LITERATURA COMPARADA

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1 VICE-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃO E CORPO DISCENTE COORDENAÇÃO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA LITERATURA COMPARADA Conteudista Neuza Maria de Souza Machado Rio de Janeiro / 2009 TODOS OS DIREITOS RESERVADOS À UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO

2 UNIVERSIDADE CASTELO BRANCO Todos os direitos reservados à Universidade Castelo Branco - UCB Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, armazenada ou transmitida de qualquer forma ou por quaisquer meios - eletrônico, mecânico, fotocópia ou gravação, sem autorização da Universidade Castelo Branco - UCB. Un3l Universidade Castelo Branco Literatura Comparada / Universidade Castelo Branco. Rio de Janeiro: UCB, p.: il. ISBN 1. Ensino a Distância. 2. Título. CDD Universidade Castelo Branco - UCB Avenida Santa Cruz, Rio de Janeiro - RJ Tel. (21) Fax (21)

3 Apresentação Prezado(a) Aluno(a): É com grande satisfação que o(a) recebemos como integrante do corpo discente de nossos cursos de graduação, na certeza de estarmos contribuindo para sua formação acadêmica e, consequentemente, propiciando oportunidade para melhoria de seu desempenho profissional. Nossos funcionários e nosso corpo docente esperam retribuir a sua escolha, reafirmando o compromisso desta Instituição com a qualidade, por meio de uma estrutura aberta e criativa, centrada nos princípios de melhoria contínua. Esperamos que este instrucional seja-lhe de grande ajuda e contribua para ampliar o horizonte do seu conhecimento teórico e para o aperfeiçoamento da sua prática pedagógica. Seja bem-vindo(a)! Paulo Alcantara Gomes Reitor

4 Orientações para o Autoestudo O presente instrucional está dividido em duas unidades programáticas, cada uma com objetivos definidos e conteúdos selecionados criteriosamente pelos Professores Conteudistas para que os referidos objetivos sejam atingidos com êxito. Os conteúdos programáticos das unidades são apresentados sob a forma de leituras, tarefas e atividades complementares. A Unidade 1 corresponde aos conteúdos que serão avaliados em A1. Na A2 poderão ser objeto de avaliação os conteúdos das duas unidades. Havendo a necessidade de uma avaliação extra (A3 ou A4), esta obrigatoriamente será composta por todo o conteúdo de todas as Unidades Programáticas. A carga horária do material instrucional para o autoestudo que você está recebendo agora, juntamente com os horários destinados aos encontros com o Professor Orientador da disciplina, equivale a 60 horas-aula, que você administrará de acordo com a sua disponibilidade, respeitando-se, naturalmente, as datas dos encontros presenciais programados pelo Professor Orientador e as datas das avaliações do seu curso. Bons Estudos!

5 Dicas para o Autoestudo 1 - Você terá total autonomia para escolher a melhor hora para estudar. Porém, seja disciplinado. Procure reservar sempre os mesmos horários para o estudo. 2 - Organize seu ambiente de estudo. Reserve todo o material necessário. Evite interrupções. 3 - Não deixe para estudar na última hora. 4 - Não acumule dúvidas. Anote-as e entre em contato com seu monitor. 5 - Não pule etapas. 6 - Faça todas as tarefas propostas. 7 - Não falte aos encontros presenciais. Eles são importantes para o melhor aproveitamento da disciplina. 8 - Não relegue a um segundo plano as atividades complementares e a autoavaliação. 9 - Não hesite em começar de novo.

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7 SUMÁRIO Quadro-síntese do conteúdo programático Contextualização da disciplina UNIDADE I LITERATURA COMPARADA: HISTÓRICO Literatura Comparada (histórico): recenseamento de Rogel Samuel Literatura Comparada: olhar crítico-comparativo de Marius François Guiard (trechos do livro) Literatura Comparada: ponto de vista de Tânia Franco Carvalhal Literatura Comparada: ponto de vista de Sandra Nitrini Literatura Comparada no Brasil Textos poéticos para comparação UNIDADE II CONTISTAS BRASILEIROS MODERNOS E PÓS-MODERNOS O Regional: Afonso Arinos, Monteiro Lobato, Coelho Neto, Hugo de Carvalho Ramos, Valdomiro Silveira e Simões Lopes Neto O Urbano: Machado de Assis, Lima Barreto, João do Rio, Antônio de Alcântara Machado e Sérgio Sant Anna O Exótico: Hilda Hilst, Murilo Rubião, Roberto Drummond e Sônia Coutinho O Psicológico: Machado de Assis, Osman Lins, Autran Dourado e Clarice Lispector O Existencial: Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles O Feminino: Helena Parente Cunha e Nélida Piñon O Social: Mário de Andrade, João Antônio e Rubens Fonseca Textos ficcionais Propostas de pesquisa e trabalhos comparativos Referências bibliográficas... 66

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9 Quadro-síntese do conteúdo programático 9 UNIDADES DO PROGRAMA OBJETIVOS I - LITERATURA COMPARADA: HISTÓRICO (Literatura Comparada (Histórico): recenseamento de Rogel Samuel Literatura Comparada: olhar crítico-comparativo de Marius François Guiard (trechos do livro) Literatura Comparada: ponto de vista de Tânia Franco Carvalhal Literatura Comparada: ponto de vista de Sandra Nitrini Literatura Comparada no Brasil Textos poéticos para comparação Levar ao aluno informações teórico-comparativas que definem historicamente as situações de textos literários confrontados brasileiros e estrangeiros chamando a atenção para aspectos que os tipifiquem e que possam orientar as suas leituras; Possibilitar ao estudioso da Literatura Comparada a faculdade de analisar e confrontar as obras-dearte literárias nacionais em relação às estrangeiras e reconhecer (comparativamente) a Natureza Criativa do Fenômeno Literário Brasileiro. II - CONTISTAS BRASILEIROS MODERNOS E PÓS-MODERNOS O Regional: Afonso Arinos, Monteiro Lobato, Coelho Neto, Hugo de Carvalho Ramos, Valdomiro Silveira e Simões Lopes Neto O Urbano: Machado de Assis, Lima Barreto, João do Rio, Antônio de Alcântara Machado e Sérgio Sant Anna O Exótico: Hilda Hilst, Murilo Rubião, Roberto Drummond e Sônia Coutinho O Psicológico: Machado de Assis, Osman Lins, Autran Dourado e Clarice Lispector O Existencial: Clarice Lispector e Lygia Fagundes Telles O Feminino: Helena Parente Cunha e Nélida Piñon O Social: Mário de Andrade, João Antônio e Rubens Fonseca Textos ficcionais Propostas de pesquisa e trabalhos comparativos Levar ao aluno informações histórico-comparativas que definem as situações de textos literários brasileiros confrontados regionais, urbanos, exóticos, psicológicos, existenciais, femininos e sociais e seus respectivos autores, chamando a atenção dos analistas e/ou intérpretes para aspectos que os tipifiquem e que possam orientar as suas leituras; Possibilitar ao estudioso da Literatura Comparada a faculdade de conhecer, analisar e confrontar e interagir com os textos literários nacionais e reconhecer (comparativamente) a Natureza Criativa do Fenômeno Literário Brasileiro.

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11 Contextualização da Disciplina 11 A disciplina Literatura Comparada visa proporcionar uma visão comparativa de autores vários, cotejando escritores nacionais, portugueses e de outras nacionalidades, a partir de linhas temáticas previamente definidas (linhas escolhidas: Regional, Urbana, Exótica, Psicológica, Existencial, Feminina e Social). O outro ponto a que se dirige esta disciplina visa oferecer ao discente (do Curso de Letras do EAD da Universidade Castelo Branco) a oportunidade de elaborar sua escolha (para pesquisas posteriores) de textos literários para comparação, sejam tais textos cotejados entre os próprios autores nacionais, ou nacionais em contraponto com autores estrangeiros, ou, excepcionalmente, confrontamento de textos estrangeiros. Este conhecimento de Literatura Comparada, como já foi afirmado e reafirmado nos Instrucionais de Teoria da Literatura, se somará aos conhecimentos adquiridos em cursos anteriores, pois, além de explorar todas as possibilidades e fundamentos da Ciência da Literatura uma vez que os Estudos Comparativos de Literatura são também uma ramificação desta Ciência continuará a exercer a sua principal função pedagógica, qual seja, continuar a oferecer ao discente as condições de se disciplinar a estudar, sempre com maior empenho, e continuar a desenvolver o senso crítico no intuito de prosseguir em estudos posteriores. As informações, contidas nesta disciplina, tendem a provocar no aluno a continuação do gosto pelo crescimento intelectual e levá-lo a pesquisas posteriores, desenvolvendo e ampliando o seu conhecimento ao longo do tempo.

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13 UNIDADE I 13 LITERATURA COMPARADA: HISTÓRICO Literatura Comparada (Histórico): Recenseamento de Rogel Samuel Estudos de literatura comparada hoje são realizados pelas novas teorias, com as da estética da recepção e outras pós-estruturalistas (...). Neste capítulo, vamos expor os fundamentos e a história da literatura comparada. SAMUEL, Rogel. Literatura Comparada. Novo Manual de Teoria Literária. 4. edição revista e aumentada. Petrópolis: Vozes, 2007: Comecemos com a ideia da literatura universal. O termo literatura universal foi divulgado por Goethe, aproximadamente entre 1820 e O poeta percebia quatro fases da cultura dos povos. 1 a fase: idílica; 2 a fase: social e cívica (equivalendo ao espírito de certas ideias de Rousseau); 3 a fase: mais generalizada (sociedade organizada); e 4 a fase: universal, que seria o apogeu, o máximo e o utópico. A universalidade seria, para Goethe, o resultado de um processo dinâmico, histórico (não-natural), insistindo na comunicação entre os povos, comunicação conseguida através de esforços conscientes, numa sucessão em progresso. Os motivos, segundo Goethe, seriam a compreensão e a curiosidade, a capacidade de assimilação, de abertura, de tolerância, para a síntese ou harmonização final, para um conjunto final, para a união dos homens cultos. Após a morte de Goethe verificou-se uma crescente politização da literatura e da filosofia. No Manifesto do Partido Comunista, de Marx-Engels (1848), se fala, textualmente, do que hoje conhecemos como globalização e literatura universal : Pela exploração do mercado mundial, a burguesia imprime um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todos os países. Para desespero dos reacionários, ela retirou da indústria sua base nacional. As velhas indústrias nacionais foram destruídas e continuam a sê-lo diariamente. São suplantadas por novas indústrias, cuja introdução se torna uma questão vital para todas as nações civilizadas, indústrias que não empregam mais matérias-primas nacionais, mas sim matérias-primas vindas das regiões mais distantes, cujos produtos se consomem não somente no próprio país, mas em todas as partes do globo. Em lugar das antigas necessidades, satisfeitas pelos produtos nacionais, nascem novas necessidades que reclamam para sua satisfação os produtos das regiões mais longínquas e dos climas mais diversos. Em lugar do antigo isolamento de regiões e nações que se bastavam a si próprias, desenvolve-se um intercâmbio universal, uma universal interdependência das nações. E isto se refere tanto à produção material quanto à produção intelectual. As criações intelectuais de uma nação tornaram-se propriedade comum de todas. A estreiteza e o exclusivismo nacionais tornam-se cada vez mais impossíveis; das inúmeras literaturas nacionais e locais, nasce uma literatura universal. Na França, a partir de Mme. de Staël (De l Allemagne, 1814) a literatura comparada se desenvolveu sob influência do positivismo e da filologia. Interessou-se pela sociologia o estudo comparativo. Saint-Simon e Taine estabeleceram a norma vigente: raça (mas no sentido de espírito, como o espírito francês, a alma inglesa etc.), o meio e o momento histórico. Raça, para Taine, diz René Wellek na História da crítica moderna (vol. 4), é o espírito de um povo revelado por sua literatura (não se trata de racismo ; nem de raça no seu sentido antropológico, como raça negra, raça branca etc.). Houve, na França, além das contribuições de Mme. de Staël, a presença de Ampère (Curso de literatura francesa, 1846), de Sismondi (De la littérature du Midi de l Europe literatura provençal, espanhola, italiana e catalã). Os cursos de literatura comparada começam no início do século XIX. Villemain (1829) proferiu um curso sobre a influência dos escritores franceses no estrangeiro. Mas só em 1897 tais cursos passam para as universidades: Joseph Texte foi seu primeiro titular, cujo propósito era fornecer dados para uma psicologia das raças e dos homens. O catalisador da literatura universal seria a literatura comparada. No fim do século XIX, apareceram Gaston Paris e Ferdinand Brunetière. Gaston Paris definiu a literatura comparada como nova ciência que se interessa pelo folclore, pela mitologia e pela história do espírito. E Brunetière, na conferência La littérature européenne define a literatura comparada com referência aos seus valores estéticos. No entre-guerras, Baldensperger funda o Instituto de Literatura Moderna e Comparada. E em 1925, no Colégio de França, abre-se a cadeira de literatura comparada, através da transformação da filologia clássica. O primeiro titular foi Marcel Bataillon, que se inte-

14 14 ressou pela América Latina, escrevendo uma História das literaturas meridionais e da América Latina. Finalmente, em 1931, aparece o livro de Van Tieghem, La Littérature Comparée. Para Van Tieghem, a literatura comparada consiste em analisar as influências ocorridas entre duas literaturas (somente), no que se refere aos seguintes problemas: a) gêneros e estilos (genealogia); b) temas, tipos e lendas ou mitos (tematologia); c) ideias e sentimentos (mentalidades); d) sucessos e influências (doxologia, que na teologia patrística era a exaltação e o elogio de Deus; dóxa era a fama; a repercussão, o sucesso, a opinião) trata da recepção, da repercussão; e) fontes (cronologia); f) intermediários (mesologia: de méson, entre meios, entre dois polos). Para Van Tieghem a literatura comparada, ao contrário da literatura nacional e da ciência da literatura, não examinaria o valor estético, mas a historicidade, a influência e o empréstimo. A historiografia enfocava a posição do romance La nouvelle Héloïse dentro do romance francês do século XVIII. A literatura comparada examinava as relações de Richardson com Rousseau. A literatura geral (littérature generale) estudava o romance sentimental na Europa sob a influência de Richardson e Rousseau. Para Van Tieghem, a literatura comparada é também um encaminhamento em direção a um conhecimento mais geral, o da história literária internacional. A literatura comparada especula sobre as relações binárias, entre dois elementos somente, e estes elementos podem ser obras, escritores, grupos de obras, ou de homens, e mesmo literaturas inteiras. Tais relações se referem à substância ou à forma da obra de arte. A observação de relações binárias entre um emissor e um receptor (com, às vezes, indicação de um transmissor). Tais estudos nascem da necessidade de compreender a influência ou a transmissão (de gêneros, de estilos, de ideias e de sentimentos). (...) Claude Pichois e A.A.-A. Rousseau, autores de A literatura comparada (Madri, 1969), veem a literatura na interdependência das relações interliterárias, interculturais e interdisciplinares (história da literatura geral: tópica, gêneros, períodos etc; história das ideias: filosofia, artes etc; estruturalismo literário: tematologia, figuras, tipos, tradução etc.). Veem também a autonomia da literatura como forma de expressão. Seu método é o da comparação, como método heurístico, para analisar as normas literárias gerais. Objetivam a compreensão (a hermenêutica), através da consideração de fenômenos internacionais, de conhecimento das funções fundamentais do fato literário. Rüdger (1971) prefere estudar (comparar) várias literaturas nacionais, analisando elementos como metáforas e gêneros. Estabelece relacionamentos históricos e sociais, fazendo uma história comparada da literatura (não uma história da literatura comparada). Vê a literatura como fenômeno uno e indivisível (regional e historicamente). Seu critério de valorização é o decoro, isto é, a adequação entre assunto e expressão, o logro estético, a eficiência histórica. Combina métodos filosóficos, analíticos e sintéticos. Procura uma compreensão mais adequada da obra de arte literária, pesquisa inter-relacionamentos. Finalmente, a estética da recepção, praticada por Jauss, estuda a literatura do ponto de vista de quem recebe (escritor ou público) e será descrita depois. Segundo Wellek, os pronunciamentos programáticos de Van Tieghem e de outros malograram. Ele diz que não se pode distinguir um estudo de literatura geral de um de literatura comparada. Para Wellek só há a literatura (assim como há a filosofia, a música). As diferenças linguísticas que distinguem as diversas literaturas nacionais não chegam a isolá-las. Os estudos de literatura comparada são, também, estudos de crítica literária, em que a forma assume o papel primordial. A forma expressa um conteúdo histórico inseparável, e comparar as formas de manifestação significa comparar os conteúdos significados. Bastante contraditórias têm sido as conclusões de alguns congressos internacionais de literatura comparada. Alguns pesquisadores proclamam ali a sua vitalidade e expansão, enquanto outros apontam para seu desaparecimento, através de uma certa crise de identidade. Isso ficou patente no XV Congresso da Associação de Literatura Comparada Internacional, realizado na Universidade de Leiden, em Leiden, Holanda, de 16 a 22 de agosto de 1997, que teve a participação de pesquisadores do mundo inteiro, com seiscentas manifestações. O presidente da Associação, Gerald Gillespie (de Stanford), dedicou a sua Mesa-Redonda a este tema. O pesquisador de Bloomington Henry H. H. Remak expressou a opinião de que a influência dos modernos estudos literários, desde os anos sessenta, estão dissolvendo gradualmente a literatura comparada no domínio de outras ciências sociais, e ameaçando seus padrões, que são difíceis de dominar, com a maestria necessária, como o suficiente conhecimento de vários

15 idiomas estrangeiros e da inteira complexidade, forma e conteúdo das literaturas nacional e mundial. De acordo com Remak, a literatura comparada deveria ser reduzida a novamente ser o que tradicionalmente foi, ou seja, as suas áreas de estudo e aquelas tarefas conhecidas da literatura comparada de sempre, mas de acordo com a complexidade interdisciplinar contemporânea. Douwe W. Fokkema (de Utrecht) sugeriu que a literatura comparada deveria ser o estudo da disseminação social e geográfica dos textos literários, suas convenções e leituras, que ele relaciona com a sociologia, além dos procedimentos de compreensão dos textos (aqui relacionados com a ciência cognitiva), e da posição e do papel da comunicação literária em seus vários ambientes sociais e culturais (aqui conectado com estudos culturais). Em oposição a Remak, David Damrosch, da Universidade de Columbia, falou a favor de soluções práticas do problema, o que não é tão simples. Ele acredita que mais pessoas deveriam assistir aos congressos, com espírito interdisciplinar, e que se deveriam formar grupos de funcionamento menores, internacionais, que dedicassem seu tempo a projetos de curto prazo, nos períodos históricos pequenos, entre projetos de alcances maiores. O principal tema do Congresso de Leiden foi Literatura como memória cultural. Sobre isso falou o conhecido crítico Jonathan Culler. Acerca deste tema, disseram também alguns que o estudo da memória cultural revela movimentos importantes no desenvolvimento da literatura comparada, devido à influência do novo historicismo, do feminismo, da teoria do discurso, da psicanálise, das teorias pós-coloniais e do pós-estruturalista. A literatura comparada não vê a literatura como área autônoma da cultura continuam eles penetrada quase exclusivamente por valores estético-artísticos e espirituais, mas enxerga a literatura como expressão humana que, além do reconhecimento de sua natureza específica (ficção, poética), é entrelaçada com redes de várias culturas, sociedades, instituições, idiomas, ideologias e lutas. A literatura é penetrada por tensões entre passado e presente, o central e o marginal, o estabelecido e o proibido, o documentário e o fictício, o público e o suprimido. O tema do congresso indicou que essas características da literatura se parecem com outros meios de expressão, como o ritual, o mito, a arte, o filme e a história, que estabelecem, preservam uma identidade, uma tradição dominante de uma certa cultura ou sociedade, influências de suas mudanças, das características monolíticas ou pluralistas e das relações das políticas externas com outras comunidades e culturas. VOCABULÁRIO ONOMÁSTICO (por ordem de entrada no texto de Rogel Samuel): GOËTHE - Johann Wolfgang Goëthe Nasceu em Francfort-sur-le-Main, em 1749, e faleceu em Weimar, em 22 de março de Um dos maiores gênios da humanidade. (...) Entre o grande volume das suas realizações literárias, podem destacar-se: Goetz de Berlincheingen (1773), Werter (1775), inspirado em seu infeliz amor por Carlota Buff, Ifigênia em Táurida (1779), Egmont (1778), Hermann e Dorothea (1798), Fausto (primeira parte, 1808), Fausto (segunda parte, 1813). (Conferir: DICIONÁRIO INTERNACIONAL DE BIOGRAFIAS (G-L). São Paulo: Formar, s/d. Vol. 3: ). MARX - Karl Marx Nasceu a 05/05/1818 em Treves, Prússia, e faleceu a 14/03/1883, em Londres. Filósofo e escritor. (...) Desde cedo demonstrou possuir ideias inovadoras, eminentemente liberais. Abandonando seu país, foi viver em Paris, onde juntamente com Arnould Rudge, publicou seus famosos Annales Franco-Allemandes e, a partir de 1844, o jornal socialista Vorwoerts. Em todas estas publicações redigia artigos baseados na filosofia hegeliana, defendendo sempre o socialismo, sendo por esse motivo expulso de Paris, indo residir em Bruxelas onde se filiou a uma sociedade secreta socialista e lançou as bases para a Associação Democrática Internacional. (...) Escreveu grande número de obras, em todas elas pregando o advento de uma renovação da sociedade, e procurando demonstrar que o mal do mundo era o capitalismo. Em sua obra mestra O Capital, procura provar que o mal do mundo repousa exclusivamente na má distribuição das riquezas. (Conferir: DICIONÁRIO INTERNACIONAL DE BIOGRAFIAS (M-P). São Paulo: Formar, s/d. Vol. 4: 705). ENGELS - Friedrich Engels Nasceu em Barmen, em 28 de setembro de 1820; morreu em Londres, em 05 de agosto de Sociólogo alemão. Era amigo, colaborador e protetor de Karl Marx. Seus trabalhos, como escritor socialista, são, na maior parte, de caráter crítico. Redigiu com Marx o célebre manifesto às classes trabalhadoras, e que ficou sendo o evangelho do comunismo. Tendo de fugir para a Inglaterra, devido à tentativa de revoluções em que se envolveu, ali se entregou a ativíssima propaganda socialista, ao lado de Marx. Sua obra está de tal forma entrelaçada com a de Karl Marx que é difícil considerá-la separadamente. Publicaram ambos: A Santa Família ou Crítica à Crítica Contra Bruno Bauer e Seus Sócios, A Situação das Classes Trabalhadoras na Inglaterra (1844). (Conferir: DICIONÁRIO INTERNACIONAL DE BIOGRA- FIAS (C-F). São Paulo: Formar, s/d. Vol. 2: 393). MADAME. DE STAËL - Nasceu em 22 de abril de 1766, em Paris, e faleceu em 14 de julho de 1817, na mesma cidade. Romancista, crítica, ensaísta e poetisa francesa. (...) Tornou-se o seu salão o mais frequen- 15

16 16 tado da época, pois aí se reuniam todos aqueles que eram inimigos de Napoleão e que pretendiam estabelecer na França a monarquia constitucional. Estreia com o livro A Literatura Considerada nas suas Relações com as Instituições Sociais, quando é convidada pelo imperador a deixar o País. Esteve na Alemanha e Itália. Retornou à França somente quando os ingleses venceram a Batalha de Waterloo. Publicou então os seus mais famosos livros. (...) Escreveu: A Influência das Paixões Sobre a Felicidade dos Indivíduos; Delfina; Corina; Da Alemanha; Considerações Acerca da Revolução Francesa, publicada postumamente; e Dez Anos de Exílio. (...) Foi personalidade política de destaque na época e deixou numerosa correspondência. (Conferir: DI- CIONÁRIO INTERNACIONAL DE BIOGRAFIAS (Q-Z). São Paulo: Formar, s/d. Vol. 5: ). SAINT-SIMON - Claude Henri de Rouvroy, Conde de Saint Simon (Paris, ). Aos vinte anos de idade passou para a América combatendo ao lado de Washington. Pode ser considerado como pai do socialismo moderno. (...) Foi um utopista obcecado pela ideia de reorganização social da Europa. Publicou numerosas obras, entre as quais sobressaem: Introdução aos Trabalhos Científicos do Século XIX (1808) e Opiniões Literárias, Filosóficas e Industriais (1825). (Conferir: DICIO- NÁRIO INTERNACIONAL DE BIOGRAFIAS (Q-Z). São Paulo: Formar, s/d. Vol. 5: ). TAINE - Hippolyte Adolphe Taine Filósofo, crítico e historiador francês nascido em 1828, em Vouziers. Morreu na cidade de Paris em (...) Professou o Positivismo e como tal escreveu [entre outras obras]: Da Inteligência, O Positivismo Inglês, O Idealismo Inglês, Filosofia da Arte, (...). São célebres as suas Histórias da Literatura Inglesa e Origens da França Contemporânea. Juntamente com Renan é um dos maiores mestres das gerações intelectuais de 1860 até Sua influência continuou até nossos dias com seus discípulos Bouget, Sorel e Chevillon. (Conferir: DI- CIONÁRIO INTERNACIONAL DE BIOGRAFIAS (Q-Z). São Paulo: Formar, s/d. Vol. 5: ). RENÉ WELLEK - Nasceu em Professor, investigador e teórico da literatura, tcheco. (Conferir: DICIONÁRIO DE LITERATURA. 3. ed., vol. 3. Porto: Figueirinhas, 1973: 1361). AMPÈRE - Jean-Jacques Ampère Nasceu em Lion, em 12 de agosto de 1800, e faleceu em Paris, em 27 de março de Foi filólogo, escritor e historiador. Foi também professor de Literatura Francesa do Colégio de França. (Tradução livre obtida do site: SISMONDI - Jean-Charles Leonard Simonde de Sismondi Nasceu em Genebra, Suíça, em 09 de maio de 1773, e faleceu em 25 de junho de Escritor, economista e historiador. Frequentou o salão de Madame de Staël. Foi muitas vezes citado por Marx. (Informações obtidas no site: VILLEMAIN - Abel François ( ) Historiador da literatura e crítico francês. (Conferir: DI- CIONÁRIO DE LITERATURA. 3. ed. vol. 3. Porto: Figueirinhas, 1973: 1360). GASTON PARIS Bruno Paulin Gaston Paris Nasceu em Avenay, em 09 agosto de 1839, e faleceu em Cannes, em 05 de março de A exemplo do pai, Paulin Paris, dedicou-se a pesquisas da literatura francesa da Idade Média. (Conferir: ENCICLOPÉ- DIA DELTA-LAROUSSE. 2. ed. Vol. VII. Rio de Janeiro: Delta, 1964: 3439) FERDINAND BRUNETIÈRE (Toulon, 1849 Paris, 1906) Historiador de literatura e crítico francês. (Conferir: DICIONÁRIO DE LITERATURA. 3. ed., vol. 3. Porto: Figueirinhas, 1973: 1238). Professor e orador ardoroso e combativo, adversário nato do diletantismo e da teoria da arte pela arte, representante da crítica dogmática, jactava-se de aplicar o método evolucionista à história dos gêneros literários. Sua forte dialética, sua firme convicção e suas grandes concepções transparecem em Estudos Críticos (oito séries), O Romance Naturalista, Evolução da Poesia Lírica e Manual da História da Literatura Francesa (1899). (Conferir: ENCICLOPÉDIA DELTA-LAROUSSE. 2. ed. Vol. VII. Rio de Janeiro: Delta, 1964: ) BALDENSPERGER - Fernand Baldensperger MARCEL BATAILLON - (1895 -? ) Professor e historiador literário francês. (Conferir: DICIONÁRIO DE LITERATURA. 3. ed., vol. 3. Porto: Figueirinhas: 1231). VAN TIEGHEM - Paul Van Tieghem ( ) Historiador literário francês. (Conferir: DICIONÁRIO DE LITERATURA. 3. ed., vol. 3. Porto: Figueirinhas: 1355). RICHARDSON - Samuel Richardson ( ) Romancista inglês. (Conferir: DICIONÁRIO DE LI- TERATURA. 3. ed., vol. 3. Porto: Figueirinhas: 1332). ROUSSEAU - Jean Jacques Rousseau Escritor e filósofo francês. Nasceu em Genebra, 23 de junho de 1712, e faleceu nas proximidades de Paris, a 02 de julho de (...). (Informações obtidas no Site:

17 1.2 - Literatura Comparada: Olhar Crítico-Comparativo de Marius François Guiard (Trechos do Livro) 17 GUYARD, Marius François. A Literatura Comparada. Tradução de Mary Amazonas Leite de Barros. São Paulo: Difusão Européia do Livro, 1956: Prefácio de Jean-Marie Carré: A Literatura Comparada é um ramo da história literária: é o estudo das relações espirituais entre as nações, relações de fato que existiram entre Byron e Púchin, Goëthe e Carlyle, Walter Scott e Vigni, entre as obras, as inspirações, até as vidas de escritores pertencentes a várias literaturas. (p. 7-8) Ela não considera essencialmente as obras no seu valor original, mas, dedica-se principalmente às transformações que cada nação, cada autor impõe a seus empréstimos. Quem diz influência diz muitas vezes interpretação, reação, resistência, combate. Nada há de mais original, escreve Paul Valéry, nada de mais pessoal do que se alimentar dos outros. É preciso, porém, digeri-los. O leão é feito de cordeiro assimilado. Aliás, talvez, os estudos de influência tenham exercido atração exagerada. Eles são difíceis de ser dirigidos e, frequentemente, enganadores. Expomo-nos muitas vezes a querer pesar imponderáveis. É mais segura a história do êxito das obras, da aceitação de um escritor, da sorte de uma grande figura, da interpretação recíproca dos povos, das viagens e das ilusões. Como se veem mutuamente ingleses e franceses, franceses e alemães etc. Enfim, a Literatura Comparada não é Literatura Geral. Pode redundar nela: para alguns, deve-o. Todavia, esses grandes paralelismos (e sincronismos também), tais como o humanismo, o classicismo, o romantismo, o realismo, o simbolismo, correm o risco de serem muito esquemáticos, muito extensos no espaço e no tempo, de cair na abstração, no arbitrário ou na nomenclatura. Se a Literatura Comparada pode prepará-los, não pode, entretanto, esperar grandes sínteses. O movimento prova-se quando se anda. O necessário é não avançar em ordem dispersa, é disciplinar nossa marcha. (p.8) LITERATURA COMPARADA Marius François Guyard INTRODUÇÃO (p. 9) Finalidade: Expor os métodos e, principalmente, os resultados de uma disciplina ainda pouco conhecida do público erudito em geral. Desse modo, sem delongar em estabelecer a legitimidade da Literatura Comparada, (...) delimitá-la, tanto no aspecto nacional como no mundial, para chegar a uma definição tão simples e fiel quanto possível. No aspecto nacional: justapor e comparar duas ou até três obras pertencentes a literaturas diferentes não basta para proceder como comparatista. O inevitável paralelo, de 1820 a 1830, entre Shakespeare e Racine, pertence à Crítica ou à Eloquência. Pesquisar o que o dramaturgo inglês conheceu sobre Montaigne e o que dele transportou para seus dramas, é Literatura Comparada. Bem se vê: a Literatura Comparada não é comparação. Esta é apenas um dos métodos de uma ciência mal denominada, que mais exatamente se definiria: HISTÓRIA DAS RELA- ÇÕES LITERÁRIAS INTERNACIONAIS. RELAÇÕES: a palavra marca um limite no aspecto mundial, que estudaria os fatos comuns a várias literaturas (Cf.: P. Van Tieghem), haja entre elas dependência ou apenas coincidência. (p.9) // Onde não mais existe relação, seja de um homem com um texto, de uma obra com um público, de um país com um viajante, termina o domínio da Literatura Comparada e começa o da pura história das ideias, quando não da retórica. (p.10) RELAÇÃO = TRANSMISSÃO Origens e História A Literatura Comparada surgiu, nos seus primórdios, como uma tomada de consciência do cosmopolitismo literário, unida ao desejo de estudá-la historicamente. A Idade Média Ocidental, unificada pela fé cristã e pelo latim, é cosmopolita; um mesmo humanismo une os escritores do Renascimento; essas três primeiras épocas cosmopolitas são, portanto, inegavelmente, idades de unidade linguística ou, pelo menos, reconhecem a predominância de uma língua compreendida e amada em toda a parte. Com o Romantismo, pela primeira vez, a afirmação das originalidades nacionais coincide com a intensidade das relações entre as várias literaturas. (p.11, final) SOMENTE NO FINAL DO SÉCULO XIX NAS- CE A LITERATURA COMPARADA COMO DISCIPLINA AUTÔNOMA E ORGANIZADA.

18 18 O livro teórico do inglês M. H. Posnett, Comparative Literature (1886), marca a inauguração oficial das pesquisas comparatistas. No mesmo ano, Edouard Rod começa em Genebra seus cursos de História Comparada das Literaturas. Mais um ano e Max Koch publica, na Alemanha, a sua Revue de Littérature Comparée (1887). A tomada de consciência do cosmopolitismo pelo romantismo une-se à preocupação de utilizar o método histórico e comparativo que, em outros domínios linguística, direito, mitologia, provara a sua fecundidade. Nasceu a Literatura Comparada. (...). Em 1895, Joseph Texte sustenta, a respeito de Jean- Jacques Rousseau et les origines du cosmopolitisme littéraire (Jean-Jacques Rousseau e as origens do cosmopolitismo literário), uma tese que é na França a primeira grande obra do comparatismo científico. De 1897 a 1904 sucedem-se as diversas edições de Betz e Balldensperger; a segunda, com seus seis mil títulos, demonstra suficientemente o grau de progresso da Literatura Comparada, em Daqui em diante, Ferdinand Baldensperger publicará, durante meio século, uma série de estudos comparatistas, que teremos mais de uma vez ocasião de citar. Com Paul Hazard funda, em 1921, a Revue de Littérature Comparée francesa (Revista de Literatura Comparada) e dirige a coleção que aí está radicada. A Literatura Comparada teve realmente, no século XX, seu centro na França. Seu brilhante início na Grã-Bretanha e Além-Reno não teve futuro. A Itália, em compensação, com Benedetto Croce, Farinelli, Mornigliano, ocupou um lugar mais importante. Hoje (década de 50), na França, esta disciplina é ensinada na Sorbonne e em várias universidades da província. (op. cit., p.13) Objeto e Método A Literatura Comparada é a História das Relações Literárias Internacionais. O comparatista limita-se às fronteiras, linguísticas ou nacionais, e acompanha as trocas de temas, ideias, livros ou sentimentos entre duas ou várias literaturas. Seu método de trabalho deverá adaptar-se à diversidade de suas pesquisas. (p.15) 1. O Equipamento do Comparatista Primeiramente, ele é ou deseja ser historiador: Historiador das Literaturas // O comparatista deve possuir uma cultura histórica suficiente para colocar no seu contexto total os fatos históricos que examina. [Por exemplo: conhecer a história da Espanha e de Portugal à época dos autores examinados]. O comparatista, porém, é o Historiador das Relações Literárias e deve, pois, na medida do possível, conhecer as literaturas de diversos países (necessidade evidente). Deve saber onde encontrar as primeiras informações, como organizar a bibliografia sobre um assunto. 2. O Campo da Literatura Comparada Sigamos agora o comparatista no caminho que escolheu: dessa maneira, objeto e método se esclarecerão mutuamente. a) Os agentes do cosmopolitismo: Em todas as épocas, livros e homens contribuem para o conhecimento das letras e dos países estrangeiros. A Literatura Comparada encontra neles um primeiro objeto de estudo. 1 o ) Os livros: A Literatura Comparada pode, primeiramente, certificar-se do exato conhecimento que um autor, uma classe ou uma época tinha a respeito de sua língua e de uma língua estrangeira. Essa pesquisa oferece um evidente interesse literário: entusiasmamo-nos frequentemente com um romance traduzido, mas, só o avaliamos realmente lendo-o no original. - observar o problema da tradução; - observar as obras críticas (fontes de informação); - inventariar os livros, os artigos; - analisá-los, apreciar-lhes o valor, medir-lhes as influências. 2 o ) Os homens Procurar conhecer o que o autor conhecia da língua, do país e dos homens. AUTOR: intérprete de seu país junto a outro; AUTOR: intérprete de uma cultura estrangeira junto à sua pátria. Métodos do comparatista: - ser um pouco biógrafo; - avaliar a fidelidade de um tradutor; - avaliar a inteligência de um crítico; - avaliar a veracidade de um viajante; - possuir conhecimento da história da literatura que está sendo avaliada. b) O destino dos Gêneros GÊNEROS (pela ótica da Literatura Comparada, relacionada ainda com as normas do Realismo- Naturalismo): nascem, crescem e morrem, às vezes, sem razão aparente. A História é feita à custa de muitas coisas mortas. Na falta de gêneros, não empregam os romancistas certos processos, não seguem modas? Simultaneísmo, monólogo interior, simbólica dos sonhos, são outras tantas fórmulas cujas origens estrangeiras o futuro comparatista poderá pesquisar. A noção de gênero, outrora tão importante, apaga-se diante da técnica. O romancista, poeta ou dramaturgo, o escritor, doravante, preocupa-se menos em ser fiel às conven-

19 ções de uma forma bem definida, do que adotar certa posição diante dos acontecimentos. Seja essa posição a da duração ou da psicanálise, é necessário, para mantê-la, submeter-se a certas regras, e descobrimos que o problema dos gêneros está transposto, mas não abolido. (p.22) O interesse das pesquisas sobre o destino dos gêneros é, portanto, histórico, mas também atual. Tais investigações supõem preenchidas duas condições: um gênero bem definido e um público nitidamente delimitado no tempo e no espaço. MÉTODO: O método consistirá em: 1 o ) Definir o Gênero (pela ótica da Literatura Comparada). Se se trata de uma moda muito vaga, até mesmo de um estilo, a pesquisa está exposta a perder-se no deserto. Como estudar rigorosamente uma influência de estilo, quando, por definição, trata-se de textos estrangeiros, o mais das vezes conhecidos em traduções? (p.22) 2 o ) Fazer a prova do EMPRÉSTIMO. O empréstimo pode ser direto ou indireto. * Empréstimo direto: quando Victor Hugo delibera transportar para a cena francesa o drama shakespeareano. * Empréstimo indireto: quando os seguidores de Victor Hugo retomam a fórmula. Quanto mais nos distanciamos do primeiro imitador, tanto menos é reconhecível a imitação, acabando por haver muito de Victor Hugo e nada de Shakespeare em algum dramaturgo romântico sem importância. 3 o ) Apreciar a ação recíproca do gênero e do autor. Se se trata de uma escolha livre, por que a fez o autor? Que enriquecimento ou limitações encontrou nela? Tratando-se de uma moda ou de uma influência sofrida, que proveito tirou da necessidade em que estava colocado? Foi esmagado por uma forma tirânica? Explorou-lhe todos os recursos? // Estudar o destino de um gênero exige, pois, uma análise rigorosa, um método histórico muito severo, uma verdadeira penetração psicológica (psicologia comparada). c) O destino dos temas * Todas as grandes literaturas ocidentais têm o seu Fausto, o seu Dom Juan. De onde provêm esses tipos, que são encontrados em toda parte, esses mitos cuja significação é discutida em cada época, pelos mais diferentes autores? Neste caso, a direção da pesquisa é imprimida pelo assunto e não pela forma. * Estudar Fausto nos escritores alemães e franceses significa seguir, de Goëthe a Paul Valéry, um tema essencialmente literário, capaz de ajudar a valorizar ou descobrir traços característicos de psicologia individual ou nacional. d) O destino dos autores 1. Ponto de partida // A obra de um escritor ou apenas uma de suas obras; 2. Público // O público poderá ser mais ou menos extenso; // um país; // um grupo; // um escritor. Teremos, dessa maneira, estudos de princípios idênticos, mas de extensão e alcance muito diversos. 3. Distinguir cuidadosamente entre: DIFUSÃO, IMITAÇÃO, ÊXITO, INFLUÊNCIA. - Um best-seller é um livro de êxito, mas sua influência literária pode ser nula. - A poesia de Mallarmé teve uma difusão muito restrita, inspirando, não obstante, inúmeros poetas estrangeiros. Estudar a difusão, as imitações, o êxito de uma obra é trabalho que requer paciência e método; descobrir uma influência é muito mais delicado. * ESPÉCIES DE INFLUÊNCIA: - Pessoal - (Por exemplo: o culto das obras de Guimarães Rosa durante sua vida e postumamente); - Técnica - (Por exemplo: o prestígio do drama shakespeareano junto aos românticos franceses); - Intelectual - (Por exemplo: a difusão do espírito voltaireano nas estéticas literárias subseqüentes); - Influência referente aos TEMAS ou aos QUADROS. (Por exemplo: o empréstimo de assuntos do teatro espanhol por parte dos dramaturgos do século XVII; a moda das paisagens oceânicas na época pré-romântica). 4. Os métodos deverão adaptar-se a pesquisas igualmente variadas. - Conhecimento profundo da obra e do homem cujo destino se estuda; - Conhecimento do público; - Inventário escrupuloso dos livros, jornais e revistas; - Atenção constante à cronologia; - Prudente distinção entre influência e êxito e entre as diferentes espécies de influência quando da exposição das conclusões. e) Fontes Por uma dialética inversa, pode-se considerar um escritor não mais como emissor, mas como recebedor de influência e descobrir suas fontes estrangeiras. ATENÇÃO: Problematiza-se aqui o mistério da CRIAÇÃO. O empréstimo e/ou influência nem sempre poderá ser visto como sinal de falta de criatividade do escritor. (Neuza Machado) 19

20 20 Movimento de ideias Ideias ou correntes de sensibilidade. O jogo das influências torna-se muito difícil de acompanhar e é através de vários países ou várias literaturas que o comparatista deve seguir o movimento que pretende estudar. Não confundir coincidência e influência. A coincidência pode ser instrutiva e acrescentar à história de cada literatura um sentido do relativo que lhe falta quando ela se isola. f) Interpretação de um país (p.28) Cada povo atribui aos outros caracteres mais ou menos duradouros, cuja veracidade cede, muitas vezes, à lenda. Por exemplo: um cançonetista desejoso de rimar a qualquer preço pode dar origem a uma reputação. Todos na França sabem que les portugais / sont des gens gais (os portugueses são pessoas alegres trocadilho francês). Há, amiúde, causas mais profundas: um francês não tem a mesma predisposição que um alemão para gostar e compreender os mesmos traços do caráter inglês. Na elaboração destes tipos nacionais, a literatura desempenha um papel decisivo. (Por exemplo: opiniões de determinados autores sobre determinados países). Estudar o nascimento e o desenvolvimento dessas interpretações de um país constitui uma das tarefas da Literatura Comparada. 1 o ) Por uma literatura estrangeira (Por exemplo: Como os argentinos veem os brasileiros? Que traço se lhes atribuem? E vice-versa?) // A Literatura Comparada pode ajudar dois países a operar uma espécie de psicanálise nacional. Conhecendo melhor a origem de seus mútuos preconceitos, cada qual se conhecerá melhor e será mais indulgente com o outro, que nutriu prevenções análogas às suas. (p.29) 2 o ) Por um autor estrangeiro. A interpretação de um país estrangeiro pelo autor: * Mais do que descobrir em sua obra as influências sofridas, mais do que observar o que um autor deve a um outro estrangeiro, o comparatista deverá olhar: - Como ele descobriu o país? - Como ele aprendeu a língua? - Como travou amizades? * Depois, quando voltou a seu país: - Que aspectos do outro país deu a conhecer e por que esses e não outros? * Se por acaso falar em influências, fazê-lo de forma positiva: - realçar o caráter da obra; - levar em conta a cronologia; - o êxito da obra e do autor; - as interpretações particulares. ATENÇÃO: Se uma obra, de uma dada época, se reflete positivamente numa obra bem posterior, as influências são admissíveis. Aquelas não retiram da nova obra seu caráter ímpar. (Neuza Machado) ASSUNTO PRINCIPAL DA LITERATURA COMPARADA: SEMELHANÇAS E DIFERENÇAS ENTRE DOIS TEXTOS LITERÁRIOS Relações de Contato Depois de haver examinado as possibilidades e as limitações teóricas da Literatura Comparada em geral, é preciso estudar a extensão de seu campo de investigação, os enfoques permitidos e os problemas enfrentados. Para por em ordem os materiais de que dispõe o comparatismo, foi proposto um método de classificação que não parece completamente satisfatório. Segundo Van Tieghen, a totalidade dos problemas abarcados pela disciplina comparatista se pode classificar tendo em conta a posição do autor ou de sua obra, em relação com o processo de transmissão que forma o objeto do estudo. Segundo Van Tieghem: Estudar a extensão de seu campo de investigação; Estudar os enfoques permitidos; Estudar os problemas enfrentados. TRANSMISSÃO Relação TRANSMISSÃO Meio de influenciar TRANSMISSÃO O autor pode servir de emissor (se é ele quem serve de modelo ou de fonte) EMISSOR É aquele que serve de modelo ou fonte MODELO Escritor ou obra ou personagem ou tema (por exemplo: O escritor Machado de Assis; as obras de Guimarães Rosa; Dom Quixote, de Miguel de Cervantes; o Mito do Eterno Retorno) FONTE Escritor ou obra = fonte para outros escritores RECEPTOR Em suas obras captam-se as influências ou as repercussões de ações contidas no modelo. RECEPTOR/EMISSOR Escritores que captam e retransmitem AGENTE DE TRANSMISSÃO (OU INTERME- DIÁRIO) Quando o autor apenas serve de enlace (entre a fonte e o seu próprio narrador-imitador)

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