Elementos para Gestão de Projetos de Software sob o Enfoque Sociotécnico

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1 Elementos para Gestão de Projetos de Software sob o Enfoque Sociotécnico Felipe Yukio Obata, Elisa Hatsue Moriya Huzita, Tania Fatima Calvi Tait Grupo de Pesquisa em Gestão de Projetos de Software Departamento de Informática - Universidade Estadual de Maringá Av. Colombo, 5790 Maringá-Paraná CEP: {ehmhuzita, Abstract. The Software Project Management (SPM) uses models with the aim of developing quality software to market. However, the use of tools, methodologies and techniques practiced has not been enough to overcome the problems of the area. Allied to this, the SPM needs models that contribute to better project management. Thus, the sociotechnical approach puts elements that involve issues relating to the project manager such as selection, staffing, communication between staff and coordination of activities. Within this context, this paper presents evidence that could contribute to the SPM in sociotechnical approach: skills relevant to requirements analysts, motivating factors in a environment for software development, factors that influence professional software maintenance and the need for committees of ethics to usability evaluation, requirements elicitation and customer support. Resumo. A Gestão de Projetos de Software (GPS) utiliza modelos com a finalidade de desenvolver softwares de qualidade para o mercado. Entretanto, a utilização das ferramentas, metodologias e técnicas praticadas não tem sido o suficiente para superar os problemas da área. Aliado a isso, a GPS necessita de modelos que contribuam para o melhor gerenciamento de projetos. Assim, o enfoque sociotécnico coloca elementos que envolvem as preocupações inerentes ao gerente de projetos tais como: seleção, alocação de pessoal, a comunicação entre equipe e a coordenação das atividades. Dentro desse contexto, o presente artigo apresenta elementos que podem contribuir para a GPS sob enfoque sociotécnico: habilidades relevantes para analistas de requisitos; fatores de motivação preferidos em um ambiente de desenvolvimento de software; fatores que influenciam profissionais de manutenção de software e a necessidade de comitês de ética para acompanhar a avaliação de usabilidade, elicitação de requisitos e suporte ao cliente. Palavras-chave: Gestão de Projetos de Software, Enfoque Sociotécnico, Olhar Sociotécnico 1 Introdução Ao trazer conceitos oriundos da área de Administração de Empresas tais como o papel do gerente e suas funções tradicionais (organizar, coordenar, liderar e controlar), a GPS contribui para o controle e monitoramento de projetos de software, de forma a alcançar

2 a qualidade dos produtos de software desenvolvidos. Aliado a isso, a integração entre aspectos técnicos e organizacionais para o desenvolvimento de projetos, nos moldes tratados em Tait (2006) bem como a incorporação do papel do gerente de projetos de software como liderança possibilitaram criar uma abordagem diferenciada no planejamento e acompanhamento de projetos de software. Essa abordagem inclui aspectos de perfil gerencial, o aspecto organizacional e as ferramentas de apoio ao gerenciamento como elementos relevantes para o desenvolvimento de projetos de software. Como base dos estudos em GPS, portanto, tomou-se como referência a integração entre os aspectos técnicos e organizacionais nas atividades gerenciais que engloba as tarefas de organizar, coordenar, liderar e controlar. Por aspectos organizacionais compreendem-se aqueles relativos à estrutura organizacional tais como a missão da empresa, o planejamento, os recursos humanos envolvidos, entre outros. Os aspectos técnicos, por sua vez, envolvem elementos como a infra-estrutura tecnológica, o tipo de ferramenta de apoio adotada e assim por diante. Pesquisas na área (Maqsood et al, 2007; Pino et al, 2008; Richardson e Wangenheim, 2007; Sethuraman et al, 2008; Suzuki et al, 2006; Tonini et al, 2008) ressaltam a relevância da gestão de projetos de software para a melhoria de processo de software. Na área de engenharia de software a abordagem sócio-técnica tem sido discutida na busca de melhorar a qualidade dos produtos de software desenvolvidos (Cuckierman et al, 2007). Especificamente, na área de gestão de projetos de software, verifica-se que elementos como seleção e alocação de pessoal, comunicação e coordenação de atividades desenvolvidas pelas equipes possuem necessidades que são tanto de nível social como técnica. Dentro desse contexto, o presente artigo discute a abordagem sociotécnica na gestão de projetos de software, a partir de aspectos específicos desde a visão tradicional de gerenciamento até a própria integração entre aspectos sociais, organizacionais e técnicos. A metodologia adotada para a realização desse estudo pautou-se pelos trabalhos sobre a visão sociotécnica em engenharia de software e as peculiaridades da GPS, o que culminou com a indicação de alguns elementos que podem contribuir para uma GPS sob o olhar sociotécnico. Inicialmente, discutiu-se o significado da abordagem sociotécnica para relacionar os itens que podem compor essa abordagem no GPS relacionados com a postura gerencial e os recursos humanos envolvidos no desenvolvimento e manutenção de software. Para tanto, é tratada na seção 2, a gestão de projetos de software; na seção 3, o enfoque sociotécnico na engenharia de software; na seção 4 a GPS é tratada sob o enfoque sociotécnico, na seção 5 são apresentados elementos que contribuem para a visão sociotécnica na gestão de projetos de software e, por fim, na seção 6, são apresentadas as considerações finais. 2. Gestão de projetos de software Devido ao fato da construção de software ser um empreendimento complexo com o envolvimento do trabalho de muitas pessoas, a gestão de projetos de software (GPS) é intrinsecamente necessária. Segundo Pressman (2006), o planejamento, a monitoração e o controle do pessoal, processos e eventos que ocorrem quando o software progride de

3 um conceito preliminar para uma implementação são envolvidos na gestão de projetos de software. Laudon e Laudon (2004) identificam as funções que o gerente de projeto deve exercer nos três seguintes papéis gerenciais. Os papéis interpessoais são marcados pela representação externa que o gerente realiza, pelo contato com funcionários, na motivação e apoio. Atua como um canal de ligação na organização. No papel informativo, o gerente é disseminador de informação e porta-voz da organização. No papel decisório, toma decisões, aloca pessoal, distribui recursos, negocia e faz a mediação nos conflitos. Para gestão efetiva de projetos de software, Pressman (2006) focaliza os quatro 4Ps: pessoal, produto, processo e projeto. O fator pessoal é o elemento-chave para a GPS, pelo fato de que a competência e a capacidade do pessoal estão intimamente ligados ao sucesso do projeto de software, ou seja, um software bem-sucedido apresenta uma dependência maior em relação ao pessoal do que aos demais fatores. Todo projeto de software é constituído por interessados, sendo gerentes seniores, gerentes de projeto, profissionais, clientes e usuários finais, que pelo esforço de todos solidifica-se o software requisitado. Parte dos interessados forma a equipe de software, que é estruturada com a finalidade de desenvolvimento do software. Além disso, o gerente deve assumir o papel de líder do projeto, se preocupando não apenas com questões técnicas e imediatas, mas também com a abrangência e com todos os interessados do projeto, de forma a vivenciá-lo (Huzita et Tait, 2006). Weinberg (1986) sugere que o líder deve desenvolver a habilidade de encorajar o pessoal técnico a produzir no melhor de sua capacidade, a habilidade de moldar processos existentes ou inventar novos processos, permitindo que o conceito inicial seja traduzido em um produto final e a habilidade de encorajar o pessoal a criar e a se sentir criativo. Mesmo que a equipe seja liderada corretamente, para que ela apresente alto desempenho segundo Pressman (2006), os integrantes da equipe devem confiar uns nos outros, a distribuição de aptidões deve ser compatível ao problema e pessoas-estrelas podem ser excluídas da equipe se comprometerem a sua coesão. Para DeMarco e Lister (1998), os membros de equipes que compartilham um objetivo comum e uma cultura comum são mais produtivos e motivados do que a média das equipes. Quando o planejamento do projeto tem inicio, segundo Pressman (2006), é feita a decomposição do problema, na qual um problema complexo é dividido em problemas menores que são melhor gerenciáveis. À medida que a declaração do escopo evolui, a decomposição do problema irá facilitar o planejamento do gerente do projeto e fornecer mais detalhes para as estimativas. Faz parte, também, da função do gerente do projeto escolher o modelo de processo que melhor se adequa ao pessoal que executará o trabalho, ao cliente, às características do produto e ao ambiente em que será executado o trabalho. Segundo Pressman (2006), estabelecido o modelo de processo, a sua decomposição tem início. Cada atividade do processo é dividida em tarefas que serão realizadas para seu cumprimento. Assim, com o processo e o problema decompostos, é feita a fusão de ambos, para que o gerente, com o auxilio de outros profissionais, estime

4 a necessidade de recursos e tempo para cada tarefa, das atividades do processo, relacionada às subfunções. O projeto é o todo relacionado à construção do software, e ele deve ser bem gerido. Para fazer um gerenciamento com sucesso é bom entender o que pode dar errado em um projeto de software, evitando e prevenindo-se de futuros problemas. Reel (1999) relata alguns sinais de um projeto de sistema de informação comprometido: o pessoal do software não entende as necessidades de seus clientes, o escopo está mal definido, a equipe de projeto não tem pessoal com as aptidões adequadas, as modificações são mal gerenciadas e os prazos são irreais. O gerente do projeto não deve perder o foco da sua gestão e deve estar atento aos objetivos do projeto, marcos e cronogramas, responsabilidades e recursos necessários. De modo geral, a GPS se pauta por duas grandes funcionalidades: planejamento e acompanhamento ou monitoramento e controle de projetos. No planejamento são estabelecidos os recursos humanos, os riscos do projeto, a estimativa de custos, entre outras atividades para dar início ao projeto. No acompanhamento são estabelecidos: a forma de controle das atividades, controle dos prazos, riscos, entre outros. 3. Enfoque sócio-técnico na engenharia de software No âmbito organizacional, o sub-sistema social é formado pelos indivíduos, as relações pessoais, inter e intra-grupais, as relações sociais no trabalho e a cultura e o sub-sistema técnico é composto pela tecnologia, máquinas e equipamentos, procedimentos e tarefas. Segundo Biazzi (1994), a abordagem sócio-técnica segue tais princípios: a organização tem a capacidade de auto-regulação e, é um sistema aberto que interage com o meio ambiente, ou seja, a empresa como tal sistema deve, na melhor combinação entre os sistemas técnico e social, considerar a inter-relação entre a empresa e o seu ambiente. Essa abordagem apresenta, ainda, algumas características importantes, são elas: Foco na inter-relação entre o sub-sistemas social e técnico, e as relações entre a organização como absoluto e o ambiente em que ela opera. A organização desempenhará, de forma otimizada, somente se os sub-sistemas social e técnico forem projetados para se adaptar às demandas mútuas e ambientais. Para as organizações atingirem determinados objetivos, existem vários caminhos para projetá-las, para atingirem um fim específico existem mais de um meio. Desenvolvimento de trabalho através de grupos semi-autônomos de produção, os quais controlam as suas próprias atividades e mantêm certo grau de autonomia em relação às suas tarefas. Preocupação com a evolução e o aprendizado contínuo dos projetistas e membros da organização. Segundo Laudon e Laudon (2004), na área de sistema de informação, os sistemas sócio-técnicos envolvem a coordenação de tecnologia, organizações e pessoas, que devem cooperar e ajustar-se mutuamente para aperfeiçoar o desempenho do sistema completo. A tecnologia, por mais avançada que seja, é essencialmente sem valor a menos que as empresas possam fazer uso adequado e os indivíduos se sintam à vontade ao usá-la. Os sistemas de informação são sempre um esforço em conjunto, envolvendo

5 pessoas diferentes com habilidades técnicas, administrativas e analíticas diferentes. Dessa forma, a visão sociotécnica implica que ninguém tem, sozinho, conhecimento suficiente para criar sistemas de informação bem-sucedidos que possam resolver problemas de empresas. No âmbito da engenharia de software (ES), as questões sociais, culturais, políticas e organizacionais são importantes, porém elas não recebem a atenção devida e o reconhecimento de suas importâncias nem na literatura, nem em eventos de ES e, principalmente, na prática (Cukierman et al, 2007). Essas questões são comumente denominadas como não-técnicas pela comunidade de ES, dessa maneira é provável que a maior parte dela acredite que é possível dividir os problemas em técnicos e não-técnicos. Assim, essa divisão faz com que os problemas técnicos pareçam mais importantes que problemas não-técnicos, devido ao sentido negativo, de exclusão, que o segundo tipo de problema remete. Entretanto, o esforço necessário para o desenvolvimento de sistemas de software apresenta problemas e desafios de complexidade muito além da técnica. Como prova disso, Motta e Cukierman (2009) relatam a situação de uma grande empresa brasileira, que tentou implantar o modelo CMMI. Preliminarmente, o insucesso se deu razões técnicas. Na busca do melhor entendimento do fracasso, entrevistas foram realizadas com os funcionários e, ficou claro que a cultura da empresa foi a grande responsável pelo insucesso. A divisão, entre os aspectos técnicos e os aspectos não-técnicos na engenharia de software, não tem ajudado a enfrentar os desafios crescentes. Segundo Fuggetta (2000) os pesquisadores e praticantes tem percebido que o desenvolvimento de software é um empreendimento baseado no esforço coletivo, complexo e criativo, assim a qualidade do software depende fortemente das pessoas, organizações e dos procedimentos utilizados. Para Sommerville (2004), os gerentes de projetos devem resolver, de maneira mais efetiva possível através das pessoas de suas equipes, problemas de aspectos técnicos e não-técnicos. Portanto, para enfrentar os desafios crescentes da engenharia de software é preciso quebrar a barreira entre os aspectos técnicos e não-técnicos, é preciso tratála sob uma nova concepção, sob um novo enquadramento, sob um olhar sociotécnico, um olhar concomitantemente social e técnico (Cukierman et al, 2007). Ainda para Cukierman et al (2007), um dos grandes desafios para que a ES admita o enfoque sócio-técnico, é abrir mão das suas obsessões por modelos/planos universalizantes, que de forma prescritos visam resolver todos os problemas da engenharia, para buscar a tarefa bem mais desafiadora de enfrentar as especificidades do esforço rumo ao objetivo. Cockburn (2002) faz crítica aos modelos prescritivos de processos, ele argumenta que esses modelos têm uma deficiência: eles esquecem as fragilidades das pessoas que constroem softwares de computador. Os engenheiros de softwares não são robôs, eles exibem grande variedade de estilos de trabalho e diferenças em habilidade, criatividade, regularidade, consistência e espontaneidade, assim metodologias de alta disciplina são frágeis.

6 4. A GPS sob o olhar sociotécnico A GPS, dentro do contexto sociotécnico, deve receber intervenção e apoio de outras áreas que podem contribuir para o sucesso dos projetos. Preliminarmente, parte da posição da GPS na engenharia de software. Assim, a figura 1, abaixo, apresenta a visão tradicional da GPS como uma subdisciplina dentro da ciência da computação enquanto que a figura 3 apresenta um olhar sociotécnico pautado pela integração da GPS com outras disciplinas. O desdobramento da GPS dentro da engenharia de software deu-se a partir das discussões trazidas por Cukierman et al (2007) sobre a divisão entre técnico e não técnico na área de engenharia de software. Figura 1 Localização do GPS, segundo o olhar técnico. Fonte: adaptação de Cukierman et al. ( 2007, p. 205). Na figura 2, observa-se a integração da GPS com as demais áreas de atuação, com destaque para as áreas de administração, educação, psicologia e sociologia. Outras áreas como Direito, também, podem ser incluídas. Figura 2 Localização do GPS, segundo o olhar sociotécnico. Fonte: adaptação de Cukierman et al. (2007, p. 205).

7 A visão sociotécnica sobre a GPS levou, também, a destacar as diferenças que podem ocorrer quando se abandona a visão tradicional que considera apenas as atribuições gerenciais de controle e coordenação. Para ilustrar as diferenças, tomou-se, inicialmente, como base três aspectos relevantes para a GPS tais como: recursos humanos, riscos e os usuários, como pode ser observado no quadro 01. Quadro 01. GPS Tradicional X GPS sob o olhar sociotécnico. Elementos GPS Tradicional GPS sob o olhar sociotécnico Recursos Humanos Hierarquia Divisão de tarefas rígida Procura organizar a equipe, considerando: Integração entre a equipe; Motivação; Ambiente de trabalho; Habilidades Riscos Usuários Priorização dos riscos ligados ao Tratamento para os riscos sem priorizar técnico o técnico em detrimento ao social, considerando no mesmo nível tanto os riscos técnicos como os não técnicos. Considera os usuários como Procura dar atenção aos usuários desde fornecedores de informações e a elicitação de requisitos ao suporte. Problemáticos 5. Elementos para a Gestão de Projetos de Software A partir dos estudos sobre gerência de projetos de software (Pressman, 2006; Huzita et al., 2006) e enfoque sócio-técnico sobre a engenharia de software (Biazzi, 1994; Laudon et al., 1998; Cukierman et al., 2007; Vale et al., 2010; França et al., 2009; Oliveira et al., 2009; Silva e Filgueiras., 2008), são indicados elementos relevantes que possam auxiliar na composição de um modelo de gestão de projetos de software. Esses elementos são abordados a partir da necessidade de tratamento adequado dos recursos humanos envolvidos na atividade de desenvolvimento de software, os quais, se gerenciados adequadamente, contribuem para o sucesso dos projetos. Também, é incluída, nesse processo, a necessidade de tratamento diferenciado aos usuários vistos como parte integrante do processo de desenvolvimento de software. Dessa forma, os elementos indicados são: habilidades relevantes para Analistas de Requisitos; fatores de motivação preferidos em um ambiente de desenvolvimento de software; fatores que caracterizam e influenciam os profissionais da área de manutenção do software e a necessidade de posturas éticas Habilidades relevantes para Analistas de Requisitos O analista de requisitos é o elo entre o usuário/cliente e a equipe de desenvolvimento de software, por isso a sua função é extremamente importante em um projeto de software

8 visto a responsabilidade pelo levantamento das necessidades do usuário, modelando as funcionalidades do sistema junto às considerações técnicas, sociais e organizacionais. Vale et al (2010) apresentam habilidades necessárias para o analista de requisitos: orientação para a necessidade do cliente; postura ética; facilidade de comunicação oral e escrita e facilidade de se relacionar com as pessoas. A orientação para as necessidades dos clientes é a habilidade para identificar e atender s necessidades de seus clientes; ética é a habilidade de seguir um conjunto de regras e preceitos de ordem valorativa e moral; facilidade de comunicação oral é comunicar-se oralmente de maneira simples, concisa, não ambígua e de maneira que facilmente se entenda; facilidade de comunicação escrita é escrever de maneira simples, concisa, não ambígua e que facilmente seja entendida; facilidade em se relacionar é a habilidade para se relacionar com outras pessoas. A partir dessa classificação, o gerente de projeto de software tem o auxílio para selecionar um analista de requisitos competente e mais adequado para tal papel, tornando o planejamento do projeto mais confiável e diminuindo os riscos quanto aos escopos mal definidos, bem como oferecer cursos e treinamento para desenvolver essas habilidades consideradas as mais relevantes por Vale et al. (2010). 5.2.Fatores de motivação preferidos em um ambiente de desenvolvimento de software Equipes de alto desempenho, para o desenvolvimento de software, é um elemento diferencial para que o gerente consiga cumprir, de forma efetiva, o cronograma do seu projeto e facilitar a coordenação das atividades. Essas equipes têm a motivação como característica intrínseca e necessária, assim, a partir de uma pesquisa qualitativa, identificaram-se fatores de motivação para os diferentes papeis que são exercidos no ambiente de desenvolvimento de software. Esses fatores poderão ajudar o gerente de projeto motivar o pessoal que se envolve no projeto, de forma que equipes mais produtivas sejam estruturadas. Dentre eles, podem ser citados: envolvimento do pessoal na tomada de decisões; incentivo às trocas de idéias; expansão de canais de comunicação; comemoração das conquistas; plano de carreira; condições adequadas de trabalhos; treinamentos, entre outros Fatores que caracterizam e influenciam os profissionais da área de manutenção do software A manutenção de software é uma área abrangente que consome muito dos custos de um sistema e absorve muitos profissionais, porém ela ainda é vista de maneira negativa, como se fosse um problema. Pelo fato da manutenção de software garantir um software de qualidade e permitir que o software evolua para que se torne adequado aos tempos atuais ou não se torne ultrapassado, Oliveira et al. (2009), por meio de suas pesquisas encontrou os seguintes fatores e sentidos, que marcam essa imagem negativa em relação a manutenção de software: A manutenção tem forte ligação com a correção de erro.

9 A correção de erros é identificada como um problema pelos mantenedores de software. E ela é tratada como crítica, urgente e prioritária na organização, pelo fato de que qualquer outra atividade, que esteja sendo feita, precisa ser parada até que os problemas causados por erros sejam corrigidos. Por isso, a manutenção se torna muito mais notada pela concepção de correção de erros. Os profissionais acreditam que investimentos em testes minimizam todas as manutenções que precisam ser feitas no sistema. Isso fortalece impressão da manutenção entendida primeiramente como correção de erro, já que testes são voltadas somente para correção de erros. Profissionais, que trabalham com tecnologia de ponta, se sentem valorizados pelo mercado de trabalho e isso faz sentirem-se relevantes profissionalmente. No entanto, é difícil a manutenção utilizar tecnologias de ponta, fazendo que os mantenedores sintamse inferiores, ou seja, excluído da classificação social de profissionais valorizados. A manutenção é designada para profissionais inexperientes. Ela é vista como um aprendizado, por gerar satisfação ao corrigir os erros, bem como motivação por ganhar experiência aprendendo com esses erros. Dessa maneira, reforça a associação da manutenção à correção de erros. Ainda, por esse fato, ela é vista como uma atividade de inicio de carreira profissional, inferindo-se que o crescimento está fora dela e isso implica que bons profissionais não permanecem na área de manutenção. Através desses fatores e sentidos, é possível o gerente de projeto utilizá-los, a seu favor, para tomar decisões, como selecionar, alocar, coordenar e lidar, em relação ao profissional de manutenção de software, de maneira que possa estimular mais qualidade em seu trabalho Posturas éticas Aqui são trazidas duas discussões sobre ética na engenharia de software: a ética no envolvimento com seres humanos e as posturas éticas por parte do gerente de projetos de software. Na primeira discussão é indicado que a área de engenharia de software abrange três situações em que há o envolvimento de seres humanos em seu processo (Silva e Filgueiras, 2008): elicitação de requisitos, avaliação de usabilidade e suporte ao cliente. Na primeira situação, pessoas são observadas enquanto desempenham suas atividades ou são entrevistadas com o propósito de se compreender suas necessidades. Na segunda situação, os protótipos da interface de usuário ou mesmo o sistema em sua versão final são usados por pessoas com o perfil de usuários reais, para conhecer a qualidade do projeto de interfaces e seu impacto sobre a experiência de uso. Na terceira situação, questionários on-line e presenciais são apresentados a pessoas para que dêem sua opinião, ou ainda recurso de monitoramento remoto do uso são instalados para se registrar e relatar o uso real. A indicação de comitês de ética para avaliação de usabilidade e, possivelmente, para elicitação de requisitos e suporte ao cliente torna-se premente na medida em que os projetos envolvem muitas pessoas com participação, inclusive, nas pesquisas nos moldes apresentados por Silva e Filgueiras (2008). Os comitês de ética têm a finalidade de impedir que excessos sejam cometidos quando há o envolvimento de pessoas em pesquisas. A consideração dos aspectos éticos auxiliará os profissionais, que atuam com

10 envolvimento de pessoas no projeto de software, tornando a comunicação de desenvolvedor cliente mais confiável. Na discussão sobre posturas éticas por parte de gerentes, para Tait et al (2008) existem, desafios para a GPS tais como: o respeito à propriedade intelectual; a adequada alocação de pessoal sem discriminação; o uso de ferramentas e metodologias para o desenvolvimento de software; a preservação da qualidade dos dados e dos sistemas; a utilização de recursos e o respeito ao cumprimento dos prazos. A principal barreira em ambas as discussões é o não reconhecimento da necessidade de posturas éticas cuja ausência pode causar constrangimento, sofrimento, traumas e danos não só aos usuários, mas também aos profissionais envolvidos e à imagem das empresas. Nesse sentido, são recomendadas: a criação de comitê de ética para as situações que envolvam pessoas tanto na elicitação de requisitos, avaliação de usabilidade e suporte ao cliente e a inclusão de posturas éticas como parte das atividades gerenciais. Essas medidas poderão contribuir desde a melhoria do desenvolvimento dos projetos até a motivação do pessoal envolvido. 6. Considerações Finais A gestão de projetos de software é uma tarefa complexa de tomar decisões que envolvem tanto questões técnicas quanto sociais, além de recursos materiais e humanos para realizar atividades temporárias, com a finalidade de desenvolver softwares de alta qualidade. Por isso, aspectos e questões das áreas de ciências humanas e sociais, que registram sua extrema importância e essência nas organizações e na sociedade, devem intervir de maneira profunda na GPS. Para apoiar essa intervenção, foram indicados elementos que possam auxiliar o gerente de projeto de software a realizar a sua função e contribuir para um modelo de gestão de projetos de software e a conseqüente melhoria dos processos de desenvolvimento de software. Esses elementos têm a intenção de auxiliar o gerente de projeto de software a selecionar analista de requisitos com habilidades adequadas para exercer a sua função, motivar o pessoal e a conseqüente formação de equipes de alto desempenho por meio dos fatores de motivação que influenciam os profissionais do desenvolvimento de software, tomar decisões em relação ao profissional de manutenção de software, coordenar profissionais, que atuam com envolvimento de pessoas no projeto de software, e tornar a comunicação entre o desenvolvedor e o cliente mais confiável por meio dos princípios estabelecidos pelos comitês de ética. Como trabalho futuro, além da elaboração de um modelo de gestão de projetos de software sob o enfoque sociotécnico, sugere-se, especificamente, o tratamento de estimativas de custos ressaltando suas peculiaridades quando é modificada a visão tradicional sobre essa atividade, também, relevante para a busca do sucesso dos projetos. Além disso, torna-se premente a GPS a partir desse enfoque em aplicações específicas como desenvolvimento distribuído de software, web e dispositivos móveis

11 (Andrade et al, 2012), as quais mostram a necessidade de integrar os aspectos sociais, organizacionais e técnicos para o alcance do sucesso dos projetos. Agradecimentos: ao CNPq pela bolsa PIBIC para o projeto de pesquisa. 7.Referências Andrade, S. C.; Tait, T.F.C.; Oliveira, F.M.; Blois, M. Caracterização do gerenciamento de projetos de software para m-business.viii Simpósio Brasileiro de Sistemas de Informação (SBSI). São Paulo: Biazzi, F. O Trabalho e as Organizações na Perspectiva sócio-técnica, mimeo ERA, n.34, v.1, p , janeiro/fevereiro, Cockburn, A. Agile Software Development, Addison-Wesley, Cukierman, H.; Teixeira, C. Prikladnicki, R. Um Olhar Sócio-técnico sobre a Engenharia de Software. Revista RITA,Vol. XIV, Nr. 2, 2007, p DeMarco, T. e Lister, T. Peopleware, 2. ed., Dorset House, França, C. C.; Silva, F. Q. B. da. Motivational Strategies for Software Project Team Management: an explory study. In: Workshop Um Olhar Sociotécnico sobre a Engenharia de Software, 5., 2009, Ouro Preto. Anais: WOSES, p Fuggetta, A Software Process: A Roadmap. In Finkelstein, A (ed), The Future of Software Engineering Huzita, E. H. M. e Tait T. F. C. Gerência de Projetos de Software. Bandeirantes, Escola Regional de Informática- SBC Laudon, K. C.; Laudon, J. P. Sistema de Informações Gerenciais Administrando a empresa digital. Tradução: Arlete S. Marques, São Paulo: Prentice Hall, Maqsood, M; Javed, T. Practium in Software Project Management An endeavor to effective and pragmatic software project management education. ECSEC/FSE, sete/2007. Motta, M. S.; Cukierman H. L. As resistências à implantação de um modelo de desenvolvimento de software em uma empresa pública. In: Workshop Um Olhar Sociotécnico sobre a Engenharia de Software, 5., 2009, Ouro Preto. Anais...Ouro Preto: WOSES, p Oliveira, T. M.; Anquetil, N.; Alonso, L. Os sentidos atribuídos à manutenção de software segundo a teoria das representações sociais. In: Workshop Um Olhar Sociotécnico sobre a Engenharia de Software, 5., 2009, Ouro Preto. Anais...Ouro Preto: WOSES, p Pino, Francisco J.; Garcia, F.; Paittini, M. Software Process Improvement in small and médium software enterprises: a systematic view. Software Quality. P Springer: 2008.

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