Fundamentação teórica para a presença do Xadrez nas actividades curriculares e extracurriculares no Real Colégio de Portugal

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1 Fundamentação teórica para a presença do Xadrez nas actividades curriculares e extracurriculares no Real Colégio de Portugal O Lúdico na Sala de Aula O lúdico tem vindo a desempenhar um importante papel no contexto escolar, como uma prática agradável de auxílio à aquisição de competências escolares. Actualmente o aspecto lúdico, com recurso aos jogos tem vindo a ocupar espaço nas planificações de aula de alguns professores, que vêem nessa metodologia uma forma de melhorar as suas aulas tornando-as mais atractivas e proporcionando aos educandos uma educação mais rica e diversificada. No quotidiano da sala de aula o brincar pode ser encarado como algo sério e de cunho pedagógico, proporcionando aos alunos um ensino que valorize os seus interesses e preferências. Quando se aprende nessas condições, aprende-se a controlar um universo simbólico e particular vivido por cada um. O homem brinca independentemente das suas condições físicas, financeiras, da sua origem ou idade. O brincar, o jogo e o lúdico estão presentes no dia-adia de todos os seres humanos, servindo para que as aprendizagens de cada um se façam de forma mais interessante e informal. Segundo Lopes (2000) existem catorze objectivos pedagógicos para a utilização de jogos em contexto de sala de aula. Segundo a autora, utlizando jogos de forma regular e em contexto escolar estamos a trabalhar os seguintes objectivos: Trabalhar a ansiedade; Reavaliar os limites; Reduzir a descrença na auto capacidade de realização; Diminuir a dependência, aumentando a autonomia; Aprimorar a coordenação motora; Desenvolver a coordenação espacial;

2 Melhorar o controlo de diferentes segmentos do corpo para a realização de tarefas; Aumentar a atenção e concentração; Desenvolver a capacidade de concentração e o senso de estratégia; Trabalhar a discriminação auditiva; Ampliar o raciocínio lógico; Trabalhar as emoções com o jogo, aprendendo a perder e a ganhar. Também Piaget (1978), nos seus estudos se mostrou favorável à ideia de construir uma escola mais activa, por meio de utilização do jogo. Concluiu que só é possível cativar o interesse e a atenção dos alunos dando-lhes oportunidade de fazerem o que gostam de uma forma agradável e salutar. O Jogo de Xadrez e o Seu Contributo nas Aprendizagens Escolares O xadrez, como jogo, é esporte, competição, expectativa, desafio criador, divertimento, higiene mental, repouso. Como ciência é estratégia, estudo, pesquisa, imaginação, descobrimento, ideal de perfeição. Como arte o xadrez é harmonia, mensagem de beleza, encanto espiritual, emoção, prazer cultural, felicidade. Idel Becker A escola dos nossos dias acolhe um público muito heterogéneo, onde o uso de estratégias diversificadas é imperioso. A utilização de jogos para conseguir atingir as competências programadas para dada etapa escolar surge como um instrumento muito eficaz. Segundo Moyles (2006, p. 131) A escola tem uma responsabilidade cada vez maior perante o seu público. A escola deverá

3 garantir que tenham o direito de aprender de maneira que seja apropriada para elas por meio do seu brincar. Ao tentar definir jogo Huzinga (2003) descreve-o como sendo uma actividade que ocorre de forma voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e espaço, segundo regras livremente consentidas e absolutamente obrigatórias. Segundo o autor, esta actividade é dotada de um fim em si mesma. Fim esse que se traduz em conhecimento e aprendizagem quando este jogo é utilizado em contexto escolar. No que se refere em específico ao jogo de xadrez, algumas investigações mostram que a sua difusão e prática no ambiente escolar contribuem de forma muito favorável para a aquisição de competências escolares. Sundberg (2006) refere diversos exemplos de estudos que o provam dos quais salientamos: Frank (1974), na sua tese de doutoramento baseada em trabalhos no Zaire com dois grupos de estudantes (controlo e experimental), com e sem instrução de xadrez, o grupo experimental apresentava um nível de conhecimento xadrezístico correspondente ao elementar e o outro grupo, o de controlo, nenhum. O grupo com instrução em xadrez apresentou um significativo aumento nas aptidões numéricas e verbais. Cristiansen (1981) após dois anos de experiências na Bélgica (Faculdade de Ciências Pedagógicas da Universidade de Ghent), obteve resultados satisfatórios ao trabalhar com grupos de 20 jovens, tanto no grupo experimental como no de controlo, com idades compreendidas entre os 10 e os 12 anos. Os seus resultados apontam para um nível de favorecimento dos níveis de qualificação e rendimento geral no contexto escolar. Fergusson (1983), no seu estudo sobre os efeitos do xadrez em níveis de rendimento escolar trabalhou com estudantes de vários níveis escolares nos Estados Unidos durante cinco anos entre 1979 e Forneceu aos seus estudantes actividades especificamente desenhadas para um Pensamento crítico, incluindo no seu desenvolvimento programas tais como a resolução de problemas futuros, problemas resolvidos com o uso de computadores, estudos independentes, escritura criativa, xadrez, etc. Usando a Avaliação do Pensamento Critico de Watson e Glaser, conseguiu mostrar a influência decisiva do xadrez sobre o pensamento crítico ainda melhor que outros métodos de enriquecimento. Os resultados indicaram um maior aproveitamento

4 (4.56%), de outros métodos e (17.3%) para o xadrez. Os testes demonstraram aumento expressivo tanto na memória como em habilidades de raciocínio verbais, especialmente entre os jogadores de xadrez mais competitivos. (Dauvergne, 2007, p. 14) Segundo Santos, Martins e Teixeira (2007), o Xadrez desenvolve de forma efectiva muitos conteúdos nas diversas áreas de ensino do 1º Ciclo de Ensino Básico e trabalhando-os de forma lúdica e leve, de maneira que a brincadeira permita o aprendizado mais amplo, consistente e seguro o uso do xadrez não é tema da exclusividade dos matemáticos, já que com ele pode-se, por exemplo, explorar tópicos de geografia (Santos, Martins e Teixeira 2007, p. 320). Bouwman, 2004 citado por Júnior e Roman (2008) refere que A prática do xadrez como suporte pedagógico valoriza a imaginação e a criatividade dos alunos, enriquece o quotidiano escolar e passa a ser uma opção a mais para a integração na escola. Também Calixto (2004), citado pelos mesmos autores afirma ser benéfico para os alunos a utilização do xadrez como objecto comum entre as diversas disciplinas: Matemática, Historia, Geografia, Línguas Estrangeiras, Educação Artística, Artes, Informática e a Educação Física. São vários os autores (Dauvergne, 2000; Dyck, 2004 e 2005; Celone, 2005; Milat, 2005; Myers, 2005 e Salerno, 2005) que defendem que o xadrez é uma das ferramentas mais poderosas disponíveis para fortalecer a mente de uma criança e, simultaneamente, também o corpo. Segundo Susan Polgar citada por Aleu (2008) O Xadrez fomenta a elaboração de decisões, o pensamento crítico e lógico, proporciona estratégias para resolver os problemas assim como fortalece a capacidade de resistência. O Xadrez fomenta a memória e incrementa a poder de concentração e de autocontrolo. À semelhança do que ocorre noutras actividades desportivas, uma iniciação precoce ao xadrez pode ajudar a que a criança desenvolva competências nesse jogo que se estendem a outros tipos de actividade. Qualquer que seja a idade de uma criança, diversos estudos mostram que, o xadrez pode melhorar a concentração, a paciência e a perseverança, bem como desenvolver a criatividade, intuição, memória e, o mais importante, a capacidade de analisar e

5 deduzir a partir de um conjunto de princípios gerais e aprender a tomar decisões e resolver problemas com flexibilidade. (Vignoli, 2009, p. 15) Assim, passamos a citar os dez princípios gerais do Xadrez, segundo Blanco (1998): Desenvolver no indivíduo uma atitude favorável em relação ao xadrez que lhe permita apreciá-lo como elemento gerador de cultura. Desenvolver no indivíduo o seu potencial intelectual a partir do estímulo da esfera cognitiva. Garantir ao indivíduo a aquisição de conhecimentos, habilidades e destrezas básicas necessárias à incorporação na vida activa. Permitir ao indivíduo estabelecer vínculos (transferências) entre os conhecimentos e experiências xadrezísticas e a vida quotidiana, individual e social. Favorecer a assimilação das características do xadrez que contribuam para um harmonioso desenvolvimento intelectual, moral e ético da personalidade e que propiciem a sua autonomia cognitiva e capacidade de raciocínio. Dar prioridade à resolução de problemas. Uma aprendizagem orientada à resolução de problemas brinda a oportunidade de analisar, avaliar e propor alternativas de solução a soluções da vida diária. Contribuir para a elevação da auto-estima. Favorecer o desenvolvimento da linguagem xadrezistica e da sua habilidade para a argumentação. Resgatar para uso próprio e pedagógico o aspecto lúdico do xadrez. Tomar em conta e de maneira equilibrada, as diferenças individuais. As distintas teorias sociológicas e as realidades concretas duma aula sugerem a impossibilidade de catalogar os indivíduos de maneira uniforme. Tendo em mente estes princípios, percebemos que a prática desta modalidade é essencial em contexto escolar, pois promove um grande conjunto de competências necessárias à promoção do sucesso das aprendizagens.

6 À Descoberta das Inter-Relações Entre Espaços Todas as crianças possuem um conjunto de aprendizagens e de saberes que foram adquirindo ao longo da sua vida, no contacto com o mundo que os rodeia. Cabe às Escolas o papel de saber valorizar esses conhecimentos, utilizando estratégias diversificadas, de forma a permitir aos alunos a aquisição de competências cada vez mais exigentes e complexas. Ao abordar o Bloco À Descoberta das Inter-Relações Entre Espaços a criança inicialmente tem uma percepção subjectiva do espaço, que foi adquirindo ao longo dos tempos através de diversas vivências com o mundo e os objectos que a rodeiam. É importante sublinhar que as noções de espaço se constroem através da acumulação de experiências práticas em todas as situações que envolvam deslocações, localizações e distâncias. (Amorim, 2002, p. 80) Através do conhecimento de diferentes espaços familiares, a criança, irá por associação e comparação compreender outros espaços mais longínquos, que estão fora da sua realidade diária. Assim, é importante que os alunos vão representando por intermédio de desenhos, plantas, itinerários, os espaços que conhecem e vão explorando. Tarefas como descrever itinerários, localizar pontos de partida e de chegada, traçar caminhos percorridos em mapas ou plantas deverão ser actividades que as crianças consigam realizar aquando do final desta etapa. ( A importância do Xadrez na sala de aula - Sérgio Rocha 2010)

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