PROPOSIÇÃO DE UM MODELO DE GESTÃO AMBIENTAL: APLICAÇÃO NA FACULDADE DE HORIZONTINA - FAHOR

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1 PROPOSIÇÃO DE UM MODELO DE GESTÃO AMBIENTAL: APLICAÇÃO NA FACULDADE DE HORIZONTINA - FAHOR Joel Tauchen (1); Luciana Londero Brandli (2); Marcos Antonio Leite Frandoloso (3) Felipe de Brito Rodrigues (4) (1) Faculdade de Horizontina, Horizontina/RS; f (2) Faculdade de Engenharia e Arquitetura, Universidade de Passo Fundo, Campus I, Passo Fundo RS, 0XX(54) ; (3) Faculdade de Engenharia e Arquitetura, Universidade de Passo Fundo; (4) Bolsista PIBIC CNPQ Curso de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de Passo Fundo, RESUMO Proposta: As Instituições de Ensino Superior tem demonstrado uma crescente preocupação com o desenvolvimento sustentável e ações de gestão ambiental.. Isto tem se revelado a partir da abordagem educacional, na preparação de estudantes e fornecimento de informações e conhecimento sobre gestão ambiental e nos exemplos práticos incorporados na operação de seus campi. Objetivos: Este artigo tem o objetivo de propor uma sistematização de procedimentos, culminando num modelo para a implantação de um SGA, adaptado às IES que iniciarão a implantação de um campus universitário, como é o caso da Faculdade de Horizontina (FAHOR). Método de pesquisa/abordagens: A base da proposta é um levantamento de benchmarks nacionais e internacionais de boas práticas de sustentabilidade ambiental em campus universitário e a ISO Resultados e contribuições: O modelo apresentado serve como uma estrutura para implantação do sistema de gestão ambiental em uma Instituição de Ensino Superior, independente do porte e tipo, e está fundamentado nas estapas de planejamento, execução, verificação e ação. Palavras-chave: Instituições de ensino superior, Gestão ambiental, Sustentabilidade. ABSTRACT (11 PTS NEGRITO) In the last few years, sustainable development and environmental management has became one of the main interests of higher-education institutions. This has been revealed mainly through the educational approach on environmental management and the practical examples incorporated in campi operation. The present work shows a systematization of procedures and a model which purpose is the implementation of an adapted environmental management system (EMS) at an university campus, allowing the higher-education institution to control and prevent environmental impacts and adjust to legislation and regulations, even in the infrastructure planning phase. The proposal is based on PDCA tools and on a comprehensive survey of national and international benchmarks for sustainable university campi.

2 Keywords: higher-education institutions, environmental management, sustainability. 1. INTRODUÇÃO É inegável a preocupação crescente de adaptação das universidades em busca de um desenvolvimento sustentável, não só no aspecto do ensino, pesquisa e extensão, mas de práticas de funcionamento ambientalmente corretas (BRANDLI et al, 2007). Existem razões significativas para implantar um SGA numa Instituição de Ensino Superior, entre elas o fato de que as faculdades e universidades podem ser comparadas com pequenos núcleos urbanos, pois abrangem inúmeras atividades no interior do campus. Como conseqüência das atividades desenvolvidas há: a operação de laboratórios de pesquisa, geração de resíduos sólidos e efluentes líquidos, estações de tratamento de efluentes, consumo de água e energia, compactação e impermeabilização do solo, entre outros. Assim, as IES devem combater os impactos ambientais gerados para servirem de exemplo no cumprimento da legislação, saindo do campo teórico para a prática. Entretanto, a maioria das IES não tem nenhuma autoridade central para coordenar práticas ambientais. Por essa razão muitas práticas ambientais internas das IES diferem de departamento para departamento. Um SGA, se executado corretamente, pode melhorar as comunicações internas, estabelecer responsabilidades e integrar a comunidade acadêmica através de treinamentos, prática esta utilizada na implantação do sistema. O papel de destaque assumido pelas IES no processo de desenvolvimento tecnológico, na preparação de estudantes e fornecimento de informações e conhecimento, pode e deve ser utilizado também para construir o desenvolvimento de uma sociedade sustentável e justa. Para que isso aconteça, entretanto, torna-se indispensável que essas organizações comecem a incorporar os princípios e práticas da sustentabilidade, seja para iniciar um processo de conscientização em todos os seus níveis, atingindo professores, funcionários e alunos, sejam para tomar decisões fundamentais sobre planejamento, treinamento, operações ou atividades comuns em suas áreas físicas. Os trabalhos desenvolvidos dentro das instituições de ensino de nível superior têm um efeito multiplicador, pois cada estudante, convencido das boas idéias da sustentabilidade, influencia o conjunto, a sociedade, nas mais variadas áreas de atuação (KRAEMER, 2003). O objetivo deste artigo é apresentar um modelo de Gestão Ambiental, adaptado à Faculdade Horizontina (FAHOR), cujo campus está em fase inicial de implantação, destacando as diretrizes ambientais que devem ser consideradas no momento da concepção e construção do campus. Esse trabalho contribui, no sentido de disponibilizar a outras IES interessadas um modelo de Gestão Ambiental adaptado àquelas que iniciarão a implantação de um campus universitário, permitindo a essas instituições controlarem os impactos ambientais e se adequarem à legislação desde o momento da concepção da infra-estrutura de seus campi. 2. METODOLOGIA Esta pesquisa foi resultado de uma dissertação de mestrado (TAUCHEN, 2006), a qual seguiu o delineamento apresentado na Figura 01.

3 Figura 01- Fonte: Tauchen (2006, p 73) O modelo de SGA para IES foi proposto com base no levantamento de práticas ambientais desenvolvidas pelas universidades e apresentadas no trabalho de Tauchen e Brandli (2006). Sua estruturação foi concebida a partir das normas para sistemas de gestão ambiental, NBR ISO (ABNT, 2004), além do ciclo PDCA. O modelo foi concebido para a Faculdade de Horizontina (FAHOR), localizada na cidade de Horizontina, Noroeste do Rio Grande do Sul, na fase de implantação de seu campus. Pode-se observar na Figura 2, uma planta geral do campus, cuja área de 21 hectares, abrigará dez prédios de salas de aula, além de estacionamento, centro administrativo, biblioteca e, espaços de convivência para alunos e professores.

4 Figura 2: Planta do campus da FAHOR a ser implantado Fonte: Faculdade Horizontina (2005) apud Tauchen (2006, p 72) Um modelo serve para se ter uma visão melhor do que é um sistema de gestão, e eventualmente aproveitar a estrutura ou parte dela adaptada a uma instituição ou outra. Mas cada projeto é único, mesmo que se trate da mesma área de atuação. O fundamental aqui, além da conclusão do modelo, é a pesquisa realizada em busca das respostas às inúmeras perguntas que surgiram e o conseqüente aprendizado resultante desse trabalho. O modelo, pode ser adaptado para atender às necessidades específicas, caso a instituição onde ele for aplicado apresente peculiaridades em relação à proposta. No processo de pesquisa, foi possível encontrar modelos de gestão ambiental em âmbito universitário, mas a maioria destina-se a situações onde a instituição já está implementada e funcionando, facilitando as ações de formação do pessoal, a distribuição de responsabilidades do programa de gestão ambiental e o monitoramento e controle dos indicadores de gestão para o SGA. 3. APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS 3.1 Modelo de gestão ambiental para IES Mesmo que a universidade não tenha a intenção de certificar o seu campus pela ISO 14001, a estrutura da norma é ideal para desenvolver um SGA. Algumas etapas somente podem ser concebidas conforme um programa que oriente a melhoria do desempenho ambiental da organização, prevendo os seguintes passos: política ambiental, planejamento, implementação e operacionalização, verificação e ação corretiva e, uma revisão permanente (PDCA).

5 A Figura 3 apresenta uma proposta de procedimentos para implantar um modelo de gestão ambiental e demonstra, de forma sucinta, as principais etapas desse processo. Figura 3 Modelo de gestão ambiental para IES 3.2 Planejamento do SGA: Motivadores, Diagnóstico ambiental, Aspectos e Requisitos legais A identificação dos motivadores para implantação de uma Gestão Ambiental é o primeiro passo, pois deixa claro a todos os envolvidos as razões para tal estratégia. No caso da FAHOR, os motivadores para implantação do SGA foram apontados como sendo: senso de responsabilidade, diferencial das demais faculdades, imagem institucional, exigências legais, interesses de pesquisa, novos cursos na área ambiental e qualidade de vida. O planejamento do SGA em uma IES inicia pela definição da Política Ambiental, a qual norteará todas as ações do SGA. A Política Ambiental da FAHOR, ficou assim definida:

6 A Política Ambiental da FAHOR - Faculdade Horizontina visa a promover os princípios do desenvolvimento sustentável junto aos acadêmicos, docentes, funcionários e à sociedade, através de iniciativas voltadas à preservação do meio ambiente e em conformidade com a legislação ambiental, buscando a melhoria contínua Os aspectos ambientais e seus impactos devem ser identificados para cada atividade e setor da IES. Para a avaliação do impacto ambiental é necessário definir uma metodologia. A Figura 4 apresenta os resultados da FAHOR. Figura 4: Síntese dos principais aspectos e impactos ambientais Fonte: Tauchen (2006, p 103) Para a identificação dos requisitos legais levantou-se toda a documentação necessária para implantação do SGA. Constatou-se a necessidade de se providenciar o licenciamento ambiental da instituição. Os objetivos e metas, definidos a partir do diagnóstico ambiental e dos requisitos legais está apresentado na Figura 5.

7 Figura 5: Objetivos e metas do SGA da FAHOR Fonte: Tauchen (2006, p 106) 3.3 Implantação e Operação do SGA: Responsabilidades, Treinamento, Controle de documentos, Ações Com a identificação dos aspectos ambientais da atividade exercida pela IES e a criação da política ambiental, pode-se avaliar e determinar quem seria responsável por cada etapa do processo, quais os treinamentos necessários e qual a receita disponível para investir nesse projeto de melhoria. Com relação à definição de responsabilidades na FAHOR, foi criado um Grupo de Implantação de Gestão Ambiental (GIGA), que através de reuniões, sugeriu estratégias metodológicas para implantação do SGA. Esse grupo é composto por representantes do corpo docente e administrativo da faculdade. Como forma de organização e definição dos agentes envolvidos na

8 implantação do sistema, demonstra-se na Figura 6, a organização hierárquica de responsabilidade no que tange ao processo de implantação. Figura 6 Definição de responsabilidades na FAHOR Fonte: Tauchen et al. (2005 p.6) Figura 7 - Definição de responsabilidades na FAHOR Fonte: Tauchen (2006 p.109) É recomendado que todos os membros da organização compreendam e sejam estimulados a aceitar a importância de atingir os objetivos e metas ambientais, pelos quais são responsáveis.

9 Nesse sentido optou-se o sistema de comunicação interna, que consiste na utilização de s, abordagem do SGA nos momentos de reuniões de colegiados de curso e programas de treinamento (Figura 8). Figura 8 Programa de treinamentos na FAHOR Fonte: Tauchen (2006, p 110) Concomitantemente ao processo de implantação do SGA na FAHOR, todos os documentos referentes às etapas de implantação passam a ser arquivados para fazerem parte da regulamentação ambiental, que serve como norteador das futuras ações relativas ao sistema. Ainda nesta etapa incluíram-se as ações referentes as áreas gerenciáveis na escala ambiental: controle no consumo de água e energia, gerenciamento dos resíduos sólidos, emissões e efluentes, Controle sobre o consumo de materiais, plano diretor para o uso do solo, arborização e paisagismo. 3.4 Verificação e Ação corretiva do SGA Após a execução do proposto, segue-se com o monitoramento das etapas produtivas, buscando corrigir falhas que possam existir e minimizar possíveis problemas que não condizem com o objetivo do SGA. 3.5 Melhoria Contínua no SGA Como etapa final desse ciclo, foi necessária realizar uma análise crítica sobre o que foi melhorado, se a política ambiental foi seguida e se o SGA conseguiu atingir seus objetivos. Por

10 ser um ciclo, o SGA, a partir daí, volta a aplicar sua política, buscar possíveis novos aspectos ambientais que passam a ser observados após a execução do PDCA. Avaliar novamente os recursos disponíveis para melhorar o processo, seguir o monitoramento das ações e realizar novas análises, sempre com o objetivo principal do ciclo que é a melhoria contínua do SGA. 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS O modelo, apresentado neste artigo, serve como uma estrutura para implantação do sistema de gestão ambiental em uma Instituição de Ensino Superior, independente do porte e tipo, e está fundamentado nas etapas de planejamento, execução, verificação e ação, como prescreve a ISO De forma geral, a gestão ambiental em universidades deve incluir análises responsáveis e detalhadas de cada fluxo num campus devendo ser baseada em unidades físicas, porém, permitindo também que sejam considerados questões econômicas; incluir a avaliação de indicadores consistentes; envolver o estudo detalhado destes indicadores a fim de compreender e estimar o potencial de melhoria do sistema; servir de melhoria contínua dos parâmetros ambientais do sistema, de acordo com o comprometimento ambiental exemplar que as instituições precisam demonstrar. As IES têm uma complexidade significativa quando se observam os fluxos e processos dentro de um campus. Além disto, a grande fragmentação em setores, departamentos, cursos e estrutura hierárquica contribuem para a disseminação de ações sistêmicas. No entanto, a proposta do modelo é a implementação em todo o campus, envolvendo todos os atores: professores, funcionários e alunos. Adotar esse modelo pode representar um diferencial para a instituição, sendo reconhecida pela inovação e por suas práticas ambientais, além de incentivar outras IES a adotarem a mesma prática. REFERENCIAS ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO Sistemas de Gestão Ambiental. Especificação e diretrizes para uso. Rio de Janeiro. ABNT, BRANDLI,L.L. et al.(2007) Gestão ambiental em instituições de ensino superior: uma Abordagem às práticas de sustentabilidade da Universidade de Passo Fundo. In: OLAM - Ciência & Tecnologia. Rio Claro - SP, ano VIII, v. 7, n. 3, p.24-44, dez KRAEMER, M. E. P. A Universidade do Século XXI Rumo ao Desenvolvimento Sustentável. Disponível em <http://www.gestaoambiental.com.br/kraemer.php>. Acesso em: 28 nov TAUCHEN, J. et al. Gestão Ambiental: Um modelo da Faculdade Horizontina. XII SIMPEP. Bauru, SP. Disponível em: <http://simpep.feb.unesp.br>. Acesso em: 02 dez TAUCHEN, J. (2006). Um modelo de gestão ambiental para implantação em Instituições de Ensino Superior. Passo Fundo, 153p, Dissertação (Mestrado em Engenharia) Universidade de Passo Fundo.

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