GRÉCIA A CAMINHO DA DEMOCRACIA

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1 GRÉCIA A CAMINHO DA DEMOCRACIA JERÔNIMO BASIL ALMEIDA RESUMO O trabalho foi elaborado com a intenção de averigüar a evolução da história política e social de Atenas, uma civilização rica e complexa, que conseguiu instaurar, em seu território, graças a inteligência de seu povo, o regime democrático. INTRODUÇÃO O presente trabalho tem como intuito descrever a evolução político-social de Atenas, dando um enfoque central no período clássico. O trabalho se dividirá em cinco capítulos. O primeiro tratará sobre Creta e Micenas, e das invasões indo-européias. O segundo versará sobre os poemas homéricos, e vamos analisar como ocorreu a formação da cidade ateniense. No terceiro, será estudado o período arcaico, onde será vislumbrado uma importante noção de justiça. Por fim, nos últimos capítulos veremos uma série de revoluções que impulsionaram o surgimento do regime democrático, que teve o seu auge com Péricles. 1 PRÉ-HISTÓRIA GREGA 1.1 CRETA A maior ilha do mar Egeu viu florescer em seu solo a brilhante civilização cretense (egéia). Rica e muito bem organizada, ela deixou um legado muito importante para os gregos. Vale destacar, com Fernand Braudel, o aspecto geográfico de Creta: Ao sul do mar Egeu, Creta antiga é uma ilha perdida num deserto de água salgada. Vasta, montanhosa, ela é cortada por planícies (como, por exemplo, uma ao centro, Messara, bastante longa: 40 km de comprimento

2 2 por 6 a 12 de largura), cercada por montanhas calcárias que são como outros castelos de água 1. Creta, como vemos, estava voltada para o mar, e por causa disso desenvolveu muitos contatos marítimos, principalmente com a Grécia e com a Ásia Menor. Do século XX a.c. até XV a.c., a civilização cretense tivera grande influência comercial sobre o mar Mediterrâneo, estendendo, assim, os seus domínios até a Grécia Continental, conquistando muitas cidades. Aristóteles, na Política, afirmara a influência desta civilização sobre os gregos: A ilha parece naturalmente disposta e bem situada para dominar o mundo grego. Domina o mar em cujo litoral se estabeleceram quase todos os Gregos 2. Em Creta, o rei era quem detinha o poder político, e ele era designado de Minos 3. A capital do reino era a cidade de Cnossos, que na época do seu auge, chegou a ter uma população de mais de cem mil habitantes. A civilização cretense deixou um grande legado para a história grega: o modelo de uma sociedade organizada e a admiração por concursos ginásticos são exemplos claros da herança deixada para os gregos. Outra amostra disso, é o legado artístico, que muito serviu de modelo para a civilização micência, e os produtos da agricultura, tais como azeite de oliva, figo, que fizeram parte da alimentação do povo helênico por muito tempo. Essas exemplificações nos demonstram uma breve noção da influência cretense no mundo grego. 1.2 MICENAS No século XVI a.c., os aqueus, povo de origem indo-européia, estão estabelecidos na Grécia Continental, e lá fundam a cidade de Micenas. O historiador Mário Curtis Giordani, nos fornece algumas características deste povo: Guerreiros altos, fortes, musculosos e louros, êsses indo-europeus possuem uma inteligência viva unida à grande capacidade de assimilição 4. Por volta do século XIII a.c., os micênicos invadem e dominam Creta. Neste contato com o mundo cretense, eles assimilaram muito das caracteristicas desta civilização, e por conta disso, surge na história civilização creto-micênica, que existiu entre o século XIII a.c. a XII a.c. Neste período, com a derrocada de Creta, o micênicos passaram a ter hegemonia comercial no mar Egeu, e também, acabaram por conquistar muitas cidades, principalmente da Ásia Menor 1 BRAUDEL, Fernand. Memórias do Mediterrâneo. Rio de Janeiro: Multi Nova, p ARISTÓTELES. Política. Lisboa : Vegas, ano p Minos era o lendário rei de Creta. Após sua morte, todos os reis posteriores passaram a ser designados pelo mesmo nome. 4 CURTIS GIORDANI, Mario. História da Grécia. 2. ed. Rio de Janeiro: Ed. Vozes, p. 89.

3 3 Em Micenas, o sistema de governo era monárquico, e o rei era chamado de Wanax 5. Este possuía diversas atribuições e possuái bastante poder. Era o supremo comandante do exército, e no seu palácio, ele dirigia as encomendas de armas, o equipamento dos carros, os recrutamento de homens, a formação, a composição, o movimento das unidades 6. Além disso, ele era o principal chefe religioso, e exercia o seu poder sobre uma grande classe sacerdotal influente. As camadas inferiores da população eram compostas por pastores, carpinteiros, médicos, alfaiates, ouvires, etc. A mulher, após a adoção dos costumes cretenses, passou a ser mais valorizada no convívio social. Além dos aqueus, em torno de 1700 a.c. e 1400 a.c., outros povos de origem indo européia, chegaram no território grego: os eólios, que se firmaram na Tessália e em outras regiões, e os jônios que se estabeleceram na Ática. Vale mencionar, que os jônios, posteriormente, fundaram a cidade de Atenas, a pólis mais importante da Grécia Antiga e que vai ser o nosso objeto de estudo. Em 1200 a.c., ocorre a invasão dos dórios, último povo indo-europeu que chegou a Grécia. Estes novos invasores, eram essencialmente guerreiros e utilizavam armas de ferro. Foram os dórios, os responsáveis pela destruição da cidade de Micenas, provocando o fim do modelo de vida anterior. M. Finley assevera que a civilização Micénica teve um final bastante abrupto, assinalado pela destruição dos palácios fortificados em muitas partes da Grécia 7. 2 TEMPOS HOMÉRICOS Com a chegada dos dórios, teve-se na Grécia, a partir de então, um período onde as cidades foram destruídas, a arte e escrita desapareceram e o artesanato regrediu. Houve um processo de regressão, onde a sociedade voltou a uma fase rural e doméstica. Este período, se estende do século XII a.c. a VIII a.c., e é retratado, somente, pelos poemas Ilíada e Odisséia. 2.1 ILÍADA E ODISSÉIA 5 Na sociedade micênica, devemos destacar as características do poder real: o rei concentra e unifica em sua pessoa todos os elementos do poder, todos os aspectos da soberania. Por intermédio dos escribas, que formam uma classe profissional fixada na tradição, graças a uma hierarquia complexa de dignitários do palácio e de inspetores reais, ele controla e regulamenta minuciosamente todos os setores da vida econômica, todos os domínios da atividade social. VERNANT, Jean Pierre. As Origens do Pensamento Grego. 11 ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, p Ibid., p FINLEY, M. I. Os gregos antigos. Lisboa: Edições 70, p. 14.

4 4 Ninguém sabe, ao certo, quando obras homéricas foram escritas. Acredita-se, todavia, que a Ilíada foi escrita em 750 a.c. e a Odisséia em 735 a.c.. A autoria, destes poemas, é atribuída à Homero; porém este é um ponto muito controverso. Contudo, segundo estudos mais recentes, Homero seria cego, e teria ditado o texto das epopéias, para alguma pessoa que podia escrever. Ademais, provavelmente, o conteúdo do poema, tenha sido elaborado oralmente e teria sido cantado inúmeras vezes, até o momento, que ele fora registrado por Homero. Conforme Luiz Fernando Barzotto, este poeta, teve uma marcante influência no mundo grego, e principalmente, em Atenas, verbis: Homero teve um papel ímpar como poeta. Não era sem motivo que ele era denominado o educador da Hélade. Homero era invocado como autoridade em todoas as questões, especialmente naquelas que diziam respeito à moral e à religião. Em Atenas, a Ilíada e a Odisséia eram memorizadas pelos jovens, determinando o vocabulário moral, político, estético e religioso. 8 A primeira obra atribuída a Homero, é a Ilíada, que narra os últimos cinqüenta dias da Guerra de Tróia, relatando a cólera de Aquiles, um dos guerreiros mais temidos de toda a Grécia. Filho de Tétis, a nereida mais encantadora, e de Peleu, um simples mortal, Aquiles, que aceitou juntar-se à campanha dos gregos, pois almejava obter glória e reconhecimento, desistira de lutar na Guerra de Tróia, pois Agamêmnon, chefe dos exércitos da Grécia, havia usurpado a sua escrava, a Briseide. Este grande herói grego, tinha um amigo íntimo, chamado Pátrocolo, que estava repelindo os troianos em combate, até ser morto por Heitor, um grande guerreiro troiano. Por conta da morte de Pátrocolo, Aquiles, cheio de ódio e dor, decide voltar a guerra e vingar a morte daquele. Por isso, ele vai atrás de Heitor, e no confronto entre ambos, Aquiles atinge o guerreiro troiano ao desferir-lhe uma lança em sua garganta. Heitor, agonizante, pede à Aquiles que não deixe o seu corpo a mercê de aves e cães. O herói grego, no entanto, nega piedade e atravessa a lança novamente em sua garganta. Uma parte muito importante deste livro, se dá quando o rei de Tróia, Príamo, vai ao encontro de Aquiles, para pedir o cadáver de seu filho Heitor: Ao rei trêmulo a núncia, em voz depressa Para o não abalar: Coragem, disse, Nada receies, Príamo. Aqui Jove Benévolo me envia, e longe embora, De ti se compadece e tem cuidado, Que resgaste Heitor ele te ordena, E o Pelides com dádivas comovas; 8 BARZOTTO, Luis Fernando. Prudência e Jurisprudência: uma reflexão epistemológica sobre a jurisprudentia romana a partir de Aristóteles. Revista Direito e Justiça da Faculdade de Direito da PUCRS, Porto Alegre, ano XXIII, v. 23, p. 222, jan

5 5 Que vás às naus sozinho, e idoso arauto Governe andejas mulas e a caleça Onde o morto carreies: e vai sem medo, Guiar-te-á Mercúrio aos pés de Aquiles. Do herói ofensa alguma ali não temas, Nem de qualquer: sisudo, humano e atento, Um suplicante poupará benigno 9 Já a Odisséia, trata do retorno de Ulisses para a sua casa, após o término dos conflitos com Tróia. Ulisses era um renomado guerreiro grego, rei de Ítaca, que muito desejava regressar para o seu pequeno reino, tendo em vista a vontade de reaver sua esposa, Penélope, e seu filho, Telêmaco, pois não os via desde o início da guerra. Toda esta obra, gira em torno de Ulisses, que era o único guerreiro grego, que não desejava ir para guerra, pois estava vivendo de maneira hamôrnica, com sua família, em seu reino. Em sua volta para a casa, após a guerra, este herói grego se depara com muitas aventuras e obstáculos, que fazem ele ficar mais dez anos fora do seu lar. Neste trecho que vamos reproduzir, se dá o reencontro de Ulisses, com a sua esposa, que no primeiro momento, não reconhece o seu marido, já que havia se passado muitos anos que eles não se viam: Em prato o colo do marido abraça, E o beija e diz: Ulisses, foste aos homens O exemplo de prudência, não te enfades. Irmos juntos logrando os flóreos dias O céu nos invejou; perdão se ao ver-te Não fui logo lançar-me no teu seio; De que outrem, com discursos me iludisse Tremia sempre; os dolos não falecem. A Dial Grega Helena o toro nunca Do estranho compartira, a ter previsto. 10 Essas duas obras da Antigüidade clássica são grandes fontes de estudo, para historiadores ou admiradores do mundo grego. Vale ressaltar, que a Ilíada, teve muita importância para os gregos, tanto que todos os livros pós-homero, acabaram a citando, e era muito comum ver os gregos antigos com muitos exemplares deste livro. 2.2 Fundação de Atenas Na Ática havia muitas famílias, que viviam em absoluta independência, sendo que cada uma tinha a sua própria religião, seu próprio chefe e sua própria assembléia. Um exemplo disso, era a família dos Cecrópidas, que habitavam o rochedo aonde mais tarde 9 HOMERO. A Ilíada. São Paulo: Martin Claret, p HOMERO. A Odisséia. São Paulo: Martin Claret, p. 394

6 6 seria fundada Atenas, e que possuíam seus costumes próprios e tinham como divindade protetora a deusa da guerra Atenas, e o deus do mar, Posêidon. Com o tempo, vê-se que estas inúmeras famílias que estavam situadas na Ática, encontraram-se reduzidas a doze confederações, sendo que o grupo acima citado, o dos Cecrópidas, através de lutas e conquistas, obtivera mais poder e importância, e por isso, conquistou a supremacia sobre as demais confederações. Neste período, eis que aparece Teseu 11, herdeiro dos Cecrópidas, que teve o mérito de reunir estas doze confederações que viviam na Ática, e os fez adotar o culto de Atenas Polias. Foi ele, então, o fundador da pólis ateniense, fazendo com que o pritaneu de Atenas fosse o centro religioso de toda a Àtica 12. Para fundar a pólis ateniense, foi necessário seguir algumas linhas de cunho religioso. Primeiramente, o fundador Teseu consultou o oráculo de Delfos, para saber qual era o local mais apropriado para se fundar a cidade. Após a consulta, os deuses revelaram a sua vontade, que foi seguida. Com a chegada do dia da fundação, e escolhido o local para a criação da cidade, que se deu no topo de uma colina, se realizava um sacrifício que era ofertado aos deuses. Logo em seguida, depois de uma série de ritos, todas as pessoas presentes na solenidade, cavavam um fosso no local aonde seria nascida a cidade, e enterravam nele uma pequena porção de terra trazida do seu lar. Este torrão que era trazido por todos, representava o lar antigo, que era o local onde os antepassados de cada um haviam vivido e estavam enterrados. Fustel de Coulanges, explica o porquê da realização desta prática religiosa: O homem não podia se mudar sem levar consigo o seu solo e seus ancestrais. Era preciso observar esse rito para, ao mostrar o novo lugar que havia adotado, poder dizer: esta é ainda a terra de meus pais, terra patruum, patria; aqui é a minha pátria porque aqui estão os manes de minha família 13. Ao enterrar no fosso, um punhado de terra trazido da sua antiga casa, os antigos acreditavam que ali ficaria residindo as almas dos seus heróis, e estas iriam proteger a urbe que estavava sendo criada. 11 Na mitologia, Teseu se encanta com a beleza de Helena, e é mencionado como um guerreiro muito virtuoso: Teseu, o herói respeitado por todos os povos da Grécia; Teseu, o rei de Atenas, o matador do terrível minotauro da ilha de Creta; Teseu, o guerreiro implacável que tinha libertado a Àtica dos bandidos e salteadores ferozes. Teseu era um homem maduro que já tinha vivido os seus cinqüenta invernos; depois de tantas proezas, depois de tantas façanhas, ele chegou à conclusão de que só lhe faltava um troféu, só lhe faltava um prazer: dormir com com uma filha de Zeus. MORENO, Cláudio. Tróia: o romance de uma guerra. Porto Alegre: L&PM, p COULANGES, Fustel de. A Cidade Antiga. São Paulo: Martin Claret, p Ibid., p. 147.

7 7 Após, no mesmo local aonde estavam enterradas as almas dos antigos, se eregia o altar, e se ascendia o fogo sagrado. E era em volta deste fogo, que se erguia a cidade. Cada família reunida, mantivera o seu culto antigo, suas crenças, seus chefes e o seu direito a reunião. Contudo, todos eles ficaram vinculados a um culto comum, e ao governo central da cidade de Atenas. 2.3 A CIDADE Conceito A cidade, segundo Aristóteles, é a forma de comunidade 14 mais completa e perfeita que existe, pois ela visa o maior bem, a saber: assegurar a vida boa para cada um dos seus membros. Por conta disso, respalda-se que é só na cidade que o cidadão vai poder se realizar plenamente como ser humano, por que graças a ela, é dado a todos, a oportunidade de viver bem e de encontrar a felicidade suprema (eudaimonia). Com o passar do anos, e com o aumento da população, o termo cidade passa a abranger não só o topo da colina, aonde estava o palácio do rei, os templos religiosos e as fortificações, mas também passa a designar o local onde os gregos residiam e plantavam. Por esta razão, e para diferenciar, surge a palavra pólis que referia-se a cidade alta, e a expressão astú que se relacionava com a cidade baixa. Assim, deve-se levar em conta, as sábias palavras de Gustave Glotz, que faz uma ótima análise lingüística e histórica destes termos: Por outro lado, a cidade alta não se contentou em absorver a cidade baixa de largos caminhos. O nome fluido de pólis comunicou-se a todos os povoados rurais que viviam à sua sombra. Por uma progressão inevitável, acabou por se estender a toda a região que obedecia à autoridade do mesmo chefe. A palavra que servira inicialmente para designar a acrópole termina por denominar uma cidade REGIME MONÁRQUICO O primeiro regime instituído em Atenas, foi a monarquia. Isto se explica pela religião. Como na cidade, quem primeiramente cuidou de tudo que estava relacionado com o aspecto religioso, presidindo ritos e cerimônias, e fazendo o culto, era o fundador, nada mais natural, que ele se tornasse o primeiro chefe da pólis, se tornando o rei, ou basileus, no dizer grego. 14 Para o conceito de comunidade, podemos dizer que é o conjunto de famílias, ou de outros grupos, que se unem para buscar determinado bem. 15 GLOTZ, Gustave. A Cidade Grega. 2. ed. Rio de Janeiro: Bertrand, p. 9.

8 8 O rei era o sumo sacerdote da pólis, e seu poder estava totalmente vinculado com a religião. Era ele que cuidava do fogo sagrado, e era o único que sabia das fórmulas sagradas das orações. Ademais, os gregos consideravam o rei como um ser sagrado, pois ele interegia com os deuses e sabia de suas vontades. Sua autoridade, não provinha do direito divino e nem da força física, mas governava em função da tradição. Junto ao rei, havia o Areópago que era um órgão consultivo, composto pelos mais importantes chefes de família, e a Ekklêsía que era a assembléia dos cidadãos, que ouvia todas as decisões tomadas pelo rei ESTADOS SOCIAIS Em Atenas, existiam vários grupos sociais distintos. O primeiro deles, que iremos citar, era os eupátridas, que eram os descendentes dos fundadores, e por isso gozavam de privilégios na sociedade. Eles detinham o poder político e possuíam grandes propriedades de terra. Abaixo na escala social, aparece os tetas ou clientes, que viviam junto dos eupátridas, estando submetidos ao poder deles e recebiam proteção. Não possuíam propriedade e nem direitos políticos. Também, havia os georgoi, que eram pequenos proprietários de terras, que as cultivavam pessoalmente, e os demiurgos que eram trabalhadores livres, proprietários de pequenas oficinas. Infelizmente não sabemos como surgiram estas duas classes importantes, que foram responsáveis por grandes transformações que em breve iremos tratar 17. Todavia, Fustel de Coulanges expõe algumas causas prováveis que ocasionaram o surgimento desta classe: Por fim, na cidade de Atenas, mais posteriormente, surgiu duas classes: a dos metecos, que eram quaisquer pessoas que não tivessem nascido em Atenas; e a dos 16 Esta são as primeiras instituições gregas que conhecemos. Entretanto, não temos muitos dados históricos que nos forneçam uma análise mais profunda do funcionamento e competência destes órgãos institucionais. 17 Fustel de Coulanges expõe algumas causas prováveis que ocasionaram o surgimento desta classe: A religião doméstica não se propagava; nascida no seio da família, ali permanecia; era preciso que cada família formasse sua crença, seus deuses e seu culto. Ora, pode muito bem ter ocorrido que algumas famílias não tivesse capacidade espiritual para criar essa divindade, instituir o culto, inventar o hino e o ritmo de oração. Tais famílias ficariam, só por isso, em estado de inferioridade em relação às que possuíam uma religião, e não puderam fazer sociedade com elas. Pode igualmente ter acontecido que algumas famílias tenham perdido o culto doméstico, quer por negligência e esquecimento dos ritos, quer em consequência de algum desses crimes ou máculas que proibiam ao homem aproximar-se do fogo sagrado e continuar com o culto. Enfim, poderá ter acontecido que clientes, tendo sempre seguido o culto de seu pater e não conhecendo outro, tenham sido expulsos da família, ou a tenham abandonada involuntariamente. Acrescentamos ainda que o filho de casamento civil, sem ritos, era considerado bastardo como o de uma mulher adúltera, e sabemos que, para ambos, a religião doméstica não existia. Todos esses homens excluídos das famílias e postos à margem do culto, caíram na classe dos homens sem lar. COULANGES, op. cit., p. 260.

9 9 escravos, que em linhas gerais, eram prisioneiros de guerra e que trabalhavam para os eupátridas. 3 PERÍODO ARCAICO 3.1 MILAGRE GREGO Nos tempos homéricos, os gregos romperam contatos com outros povos. Pouco se soube o que realmente houve com os gregos. A únicas fontes históricas, daquele momento, são as obras de Homero. Todavia, no período arcaico, que se estende do século VIII a.c. ao século VI a.c., é sabido, que os gregos já estão estabelecidos em cidades, falando uma língua que não era semita, desenvolvendo práticas comerciais, como a venda de vinhos, azeitos e vasos decorados, e adotando um sistema de escrita fonética dos fenícios. Ainda, é sabido que os gregos voltam a se relacionar com outros povos do mundo antigo. Braudel salienta que a Grécia que estivera separada do mundo oriental, retoma contacto com ele, graças às cidades da costa síria, Al-Mina em particular 18. É neste período que vemos mudanças muito importantes no território grego e grandes transformações sociais, que passaremos a tratar agora. 3.2 PERÍODO OLIGÁRQUICO A realeza ateniense perdurou por bastante tempo, até que os eupátridas acabaram por usurpar o poder do basileus. O rei acabou perdendo as suas atribuições, ficando restrito as funções religiosas. Não sabemos como ocorreu e o motivo que fez o poder real se enfraquecer; todavia, acredita-se que o rei tenha se aproximado muito das classes populares, concedendo privilégios e benécies, e isso gerou revoltas por parte dos eupátridas que conseguiram tomar o poder político para si. Assim. no século VII. a.c, já sabemos que ao lado do basileus, havia o arconte polemarco que tinha poder militar e o arconte epônimo que se tornara a maior autoridade individual do Estado. Ao lado deste arcontes, o Conselho do Areópago continuava exercendo suas funções, sendo que todo magistrado, ao término do mandato, ingressava no Conselho do Areópago e aí ficava até o fim de seus dias BRAUDEL, op. cit., p CASTRO, José Olegário de Freitas. Estudos econômicos políticos e sociais. Belo Horizonte: Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Minas Gerais, p. 55.

10 10 Com a chegada dos eupátridas ao poder, eles exerceram o domínio sobre toda a população da Ática, enquanto a massa trabalhadora camponeses, artesãos, escravos não possuía qualquer poder de decisão política 20. Graças a esse supremacia dos nobres, que detinham a maior parte das terras e do poderio econômico, muitos membros do povo ateniense, para obter melhores condições de vida, se dirigiram para outros locais, mais precisamente para regiões do Mediterrâneo ocidental, e fundaram várias cidades, como Tarento e Siracusa. 3.3 MORAL ARISTOCRÁTICA O nobre, é descendente dos fundadores, dos heróis gregos, possuindo status e privilégios dentro da comunidade. Para fazer jus a sua importância social, o nobre tinha que ser um modelo a ser seguido por todos. Por isto, em suas atitudes, ele sempre procurava fazer o bem e, principalmente, visava alcançar a arete. De acordo com Werner Jaeger, não há na língua portuguesa um termo equivalente para a arete, todavia explica o autor que: [...] a palavra virtude, na sua acepção não atenuada pelo uso puramente moral, e como expressão do mais alto ideal cavaleiresco unido a uma conduta cortês e distinta e ao heroísmo guerreiro, tavez pudesse exprimir o sentido da palavra grega 21. A arete é a virtude, e é um atributo próprio da nobreza, sendo que nenhum escravo, meteco, ou qualquer outro elemento do povo ateniense, poderia aspirar a obter tal mérito. Até mesmos aqueles que foram de origem ilustre, mas caíram na escravidão, não puderam alcançar este atributo. Todo nobre queria alcançar a arete, pois se almejava obter a glória (kleos) e a boa fama (doxa) na pólis, para se tornar inesquecível e imortal no mundo grego. Esse modelo de moral, exigia que a nobreza apresentasse, no campo da batalha, seus talentos e qualidades, tais como a coragem e astúcia, e tivesse no convívio social, atitudes corretas e que viessem de auxílio ao bem da pólis. Havia o sentimento de dever, entre eles, de ir em busca do ideal da arete. Inclusive, ter este dever, era motivo de orgulho, pois ele significava a busca constante a um ideal que iria fazê-los ser reconhecidos pela história perpetuamente AQUINO, Leão R. S; FRANCO, Denize A.; LOPES, Oscar G. P. C. Historia das Sociedades: das comunidades primitivas às sociedades medievais. Rio de Janeiro: Ao Livro Técnico, p WERNER. Jaeger. Paidéia: a formação do homem grego. São Paulo: Martins Fontes, p O historiador Voltaire Schilling, assevera que este ideal aristocrático perdurou por muito tempo na Grécia Antiga, vinculando inclusive, grandes filósofos: O fato de Atenas bem mais tarde ter implantado uma democracia não alterou profundamente a concepção de herói herdada dos tempos da Grécia Arcaica e de domínio aristocrático. Seus dois maiores filósofos, Platão e Aristóteles, educadores do Ocidente, por igual

11 CRISE SOCIAL Por volta do século VII a.c., se tem em Atenas, uma importante luta de classes, que vai traçar o destino de todos atenienses. Inicialmente, vemos neste século a troca da economia natural pela economia de caráter monetário. Com isso, se teve o incremento do comércio e do artesanato, que fez com que pessoas alheias a nobreza, pudessem enriquecer. Exemplo disto são os atenienses que se direcionaram para outros locais da Grécia, em busca de melhores condições. Eles, com a prática do comércio, e com o esforço do seu trabalho, retornam para Atenas, com uma situação financeira muito agradável. Também, no mesmo período, importante mencionar que muitos membros das classes demiurgos e georgois, pediam empréstimos para os nobres, e davam como garantia ao cumprimento da dívida, a sua própria pessoa. Infelizmente, muitos não conseguiam solver a dívida, e por conta de tal situação, acabavam por se tornar escravos dos seus credores. Estes dois fatos acima citados, geraram crise em toda a pólis ateniense, pois começa a se surgir grandes reinvidicações por parte de toda a população. Os novos ricos, querem participar da vida política e querem privilégios, e os escravizados desejam melhorias em suas condições. Esta crise, vai provocar profundas mudanças na estrutura política social em Atenas e é graças a ela que podemos ver surgir importantes noções jurídicas, que trataremos no próximo tópico. 3.5 FORMAÇÃO DA NOÇÃO DE JUSTIÇA Thêmis Na epopéia homérica, Thêmis é a deusa da justiça, que vive no Olimpo, e é uma das companheiras de Zeus. Ela era responsável pelo equílibrio e pela ordem dos cosmos, e continuaram presos à ética arcaica do valentão nobre e destemido como um ideal a perseguir, sendo que o último a considerou como um norte aplicável à vida dos filósofos. Muito dela foi, por igual, absorvido pelos atletas olímpicos que mantiveram as pistas de corridas e os saltos de obstáculos como um pacífico substitutivo dos campos de batalha, mantendo ente si os mesmos princípios estabelecidos pelo Código dos Cavaleiros. Grande parte da retórica democrática continuou influenciada pelos mesmos ideais éticos, de fazer com que também na política os cidadãos seguissem as regras da convivência cavalheiresca, o mesmo acontecendo com os constantes duelos verbais travados entre os homens cultos contidos nos "Diálogos" de Platão ou ainda entre os grandes oradores da cidade. SCHILLING, Voltaire. Homero e a busca da virtude. Disponível em: <http://educaterra.terra.com.br/voltaire/index.htm>. Acesso em: 14 set

12 12 dava decretos divinos só para as famílias proprietárias de terras, ou seja, somente para as genos. Émile Benveniste, em sua clássica obra, assevera que Thêmis é a prescrição que fixa os direitos e deveres de cada um sob a autoridade do chefe do génos, quer seja na vida cotidiana dentro de casa ou em circunstâncias excepcionais: aliança, casamento, combate 23. Nota-se, a partir do conceito acima citado, que Thêmis é uma justiça indiferenciada, mais familiar do que pública, não ligada ao território, e que prescreve a conduta a ser tomada. O seu plural é thémistes, que: indica o conjunto dessas prescrições, código inspirado pelos deuses, leis não-escritas, compilação de ditos, de decretos pronunciados pelos oráculos, que fixam na consciência do juiz (no caso, o chefe da família) a conduta a seguir sempre que estiver em jogo a ordem do génos 24. As thémistes são decretos que enunciam a Thêmis. Ambas são de origem divina, e não são inventadas por aqueles que as devem aplicar Hesíodo Hesíodo nasceu na Jônia, mas acabou vivendo na Beócia, onde levou uma vida de camponês, trabalhando em sua pequena propriedade rural. Ele foi um grande poeta popular, que deixou escritas algumas obras, que tiveram muita importância para os gregos, como: Os Trabalhos e os Dias,Teogonia e Ergas. As obras de Hesíodo são dirigidas para as pessoas de sua condição social, e se destacam, principalmente, por enaltecer o trabalho e a vida no campo. Graças a elas, conseguimos ter uma boa representação de como era a vida no campo, no seu tempo: havia uma nobreza que detinha o poder político, e agricultores e pastores que viviam do seu trabalho e que tinham uma independência espiritual e jurídica considerável 25. Habitualmente, esta classe humilde, se reunia no mercado e na praça e lá comentavam sobre diversos assuntos, tanto públicos como privados. Um aspecto muitíssimo importante que está presente nos poemas deste grande poeta, é que os verdadeiros heróis são os trabalhadores, pois eles que possuem a árdua tarefa de fazer cultivar alimentos nos difícieis solos da Grécia. Por isso, ao contrário de Homero, onde a arete estava relacionada com a nobreza guerreira, vemos que nos poemas 23 BENVENISTE, Émile. O Vocabulário das Instituições Indo-Européias. São Paulo: Editora da Unicamp, p Idem, Ibidem. 25 JAEGER, op.cit., p. 87.

13 13 de Hesíodo, a arete está intimamente ligada com o homem trabalhador, que tem no dia a dia, a difícil missão de conseguir trazer o sustento para a sua casa. O trabalho passa a ser consagrado como a única forma de se adquirir a arete, sendo que tal atributo passa, a partir de Hesíodo, a se valer para toda as classes mais simples. Além desta nova concepção de virtude, vemos neste autor, uma importante noção de justiça, que esta muito relacionada com um acontecimento marcante em sua vida. Ao falecer, o pai do poeta, deixou como herança, para ele e seu irmão Perses, as suas terras. Perses, que era detentor de péssimas características tais como a invejosa e preguiçosa, saíra muito beneficiado quando houve a partilha destes bens, pois ele havia subornado os juízes. Em virtude deste fato, Hesíodo em sua obra Os Trabalhos e os Dias, se dirige ao seu irmão, e faz inúmeras críticas, tentando convencê-lo de que a desonestidade não é o melhor caminho a seguir: Ó Perses! Mete isto em teu ânimo: a Luta malevolente teu peito do trabalho não afaste para ouvir querelas na ágora e a elas dar ouvidos Pois pouco interesse há em disputas e discursos para quem em casa abundante sustento não tem armazenado na sua estação: o que a terra traz, o trigo de Deméter. Fartado disto, fazer disputas e controvérsias contra bens alheios poderias. Mas não haverá segunda vez para assim agires. Decidamos aqui nossa disputa com retas sentenças, que, de Zeus, são as melhores. Já dividimos a herança e tu de muito mais te apoderando levaste roubando e o fizeste também seduzir reis comedores-de-presentes, que este litígio querem julgar. Néscios, não sabem quanto a metade vale mais que o todo nem quanto proveito há na malva e no asfódelo. 26 Neste poema, nota-se que Hesíodo tem grande esperança e fé no direito, pois sabe que Zeus protege e ampara a justiça. Para ele, não é através de atitudes injustiças que o homem vai alcançar a verdadeira prosperidade, mas sim, quando ajustar as suas aspirações à ordem divina que governa o mundo Diké Outra palavra que designa justiça é Diké, que de acordo com a mitologia, é filha de Zeus e de Thêmis. Antes de explicar a abrangência deste termo, deve-se ter presente as noções explicadas no tópico: - crise social. 26 HESÍODO. Os Trabalhos e os Dias. São Paulo: Iluminuras, p JAEGER, op.cit., p.101.

14 14 Com o enriquecimento de inúmeras pessoas alheias a nobreza, inclusive daqueles que saíram da pólis em busca de condições melhores, começou-se a ver em Atenas a adoção de novos valores, tais como a liberdade, vivacidade e iniciativa pessoal. Este novos ricos, junto com as classes mais humildes de Atenas, que haviam tido contato com as obras de Hesíodo, não desejavam mais que o monopólio do direito estivesse na mão dos nobres, já que administravam a justiça segundo a tradição 28. Estas camadas populares, que não tinham privilégios, e que muito trabalhavam para sobreviver, começaram a reivindicar leis escritas, pois sabiam, que direito escrito era direito igual para todos 29, e com isso, iria se reduzir as arbitrariedades e abusos que haviam na sociedade. Nessas reinvidicações que estavam ocorrendo na pólis ateniense, via-se, que toda a classe popular invocava e queria Diké, termo que também significa justiça, e que estava sendo usado, neste momento, como lema de uma classe que lutava contra o sistema oligárquico que pairava sobre Atenas. A palavra Diké é originária da linguagem processual, e tem uma conotação mais ampla, por ser a justiça pública, e não a do grupo. Ela significava uma justiça individual e concreta que é dada por uma sentença emanada pela autoridade pública. Entretanto, o que é mais importante, é a noção de igualdade que está implícita nesta palavra, e que deriva da idéia que se tem de pagar igual com igual, devolver exatamente o que se recebeu e dar compensação ao prejuízo causado 30. Esta idéia de igualdade, integrada na concepção de justiça, se tornou, plataforma de reivindicações. Todos os membros da pólis, usam a expressão Diké, para postular melhorias e, principalmente, igualdade jurídica e social já que todos devem ter os mesmos direitos Dikayosine Com a criação de leis, assunto que iremos tratar em breve, surge o termo dikayosine, que é derivado de Diké, e significa virtude da justiça. Assim, para que seja adquirida a virtude, é necessário ter obediências às leis, pois assim, se será justo e, via de regra, se pensará no bem de outros. Esse novo ideal, vai ser extendido e prevalecerá por todo o período democrático, na noção de isonomia, vigorada, principalmente, na época de Péricles. É, nesta orientação, o pensamento de Luis Fernando Barzotto: De fato, diz-se que o homem que conforma sua conduta com as leis é justo, na medida em que a lei impõe atos de virtude, como a coragem (não abandonar o posto) e a temperança (não cometer adultério ou furto). Assim 28 JAEGER, op.cit., p Idem, Ibidem. 30 Ibid., p.135.

15 15 a justiça é a disposição de cumprir os atos virtuosos prescritos pela lei, tendo em vista o bem de outrem ATENAS : PALCO DE GRANDES TRANSFORMAÇÕES 4.1 INÍCIO DA EVOLUÇÃO POLÍTICA E SOCIAL No capítulo anterior, vimos que havia um descontentamento geral, por parte da população, que não aguentava mais o poderio dos eupátridas. Neste momento vivido pelos gregos, se almejava mudanças políticas e sociais. Para isso, urgia a necessidade de leis escritas, pois elas seriam de conhecimento de todos, e poderiam ajudar a solucionar os problemas que estavam ocorrendo na pólis 32. Por conta dessas reinvidicações sociais, fora nomeada uma comissão, que tinha seis membros chamados de tesmotetes, que junto ao rei, ao polemarco e arconte-epônimo, vieram a constituir uma espécie de colégio, denominado Arcontado 33. O Arcontado, então, ficara encarregado de elaborar um código escrito. Todavia, com o tempo, observa-se que o código prometido nunca era promulgado. Assim, em 630 a.c, o eupátrida Cilon, que era ligado aos interesses populares, e se valendo da crise social, armou uma conspiração com o objetivo de tomar o poder. A reação aristocrática, liderada pela família Alcmeónidas, foi ríspida, e os conspirados foram mortos, exceto Cilon que foi condenado ao exílio. Esta conspiração teve uma consequência muito importante: ela demonstrou para a nobreza que havia uma grande descontentamento social. Por isso, em 621 a.c, Drácon, que era um dos tesmotetes, conseguira fazer com que seu código fosse promulgado. 4.2 AS LEIS DRACONIANAS Drácon, era um arconte, e fora o responsável pelas primeiras leis escritas na Grécia. Suas leis foram muito importantes para a história dos atenienses, por que elas tiraram toda 31 BARZOTTO, Luis Fernando. O Direito ou o Justo- O direito como objeto da Ética no pensamento clássico. São Leopoldo: Anuário do Programa de Pós-graduação em Direito, p José Olegário, em seu livro, refere o contexto que acabamos de assinalar: Em meados do século VII a.c. Atenas atravessa grave crise social. As classes menos favorecidas camponeses endividados e ameaçados de se transformarem em escravos, comerciantes ricos, mas destituídos de qualquer poder efetivo no Estado revoltam-se contra a dominação dos eupátridas, exigindo a feitura de um código escrito que regulamentasse o complicado direito consuetudinário atácio, cuja interpretação, evidentemente ideológica, era prerrogativa exclusiva de exegetas nobres. CASTRO, op.cit., p Idem, Ibidem.

16 16 a competência judiciária da genos e dos outros grupos primitivos, e a transferiu para o governo da cidade. Com isso, muitos crimes que eram julgados pelo chefe da família, passaram a ser julgados pelos magistrados da pólis de Atenas. Ainda, devido ao código de Drácon, todos atenienses passaram a ter contato e conhecimento das leis, pois elas foram anexadas na Ágora. Aquino, faz uma ressalva sobre este tema: As leis draconianas, por serem escritas e afixadas na Ágora, tornaram-se do conhecimento de todos e, assim, limitaram, ou, se preferirmos, ocultaram mais o despotismo da aristocracia territorial. Entretanto, a partir de então poderia haver maior rigor no controle público sobre a aplicação das leis, antes submetidas aos critérios arbitrários e pessoais dos juízes. 34 Entretanto, muito embora os avanços conseguidos, a legislação draconiana não obteve o resultado esperado, pois manteve os principais privilégios da aristocracia, e continuou determinando penas graves para qualquer delito. Além disso, a situação dos camponeses e dos ricos comerciantes continuava a mesma, e ainda permanecia a escravidão por dívidas. 4.3 SÓLON O código de Drácon teve uma consequência importante: motivou as classes populares a prosseguirem em suas reivindicações. Então, no ano de 594 a.c, Sólon foi eleito como Arconte, e teve o grande mérito de implantar reformas inovadoras e ambiciosas. Sólon vai ter que trabalhar, em um contexto social, que tem de um lado a maioria da população, que quer reformas radicais, e do outro, os nobres, que almejam a manutenção de seus privilégios. 4.4 REFORMAS POLÍTICAS DE SÓLON Abolição do Código de Drácon As leis de Drácon, não provocaram muitas mudanças no modelo social ateniense. Além disso, este código continha muitos excessos em suas leis. Por isso, Sólon, revogou a maior parte do código, e deixou inserido na vida dos atenienses, apenas a parte que dispunha sobre os homícidios dolosos. 34 AQUINO; FRANCO, LOPES, op. cit., p. 191.

17 Criação do Conselho dos Quatrocentos Em Atenas, o Conselho do Areópago tinha muita força. Ele existia desde o período monárquico, e seus membros eram todos aristocratas. Aristóteles relata alguma das características deste órgão: O Conselho do Areopago tinha o dever de velar pelas leis e possuía amplos e importantes poderes na cidade, uma vez que punia e multava os faltosos sem apelação. 35 Para fazer com que o povo participe mais da vida política, Sólon criou o Conselho dos Quatrocentos, ou Boulé, que tinha em sua composição membros do povo, com mais de 30 anos, e que eram sorteados pelas tribos. Infelizmente, neste período inicial, não sabemos quais eram atribuições deste conselho; todavia na época democrático, se conhece bem as suas funções, e ele se torna um importante instrumento político do povo Criação do Tribunal Heliae Este tribunal, instituído por Sólon, tinha o intuito de reduzir a arbitraridade das decisões dos juízes. Por isso, qualquer cidadão que tivesse sido injustiçado em um julgamento, poderia apelar a Heliae, que iria revisar o caso. Também, vale respaldar, que não possuímos muitas informações sobre a estrutura e a maneira de agir deste tribunal, na época de Sólon Classificação Censitária A legislação soloniana dividiu a população de acordo com a sua renda, a saber: Pentacosimedinas, são os que possuíam renda de 500 dracmas anuais; Cavaleiros cujas rendas eram de 300 dracmas; Zeugitas que tinham renda de 200 dracmas; e por fim, os tetas que não detinham rendimento suficiente para figurar nas classes acima citadas, sendo que não podiam ser eleitos para nenhum cargo Seisachthéia A seisachthéia é a medida tomada por Sólon que proibira todo o empréstimo de dinheiro com garantia da pessoa do devedor. É assim que Aristóteles alude: 35 ARISTOTELES. Constituição de Atenas. São Paulo: Nova Cultural, p. 257.

18 18 Quando assumiu o poder, Sólon libertou o povo naquele momento e para o futuro apostando na certeza da liberdade ilegal das pessoas; passou leis e instituiu um cancelamento de dívidas, tanto particulares quanto públicas, que os homens denominaram de seisachtheia porque os livrou de seu peso. 36 Esta medida foi muito importante para o povo ateniense, pois ela tinha efeito retroativo, e todos que estavam, até então, escravizados por dívidas, puderam conquistar a liberdade almejada. Além disso, importante frisar, que muitos pequenos agricultores, em épocas anteriores e na de Sólon, tiveram que hipotecar as suas terras, pois não haviam conseguido pagar os empréstimos, com juros exorbitantes, feitos com os eupátridas. A legislação de Sólon, declarou ilegais as hipotecas realizadas e com isso, foi devolvida a posse e a propriedade destas terras para esses pequenos lavradores. Fustel de Coulanges, na obra Cidade Antiga, muito referida por nós, entende que a seisachthéia, foi muito mais ampla. Para ele, ela excluiu todos os laços de dependência dos clientes entre os eupátridas, tornando aqueles livres. 4.5 A TIRANIA Por volta do ano de 560 a.c., aproveitando-se de uma manobra muito inteligente, e deste momento de discussão e revoltas político-partidárias, Pisístrato, assume o poder, tornando-se tirano. Entre todas as tiranias existentes no mundo antigo, a mais valoroza e importante, foi a de Pisístrato. Aristóteles nos conta, que para tomar o poder, ele, de maneira ardilosa, mas não violenta, desarmou toda a população e assegurou-lhes que ele se encarregaria de dirigir a pólis ateniense Medidas Políticas No que se refere as medidas tomadas por Pisístrato, em seu governo, pouco sabemos. Contudo, se tem a informação de que ele regulamentou a toda questão agrária; ponto este, não tratado na legislação soloniana. Acredita-se que este tirano distribuiu para as camadas mais simples da população, parte das terras pertencentes aos eupátridas, pois no período de seu governo, se vislumbra um grande aumento de pequenas propriedades em Atenas. Além disso, Pisístrato fora responsável por grandes obras públicas. Houvera a construção de estradas, templos religiosos, aquedutos, esgotos, portos e forticações, que 36 ARISTOTELES.op. cit. p. 258.

19 19 empregaram a força de trabalho de muitas pessoas, e tornaram a cidade de Atenas o maior centro urbano de toda a Grécia. Ao morrer, em 527 a.c., Pisístrato foi substituído pelo seu filho Hippias. Este governou até 510 a.c., sendo que uma revolução os expulsou da pólis ateniense. Pisístrato era uma pessoa humanitária. voltada para o bem, que ajudava muitos gregos 37. Em seu governo houve paz e prosperidade, e Atenas atraiu inúmeros artistas e poetas, passando a ser a maior referência cultural da Grécia. 5 A ERA DEMOCRÁTICA No ano de 508 a.c., Iságoras, líder dos pedianos, foi nomeado Arconte. Em seu governo, ele concedeu privilégios aos aristocratas, e tentou fechar o Conselho dos Quatrocentos. Em virtude de sua política, o povo foi a luta e o expulsou do cenário político. 5.1 CLÍSTENES: O INÍCIO Em decorrência do péssimo governo de Iságoras, entra em cena, no ano de 506 a.c, Clístenes, que fora eleito Arconte, e ficou encarregado de fazer reformas políticas e sociais em Atenas. Ele é importante para a história, pois promoveu a paz, e a pólis vai se tornar novamente virtuosa, pois todos vão obedecer as leis. Clístenes, em seu primeiro ato como governante, dividiu toda a população ateniense em dez novas tribos, que em seu interior, eram compostas por várias circunscrições territoriais, chamadas demos. As demos, nada mais eram que uma centena de circunscrições territoriais de extensão heterogênea, compreendendo número também diversos de famílias 38. Antes desta importante criação, havia a velha divisão social: tinha-se quatro tribos, doze fatrias e duzentas ou trezentas gentes. Estas estruturas socias antigas, nascidas com a religião, eram puramente aristocráticas e vinculavam todas as pessoas, principalmente as mais humildes, em suas decisões e no seu agir, no dia a dia. Nelas, encontravam-se de um lado os eupátridas, descendentes dos heróis e responsáveis pelos cultos, e de outro os homens de condição inferior, como os clientes e servos, que graças a Sólon estavam livres, 37 Há um acontecimento muito interessante, ocorrido na vida do tirano ateniense, que demonstra muito as características de sua personalidade: De vez em quando ele acompanhava os magistrados, e foi num desses circuitos que se deu o incidente com um fazendeiro do Monte Himeto e a terra mais tarde denominada isenta-de-imposto. Pisístrato viu alguém trabalhando numa região que era pura pedra e, surpreendido, disse ao seu servidor que fosse perguntar o que aquela terra produzia. Sofrimento e dor, respondeu o fazendeiro. Pisístrato deveria receber seus dez por cento de sofrimentos e dores, também. O homem deu essa resposta sem saber que estava respondendo a Pisístrato que, delicado com tanto espírito e franqueza, isentou-o de todos os impostos. ARISTOTELES.op. cit. p OLEGÁRIO, op,cit.,p. 64.

20 20 mas, em contrapartida e em virtude da religião, ainda se matinham sob o poder e autoridade dos eupátridas. Por isso, Fustel de Coulanges, nos configura um exemplo: A velha religião apoderava-se do homem à saída da assembléia onde havia livremente votado e lhe dizia: Está ligado ao eupátrida pelo culto; deves-lhe respeito, deferência, submissão; como membro de uma fatria, tens ainda um eupátrida por chefe; na própria família, na gens em que os teus antepassados nasceram e da qual não podes sair, encontras ainda a autoridade de um eupátrida 39. Também, as pessoas, como os metecos, que estavam fora dessas associações primitivas, sofriam bastante, pois ficavam em estado de inferioridade moral em relação aos outros. Então, Clístenes, para resolver esta situação acima descrita, criou as demos e dez outras tribos, com o intuito de reagrupar todas as classes sociais nessas novas ordens. Assim, com essa divisão populacional, ele conseguira fazer com que as antigas associações perdessem a sua importância e seu valor, e por consequência, se romperam todos os laços de dependência, criados pela religião, que havia entre os homens livres e os eupátridas, e que tornavam aqueles inferiores perante a estes. Ao misturar todas as classes sociais nessas novas tribos e demos, todos puderam estar em estado de igualdade, participando da vida política, pois o critério utilizado para incluir a população nestes novos agrupamentos, não era mais o do nascimento, como antigamente, mas sim o do domícilio de cada um. Por isso, não importa mais ser descendente dos fundadores da pólis e ter o culto hereditário, mas sim, é necessário, estar contido dentro de uma demos, para poder usufruir da cidadania e dos direitos decorrentes dela. Assim, a partir da criação das demos todos os homens livres atenienses gozavam da mesma liberdade e direitos. Agora, para poder usufruir dos direitos inerentes a cidadania, era necessário ter dezoito anos, estar registrado no livro oficial de uma das várias demos existentes em Atenas, e não ser nem escravo, nem mulher e nem estrangeiro. As demos, foram fundamentais para a sociedade ateniense. Elas que de fato implantaram a democracia, pois permitiram que todos, inclusive os menos favorecidos, pudessem conquistar a tão esperada liberdade plena. Por isso, se pode afirmar que: Essa reforma definiu de vez a queda da aristocracia dos eupátridas. A partir desse momento deixou de haver casta religiosa: não mais houve privilégios de nascimento, nem na religião, nem na política. A sociedade ateniense estava inteiramente transformada COULANGES, op.cit., p Ibid.,p. 309.

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