CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA

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1 CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA EMENTA: Concurso público para o cargo de Supervisor Médico Pericial do INSS Em face das atividades desempenhadas pelo Supervisor médico pericial do INSS, podemos concluir que as mesmas são consideradas ATO MÉDICO Indagações sobre a legalidade da Lei nº 9.620/98 devem ser apresentadas perante o Poder Judiciário, pois falece competência ao Conselho Federal de Medicina para proferir entendimento definitivo sobre a aplicação da lei aos casos concretos. REFERÊNCIA: Expediente CFM nº 7753, de Interessado: Dr. W. S. F., CRM Parecer nº 505/98, do Setor Jurídico Aprovado em Reunião de Diretoria do dia 7/1/1999. Este Setor Jurídico foi solicitado a se manifestar sobre consulta formulada pelo Dr. W. S. F., médico aprovado no concurso público para o cargo de Supervisor Médico- Pericial do INSS. Antes de responder às indagações formuladas pelo Consulente, é preciso definir ato médico, para, em seguida, identificar quais são as atividades desenvolvidas pelo Médico-Perito, Médico-Perito Supervisor e Supervisor Médico-Pericial do INSS e se essas atividades podem ser caracterizadas como ato médico. Em face da complexidade e subjetividade da questão, aliada à inexistência de conceito definitivo de ato médico, este Setor Jurídico pede vênia para reportarse à definição de ato médico constante da Proposta de Projeto de Lei sobre Ato Médico, resultante das inúmeras sugestões apresentadas pelos CRM s, aprovada na Plenária do CFM em Pelo exame do artigo 1º e parágrafo 1º da mencionada proposta, o ato médico seria assim definido: Artigo 1º - Ato médico é todo procedimento destinado a prestação de assistência à saúde humana, que, por sua natureza, é privativa de profissional habilitado segundo os termos da lei. 1

2 Parágrafo 1º - Em virtude de sua complexidade, explícita ou não, e relevância para a integridade da saúde física e psíquica do ser humano, na sua dimensão individual e coletiva, o ato médico exige, para a sua execução, o conhecimento pleno, integrado e reconhecido de anatomia patológica dos órgãos, aparelhos e sistemas do corpo humano, semiologia e propedeutica clínica e cirúrgica, com a finalidade de diagnóstico, prevenção e tratamento das doenças e recuperação da saúde. Uma vez colocada a definição de ato médico, resta verificar se as atividades desenvolvidas pelos médicos peritos do INSS e pelos médicos peritos supervisores do INSS podem ser consideradas ato médico. Reportamo-nos, pois, aos termos constantes do Manual do Médico-Perito da Previdência Social (3ª edição, 1993, editado pela Coordenação-Geral de Serviços Previdenciários Divisão de Perícias Médicas), que, desde 1967, orienta os médicos peritos quanto às suas funções, onde encontraremos, também, a definição de médico-perito, médico-perito supervisor e atividade médico pericial. Vejamos a seguir alguns desses conceitos. O Médico-Perito da Previdência Social é aquele profissional especializado dedicado à avaliação da capacidade laborativa, com a atribuição de pronunciarse conclusivamente sobre as condições de saúde e capacidade do examinando, para fins de enquadramento na situação legal pertinente, devendo ter sólida formação clínica e amplo domínio da legislação da previdência. O Médico-Perito Supervisor é o encarregado de coordenar, técnica e executivamente, o setor médico-pericial de uma unidade executiva, cabendo-lhe supervisionar um grupo de médicos-peritos locais e ou médicos examinadores, revisar e homologar as conclusões dos médicos-peritos locais, concluir exames realizados pelos examinadores ou em convênios, e executar outras tarefas médico-pericias atribuídas por sua chefia. A atividade médico-pericial é exercida exclusivamente por médico com formação em perícia médica, previamente autorizado pelo órgão responsável. Consiste, em resumo, na realização de uma série de atos médico-periciais destinados a avaliar a capacidade laborativa do examinando. 2

3 O supracitado manual elenca os principais atos médicos praticados por ocasião da prática da atividade médico-pericial: - o exame clínico, como parte do relatório médico-pericial; - a conclusão da perícia médica; - a comunicação do resultado do exame; - a requisição de exame complementar ou especializado; - a requisição de comparecimento do segurado ou especializado; - o encaminhamento a tratamento ou à reabilitação profissional; - a revisão do trabalho médico-pericial; - a homologação de conclusões médico-periciais; - o pronunciamento técnico em processos e recursos; e - a informação técnico-administrativa aos setores competentes. Portanto, constata-se que as atividades desempenhadas pelo Médico-Perito e pelo Médico-Perito Supervisor do INSS são privativas do profissional da medicina, sendo consideradas ato médico pela sua natureza, o que é expressamente reconhecido pelo INSS. Com relação às atividades desenvolvidas pelo Supervisor Médico- Pericial do INSS, cargo recentemente criado pela Lei nº 9.620, de , é preciso considerar o que dispõe o documento expedido pelo INSS, regulamentando essas atividades. Vejamos algumas das atribuições do Supervisor Médico-Pericial do INSS, discriminadas nesse regulamento: - supervisionar, controlar, fiscalizar as atividades Médico-Periciais; - orientar as atividades Médico-Periciais, levando em conta a qualidade dos serviços prestados; - integrar juntas médicas nos casos de maior complexidade; - realizar exames de revisão por amostragem; e - realizar supervisões periódicas às unidades executivas de Perícia-Médica e atuar nas interfaces de trabalho, com outras áreas. Conclui-se da relação das atividades desenvolvidas pelo Supervisor Médico-Pericial, que não há como desvinculá-las da definição de ato médico, pois são atividades que, além de só poderem ser exercidas por médico, estão ligadas à prática do ato médico-pericial. 3

4 O Supervisor Médico-Pericial, não obstante também desempenhar atividades de cunho administrativo, estará supervisionando os atos médicos praticados pelos demais médicos peritos do INSS, com responsabilidade redobrada. Esclarecidas as questões relativas ao ato médico, e em face da fundamentação supra, passaremos a responder às indagações formuladas pelo consulente, na seguinte ordem: 1) A atividade do médico perito constitui-se num ATO MÉDICO? R- Sim. 2) A atividade do médico perito supervisor constitui-se num ATO MÉDICO? R- Sim. 3) A atividade do supervisor médico pericial constitui-se num ATO MÉDICO? R Sim. 6) Dentro das exigências para a posse, constava a obrigatoriedade do registro no Conselho Regional de Medicina e uma certidão do CRM de que o médico não estaria respondendo a processo ético ou disciplinar, isto não caracterizaria uma carreira que não pode ser outra que não médica? R Sim. Nos termos do artigo 17 da Lei nº , os médicos só poderão exercer legalmente a medicina, em qualquer dos seus ramos ou especialidades, após o prévio registro de seus títulos, diplomas, certificados ou cartas do Ministério da Educação e da Cultura e de sua inscrição no Conselho Regional de Medicina, sob cuja jurisdição se achar o local de sua atividade. Além disso, as normas éticas devem ser seguidas pelos médicos no exercício da profissão, independente da função ou cargo que ocupem, a teor do Preâmbulo do Código de Ética Médica 4) Se a atividade desta nova carreira dentro do serviço público federal é uma atividade médica, por que não fomos contemplados com a Lei nº 9.436, de 05 de fevereiro de 1997, que dispõe sobre a jornada de trabalho do médico, médico do trabalho, médico de saúde pública e médico veterinário, da Administração Pública Federal direta, das autarquias e das fundações públicas federais, dentro do Regime Jurídico Único. Com jornada de 20 horas e com 40 horas opcionais? 4

5 5) Por que os técnicos do MARE insistem em nos responder que não somos médicos e sim gestores, ou administradores, ou servidores comuns que pela Lei nº 9.620, de 02 de abril de 1998, criou a carreira de supervisor Médico Pericial com carga horária de 40 horas? Não estariam negligenciando o fato de nossa atividade ser médica? R É patente que as atividades do Supervisor Médico-Pericial só poderão ser desempenhadas por médico, pois constituem-se ato médico, conforme demonstrado acima. Porém, a razão de o Ministério da Administração e Reforma do Estado entender que tais profissionais não são médicos, mas sim, gestores, administradores ou servidores comuns, daí não terem direito à jornada de 20 horas semanais, deverá ser questionada perante o Judiciário, que tem competência para determinar, se for o caso, a aplicação da Lei nº 9.436, de , ao Supervisor Médico-Pericial do INSS. É o parecer, s.m.j. Brasília, 16 de novembro de 1998 Ana Luiza Brochado Saraiva Martins Assessora Jurídica De acordo: Giselle Crosara Lettieri Gracindo Chefe do Setor Jurídico 5

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