçosa, como parte das exigências do Programa de Pós- Graduação em Ciência Florestal, para obtenção do título de Magister Scientiae. APROVADA: 26 de março de Prof. Haroldo Nogueira de Paiva (Conselheiro) Prof. Elias Silva (Conselheiro) Prof. Laércio Antônio Gonçalves Jacovine Prof. Júlio César Lima Neves Prof. James Jackson Griffith (Orientador)

6 ... a vida continua em seu eterno ciclo, e para se perpetuar, o homem deve incluir-se nele e dele participar, mantendo-o. JOSÉ GALÍZIA TUNDISI ii

7 À minha amada esposa Angélica Aos meus filhos queridos Clarissa, Rodrigo e Gabriela À minha mãe Nely Com todo amor e carinho Dedico iii

8 AGRADECIMENTOS À Universidade Federal de Viçosa, ao Departamento de Engenharia Florestal e à Fundação de Amparo à Pesquisa (FAPEMIG), pela oportunidade e pela ajuda financeira. Ao Prof. James Jackson Griffith, pelo profissionalismo, competência, disposição, paciência e pela forma franca de orientação demonstrados durante a execução deste trabalho, com sugestões fundamentais para o seu desenvolvimento. Ao Prof. Maurinho dos Santos, pela hospitalidade e primeiro estímulo para a tomada de decisão em realizar o Curso de Mestrado, abrindo as portas da UFV: inclusive, com a permissão do uso da senha Maurinho. Ao Prof. Oswaldo Ferreira Valente, pelo convite para participar do projeto de pesquisa sobre recuperação de nascentes, tendo despertado o interesse que atualmente dedico a essa área. Às Prof as Rita Gonçalves e Denise, e ao Prof. Eduardo, pela apresentação e recomendações ao Prof. Griffith, dando incondicional apoio ao meu ingresso no Departamento de Engenharia Florestal. Ao Prof. Sebastião Teixeira Gomes, pela sua orientação nas disciplinas Economia do Agronegócio Brasileiro e Desenvolvimento Agrícola, fornecendo subsídios à formação dos princípios sócio-econômicos, fundamentais aos procedimentos de Recuperação Ambiental. Ao Prof. Luís Eduardo Dias, pela brilhante condução da disciplina Recuperação de Áreas Degradadas, consolidando os conceitos fundamentais para comporem a visão holística necessária para o desenvolvimento deste trabalho. iv

9 Aos Profs. e Conselheiros Elias Silva e Haroldo Nogueira de Paiva, pelas importantes sugestões e apoio na fase final de elaboração da Dissertação. Aos Profs. Nairam e Sebastião Venâncio, pela condução brilhante de suas disciplinas. Aos Profs. Laércio Jacovine e Júlio César Lima Neves, por aceitarem prontamente o convite para participação da Banca de Defesa, além das contribuições durante todo o curso. Aos amigos Profs. Everardo Mantovani e Evandro Melo, pelo apoio constante. Aos funcionários do Departamento de Engenharia Florestal, em particular à Ritinha e ao Frederico. Aos amigos de curso Camila, Climene, Andréia, Luis Carlos, Inês, Leonardo, Alexandre, Josuel, Claudinha, Juliana, Eduardo, Neiva, Alécia, Danilo, Walter, Wellerson, Andreza, Isabela, Eliete, Valmir, Elzimar, Maria Dalva, Elton, Ronaldinho, Rose, Wanderléia, Patrícia, Telma, Paulinho, pela satisfação de tê-los conhecidos e poder ter desfrutado tão intelectual e agradável companhia. Ao amigo de 28 anos Maurinho, da Livraria Nobel, pela sua grande paciência aos financiamentos propostos por mim, e prontamente concedidos por ele. Aos amigos Zé do Presto Pasta e Ita Baião, pela amizade sempre sincera e constante ao longo desses 26 anos de convivência. À Tia Sônia, pelas inúmeras contribuições e estímulos durante todo esse período. Às cunhadas Fátima e Olinda e aos concunhados amigos Richard e Webster, pelo apoio e fornecimento de material para pesquisas, particularmente o Bitten, da EMBRAPA-RO. A minha irmã Cristina e sobrinha Daniela, pela torcida, pelo apoio e pelo fornecimento de material para pesquisas. À memória do meu pai Bilú, que deve estar do céu se divertindo e se deliciando com esse momento, pois este era o seu sonho para mim. À minha mãe Nely, eterna incentivadora e admiradora do meu talento, não medindo esforços e sacrifícios para que eu atingisse esse objetivo. Aos meus filhos Clarissa, Rodrigo e Gabriela, que são o motivo principal para justificar os sacrifícios e a luta constante na busca de um futuro melhor. À Angélica, minha esposa que amo profundamente, pelo amor e dedicação sem limites durante todos estes 23 anos bem vividos, não questionando em nenhum momento a revolução em nossas vidas, nesses dois últimos anos. v

10 BIOGRAFIA MAURÍCIO NOVAES SOUZA, filho de Antônio Souza e Silva e Nely Novaes Silva, nasceu no município de Castelo-ES, no dia 25 de abril de Iniciou os estudos básicos no Grupo Escolar Nestor Gomes e o ginasial no Colégio Estadual João Bley, em Castelo-ES. O segundo grau foi iniciado no Colégio Princesa Isabel, Rio de Janeiro, e concluído no COLUNI, UFV, Viçosa. No ano de 1977 iniciou o curso de graduação em Agronomia, na Universidade Federal de Viçosa, graduando-se em Foi administrador da Agropecuária Fim do Mundo, em Castelo-ES, no período de 1982 a Membro do Conselho Fiscal e do Conselho de Administração da Cooperativa Agrária de Castelo-ES, no período de 1982 a Instrutor e colaborador em diversos cursos, palestras e dia de campo em parceria com a EMATER - Castelo, ES. Exerceu atividades empresariais em diversas áreas da indústria e do comércio, no período de 1986 a Em 2002 iniciou o curso de Mestrado em Ciência Florestal na Universidade Federal de Viçosa, concentrando seus estudos na área de Recuperação de Áreas Degradadas - Impactos Ambientais. vi

11 CONTEÚDO LISTA DE FIGURAS... LISTA DE QUADROS... RESUMO ABSTRACT... Páginas 1. INTRODUÇÃO OBJETIVOS Objetivos gerais Objetivos específicos MATERIAIS E MÉTODOS Etapas da pesquisa bibliográfica Estabelecimento de linhas mestras e pesquisa exploratória Levantamento e seleção de material Organização dos temas e assuntos Redação e organização das informações bibliográficas Revisão do texto Elaboração do texto final Conclusão Recomendações Introdução Estudo de Caso Introdução O Estudo de Caso como estratégia de pesquisa Características do Estudo de Caso Aplicações do Estudo de Caso Critérios para julgar a qualidade do delineamento do Estudo de Caso Preparação para a condução de um Estudo de Caso Fontes de evidências Princípios para a coleta de dados Análise das evidências Composição do relato do Estudo de Caso Método de um Estudo de Caso misto (usado nesse trabalho) RESULTADOS E DISCUSSÃO Capítulo I A degradação ambiental pelo fator antrópico Objetivo Introdução O capital natural As funções ambientais de ordem econômica e a ruptura do equilíbrio xii xiii xv xvii vii

12 Externalidades Custos privados e sociais Consideração final Fatores de desequilíbrio Política Agrícola O modelo de pesquisa Estudo de Caso (1) A pesquisa e o modelo de oferta e demanda de um bem público no Brasil O êxodo rural e a urbanização Extensão rural acesso à informação e ao livre mercado Difusão de tecnologia e a interinstitucionalidade O clima organizacional brasileiro Relações entre organizações Difusão de tecnologia efetiva Adoção da tecnologia Estudo de Caso (2) Degradação nas pastagens da Zona da Mata Mineira Os modelos de produção agropecuário e florestal Modelo tradicional ou familiar Modelo convencional ou agroquímico A importância dos modelos no mundo atual e os desafios para o futuro A sustentabilidade do sistema familiar A sustentabilidade do sistema agroquímico O direcionamento da pesquisa Impactos Ambientais Aspectos sócio-econômicos Aspectos culturais Aspectos biológicos Avaliação de Impacto Ambiental (AIA) Atributos principais dos impactos ambientais Métodos de Avaliação de Impactos Ambientais Estudo de Impacto Ambiental (EIA) Relatório de Impacto Ambiental (RIMA) Necessidade de Estudo de Impacto Ambiental Medidas preventivas e ações estratégicas cabíveis para evitar 79 impactos ambientais Considerações finais Classificação das fontes antrópicas de degradação ambiental Classificação temporal Classificação quanto à atividade Considerações finais Capítulo II Recuperação Ambiental Objetivo Introdução Histórico Definições e objetivos da recuperação ambiental A justificativa da necessidade de recuperação ambiental Abordagens para a caracterização de área degradada Abordagem segmentada Caracterização segmentada considerando o componente solo Indicadores de qualidade do solo Abordagem não segmentada A construção de cenários Cenário pré-degradação Cenário pós-degradação Importância da revegetação para a sustentabilidade dos procedimentos de recuperação Estratégias de revegetação O uso do topsoil viii

13 Ajuste das condições físicas e químicas dos meios substitutos Proteção do topsoil O acúmulo de matéria orgânica Processos de degradação e o manejo em florestas plantadas Ciclagem de nutrientes Ciclo geoquímico Ciclo bioquímico Ciclo biogeoquímico Perspectivas para mitigação de impactos em florestas plantadas A biota do solo e o restabelecimento do ciclo do carbono O uso da serapilheira e a seleção de espécies Recuperação de voçorocas Procedimentos para o sucesso da recuperação Estudo de Caso (3) A recuperação de áreas degradadas por atividades minerárias Introdução A regulamentação do setor minerário A recuperação de áreas mineradas A mitigação dos impactos na vida selvagem Drenagem ácida Observações complementares Possibilidades de uso resultante do processo de recuperação Quadro atual e perspectivas para a atividade minerária Alterações climáticas e a estabilidade de encostas de áreas recuperadas Erosão: importância, necessidade de quantificação e prevenção Métodos preditivos de erosão Recuperação de pastagens em áreas de relevo acidentado Recuperação e conservação de nascentes Estudo de Caso (4) As pastagens e a recuperação de nascentes: o caso de Viçosa, MG Recuperação de canais Redução de enchentes Recuperação de matas ciliares e a estabilização das margens Recuperação de bacias hidrográficas Mitigação e recuperação de ecossistemas aquáticos eutrofizados Métodos ecotecnológicos para aplicação no ecossistema aquático A necessidade de priorização de recuperação dos recursos hídricos Uso da água: a visão holística da paisagem Recursos hídricos e a legislação Gestão dos recursos hídricos Quadro atual e sugestões em pesquisas para recuperação ambiental A necessidade da interdisciplinaridade na formação de disciplinas As contribuições das diversas ciências Considerações finais Capítulo III O Desenvolvimento Sustentável Objetivo Introdução Conceitos Análise conceitual: divergências e propostas alternativas Questões ambientais atuais Diretrizes necessárias Política pública Estudo de Caso (5) A política agrícola atual, a pesquisa e o meio ambiente Visão e postura do setor produtivo Aspectos sociais - liderança e visão compartilhada Condições éticas Perspectivas para o desenvolvimento sustentável Procedimentos necessários para atingir o desenvolvimento sustentável Tecnologias apropriadas e o desenvolvimento sustentável ix

14 Atributos e critérios das tecnologias apropriadas Gestão da tecnologia Gestão Ambiental e Desenvolvimento Sustentável Definição Objetivos Postura das empresas com relação aos recursos Sistema de Gestão Ambiental: oportunidades e riscos Melhoria da imagem institucional Melhoria do desempenho ambiental Melhoria e maior aproveitamento das oportunidades de negócios Implantação do Sistema de Gestão Ambiental Licenciamento ambiental Sistemática de licenciamento ambiental Perspectivas para o licenciamento ambiental em Minas Gerais Considerações finais Capítulo IV Propostas de modelos de produção sustentáveis Objetivos O capitalismo natural Estudo de Caso (6) Recuperação ambiental de áreas contaminadas por agroquímicos e metais pesados Objetivos Introdução A necessidade da recuperação e sua caracterização Práticas de remediação e recuperação de áreas contaminadas por metais pesados Técnicas de engenharia Fitorremediação Fitoextração Fitoestabilização Práticas agrícolas rotineiras para recuperação por fitorremediação Calagem Gessagem Fertilização e matéria orgânica Medidas auxiliares para a identificação de impactos ambientais e de recuperação Utilização de bioindicadores Equipamentos de precisão e a redução dos impactos ambientais Ferramentas auxiliares para a recuperação ambiental Utilização de composto de reciclagem de resíduos orgânicos Efeito corretivo Descrição do processo de compostagem Microorganismos simbiontes: fixação biológica de Nitrogênio Agricultura orgânica Plantas halófitas Regeneração natural e sucessão Componentes interligados - a sustentabilidade da recuperação A fauna silvestre Os ecossistemas aquáticos A influência da erosão sobre os ecossistemas aquáticos A qualidade da água e o manejo da irrigação A poluição hídrica e a ecotoxicologia Medidas para a recuperação de ecossistemas aquáticos Estudo de caso (7) Propostas para a recuperação do rio Mogi-Guaçu Considerações finais Recomendações Ciência Generativa x

15 Estudo de Caso (8) A destinação dos resíduos sólidos urbanos: reciclagem, aterro 284 sanitário e recuperação ambiental de áreas degradadas por lixões - o caso de Viçosa, MG Objetivos Introdução O lixo no Brasil O lixo no município de Viçosa A usina de reciclagem de Viçosa Aspectos econômicos Aspectos sociais Aspectos legais Recuperação de áreas degradadas por lixões Considerações finais Recomendações Mecanismo de Desenvolvimento Limpo Estudo de Caso (9) Os sistemas agroflorestais (SAF s) e a recuperação ambiental como externalidade benéfica Objetivos Introdução Conceitos e definições Caracterização de Sistemas Agroflorestais Princípios ecológicos: orientando a sustentabilidade dos SAF s Manejo e processos sucessórios nos SAF s Sucessão orientada Manejo por meio de podas: ativação de processos Aspectos econômicos dos SAF s Produção comercializável Rentabilidade econômica Fomento florestal Sistemas agroflorestais como técnica de recuperação ambiental Sistemas silvipastoris: recuperação, seqüestro de carbono e o clima O solo e a imobilização de CO Os sistemas silvipastoris e o clima Manejo de regeneração natural em pastagens Enriquecimento de pastagens com árvores de uso múltiplo SAF s e a fruticultura tropical Opções alternativas de práticas florestais: agroflorestas Cercas vivas Arborização de pastagens Alley cropping forrageiro Florestas produtoras de forragem Sistema agrícola rotativo (Sistema Taungya ) Monitoramento Sustentabilidade em SAF s Definições de princípios, critérios, indicadores e verificadores Seleção e monitoramento Os SAF s e as Áreas de Preservação Permanente (APP) e de Reserva Legal (ARL) Funções, serviços e externalidades ambientais promovidas pelos SAF s Fatores limitantes dos SAF s Considerações finais Recomendações CONCLUSÕES OBSERVAÇÕES FINAIS SUGESTÕES REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS xi

16 LISTA DE FIGURAS Páginas FIGURA 1 - Comparação entre custos privados e sociais da produção de madeira FIGURA 2 - Índices dos preços reais dos produtos da cesta básica FIGURA 3 - Modelo de oferta e demanda de um bem público FIGURA 4 - FIGURA 5 - FIGURA 6 - Representação simplificada do processo de degradação da pastagem cultivada Teores de nutrientes do primeiro centímetro de Latossolo Vermelho- Amarelo Álico (LVa), em diversas posições de uma toposseqüência Diagrama representativo das várias fontes de poluição do solo e da água FIGURA 7 - Alterações da fertilidade de um solo FIGURA 8 - Estratégia de duas fases FIGURA 9 - Representação esquemática dos ciclos de nutrientes em espécies florestais FIGURA 10 - Ciclos de nutrientes em povoamentos florestais FIGURA 11 - Decomposição dos resíduos vegetais e ciclagem dos constituintes da matéria orgânica FIGURA 12 - Níveis de recuperação de áreas degradadas pela mineração e usos possíveis FIGURA 13 - Balanço entre produção e consumo da forrageira FIGURA 14 - Campo de pesquisas sobre o meio ambiente e recuperação FIGURA 15 - Modelo conceitual de inter-relação entre degradação e recuperação ambiental que abrange os sistemas físico e social FIGURA 16 - Sociograma da Usina de Reciclagem de Viçosa FIGURA 17 - Componentes, funções e métodos de manipulação da biodiversidade em agroecossistemas FIGURA 18 - Efeitos das árvores sobre o agroecossistema circundante xii

17 LISTA DE QUADROS Páginas QUADRO 1 - Crescimento da população mundial QUADRO 2 - QUADRO 3 - QUADRO 4 - Tempo necessário para acrescentar mais 1 bilhão à população mundial População, tempo necessário para a sua duplicação e suprimento de água Drenagem pluvial anual per capita de 10 países em 1983, com projeções para QUADRO 5 - Distribuição da população brasileira em 1970, 1980 e QUADRO 6 - Participação da população na renda nacional em 1960, 1970 e QUADRO 7 - Processo de minifundização no Brasil no período de 1960 a QUADRO 8 - Quantificação das classes de uso e cobertura vegetal natural da área estudada QUADRO 9 - Principais diferenças entre o modelo familiar e agroquímico QUADRO 10 - Classificação dos poluentes e os elementos de impacto na paisagem QUADRO 11 - QUADRO 12 - Classificação, características, magnitude e importância dos impactos ambientais e fontes de degradação Principais atividades agrícolas, pecuárias e florestais com potencial de degradação QUADRO 13 - Tamanho das partículas do solo QUADRO 14 - Efeito do tipo de uso do solo sobre as perdas por erosão QUADRO 15 - Perdas de nutrientes que podem ocorrer anualmente em uma pastagem QUADRO 16 - Indicativos de limitações QUADRO 17 - Quantidade de N fixada pelo guandu em pastagens (Kg/ha/ano) QUADRO 18 - Espaçamento entre terraços de acordo com a declividade QUADRO 19 - Concentrações totais de elementos consideradas excessivas do ponto de vista de fitotoxicidez QUADRO 20 - Gerenciamento ecotecnológico locais para lagos, rios e represas QUADRO 21 - Fontes naturais e antropogênicas de alguns metais pesados para o ambiente xiii

18 QUADRO 22 - Concentrações totais de elementos consideradas excessivas do ponto de vista de fitotoxicidez QUADRO 23 - Plantas acumuladoras de metais pesados e outros elementos QUADRO 24 - Principais nutrientes minerais, disponibilidade nos solos tropicais e teor/necessidade das plantas em sistemas naturais QUADRO 25 - Relação Carbono/Nitrogênio de alguns resíduos orgânicos QUADRO 26 - Impactos ambientais associados ao nitrogênio QUADRO 27 - Estimativas de fixação de nitrogênio em leguminosas (Kg/ha/ano ou ciclo) QUADRO 28 - Concentração média de nutrientes (dag/kg) na massa fresca de estercos de animais QUADRO 29 - Teores de Cd, Pb, Cr, Co, e Ni, em profundidade, das amostras de um Cambissolo irrigado, por sulcos de infiltração QUADRO 30 - Benefícios do uso de materiais recicláveis QUADRO 31 - QUADRO 32 - Destinação dos R.S.U. coletado e tratado no Brasil, na cidade de São Paulo (SP), nos Estados Unidos (EUA) e no Japão Totais globais das vendas de material reciclável da Usina de reciclagem de Viçosa, MG QUADRO 33 - Resíduos urbanos e agroindustriais e medidas compensatórias QUADRO 34 - Largura da faixa de vegetação ciliar a ser preservada ou recuperada de acordo com a legislação xiv

19 RESUMO SOUZA, Maurício Novaes, M.S., Universidade Federal de Viçosa, março de Degradação e recuperação ambiental e desenvolvimento sustentável. Orientador: James Jackson Griffith. Conselheiros: Elias Silva e Haroldo Nogueira de Paiva. A humanidade enfrenta problemas de degradação ambiental que remontam no tempo. O meio ambiente, que sempre desempenhou sua função depuradora com eficiência, encontrase hoje excessivamente sobrecarregado pelas atividades antrópicas: sofre o risco de exaustão dos seus recursos, não conseguindo em determinadas situações, recuperar-se por si só, necessitando o auxílio do homem. Porém, considerando os atuais modelos de produção e desenvolvimento que priorizam a maximização econômica em detrimento à conservação ambiental, a solução definitiva dessas questões parece estar distante de ser encontrada. Recentemente, essa preocupação ganhou adeptos em todo o mundo e, efetivamente, existe uma maior conscientização às causas ambientais, incluindo casos de sucesso nos procedimentos de recuperação e propostas viáveis para o desenvolvimento sustentável. Porém, sendo a Recuperação Ambiental uma ciência nova e esse modelo de desenvolvimento ainda encontrar-se no estágio de compromisso em formação, apresentam lacunas que precisam ser preenchidas, ampliando as chances para que os resultados sejam mais efetivos e duradouros. O corpo deste trabalho está dividido em quatro capítulos: o capítulo I, faz uma análise da origem da degradação ambiental e quais os fatores de desequilíbrio que mais influenciaram para a aceleração deste processo; caracteriza os principais modelos de produção agropecuários e florestais, a sua importância no mundo atual e os desafios para o futuro; inclui a avaliação de impactos ambientais; identifica as principais atividades e os fatores de degradação ambiental. Introduz Estudos de Caso por representarem um importante instrumento didático, sendo este um dos objetivos deste trabalho: nos Estudos de Caso, a teoria adquire vida por ser aplicada ao entendimento dos fatos da realidade. O capítulo II, analisa o processo da recuperação ambiental: suas dificuldades, suas limitações e seu potencial; define área degradada e as abordagens para a sua caracterização; discute sobre a importância da elaboração de cenários, e por fim sugere e delineia os passos essenciais para que o sucesso desses procedimentos sejam duradouros, por meio de um Estudo de Caso sobre a recuperação de áreas mineradas e outro sobre a recuperação de pastagens e nascentes em áreas de relevo acidentado. No capítulo III, é conceituado desenvolvimento xv

20 sustentável, visando sua integração posterior aos conceitos de degradação e recuperação, sob a ótica econômica, ecológica, ética e social, evidenciando suas características, princípios e perspectivas. São apresentadas algumas propostas para que este seja consolidado, gerando emprego e renda com maior eqüidade social; identifica políticas ambientais a) estruturadoras, como o licenciamento ambiental, e b) indutoras de comportamento, como a educação, certificação e gestão ambiental. Estas podem funcionar como ferramentas úteis à prevenção e ao policiamento da agressão e exploração de forma predatória imposta ao meio ambiente, evitando novos casos de degradação, como também auxiliando na gestão e no monitoramento dos procedimentos de recuperação ambiental, garantindo a sua sustentabilidade. No capítulo IV, os conceitos sobre desenvolvimento sustentável são reforçados no contexto da recuperação ambiental, com a apresentação de três propostas que já vêm sendo implementadas em várias partes do mundo, com relativo sucesso, evidenciadas pelos seguintes Estudos de Caso: 1) Recuperação ambiental de áreas contaminadas por agroquímicos e metais pesados: como caracterizá-las; as práticas de remediação e recuperação; as medidas e ferramentas auxiliares para a identificação de impactos ambientais; e os componentes interligados ao processo de recuperação, como a fauna silvestre e os ecossistemas aquáticos, para a garantia da sua sustentabilidade; 2) Os sistemas agroflorestais (SAF s) e a recuperação ambiental como geradores de externalidades benéficas: sua caracterização, importância para a produção de madeira e as externalidades positivas; são identificados os princípios ecológicos que orientam sua sustentabilidade; sendo discutidos: a) manejo e processos sucessórios; e b) o monitoramento e os indicadores de sustentabilidade - e como utilizá-los para projetos de seqüestro de carbono do Mecanismo de Desenvolvimento Limpo e em procedimentos de recuperação ambiental; e 3) A destinação dos resíduos urbanos: reciclagem, aterro sanitário e recuperação de áreas degradadas por lixões - o caso de Viçosa, MG: identifica o problema do lixo nas áreas urbanas brasileiras, responsável em grande parte pela alteração da paisagem e instabilidade das encostas, causando poluição e assoreamento dos cursos d água; aponta a reciclagem como uma atividade que possibilita a redução desse problema, sendo necessária, entretanto, a conscientização das comunidades para a redução na utilização dos recursos naturais e no seu descarte, podendo ser conseguida por meio da educação ambiental; e procedimentos de remediação e recuperação, utilizando-se de métodos como a compostagem e disposição final dos resíduos não-recicláveis, em aterros sanitários. Na conclusão, poder-se-á observar críticas e sugestões, porém no sentido de converter essas novas idéias e conceitos em ação. Sugere-se mudança do atual modelo de produção agropecuário, florestal e industrial, dada a visível insustentabilidade verificada até o presente momento. Por último, algumas recomendações, que apesar de seu conhecimento testado e comprovado, têm passado despercebidas, sendo de extrema importância para a) evitar novos casos de degradação; b) favorecer os procedimentos de recuperação ambiental; e c) promover o desenvolvimento sustentável. Cada um dos temas revisado tem o seu conteúdo pormenorizado, com recomendações e conclusões. xvi

MAURÍCIO NOVAES SOUZA DEGRADAÇÃO E RECUPERAÇÃO AMBIENTAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

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