Chapa Re-De-Vez re- de-vez revés

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1 Chapa Re-De-Vez "Seguiu pelo través da estrada, porque seus pés sofriam de inquietude. (...) Água era muita, mas rede-vez ele seguiu pela curva da reta velha, revés do conselho primeiro. Tinha mais beleza por ali." (Guimarães Rosa)

2 CARTA-PROGRAMA N ós, alunos do bacharelado de Relações Internacionais da USP e membros da Chapa Re-De-Vez, movidos por um crescente desejo por mudança, defendemos um Centro Acadêmico que seja espaço de discussão, construção e execução de ideias e projetos que possam enriquecer todos os seus representados. Nossas motivações nascem da insatisfação em relação ao funcionamento atual do Centro Acadêmico. Sua atuação tem sido mais restrita do que poderia. Mais opiniões precisam ser defendidas; mais interesses, representados; mais vozes, ouvidas. O GUIMA precisa representar mais alunos do curso; as demais instituições precisam de mais voz para suas demandas; os eventos tradicionais precisam ser renovados; novos eventos e ideias precisam se tornar realidade. Conscientes, portanto, de que a mudança não se faz somente por meio da crítica, mas da ação, nós, Adriana F. Granjo, Caio T. da Mota, Ivan M. Mangano, Lívia P. Martins, Marcelo Thiago F. R. Ribeiro, Mariana da Silva Giafferi, Matheus P. Uller, Paula Beatriz Mian, Pedro Henrique Somma Campos e Vinícius I. Rossitto, nos reunimos em nome de uma proposta de gestão. O objetivo desta carta é apresentá-la e defendê-la. Não nos parece que, hoje, a ação do GUIMA esteja de acordo com o pulsar do curso. É preciso não apenas aproximar os alunos do Centro Acadêmico, mas aproximar, em sentido inverso, o Centro Acadêmico dos alunos. Para isso, propomos uma gestão próativa, pronta para assumir responsabilidades, pronta para prestar contas, pronta para ser cobrada e exigida. É isso que temos a oferecer. E é isso que entendemos que RI espera de uma gestão para o GUIMA. 1

3 1. Seção Política: Nossa escolha pelo modelo representativo de gestão para o GUIMA não é por acaso. Nos nossos encontros, sentíamos que o maior desafio era encontrar uma maneira de contemplar todos os interesses e opiniões do curso. Desenvolvemos uma plataforma de mudança justamente porque entendemos que o atual modelo de autorrepresentação não o tem feito de maneira apropriada, devido, principalmente, à concentração de poder nas mãos daqueles que podem ir às reuniões semanais. O déficit democrático se dá na medida em que, por mais que se fomente a participação nas Reuniões Gerais, não se resolve a questão de que as pessoas que não vão às reuniões, seja porque não podem, seja porque não querem, ficam alijadas do processo democrático. O poder decisório acaba por ficar concentrado em uma minoria que não conta com o respaldo do voto legitimador para representar a totalidade dos sócios. Uma vez que têm composição variável, as reuniões semanais com o poder de deliberação apresentam também um déficit de prestação de contas. Afinal, a responsabilidade pelas decisões se vincula a um ente sem nome e sem rosto. É fundamental que os sócios possam cobrar responsáveis pelos erros e pelos acertos, a fim de realizar uma construção verdadeiramente coletiva, com o estabelecimento de pesos e contrapesos a fim de que a gestão seja fiscalizada para executar aquilo com que se comprometeu. Além disso, a necessidade de consenso entre os participantes das reuniões para cada decisão tomada, quando não é responsável pela paralisia da gestão, só se torna viável graças à ausência da tão forte pluralidade que é a marca maior de um curso heterogêneo por natureza. Diante disso, nossa proposta é atribuir maior autonomia à gestão eleita, para que ela possa promover, por meio da quebra do caráter deliberativo das reuniões semanais, a ampliação da participação dos setores do curso que hoje se encontram distantes das decisões tomadas no âmbito do GUIMA. Não apenas os presentes às reuniões semanais teriam voz; a gestão se colocaria como árbitro para levar em conta um leque maior de interesses. Criaremos ferramentas para uma prestação de contas mais sólida, a fim de que nossa atuação seja o mais transparente possível. Para isso, lançaremos mão de mecanismos virtuais que submetam a gestão a uma fiscalização constante por parte dos sócios - e, principalmente, estaremos disponíveis sempre que for preciso. 2

4 A democracia representativa coloca como legitimador maior das decisões posteriores o voto direto durante as eleições, quando mais pessoas participam do processo político e, principalmente, da definição dos projetos e interesses do curso como um todo. Comprometemo-nos, assim, com o cumprimento daquilo que está estabelecido nesta carta-programa. Nosso modelo de gestão permite aos Diretores, enquanto responsáveis jurídicos e legítimos pelas ações do Centro Acadêmico, colocar em prática projetos previamente acordados de forma rápida e eficiente e, ao mesmo tempo, garantir a transparência e a certeza da responsabilização aos demais estudantes. É sobre os pilares da democracia representativa e do compromisso com transparência e prestação de contas que nosso modelo de gestão do Centro Acadêmico é construído. Um modelo que, acima de tudo, aposta na definição clara de responsabilidades para promover a descentralização do poder e a eficiência administrativa. Queremos, enfim, um GUIMA maior - com mais gente, com mais projetos, com mais ambições. E também um GUIMA melhor: com mais ideias, mais inclusivo, mais plural. 1.1: Reuniões Abertas (RAs) Com certeza, as reuniões semanais são um fórum privilegiado de discussão. Ali se encontra um ambiente para o dissenso e o debate democrático. Por essa razão, elas não somente serão mantidas como Reuniões Abertas (RAs), mas a presença nelas será forte e permanentemente estimulada. Tentativas anteriores apontam no sentido de que, uma vez retirado o caráter deliberativo de tais reuniões, a participação nelas tende a aumentar, na medida em que os sócios percebem que o modelo - mais transparente - abre maior espaço a cobranças em relação à gestão eleita. As reuniões semanais são fundamentais para que debates possam se dar em um ambiente aberto e plural. É justamente por possibilitar o debate, e não por concentrar poder, que as reuniões semanais podem ser um proveitoso instrumento de formação política do sócio do Centro Acadêmico. 1.2: Processo decisório Decisões de natureza externa e política estarão sujeitas à consulta prévia ao curso por meio de votação. Trata-se, mais especificamente, de todas aquelas vinculadas à representação política do GUIMA perante instituições ou instâncias que não façam parte do âmbito do curso. Assim, incluem-se nesta regra todos os posicionamentos do GUIMA perante o Conselho de Centros Acadêmicos e exclui-se a relação com as outras instituições do curso. Os representantes do GUIMA nas instâncias do movimento 3

5 estudantil se comprometem a levar a elas a postura apontada pelas votações, qualquer que seja ela. Para a realização de tais consultas, a gestão criará um sistema de votação aberto à participação de todos os sócios do GUIMA, cada um com direito a um voto, disponível online. A segurança de tal sistema é garantida pela impossibilidade de influência por parte do administrador, ou seja, a gestão. O voto é protegido por meio de número de registro e senha. Este sistema, além de facilitar o contato do curso com a gestão, permitirá uma ampliação da participação nos assuntos do Centro Acadêmico. No que se refere a questões internas ao curso, a gestão, uma vez comprometida com as diretrizes e os projetos desta carta-programa, deliberará com base não apenas nas opiniões expressas nas RAs, mas ampliará o leque de meios pelos quais os alunos poderão participar das decisões: s para o endereço reuniões pessoais com membros da gestão, discussões nos e-groups do curso, cartas das instituições, entre outros. Nossa proposta de gestão pró-ativa e próxima dos alunos exige que garantamos a pluralidade de meios de acesso a nós, a fim de que a atuação do GUIMA possa ser de fato construída de baixo para cima. Nesse sentido, entendemos ser fundamental o estabelecimento de pesos e contrapesos que viabilizem uma fiscalização constante da atuação da gestão - afinal, responsabilidades maiores devem vir acompanhadas de cobranças maiores e, portanto, de um sistema que lhes dê abertura. Desse modo, estabelecemos que qualquer sócio pode criar uma petição, com a assinatura de pelo menos 20% (vinte por cento) dos alunos matriculados no curso, para que haja uma votação online a respeito de qualquer tema, inclusive os que tenham relação com a atuação da gestão. Para que a decisão dos votos seja vinculante, o quórum mínimo de participação será de metade mais um dos alunos. Destacamos, todavia, que a chapa Re-De-Vez reconhece os meios de deliberação adotados pela Representação Discente, garantido-lhes o espaço devido dentro das Reuniões Abertas, que permanecerão sendo a via de acesso dos alunos aos que os representam tanto na Comissão de Graduação quanto no Conselho Deliberativo. Isto não impede que, no futuro, caso queiram, os representantes discentes possam fazer uso dos instrumentos virtuais de votação no desempenho de suas funções. 2. Seção Financeiro-Administrativa: A gestão dos recursos do GUIMA é muito importante para a realização de eventos de RI e para a criação de uma infraestrutura disponível a todos os alunos do curso. A 4

6 principal meta da Chapa Re-De-Vez na área financeiro-administrativa é viabilizar a saúde econômica do caixa e aumentar a transparência da atuação da Tesouraria. Ao longo dos últimos anos verifica-se uma estagnação do caixa, situação que deve ser urgentemente revertida, para benefício de todos os sócios do Centro Acadêmico. Não podemos completar dez anos de curso com um volume de caixa próximo ao inicial. A Chapa Re-De-Vez pretende fomentar a realização de eventos, acadêmicos ou não, bem organizados e divulgados, procurando apoio de patrocinadores sempre que possível, para diminuir custos e angariar mais recursos. Pretendemos, ainda, gerar maior volume de caixa com mais vendas de produtos para alunos do curso, como camisetas, casacos, chaveiros. Produtos comemorativos aos dez anos de curso serão confeccionados e disponibilizados à venda, já que se trata de um momento muito importante da história do IRI. Lamentamos também que, contrariamente ao que determina o Estatuto, os balancetes não tenham sido, nos últimos anos, divulgados com periodicidade. Assumimos o compromisso de divulgar balancetes mensais e realizar atos públicos trimestrais em RAs nas quais o Tesoureiro prestará esclarecimentos sobre os gastos detalhadamente, sanando dúvidas, ouvindo reclamações e buscando opiniões para a condução da política financeira do GUIMA. A chapa Re-De-Vez afirma seu compromisso com um planejamento efetivo e estratégico para captar patrocínios e uma atuação marcada pela transparência, honestidade e ética. 3. Projetos 3.1: Eventos tradicionais O GUIMA completará em breve nove anos de existência. O conjunto de eventos que já fazem parte do calendário do GUIMA se mantém: o Maio Cultural, o Sarau, a private e a Semana de RI. Propomo-nos a melhorar esses eventos sempre, especialmente os de caráter acadêmico, que devem refletir sempre os interesses, aspirações e curiosidades intelectuais dos sócios, para que atraiam cada vez mais interessados, promovam discussões cada vez mais enriquecedoras e, assim, consigam cumprir bem aquele que é um dos objetivos do Centro Acadêmico: contribuir para a formação dos estudantes. 3.2: Novo Documento dos Estudantes Neste ano uma série de problemas na estrutura de nosso curso se fizeram patentes. Dificuldades relacionadas ao currículo de História e questões relativas ao 5

7 Departamento de Sociologia estão entre as mais graves. Na verdade, eles sempre existiram. Algumas poucas vezes nos organizamos para discutir e oferecer soluções para os problemas do bacharelado. A mais notável iniciativa dos estudantes foi o Documento dos Estudantes, redigido em 2005 após um ano de discussões, palestras e pesquisas. Este documento continha não apenas reivindicações por parte dos estudantes como também um diagnóstico sobre a estrutura do curso e suas deficiências. O Documento, contudo, está datado. Ainda que muitos dos problemas apontados pelos antigos alunos do instituto permaneçam, muitas mudanças ocorreram. Cremos ser o momento oportuno, portanto, para que repensemos nosso curso. Nesse sentido, a chapa Re-De-Vez propõe a realização de uma série de debates sobre os diversos departamentos que compõem nosso curso e como cada um se insere dentro do currículo. Estas discussões, que seriam realizadas ao longo do próximo ano, teriam o propósito de encontrar soluções para antigos problemas e de reacender o tema da orientação curricular, o que, pretendemos, culminará em um novo documento dos estudantes. 3.3: Jornal Ciente da diversidade e riqueza de opiniões do curso e crente do valor da expressão e discussão de ideias, a chapa Re-De-Vez assume como compromisso a execução de um projeto acalentado por alguns alunos do curso há alguns anos: a criação de um jornal. O objetivo é criar um espaço para que os assuntos que nos interessam possam ser debatidos, amplificando a voz dos alunos do curso quando eles tiverem algo a dizer sobre os mais variados assuntos. Uma nova secretaria, a Secretaria de Comunicação, será responsável pela implementação e manutenção do jornal e pela seleção dos textos a serem publicados. Essa seleção deverá ser feita a partir de critérios públicos e pré-estabelecidos, vinculados somente à forma e não ao conteúdo do que for escrito. Caberá à secretaria também, em parceria com a secretaria de Planejamento, garantir a viabilidade financeira do jornal. 3.4: Reunião mensal com as Instituições do curso: A chapa Re-De-Vez propõe que uma reunião mensal seja feita com um representante de cada instituição do curso, inclusive aquelas ligadas ao próprio GUIMA, de modo a promover a cooperação e a integração entre elas, além de viabilizar possíveis eventos conjuntos. Uma maior coesão entre o Centro Acadêmico, a Empresa Júnior, o NERI, a Atlética, a Representação Discente, a Extensão e o Clube de Simulações trará 6

8 somente benefícios aos alunos, com a ajuda mútua entre as instituições e a promoção de eventos de escopo diversificado. As normas de coordenação de tal reunião mensal serão fixadas na primeira delas. 3.5: Patrimônio do GUIMA O patrimônio do GUIMA também é um bem de todos aqueles que ele tem por missão representar. Assim, o zelo com que se dispõe a defender as aspirações dos alunos também deve ser dado a seus livros e espaço físico - seja o atual, seja aquele que teremos no prédio do IRI quando este for inaugurado. O acervo bibliográfico do GUIMA, bastante rico, oferece uma magnífica oportunidade para ampliar a formação acadêmica, cultural e política dos estudantes de RI. No entanto, este não tem sido aproveitado em todo seu potencial, sendo que muitos alunos sabem quase nada a seu respeito. Dessa forma, a chapa Re-De-Vez se compromete a organizar e catalogar as obras pertencentes ao GUIMA, criando mecanismos que assegurem sua preservação, bem como o pleno e fácil acesso de todos os estudantes do curso a seu conteúdo diversificado. Além disso, a chapa Re-De-Vez se certificará de que a sala do GUIMA esteja sempre organizada e aberta a todos. 4. Secretaria de Extensão A Secretaria de Extensão é parte fundamental do Centro Acadêmico. É por meio dela que os estudantes implementam os projetos de Extensão e debatem as melhores formas de criar vínculos entre o conhecimento retido dentro da Universidade e as necessidades da sociedade como um todo. Um projeto de extensão que atualmente se desenrola no âmbito do curso é o Educar para o Mundo, talvez a iniciativa mais inovadora no campo da extensão para o curso de Relações Internacionais. É de extrema importância para a chapa Re-De-Vez manter este empreendimento, obviamente respeitando a autonomia que o projeto criou desde que foi iniciado. O GUIMA, assim como a gestão eleita, tem a obrigação, portanto, de fornecer os recursos materiais e não-materiais para que Educar para o Mundo e outras iniciativas extensionistas sejam viabilizadas e ampliadas. 7

9 5. Comemoração de 10 Anos Em 2011, receberemos nossa décima turma. Após uma década de existência, cabe a todos nós refletir sobre onde chegamos e sobre o que almejamos - e, é claro, comemorar. Se eleitos, comprometemo-nos a realizar eventos que permitam uma observação alentada do que foi feito do projeto inicial e do que queremos para o futuro. Efemérides são momentos positivos para repensar escolhas passadas; são momentos propícios ao recomeço. Academicamente, este não é um momento que deva ser perdido. Comemorar, claro, também é importante: é projeto da nossa gestão a realização de uma grande festa comemorativa dos 10 anos. A CHAPA Re-De-Vez é composta por: Pedro Carioca - Presidente Marcelo França - Secretário de Relações Acadêmicas e Secretário de Extensão Paula Mian - Diretora Interna Caio Teixeira - Diretor Externo Matheus Uller - Tesoureiro Ivan Mangano - Diretor de Planejamento e Sustentabilidade Vinícius Rossitto - 2º Tesoureiro Mariana Giafferi - Secretária Geral Lívia Prado Martins - Secretária de Comunicação Adriana Fraiha Granjo - Secretaria de Eventos 8

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