No emaranhado das redes: do "individualismo conectado" à interacionalidade transversal pelo celular

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1 No emaranhado das redes: do "individualismo conectado" à interacionalidade transversal pelo celular In the tangle of networks: from "networked individualism" to transverse interationality by mobile phone Marcos Nicolau 1 Resumo: Na sociedade globalizada, a comunicação tornou-nos "hiperconectados" pelas numerosas formas de interação proporcionada por uma crescente rede de telefonia, gadgets e sistemas de compartilhamentos disponíveis no ciberespaço. Nos enredamos nas malhas das redes que o mercado global vai construindo pari passu com as nossas necessidades prementes. Mas, por entre essas redes, conseguimos ampliar nossas interligações pelo entrecruzamento de interações via celular, para além de estruturas controladas e pré-direcionadas. A essa prática demos o nome de interacionalidade transversal, que nos permite utilizar modos de comunicação próprios, servindo a propósitos pessoais e coletivos. Considerando o conceito de "individualismo conectado", de Barry Wellman (2002) e analisando a interacionalidade transversal pelo celular em experiências cotidianas, viagens, movimentos sociais e protestos urbanos dentro e fora do Brasil, chegamos às potencialidades e às ameaças a essa interacionalidade na prática. Palavra chave: "Individualismo conectado". Interacionalidade transversal. Celular. Abstract: In the globalized society, communication has made us "hyper-connected" over the numerous interaction opportunities provided by a growing network of mobile technologies, gadgets and sharing programs available in the cyberspace. We are tangled in the meshes of communication networks that the market builds pari passu with our pressing needs. Nevertheless, through these networks, we are able to expand our interconnections by the crossing of interactions via mobile, beyond pre controlled and predetermined structures. To this practice, we named transverse interationality, which allows us to use our own communication modes, serving the personal and collective purposes. Taking into account Barry Wellman's (2002) concept of networked individualism and analyzing the transverse interationality through mobile into everyday experiences, trips, social movements and urban protests inside and outside Brazil, we came to potentialities and threats to this interationality in practice. Keywords: "Networked individualism". Transverse interationality. Mobile phone. Introdução A previsão de alcançar o número de 7 bilhões de unidades em todo o mundo, até o final de 2014 [1], mostra a consolidação do celular como um poderoso sistema interacional de comunicação jamais desenvolvido pela humanidade. Presente nas mãos dos usuários, indistintamente, está permitindo que estes governem ou desgovernem as suas vidas, enredados no emaranhado das redes Page 1

2 eletrônicas e digitais de comunicação que cobre o planeta. Como artefato cultural de tecnologia computacional pervasiva, o celular envolve-nos cada vez mais, a partir de programas ou aplicativos intuitivos, de fácil manipulação e uso. Seu poder de interação vai ao encontro do desejo primordial do ser humano de estar interligado e fazer parte do mundo: a antiga necessidade de comunicação que nos move desde os primórdios pela prática da oralidade, desta vez, em pleno século XXI, numa proporção globalizada. A potencialidade interacional do celular, entretanto, vai além dos aspectos comunicacionais mais imediatos, uma vez que se instaura nas sociedades contemporâneas, não mais de lugar para lugar, mas de pessoa a pessoa, ora mobilizando campanhas solidárias, ora servindo à disrupção social e revoltas; em tarefas corriqueiras ou organizando atividades complexas, influenciando consideravelmente nosso modus vivendis. O celular já incorpora todas as propriedades comunicacionais do computador e mostra-se mais versátil do que o tablet em sua capacidade interacional, integrando-se de forma intrínseca aos fatores determinantes da midiatização no contexto da cibercultura, como o processo social de mediação tecnológica das relações humanas. Nesse caso, serve-nos de base a percepção de Sodré (2006), referente à midiatização e sobre o que este chamou de tecnomediações: trata-se de um tipo particular de interação que se mostra como uma espécie de prótese tecnológica e mercadológica da nossa realidade sensível. Nascido como desdobramento do telefone que Graham Bell criou em 1876, o celular surgiu no período de desenvolvimento inicial da internet, no começo dos anos de 1970, mas se consolidou comercialmente na década de Sua origem na forma digital como o conhecemos deu-se no início dos anos de 1990, chegando a ser tornar um smartphone [2] em Com tela touchscreen, múltiplas funções e computadorizado digitalmente passou a categoria de artefato interacional de amplo espectro em diferentes contextos culturais. Isso porque sua interacionalidade, como principal característica de comunicação, mostra-se transversal. Ou seja, não se limita ao trânsito por apenas um sistema comunicacional, mas entrecruza-se por entre sistemas diversos e de múltiplas conexões, discernidos e articulados pelos usuários: interliga-se via rede telefônica com outros celulares, integra programas e aplicativos para conversação na internet, e consegue transitar informações de interesses pessoais por entre sistemas Page 2

3 de comunicação oficiais, tornando-se, por conseguinte, um "dispositivo híbrido móvel de conexão multirredes", como o definiu André Lemos (2007). E como dispositivo eletrônico portátil, com funções utilitárias específicas, o celular é reconhecidamente um dos gadgets mais reconfigurados pela indústria, no sentido de tornar sua tecnologia digital de comunicação imprescindível às nossas necessidades interacionais. Para Lanier (2011), a coisa mais importante sobre uma tecnologia é como esta muda as pessoas e até mesmo pequenas inovações são capazes de provocar imprevisíveis alterações no padrão de comportamento delas. A partir desses aspectos sobre a capacidade interacional do celular e perceber sua relação com as redes sociais, foi oportuno verificar a construção do conceito de "individualismo conectado", em Barry Wellman (2002), referente à conectividade direta entre indivíduos que se relacionam por redes e grupos, sem precisar estabelecer vínculos mais fortes com os demais. Cada um desses indivíduos tem suas próprias necessidades, mas procuram atendê-las nesse processo coletivo de interações, mesmo que efêmeras. Em uma definição posterior, Rainie e Wellman (2014) afirmam que a expressão "individualismo conectado" surgiu da percepção de que as novas tecnologias comunicacionais têm diversos potenciais, mas, que é o modo como as pessoas as utilizam que permite compreender a sua dimensão. O "sistema operacional social" do "individualismo conectado" representa a libertação das restrições de grupos coesos, obrigando as pessoas a desenvolverem habilidades de relacionamentos e estratégias, como parte do esforço para manter laços que se articulam em várias redes sobrepostas. Levando em conta a ideia de "individualismo conectado" e aplicando a análise prática da interacionalidade transversal do celular a eventos cotidianos simples, como viagens internacionais a países globalizados e, principalmente, importantes movimentos sociais e de protestos ocorridos na última década, na Espanha, em países árabes e no Brasil, foi possível verificar os recursos interacionais desse artefato digital e estabelecer os objetivos do presente artigo: demonstrar a liberdade e a autonomia das pessoas, nas práticas interacionais operacionalizáveis pelo celular, projetadas por entre os sistemas oficiais de mercado, regimes políticos e imprensa, mantenedores e dominantes das redes de comunicação consolidadas. Até que ponto somos capazes de construir Page 3

4 uma interacionalidade transversal contínua, que vai do pessoal ao coletivo, embora cerceados por esses poderosos sistemas comunicacionais? A consolidação interacional do celular Ao longo da história da humanidade, os artefatos culturais revelam o esforço do ser humano em ampliar sua capacidade pessoal de comunicação e expressão à distância, dos tambores ao telefone. Esses artefatos apresentam dois importantes aspectos intrínsecos: a função do instrumento em si e a repercussão social que proporcionam. Os artefatos da eletrônica podem não ser mais importantes que os anteriores, entretanto, sempre causaram maior repercussão, dadas as implicações e mudanças capazes de provocar. O celular representa bem esse imbricamento entre função e repercussão social: tornou-se o mais versátil artefato comunicacional da nossa cultura e mais especificamente da cibercultura, espalhando-se por todo o planeta a partir dos constantes avanços tecnológicos, baseados em características próprias como, a dinâmica da mobilidade e a peculiaridade do áudio para uso simultâneo da voz. Do simples aparelho que recebia e enviava voz humana, o telefone criado por Graham Bell no final do século XIX, manteve-se assim até o ano de 1973, quando foi criado o primeiro celular. Mas, tido aparentemente como um meio apenas de interligar duas pessoas em ambientes distantes, o telefone participou efetivamente do desenvolvimento das mídias ao estabelecer um sistema de rede fundamental para a interligação de outros sistemas. É o que confirma Parry (2012, p. 203): Em seus primórdios, outras mídias, como os jornais, viam-no como uma singela conveniência comercial para seus funcionários; a nova invenção nada tinha de importante. A partir do seu desenvolvimento, porém, o telefone nos proporcionou a estrutura de rede e a tecnologia com base nas quais se estruturariam as redes de rádio e televisão. E, sem a rede de telefonia, não haveria internet. Page 4

5 Por sua vez, segundo Thomas Friedman (apud KEEN, 2015), colunista do New York Times, a tendência mais importante do mundo na atualidade é o fato da globalização e da revolução da tecnologia da informação terem nos levado a um patamar inteiramente novo; diversas inovações, entre elas o smartphone, habilitados para uma internet barata, está levando o mundo, de conectado à "hiper-conectado". E essa tendência é reforçada pela oportuna informação de Keen (2015, p. 13): "The number of active cellular machine-to-machine devices will grow 3 to 4 times between 2014 and 2019" [3]. O surgimento do celular em 1973, criado por Martin Cooper, para a Motorola, até a sua comercialização em 1984 [4], foi um período que coincidiu com o desenvolvimento da internet e das novas linguagens computacionais, por isso, a estrutura de funcionamento desse aparelho é mais dinâmica do que as analógicas redes tradicionais [5]. Da condição de celular ao conceito de smartphone, passou-se mais uma década. Em 1993 surgia o celular com a tela touchscreen, no qual os usuários podiam usar os dedos para digitar diretamente na tela; o sistema de SMS (Short Message Service), para troca de mensagem de texto com até 160 caracteres. O nome smartphone [6] foi designado pela Ericsson em 1997, mas foi a Nokia, nessa época, quem lançou o smartphone com acesso aos textos da Web. A partir daí houve um desenvolvimento substancial do celular que o transformou em uma mídia móvel com sistemas operacionais que ampliaram a sua capacidade interacional. Nessa trajetória ao longo da década de 2000, Lemos (2007) demonstrou que o celular tornou-se mais que um telefone, uma vez que integrou funções de conversação, convergência, portabilidade, personalização, conexão através de múltiplas redes, produção de informação com textos, imagens e sons, localização e novas formas de produção imagética, incluindo fotos e vídeos. E na tentativa de melhor defini-lo, chamou-o de "Dispositivo Híbrido Móvel de Conexão Multirredes - DHMCM": O que chamamos de telefone celular é um Dispositivo (um artefato, uma tecnologia de comunicação); Híbrido, já que congrega funções de telefone, computador, máquina fotográfica, câmera de vídeo, processador de texto, GPS, entre outras; Móvel, isto é, portátil e conectado em mobilidade funcionando por redes sem fio digitais, ou seja, de Conexão; e Multirredes, já que pode empregar diversas redes, como: Bluetooth e infravermelho, para conexões de curto alcance entre outros dispositivos; celular, para as diversas possibilidades de troca de informações; internet (Wi-Fi ou Wi-Max) e redes de satélites para uso como dispositivo GPS. (LEMOS, 2007, p. 25) Page 5

6 Hoje, o celular parece exemplificar de forma evidente os estudos de Dominique Carré, publicado em 1997 [7] e devidamente mencionado por Weissberg (2013), sobre as tecnologias móveis que se sustentam em uma característica básica, a mobilidade, desdobrada em duas principais qualidades: a ubiquidade e a onipresença: Enquanto a ubiquidade destaca a coincidência entre deslocamento e comunicação (o usuário comunica-se durante seu deslocamento, precisão adicionada), a onipresença, ao contrário, oculta o deslocamento e permite ao telecomunicador continuar suas atividades de comunicação quando está em outros lugares que não seu trabalho habitual. (CARRÉ apud WEISSBERG, 2013, p. 121) Podemos inferir a dinâmica do uso do celular no atual contexto das sociedades globalizadas, pelas considerações feitas por Santaella (2010) [8], que, à luz das importantes figuras da conectividade, mobilidade e onipresença, consideradas por Weissberg (2013), situou as práticas e os processos comunicacionais em espaços ubíquos, assim designados: Estes são espaços hiperconectados, espaços de hiperlugares, múltiplos espaços em um mesmo espaço, que desafiam os sentidos de localização, permanência e duração. São espaços povoados por mentes multiconectadas e, por conseqüência, coletivas, compondo inteligências fluídas. (SANTAELLA, 2010, p. 18) Portanto, a particularidade e característica fundamental do celular, a interacionalidade, está associada à capacidade de realizar todas as atividades dos demais dispositivos tecnológicos fixos e móveis (PCs e tablets), participando ativamente da vida cotidiana de bilhões de pessoas no mundo inteiro, quer seja em seus redutos de comunidades ou perímetros urbanos, quer seja de maneira globalizada, mas, cada vez mais, de forma ubíqua e onipresente. O "individualismo conectado" de Wellman Na concepção de Wellman (2002), a passagem para uma realidade de conexão sem fio e personalizada permitiu o individualismo conectado. O indivíduo não se enraíza nos lugares como a casa ou o trabalho, mantendo-se interligado com outros e operando separadamente suas redes sociais para obter colaboração, apoio e sociabilidade. Na mais recente pesquisa, publicada conjuntamente, Rainie e Wellman (2014) demonstraram que as pessoas usam o individualismo conectado para ampliar seus relacionamentos a partir de suas necessidades pessoais. São tais necessidades que impulsionam as pessoas a procurarem contatos além dos familiares e dos amigos em casos, por exemplo, de não encontrarem apoio e orientação médica próximos de si, como foi o foco de suas pesquisas. Através de conhecidos dos conhecidos, elas chegam às pessoas que podem, de fato, ajudar, dentro de uma Page 6

7 estrutura em rede de grande proporção: "Society is not the sum of individuals or of two-person ties. Rather, everyone is embedded in structures of relationships that provide opportunities, constraints, coalitions, and work-arounds" [9]. (RAINIE E WELLMAN, 2014, p. 21) O conceito de "individualismo conectado" apresentado por Weillman, no qual o indivíduo tem de ser um centro em sua própria rede, sem necessariamente passar pela mediação de um grupo, foi devidamente explicada pelo acompanhamento do caso de um casal norte-americano que sofreu um revés na vida (RAINIE e WELLMAN, 2014). A esposa sofreu um traumatismo craniano que a colocou em coma e algum tempo depois o marido sofreu um derrame que o deixou também convalescente. Iniciando com uma simples divulgação, pelo celular, da foto da esposa com a cabeça enfaixada e tubos de respiração artificial, junto a alguns amigos, o marido, inesperadamente e em um dia e meio, recebeu retorno de cerca de 150 pessoas, em sua maioria, desconhecidos de várias partes da América do Norte, com uma intensa mobilização de conforto e apoio. A rede de ajuda logo se ampliou, tornando-se efetiva e presencial. Após a hospitalização do marido, mais tarde, esses relacionamentos criados em redes aparentemente instáveis, tanto por celulares, quanto por e- mails, redes sociais e sites, contribuíram novamente para resolver os novos problemas do casal. O "individualismo conectado" parece contrariar os arranjos sociais antigos, criados em torno de burocracias hierárquicas e pequenos grupos, como famílias, comunidades e grupos de trabalho - essa é uma das observações retiradas da pesquisa, por Rainie e Wellman (2014), cujos desdobramentos envolvem vários aspectos. Entre eles está o fato de que as pessoas, ao incorporarem a internet, bem como os celulares em suas rotinas, transformam o modo de interagir uns com os outros, aprendendo novas habilidades sociais e atuando na rede, primeiramente, como indivíduos. De acordo com as observações de Martino (2014, p. 140), "A possibilidade que cada indivíduo tem de ser um centro em sua própria rede, sem necessariamente passar pela mediação de um grupo, é uma das bases da teoria do individualismo conectado de Wellman". Isso porque, com o acesso à internet sendo feito de modo pessoal, os indivíduos tornam-se, potencialmente, nós dentro de suas próprias redes, como pontos de intersecção e acesso de informações. Para Martino (2014), isso significa um crescente isolamento acompanhado, "paradoxalmente, de um grande Page 7

8 número de conexões com outras pessoas, cujas ligações resultam na formação de outros pequenos grupos, que trabalham pela manutenção dos seus laços, mesmo que frágeis. As bases da interacionalidade transversal na prática O celular, na condição atual de produto mercadológico, caracteriza-se comercialmente, como um aparelho cuja principal qualidade é proporcionar acesso ao mundo digital e compartilhado da internet. Através de sistemas operacionais cada vez mais eficientes, permite ligação e interação com blogs, s, sites, aplicativos e redes sociais os mais diversos, realizando contatos, também com outros celulares, por mensagens textuais, imagens estáticas e de voz com vídeo. E já não se percebe a sua elementar peculiaridade: ligar diretamente para outro celular via rede telefônica. Esse modelo operacional mais simples pode ser visualizado no Gráfico 1, abaixo. GRÁFICO 1 - Modelo da interacionalidade transversal pelo celular FONTE: O autor Como o celular tem a possibilidade de conexão que independe da internet, seu sistema interacional é mais direto, sem as intermediações dos hubs [10] que loteiam a Web. Mas, um modelo visual sempre é um recorte delimitado da realidade, cujos padrões interacionais que se entrecruzam no ciberespaço, são mais dinâmicos na prática. A pesquisa de Rainie e Wellman (2014) contemplou essa dinâmica em uma situação na qual estavam envolvidos aspectos de solidariedade e comoção, diante de fatalidades que Page 8

9 acometeram um casal norte-americano. Entretanto, a potencialidade do "sistema operacional em rede" envolve também diversas outras situações de necessidades e estratégias interacionais diferentes. Para estabelecer parâmetros metodológicos passíveis de comprovação, abrangemos importantes eventos sociais cotidianos, nos quais foi possível verificar, para além do "individualismo conectado", a interacionalidade transversal pelo uso do celular: 1) uma viagem ao exterior, realizada por cinco pessoas, atravessando diferentes países, sobre a qual fazemos apanhados como pesquisador participante, mas apoiados em depoimentos de outros grupos, que complementaram e confirmaram o estudo - nesse caso, interessa-nos menos as peculiaridades turísticas visitadas e mais precisamente, os processos interacionais realizados pelo celular; 2) os movimentos sociais e protestos urbanos em vários lugares como, Espanha, países árabes e Brasil, cuja cobertura midiática e análise de pesquisadores forneceram as informações necessárias. As situações escolhidas têm peculiaridades e motivações diferenciadas uma de caráter turístico e outra, político/ideológica. As viagens internacionais envolveram pessoas de classe média que comumente mapeiam a internet o ano inteiro em busca de promoções de passagens; procuram os passeios fora dos caros circuitos turísticos das agências; pesquisam estadias, eventos e alimentação que sejam acessíveis e seguras entre outras alternativas. Os movimentos e protestos sociais, por sua vez, contaram com o envolvimento de cidadãos, estudantes ou trabalhadores, que se utilizaram de recursos interacionais transversais para criarem redes de divulgação e mobilização que sobrepujaram as redes oficiais de informação e evitaram de ser impedidos ou rastreados pelos órgãos governamentais de controle e policiamento. Relato de viagens e das práticas interacionais via celular Apesar das viagens turísticas, individuais ou em grupos, não terem a repercussão midiática de um evento social como os protestos, tornaram-se, na atualidade, uma das atividades de grande crescimento com o advento das sociedades globalizadas, responsáveis pela incrementação financeira em países de todos os continentes. Segundo a Organização Mundial do Turismo [11], em 2014 registrou-se cerca de 1,38 milhões de viajantes, correspondente a um acrescimo de 4,7% a mais de turistas em viagens ao exterior. A viagem internacional, realizada por turistas é, portanto, uma atividade relevante e requer Page 9

10 um processo interacional cada vez mais dinâmico, uma vez que exige muitos procedimentos operacionais que vão, desde o reconhecimento da cultura e das peculiaridades do destino, passando pela compra de passagens, escolha de hotéis apropriados, alimentação, transporte, segurança, até passeios e visitas a locais pitorescos. Não apenas participando de uma dessas viagens a países da Oceania (Austrália e Nova Zelândia), com um grupo de cinco pessoas, durante 20 dias, mas também, consultando pessoas que entre 2013 e 2015 participaram de viagens para outros países dos territórios norte-americano, europeu e asiático, conseguimos alguns detalhes dos processos interacionais realizados via celular, para atendimento de necessidades e soluções de problemas diversos. Estratégias que vão além daquelas proporcionadas pelos sistemas do mercado devidamente instalados na internet, manipulativo e restrito ao modelo de negócios turísticos que impulsiona as sociedades globalizadas. Em princípio, existe toda uma estrutura de rede interacional em sites e aplicativos comerciais, a partir da qual podemos realizar as operações necessárias a uma viagem internacional, inclusive pelo celular: fazemos consultas sobre promoção de passagens, verificamos hotéis e passeios ofertados, utilizamos mapas e GPS para geolocalização, sites de busca e enciclopédias, para saber sobre lugares, comidas e fatos históricos, bem como, encontramos, em sites compartilhados como o TripAdvisor, as opiniões e críticas de pessoas que estiveram pernoitando e visitando os lugares. Em muitos países, inclusive, existem aplicativos locais que ajudam o viajante a localizar e mapear ambientes das cidades por onde passa. Mas, um aspecto importante foram as dicas de conhecidos, a partir de redes sociais, sobre como ter acesso fácil à internet em países diferentes: aquisição de chips para celulares, de operadoras locais, com créditos somente para o período da estadia; utilização de redes Wi-fi gratuitas nos hotéis, restaurantes e espaços públicos dos centros das cidades. O relato de viajantes que estiveram no Japão foi o de que, lá é possível alugar um roteador portátil de Wi-fi, que serve para o grupo, a partir de uma senha: as pessoas têm acesso constante à internet e em todos os lugares por onde transitam. Por outro lado, as necessidades turísticas dos viajantes sempre vão além desse traçado convencional quando se trata de ter melhores opções fora do circuito comercial, informações sobre segurança e sobre atividades, de custos mais justos e apropriados à condição financeira. E, nesse Page 10

11 caso, o celular é fundamental, porque permite fazer ligações diretamente para os atendentes dos locais que oferecem serviços e passeios, conseguindo obter dicas e informações sobre dias e horários promocionais, que não poderiam constar nos folhetos impressos ou nos sites oficiais. Nessas consultas, a partir de um domínio básico de conversação em inglês - a língua da globalização - sempre se consegue ter conhecimento sobre rotas e atividades alternativas, serviços de transportes públicos gratuitos e sistemas de apoio a turistas. A partir dos próprios sistemas de s e através de redes sociais diversas, nas quais o celular permite acesso à rede de amigos e conhecidos, compartilha-se um vasto ambiente de painéis de fotos, vídeos e textos de dupla utilidade: tanto os viajantes têm uma ideia de lugares visitados pelas pessoas, cujas fotos e vídeos mostram ângulos pessoais e inusitados - diferente das imagens do tipo "cartão postal" dos folhetos - quanto, passam a alimentar esses painéis também com novas imagens captadas e disponibilizadas quase que simultaneamente. Em alguns trajetos de um lugar para outro é possível fazer ligações via Facetime e mostrar aos interlocutores, as paisagens e os eventos em tempo real, ao mesmo tempo em que se explica com viva voz os detalhes dos ambientes e dos fatos. São situações captadas por pessoas comuns, que alimentam uma nova rede transversal de compartilhamentos com outros viajantes. Movimentos sociais no mundo e protestos urbanos de junho de 2013 no Brasil O massivo uso das redes sociais na internet foi devidamente documentado em protestos realizados em várias partes do mundo, pela cobertura da imprensa internacional, antes das passeatas de junho de 2013 em nosso país. Percebemos, pelos relatos, que o celular foi peça fundamental para troca de mensagens através das quais as pessoas se conclamavam para a mobilização nas ruas. Cardoso (2010) faz menção a um artigo publicado na imprensa italiana (L Expresso), por Umberto Eco, falando sobre a mobilização popular ocorrida na Espanha, no qual retrata as apropriações individualizadas das mídias socialmente compartilhadas. Para Eco, os ataques terroristas de 2004 à estação de trens de Atocha, em Madri, aconteceram num momento em que não era apenas a televisão e o rádio que dominavam, mas outras mídias das quais a população se apropriava, através do celular e da internet. As táticas de guerrilha semiótica contemporânea (Eco, 2004), exemplificadas pela apropriação social das mídias nos dias que se seguiram ao 11 de março de 2004 em toda a Espanha, foram desenvolvidas num processo em rede, um processo de criação Page 11

12 de nós espontâneos que ecoavam em mensagens originadas através da comunicação interpessoal. O celular, sobretudo através do uso do SMS, foi usado com o fim de divulgar a mensagem de que o governo estava mentindo sobre o envolvimento do ETA, porque tratava-se da Al-Qaeda, e convidar pessoas a reunirem-se nas sedes do partido do governo, o Partido Popular, ou edifícios públicos em protesto (CARDOSO, 2010, p. 37) Por seu turno, nas revoluções da chamada Primavera Árabe, ocorrida a partir de dezembro de 2010 na Tunísia, espalhando-se pela Líbia, Síria e Egito, mesmo com a censura e a opressão dos regimes autoritários contra a imprensa e contra o uso da internet, os celulares permitiram que as ações de violência contra a população fossem compartilhadas pelo mundo inteiro. Conforme matéria publicada pelo jornal Estadão, em 17 de dezembro de 2011 [12], de autoria de João Coscelli: Na Síria, a imprensa estrangeira não tem liberdade de atuação. Na Líbia, havia repórteres, mas o regime de Kadafi mantinha a atividade sob estrito controle. As imagens dos confrontos nesses países chegaram ao resto do mundo graças aos próprios opositores, que usaram dispositivos móveis, como câmeras e celulares. Associação Nacional dos Programas de Pós-Graduação em Comunicação No Egito, em 2011, o massivo movimento, que recebeu nomes como "Dias de Fúria" e "Revolução do Nilo", foi analisado por Castells (2013), que constatou que as convocações para as manifestações de 25 de janeiro em diante foram realizadas por jovens, para quem as redes sociais e os telefones celulares passaram a ser parte importante de seus modos de vida. Os manifestantes registravam os acontecimentos com seus telefones celulares, compartilhando os vídeos, quase sempre ao vivo, pelo Youtube e pelo Facebook, com pessoas do país e do restante do mundo, apesar das tentativas do governo egípcio em bloquear a internet e o sistema de telefonia. Baseado em pesquisa do Instituto Ovum [13], Castells (2013) diz que, em fins de 2010, pouco antes dos protestos, cerca de 80 por cento da população do Egito já tinha telefone celular e esclarece que, embora a tecnologia não seja determinante para a deflagração de tais movimentos - uma vez que são motivados por conjunturas sociais -, as redes da internet e de telefonia celular, mais do que ferramentas, tornaram-se formas organizacionais, assim como, expressões culturais e, ainda, plataformas específicas para a autonomia política. No Brasil, os protestos puderam ser acompanhados de perto, dado o acesso direto às redes sociais utilizadas para divulgação dos fatos ocorridos. Apesar da constante divulgação nas várias redes sociais disponíveis na internet, foi possível perceber que, para além do uso dos computadores e tablets, havia uma utilização muito mais recorrente de aparelhos celulares. Page 12

13 Em uma mobilização nacional que, em um dia, como a quinta-feira de 20 de junho de 2013, reuniu mais de 1 milhão de pessoas, com passeatas em 388 cidades brasileiras, incluídas, 22 capitais [14], o celular foi um instrumento fundamental para mobilizar os participantes, registrar os fatos e divulgá-los para além do que a mídia tradicional era capaz de fazer. Os integrantes dos movimentos urbanos constituíram sua rede interacional a partir da organização de grupos via conversas telefônicas, em redes sociais diversas, por s entre outros caminhos. De acordo com Peruzzo (2013, p. 82), o uso da internet, mídias, redes sociais virtuais e celulares constituiu-se em importante diferencial do movimento que sacudiu o país: "Os manifestantes usaram meios próprios para se comunicar: simples celulares ou smartphones, redes virtuais e o audiovisual alternativo municiaram a sociedade com a informação em tempo real do que ocorria nas ruas pelo ângulo de novas fontes". Isso porque, cada pessoa que tinha um celular conectado à internet pode gravar, interpretar e difundir em tempo real, o que acontecia nas praças públicas. Estas se tornaram, inclusive, fontes para a grande mídia que se viu atônita e perdida, sem saber bem o que fazer, pois os acontecimentos fugiam ao seu tradicional esquema de pautas e coberturas. Estes favoreceram o exercício da liberdade de expressão, sem gatekeepers, e numa proporção imensurável devido ao efeito de replicação das redes virtuais. Tanto que o contraste se evidenciou entre as transmissões autônomas de pessoas e de grupos ativistas por celulares conectados à internet e câmeras de fácil manuseio em meio às multidões. (PERUZZO, 2013, p. 82) A repercussão dessa rede interacional, portanto, acabou por atravessar os sistemas tradicionais usados pela imprensa, que até então se considerava a legítima retransmissora dos eventos, de acordo com seus filtros de coleta e tratamento das notícias, bem como seu modelo de informação e negócio já consolidado. As pessoas passaram a buscar informações junto às fontes das redes sociais, blogs e sites pessoais, que conseguiam entrecruzar-se pela rede de notícias. A veracidade das informações podia ser conferida, não mais pela emissora, empresa jornalística ou sites oficiais, mas pela quantidade de fontes que permitiam confirmar ou desmentir os fatos e boatos divulgados, mostrar fotos e vídeos, apresentar depoimentos e avaliações dos próprios participantes, em grande quantidade. Havia uma necessidade flagrante de brasileiros e estrangeiros, não só em compreender o que de fato acontecia, mas também de divulgar e compartilhar, de todas as formas, o que a própria imprensa não publicava ou não conseguia entender. Para tanto, eram usados os sistemas de hashtags Page 13

14 , como #vemprarua e #OGiganteAcordou, que serviam de trilhas facilmente transmitidas, identificadas e seguidas pelas pessoas, tendo o celular como ponto de conexão e compartilhamento. Podemos perceber, portanto que, tanto a experiência de ajuda comunitária documentada por Rainie e Wellman (2014), quanto as viagens feitas por viajantes brasileiros ao exterior, bem como, as situações relatadas, nos movimentos internacionais e protestos de junho de 2013, são eventos que têm em comum a forte presença das motivações intrínsecas das pessoas, em se comunicar da forma mais oportuna e proveitosa possível para atender suas necessidades urgentes e cotidianas, através da criação de redes de interação próprias. E isso está sendo permitido pela emergência da interacionalidade transversal via celular. Considerações finais Esse breve panorama de usos e práticas interacionais pelo celular demonstra que, no contexto da cibercultura, estamos imersos em várias redes comunicacionais que se entrelaçam: as redes físicas, de sistemas eletrônicos e digitais; as redes de sistemas operacionais e de softwares estruturadores da internet; e a rede de sites, blogs, s e aplicativos, pessoais, empresariais e governamentais que se cruzam na Web. É nesse universo complexo do entrelaçamento das redes que vislumbramos a interacionalidade transversal em movimento. Tanto as interligações de celular para celular via rede telefônica, quanto os acessos deste à internet pelos sistemas operacionais com seus programas diversos e o entrecruzamento compartilhado de informações para além das fontes oficiais e empresariais demonstram as possibilidades de autonomia dos usuários em discernir um modus faciendi diante do modus operandi da indústria da comunicação. Mas, não podemos esquecer que, na esteira dos sistemas sociais e políticos, do capitalismo, está o constante movimento estratégicos dos governos e das empresas globalizadas no sentido de reconfigurar seus poderosos sistemas comunicacionais, levando em conta o movimento comportamental das populações integradas às redes de informação. Afinal, as nossas práticas interacionais são expostas no próprio ambiente virtual ao qual todos eles têm acesso, possibilitando que sejam incorporadas, pari passu, aos processos de controle político e adequação mercadológica Essa ameaça é tanto maior quanto o estado de conformação que costuma nos assolar Page 14

15 quando encontramos, nos gadgets e nas redes, os serviços que atendem basicamente as nossas necessidades. Por isso, devemos considerar o alerta de Wu (2012), diante do histórico domínio da informação gerido pelos impérios da comunicação, acerca daquilo que cria essa acomodação: as conveniências formadas pelas redes de comunicação. Para este autor, quando aceitamos as opções mais convenientes, concordamos coletivamente com o controle dos grandes impérios, baseados em pequenas e atraentes escolhas, cujas consequências não levamos em conta. A questão importante que se coloca nesse momento crucial da nossa jornada tecnológica comunicacional é: como continuar interagindo nessa grandiosa aldeia global macluhiana, criada pela globalização política e mercadológica, com a liberdade e a autonomia de descobrir estratégias comunicacionais efetivas para nossos interesses e necessidades, com direito a transitar pelos caminhos inusitados de interação que o nosso discernimento nos proporciona? Talvez se aproveitando da variedade de sistemas operacionais ofertados, cujas tecnologias móveis são dispersas entre si; da infinidade de aplicativos e das características intrínsecas do celular que está em nossas mãos, como um artefato pessoal que permite combinar mensagens de voz, texto e imagem, para continuar criando operacionalidades novas no emaranhado das redes, por entre as quais os regimes políticos, o mercado e a própria indústria da tecnologia digital também se enredou. A interacionalidade transversal parece despontar, por enquanto, como um procedimento transgressor e revolucionário no sentido de não se conformar com os padrões políticos e mercadológicos, que procuram moldar a vida coletiva nas sociedades globalizadas. Afinal, a comunicação, como compartilhamento de ideias e construção de significados, sempre arranja um jeito de criar redes livres, mesmo onde elas parecem não existir. 1 Pós-Doutor, Docente, [1] Dados divulgados pela União Internacional das Telecomunicações (UIT), em maio de Disponível em: Acessado em: 04/fev/2015. [2] O termo smartphone caracteriza o avanço dos celulares comuns, que de sistemas para ligações de voz e transmissão de textos, passaram a oferecer sistemas computadorizados para livre navegação na internet via Wi-fi, 3G e 4G. Porém, o termo "celular" continua popularmente abrangendo ambas as tipologias, por isso a mantemos para designação genérica desse artefato cultural no presente artigo. Disponível em: Acessado em: 02/02/2015. Page 15

16 [3] Tradução livre: "O número de dispositivos celulares máquina-a-máquina ativos crescerá 3 a 4 vezes entre 2014 e 2019". [4] Disponível em: Acesso em 02/fev/2015. [5] De acordo com Parry (2012), a tecnologia principal do celular é baseada no conceito de célula local, uma vez que o aparelho conecta-se a uma estação de terra. Esta corresponde a uma célula a partir de ligação sem fio, que leva a conexão para a rede pública de telefonia convencional. [6] Disponível em: Acessado em: 02/02/2015. [7] Conforme referência de Weissberg: Dominique Carré, "Les technologies mobiles, quels enjeux?", AFETT/EUROCADRES, Lab. SIC Universidade Paris-Norte, fevereiro de 1997, p. 9. [8] Para esclarecimento sobre as datas das obras: Santaella (2010) utilizou a versão do artigo de Weissberg publicada em 2004, na primeira edição do livro Tramas da rede (PARENTE, 2004), mas recorremos aqui, a uma edição de segunda reimpressão, publicada em 2013, o que permitiu a adequação de algumas citações. Ver obras nas Referências. [9] Tradução livre: "A sociedade não é a soma de indivíduos ou de duas pessoas interligadas. Em vez disso, todo mundo está imerso nas estruturas das relações que proporcionam oportunidades, limitações, alianças e soluções alternativas". [10] De acordo com Barabási (2009), a topologia da Web é dominada por hubs, uma pequena quantidade de nós altamente conectados pelo trânsito frequente dos usuários. Exemplos de hubs são grandes sites de busca ou de compras, como: Yahoo!, Google, Amazon.com, pelos quais passam todos os links não populares ou pouco percebidos. [11] Disponível em: Acessado em: 06/fev/2015. [12] Disponível em: Acessado em: 07/fev/2015. [13] Ovum é uma empresa de pesquisa, consultoria e análise, baseada em Londres, na Inglaterra, que presta serviços sobre tecnologias de informação e mídias. [14] Disponivel em: Acesso em: 07/fev/2015. Referências BARABÁSI, Albert-László. Linked: a nova ciência dos networks. São Paulo: Leopardo Editora, CARDOSO, Gustavo. Da comunicação em massa à comunicação em rede: modelos comunicacionais e a sociedade de informação. MORAES, Dênis de (Org.). Mutações do visível: da comunicação de massa à comunicação em rede. Rio de Janeiro: Pão e Rosas, Page 16

17 CASTELLS, Manuel. Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet. Rio de Janeiro: Zahar, 2013 KEEN, Andrew. The internet is not the answer. London: Atlantic Books, LEMOS, André. Comunicação e práticas sociais no espaço urbano: as características dos Dispositivos Híbridos Móveis de Conexão Multirredes (DHMCM). In: Comunicação Mídia e Consumo. V. 4, n. 10, jul., p , São Paulo: MARTINO, Luís Mauro Sá. Teoria das mídias digitais: linguagens, ambientes e redes. Petrópolis: Vozes, LANIER, Jaron. Você não é um gadget: um manifesto. Lisboa: Arcádia/Babel, PARRY, Roger. A ascensão da mídia: história dos meios de comunicação de Gilgamesh ao Google. Rio de Janeiro: Elsevier, PERUZZO, Cecília M. Krohling. Movimentos sociais, redes virtuais e mídia alternativa no junho em que "o gigante acordou"(?). In: Revista Matrizes, ano 7, n. 2, jul./dez./2013. Disponível em: Acessado em: 18/fev/2015. RAINIE, Lee; WELLMAN, Barry. Networked: the new social operating system. Cambridge/Massachusetts: The MIT Press, SANTAELLA, Lúcia. A ecologia pluralista da comunicação: conectividade, mobilidade, ubiquidade. São Paulo: Paulus, WEISSBERG, Jean-Louis. Paradoxos da teleinformática. In: PARENTE, André (Org.). Tramas da rede: novas dimensões filosóficas, estéticas e políticas da comunicação. 2a. reimpressão. Porto Alegre: Sulina, WELLMAN, Barry. Physical place and cyber-place: the rise of networked individualism. In: International Journal for Urban and Regional Research, V. 25.2, p , June/ Little boxes, glocalization, and networked individualism. NetLab, University of Toronto Disponível em: Page 17

18 Acessado em 01/fev/2015. Arquivo PDF gerado pela COMPÓS Page 18

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