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1 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU FACULDADE INTEGRADA AVM EDUCAÇÃO SEXUAL ONLINE: DESENVOLVIMENTO DE UMA PLATAFORMA DE EDUCAÇÃO SEXUAL A DISTÂNCIA DOCUMENTO PROTEGIDO PELA LEI DE DIREITO AUTORAL Por: Poliana Guerra Canzian Orientador Profª. Fabiane Muniz São Paulo 2012

2 2 UNIVERSIDADE CANDIDO MENDES PÓS-GRADUAÇÃO LATO SENSU FACULDADE INTEGRADA AVM EDUCAÇÃO SEXUAL ONLINE: DESENVOLVIMENTO DE UMA PLATAFORMA DE EDUCAÇÃO SEXUAL A DISTÂNCIA Apresentação de monografia à Universidade Candido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em Sexualidade. Por: Poliana Guerra Canzian

3 3 AGRADECIMENTOS...a todos os professores que me influenciaram positivamente e que fizeram diferença na minha vida, em especial: - À Profª. Dra. Mara Dias Pires por me motivar com seu avançado conhecimento em Fisiologia Sexual, por seu incentivo à criação de engenhocas e à experimentação científica. - À Profª. Dra. Victoria Secaf por sua amizade, simpatia e por me ensinar a escrever trabalhos científicos. - Ao Prof. Ms. Carlos Manuel de Oliveira Nascimento por me inspirar com sua excelência no ensino, seu rigoroso raciocínio científico e grande carisma.

4 4 DEDICATÓRIA...amigos, parentes e a todos que torceram por mim.

5 5 RESUMO Educação sexual é o ensino do funcionamento sexual normal e patológico, e do comportamento e de atitudes sexuais responsáveis. A educação a distância acompanhou o desenvolvimento dos meios de transportes e da comunicação; e de geração em geração tem sido desenvolvida. O ensino da sexualidade vem acompanhando o avanço tecnológico, e iniciativas pioneiras surgem a cada dia no Brasil e no mundo. Os objetivos desse trabalho foram: verificar de que forma a área da informática pode auxiliar a educação sexual, definir quais ferramentas da alta tecnologia podem auxiliar o educador sexual e descrever o processo de desenvolvimento dessa plataforma. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, com objetivos exploratórios/descritivos e de uma pesquisa ação, quanto aos procedimentos técnicos. Adaptou-se o referencial teórico de RADFAHRER, que divide o processo em quatro fases: planejamento e desenvolvimento do design estrutural, desenvolvimento do design visual e produção de conteúdo, programação de códigos e hospedagem num servidor. Foi desenvolvido um ambiente virtual denominado de Plataforma de Educação Sexual Online, que foi hospedado no endereço: Considera-se ser necessário testar a Plataforma na prática do ensino da sexualidade, para que aprimoramentos possam ser feitos. Assim como, considera-se ser necessário o uso de metodologias de ensino adequadas aos recursos educacionais da Plataforma.

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7 7 METODOLOGIA Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, com objetivos exploratórios/descritivos e de uma pesquisa ação, quanto aos procedimentos técnicos (THIOLLENT, 2000, 2009, 2011). Para o desenvolvimento do trabalho adaptou-se o referencial teórico de RADFAHRER, que propõe o seguinte processo para a produção de um Web site: planejamento e desenvolvimento do design estrutural, desenvolvimento do design visual e produção de conteúdo, programação de códigos e hospedagem num servidor (RADFAHRER [2003?], p.171). Foram realizados levantamentos bibliográficos nas bases de dados: Biblioteca Virtual em Saúde BVS, Biblioteca Regional de Medicina BIREME e no Banco de Dados Bibliográficos da USP DEDALUS, com os seguintes descritores: educação sexual, sex education, educação sexual a distancia e sex education at a distance; e nos sistemas de buscas: Google e Google acadêmico, com os seguintes descritores: educação sexual online e sex education online. Assim como, foram realizados levantamentos nas bibliotecas: Abguar Bastos do Centro Universitário das Faculdades Metropolitanas Unidas FMU, Wanda de Aguiar Horta da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP), Central da Faculdade de Medicina da USP e da Faculdade de Educação da USP. Para a coleta de dados foram realizadas leituras exploratórias, seletivas, analíticas e interpretativas das informações. As informações selecionadas foram armazenadas num banco de dados informatizado utilizando-se a técnica de fichamento.

8 8 SUMÁRIO INTRODUÇÃO CAPÍTULO I EDUCAÇÃO SEXUAL O que é educação sexual? Formas de educação sexual Parâmetros Curriculares Nacionais do Brasil Educação sexual na prática CAPÍTULO II EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA O que é educação a distância? Denominações da educação a distância Vantagens da educação a distância História da educação a distância Gerações da educação a distância Tecnologias utilizadas na educação a distância Educação via internet CAPÍTULO III EDUCAÇÃO SEXUAL ONLINE Trabalhos realizados no Brasil e no mundo Contribuições da informática para a educação sexual Criação da Plataforma Educação Sexual Online CONCLUSÃO BIBLIOGRAFIA WEBGRAFIA... 46

9 GLOSSÁRIO

10 10 INTRODUÇÃO O homem desde os tempos primórdios já se comunicava a distância, seja naturalmente pela atração do macho pela fêmea através dos ferormônios, que regulam a distância o mecanismo neuroendócrino dos receptores ; assim como por meio da fumaça e do correio por pássaros e/ou homens mensageiros. A comunicação a distância parece ser uma necessidade que acompanha a humanidade desde os tempos mais remotos. E a Educação a distância (EaD) parece ser uma consequência dessa necessidade de se comunicar a distância, neste caso, com a finalidade de ensinar algo ao receptor da mensagem. A EaD acompanhou o desenvolvimento dos meios de transportes e da comunicação, e de geração em geração foi sendo desenvolvida com os recursos tecnológicos disponíveis: material impresso enviado pelo correio, televisão, rádio, telefone, fitas de áudio e vídeo, teleconferência por satélite, CD ou DVD e assim por diante (LUZZI, 2007). A partir da criação da internet, ocorreu uma ruptura na EaD, pois a distância física passou a ser substituída pela aproximação virtual (MÁTTAR NETO, 2003). A EaD via internet possui muitos recursos, tais como: correio eletrônico, chat, lista de discussão, fórum, web site, blog, wiki, podcast, TV web, rádio web, web conferência, jogo online, redes sociais, ambientes virtuais de aprendizagem, entre outros. O ensino da sexualidade e a orientação sexual vêm acompanhando o avanço tecnológico, e iniciativas pioneiras relacionadas com o tema surgem a cada dia no Brasil e no mundo. Assim, a Educação Sexual Online tornou-se uma realidade. No entanto, ao se buscar na internet cursos visando a educação sexual online, desenvolvidos por especialistas em sexualidade, e nos moldes dos cursos oferecidos por instituições de ensino, percebe-se uma área com

11 11 escassez de ofertas, e que precisa se desenvolver e ser melhor aproveitada pelos especialistas em sexualidade. A realização desta pesquisa foi motivada justamente pela necessidade de iniciativas nesta área. E tendo como pressuposto que os recursos utilizados na EaD pela internet podem ser usados para promover a educação sexual online, sendo os mesmos adequados e úteis para essa finalidade, realizou-se esta pesquisa que teve como questão central a seguinte indagação: Como a área da informática pode contribuir para a educação sexual? Os objetivos estabelecidos para a realização da pesquisa foram: verificar de que forma a área da informática pode auxiliar a educação sexual, definir quais ferramentas da alta tecnologia podem auxiliar o educador sexual e descrever o processo de desenvolvimento dessa plataforma.

12 12 CAPÍTULO I EDUCAÇÃO SEXUAL "Se a Educação Sexual presente nos relacionamentos cotidianos evoluir cada vez mais, tornando-se positiva e o mais construtiva possível, certamente teremos, no futuro, menos jovens e adultos necessitados de terapia sexual" (Mary Neide Damico Figueiró) Educação sexual é o ensino do funcionamento sexual normal e patológico, assim como do comportamento e de atitudes sexuais responsáveis, feita de maneira formal ou informal dentro da sociedade O que é educação sexual? Para VITIELLO (1995, p. 20-1), educação sexual é "[...] a parte do processo educativo especificamente voltada para a formação de atitudes referentes à maneira de viver a sexualidade", ou seja, "a educação sexual é a preparação do indivíduo para a vida sexual". Segundo o Programa Multirio do Governo do Estado do Rio de Janeiro, Orientação Sexual é "um conjunto de orientações desenvolvidas de forma assistemática sobre sexualidade", e este processo "é global, não intencional, e envolve toda a ação exercida sobre o indivíduo, no seu cotidiano, desde o nascimento, com repercussão direta e indireta sobre a sua vida sexual, ao longo da vida" (BIBLIOMED, 2012). Educação sexual é pois abrir possibilidades, dar informações sobre os aspectos fisiológicos da sexualidade, mas principalmente informar sobre as suas interpretações culturais e suas possibilidades significativas, permitindo uma tomada lúdica de consciência. É dar condições para o desenvolvimento contínuo de uma sensibilidade criativa em seu relacionamento pessoal. Uma aula de educação sexual deixaria então de ser apenas um aglomerado de noções estabelecidas de biologia, de psicologia e de moral, que não apanham a sexualidade humana naquilo que lhe pode dar significado e vivência autêntica: a procura mesmo da beleza interpessoal, a criação

13 13 de um erotismo significativo do amor (VASCONCELOS, 1971, p. 111). Com relação à diferença dos termos "educação sexual" e "orientação sexual", segundo o psicólogo Ricardo Castro e Silva, membro do Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual (GTPOS), mais do que diferenças teóricas entre ambos, são na verdade disputas políticas dentro do campo da sexologia educacional. O psicólogo relata que (RUSSO, 2011, p. 41): Na verdade, na verdade, ficou uma marca política, porque ficou assim: o grupo da Marta é 'orientação' e o grupo da Sbrash que, naquele momento centrava muito na figura do Nelson Vitiello (...), 'educação sexual'. O que é um jogo político de delimitação de espaço: esse aqui é o meu espaço, esse aqui é o seu espaço Formas de educação sexual As duas formas de ensinar a sexualidade estabelecidas por WEREBE e indicadas pelos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs) do Brasil, são (WEREBE apud FIGUEIRÓ, 2009): - Educação sexual formal: que faz parte do programa de uma instituição de ensino, desenvolvido através de um planejamento prévio; - Educação sexual informal: que ocorre de forma espontânea através de uma pergunta ou de uma situação ocorrida; ocorrendo no seio da família e através dos meios de comunicação de massa, como: jornais, revistas, TV, rádio, internet, entre outros. Ainda conforme os PCNs, FIGUEIRÓ (1999, p. 66) esclarece que as duas formas de educação sexual podem ser abordadas da 1ª a 8ª série: a) "de forma transversal": é quando o conteúdo de sexualidade proposto para cada série é organizado, planejado e dividido entre os professores, para ver quem vai ensinar o que. Pode ser que numa série, sejam professores de Português, História e Ciências que se sentem capazes e querem ensinar sobre sexualidade. Então ensinarão o conteúdo de sexualidade dentro de suas

14 14 próprias aulas. [...] Quando a professora é a única da sala, como acontece nas séries iniciais, deve organizar-se para ensinar os conteúdos estipulados para aquela série, dentro de algumas matérias [...]. b) como "extra-progamação": é quando todo e qualquer professor, sem ter planejado, aproveita uma situação, um fato que acontece espontaneamente, para, a partir daí, ensinar sobre sexualidade, ou passar uma mensagem positiva sobre a sexualidade; aproveita, enfim para educar sexualmente. Existem segundo a MULTIRIO apud BIBLIOMED (2012): [...] dois novos conceitos de educação sexual, segundo outros autores: o primeiro se denomina intelectual e preocupa-se com conceitos e clarezas de definições. O outro é mais combativo e procura recrutar para as lutas mundiais de transformação dos padrões de relacionamento sexual Parâmetros Curriculares Nacionais do Brasil Para os PCNs a orientação sexual: Constitui um processo formal e sistematizado que acontece dentro da instituição escolar, exige planejamento e propõe uma intervenção por parte dos profissionais da educação. O trabalho de Orientação Sexual na escola é entendido como problematizar, levantar questionamentos e ampliar o leque de conhecimentos e de opções para que o aluno, ele próprio, escolha o seu caminho. A Orientação Sexual não-diretiva aqui proposta será circunscrita ao âmbito pedagógico e coletivo, não tendo portanto caráter de aconselhamento individual de tipo psicoterapêutico (BRASIL, 1997, p. 121). Os PCNs estabelecem três eixos a serem trabalhados sobre a sexualidade nas escolas: - O corpo: A abordagem sobre o corpo deve ir além das informações sobre sua anatomia e funcionamento, pois os órgãos não existiriam fora de um corpo que pulsa e sente. O corpo é concebido como um todo integrado, de sistemas interligadas e inclui emoções, sentimentos, sensações de prazer/desprazer, assim como transformações nele ocorridas ao longo do tempo. Há que se considerar, portanto, os fatores culturais que

15 15 - As relações de gênero: intervêm na construção da percepção do corpo, esse todo que inclui as dimensões biológica, psicológica e social (BRASIL, 1997, p. 140). "[...] tem por objetivo combater relações autoritárias, questionar a rigidez dos padrões de conduta estabelecidos para homens e mulheres e apontar para a sua transformação" (BRASIL, 1997, p. 144). - As Doenças Sexualmente Transmissíveis, com ênfase dada a AIDS: As informações sobre as doenças devem ter sempre como foco a promoção de condutas preventivas, enfatizando-se a distinção entre as formas de contato que propiciam risco de contágio daquelas que, na vida cotidiana, não envolvem risco algum (BRASIL, 1997, p. 147) Educação sexual na prática A Organização Mundial da Saúde (OMS) conceituou a sexualidade de uma forma ampla e holística (PORTUGAL, 2012): A sexualidade é uma energia que nos motiva para encontrar amor, contacto, ternura e intimidade; ela integra-se no modo como sentimos, movemos, tocamos e somos tocados, é ser-se sensual e ao mesmo tempo ser-se sexual. A sexualidade influencia pensamentos, sentimentos, acções e interacções e, por isso, influencia também a nossa saúde física e mental. Mas a educação sexual promovida nas escolas do Brasil passa longe deste conceito, pois conforme (MOREIRA, 2008, p. 112): Nas escolas bem intencionadas, ainda hoje, palestras esporádicas sobre sexualidade resumem-se em estudar o corpo reprodutivo e estimular a prevenção à gravidez indesejada. O prazer é assunto negado, ou quando muito, mascarado numa linguagem subliminar de que o corpo feminino é um espaço sem muitos direitos. O Dr. Malcolm Montgomery, ginecologista e obstetra, também compartilha da mesma ideia acrescentando que "é mais fácil falar em fecundação, ovulação do que em desejo". E defende que os pais e professores

16 16 normalmente não estão preparados para educar sexualmente as crianças e jovens (MONTGOMERY, 2012). A Bióloga e professora do Departamento de Biologia Geral da Universidade Estadual de Londrina UEL, Vera Lucia Bahl de Oliveira, defende que "há necessidade urgente de cursos de formação continuada de Professores para a orientação sexual na escola" (OLIVEIRA, 2009, p. 181). E a Pesquisadora e Psicóloga, Dra. Mary Neide Damico Figueiró, diz que (FIGUEIRÓ, 2009, p. 98): A Educação Sexual é uma tarefa complexa, que envolve dificuldades e requer planejamento e preparo do educador. A formação de professores voltada para o ensino da sexualidade requer um investimento em sua formação continuada, de forma sistemática, prolongada e com assessoria para o momento em que eles se envolverem na prática efetiva. A opinião destes três profissionais demonstra a necessidade e um campo de atuação para os especialistas em sexualidade desenvolverem cursos de formação continuada em sexualidade. O próprio MEC orienta que (BRASIL, 2012, p. 303 ² ): É necessário que o educador tenha acesso à formação específica para tratar de sexualidade com crianças e jovens na escola, possibilitando a construção de uma postura profissional e consciente no trato desse tema. Os professores necessitam entrar em contato com suas próprias dificuldades diante do tema, com questões teóricas, leituras e discussões referentes à sexualidade e suas diferentes abordagens; preparar-se para a intervenção prática junto aos alunos e ter acesso a um espaço grupal de produção de conhecimento a partir dessa prática, se possível contando com assessoria especializada. A formação deve ocorrer de forma continuada e sistemática, propiciando a reflexão sobre valores e preconceitos dos próprios educadores envolvidos no trabalho de Orientação Sexual.

17 17 CAPÍTULO II EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA "Todo sistema de educação é uma maneira política de manter ou de modificar a apropriação dos discursos, com os saberes e os poderes que eles trazem consigo" (Michel Foucault) A EaD acompanhou o desenvolvimento dos meios de transportes e da comunicação; e de geração em geração está sendo desenvolvida através dos recursos tecnológicos disponíveis O que é educação a distância? A EaD é conceituada de diferentes maneiras, em cada conceito é dada ênfase a alguma característica em especial, no entanto todas as maneiras de conceituá-la convergem em pontos comuns, como segue abaixo: Autor(es)/ano Conceito Ênfase Educação a distância (Ferstudium) é uma forma sistematicamente organizada de autoestudo onde o aluno se instrui a partir do material de estudo que é apresentado, o acompanhamento e a supervisão Dohmem (1967) do sucesso do estudante são levados a cabo por um grupo de professores. Isto é possível através da Forma de estudo aplicação de meios de comunicação capazes de vencer longas distâncias (BERNARDO, 2009). Educação/ensino a distância (Fernunterricht) é um método racional de partilhar conhecimento, Peters (1973) habilidades e atitudes, através da aplicação da divisão do trabalho e de princípios organizacionais, tanto quanto pelo uso extensivo de meios de comunicação, especialmente para o propósito de Metodologia reproduzir materiais técnicos de alta qualidade, os quais tornam possível instruir um grande número de estudantes ao mesmo tempo, enquanto esses materiais durarem. É uma forma industrializada de ensinar e aprender (BERNARDO, 2009). Ensino a distância pode ser definido como a família de métodos instrucionais onde as ações dos professores são executadas a parte das ações dos Nas ações do alunos, incluindo aquelas situações continuadas professor e na Moore (1973) que podem ser feitas na presença dos estudantes. comunicação Porém, a comunicação entre o professor e o aluno entre professor e deve ser facilitada por meios impressos, aluno eletrônicos, mecânicos ou outros (BERNARDO, 2009). O termo educação a distância esconde-se sob várias formas de estudo, nos vários níveis que não

18 18 Holmberg (1977) Keegan (1991) estão sob a contínua e imediata supervisão de tutores presentes com seus alunos nas salas de leitura ou no mesmo local. A educação a distância se beneficia do planejamento, direção e instrução da organização do ensino (BERNARDO, 2009). Ele resume os elementos centrais da EAD (BERNARDO, 2009): Separação física entre professor e aluno, que a distingue do ensino presencial; Influência da organização educacional (planejamento, sistematização, plano, organização dirigida etc.), que a diferencia da educação individual; Utilização de meios técnicos de comunicação para unir o professor ao aluno e transmitir os conteúdos educativos; Previsão de uma comunicação de mão dupla, onde o estudante se beneficia de um diálogo e da possibilidade de iniciativas de dupla via; Possibilidade de encontros ocasionais com propósitos didáticos e de socialização. Formas de estudo Separação física entre professor e aluno e a possibilidade de encontros presenciais Llamas (1996) Chaves (1999) Alves, Zambalde e Figueiredo A Educação a Distância é uma estratégia educativa baseada na aplicação da tecnologia na aprendizagem, sem limitação de lugar, tempo, ocupação ou idade dos estudantes. Implica novos papéis, novas atitudes e novos enfoques metodológicos para estudantes e professores (LLAMAS apud ALVES; ZAMBALDE; FIGUEIREDO, 2004). A EaD, no sentido fundamental da expressão, é o ensino que ocorre quando o ensinante e o aprendente estão separados (no tempo ou no espaço). No sentido que a expressão assume hoje, enfatiza-se mais a distância no espaço e se propõe que ela seja contornada através do uso de tecnologias de telecomunicação e de transmissão de dados, voz e imagens (incluindo dinâmicas, isto é, televisão ou vídeo). Não é preciso ressaltar que todas essas tecnologias, hoje, convergem para o computador (BERNARDO, 2009). Uma atividade de ensino e aprendizado sem que haja proximidade entre professor e alunos, em que a comunicação biodirecional entre os vários sujeitos do Processo (professor, alunos, monitores, administração seja realizada por meio de algum recurso tecnológico intermediário, como cartas, textos impressos, televisão, radiodifusão ou ambientes computacionais) (ALVES; ZAMBALDE; FIGUEIREDO, 2004, p.6). Uso de tecnologias na educação e os novos paradigmas Separação física entre professor e aluno e o uso das tecnologias da comunicação Separação física entre professor e aluno e recursos tecnológicos

19 19 BRASIL (2005) MOORE & KEARLEY (2008) Ministério da Educação do Brasil O conceito de Educação a Distância no Brasil foi definido oficialmente no Decreto nº de 19 de dezembro de 2005 (BRASIL, 2012 ³ ): Art. 1º - Para os fins deste Decreto, caracteriza-se a Educação a Distância como modalidade educacional na qual a mediação didáticopedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos. 1º - A Educação a Distância organiza-se segundo metodologia, gestão e avaliação peculiares, para as quais deverá estar prevista a obrigatoriedade de momentos presenciais para: I avaliações de estudantes; II estágios obrigatórios, quando previstos na legislação pertinente; III defesa de trabalhos de conclusão de curso, quando previstos na legislação pertinente e IV atividades relacionadas a laboratórios de ensino, quando for o caso. Educação a distância é o aprendizado planejado que ocorre normalmente em um lugar diferente do local de ensino, exigindo técnicas especiais de criação do curso e de instrução, comunicação por meio de várias tecnologias e disposições organizacionais e administrativas especiais (MOORE & KEARLEY, 2008, p. 2). Educação a distância é a modalidade educacional na quais alunos e professores estão separados, física ou temporalmente e, por isso, faz-se necessária a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação (BRASIL, ). Tabela 2.1: Conceitos de Educação a distância. Modalidade educacional e o uso de meios e das tecnologias da comunicação Planejamento e execução da EAD Separação física entre professor e aluno e o uso das tecnologias de informação e comunicação 2.2 Denominações da educação a distância A EaD implica na manipulação do espaço e do tempo em favor da educação, e ela recebeu diferentes denominações pelo mundo (MÁTTAR NETO, 2003, p ): - Estudo ou educação por correspondência (Reino Unido); - Estudo em casa e estudo independente (Estados Unidos); - Estudos externos (Austrália);

20 20 - Teleensino ou ensino a distância (França); - Estudo ou ensino a distância (Alemanha); - Educação a distância (Espanha); - Teleeducação (Portugal); Vantagens da educação a distância A EaD possui muitas vantagens (ALVES, 2011; MORAN, 2012): Flexibilidade de horários; Conciliação do trabalho com o estudo; Ritmo do estudo definido pelo aluno; Maior autonomia do aluno; Permanência do aluno em seu ambiente familiar; Formação continuada; Educação personalizada; Economia de recursos financeiros; Materiais didáticos já inclusos no valor; Apoio dado por materiais digitais complementares; Pedagogia inovadora; Conteúdos desenvolvidos com orientação de aplicabilidade; Interatividade entre alunos, professores e técnicos de apoio; Diversificação da população escolar; Possibilidade de atender um grande contingente de alunos; Modalidade de educação democrática; Acesso ao ensino para os alunos geograficamente distantes dos grandes centros urbanos, fator este de grande relevância social;

21 21 Modalidade de ensino sem riscos de reduzir a qualidade dos serviços oferecidos se clientela atendida aumentar drasticamente; Instrumento de promoção de oportunidades, tanto estudantis, como profissionais. dizendo que: Por isso, ALVES (2011, p. 91) conclui muito bem sua pesquisa [...] a Educação a Distância oferece oportunidades que pelo modelo presencial seria difícil ou impossível de atingir, pois possui uma ampla abrangência e grandiosa magnitude não somente no nosso país, mas em todo o mundo História da educação a distância A EaD tem sua origem no final do século XVIII e a partir dessa época tem se desenvolvido tanto quantitativamente, quanto qualitativamente, conforme segue abaixo (GOLVÊA & OLIVEIRA, 2006; VASCONCELOS, 2010): Local e ano Iniciativa relacionada a EaD Algumas obras citam as epístolas de São Ásia Menor (século I) Paulo às comunidades cristãs da Ásia Menor, registradas na Bíblia, como a origem histórica da EaD. Curso promovido pela Gazeta de Boston, Boston - Estados Unidos da América (1728) onde o Prof. Caleb Philipps, de Short Hand, oferecia material para ensino e tutoria por correspondência. Foi inaugurado o Instituto Líber Hermondes, Suécia (1829) que possibilitou a mais de pessoas realizarem cursos através da EaD. Foi inaugurada a primeira escola por Reino Unido (1840) correspondência na Europa, na Faculdade Sir Isaac Pitman. Reino Unido (1843) Foi criada a Phonografic Corresponding Society. A Sociedade de Línguas Modernas patrocina Berlim Alemanha (1856) os professores Charles Toussaine e Gustav Laugenschied para ensinarem Francês por correspondência. É criada a Divisão de Ensino por Chicago - Estados Unidos da América (1892) Correspondência para preparação de docentes no Departamento de Extensão da Universidade de Chicago. União Soviética (1922) Há o início de cursos por correspondência. Programas escolares pelo rádio são desenvolvidos como complemento e Japão (1935) enriquecimento da escola oficial pelo

22 22 Paris França (1947) Noruega (1948) África (1951) Chicago - Estados Unidos da América (1956) Argentina (1960) Países da Oceania (1968) Reino Unido (1969) Reino Unido (1971) Espanha (1972) México (1972) Paquistão (1974) Venezuela (1977) Costa Rica (1978) Sri Lanka (1980) Colômbia (1983) Holanda (1984) Indonésia (1984) Europa (1985) Índia (1985) Europa (1987) Europa (1987) Portugal (1988) Japanese National Public Broadcasting Service. Aulas de quase todas as disciplinas literárias da Faculdade de Letras e Ciências Humanas de Paris passaram a ser transmitidas por meio da Rádio Sorbonne. Foi criada a primeira legislação para escolas por correspondência da Noruega. É fundada a Universidade de Sudáfrica, atualmente a única universidade a distância da África e que se dedica exclusivamente a esta modalidade. A Chicago TV College começou a transmitir programas educativos pela televisão, esta iniciativa fez surgir unidades de ensino a distância em outras universidades do país. Surge a Tele Escola Primária do Ministério da Cultura e Educação, que integrava os materiais impressos à televisão e à tutoria. Foi fundada a Universidade do Pacífico Sul, uma universidade regional que pertence a 12 países-ilhas da Oceania. Foi criada a Fundação da Universidade Aberta do Reino Unido. Foi fundada a Universidade Aberta Britânica. Foi fundada a Universidade Nacional de Educação a Distância da Espanha. O Programa Universidade Aberta foi inserido na Universidade Autônoma do México. A Universidade Aberta Allma Iqbal passou a formar docentes através da EaD. Foi criada a Fundação da Universidade Nacional Aberta da Venezuela. Foi fundada a Universidade Estadual a Distância da Costa Rica. A Universidade Aberta passou a investir nas profissões tecnológicas e na formação docente, setores estes importantes para o desenvolvimento do país. Foi fundada a Universidade Estatal Aberta da Colômbia. Foi fundada a Universidade Aberta da Holanda. Foi fundada a Universidade de Terbuka. Foi criada a Fundação da Associação Europeia das Escolas por Correspondência. Foi fundada a Universidade Nacional Aberta Indira Gandh. Foi divulgada a resolução do Parlamento Europeu sobre Universidades Abertas na Comunidade Europeia. Foi criada a Fundação da Associação Europeia de Universidades de Ensino a Distância. Foi criada a Fundação da Universidade Aberta de Portugal. Foi implantada a rede Europeia de Educação

23 23 a Distância, baseada na declaração de Europa (1990) Budapeste e no relatório da Comissão sobre educação aberta e a distância na Comunidade Europeia. Tabela 2.2: História da EaD no mundo. A EaD no Brasil foi normatizada pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96). Essa modalidade é regulada pelo Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro de 2005; pelo Decreto nº 5.773, de maio de 2006; pelo Decreto nº 6.303, de 12 de dezembro de 2007, e pela Portaria Normativa nº 40, de 12 de dezembro de 2007 (BRASIL, ). Consta no art. 80 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional que, o Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino, e de educação continuada (MÁTTAR NETO, 2003, p. 127). Tabela 2.1: O surgimento das ferrovias no Brasil (CAMMAROTA, 2003, p. 9). A criação da EaD no mundo e no Brasil foi possível com o desenvolvimento dos meios de transportes (trens) e de comunicação (correio) (LITWIN, 2001; MÁTTAR NETO, 2003) O Jornal do Brasil registra, na primeira edição da seção de classificados, anúncio que oferece profissionalização por correspondência para datilógrafo. Foi criada a Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, por um grupo liderado por Henrique Morize e Edgard Roquette-Pinto, e que

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