A Geopolítica da Turquia: da Guerra Fria aos dias atuais

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1 A Geopolítica da Turquia: da Guerra Fria aos dias atuais Waldeir Eustáquio dos Santos 1 Resumo Esse artigo busca debater os aspectos relevantes da geopolítica turca, como posição e localização. Estudar como o país participou dos acontecimentos no período do segundo pós-guerra, ou seja, a guerra fria, principalmente da política estadunidense de contenção. No âmbito geopolítico a Turquia desempenha função relevante tanto no aspecto da segurança quanto na economia regional e global. A localização turca significa a ligação entre dois mundos, o Oriente e o Ocidente. Sua posição geográfica a coloca como parte de quatro locais sensíveis na política internacional: Oriente Médio, Bálcãs, Cáucaso e o Mar Negro. Para analisar a participação da Turquia no período da guerra fria será importante observar seu papel dentro de instituições multilaterais da Europa, como OTAN e União Européia, além do alinhamento com os Estados Unidos. Para o desenvolvimento do artigo serão utilizados os estudos teóricos de Halford Mackinder e Nicholas Spykman. Palavras-chave: Turquia, EUA, Oriente Médio, geopolítica, guerra fria. 1 Introdução Esse artigo pretende debater aspectos relevantes da geopolítica turca, como posição e localização. Estudar como o país participou dos acontecimentos internacionais no período do segundo pós-guerra, ou seja, a guerra fria. No âmbito geopolítico a Turquia desempenha função relevante tanto no aspecto da segurança quanto na questão econômica regional e global. A localização turca significa a ligação entre dois mundos, o Oriente e o Ocidente. Sua posição geográfica a coloca como parte de quatro locais sensíveis na política internacional: Oriente Médio, Bálcãs, Cáucaso e o Mar Negro. Para o desenvolvimento do artigo serão utilizados os estudos teóricos de Halford Mackinder e Nicholas Spykman. A história do país turco é recente, a Turquia surge em 1923 após o fim da I grande guerra e a queda do Império Turco Otomano. Ao fim da guerra, meados de 1918, as potências vencedoras, Inglaterra, França e Itália planejaram a divisão da Turquia (antigo império Otomano) e a criação do Estado do Curdistão, segundo (Fernandes 2005). Ainda segundo esse mesmo autor, a divisão se deu através do Tratado de Sèvres (1920), contudo esse acordo não foi ratificado pela Turquia. Durante três anos (1919 a 1922) os militares turcos auxiliados por uma burguesia local CUP Comitê para União e Progresso travaram uma campanha pela independência, tendo à frente Mustafá Kemal. Saíram 1 Mestrando em Relações Internacionais da PUC Minas BH; 598

2 vitoriosos da guerra e proclamaram a liberdade frente às potências e consequentemente o nascimento do novo país em 1923, além disso, assinaram o Tratado de Paz, conhecido como Tratado de Lausanne, o líder do movimento entrou para a história da Turquia como Ataturk ou Pai dos Turcos, segundo (Libero1998). Esse fato foi marcante por dois outros aspectos: a) turcos e curdos lutaram juntos defendendo o ideal de nação mulçumana livre dos infiéis; b) a Turquia sendo valorizada no mundo islâmico. A Turquia é um país relativamente grande, em comparação aos países da Europa, segundo (Fernandes 2005). Possui uma extensão territorial de aproximadamente 769 km², controla dois estreitos, o Bósforo na histórica e famosa Istambul e o Dardanelos, tem uma população de aproximadamente 78,8 milhões, segundo dados de (Zahreddine; Lasmar; Teixeira 2012). Sua fronteira tem extensão de km, com países bem diversos em termos de cultura, e para questões de segurança: Armênia, Geórgia, Síria, Irã, Iraque, Bulgária, Grécia e Chipre. A Turquia pertence geograficamente à Europa, ao Oriente Médio, à Ásia, ao Cáucaso, ao Mar Negro, ao Mediterrâneo e aos Bálcãs. É com base nessa diversidade que o texto busca apresentar as possibilidades desse importante Estado dentro das Relações Internacionais. Para analisar a participação da Turquia no período da guerra fria será importante observar seu papel dentro de instituições multilaterais da Europa, principalmente a OTAN (Organização do Tratado Atlântico Norte) e a UE (União Européia). Sobretudo, o seu alinhamento com os Estados Unidos, processo que se fortaleceu com a liberação de empréstimo através do Plano Marshall, e com a implantação da Doutrina Truman (Rodrigues 2003). Sob a perspectiva geopolítica tem peso importante o fator histórico e pode ser enquadrada a avaliação de características socioeconômicas e sócio-culturais que lhe são proporcionadas pela situação geográfica. Esses pontos possibilitarão o estudo dos objetivos turcos no período contemporâneo. No âmbito da guerra fria a Doutrina Truman tem significação relevante para a política da contenção. A estratégia foi lançada pelo presidente americano em discurso no ano de 1947 e significava o auxílio militar do governo dos EUA aos povos que se sentissem ameaçados pelo avanço soviético (Vizentini 1996). Dois países que foram auxiliados logo no início do plano foram Turquia e Grécia. Já a gestão do Plano Marshall era baseada em empréstimos a juros baixos aos países europeus, destruídos pela guerra, para que os mesmos pudessem comprar dos próprios estadunidenses (Vizentini 1996). A Turquia foi contemplada também pela política econômica em

3 Apesar da significante presença de Irã, Israel, entre outros, a Turquia passa a ser cada vez mais um ator relevante para o processo de paz na região do Oriente Médio. Desta forma esse artigo analisará as potencialidades econômicas, geopolíticas e estratégicas dessa importante potência emergente. O exército turco é o segundo maior da OTAN, segundo (PINTO 2010) e esse fato interfere sobremaneira na aceitação da Turquia dentro da EU, embora fatores sociais e religiosos exerçam uma força em direção contrária a essa entrada. E consequentemente a relação com sua vizinha União Soviética que tem papel relevante desde o período da guerra fria. Os documentos de Política Externa (PE) da Turquia tratam do objetivo de alcançar a paz em casa e paz no mundo, esse é um dos primeiros objetivos. Contudo, o país tem alguns sérios problemas para solucionar. Internamente a questão dos curdos gera preocupação em virtude de um desejo da minoria curda em constituir-se como Estado. No âmbito externo tem repercussão internacional o conflito com o Chipre, divido entre gregos e turcos. O Chipre foi invadido pelo exército turco no ano de 1963 em sua porção norte. Também pesa a situação do massacre dos armênios em 1915, fato que a UE avalia como genocídio e exige que a Turquia avalie também dessa forma, mas, os turcos, porém, não reconhecem como tal. A utilização das teorias de Mackinder e Spykman subsidiará o debate em torno da interação do Estado com a geografia na construção de sua política. Com esse referencial teórico será possível avaliar o papel desempenhado pela Turquia na política dos EUA de contenção à URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas) durante a guerra fria. Assim, esse artigo vislumbra estudar os aspectos da geopolítica e como esses fatores, localização e posição, por exemplo, podem agregar poder ao Estado e a importância desse aspecto na Turquia. O estudo deseja confirmar a hipótese de que os fatores geográficos diferenciam os turcos dos demais países do Oriente Médio. Assim entendendo o conceito de poder nos termos de (Waltz 2002) como meios de manter a autonomia, maior margem de segurança e maior raio de ação. E o conceito de guerra nos termos de (Clausewitz 2010) como um duelo em escala ampliada e um ato de violência que tem por objetivo submeter o outro à sua vontade. Outro argumento importante de Clausewitz é que a guerra pode ter objetivo político. Na situação da guerra fria esse pensamento é aplicável. A hipótese a ser debatida nesse artigo é que a Turquia fez parte do plano de contenção dos EUA no período da guerra fria. Período esse entendido por (Halliday 1999) por um conflito que se realizou de forma distinta dos demais, sendo duas grandes potências que representavam sociedades e projetos societais distintos. Contenção entendida como 600

4 a política estadunidense para conter a expansão do comunismo soviético. Tendo para isso os americanos se utilizado de estratégias focadas na geopolítica e na teoria realista das Relações Internacionais. 2 A geopolítica de Mackinder e Spykman Há dentro da Geografia um debate em torno da geopolítica e versa sobre qual sua relevância e em relação à distinção ou não da Geografia Política. Há também, em virtude da geopolítica alemã, um espectro negativo sobre a geopolítica, devido à sua apropriação pelo nazismo de Hitler. A geopolítica teve na Europa e na América do Norte suas três principais escolas: Alemanha, Inglaterra/EUA e a França. Os teóricos alemães demasiadamente preocupados com a construção de uma nação forte e em recuperar o relativo atraso, os teóricos da escola anglo-saxônica estavam interessados na manutenção do império britânico, posteriormente na formação do império americano e os franceses criaram uma escola com pouca autonomia e criada como reação aos alemães e ingleses. Para efeitos desse artigo a geopolítica será considerada uma disciplina dentro da geografia, mas, com características próprias, distinta da geografia política. Alguns autores como (Costa 2010) entendem que a demarcação das distinções entre geografia política e geopolítica é difícil, por isso a maioria dos teóricos prefere ignorá-la. E esse aspecto é utilizado para fomentar estratégias num contexto de disputa entre Estados. Mas apesar das observações o autor faz uma caracterização preliminar:... parte da tradição nesse setor identifica como geografia política o conjunto de estudos sistemáticos mais afetos à geografia e restritos às relações entre o espaço e o Estado, questões relacionadas à posição, situação, características das fronteiras e etc., enquanto à geopolítica caberia a formulação das teorias e projetos de ação voltados às relações de poder entre os Estados e às estratégias de caráter geral para os territórios nacionais estrangeiros, de modo que estaria mais próxima das ciências políticas aplicadas... (COSTA 2010, 18). A geopolítica surge no final do século XIX, tendo como um de seus precursores o alemão Friedrich Ratzel, com sua obra publicada em 1897 A Geografia Política: conceitos fundamentais. A despeito do nome Geografia Política, os geopolíticos consideram a obra de Ratzel como inicio da geopolítica. Contudo, conforme (Amorim Filho 2011), o neologismo foi cunhado apenas em 1905 por Rudolf Kjéllen, um suíço germanófilo. Para (Amorim Filho 2011), Ratzel pensou sua obra com base no relativo atraso desenvolvimentista que a Alemanha apresentava em relação às demais potências européias. Também nesse período os alemães eram iniciantes na arte do colonialismo e estavam com poucos anos de 601

5 unificação, fato aproximadamente datado no ano Para Ratzel a geografia política e a geopolítica consideram o Estado como organismo em competição. Seus principais conceitos são: Estado, cultura, influência do meio ambiente, forma, dimensão, posição, povo, espaço e território. Para esse artigo será importante a análise da geopolítica anglo-saxônica que serviu de base para as estratégias da guerra fria. Dessa escola serão estudados os autores Sir Halford Mackinder ( ), britânico e Nicholas Spykman ( ) americano. Mackinder foi o criador da teoria do Heartland ou em tradução livre, o Coração Continental, poder terrestre. Spykman é o autor da teoria do Rimland, uma síntese do poder terrestre e do poder marítimo, formaria um anel em torno do Heartland de forma a conter sua expansão de poder. A teoria de Mackinder surgiu em 1904 em artigo publicado na Inglaterra. O heartland seria, na visão do autor, uma vasta área de planícies inacessível para qualquer poder marítimo e o Estado que dominasse essa área poderia ter projeção de poder mundial. Portanto, a preocupação do teórico inglês era que um poder terrestre poderia rivalizar com o poder marítimo britânico. Segundo (Melo 1999), na primeira formulação o Coração Continental de norte a sul estendia-se das costas do oceano ártico aos desertos da Ásia central. No sentido leste-oeste englobava todo território russo até o Mar Báltico. Com o desenrolar da guerra e os fatos que pode observar, Mackinder repensou suas formulações e em 1943 publicou novo artigo na Foreign Affairs com o título: The Round World and the winning of the peace. O Coração Continental na primeira formulação em 1904 abrangia 23 milhões de km², o Heartland de 1943 foi reduzido a 13 milhões de km² (MELO 1999, 63). Nessa nova formulação foi retirada grande parte do território russo. Vale ressaltar que o conceito era estratégico, portanto, seus limites não são rígidos, afirma (Melo 1999). Já em 1904 a potência que poderia controlar o heartland era a Rússia, na visão mackinderiana e caso esse fato se concretizasse seria difícil para qualquer potência derrotar os russos. Outro temor do autor era que duas potências terrestres se unissem e assim se tornariam imbatíveis, essa possível união se daria entre Rússia e Alemanha, fato que se concretizou em momento posterior (Mackinder 1919). Conclui-se que desde o início do século os russos despertaram a atenção dos geógrafos e consequentemente dos pensadores da política internacional em geral. Do outro lado do Atlântico aumentava o debate no nível acadêmico e político sobre a participação dos EUA nas questões da política internacional. Segundo (Melo 1999), Nicholas Spykman, professor na Universidade de Yale participou do debate ativamente e se posicionou a favor do realismo e da ideia de intervenção norte-americana na Política Internacional. As duas obras clássicas de Spykman foram 602

6 significativas para as estratégias da guerra fria: Estados Unidos frente al mundo e The Geography of the peace. O pioneiro nas formulações geopolíticas estadunidense foi o Almirante Alfred Mahan que exerceu forte influencia sobre Spykman. Mahan pensou a teoria do poder marítimo. Por isso, pode-se afirmar que o pensamento de Spykman é uma síntese de Mackinder e Mahan. Contudo, foi o professor de Yale, o principal formulador da geopolítica tradicional dentro dos EUA. Assim como outros geopolíticos do país, Spykman era um brilhante acadêmico e contribui sobremaneira nos esforços de guerra. Entendiam os acadêmicos que com seus pensamentos e teorias contribuíam para a questão nacional. Perturbados com o alcance da geopolítica alemã, os americanos buscavam formular sua geopolítica dentro de uma abordagem ético-política, afirma (Costa 2010). Spykman numa posição realista, influenciado por Maquiavel, rompe com essa característica e defende uma geopolítica mais agressiva e que atenda às pretensões de uma potência. Para o autor, o ideal nas relações internacionais seria o equilíbrio de poder, não tratados e acordos. A guerra fria pode ser vista como esse momento empírico do equilíbrio de poder. Ainda no pensamento do geopolítico americano a guerra psicológica e a propaganda podem transformar o conflito entre Estados numa guerra entre nações. Empiricamente essa afirmação pode ser verificada nos desdobramentos da guerra fria. Em seus trabalhos Spykman sugere que os EUA formulem o mercado único com os países da América do Norte, Central e do Sul. Chamou a atenção principalmente para o eixo ABC (Argentina, Brasil e Chile), que tinham seu comércio mais voltado para a Europa. Assim além do comércio forte poderia ser criado um sistema de defesa único. O pensamento de Spykman pode ser considerado, conforme (Amorim Filho 2011), a síntese dos pensamentos de Mahan e Mackinder, respectivamente poder marítimo e poder terrestre. Com base nas duas teorias Spykman criou a teoria do Rimland, um anel em torno do heartland, que teria a função de conter o poder, ou o crescimento do poder, no coração continental. O Rimland era fisicamente uma área tampão entre o poder marítimo e o poder terrestre. Seria também uma espécie de poder anfíbio. Em torno dessa massa continental, desde a Grã-Bretanha até o Japão, e entre continente do norte e os dois continentes do sul, segue-se o grande caminho circunferencial do mundo. Este caminho parte dos mares internos e marginais da Europa Ocidental (o Báltico e o mar do Norte);... cruza o mar Vermelho,... o Indico... e termina finalmente no Mar de Okhstsk. (SPYKMAN, apud COSTA, 2010, 173) Outro aspecto que deve ser ressaltado no pensamento de Spykman é sua vinculação com o realismo em Relações Internacionais (Melo 1999). Para o autor, o sistema internacional é anárquico e 603

7 belicoso e as relações são semelhantes ao estado de natureza hobbesiano. A ordem é estabelecida por um grupo seleto de potências. Spykman resgata ainda uma base de sua formulação teórica focada em Maquiavel, entendendo que as relações internacionais se pautam na busca pelo poder, no desejo de garantir a segurança e na autopreservação do Estado. 3 - A Turquia e a geopolítica pós 1945 A Turquia nasceu com um desejo de estabelecer relações internas e diplomáticas estáveis em sua região. Para que esse fato fosse possível a sua política externa foi pensada para evitar conflitos e desestabilização na região do Oriente Médio (Rodrigues 2003). Na segunda guerra mundial sofrendo pressão por todos os lados, tanto dos Aliados, quanto do Eixo, o país teve que se posicionar e essa atitude mudaria os rumos do recém criado Estado Turco. Dois motivos colocavam os turcos em situação complicada: 1) havia forte relação comercial com a Alemanha; 2) por outro lado havia uma promessa (pré-condição) dos EUA que ajudaria na reconstrução da Europa no pós-guerra, e a Turquia precisava de financiamento para suas mudanças internas. Outro ponto nevrálgico da PE turca era a relação com a vizinha URSS. Por parte dos turcos havia o receio de se tornarem também um país satélite russo. Os soviéticos sempre buscaram uma saída para os mares quentes, assim firmaram com a Turquia e outras potências o Tratado de Montreux, para a utilização dos estreitos e desejavam revisá-lo de modo a garantir a continuidade da utilização do Bósforo e do Dardanelos. A Grã-Bretanha já nessa altura totalmente debilitada e os EUA começam a despontar com nova potência mundial. Não restava a Turquia um leque de opções muito amplo. Pensando em termos de realismo, a segurança do Estado estava ameaçada. Segundo (Fernandes 2005) a relação com a URSS teve para a Turquia dois momentos distintos: entre 1919 e 1922, Stalin subsidiou a luta turca enviando-lhes armamento e ajudando politicamente. Já no período pós-segunda guerra, o desejo de expansão soviética empurrou a Turquia para as alianças ocidentais. Esse alinhamento era estratégico, pois, a URSS tinha por objetivo a conquista de parte do território turco, além da saída para os oceanos que já foi mencionado. Isso explica a relação de alinhamento com o governo americano no período da guerra fria. O final da década de 1940 e início da década de 50 foram decisivos para os rumos da Turquia em sua política externa e de segurança. O país se alinhou definitivamente aos Estados Unidos, declarando guerra ao Eixo em Em 1947 a Turquia foi inserida no Plano Marshall e na Doutrina Truman e em 604

8 1949 foi aceita como membro do Conselho Europeu. Com essa orientação pró-ocidente a dinâmica interna do país sofre algumas mudanças e o país adota o multipartidarismo, conforme afirma (Rodrigues 2003). Em 1952 a Turquia era aceita na OTAN. Antes, porém, em julho de 1950 os turcos estiveram presentes na guerra da Coréia apoiando os EUA e aliados, foram enviados para esse conflito cerca de soldados turcos. Duas palavras que se inserem muito bem dentro desses aspectos são: expansão e contenção, que possibilitarão a compreensão do jogo político entre os países no cenário internacional. A partir dessas palavras pode-se pensar por um lado o desejo da URSS em difundir ou expandir sua ideologia socialista pelos países do mundo. Por outro lado, o desejo expresso de conter a expansão dessa política por parte dos EUA. A expansão socialista era uma política doutrinada por uma teoria, a marxista, mas, que por motivos diversos, que não cabem análises nesse trabalho, seguiu uma trajetória, no mínimo contestável, daquela pretendida por seu teórico principal, Karl Marx. Assim, a política de contenção adotada pelo governo estadunidense e seus aliados, foi impulsionada por teóricos das relações internacionais americanos e por geopolíticos como Spykman. A teoria do Rimland desempenhou papel central na formulação da estratégia de contenção dos EUA na guerra fria (Melo 1999). A união turco-americana pode ser analisada através do pensamento geopolítico de Spykman, que defendia a ideia de uma linha de defesa estadunidense do outro lado do Oceano Atlântico. A segurança devia ser pensada de modo a bloquear a chegada de qualquer poder inimigo nas fronteiras nacionais. Assim a Turquia seria estratégica para conter o inimigo declarado dos EUA (Vizentini, 1996, p 18), principalmente bloqueando a passagem pelos Estreitos de Bósforo e Dardanelos. Por fim o argumento de Pecequilo (2005) é a justificativa mais plausível para o desenvolvimento desse artigo. Dada a importância estratégica e política da contenção, caberá a essa pesquisa entender a relevância da Turquia nesse momento histórico da política internacional....a contenção foi o guia e o referencial central para a política externa norte-americana, consistindo sua grande estratégia durante toda a Guerra Fria. [...] A contenção marca a história das relações internacionais em seu presente e passado mais recente, devendo-se analisar seus principais componentes, definidos ao longo de alguns documentos, textos e discursos fundamentais... (Pecequilo 2005, 144). A década de 1960 foi um período conturbado na política mundial e a Turquia esteve presente em alguns momentos difíceis. A guerra fria estava se desenvolvendo e em 1962 ocorreu a famosa crise dos mísseis. Para (Allison, Zelikow 1999) esse foi o momento que o mundo esteve mais próximo da guerra 605

9 nuclear, foram 13 dias tensos. Havia mísseis soviéticos em território cubano, direcionado para os EUA, para isso os soviéticos justificavam a defesa de Cuba contra uma possível invasão americana. Do outro lado, em solo turco, mísseis estadunidenses apontados para a URSS. A situação foi resolvida via diplomacia, mas, vale ressaltar o papel estratégico da Turquia ganhava importância na cena internacional. Em 1963 inicia-se o conflito interno no Chipre e esse ano marca um período de estremecimento nas relações turcas com os EUA. Contudo, para entender a dinâmica da disputa é preciso voltar na história. Nos idos de 1920, um dos países que lutaram contra a independência da Turquia foi a Grécia, que apoiada pelas potências vencedoras da I guerra, desejava apropriar-se de parte do território turco. Outro aspecto relevante na relação Turquia/Grécia é a disputa pelo espaço aéreo e os limites fronteiriços no Mar Egeu (Fernandes 2005). Está presente na conturbada relação o fator religioso: a presença de maioria mulçumana na Turquia e de uma maioria cristã da Igreja Ortodoxa na Grécia. No meio desse emaranhado de disputas adiciona-se o caso da Ilha, localizada entre a Turquia e a Grécia. O Chipre é um Estado dividido entre gregos ao sul e turcos ao norte. A contenda teve início quando o presidente cipriota, representante da população grega da ilha e arcebispo da Igreja Ortodoxa, manifestou desejo de alterar a Constituição, retirando assim alguns direitos adquiridos pelos turcos. A conseqüência inevitável seria a retirada dos turcos da estrutura governamental (Rodrigues 2003). Em decorrência disso explodiu um violento conflito dentro da ilha e a Turquia resolveu intervir militarmente para defender os moradores turcos. Nesse momento o conflito adquire caráter internacional e ganhou contornos ainda mais complexos com as potências (URSS e EUA) se posicionando. Para a surpresa e decepção turca, os estadunidenses se posicionaram contrários à intervenção e os russos apoiariam o Chipre, por ser um Estado não-alinhado ao ocidente. Esse fato fez estremecer a amizade turco-americana. Foi promovida por parte da ONU (Organização das Nações Unidas), com base na Resolução 186 do Conselho de Segurança, a intervenção no conflito. Por anos o governo turco analisou a possibilidade de romper com os EUA, mas, devido à dependência financeira não pode adotar essa postura. Segundo (Fernandes 2005) as relações internas na Ilha sempre foram conturbadas e a disputa entre Turquia e Grécia se faz presente no pequeno país, com traços de violência e difícil solução. Também em 1963 o país assinou o Acordo de Ancara com a Comunidade Econômica Européia e se torna membro associado do bloco. Esse momento foi significativo no aspecto de permitir à Turquia entrar de vez para a instituição. Contudo, alguns fatos deverão ser considerados para a entrada ou não da Turquia no bloco. Esses assuntos serão abordados no desenvolvimento do artigo: a questão curda, o 606

10 problema da localização no Oriente Médio e o problema religioso/cultural. Depois desse ano foram dados vários passos rumo a integração, mas de fato não aconteceu até a presente data. Porém, um fato pesa a favor da Turquia e precisa ser avaliado. Para a estrutura de segurança européia a presença turca é significativa (Pinto 2010). Os países da Europa depois da segunda guerra optaram 2 por uma política de paz no continente com o mínimo de presença militar. Assim a ideia de segurança do continente ficou sob a responsabilidade da OTAN, apoiada pelos EUA. Isso explica o fato de ser o exército turco o segundo da organização militar. Em relação ao percentual do PIB a Turquia é o país que mais investe em melhorias militares se comparada aos demais países da Europa. Em 1969 se firmou outro importante acordo entre EUA/Turquia, o Acordo de Cooperação Econômica e Militar (Rodrigues 2003). Esse acordo previa a utilização conjunta de bases militares, dentro dos arranjos da OTAN, em território turco pelos dois países e os equipamentos militares dos EUA ficariam sob a guarda da Turquia. Com esse acordo o contingente de militares americanos no país seria diminuído. Isso para a Turquia teve como objetivo diminuir a dependência em relação aos americanos e aumentar sua autonomia política. A relação de amizade com os EUA sofre novo abalo em 1975 quando a Turquia invade a ilha cipriota, pois, as relações no Chipre ainda permaneciam sem solução. Vários documentos da ONU foram emitidos condenando a atitude turca. A UE também se manifestou contrária a invasão. Ainda hoje a Turquia mantém seu exército no norte da ilha (Fernandes 2005). Em virtude da intervenção turca, os americanos por três anos (1975/1978) mantiveram sobre a Turquia um bloqueio econômico e de fornecimento de armas. Também na atual conjuntura internacional a manutenção da ocupação é um dos fatos que inviabilizam a entrada da Turquia na UE. Em março de 1980 um novo acordo militar foi firmado entre os dois Estados, o Acordo de Defesa e Cooperação Econômica. Vale ressaltar que um ano antes, em 1979, ocorreu no Oriente Médio a Revolução no Irã. Entre turcos e iranianos não há litígios (Fernandes 2005), mas os americanos consideram o Irã (revolução) uma ameaça para a estabilidade na região. No mesmo ano a URSS invade o Afeganistão e isso fez com que o papel estratégico da Turquia fosse reforçado e valorizado pelos americanos. No acordo (Rodrigues 2003) os estadunidenses poderiam utilizar doze bases militares e 2 Optaram entre aspas remete ao pensamento de Spykman de que a Europa não deveria se constituir em Federação, nem ter uma hegemonia permitida, mas um equilíbrio europeu. Os EUA deveriam organizar poderes divididos e equilibrados na Eurásia. (Melo 1999). 607

11 faziam da Turquia naquele momento o terceiro maior receptor de ajuda econômica dos EUA, precedido apenas por Israel e Egito. Mesmo com o fim da guerra fria, a relação entre os dois países não sofreu prejuízo estando sempre direcionada para a questão da segurança. Contudo, a partir desse momento a Turquia passa a se avaliar com um Estado Pivô, conforme (Pinto 2010). Por isso, pensando em sua situação regional, o país participa da coalizão na Guerra do Golfo. O Iraque caso saísse vitorioso naquele conflito teria uma projeção de poder que poderia abalar todo o Oriente Médio. Certamente, a atitude turca de apoio à coalizão, provocou um racha nas relações diplomáticas e comerciais com o Iraque. Assim coube aos americanos incentivar outros países sob sua influência a estabelecerem e/ou aumentar o comércio com os turcos. A questão no Iraque tinha e ainda tem outro fator de segurança ou de unidade nacional importante para a Turquia. No norte do Iraque existe uma população curda relevante e que gera preocupação ao governo turco. Logo no fim do conflito quando Saddam foi derrotado, os curdos iraquianos iniciaram um movimento de revoltas internas com objetivos emancipatórios, o antigo desejo do Estado Curdo. Como resposta o governo iraquiano enfrentou violentamente a insurreição e promoveu um massacre de curdos no norte do país, fato que foi observado pela ONU e demais países sem tomar uma postura mais rígida. 3.1 Os Curdos na Turquia Conforme mencionado no início desse artigo na guerra de independência turca os curdos uma minoria dentro do país lutaram juntos. A estratégia de Mustafá Kemal era nutrida pela ideia da nação mulçumana na luta contra os infiéis, a ideia de uma Jihad (guerra santa). Ao fim da guerra Kemal declara a independência da Turquia e a proclama uma república secular, ou seja, o Estado não teria uma religião oficial. Também como forma de garantir a unidade dos territórios turcos não permite a criação do Curdistão. Ressalta-se que a criação do Estado curdo não dependia e ainda não depende apenas da Turquia, há também uma população curda no Iraque, no Irã e na Síria. Segundo (Fernandes 2005) o Tratado de Sèvres em um de seus artigos determina a fundação do Curdistão. O acordo determinava inclusive a instauração da comissão responsável para acompanhar o processo de criação do Estado. A garantia dessa criação foi gestada no âmbito do debate da construção da paz, o idealismo do Presidente Wilson. A grande dúvida que se coloca é relativa a organização social dos curdos. Ao observar os escritos do pós-guerra do golfo, percebe-se que a Turquia facilmente conseguiu 608

12 colocar os curdos iraquianos em luta contra os curdos turcos, utilizando-se da famosa tática ocidentaleuropéia de dividir para dominar (Wesseling 1998). O que chama a atenção na luta de independência foi a forma que turcos e curdos se uniram. A guerra e os acordos pela dissolução e divisão do Império Otomano tinham outros atores envolvidos, além dos gregos e europeus já mencionados, os armênios que residiam em terras turcas. Os armênios possuíam uma maioria de cristãos naquela época. Um problema é que os territórios ocupados por armênios eram basicamente os mesmos dos curdos. Os curdos ajudaram os turcos a expulsar os armênios, infiéis, e entendiam que com a retirada dessa população a criação do Estado Curdo seria facilitada. Fato não concretizado. Durante o governo de Ataturk (1923 a 1938) foram várias revoltas, aproximadamente 18, segundo (Fernandes 2005). Sendo que a maior parte dos movimentos ocorreu na região leste da Turquia. O autor afirma ainda que na atualidade a nação curda possa ser considerada o maior grupo étnico sem Estado no mundo, com uma população de aproximadamente 30 milhões de pessoas. Por isso pensando em termos geopolíticos para o Estado turco é questão de segurança nacional e de política internacional, pois, envolvem outros atores. Invocando a ideia de nacionalismo turco, todas as revoltas foram combatidas e derrotadas. Alguns tratados foram assinados entre Turquia e Irã (1926); entre Turquia, Irã, Iraque e Afeganistão em 1937 buscando conter o problema curdo. Atualmente dentro do país existe um grupo considerado terrorista, pelo governo local, por europeus e americanos. Em seus documentos de PE a Turquia condena veementemente todas as formas de terror. All kinds of terrorism are a crime against humanity. There are no exceptions 3. (Turquia 2001). Contudo, o dito Grupo terrorista turco PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) é um partido político de inspiração marxista que tem como bandeira política a criação do Estado independente para a nação curda. A população curda do norte do Iraque também está organizada em partido político, contudo, com tendência de centro direita, fato que explica as disputas entre os dois partidos irmãos. Em novembro de 2003 ocorreu um atentado terrorista em Istambul, provocando a morte de 60 pessoas aproximadamente. Num primeiro momento a culpa foi atribuída à Al Qaeda, contudo, descobriuse que os responsáveis foram turcos, pertencentes ao Hizballah (Partido de Deus). Não é o mesmo do Líbano. Esse grupo tinha como alvo membros do PKK. Assim como a situação do Chipre, a questão 3 Todos os tipos de terrorismo são crimes contra a humanidade. Não há exceção. (tradução livre) 609

13 curda é de difícil solução, também pelo fato de envolver a soberania e possessões territoriais de quatro Estados. 4 Conclusão A Turquia é atualmente membro do G-20, sendo considerada a 16º economia mundial. Ao observar sua situação político-econômica, que não foi objeto desse estudo, verificou-se que é possível o enquadramento desse país dentro da nomenclatura de Potência Média, conforme (JORDAAN 2010). País que possui um volume anual de comércio em torno de $300 bilhões de dólares. E é considerada atualmente, entre os países da União Européia, o quinto maior em força de trabalho. E exerce forte influência regional dentro do Oriente Médio, conforme será apresentado abaixo. É interessante perceber como a realidade internacional é dinâmica. Houve um período, antes da guerra fria e pós movimento de libertação que a posição geográfica da Turquia não favorecia o investimento externo. Naquele tempo histórico os EUA estavam com a atenção voltada para questões internas e para a América Latina. A Europa voltava toda sua atenção para os problemas internos, pois, os anos do entre guerras foram conturbados. As disputas políticas da Turquia faziam com que o país fosse avaliado como um país em constante crise e isso não seria um fato atrativo para o capital externo (Keyder 1979). Depois do início da guerra tudo foi diferente. Pelo lado regional o oriente médio é importante para a Turquia ligação histórica, cultural e aumento das relações econômicas e políticas com a região é fundamental. O que acontece no Oriente Médio impacta na Turquia e o contrário também é verdadeiro. O local é o berço do Judaísmo, Cristianismo e Islamismo além de possuir mais da metade dos recursos em gás e petróleo do mundo. (Turquia 2001) Apesar da forte presença de Irã, Israel a Turquia se transforma na principal potência regional do Oriente Médio, mesmo não sendo um grande produtor de petróleo como a maioria dos países da região. A Turquia vê possibilidade de solução no conflito Israel/Palestina. Esses povos devem estar lado a lado no processo de paz. O embargo de Israel à Faixa de Gaza é ilegítimo e desumano e precisa ser revisto, pois, a política de Israel não contribui para o processo de paz. Os palestinos também podem fazer mais pela paz e a unidade nacional palestina é fundamental. A Turquia é o lugar de suporte e facilitação da paz (Turquia 2001), a Turquia e o povo turco têm laços especiais com o povo judeu, existem relações diplomáticas desde a criação do Estado judeu. Contudo, a invasão de Gaza, assaltos (ataques) aos 610

14 comboios humanitários (de ajuda) a Gaza criaram serias crises na relação Israel/ Turquia, as atitudes de Israel não podem ser facilmente perdoadas ou esquecidas, mas, Israel pode mudar a situação. A Turquia não quer ser modelo de inspiração para os demais países do Oriente Médio. Cada país tem sua história própria. O Irã é vizinho e mantêm relações históricas com a Turquia. Os turcos buscam manter boas relações com o Irã, se existem diferenças serão resolvidas por meios pacíficos. Para (Rodrigues 2003) tanto EUA como Turquia não desejam o aumento de poder do país persa. O Oriente Médio deve ser uma Zona Livre das armas de destruição em massa, todo país pode ter acesso à energia nuclear para propósitos pacíficos em acordo com as regras internacionais. Solução real é a diplomacia baseada em diálogos permanentes (Turquia 2001). A região não pode ficar presa a conflitos armados, por isso, a Turquia votou contra a sanção ao Irã no CSONU para garantir diálogo e que possibilidade se estenda aos demais países em conflito. Assinou a Declaração Conjunta de Teerã com Brasil e Irã. Em Maio de 2010 Primeira vez que Iran abriu as portas para ser fiscalizado seu programa nuclear, fato histórico e que não teve apoio dos EUA. Esse episódio estremeceu as relações de Brasil e Turquia com os americanos, pois, foi a pedido de Washington (Casa Branca) que os dois países iniciaram o debate com o Irã. A Turquia desde sua independência se declarou um país secular, mas, sua secularização está no nível do Estado. É uma população com aproximadamente 99% dos membros pertencentes ao islamismo. As outras minorias, segundo (Fernandes 2005), cristãos ortodoxos, cristãos armênios e judeus não contempla 1% da população. Entre os mulçumanos, como em todo o Oriente Médio, a maioria, aproximadamente 85%, é sunita. Esse fato impacta diretamente na aceitação da Turquia dentro da UE que tem sua maioria populacional indiscutivelmente cristã. É um grande desafio para o país administrar a convivência do islamismo político na atualidade, segundo (Pinto 2011) esse desafio é de todo o mundo mulçumano. Na Turquia a separação entre o secular e o religioso, apesar do discurso, é muito tênue e a coexistência com a democracia faz a complexidade do processo tende a aumentar. Recentemente foi eleito para governar o país um partido islâmico moderado. Chama atenção o discurso dos representantes do partido que defendem uma economia de mercado liberal, são a favor da entrada na União Européia e pró-ocidente. O país está dividido entre aqueles que desejam a manutenção da secularização e os que são favoráveis à re-islamização. A Turquia tem uma população muito grande para os parâmetros da Europa. Devido à densidade demográfica, o PIB (Produto Interno Bruto) per capita turco é muito baixo em relação aos países europeus a média do PIB turco alcança um quarto (1/4). Para viabilizar sua entrada no bloco europeu precisaria de 611

15 uma elevada ajuda financeira e isso não é bem visto pelos europeus. Desde 2005 o acesso vem sendo negociado (Pinto 2010), contudo o processo está parado principalmente em virtude da objeção de dois países, França e Alemanha, diga-se, os principais membros do bloco. O motivo da discordância é também em virtude de aspectos culturais e religiosos. A Turquia tem tomado várias medidas para atender às exigências do Conselho Europeu para concretizar sua entrada no bloco. Segundo (Diniz; Novais 2003) as assimetrias são gigantescas e precisam ser reduzidas. As questões sociais precisam ser melhoradas, aumento dos índices de emprego, educação, saúde entre outros. A entrada da Turquia na União Européia está ligada a questão de identidade nacional e equilíbrio populacional, conforme já mencionado a população é de aproximadamente 78 milhões de pessoas. Com a entrada do país na UE quebrar-se-iam as barreiras e ficaria liberado o fluxo migratório, o aumento desse contingente populacional na Europa alteraria significativamente as questões de emprego, habitação, saúde entre outros índices. Transformaria também o equilíbrio religioso, pois, aumentaria a população islâmica no lado europeu. Já existem atualmente alguns conflitos na Europa em virtude da presença mulçumana, dos seus trajes, costumes e outros aspectos. No quesito segurança os turcos continuam sendo importantes para a Europa. A Turquia tem participado de várias missões de paz na Europa, na Ásia e na África. Segundo (Pinto 2010) as forças armadas turcas participaram nos últimos anos de sete missões de paz junto à OTAN. Enviou forças, sob orientação da ONU, para o Afeganistão no conflito de 2003, atuou no conflito dos Bálcãs na antiga Iugoslávia e no Cáucaso. Quanto às características de Potência Média, o país é doador de recursos financeiros para ajuda humanitária em mais de cinqüenta países. Participou de missões peacekiping e peacemaking na Somália, Bósnia e Herzegovina, na Geórgia e outros. Por outro lado, mantém cerca de (trinta e cinco mil) soldados na Ilha cipriota, fato contestado pelos demais membros da OTAN e pela ONU. Em seus documentos de política externa a Turquia não enxerga esse fato como prejudicial à política de zero conflito com os vizinhos. Mas, para a Europa a situação provoca desequilíbrio na ideia de segurança européia e nas relações de amizade. Interfere também na relação entre turcos, cipriotas e gregos, criando uma situação de constante tensão entre os três países. Outro fato que impede a entrada da Turquia na União Européia é a questão do massacre dos armênios em Para a Europa e EUA a Turquia cometeu um genocídio e precisa reconhecer o fato. Os armênios, gregos e curdos habitavam o território da Anatólia, que foi anexado à Turquia depois da 612

16 guerra de independência. No ano de 1915 em virtude da guerra, os armênios começaram a ser deportados, por serem considerados infiéis e por estarem, segundo os turcos, lutando a favor das potências. Nos momentos em que eram deportados, os comboios sofriam ataques e os armênios eram assassinados, segundo consta, por organizações criminosas. Também turcos e curdos eram incentivados a atacar os comboios. Segundo (Fernandes 2005), os armênios morriam também por maus tratos, fome, doenças e falta de tratamento médico. Dados oficiais da Turquia apontam para uma média de (cento e cinqüenta mil) mortos e para a Armênia o número de assassinados supera (Um milhão e quinhentos mil) assassinados. A situação da Turquia mesmo com seus conflitos internos é de um país em ascensão no cenário mundial. De fato o seu contexto geográfico lhe proporciona características de poder que outros países não possuem. Seus estreitos, o Bósforo e o Dardanelos, ainda são utilizados para escoamento de produção de várias commodities entre elas, o petróleo. Está exposto em seu documento de PE o desejo de se tornar a segunda economia da Europa até O país acredita que devido ao seu crescimento, muitos turcos regressarão ao país. No que se refere à Cooperação Regional a Turquia participa de alguns esforços para a integração nas regiões em que está inserida. Participa da: Cooperação econômica do Mar Negro; Iniciativa de cooperação do Sudeste da Europa; Fórum de vizinhos do Iraque; Plataforma de cooperação e estabilidade do Cáucaso; Segurança em energia com petróleo e gás natural. Isso demonstra o esforço do país para se tornar liderança regional e apesar de negar em seus documentos os turcos desejam ser para os países do Oriente Médio, modelo de democracia. Na questão estratégica ficou evidenciada, pelos fatos históricos, a importância da Turquia para a política de contenção norte-americana. Vale ressaltar também que os turcos ao longo da história souberam aproveitar da amizade com os americanos, e com uma sensibilidade e capacidade política e diplomática admirável, pois, apesar do alinhamento não são odiados pelos países do Oriente Médio. Existe algum nível de desconfiança, mas, nada que seja visto como ameaça à segurança turca, a relação com os vizinhos é estável. A Turquia está localizada no Rimland pensado por Spykman e com suas características de poder anfíbio pode servir de país de contenção, atendendo o desejo norte-americano. A URSS localizada em grande parte do Heartland não conseguiu levar ao fim seu projeto de expansão. Os governantes turcos souberam jogar inclusive com os soviéticos, pois, em alguns momentos tiveram aproximação estratégica. Conforme afirma (Rodrigues 2003) em meados de 1963, logo após a crise dos mísseis, a Turquia obteve uma linha de crédito significativa da URSS. O Estado turco soube 613

17 desenvolver uma diplomacia pragmática, soube o momento certo de se alinhar a determinado país quando necessário e o momento de afastar. Teve capacidade de negociar acordos importantes para sua sobrevivência desde a época de Kemal Ataturk, que é lembrado ainda hoje como herói por ter a capacidade de salvar o território turco da partilha européia e/ou provavelmente de um período colonial, como aconteceu com alguns países do Oriente Médio e da África naquele período. Conforme avalia (Vizentini 1996) o Plano Marshall e a Doutrina Truman foram os alicerces e a materialização dos blocos político-militares. E para efeito desse trabalho fornece subsídios para analisar a importância da contenção para a Política Internacional e seus desdobramentos ainda podem ser percebidos. Desde o começo da estratégia a Turquia esteve ligada aos interesses dos EUA, com interesses estratégicos dos dois países. Formalmente a Turquia não estava ameaçada pela URSS, mas, ao observar o cenário que se desenhava naquele momento, vale repetir e ressaltar, os turcos precisavam, numa perspectiva realista, cuidar da sua segurança, da sua sobrevivência enquanto entidade política estatal. Referências: ALLISON, Grahan; ZELIKOW, Philip. Explaining the Cuban Missile Crises. Nova York: Editora Longman 2º Ed AMORIM FILHO, Oswaldo Bueno. Geografia Política Ampliada. Resumen de los aspectos fundamentales. Revista Paisajes Geograficos. Quito. Ano XI nº 24. Centro de Difusão Geográfica AMORIM FILHO, Oswaldo Bueno. Notas de aula. Disciplina Geopolítica PUC Minas. Belo Horizonte CLAUSEWITZ, Carl Von. Da guerra. São Paulo: Ed. Martins Fontes 3º Edição COSTA, Wanderley Messias da. Geografia Política e Geopolítica: discursos sobre o território e o poder. São Paulo: Ed. EDUSP DINIZ, Iara Vieira Coimbra; NOVAIS, Luana Carvalho. Discutindo a viabilidade da inclusão da Turquia na União Européia. Revista Fronteira, Belo Horizonte, v. 2, nº 4, p , dez EHTESHAMI, Anoushiravan. Globalization and Geopolitcs in the Middle East. Old Games, New Rules. London and New York: Ed. Taylor & Francis Group EMBAIXADA DA REPUBLICA DA TURQUIA, Tópicos da Política Externa Turca. Brasília, (Apostila) 614

18 FERNANDES, José P. Teixeira. A Geopolítica da Turquia: um desafio às sociedades abertas da União Européia. Disponível em - Acessado em 25/05/ JORDAAN, Eduard. The concept of a middle power in international relations: distinguishing between emerging and traditional middle powers. Revista Politikon, London, 30 (02), p , nov KEYDER, Caglar. The Political Economy of Turkish Democracy. New Left Review, London, I/115, p , May/June LIBERO, Chiara. Turquia. São Paulo: Editora Manole MACKINDER, Halford J. Democratic ideals and reality: a study in the politics of reconstruction. New York: Henry Holt and Company MACKINDER, Halford J. El Mundo Redondo y la Conquista de la Paz. In: WEIGERT H. W. & STEFANSSON V. Política y Poder en un mundo más Chico. Buenos Aires: Ed. Atlântida MELO, Leonel Itaussu Almeida. Quem tem medo da Geopolítica? São Paulo: Ed. EDUSP PECEQUILO, Cristina Soreanu. A Política Externa dos Estados Unidos. Porto Alegre: Ed. UFRGS PEIXINHO, Maria de Fátima. A Turquia fronteira entre dois mundos. Revista da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais. Porto: Edições Universidade Fernando Pessoa. P , PINTO, Maria do Céu. Turkey s Accession to the European Union in terms of impact on the EU s security and defense policies potential and drawbacks. Revista Brasileira de Política Internacional - nº 53, vol. 01. São Paulo p , PINTO, Maria do Céu. Political Islam and Democratization: The Case of Turkey's Democratization under a Moderate Islamic Party. Artigo apresentado MPSA Chicago Abril RODRIGUEZ, Carmem. Turquía y Estados Unidos: Desde La guerra fria hasta la actualidad. Revista Fragmento de Cultura. Goiânia, v. 13, nº 06, p , nov./dez VIZENTINI, Paulo Fagundes. Da Guerra Fria à Crise: relações internacionais do século 20 Terceira parte. Porto Alegre: Editora UFRGS WALTZ, Kenneth N. Teoria das Relações Internacionais. Porto: Editora Gradiva WESSELING, H.L. Dividir para Dominar: A partilha da África de Rio de Janeiro: Editora Revan/EFRJ ZAHREDDINE, Danny; LASMAR, Jorge Mascarenhas; TEIXEIRA, Rodrigo Corrêa. O Oriente Médio. Curitiba: Ed. Juruá

19 616

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