O TRABALHO EM INSTITUIÇÕES DE ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL: demandas e necessidades para uma formação profissional continuada

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "O TRABALHO EM INSTITUIÇÕES DE ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL: demandas e necessidades para uma formação profissional continuada"

Transcrição

1 CENTRO UNIVERSITÁRIO UNA INSTITUTO DE EDUCAÇÃO CONTINUADA, PESQUISA E EXTENSÃO MESTRADO EM GESTÃO SOCIAL, EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO LOCAL Maria Célia Rios Barbosa O TRABALHO EM INSTITUIÇÕES DE ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL: demandas e necessidades para uma formação profissional continuada Belo Horizonte 2014

2 Maria Célia Rios Barbosa O TRABALHO EM INSTITUIÇÕES DE ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL: demandas e necessidades para uma formação profissional continuada Dissertação apresentada ao Mestrado em Gestão Social, Educação e Desenvolvimento Local docentrouniversitário UNA, como requisito parcial àobtenção do título de Mestre Área de concentração: Gestão Social e Educação Linha de pesquisa:processos político-sociais: articulações interinstitucionais e desenvolvimento local. Orientadora:Drª. Wânia Maria de Araújo Belo Horizonte 2014

3 Dedico este trabalho a todos os profissionais de Entidades de acolhimento institucional, que, baseados na ética, profissionalismo conhecimento e amor, acreditam na possibilidade efetiva de garantir os diretos de crianças e adolescentes, acolhidos judicialmente.

4 AGRADECIMENTOS A Jesus e Nossa Senhora das Graças, por iluminarem meu caminho. Ao Rui, meu esposo, pelo companheirismo e por tornar possível a concretização de um sonho. Às minhas filhas, Dani e Franci, pela força e incentivo. A minha mãe, Lourdes, pelas orações e amor. Aos meus irmãos: Selma, Selda, Fábio e Marcelo. Ao meu pai, Antônio, e meu irmão, Fernando, (in memorian), que, tenho certeza, continuam ao meu lado. Ao meu sobrinho Rodrigo, pelo apoio e contribuição. À Professora Orientadora, Dra. Wânia Maria de Araújo, pelo conhecimento transmitido e, principalmente, pela disponibilidade, carinho e dedicação. Às professoras Dra. Adilene Gonçalves Quaresma e Dra. Lucia Afonso, pelas contribuições e incentivo na qualificação. Aos profissionais inseridos em acolhimentos institucionais fonte de inspiração para esta pesquisa. A todas as crianças e adolescentes, sujeitos dignos de direitos.

5 RESUMO Esta pesquisa buscou compreender o trabalho realizado pelos profissionais de Acolhimentos Institucionais em Belo Horizonte, no intuito de identificar suas demandas e necessidades para uma formação continuada. Além disso, analisa as capacitações ofertadas pelas políticas públicas aos profissionais dos acolhimentos institucionais, a partir dos seus conteúdos para verificar se, de fato, contribuem para a atuação profissional em tais instituições e se correspondem à sua real necessidade. A investigação visa a refletir em torno da necessidade de uma formação profissional continuada para os agentes que atuam em acolhimentos institucionais para, de fato, garantirem às crianças e adolescentes, em cumprimento de medida protetiva, a efetividade de seus direitos, conforme preconiza a legislação. Por meio da pesquisa documental, foi realizado um breve histórico da institucionalização do cuidado às crianças e adolescentes, no Brasil. Para tanto, recorreu-se a artigos científicos e legislação vigente: Constituição Federal (1988); o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) (1990); a Lei 12010/09 e os marcos normativos que regulamentam o serviço de acolhimento institucional, ou seja, o Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (BRASIL, 2006); o Plano Estadual de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (BRASIL, 2009); as Orientações Técnicas para os Serviços de Acolhimento para crianças e adolescentes (2009) e a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais (BRASIL, 2009b). Partiu-se da hipótese de que as capacitações ofertadas aos profissionais, atuantes em acolhimento institucional, não têm oferecido conteúdos que abordam o que eles, realmente, necessitam, nem condizem com a realidade vivenciada por este profissional no cotidiano do acolhimento.concluiu-se, portanto, que é inquestionável a relevância de se produzir conhecimento na área da criança e do adolescente para atuar em acolhimento institucional, principalmente, no que diz respeito à qualificação em atividades desenvolvidas, no sentido de amenizar as consequências de uma violação de direitos que pode ocorrer a partir de um serviço prestado de forma não qualificada.o apoio dos órgãos responsáveis pela política,relacionada à criança e ao adolescente, é de fundamental importância para que os cursos de capacitação possam ser efetivados. A questão de temas relevantes indicados pelos próprios profissionais é outro aspecto a ser destacado em face as muitas dificuldades relativas à complexidade das atividades que exercem e isso foi aferido por meio de resultados e conclusões desta pesquisa. Desconhecer a formação profissional continuada, como ferramenta de apoio aos profissionais de acolhimento institucional, corrobora com a ausência das políticas públicas em tratar de forma peculiar a criança e o adolescente em medida protetiva judicial, de forma especial e necessária, uma vez que é um problema social e de responsabilidade de toda a sociedade. Palavras-Chave: Acolhimento Institucional. Crianças e Adolescentes. Formação Profissional.Educação. Inovação.

6 ABSTRACT This research sought to understand the work done by professionals of Institutional Care in Belo Horizonte, in order to identify their needs and requirements for a continuing education. Besides this, it analyzes the contents of the capabilities offered by public policies to professionals whom work in institutions of children care, to see if, in fact, it contributes to professional practice in such institutions and match their actual need. The research aims to reflect about the need of a continued vocational training for the agents who work in institutional nesting levels, to actually ensure, for children and adolescents, in fulfillment of protective measure, the effectiveness of their rights, as recommended by law. Through documentary research was carried out a brief history of the institutionalization of the care to children and adolescents in Brazil. By reaching this point was necessary to analyze articles and legislation: Federal Constitution (1988); the Statute of the Child and Adolescent (1990); the Law 12010/09 and the legal frameworks that regulates the service of institutional care, in other words, the State Plan for the Promotion, Protection and Defense of the Right of Children and Adolescent to Family and Community Coexistence (BRAZIL, 2006); the State Plan for Promotion, Protection and Defense of the Right of Children and Adolescent to Family and Community Coexistence (BRAZIL, 2009); the Technical Guidelines for the Services of Care for Children and Adolescents (2009) and the National Typing of Social Assistance Services (BRAZIL, 2009b). it was taken by hypothesis that the training offered to professionals that work in institutional care have not offered content that addresses what they really need and do it was not related to the reality experienced by these professionals in the daily care. It was concluded, therefore, that the importance of generating knowledge in the area of child and adolescent to act in institutional care, is unquestionable, especially with regard to the qualification in activities developed in order to mitigate the consequences of a right violation that can occur from a service provided in a disqualified form. The support from the bodies responsible for policy related to children and adolescents is of fundamental importance for that the training courses can happen. An important aspect to be highlighted is the question of relevant topics identified by the professionals themselves during the research what proofs the lack of knowledge of these professionals related with the difficulties due to the complexity of their activities. Un recognize the continuing vocational training as a support tool for institutional care professional confirms the absence of public policies in dealing peculiarly with children and adolescents in judicial protective measure, in a special and necessary way, once it is a social problem and responsibility of the whole society. Keywords: Institutional Care. Children and Adolescents. Vocational Training. Education. Innovation.

7 LISTA DE FIGURAS E GRÁFICOS FIGURA 1 - Regiões Administrativas de Belo Horizonte GRÁFICO 1 Natureza Jurídica GRÁFICO 2 Vínculo com religião GRÁFICO 3 - Pública, Privada ou Conveniada GRÁFICO 4 - Capacidade de Atendimento GRÁFICO 5 - Faixa etária atendida pelas unidades de acolhimento GRÁFICO 6 - Fontes de recursos GRÁFICO 7 - Número de Educadores Social por unidade de acolhimento GRÁFICO 8 - Formação dos Técnicos por unidade de acolhimento GRÁFICO 9 - Dificuldades ao lidar com o público atendido GRÁFICO 10 - Elementos necessários para superar as dificuldades e promover uma melhor qualidade no cotidiano dos acolhimentos institucionais GRÁFICO 11- Participação dos técnicos em formação profissional continuada para atuar em Acolhimento Institucional GRÁFICO 12- Contribuição da formação recebida GRÁFICO 13- Conteúdos e capacidades importantes em um curso de formação continuada para atuar em acolhimento institucional GRÁFICO 14 - Importância da formação profissional continuada para os profissionais de acolhimento institucional... 96

8 LISTA DEABREVIATURAS E SIGLAS PBH - Prefeitura Municipal de Belo Horizonte CEAS Conselho Estadual de Assistência Social CEDCA Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente CF - Constituição Federal CLT - Consolidação das Leis Trabalhistas CMAS - Conselho Municipal de Assistência Social CMDCA - Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente CNAS Conselho Nacional de Assistência Social CONANDA Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente CPs Centros de Passagens ECA Estatuto da Criança e do Adolescente FEBEM - Fundação Estadual do Bem Estar do Menor FJP Fundação João Pinheiro Fórum DCA - Fórum Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente FUNABEM - Fundação Nacional do Bem Estar do Menor IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IPEA Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada LOAS - Lei Orgânica da Assistência Social MDS Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome NOB- Norma Operacional Básica NOB/RH - Norma Operacional Básica de Recursos Humanos OIT - Organização Internacional do Trabalho ONG - Organizações Não Governamentais ONU Organização das Nações Unidas PNAS Política Nacional de Assistência Social PECFC - Plano Estadual de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária PMCFC - Plano Municipal de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária PNAS - Política Nacional de Assistência Social PPP - Projeto Político Pedagógico PSB - Proteção Social Básica

9 PSE - Proteção Social Especial REDE SAC Rede de Serviço da Ação Continuada do Ministério do Desenvolvimento Social SEDESE MG Secretaria de Desenvolvimento Social do Estado de Minas Gerais SGD - Sistema de Garantia de Direitos SMAAS - Secretaria Municipal Adjunta de Assistência Social SUAS Sistema Único de Assistência Social TJMG - Tribunal de Justiça de Minas Gerais VIJ - Vara da Infância e Juventude

10 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO BRASIL: RETROSPECTIVA HISTÓRICA Análise do acolhimento institucional de crianças e adolescentes no Brasil Legislação: do Código de Menores ao Estatuto da Criança e do Adolescente Criança e adolescente como sujeito de direitos: novos marcos regulatórios Constituição Federal de Estatuto da Criança e do Adolescente Doutrina da Proteção Integral Sistema de Garantia dos Direitos de Crianças e Adolescentes (SGD) As Novas Normativas Os Conselhos Política Nacional de Assistência Social e o Sistema Único de Assistência Social Orientações Técnicas para os Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais Lei 12010/2009 ou Lei da Convivência Familiar e Comunitária ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL: MUDANÇAS A PARTIR DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Medida protetiva de acolhimento institucional Formalização do acolhimento institucional O cenário atual relativo às crianças e aos adolescentes acolhidos institucionalmente no Brasil e em Minas Gerais Política de acolhimento institucional em Belo Horizonte O Processo de capacitação nas unidades de acolhimento institucional Profissionais envolvidos no acolhimento institucional de acordo com a nova legislação Formação profissional do profissional de acolhimento institucional ANÁLISE DOS DADOS E OS PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Metodologia e procedimentos de investigação Sujeitos da pesquisa Descrição e análise dos dados Perfil dos Acolhimentos: natureza jurídica Vinculação Religiosa Parcerias e convênios Capacidade de Atendimento Faixa etária das crianças acolhidas Fontes dos recursos Recursos Humanos Sobre a atuação profissional... 89

11 Dificuldades com o público atendido Estratégias para o enfrentamento das dificuldades com o público atendido Sobre as capacitações existentes Conteúdos sugeridos pelos entrevistados para a capacitação continuada CONSIDERAÇÕES FINAIS PROJETO DE INTERVENÇÃO Introdução Justificativa Objetivos: Geral Específicos Metodologia Cronograma dos encontros Formato Recursos Avaliação REFERÊNCIAS APÊNDICE ANEXO

12 12 1INTRODUÇÃO A Constituição Federal de 1988 assegura à criança e ao adolescente o exercício de seus direitos fundamentais (Art. 227), pois os reconhece como sujeitos de direitos, que devem ser protegidos pelo Estado, pela família e pela sociedade. Dois anos após a promulgação da Constituição de 1988, em 13 de julho de 1990, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) instituiu-se como Lei Federal nº adotando a chamada doutrina da Proteção Integral, reafirmando que crianças e adolescentes devem ser vistos como pessoas em desenvolvimento, sujeitos de direitos e destinatários de proteção integral. O ECA ainda determina que a responsabilidade dessa garantia de direitos seja partilhada pela família, Estado e comunidade (BRASIL, 1990). Para Silva (2005), o reconhecimento da criança e do adolescente como sujeitos de direitos é resultado de um processo historicamente construído, marcado por transformações ocorridas no Estado, na sociedade e na família. A situação da criança e do adolescente ganha,desse modo, novos contornos. Portanto, o ECA nasceu em reposta ao esgotamento histórico, jurídico e social do Código de Menores de Esta regulamentação é processo e resultado porque se constitui a partir de uma construção histórica de lutas e movimentos sociais pela infância, liderada pelos setores progressistas da sociedade política e civil brasileira. O ECA foi a primeira lei brasileira e latino-americana que instituiu mudanças jurídicas e significativas, de modo a eliminar a perversidade do sistema antigarantista, contido no paradigma da situação irregular. A partir do ECA foi introduzido o paradigma da proteção integral em oposição à situação irregular. Assim, é inaugurado um sistema de garantia de direitos (SILVA, 2005). Com as mudanças propostas pelo ECA, orfanatos ou internatos denominaram-se unidades de acolhimento institucional e passaram a prestar plena assistência à criança e ao adolescente, oferecendo-lhes acolhida, cuidado, proteção, espaço para socialização e desenvolvimento. Porém, a institucionalização, apesar de proteger a criança ou adolescente em um momento de violação de direitos, acaba por colaborar para o enfraquecimento do vínculo familiar. A presente pesquisa propõe, a partir das necessidades apontadas pelo profissional de acolhimento institucional, analisar as demandas emergentes desse espaço de acolhida, na qual será destacada a necessidade de uma formação

13 13 continuada que poderá subsidiar a atuação desses profissionais. Isso se justifica pela esporadicidade das capacitações ofertadas pelas políticas públicas e por não condizerem com a realidade vivenciada, cotidianamente, nos acolhimentos. É nesse cenário, que a pesquisa se insere e propõe refletir sobre as demandas para qualificação dos profissionais de acolhimento institucional na cidade de Belo Horizonte, com vistas a elaborar um produto técnico. O resultado do trabalho procura contemplar uma formação continuada que seja condizente com a realidade experimentada pelos profissionais atuantes em acolhimento. O primeiro capítulo apresenta a contextualização do acolhimento institucional no Brasil. O propósito desta revisão é compreender como foram estabelecidas normas e adequações nas unidades de acolhimento institucional, bem como a forma de ofertar esses serviços. Buscou-se apresentar,ainda neste capítulo, as mudanças ocorridas com a nova ordem legislativa referente à criança e ao adolescente, em cumprimento de medida protetiva. No decorrer do capítulo, foi apresentado a Constituição Federal (1988); o ECA (1990); a Lei 12010/09 e os marcos normativos: Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (BRASIL, 2006);Plano Estadual de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (BRASIL, 2009); as Orientações Técnicas para os Serviços de Acolhimento para crianças e adolescentes (2009) e a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais (BRASIL, 2009b). Já no segundo capítulo, a pesquisa aborda as seguintes dimensões: medida protetiva de acolhimento institucional que surgiu a partir da promulgação do ECA (1990); a formalização do acolhimento institucional; o cenário atual relativo às crianças e aos adolescentes acolhidos, institucionalmente, no Brasil e em Minas Gerais; o processo de capacitação nas unidades de acolhimento institucional e os profissionais envolvidos no acolhimento institucional e a importância de sua formação profissional continuada. Ressalta-se a importância de trabalhar com a legislação e normativas citadas acima, no sentido de fundamentar e sistematizar subsídios para a presente pesquisa. Ao analisarmos os dados obtidos, iremos relacioná-los com o que atualmente regulamenta o serviço para, assim, sugerir o aprimoramento das capacitações das entidades com vistas a garantir o direito das crianças e adolescentes acolhidos.

14 14 O capítulo seguinte traz a metodologia utilizada na construção deste o trabalho. Na busca por compreender os fenômenos caracterizados por um alto grau de complexidade interna, optou-se por empregar uma abordagem qualitativa. Nessa seção, houve, também, a preocupação de enfatizar o processo de condução da pesquisa. O método adotado consiste na avaliação de dados primários que foram levantados a partir de questionários respondidos por profissionais dos acolhimentos institucionais. A partir desse levantamento, foi possível analisar questões 1,apontadas pelos respondentes, relativas às demandas apresentadas por eles sobre os processos de capacitação. Nesse percurso, é importante relacionar alguns questionamentos que nortearam esta pesquisa. Através dos questionários, procurou-se esclarecer indagações acerca dos seguintes variáveis: participação, ou não, de formação para atuar no acolhimento institucional;pontos positivos da formação continuada recebida; pontos negativos da formação continuada recebida; quais foram os conteúdos dessa formação;se contribuíram para o trabalho cotidiano no acolhimento; quais conteúdos e capacidades que os respondentesgostariam que fossem trabalhados em curso de formação continuada para atuarem em acolhimento institucional; se consideram importante aformação continuada para os profissionais de acolhimento institucional. Posteriormente, pretendeu-se por meio de dados secundários,coletados por meio de pesquisa documental, realizar um levantamento sobre as exigências que a lei 12010/09, oeca(1990), as Normas Técnicas e Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais (BRASIL, 2009b) especificam para que o direito da criança e do adolescente acolhido seja de fato garantido. Conforme será apresentado no capítulo três, as informações obtidas, por meio de questionários e pesquisa documental,possibilitaram maior percepção com relação à necessidade de uma formação continuada para os profissionais de acolhimento institucional,a partir do que é vivenciado por eles. Por meio dos gráficos construídos,a partir das respostas dos questionários, foi possível identificar os conteúdos que o próprio profissional de acolhimento institucional citou como importantes para sua formação e que deverão ser 1 Em anexo, consta o roteiro do questionário apresentado aos profissionais de acolhimento institucional.

15 15 trabalhado em capacitações continuadas. A identificação desses conteúdos teve como referência os dados coletados. Para que a pesquisadora pudesse alcançar seus objetivos, as informações e reflexões acerca da temática desenvolvida foram utilizadas para a elaboração de uma propostade formação continuada condizente com real necessidade destes profissionais edirecionada aos que atuam no acolhimento institucional.

16 16 2 ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO BRASIL: RETROSPECTIVA HISTÓRICA Com o propósito de realizar uma retrospectiva sobre a história da institucionalização de crianças e adolescentes no Brasil, faz-se necessária uma compreensão do atual cenário brasileiro, no que se refere aos direitos da criança e do adolescente. É necessário, ainda,compreender as mudanças ocorridas a partir da Doutrina da Proteção Integral, instituída a partir do ECA (1990).Posteriormente, será desenvolvida a análise crítica a respeito do acolhimento institucional contemporâneo e das demandas apontadas pelo profissional inserido nesse cenário, no que concerne a necessidade de uma formação continuada. Percebe-se que,ao longo da história, houve mudanças significativas no acolhimento institucional de crianças e adolescentes, tanto na atuação profissional, como no acolhimento ao público atendido. Atualmente, esse espaço presta assistência, oferecendo não só acolhida, mas cuidado, proteção, socialização, desenvolvimento e garantia da convivência familiar e comunitária. Contudo, os acolhimentos ainda enfrentam algumas dificuldades, dentre elas a falta de uma formação profissional continuada para aos que atuam nesta área. A proposta deste capítulo, aqui descrito, é, além da contextualização do acolhimento institucional no Brasil, compreender como foram estabelecidas as normas e a sua adequação nas unidades de acolhimento institucional, bem como a forma de ofertar esses serviços. Para tanto, como fundamentos para tais normas e adequações, é necessário recorrer à Constituição Federal (1988), ao ECA (1990), à Lei 12010/09 e aos marcos normativos: Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (BRASIL, 2006);Plano Estadual de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (BRASIL, 2009);Orientações Técnicas para os Serviços de Acolhimento para crianças e adolescentes (2009) e a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais (BRASIL, 2009b). Os documentos citados, anteriormente, se configuram como o marco regulatório de assistência à criança e ao adolescente e enfatizam a necessidade de garantir o direito à convivência familiar e comunitária e a provisoriedade da medida protetiva judicial que são executadas por unidades de acolhimento institucional.

17 17 Dentre os novos parâmetros, são estabelecidas orientações para os serviços de acolhimento para crianças e adolescentes, envolvendo toda a rede do sistema de garantia de direitos. Diante disso, este capítulo também se debruçará sobre esse marco regulatório para averiguar quais são as normas e parâmetros usados,na atuação dos profissionais do acolhimento institucional, com intuito de garantirem o atendimento às crianças e adolescentes,ali inseridos como sujeitos de direito. 2.1Análise do acolhimento institucional de crianças e adolescentes no Brasil Para Marcílio (2006), no Brasil as primeiras formas de assistência à criança abandonada, justamente, as que duraram um período mais longo, foram transplantadas de Portugal. A proteção à criança abandonada iniciou-se com a própria colonização. Quando os pais ou parentes não assumiam a responsabilidade por um filho, essa obrigação recaía sobre a câmara municipal, que devia encontrar os meios para criar a criança sem família. Entretanto, as municipalidades brasileiras relutaram contra essa difícil, porém, importante função. Quase sempre, havia omissão, negligência, falta de interesse ou de assistência às crianças expostas. (MARCÍLIO, 2006). No Brasil colonial e durante todo o Império, apenas uma pequena parte das crianças abandonadas foi assistida por instituições especiais, poisa maioria foi acolhida em casa de família ou morreu em desamparo. Segundo Freitas (2003), o fenômeno de abandonar os filhos é tão antigo como a história da colonização brasileira. Contudo, antes da Roda dos Expostos 2, os meninos abandonados, supostamente, deveriam ser assistidos pelas câmaras municipais. Porém, raramente, as municipalidades assumiram a responsabilidade por eles, devido ao descaso, omissão, pouca disposição para com esse serviço que dava muito trabalho. 2 De forma cilíndrica e com uma divisória no meio, esse dispositivo era fixado no muro ou na janela da instituição. No tabuleiro inferior da parte externa, o expositor colocava a criança enjeitada, girava a Roda e puxava um cordão com uma sineta para avisar à vigilante - ou a rodeira - que um bebê acabara de ser abandonado, retirando-se furtivamente do local, sem ser reconhecido. (MARCILIO, 2000, p.55). O dispositivo era colocado nas santas casas de misericórdia e confrarias de caridade, e as crianças eram deixadas sem que houvesse qualquer identificação daqueles que os abandonavam. Esta prática foi desativada em 1949 e extinta, no começo dos anos de1950.

18 18 As primeiras instituições de proteção à infância abandonada só surgiram no século XVIII e, até a Independência do Brasil, limitaram-se a, apenas, três cidades: Salvador, Rio de Janeiro e Recife. Foram elas: a Roda de Expostos que era um dispositivo de madeira, colocado nas Santas Casas de Misericórdia onde a criança abandonada era deixada sem que o expositor fosse visto, e os recolhimentos para meninas pobres que foi fundado em 1716, sob o patrocínio da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia. Esse recolhimento era destinado a recolher jovens e adolescentes brancas e educá-las até o casamento, em alguns momentos acolhia também crianças. (VIANA,1893) Segundo Marcílio (2006), a assistência ao menor abandonado, até meados do século XIX, esteve associada quase exclusivamente às misericórdias. Seu sentido era a caridade cristã, ligada às obras de misericórdia, organizadas por leigos da irmandade. A justificativa da Roda de Expostos foi,efetivamente,a de ser um meio eficaz para impedir o infanticídio e o aborto. Inventada na Europa Medieval, a Roda dos Expostos destinava-se à proteção de bebês que, em grande parte, face ao patriarcalismo da sociedade, eram obrigados a serem abandonados pelas mães que eram solteiras e ou geraram filhos considerados bastardos. O meio encontrado para garantir o anonimato das pessoas que abandonavam os bebês e, também, para evitar o abandono foi então a Roda dos Expostos que, num certo sentido, refletia a posição de submissão das mulheres àquela época. Ela servia para defender a honra das famílias, cujas filhas tinham engravidado fora do casamento. Segundo Leite (1991), a Roda dos Expostos foi uma instituição que objetivava recolher as crianças abandonadas, com o intuito último de salvar a vida de inúmeros recém-nascidos que, de outra forma, estariam perdidos para a sociedade. A Roda existiu na França e em Portugal e foi trazida para o Brasil, no século XVIII. Seu mecanismo permitia que as mães pudessem abandonar seus filhos de forma a não serem identificadas. A instituição cuidaria de recolher e proporcionar às crianças um tratamento adequado. A existência da Roda dos Expostos mostra que o abandono de crianças nesse período era encarado com resignação e até naturalidade, visto ser aceito pelos governantes. No Brasil, a Roda dos Expostos foi uma das instituições mais duradoura. O aumento do fenômeno do abandono de crianças gerou sérios problemas para as administrações dos hospitais, sem falar dos impasses financeiros para a

19 19 manutenção das instituições e das crianças. Um dos maiores problemas foi a questão do leite ou da amamentação de tantos bebês, havendo necessidade de amas de leite. Quando o bebê chegava, já era encaminhado para uma ama de leite e, em alguns casos, a Santa Casa pagava um valor pequeno. Essas amas de leite eram,quase em sua totalidade, mulheres pobres, solteiras e residentes nas cidades. Algumas, ainda, eram casadas ou escravas e, em sua maioria, após receberem o salário, devolviam os bebês para as santas casas Esse problema foi contornado com alternativas como amamentação artificial e a utilização de leite de animais. O sistema de amas de leite tornou-se obsoleto e elas foram dispensadas. Esse foi um dos fatores que levou à extinção das Rodas dos Expostos que acabaram por desaparecer, definitivamente, em fins do século XIX (MARCÍLIO, 2006).Com isso, muitas crianças acabavam nas ruas, vivendo de esmolas, ou até mesmo se prostituindo, uma vez que as santas casas de misericórdia não conseguiam dar continuidade aos cuidados. A última Roda dos Expostos a ser desativada, em 1949, foi na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, que acolheu, durante o tempo de seu funcionamento, cerca de crianças. Porém, de cada dez abandonadas, três morriam, pois eram entregues já doentes ou desnutridas, com base na observação de Almeida (2008). De acordo com Marcílio (2006) são três fases distintas que identificam a evolução na história da assistência à infância abandonada brasileira: a fase caritativa, a fase da filantropia e a fase do Estado Protetor. A primeira fase da assistência à infância abandonada no Brasil pode ser denominada como fase caritativa, a qual iniciou no período colonial e prosseguiu até meados do século XIX. O assistencialismo dessa fase tem como marca principal o sentimento da fraternidade humana, de conteúdo paternalista, sem pretensão a mudanças sociais(marcílio, 1998). Esse assistencialismo de inspiração religiosa e missionário é caracterizado, principalmente, pelas ações de caridade e beneficência. De atuação imediatista, pois, os mais ricos e poderosos minimizavam o sofrimento dos mais desvalidos e, em troca, esperavam receber a salvação de suas almas. Nessa fase, a assistência e as políticas sociais em favor da criança abandonada apresentavam três formas básicas: uma formal e duas informais. No aspecto formal, as câmaras municipais eram as únicas, oficialmente, responsáveis pela tarefa de prover a assistência aos pequenos enjeitados. As câmaras delegavam

20 20 a outras instituições, por meio de convênios escritos, os serviços especiais de proteção à criança exposta. Os convênios foram firmados, sobretudo, com as confrarias das santas casas de misericórdia, que com o aval da Coroa Portuguesa, Roda e Casas de Expostos recolhiam as crianças rejeitadas. (MARCÍLIO, 1998). Segundo Liberati (2002, p. 28), em busca da assistência às crianças abandonadas e rejeitadas, no período do Brasil Colônia e do Império, foi criada a instituição da Roda dos Expostos pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia no Rio de Janeiro, no ano de Mesmo transferindo a responsabilidade, a municipalidade não se isentou de seus encargos financeiros e de controle das crianças sem-família. Com a Lei dos Municípios, de 1828, essas obrigações foram reformuladas. As Santas Casas de Misericórdias passaram a ter o dever de cuidar das crianças deixadas na Roda dos Expostos. Esse sistema de filantropia pública, associada à privada, mudou o papel caritativo da assistência das casas de misericórdia ao menor desvalido. A mudança fez com o que o sistema de acolhida perdesse sua autonomia e parte de seu caráter caritativo, por estar a serviço e sob o controle do Estado. Um segundo sistema, esse de proteção informal, foi o que instituiu a Roda dos Expostos e o recolhimento para as crianças pobres, quase sempre resultante de convênios firmados entre as municipalidades e as santas casas. Quanto ao outro sistema de proteção informal, o mais universal, abrangente e que se estendeu por toda a história do Brasil do século XVI até meados do século XX, de acordo com Marcílio (2006), foram famílias ou indivíduos que recolhiam recém-nascidos deixados nas portas de suas casas, igrejas, ou em outros locais e decidiam criá-los. Havia, também, aqueles que iam à Roda de Expostos buscar essas crianças e as criavam como filhos adotivos. Segundo Trindade (1999), as mães, com dificuldades para manter seus filhos, viam a Roda dos Expostos como única saída para que eles não morressem de fome. Já as mães escravas encontravam na Roda uma possibilidade de livrar seus filhos da escravidão. A Roda dos Expostos tinha cunho assistencialista e foi uma das poucas instituições existentes na história que se preocupou com o bem-estar de menores de idade. A segunda fase da assistência à infância abandonada caracteriza-se como filantropia e recobre o período do final do século XIX até os anos de As

21 21 transformações sociais operadas no Brasil foram profundas, no que diz respeito às políticas públicas sociais voltadas para a infância desvalida (MARCÍLIO, 2006). Em 1885, emergiu um projeto de política pública em favor dos menores abandonados, inspirado na nova mentalidade filantrópico-científica. Esse projeto resultou na criação de asilos de educandos que incluíam a instrução elementar, a formação cívica e a capacitação profissional das crianças desvalidas. (MARCÍLIO, 2006). Os médicos higienistas atacavam a questão da infância abandonada em várias frentes: combate à mortalidade infantil; cuidados com o corpo; estudos; importação de conhecimentos e campanhas de combate às doenças infantis; educação das mães; introdução da pediatria e puericultura; campanhas de higiene e de saúde pública. No final do século XIX, os juristas deixaram seu campo de atuação tradicional e entraram, decididamente, no setor da infância desvalida e delinquente. Nas áreas de conhecimento da medicina e do direito houve uma reelaboração de propostas de política assistencial, ênfase na urgência da reformulação de práticas e de comportamentos, críticas à assistência caritativa e valorização da filantropia. (MARCÍLIO, 2006). Nessa fase, a designação da infância era diferenciada. De um lado, o termo criança era empregado para os filhos das famílias bem postas e, de outro, o termo menor tornou-se uma denominação discriminatória da infância desfavorecida, delinquente, carente e abandonada. De acordo com Marcílio (2006), as velhas instituições coloniais, as rodas dos expostos, os recolhimentos de meninas e os seminários para os meninos, além de insuficientes, já não mais respondiam às demandas e às exigências da nova sociedade liberal. Um terceiro momento da assistência à infância pode ser caracterizado como o Estado de Bem Estar ou Estado Protetor. Esta fase, nas últimas décadas do século XX, teve como objetivo assumir a assistência social da criança desvalida e desviante. Segundo Rizzini (1997), no século XX, as condições sociais criaram um enorme contingente de crianças abandonadas e,com isso, a concepção de infância adquiriu uma dimensão social. Tal mudança repercutiu em uma visão diferenciada desta fase da vida, que deixou de ser objeto de interesse predominante no âmbito

22 22 privado da família e da Igreja, ao tornar-se uma questão de cunho político-social, de competência administrativa do Estado. Contudo, é importante salientar que será tratado a seguir, a efetividade da legislação voltada às crianças e adolescentes que passam a ser alvo de atenção das políticas públicas Legislação: do Código de Menores ao Estatuto da Criança e do Adolescente Com a Proclamação da República, a criança rica é alvo de atenções das políticas, da família e da educação, como forma de prepará-la para dirigir a sociedade. Enquanto isso, a criança pobre inserida nas ditas classes perigosas é estigmatizada com a utilização do termo menor,como forma de denominá-la. Essas crianças eram objeto de controle especial, de educação elementar e profissionalizante e eram preparadas para o mundo do trabalho. Os médicos higienistas e os juristas cuidavam disso com atenção. Para Rizzini (1997), os conceitos e as ações destinadas às crianças se instituíam em dois princípios dominantes: a salvação da alma da criança e a visão dela como patrimônio e futuro da nação a ser transformado em homem de bem. O primeiro conjunto de leis estabelecido no Brasil para as crianças foi o Código de Menores de Esse código foi elaborado, exclusivamente,para o controle das crianças e adolescentes abandonadas e delinquentes. Esta nova Legislação tinha um caráter discriminatório, visto que associava pobreza à delinquência e encobria as reais causas das dificuldades vividas por esse público. Desse modo,a desigualdade da distribuição de renda e a falta de oportunidades podem ser citadas como exemplo de obstáculos enfrentados por essas pessoas. Assim, as crianças de baixa renda eram consideradas inferiores e deveriam ser tuteladas pelo Estado, em regime de internatos ou reformatórios (MARCÍLIO, 2006). Tal legislação deu início à formulação de modelos de atendimento aos menores pobres e excluídos,socialmente, sem que isto significasse proteção e garantia de direitos. Nesse sentido, pretendia-se a racionalização da assistência, mas isso se constituía muito mais como uma estratégia de criminalização da pobreza e da desigualdade social. Os menores que pertenciam a esse segmento

23 23 da população, considerados carentes, infratores ou abandonados, eram, na verdade, vítimas da falta de um sistema de proteção. Segundo Silva (2005), dentre as críticas feitas ao Código de 1927 pode-se priorizar duas: a primeira salienta o fato de que crianças e adolescentes, chamados de menores,sofrerem punições por estarem em situação irregular, sendo que esta situação era ocasionada pela pobreza de suas famílias e pela ausência de políticas públicas.a segunda questionava a prisão de crianças sob suspeita de terem cometido um ato infracional, sem que ele fosse comprovado e sem a possibilidade de defesa. No ano de 1959, com a Declaração Universal dos Direitos da Criança, a criança passou a ter seus direitos reconhecidos como cidadão. A partir da década de 1960,o Estado brasileiro se tornou o grande interventor e o principal responsável pela assistência e pela proteção à infância pobre e à infância consideradadesviante. Em 1964, com os militares no poder,foi criada a Fundação Nacional do Bem Estar do Menor (Funabem).Porém, as crianças inseridas nessas instituições eram vítimas de um rígido controle que as levava à restrição de suas relações sociais.essa privação da interação e da vida com a sociedade e no seio de suas famílias resultou no alijamento, no que diz respeito à convivência familiar e comunitária. Naquela nova realidade nacional, foi elaborado um segundo código de leis: o Estatuto do Menor (1979). Esse estatuto oficializava o papel da Funabem, que, além de atender os desvalidos, abandonados e infratores, atenderia também à adoção de meios para prevenir ou corrigir as causas de desajustamento. A atuação do Juiz de Menores foi confirmada e o instituto da adoção foi regulamentado. Era, então, compreendido que é no seio da família (ainda que substituta) que a criança pode completar o processo de socialização, adquirir valores, desenvolver a autoestima e se capacitar para o desempenho das funções sociais (SILVA,2005). O novo Código determinava que as entidades de assistência e proteção ao menor seriam criadas pelo Poder Público e disporiam de centros especializados destinados à recepção, triagem e observação, e à permanência de menores. Nesses termos,surgiu a Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor(Febem)e/ou congêneres. Essas instituições de internamento abrigo da infância desamparada e com desvios de conduta eram de responsabilidade dos governos estaduais, mas estavam sob a supervisão das políticas gerais estabelecidas pela Funabem.

24 24 A pobreza urbana crescia rapidamente e significou um desafio para a capacidade de atendimento do poder público às questões dela derivada. Aliado a isso,crescia também a violência e o quadro social era desalentador. Com isso, na década de 1980, começam a surgir reações, houve a intensificação dos movimentos sociais: movimento pela anistia, pelo Estado de Direito, acordos para a transição para democracia, movimento pelas Diretas Já, dentre outros. Essa década foi marcada por um cenário de miséria e desigualdade. O índice de mortalidade infantil era altíssimo e estava ligado, entre outras questões, à falta de saneamento e de acesso à educação. Nesse período, crianças e adolescentes ficavam nas ruas e as denúncias das fundações estaduais (Febem) eram notícias em todo o país. Para Frontana(1999, p.63), essas transformações demandavam novos posicionamentos da sociedade e do Estado, já que, cada vez mais, se tornava difícil não tomar esses novos acontecimentos como problemas políticos. Entidades da sociedade civil, as chamadas Organizações Não Governamentais (ONGs), se organizavam e foi criado o Fórum Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Fórum DCA).Isso implica dizer que a sociedade organizou-se e surgiram movimentos sociais voltados para os interesses das crianças e dos adolescentes. Alguns exemplos são: a Pastoral do Menor, que visava ao atendimento dos carentes da comunidade em semi-internatos, e o Movimento Nacional dos Meninos e Meninas de Rua, que consistia na tomada de consciência da própria criança e do adolescente sobre a sua situação. Com efeito, o que observou-se na sociedade brasileira, entre os anos de 1988 e 1990,foi uma intensa mobilização da sociedade civil em torno da elaboração do Estatuto da Criança e do Adolescente e a criação do Ministério da Criança, com o compromisso expresso do governo em favor dessa causa. Foi a partir da década de 1980, com a abertura política e de luta pela redemocratização do país, que a Funabem passou a ser questionada. Um dos fatores que contribuíram para essa discussão foi a participação e reivindicação popular. Outras questões também foram preponderantes, como, por exemplo, os estudos sobre as consequências da institucionalização, interesses de profissionais de diversas áreas de conhecimento sobre a atuação nesse campo, protesto e organização de meninos e meninas de rua ou ex-internos das FEBENS, com denúncias e depoimentos publicados na imprensa e em livros (RIZZINI & RIZZINI, 2004,p.36).

25 25 A grande transformação, então, se dá no ano de 1990, com a aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente, cujos destinatários já não eram mais os menores. Essa nova legislação se aplica a todas as crianças e adolescentes do território nacional, sem distinção. Todos passam a ter seus direitos básicos garantidos. Com a aprovação do ECA, a Funabem foi extinta. Nessa perspectiva da Proteção Integral é que se pretende pensar a formação continuada para os profissionais de acolhimento institucional. 2.2 Criança e adolescente como sujeito de direitos: novos marcos regulatórios 2.2.1Constituição Federal de 1988 Promulgada em 1988, a Constituição Federal limita a utilização do poder, estabelece o ideal de segurança jurídica na sociedade, cria um limite de obrigações do governante e determina os direitos e deveres da sociedade para com as crianças e adolescentes. O Estado deve ter um compromisso com os direitos dos cidadãos e respeito à dignidade humana, condizente com os valores morais e éticos que regem a sociedade. A Constituição é a base da ordem estatal, pois determina direitos e garantias fundamentais, definindo princípios orientadores em relação à sociedade. Através da Constituição, é proclamada a igualdade dos cidadãos, o direito à liberdade e aos direitos fundamentais. Com a promulgação da Constituição Federal em 1988, foram reconhecidos direito, principalmente, no que tange aos direitos humanos, coletivos e sociais (Mazzuoli 2001). A Constituição Federal ou Constituição Cidadã de 1988 é, portanto, uma inovação, quando estabelece princípios e regras concernentes aos direitos da pessoa na concepção de ser humano. Para Mazzuoli (2001), a Constituição de 1988(CF/88) rompe com a ordem jurídica anterior, marcada pelo autoritarismo advindo do regime militar, com o propósito de instaurar a democracia no país e de institucionalizar os direitos humanos. Ela estabelece que a família é à base da sociedade (Art. 226) e que, portanto, compete a ela, juntamente, com o Estado, a sociedade em geral e as comunidades, assegurar à criança e ao adolescente o exercício de seus direitos fundamentais (Art. 227). Portanto, crianças e adolescentes passam a ter prioridade absoluta na formulação de políticas públicas e devem ser tratados como sujeito de

26 26 direitos e em fase de desenvolvimento. Segundo Bitencourt (2009), por meio da CF/88,a população infanto-juvenil deixa de ser vista sob o aspecto da tutoria/discriminatória para tornar-se sujeito de direitos. Os direitos fundamentais especiais da criança e do adolescente são ampliados e aprofundados. Dentre eles, está o direito à convivência familiar e comunitária. Sendo assim, a Constituição rompe com o tratamento diferenciado e discriminatório, anteriormente, dado aos filhos, em razão da origem do nascimento ou das condições de convivência dos pais. O que determinou a equiparação de filhos havidos ou não da relação do casamento ou por adoção (Art. 227). O artigo 227, da Constituição Federal, é inovador ao proclamar em favor da criança e do adolescente, assegurando com absoluta prioridade, seus direitos fundamentais: É dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária. (BRASIL,1990) Para Liberati (2003), a prioridade absoluta é a criança e o adolescente. Por isso, devem estar em primeiro lugar na escala de preocupações dos governantes e todas as suas necessidades devem ser atendidas. A partir da Constituição Federal de 1988, Estado, sociedade e família passam a ter a obrigação de assegurara todas as crianças e adolescentes do Brasil as garantias de seus direitos. Essa nova legislação se distancia daquela de caráter discriminatório e repressivo, passando, então, a ter caráter protetivo e de forma integral. É neste contexto que surge o Estatuto da Criança e do Adolescente que oficia a nova doutrina, fundamentada na proteção integral (LIBERATI, 2003), O ECA instituiu mudanças substanciais, porém, sua operacionalização depende de abrir mão de velhos paradigmas. A implementação dos princípios contidos nesta Lei depende de um novo olhar, de uma nova cultura, acima de tudo, de como lidamos com a diversidade Estatuto da Criança e do Adolescente

27 27 O princípio fundamental da Constituição Federal é a dignidade da pessoa humana. Ao valorizar tanto a pessoa humana quanto a família, que é a base da sociedade, regulamenta-se ações do Estado na proteção da instituição familiar e na efetivação dos direitos de todos os seus componentes. Para tanto, a CF/88percebe na família a sua importância como base da sociedade, pois ela é a principal responsável pela formação da consciência cidadã da criança e do adolescente e seu apoio para a vida em sociedade. Segundo Liberati (2003), devemos compreender que a criança e o adolescente deverão estar em primeiro lugar na escala de preocupação dos governantes; devemos compreender ainda que devem ser atendidas todas as suas necessidades, pois são o maior patrimônio de uma nação. Entretanto, nem sempre as garantias de direitos e de dignidade, foram vistas como importantes para a sociedade e o Estado. Até 1990, estava em vigor o Código de Menores que restringia suas ações em apenas punir crianças e adolescentes que eram considerados infratores, ou em situação irregular. Sendo assim, esse código, não assegurava nenhum direito a essas crianças e adolescentes. A Constituição Federal ou Constituição Cidadã dedica com exclusividade um capítulo para tratar da infância e adolescência e instigou o interesse maior na proteção desse público. Várias são as legislações que visam efetivar essa proteção, ou seja, a própria Constituição; Declaração Universal dos Direitos da Criança e do Adolescente; Convenção dos Direitos da Criança e do Adolescente (Dec /90).Porém, o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) foi a expressão máxima da necessidade de efetivação da proteção à infância e adolescência. A elaboração dessa lei é voltada, exclusivamente, para a criança e o adolescente. A legislação tem por objetivo básico proporcionar uma proteção integral e efetiva aos direitos expressos na Constituição Federal. Revogando o Código de Menores, o ECA prevê às crianças e adolescentes, garantia à saúde, educação, direito a uma família que lhes proporcione um desenvolvimento saudável e digno. Além da garantia de direitos que lhes são assegurados, prevê punição para aqueles que se desviaram para o crime, por meio de medidas socioeducativas, no sentido de reintegrá-lo na sociedade. O ECA,como instrumento legal,proporciona garantias específicas às crianças e adolescentes. O estatuto está relacionado a uma nova visão, ou seja, uma

28 28 realidade distante do abandono familiar, dos maus tratos, da violência, da exploração, da falta de cuidados básicos etc. Ressalta-se que, dentre os direitos fundamentais, o ECA destaca o direito à convivência familiar e comunitária, à vida e à liberdade, como direitos essenciais devidos a toda criança e adolescente (SARAIVA,2003). O direito à vida é indispensável à própria existência humana e cabe ao Estado, à sociedade e à família garantirem esse direito às crianças e adolescentes, além de assegurar a liberdade para que possam desenvolver-se dentro do seu tempo. Com efeito, a partir da Constituição de 1988, iniciou-se o período de Doutrina da Proteção Integral e,com a promulgação do ECA (1990), as crianças e adolescentes passaram a ser considerados sujeitos de direito. A Doutrina da Proteção Integral foi legitimada pela Convenção das Nações Unidas sobre os direitos das crianças, promulgada em Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU),em20 de novembro de 1989, e ratificada no Brasil,em Segundo Pereira (2008), a Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, aprovada em 1989, foi o resultado de um esforço conjunto entre vários países. Para o autor, essa Convenção constituiu-se, durante dez anos, em um marco quanto à proteção e garantias das crianças e adolescentes. Em 1990, o ECA foi reconhecido como umas das legislações mais avançadas da atualidade e no campo legal representou,de fato, uma reviravolta completa. A mudança de rumos proporcionou condições formais para a reformulação das políticas públicas em favor da infância e da juventude. As políticas assistenciais passaram a ser dirigidas ao atendimento compensatório a toda a criança que delas necessite. (MARCILIO, 2006). Em 13 de julho de 1990, a Lei Federal nº 8.069, conhecida como o Estatuto da Criança e do Adolescente revogou a Legislação do Menor,inserida no Código de Menores, bem como da política da Fundação Nacional do Bem Estar do Menor, executada pela antiga Fundação Estadual do Bem Estar do Menor. O ECA foi o marco da mudança de um paradigma que continha uma visão reducionista em torno da criança e do adolescente e da situação irregular do atendimento. Ele destina-se às crianças e adolescentes, independente da sua classe social, raça/etnia, sexo e credo religioso, e surgiu para regulamentar o dispositivo do art. 227 da Constituição Federal de Tal regulamentação acrescentou como

29 29 obrigação da família, da sociedade e do Estado a garantia,com total prioridade, dos direitos fundamentais das crianças e dos adolescentes. Os avanços no atendimento à criança e ao adolescente, a partir do ECA, foram significativos e inúmeros.dentre eles,cabe destacar os seguintes: [...] a) Doutrina da Proteção Integral: Essa doutrina assegura os direitos: Relacionados à sobrevivência (vida e saúde); Relacionados ao desenvolvimento social (educação, lazer, profissionalização, convivência familiar e comunitária); Relacionados à integridade física, moral e psicológica (respeito, dignidade e liberdade).(brasil, 1990, p.1) b) Conteúdo legal: Esse conteúdo legal prevê que: a) A doutrina da situação Irregular é substituída pela Doutrina da Proteção Integral; b) A expressão menor dá lugar à nomenclatura Criança e Adolescente, que traduz respeito e incorpora o sentido real dos sujeitos humanos; c) Os adolescentes em conflito com a Lei tornam-se destinatários de medidas educativas e têm garantias individuais e coletivas até então exclusivas para adultos; d) As crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e ou social passam a ter seus direitos garantidos a partir da medida protetiva de Acolhimento Institucional. (BRASIL, 1990, p.21,25). Os artigos que determinam a aplicação das medidas de proteção são mencionados no Estatuto da Criança e do Adolescente nos artigos 5 e 98. Art. 5º: Nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligencia, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma de lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais. (BRASIL, 1990, p.1) [...] Art. 98: As medidas de proteção a criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados: 1) por ação ou omissão da sociedade ou do Estado; 2) por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável; 3) em razão de sua conduta (BRASIL, 1990, p.21). O artigo 19 do ECA afirma que [...] toda criança ou adolescente tem direito a ser criado e educado no seio de sua família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurada a convivência familiar e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias entorpecentes. (ECA, 1990, p.3) Percebe-se que a convivência familiar foi destaque no Estatuto, visto que as ações nele previstas para o acolhimento de crianças e adolescentes indicam um

30 30 posicionamento legal contra as antigas instituições de acolhimento. O ECA inovou a forma de tratarmos essas questões ao trazer uma regulamentação clara em relação ao abrigamento. O artigo 101 enfatiza a medida de abrigamento como provisória e excepcional e o artigo 23 cita que a falta ou carência de recursos materiais não constitui motivo suficiente para a perda ou suspensão de poder familiar (BRASIL, 1990, p.4). É ainda citado no ECA que, não havendo fato motivador da retirada da criança de sua família, ela deve permanecer e a família deverá ser apoiada através de inclusão em programas de auxílio. Vale ressaltar que o ECA enfrenta muitos desafios. Um deles, é o fato de considerar crianças e adolescentes como sujeitos individuais de direitos e deveres e, acima de tudo, respeitar a sua fase de desenvolvimento. Outro desafio é transformar as próprias unidades de acolhimento em formas mais acolhedoras e individualizadas de atendimento Doutrina da Proteção Integral Conforme preconizou a Convenção Internacional dos Direitos da Criança e da Adolescência (1989), a criança passou a ser considerada como sujeito de direitos e foi assegurada sua proteção integral. Essa proteção deveria estar em consonância com os direitos humanos, porém, levando em consideração as suas peculiaridades. Em 1985, a partir de campanhas com setores governamentais e diversos segmentos da sociedade civil, nasce o Fórum Nacional Permanente de Direitos da Criança e do Adolescente (Fórum DCA), que teve grande importância no contexto de incluir, na Constituição, a emenda pelos direitos da criança e do adolescente. Para os autores Cury, Garrido e Marçura (2002), a proteção integral tem como fundamento a concepção de que crianças e adolescentes são sujeitos de direitos, frente à família, à sociedade e ao Estado. Ainda para os autores, a partir da proteção integral, crianças e adolescentes são considerados como titulares de direitos comuns a todo e qualquer cidadão e de direitos especiais decorrentes da condição peculiar de pessoas em processo de desenvolvimento. O Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) passa a perceber crianças e adolescentes como sujeitos de direitos, em condição de desenvolvimento e com absoluta prioridade. A partir do ECA, Estado, família e sociedade se

31 31 responsabilizam, de forma conjunta,pela garantia de direitos desse público. Diante desse cenário, o Estatuto da Criança e do Adolescente veio revolucionar o direito infanto-juvenil, através da adoção da Doutrina da Proteção Integral. Vale lembrar que o ECA respeita os demais acordos e tratados internacionais que mencionam os direitos das crianças e dos adolescentes. São exemplos de leis, nas quais o Estatuto se baseou, o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a Organização Internacional do Trabalho (OIT), as Regras de Beijing (1985), a Convenção das Nações Unidas sobre os direitos da criança (1989), as Regras das Nações Unidas para a Proteção de Jovens Privados de Liberdade (1990), dentre outros. Com a Doutrina da Proteção Integral, há um novo enfoque sobre a incapacidade da criança e do adolescente, que passam a ser reconhecidos de forma diferenciada, uma vez que estão em fase de desenvolvimento peculiar, portanto, são merecedores de cuidados especiais. Várias foram as mudanças com o novo paradigma da Proteção Integral, dentre elas, a universalidade, ou seja, a lei abrange todas as crianças e adolescentes. Tal visão includente permite que esses indivíduos sejam reconhecidos como sujeitos de direitos e visa a proteção focada no direito que possuem. Esse fato levou ao abandono das atitudes paternalistas e do termo menor ou delinquente, respeitando, assim, a opinião desse público. Apesar das mudanças citadas acima, é necessário uma constante luta nos espaços públicos sobre a efetivação da proteção integral. A sociedade deve ter consciência da importância dessa proteção e participar efetivamente desse novo ordenamento jurídico. Portanto, novas instâncias surgiram a exemplo dos conselhos tutelares, conselhos de direitos,conferências municipais, fóruns e etc. para contribuir com esse reordenamento. Para Souza (1991), a participação é requisito de realização do próprio ser humano e, para seu desenvolvimento social, requer participação nas definições e decisões em sociedade Sistema de Garantia dos Direitos de Crianças e Adolescentes (SGD) Em 1999, após discussão de vários movimentos sociais, na Conferência Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, é criado o Sistema de Garantia dos Direitos de Crianças e Adolescentes, que é considerado o conjunto articulado de

32 32 pessoas e instituições que atuam para efetivar os direitos infanto-juvenis. Fazem parte desse Sistema: a família; as organizações da sociedade civil; os conselhos de direitos; conselhos tutelares; diversas instâncias do poder público, a exemplo do Ministério Público, da Vara da Infância e Juventude, da Defensoria Pública e da Secretaria de Segurança Pública. Conforme Resolução 113/2006, o Sistema de Garantia de Direitos, concebido pelo ECA, estabelece ampla parceria entre Poder Público e a sociedade civil, no sentido de elaborar e monitorar a execução de políticas públicas voltadas para a criança e o adolescente. Para o cumprimento dessas ações, o SGD possui três eixos de ação,a defesa de direitos humanos, promoção de direitos e controle e efetivação dos direitos humanos. Está presente no primeiro eixo, órgãos públicos como: Judiciário, promotorias, defensorias, Advocacia Geral da União, Polícia Civil Judiciária inclusive a Política técnica polícia militar, conselhos tutelares e ouvidorias. Já o segundo eixo de promoção desenvolve-se de maneira transversal e intersetorial, articulando diversas políticas públicas. O artigo 86 do ECA prevê a política de atendimento que implica na satisfação das necessidades básicas das crianças e adolescentes, na participação da população, na descentralização política administrativa e no controle social e institucional. A política de atendimento ainda organiza-se em três tipos de programas, serviços e ações públicas: serviços e programas das políticas públicas, de execução de medidas de proteção e de medidas socioeducativas. O terceiro e último eixo trata do controle das ações públicas de promoção e defesa, através das instâncias públicas colegiadas próprias, que asseguram a paridade de participação governamental e não governamental. É neste espaço que estão inseridos os conselhos de direitos de crianças e adolescentes, conselhos setoriais de formulação e controle de políticas públicas e os órgãos de controle interno e externo. Garcia (1999) destaca que, dentro do SGD, existe a preocupação maior com o eixo Controle Social, que não aparece explicitamente no ECA, mas,sua existência, é condição fundamental para a intervenção no campo da garantia de direitos, nos eixos da promoção e da defesa. Ressalta-se que poder público, família, instituições, organizações não governamentais e a sociedade em geral devem assumir o papel de responsabilidade

33 33 social na preservação dos direitos à criança e ao adolescente. Portanto,é imprescindível a participação e comprometimento de todos os atores envolvidos, caso contrário, nenhuma política terá êxito. Para Saraiva (2003), a Constituição Federal de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente (1990) apresentam um novo paradigma que eleva a criança e adolescente à condição de verdadeiros cidadãos, como sujeitos de direitos e deveres. 2.3 As Novas Normativas 2.3.1Os Conselhos Em decorrência dos princípios constitucionais da descentralização políticoadministrativa e da participação popular, surge o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), criado por determinação do ECA, através da Lei Federal 8069/90 e da Lei Municipal de Belo Horizonte 86/2001. Nessa linha, foi instituído também o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente (Cedca), criado sob a Lei de 11 de fevereiro de Em 1992, surge o Conselho Nacional de Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).Este último elabora as normas gerais da política nacional de atendimento aos direitos da criança e do adolescente. Cabe, ainda, a este Conselho, fiscalizar as ações de execução, observadas as linhas de ação e as diretrizes estabelecidas. Todos estes órgãos, dispostos dentro da política de atendimento, são de caráter deliberativo e controladores das ações em todos os níveis. O Conanda apoia os conselhos estaduais e municipais dos direitos da criança e do adolescente. Este suporte também é prestado aos órgãos estaduais, municipais e entidades não governamentais, para tornar efetivos os princípios, as diretrizes e os direitos das crianças e adolescentes. Neste espaço, acontece o controle social, que se constitui no acompanhamento da sociedade civil nas decisões públicas. Correia discorre sobre essa dinâmica e reforça a relevância da participação social nas decisões que envolvem a sociedade. Como espaços democráticos de gestão do que é público, os Conselhos, apesar de suas contradições e fragilidades, têm sua importância, num país

34 34 como o Brasil, em que a cultura de submissão ainda está arraigada na maioria da população e em que o público é tratado como posse de pequenos grupos de privilegiados. O controle social, ou seja, o controle dos segmentos que representam as classes subalternas sobre as ações do Estado e sobre o destino dos recursos públicos, torna-se um desafio importante na realidade brasileira para que se criem resistência à redução de políticas sociais, à sua privatização e à sua mercantilização. (CORREIA,2002,p.41) Surgem também os conselhos tutelares uma inovação do ECA com a função de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente, conforme é estabelecido no Artigo 131. Cabe, ainda, ao conselho tutelar, encaminhar ao Ministério Público, as situações de violação de direitos, e ao judiciário, os casos pertinentes a ele, e assessorar o executivo na elaboração da proposta orçamentária (FROTA,2000). O conselho tutelar é um órgão, integralmente, composto por pessoas da sociedade, autônomo e naturalmente coletivo e não jurisdicional. Ele tem a função de defender o cumprimento da Lei que define direitos às crianças e aos adolescentes e afirma deveres à família, à comunidade, à sociedade e ao poder público. Vale destacar que o conselho tutelar é autônomo para zelar com o cumprimento dos direitos citados no ECA, no que tange o combate a tudo que ameaça e viola os direitos das crianças e adolescentes. Na busca por medidas de proteção, são realizadas ações como o encaminhamento de crianças e adolescentes para as unidades de acolhimento institucional. Segundo Frota (2000), o conselho tutelar é o órgão responsável pelo atendimento aos casos de violação dos direitos da criança e do adolescente, no município. Este conselho deve ser composto por pessoas, escolhidas pela sociedade civil, que conheçam bem a lei e que tenham alguma experiência no atendimento à criança, ao adolescente e aos seus familiares. As atribuições do conselho tutelar são as seguintes: atender crianças e adolescentes que tenham tido seus direitos ameaçados ouvi o lados, aplicando as medidas de proteção previstas no artigo 101 (parágrafos I ao VII); atender crianças que tenham praticado ato infracional aplicando medidas de proteção previstas no artigo 101, I ao VII); receber das escolas a comunicação dos seguintes casos: maus tratos, reiteração de faltas injustificadas, de evasão escolar e elevados níveis de repetência (art. 56); requisitar serviços públicos nas áreas de saúde, educação,

35 35 serviço social, previdência social, trabalho e segurança; requisitar certidões de nascimento e de óbito, quando necessário. (FROTA,2000). Diante disso, observa-se que os conselhos tutelares ficam responsáveis, principalmente, pela aplicação das medidas específicas de proteção. Contudo, diante de tantas atribuições, faz-se necessário que os conselheiros tenham uma formação profissional continuada e apoio do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente. Com a participação da sociedade civil,na elaboração de políticas sociais públicas que atendem aos interesses da população, outras leis surgiram para garantir os princípios de uma nova normativa. A Lei do Sistema Único da Saúde/1988 e a Lei Orgânica da Assistência Social (Loas) criada em 1993 reiteram a importância dessa participação, o que legitima o papel da sociedade civil no controle social. A Loas prioriza a criança e o adolescente nas ações da assistência social que se torna visível enquanto política pública, inserida no tripé da seguridade em conjunto com a educação e previdência social. A promulgação da Política Nacional de Assistência Social (PNAS),aprovada em 22 de setembro de 2004 pelo Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), concretiza direitos e estabelece processos metodológicos para a implantação da assistência social enquanto política pública Política Nacional de Assistência Social e o Sistema Único de Assistência Social A promulgação da Política Nacional de Assistência Social concretizou direitos e estabeleceu metodologias para a implementação da assistência social enquanto política pública. A PNAS passa a ser operacionalizada pelo Sistema Único da Assistência Social, sistema de gestão da assistência social para todo o território nacional, criado em 15 de julho de 2005,pela Resolução n o 130 do Conselho Nacional de Assistência Social. O Suas (2005) é um sistema público não contributivo, descentralizado e participativo, que tem por função a gestão do conteúdo específico da Assistência Social no campo da proteção social brasileira. (BRASIL, PNAS, 2004).Esse sistema regula e organiza, em todo território nacional, as ações socioassistenciais, define e organiza os elementos essenciais e imprescindíveis à execução da política de

36 36 assistência social, possibilitando a normatização dos padrões nos serviços. O Suas define níveis de complexidade de proteção social, ou seja, Proteção Social Básica (PSB) e Proteção Social Especial (PSE),que se divide em média e alta complexidade. Os serviços da média complexidade oferecem atendimentos às famílias e indivíduos com seus direitos violados, mas cujos vínculos familiares e comunitários não foram rompidos. Já a proteção especial de alta complexidade são aqueles atendimentos que garantem proteção integral, ou seja, quando famílias ou indivíduos se encontram sem referência e necessitam ser retirados de seu núcleo familiar ou comunitário. Portanto, são eles: o serviço de acolhimento institucional; serviço de acolhimento em repúblicas; serviços de proteção em situações de calamidades públicas e emergências. (BRASIL, PNAS, 2004). Para reforçar as diretrizes da política, em 2006,foi lançado o Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (PNCFC). O documento reflete a decisão do Governo Federal de priorizar os direitos da criança e do adolescente à convivência familiar e comunitária. Isso resulta da formulação e implementação de políticas públicas, que assegurem a garantia dos seus direitos de forma integrada e articulada com os demais programas do governo. Esse Plano constitui um marco nas políticas públicas no Brasil, ao romper com a cultura da institucionalização de crianças e adolescentes, fortalecendo o paradigma da proteção integral e da preservação dos vínculos familiares e comunitários, preconizados no ECA (BRASIL,2006). A origem do PNCFC tem forte relação com o processo democrático e contou com a participação de atores da sociedade civil e do governo. Seu princípio norteador é a ruptura com a institucionalização arbitrária e sem critérios e a busca contínua da preservação dos vínculos familiares e comunitários. Todos os objetivos e estratégias têm como centralidade a família o que traduz a discussão do direito à proteção inserida em diversas instâncias da sociedade. De acordo com Rizzini (2007), a tendência atual, na esfera das políticas sociais e econômicas, é a de ressaltar a centralidade do papel da família no cuidado, formação e educação das crianças. O final do século XX e a primeira década do século XXI têm sido palco de várias transformações no que se refere à família, seja em termos de formas de constituição ou em relação aos processos de ruptura dos laços conjugais e o

37 37 abandono das crianças ou a circulação das crianças pelas famílias extensas ou reconstituídas. Essas mudanças na organização familiar têm provocado discussão e segundo Mioto (2006), a situação de sofrimento e abandono de milhares de crianças e adolescentes,em todo o mundo, tem colocado em pauta o discurso sobre a importância da família no contexto social. Em 2009 foi elaborado o Plano Estadual de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária, que vem para reiterar o Plano Nacional. Ele foi desenvolvido por meio da parceria estabelecida entre o Conselho Estadual de Assistência Social (Ceas) e o Conselho Estadual dos Direitos da Criança e do Adolescente. São cinco os eixos estratégicos do Plano Estadual: análise da situação e sistemas de informação; atendimento; marcos normativo e regulatório; mobilização, articulação e participação; eixo de sustentabilidade. Com a discussão proposta pelo PNCFC, no que diz respeito ao reordenamento das entidades que executam o serviço de acolhimento institucional, surge, através da Resolução Conjunta n o 1, Conanda/CNAS, as Orientações Técnicas para os Serviços de Acolhimento para crianças e adolescentes (2009). Esse documento estabelece parâmetros para a execução dos serviços de acolhimento institucional e configura o início de um processo de reordenamento institucional Orientações Técnicas para os Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes As Orientações Técnicas (2009) estabelecem parâmetros de funcionamento e oferecem orientações metodológicas, para que os serviços de acolhimento de criança e adolescentes possam cumprir sua função protetiva e de restabelecimento de direitos.o objetivo é compor uma rede de proteção que favoreça o fortalecimento

38 38 dos vínculos familiares e comunitários, o desenvolvimento de potencialidades das crianças e adolescentes atendidos e o empoderamento de suas famílias (BRASIL, 2009a). Os Serviços de Acolhimento Institucional integram os Serviços de Alta Complexidade do Sistema Único da Assistência Social (2005) e devem pautar-se nos referenciais do ECA; do Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (2006); da Política Nacional de Assistência Social (2004); do Projeto de Diretrizes das Nações Unidas sobre Emprego e Condições Adequadas de Cuidados Alternativos com Crianças (2007). Portanto, as Orientações Técnicas (2009) se configura como um documento que aborda os princípios, as orientações metodológicas e os parâmetros de funcionamento para as diversas modalidades de serviço de acolhimento de crianças e adolescentes. De acordo com Gulassa (2009), abrigo é, essencialmente, um lugar de escuta. Todas as atividades do abrigo são aberturas para a escuta que possibilitam a criança, a família e todos os atores envolvidos a própria expressão para ser conhecido e se conhecer. A caracterização do cotidiano do trabalho dos profissionais de acolhimento institucional, muitas vezes, é permeado por apreensões e sofrimentos e os efeitos trazidos por essa experiência interferem em seu desempenho profissional, prejudicando o público atendido. As Orientações Técnicas (2009) respaldam todo o processo de reordenamento institucional e passa a regular todo o atendimento, enquanto um serviço consolidado pelo Suas. De acordo com esse documento, os serviços de acolhimento para crianças e adolescentes deverão estruturar seu atendimento de acordo com os seguintes princípios: excepcionalidade do afastamento do convívio familiar; provisoriedade do afastamento do convívio familiar; preservação dos vínculos familiares e comunitários; garantia de acesso e respeito à diversidade e não à discriminação; oferta de atendimento personalizado e individualizado; garantia de liberdade de crença e religião; respeito à autonomia da criança, do adolescente e jovem. Vale ressaltar, a importância das orientações metodológicas citadas nas Orientações Técnicas (2009), dentre elas:

39 39 [...] estudo diagnóstico para avaliar caso a caso a necessidade do afastamento da criança ou adolescente do convívio familiar; os serviços de acolhimento deverão elaborar a proposta de um projeto político pedagógico com intuito de garantir a oferta de um atendimento adequado a esse público; trabalho social com as famílias de origem, ou seja, tão logo a criança ou adolescente seja encaminhado para um serviço de acolhimento, deve ser iniciado um estudo psicossocial para a elaboração de um plano de atendimento, com vistas à promoção da reintegração familiar; fortalecimento da autonomia da criança, do adolescente e do jovem, que devem ter sua opinião considerada; articulação intersetorial para o desenvolvimento das ações, ou seja, articulação permanente com o Sistema de Garantia de Direitos (Conselhos Tutelares; Vara da Infância e Juventude; Ministério Público e outros e ainda com a rede socioassistencial(proteção Social Básica e Proteção Social Especial e ainda com as demais políticas: saúde, educação, cultura, esporte, etc. Processo de seleção criterioso dos profissionais que atuarão nos Serviços de Acolhimento. Essa seleção torna-se essencial para a garantia de contratação de pessoal qualificado e com perfil adequado ao desenvolvimento das funções; Capacitação e acompanhamento dos profissionais. De acordo com as Orientações Técnicas, deve-se investir na capacitação e acompanhamento de toda a equipe, pois trata-se de uma tarefa complexa que exige uma equipe bem preparada, especialmente para os profissionais que tem contato direto com as crianças, adolescentes e suas famílias; Formação Continuada, ou seja, acompanhamento sistemático do profissional. (BRASIL,2009,p.10,11,17,21,23,24,25,27) Ainda de acordo com as Orientações Técnicas (2009) os acolhimentos para Crianças e Adolescentes passam a ter parâmetros de funcionamento, portanto os serviços prestados podem ser ofertados em diferentes modalidades de atendimento, ou seja, acolhimentos institucionais; casas lares; famílias acolhedoras e repúblicas. Essa organização dos serviços de acolhimentos tem como objetivo adequar às demandas das crianças e adolescentes. Será a partir de uma análise da situação familiar e do perfil da criança ou adolescente que será constituída uma avaliação para definir qual modalidade poderá responder, de forma mais eficaz, às suas necessidades. Deverá, ainda, ser levado em consideração a idade, o histórico de vida, os aspectos culturais, o motivo do acolhimento, a situação familiar etc.(brasil,2009). Com esse novo reordenamento, o serviço de acolhimento para crianças e adolescentes passa a estar dentro de duas categorias: abrigo institucional e casa lar. Sendo que o abrigo institucional, segundo o art. 101 do ECA, é um serviço que oferece acolhimento, cuidado e espaço de desenvolvimento para crianças e

40 40 adolescentes, em situação de abandono, ou cujas famílias, ou responsáveis, encontram-se, temporariamente, impossibilitados de cumprir sua função de cuidado e proteção. Conforme as Orientações Técnicas (2009), o acolhimento institucional deve oferecer atendimento especializado, em pequenos grupos, estar inserido dentro da comunidade, em áreas residenciais, e proporcionar condições para o acolhimento com padrões de dignidade. Essa modalidade funciona como moradia provisória até que seja viabilizado o retorno à família de origem ou, na sua impossibilidade, o encaminhamento para família substituta. O público-alvo atendido são crianças e adolescentes, de 0 a 18 anos, sob medida protetiva de abrigo. Quanto às casas lares, de acordo com as Orientações Técnicas (2009), elas se constituem em uma modalidade de serviço de acolhimento oferecido às crianças e adolescentes sob medida protetiva, porém, em unidades residenciais, nas quais pelo menos uma pessoa ou casal trabalha como cuidador(a)/educador(a). É um atendimento que visa estimular o desenvolvimento de relações mais próximas do ambiente familiar. Também deve localizar-se em áreas residenciais. O serviço deve favorecer um ambiente próximo de uma rotina familiar. Para que o atendimento em serviços de acolhimento possibilite à criança e ao adolescente o que é previsto em lei, um quadro mínimo de funcionários deve ser respeitado. É importante que as instituições de acolhimento tenham profissionais capacitados e com formação continuada para exercer as atividades e se reconhecerem como parte integrante desse grupo. Percebe-se que esse contexto onde se desenvolve o trabalho institucional é pautado como um desafio, devido aos avanços na legislação e normativas. Portanto, muitas mudanças ainda precisam ser vislumbradas para que não seja um espaço de exclusão. O espaço de acolhimento precisa proporcionar grande contribuição à criança e ao adolescente, nesse período de afastamento da familia. A falta de uma formação profissional continuada para os técnicos do acolhimento institucional pode causar, além de um atendimento não condizente com o que é previsto em lei, a insatisfação com as atividades que realizam. Esse descontentamento não traz prejuízos apenas a esse profissional, mas podem desenvolver baixo rendimento, negligência para com os acolhidos e suas famílias e, consequentemente, a diminuição da qualidade dos serviços prestados.é também

41 41 necessário o enfrentamento das condições de trabalho, da regulamentação da profissão. Segundo Costa, Oliveira e Amaral (2012), a qualificação profissional deve: [...]englobar uma visão ampliada de formação e capacitação dos trabalhadores, partindo de uma perspectiva de educação integral que lhes possibilite a elevação dos conhecimentos gerais e uma compreensão total do seu processo de trabalho e não visando apenas o aprendizado de novas habilidades imediatas decorrentes das requisições impostas pelo capital (COSTA; OLIVEIRA; AMARAL, 2012, p. 324). Ressalta-se que os acolhimentos institucionais devem atender aos pressupostos do ECA, ou seja, trabalhar pela organização de um ambiente favorável ao desenvolvimento da criança e do adolescente, estabelecendo uma relação afetiva e estável com os funcionários. Esse ambiente facilitador permite oferecer condições que incluem tanto atendimento às necessidades físicas e de sobrevivência, quanto as emocionais. Diante disso, não basta apenas os avanços da lei.é necessário seguir parâmetros que são propostos na legislação,no sentido de humanizar o serviço. O acolhimento institucional contemporâneo é palco de novos atores com novas formas de acolhimento. Para Arpini e Quintana (2003), é relevante repensar, recuperar e investir no universo institucional das unidades de acolhimento, superando os estigmas que acompanham a realidade das instituições como lugar do fracasso, permitindo que elas sejam vistas como um local de possibilidades, de acolhimento, de afeto e proteção. Pensar na qualificação do profissional que atua no acolhimento institucional é refletir sobre as possibilidades de desenvolvimento das ações, visando atender interesses específicos, tanto pessoais, quanto profissionais. A qualificação profissional produz mudanças no contexto social, econômico e político, em que está inserida, e é uma necessidade da sociedade em geral, uma vez que o mundo contemporâneo oferece amplos espaços de atuação. Com o propósito de responder aos questionamentos sobre a importância de uma formação profissional continuada, direcionada aos que trabalham no acolhimento institucional, faz-se necessário, apreender sobre os espaços de atuação desse profissional, mediante programas de formação profissional. Isso é justificado pela busca de conhecimentos que possam contribuir com sua a qualificação, porém, no contexto atual que se insere o acolhimento.

42 42 Ressalta-se que, a prática do acolhimento institucional de crianças e adolescentes é um problema social e político. Diante disso, é preciso que esses serviços possam minimizar o impacto que causa a institucionalização, abrindo portas para novos atores e novos parâmetros, no sentido de priorizar ambientes que possibilitem o efetivo desenvolvimento da criança e do adolescente Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais A Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais (BRASIL,2009) valida os níveis de complexidade do Suas, trazendo uma matriz padronizada para todos os serviços que passam a ter um nome unificado em todo o país. A Tipificação prioriza as seguranças estabelecidas na PNAS (2004), com um novo olhar voltado para uma ação provisória e reparadora. Através da resolução n o 109/2009, a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais (BRASIL,2009), também, estabelece parâmetros para a padronização dos serviços socioassistenciais. Os serviços são organizados por nível de complexidade do Suas, definindo aspectos fundamentais para orientar sua oferta, em todo o território nacional. Assim, cada serviço foi definido quanto a: nomenclatura, descrição, usuários, objetivos, provisões, aquisições dos usuários, condições e formas de acesso, unidade, período de funcionamento, abrangência, articulação em rede e impacto social esperado (BRASIL, 2009a). Desse modo, a Tipificação preenche uma lacuna de regulamentação dos serviços e lhes cria uma identidade, no que se refere à compreensão de seus objetivos, provisões e aquisições dos usuários. Consiste, portanto, em referências fundamentais para gestores e trabalhadores da assistência social, em relação à implementação ou à adequação dos serviços. Configurando-se, assim, em um importante marco para a gestão da política (BRASIL,2009). A padronização dos serviços abre caminhos para a delimitação de uma rede de serviços socioassistenciais, ao permitir identificar ações e serviços em conformidade com a política, ainda que, sejam realizados por entidades privadas. Ao instituir padrões mínimos para a oferta de serviços, a tipificação cria condições para a elaboração de indicadores de qualidade no Suas, na medida em que possibilita avaliar características dos serviços ofertados em relação ao padrão mínimo tipificado (BRASIL,2009).

43 43 Cabe destacar, ainda, a importância da tipificação para a consolidação dos serviços de assistência social no país. A partir da regulação dos serviços, fica explícito, aos cidadãos e às instâncias de controle social, o que eles podem exigir do poder público no campo da assistência em qualquer parte do território nacional. Por tudo isso, pode-se afirmar que a tipificação representa um avanço institucional de grande relevância para a consolidação do Suas e da política de assistência no Brasil. Desse modo, para os acolhimentos institucionais, a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais (2009) é importante no sentido de regulamentar e criar uma identidade para o serviço e uma compreensão de seus objetivos. É, então, inaugurado um período em que é priorizado, nos acolhimentos institucionais, um ambiente que possibilite, de fato, o desenvolvimento da criança e do adolescente. Ao poder público, cabe a tarefa de organizar e disponibilizar esses serviços, conforme um padrão mínimo instituído. O Estado reconhece o direito à convivência familiar e comunitária que é um direito intrínseco para que o ser humano possa crescer e socializar-se Lei 12010/2009 ou Lei da Convivência Familiar e Comunitária Com a Lei 12010/2009, destaca-se o aperfeiçoamento da sistemática prevista para garantia do direito à convivência familiar a todas as crianças e adolescentes. É assegurado, então, a orientação, o apoio e a promoção social da família natural. Após o ECA, a Lei 12010/2009 modificou e acrescentou diversas disposições, no que se refere às medidas de proteção. Ela trouxe importantes instrumentos para uma maior efetividade das garantias de direitos destacadas na Constituição Federal e especificadas no Estatuto da Criança e do Adolescente. Além de alterar os dispositivos do ECA, altera, também, o Código Civil,da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) e inclui novos dispositivos referentes a adoção. Popularmente, conhecida como a Lei da Adoção, em agosto de 2009, ela foi promulgada e regulamentou o artigo 227, da Constituição, que se baseia em três princípios: conceito de criança como sujeito de direitos, interesse superior da criança acima de qualquer outro interesse da sociedade e indivisibilidade dos direitos da criança, ou seja, assegurar todos os seus direitos (BRASIL, 2009c).

44 44 A Lei nº /2009 deu origem ao reordenamento do atendimento à criança e ao adolescente em risco social e pessoal (BRASIL, 2009c). A operacionalização das normativas da Lei nº 8069/90 tem por objetivo acelerar os processos e impedir que crianças e adolescentes permaneçam mais de dois anos em acolhimentos institucionais, salvo em caso de alguma recomendação expressa da Justiça. Essa Lei determinou importantes inovações no texto do ECA, visando o aperfeiçoamento da sistemática prevista para a garantia do direito à convivência familiar a todos os menores. Tal legislação veio reforçar a necessidade de se garantir à criança e ao adolescente o direito de convivência familiar com sua família biológica. Acrescenta que o acolhimento familiar terá preferência ao acolhimento institucional e que a medida deverá ser temporária e excepcional. Segundo Dantas (2009), a Lei , inseriu alguns princípios que devem orientar a intervenção estatal, na aplicação das medidas de proteção a crianças e adolescentes. As ações protetivas devem ser estendidas as suas famílias. Dentre as medidas pode-se citar a colocação em família substituta e assistência de auxílio à família, com acolhimento familiar e institucional. Para Dullius,Rasia: [...]a Lei da Adoção foi aprovada como uma nova ferramenta legal na tentativa de efetivar os direitos fundamentais da criança e do adolescente trazendo em seu bojo, um número considerável de medidas de proteção a esses direitos tão amplamente previstos, mas ao mesmo tempo tão violados no dia a dia da nossa sociedade. (DULLIUS; RASA,2011,p.94) A referida lei explicita medidas específicas de proteção que podem ser aplicadas de forma isolada ou cumulativa. Também podem ser substituídas se necessário, levando em conta as necessidades pedagógicas, dando preferência àquelas que visem o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários (Lei 12010/09). Nessa nova lei, foram inseridos princípios que orientam a intervenção do Estado, no que diz respeito à aplicação das medidas de proteção às crianças, adolescentes e suas famílias, a exemplo de programas de assistência e auxílio à família,acolhimento familiar e institucional, inserção em família substituta. Vale ressaltar que a Lei 12010/09, trata da convivência familiar e fornece respaldo para as diretrizes previstas nas Orientações Técnicas para os Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes. Essas orientações objetivam aperfeiçoar

45 45 toda a sistemática, com vistas à garantia do direito à convivência familiar e comunitária. Portanto, o encaminhamento da criança para família substituta acontecerá, apenas, quando esgotadas todas as possibilidades de reintegração. Com essa lei, há exigências com relação à situação da criança e adolescentes acolhidos. Uma delas diz respeito ao prazo de reavaliação individual de cada criança acolhida, a cada seis meses, com o parecer de uma equipe interdisciplinar. Além disso, de acordo com essa lei, a criança não poderá permanecer em acolhimento institucional por um prazo superior a dois anos, salvo comprovada necessidade, devidamente fundamentada pela autoridade judiciária (Lei 12010/09). Segundo Santos (2009), este dispositivo é uma das maiores conquistas, reafirmando o caráter transitório do abrigamento, no qual todo o sistema de proteção deve ser reavaliado se realmente é necessário. Esta lei exige dos órgãos públicos e privados, executores do serviço de acolhimento institucional, que cumpram seu dever legal de acolher a criança, o adolescente e sua família. Porém, este acolhimento deve ser realizado de forma qualificada, priorizando o acompanhamento familiar e, somente após esgotadas todas as possibilidades na família de origem, é feito o encaminhamento para família substituta. Segundo Dantas (2009), a colocação das crianças e adolescentes, em família substituta, deve ser feita sempre com cautela, preparando os profissionais e demais envolvidos, com acompanhamento posterior, para assegurar o sucesso da medida. As ações que garantem prioridade absoluta aos direitos da criança e do adolescente passam, com a nova Lei 12010/09, a ser de responsabilidade do Judiciário, Ministério Público e Defensoria Pública. Cabendo ao conselho tutelar, de cada município, promover, proteger, orientar e auxiliar as famílias. A Lei 12010/09, com suas inovações e avanços, se constitui em um poderoso instrumento que pode ser utilizado para mudança de concepção e ainda de prática, por parte das unidades de acolhimento institucional e demais órgãos públicos responsáveis pela defesa dos direitos de crianças e adolescentes acolhidos. Não só os acolhimentos e órgãos públicos devem buscar adequação e implementação das disposições dessa Lei, mas toda a sociedade pode atuar como controlador social da garantia do direito da criança e adolescente à convivência familiar e comunitária. Neste capítulo, foi proposto apresentar a política de acolhimento institucional, que vem sendo implantada, no país, a partir das alterações introduzidas pelo

46 46 ECA/90 e pela Lei 12010/2009. Essa política se propõe a alterar a forma como as Unidades de Acolhimento Institucional atendem crianças e adolescentes que ficam sob sua guarda. Também foi apresentado os desdobramentos no que diz respeito ao acolhimento institucional, buscando uma melhor compreensão da política para esta área. Foram estabelecidos e incorporados pela legislação, novos parâmetros norteadores do atendimento à criança e ao adolescente. Esses foram instituídos a partir do Plano Nacional aprovado em 2006 e que defende os direitos de crianças, adolescentes e suas famílias, das Orientações Técnicas para os Serviços de Acolhimento, de 2009 ambos aprovados pelo Conanda e da Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais também de No Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (BRASIL, 2006). por meio de diretrizes, metas e ações há uma valorização da convivência familiar e comunitária. A política de atendimento à criança e ao adolescente propõe que o acolhimento institucional seja uma medida provisória e excepcional. Ele deve ocorrer, apenas, quando houver violação de direitos, sendo necessário o afastamento temporário da convivência familiar. Esse documento avançou, principalmente, no campo chamado reordenamento das instituições, que oferecem programas de acolhimento institucional, defendendo a profissionalização dessas entidades e dos cuidadores e a observância dos dispositivos e princípios do ECA. Já as Orientações Técnicas (2009) estabelecem parâmetros para o funcionamento das entidades de acolhimento e traçam orientações metodológicas para sua atuação. A partir dessas Orientações, há uma expectativa com relação ao estabelecimento dos parâmetros de qualidade para as unidades de acolhimento institucional. Com base nas Orientações Técnicas, as entidades de acolhimento são responsáveis por elaborar um projeto político-educativo, que vise a qualidade no serviço prestado. O documento destaca a necessidade de um trabalho social com as famílias de origem das crianças e adolescentes acolhidos a partir de atividades, que envolvam a preservação e fortalecimento dos vínculos familiares. As Orientações Técnicas, ainda, especificam que as entidades de acolhimento devem investir na

47 47 capacitação e acompanhamento dos profissionais divididos em capacitação introdutória, capacitação prática e formação continuada. Quanto à Tipificação, a importância se deve ao fato de regulamentar e criar uma identidade para o serviço de acolhimento institucional no que se refere à compreensão de seus objetivos. Tanto os documentos, quanto as leis, visam a proteção da criança e do adolescente, com a concepção que são sujeitos de direitos de fato. Do ponto de vista da política de atendimento à criança e ao adolescente, os princípios da legislação estão baseados na cidadania e na garantia de desenvolvimento desse público. Esses princípios se alicerçam no sentido de fazer valer o direito fundamental de crianças e adolescentes de serem educados no seio de uma família e de uma comunidade. Para tanto, é fundamental que seja estabelecido o reordenamento institucional, com o propósito de garantir as condições de sobrevivência, do desenvolvimento social e pessoal, a integridade física e moral e o atendimento individualizado. É nesse cenário de transformações que, falar de uma prática na qual se está envolvida, pode trazer possibilidades de análises interpretativas. Com base nesses estudos, existe a expectativa de propor resultados contributivos para uma mudança na qualidade das atividades desenvolvidas pelos profissionais de acolhimento institucional. A prática permite um outro olhar à pesquisa através da realidade observada. A preocupação com o atendimento às crianças, acolhidas e suas famílias,se deve ao fato do atendimento a esse público representar um constante desafio para os profissionais que, muitas vezes, não se sentem preparados para tal. Percebe-se que a própria legislação prevê a formação profissional como fundamental para a qualificação das atividades desenvolvidas no acolhimento institucional, pois as crianças, adolescentes e as famílias necessitam dos profissionais que ali atuam. Conhecer esses profissionais, que também têm o papel de educadores,é importante, visto que eles são os responsáveis pelo trabalho voltado a esse público e necessitam de capacitação permanente. A criança e o adolescente estão em formação e vão descobrindo gradativamente quem são como base no relacionamento estabelecido com as pessoas ao seu redor. Eles dependem muito de nós (pais, mães e educadores). A criança procura ser aquilo que os outros esperam ou não dela. Sua segurança é exterior e depende daquilo que os outros falam e

48 48 esperam dela. A rocha que lhe dá segurança ainda está fora dela, como uma balsa sobre a qual se apoia (CHIERA, 2008, p. 122). Vale destacar que as Orientações Técnicas para Acolhimento Institucional (2009) preveem que, com relação às questões referentes ao estabelecimento de relações afetivas, o ideal é que os profissionais tragam segurança e estabilidade aos acolhidos. Diante disso, percebe-se a importância de investimento, por parte do Estado, em políticas de qualificação profissional. Pois, através disso, terão bons resultados na busca por um acolhimento à criança e ao adolescente de acordo com o que é previsto na legislação.

49 49 3 ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL: MUDANÇASA PARTIR DO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE O ECA trouxe uma inovação no atendimento às crianças e adolescentes, visto que novas políticas e normativas, posteriores ao Estatuto, contribuíram para que passassem a ser atendidos de forma integral. Foi também por meio de normativas, que as diretrizes para os acolhimentos institucionais foram definidas. Tendo como foco as definições de tais regras, esse capítulo discorrerá sobre a medida protetiva de acolhimento; a formalização do acolhimento institucional; a descrição das entidades de acolhimentos institucionais localizadas em Belo Horizonte, a partir de dados já existentes; o profissional que atua nessas entidades, visando compreender como os processos educacionais de capacitação para esses profissionais podem se adequar aos padrões de qualidade previstos na legislação. A unidade de acolhimento institucional encerra um processo educativo e, por isso, é oportuno centrar atenções na valorização das competências pessoais, sociais e educativas dos profissionais, que nela atuam. Vale ressaltar que não basta, apenas, acolher as crianças. Há necessidade de desenvolver responsabilidades e complementaridade educacional. Pensar nesse contexto, nos remete à ideia de que a qualificação profissional é tida como condicionante para um melhor desempenho das atividades laborativas. Investimentos nesse sentido garantem uma melhor qualidade das ações desempenhadas pelo profissional atuantes nessa área. Diversos fatores estão presentes no trabalho daqueles que trabalham em acolhimento institucional. Dentre eles, o desafio em lidar como público atendido,devido à complexidade das ações que são permeadas por um conjunto de elementos que as tornam diversificadas, imprevisíveis e sujeitas a constantes mudanças. Estas complexidades se referem aos tipos de demandas existentes no cotidiano dos acolhimentos, que requerem atendimentos flexíveis, pois emergem sempre novas demandas e necessidades, originárias da variedade dos problemas sociais, em face à complexidade dos contextos histórico familiares. Por isso, a importância da qualificação profissional e do trabalho educativo para que o profissional tenha condições mais concretas de realizar suas ações, em consonância com o que é preconizado no ECA e nas normativas.

50 50 Portanto, é preciso compreender como as entidades de acolhimento vêm se adequando às novas diretrizes previstas nas normativas com vistas à garantia do direito à convivência familiar e comunitária.nesse cenário,a pesquisa se insere e propõe refletir sobre as demandas para qualificação dos técnicos que atuam em acolhimento institucional, na cidade de Belo Horizonte,com o propósito de elaborar um produto técnico, que contemple uma formação continuada condizente com a realidade experimentada por esses profissionais. 3.1 Medida protetiva de acolhimento institucional As medidas protetivas, de acordo com o Estatuto da Criança e do Adolescente, Art. 98, incisos I, II e III, são aplicadas sempre que crianças e adolescentes tiverem seus direitos fundamentais ameaçados e/ou violados: por ação ou omissão da sociedade ou do Estado; por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsáveis ou em razão de sua própria conduta (BRASIL, 1990). Dentre essas medidas, temos a medida protetiva de Acolhimento Institucional, criada a partir da promulgação do ECA. É importante salientar que esta medida é a sétima, num rol de nove. Antes do abrigamento, existem outras seis ações que envolvem a família, a comunidade e o poder público em prol da garantia dos direitos das crianças e dos adolescentes, conforme abaixo: A autoridade competente poderá determinar, dentre outras, as seguintes medidas: I encaminhamento aos pais ou responsável, mediante termo de responsabilidade; II orientação, apoio e acompanhamento temporários; III matrícula e frequência obrigatórias em estabelecimento oficial de ensino fundamental; IV inclusão em programa comunitário ou oficial de auxílio à família, à criança e ao adolescente; V requisição de tratamento médico, psicológico ou psiquiátrico, em regime hospitalar ou ambulatorial; VI inclusão em programa oficial ou comunitário de auxílio, orientação e tratamento a alcoólatras e toxicômanos; VII acolhimento institucional; VIII Inclusão em programa de acolhimento familiar (redação dada pela lei 12010P2009), IX - colocação em família substituta (guarda, tutela, adoção). (BRASIL, 1990). A medida protetiva se efetiva através de um sistema de proteção denominado acolhimento institucional. Conforme preconiza o ECA, essa é uma medida de caráter provisório e excepcional de proteção para todas as crianças e adolescentes, em situação de risco pessoal e/ou social. Ele funciona como moradia alternativa, caracterizado como espaço de apoio e acolhimento à criança e ao adolescente. O

51 51 acolhimento institucional pode ser de natureza pública ou privada, devendo garantir atendimento personalizado 24 horas por dia. Deve ter, como premissa básica, a complexidade da situação familiar que gerou a aplicação da medida de acolhimento institucional (BRASIL, 2009a). As crianças e os adolescentes - que são afastados de sua família e de sua comunidade, por estarem em situação de risco social e/ou pessoal e em cumprimento de medida de acolhimento institucional - não devem ser afastados para serem internados em uma instituição total como, anteriormente, à promulgação do ECA. A aplicação da medida de acolhimento ocorre a partir do encaminhamento oficial da Vara da Infância e Juventude ou via conselho tutelar. No ato da sua execução, a criança e/ou o adolescente são afastados de sua família e de sua comunidade, o que provoca a fragilização e, em algumas situações, o total rompimento dos vínculos familiares e comunitários.esse afastamento da família gera vários impactos sobre a vida da criança e do adolescente institucionalizado. Para Rizzini (2007), a criança acolhida em instituições, muitas vezes, advém de famílias que têm seus direitos negados durante várias gerações. Portanto, priorizar a família é garantir condições dignas de vida, para que possa apoiá-la no exercício de suas funções parentais. O acolhimento à criança ou adolescente cumpre a função de ser um suporte de caráter excepcional e provisório, com o firme propósito de reinserção familiar. É preciso considerar, sempre, a prioridade a ser dada à manutenção de crianças e adolescentes no arranjo familiar de origem, seja ele qual for. O objetivo é evitar a separação e todas as suas implicações. É necessário pensar, ainda, em como manter a convivência familiar e comunitária, quando o afastamento é inevitável. Para tanto, as entidades de acolhimento devem desenvolver programas de abrigo e se adequar aos princípios relacionados no Art. 92, do ECA: As entidades que desenvolvam programas de acolhimento familiar ou institucional deverão adotar os seguintes princípios: I - preservação dos vínculos familiares e promoção da reintegração familiar; II - integração em família substituta, quando esgotados os recursos de manutenção na família natural ou extensa; III - atendimento personalizado e em pequenos grupos; IV - desenvolvimento de atividades em regime de co-educação; V - não desmembramento de grupo de irmãos; VI - evitar sempre que possível a transferência para outras entidades de crianças e adolescentes abrigados;

52 52 VII - participação na vida da comunidade local; VIII - preparação gradativa para o desligamento; IX - participação de pessoas da comunidade no processo educativo (BRASIL,1990, p.19) As medidas de proteção são efetivadas, por meio de ações ou programas assistenciais, e aplicadas, quando a criança ou adolescente estiver em situação de risco ou quando pratica ato infracional. Dentre as medidas de proteção aplicadas nos casos de criança e adolescente em situação de risco, destacam-se o acolhimento institucional, previsto no art. 101, do ECA. A medida de acolhimento institucional se caracteriza pela permanência da criança ou do adolescente junto a uma unidade de acolhimento, governamental ou não governamental. Essas medidas estão elencadas no art. 101, do Estatuto da Criança e do Adolescente. Na aplicação dessas medidas serão priorizadas, neste trabalho, aquelas que visem o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários. A medida protetiva de acolhimento institucional, segundo o ECA, é provisória e excepcional, utilizada como forma de transição para reintegração familiar ou, não sendo possível, para colocação em família substituta. Além disso, vale ressaltar que as crianças e os adolescentes acolhidos não se encontram em regime de privação de liberdade Formalização do acolhimento institucional De acordo com o ECA, quando detectada a necessidade do afastamento da criança e do adolescente de sua família de origem, eles devem ser acolhidos em serviços que ofereçam cuidados e condições favoráveis ao seu desenvolvimento saudável, priorizando a reintegração à sua família de origem ou, na sua impossibilidade, o encaminhamento para família substituta. A unidade de acolhimento institucional, por também encerrar um processo educativo, deve valorizar as competências pessoais, sociais e educativas dos profissionais dedicados a essa atividade. O acolhimento de crianças e adolescentes deve ser desenvolvido com responsabilidade e complementaridade educacional. Ao lidar com as crianças e adolescentes acolhidos, os profissionais podem atuar como educadores. O cuidado dispensado aos acolhidos, se baseia em um respeito à história de vida das crianças e dos adolescentes, bem como de suas

53 53 famílias. O que une o profissional de acolhimento institucional e a educação é que ambos demandam formas de cooperação, envolvimento e apoio, pois cuidado e educação caminham juntos. De acordo com Hansen (2003), na atual economia globalizada em que a competitividade está baseada, principalmente, nas capacidades tecnológicas e de inovação, a educação passa a desempenhar papel cada vez mais proeminente no processo de desenvolvimento. Com efeito, atuar, positivamente, para melhorar a qualidade das ações desempenhadas pelo trabalhador, se torna determinante na preparação do profissional. A educação, cada vez mais, envolve o desenvolvimento de capacidades para aprender ou reaprender em todas as fases da vida. A criança torna-se dependente do ambiente daqueles que dela cuidam. A relação afetiva com quem a acolhe é fundamental para a sua constituição como sujeito e para seu desenvolvimento. Sendo assim, a relação estabelecida entre a criança e o profissional do acolhimento institucional, tem consequências importantes sobre sua condição de saúde e desenvolvimento físico e psicológico. É indispensável dizer que, para garantir de fato o que preconiza o ECA, as instituições de acolhimento devem oferecer um atendimento qualificado. A partir dessa perspectiva, se direciona o trabalho dos profissionais que atuam nos acolhimentos institucionais, pois desempenham um importante papel no sentido de não só acolher e cuidar, mas, também, de evitar a permanência da criança no acolhimento. É importante refletir que a questão do acolhimento institucional, apesar dos avanços, ainda, enfrenta inúmeros desafios. Nesse sentido, é preciso ampliar as possibilidades para garantir à criança e ao adolescente a promoção, proteção e defesa dos seus direitos, uma vez que como já foi visto, devem ser considerados como prioridade absoluta por parte do Estado, da família e da sociedade. Claro está que, historicamente, o acolhimento foi marcado por violações de direitos, ou seja, as crianças e adolescentes eram privados do convívio social e comunitário. Assim, há de se refletir que, apesar dos avanços na legislação, a violação de direitos, ainda, acontece. Os acolhimentos institucionais são cercados por diversos problemas. Dentre eles, a falta de uma formação profissional continuada para os trabalhadores,desse setor, no sentido de qualificar o atendimento aos acolhidos.

54 54 A partir da elaboração das Orientações Técnicas para os Serviços de Acolhimentos para Crianças e Adolescentes, em 18 de junho de 2009, foi regulamentado, no território nacional, a organização e oferta de serviços de acolhimento para crianças e adolescentes, no âmbito da Política Nacional de Assistência Social (BRASIL, 2004). A formulação desse documento levou em consideração diversas discussões sobre essa temática e se constitui como um documento que contem os princípios, as orientações metodológicas e os parâmetros de funcionamento para as diversas modalidades de serviço de acolhimento de crianças e adolescentes. A finalidade das Orientações Técnicas é cumprir a função protetiva e de restabelecimento de direitos. Desse modo, será composta uma rede de proteção, favorável ao fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários e ao desenvolvimento de potencialidades das crianças e adolescentes atendidos, além do empoderamento de suas famílias. Essa regulamentação, proposta pelas Orientações Técnicas, é uma ação prevista no Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito da Criança e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (BRASIL,2006). Tal fato é reflexo da decisão do Governo Federal de priorizar os direitos, da criança e do adolescente à convivência familiar e comunitária. A precedência dessa prerrogativa legal é resultado da formulação e implementação de políticas públicas que assegurem a garantia dos seus direitos, de forma integrada e articulada com os demais programas do governo. Esse Plano rompe com a cultura da institucionalização de crianças e adolescentes, fortalecendo o paradigma da proteção integral e da preservação dos vínculos familiares e comunitários que foram preconizados no ECA. Diferente das Orientações Técnicas que contém os princípios, orientações metodológicas e parâmetros de funcionamento para os serviços de acolhimento, em 2009 a Tipificação surge para estabelecer parâmetros para padronizar os serviços socioassistenciais e definir cada serviço quanto à nomenclatura, descrição, usuários, objetivos, provisões, aquisições dos usuários etc. (BRASIL, 2009a). A Tipificação regulamenta e cria uma identidade para o serviço de acolhimento institucional, que passa a ser compreendido dentro de seus objetivos. É, então, inaugurado um período em que é priorizado, nos acolhimentos institucionais, um ambiente que possibilite, de fato, o desenvolvimento da criança e

55 55 do adolescente. Cabe ao poder público, a tarefa de organizar e disponibilizar esses serviços, conforme um padrão mínimo instituído. Os serviços de acolhimento para crianças e adolescentes integram os serviços de alta complexidade do Sistema Único da Assistência Social. Sejam eles de natureza público-estatal ou não estatal, devem pautar-se nos pressupostos do ECA; do Plano Nacional; da Política Nacional de Assistência Social; da Norma Operacional Básica de Recursos Humanos (NOB/RH); da Norma Operacional Básica (NOB); do Projeto de Diretrizes das Nações Unidas sobre Emprego e Condições Adequadas de Cuidados Alternativos com crianças (BRASIL, 2009a). Diante disso, o acolhimento institucional promove uma nova cultura de acolhimento e de reordenamento das políticas de proteção social, o que comporta outras significações sobre as atividades desenvolvidas pelo profissional de acolhimento institucional. Com as mudanças ocorridas, há uma produção de novos sentidos nas práticas exercidas no acolhimento e, várias questões, merecem atenção, no sentido de auxiliar o trabalho daqueles que vêm atuando com crianças e adolescentes. Contudo, uma formação profissional continuada exigirá novos paradigmas de compreensão para os profissionais que ali atuam. 3.2O cenário atual relativo às crianças e aos adolescentes acolhidos institucionalmente no Brasil e em Minas Gerais Crianças e adolescentes, em situação de risco sociale/ou pessoal, são, ainda, um desafio a ser enfrentado. Dados sobre crianças, que vivem em instituições de acolhimento, atingem proporções cada vez maiores. Apesar de não abranger todo o estado, em 2005, foi realizada a primeira pesquisa,em Minas Gerais,sobre acolhimento institucional.esta pesquisa ocorreu com o projeto Filhos do Coração, em parceria entre Ministério Público do Estado de Minas Gerais, através do Centro de Apoio Operacional às Promotorias de Justiça da Infância e Juventude, o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais(TJMG), a Fundação CDL Pró Criança e a PUC Minas, Unidade São Gabriel. Segundo essa pesquisa, a maioria das crianças e adolescentes, entre 0 e 17 anos, que viviam nos 75 abrigos de Belo Horizonte, tinham poucas chances de adoção ou de retornar às famílias de origem. Foi apontado na pesquisa que, 92%

56 56 dos 804 abrigados, se encontravam nessa situação. Rejeição ou negligência dos pais ou responsáveis eram os motivos que levaram 23% dos jovens aos abrigos, maior percentual entre as razões pesquisadas. O projeto Filhos do Coração divulgou a primeira etapa do Diagnóstico, ou seja, um conjunto de informações quantitativas sobre as instituições e as crianças abrigadas na capital, em9 de novembro, no auditório do Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais. A pesquisa censitária foi feita por 20 alunos de Psicologia, entre 23 de maio e 4 de julho. O relatório foi baseado em 384 variáveis, relativas à análise dos abrigos, e 50 variáveis de análise dos abrigados. O objetivo do diagnóstico foi chamar a atenção da sociedade e do poder público para a questão dos jovens em risco social, além de propor estratégias capazes de garantir o abrigo temporário e a urgência do retorno à convivência familiar. Um dos desafios seria de melhorar a frequência com que os abrigos enviariam informações aos juízes e promotores da Vara da Infância e Juventude. Segundo o estudo, apenas 34 instituições da capital cumpriam essa norma com periodicidade. Ainda de acordo com a pesquisa, 35% dos abrigos de Belo Horizonte não remetiam informações ao Poder Judiciário; 71,6%recebiam crianças com características especiais (mentais, comportamentais ou físicas);apenas 10% deles tinham instalações adaptadas para receber crianças com necessidades físicas especiais. Os abrigos concentravam-se em três regiões da capital: Leste (20 abrigos), com 26%; Barreiro (17 abrigos), com 23%, e Pampulha (12 abrigos), com 16%. Das 108 instituições visitadas, em nove regionais de Belo Horizonte, 75 foram identificadas como abrigos e 33 entidades receberam a classificação de mantenedoras. A pesquisa apontou que, quanto mais velha a criança, maior o tempo de permanência na instituição. Das 66 crianças com interessados na adoção, 51,5% tinham de 0 a 6 anos; 34,8% tinham de 7 a 12 anos; 12,1% tinham de 13 a 17 anos. Apenas, 8% das crianças tinham interessados na guarda ou adoção, dos quais 51,5% eram meninos e 48,5%,meninas de 0 a 6 anos. O retorno à família de origem, ou a inserção em família substituta, parecia uma realidade distante para 92% dos abrigados, que não tinham interessados na guarda, adoção ou tutela.

57 57 Na pesquisa, também foi verificada a questão do abandono. Apenas 17% dos abrigados recebiam visitas semanais de pessoas da família ou responsáveis,19% recebiam visitas eventuais,17,7% das crianças retornaram aos abrigos após inserção em família substituta e 15,4% retornaram aos abrigos após reinserção na família de origem (PUCMinas,2005). Outras duas importantes pesquisas contribuíram para o conhecimento da realidade das instituições de acolhimento no Brasil e em Minas Gerais. A primeira, realizada pelo Instituto de Econômica Aplicada (Ipea), em 2004, elaborou o primeiro levantamento nacional dos abrigos para crianças e adolescentes da Rede SAC/Abrigos. Essa pesquisa contribuiu para o conhecimento da realidade das instituições de acolhimento no Brasil e em Minas Gerais, a partir do levantamento nacional dos abrigos para crianças e adolescentes. Esse levantamento nacional teve como objetivo conhecer os serviços prestados para possibilitar a obtenção de informações, com o intuito de adequar as políticas e programas oficiais de acolhimento institucional. Os objetos de estudo foram formados pelos abrigos integrantes da Rede SAC/Abrigos, todos eles contemplados com repasse financeiro do Governo Federal. A pesquisa obteve respostas de 626 unidades de abrigo, vinculadas a 560 instituições, representando 88% do universo de 637 atendidos pelo Governo Federal por meio da rede. Das 626 unidades pesquisadas, 94,1% (589) oferecem programas de abrigos para crianças e adolescentes. Outras 5,9% são instituições que, embora pertencentes ao cadastro da Rede SAC, apresentam características diferentes de abrigos, de acordo com a definição adotada (IPEA, 2004). A segunda pesquisa foi o censo dos abrigos em Minas Gerais, conduzido pela Fundação João Pinheiro (FJP), que, em 2009, realizou o Diagnóstico das Instituições de acolhimento a crianças e adolescentes no Estado de Minas Gerais. Essa análise foi elaborada, a partir da solicitação da Secretaria Estadual de Desenvolvimento Social, do Estado de Minas Gerais (Sedese-MG), na busca de mais informações de todos os municípios. Essa pesquisa teve como objetivos, identificar e conhecer as instituições prestadoras de serviços de abrigamento para crianças e adolescentes com até 18 anos incompletos e subsidiar o reordenamento dos abrigos, em Minas Gerais. Com base nesses dados, a pesquisa pretende propor questões para a formulação das políticas públicas voltadas para esse público.

58 58 O resultado da pesquisa apontou 355 instituições, em 178 municípios mineiros, sendo que a região metropolitana de Belo Horizonte concentra 101 dessas instituições. Atualmente, no município de Belo Horizonte, são42unidades de acolhimento institucional 3 (PBH, 2013) Política de acolhimento institucional em Belo Horizonte Em Belo Horizonte, entre 1990 e 2000, houve um grande investimento do poder público municipal na política para a criança e o adolescente (PPE/PBH, 2008). Em 1995, o CMDCA criou a Comissão de Estudo e Implantação do Programa de Abrigo. Essa comissão elaborou o documento intitulado Projeto de Implantação de Abrigos,que resultou na Resolução 19/95.A resolução, aprovada em meados dos anos 90,dispõe sobre os indicadores de qualidade para instituições de atendimento, defesa e promoção de crianças e adolescentes no município(cmdca/bh,1997). Em 1997, houve a necessidade de um diagnóstico da situação das entidades de acolhimento e a criação de um espaço de interlocução entre os diversos atores envolvidos com a medida protetiva de acolhimento institucional. Foi criado, então, o Fórum Municipal de Entidade de Abrigo, em resposta à deliberação da Resolução 31/97. Esse documento determinava que os órgãos governamentais e as ONGs teriam doze meses para se adequarem às diretrizes estabelecidas em O Fórum seria um espaço de discussão e orientação às entidades sobre as diretrizes da política de Abrigo estabelecidas pelo ECA e pelo município. Portanto, após sete anos da promulgação do ECA, foi realizado o primeiro diagnóstico no município de Belo Horizonte. (LIMA, 2013). Do ano de 1998 a 2000, aconteceu a formulação, pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social (SMDS), do projeto de desinstitucionalização, com a contratação de técnicos e ampliação da supervisão de abrigos e foi deliberado pelo Conselho Municipal da Assistência Social. (LIMA, 2013). Em 2000, através de uma determinação do CMDCA, a Fundação João Pinheiro realizou o diagnóstico Projeto Rede de Abrigo de Belo Horizonte. Essa pesquisa teve como objetivo contribuir para o reordenamento das instituições, correção das distorções no repasse dos recursos ofertados pela Prefeitura Municipal de Belo 3 Em anexo, encontra-se a relação dos Acolhimentos Institucionais na cidade de Belo Horizonte.

59 59 Horizonte (PBH), unificação dos termos de convênio, agilização do processo de reinserção familiar das crianças e adolescentes e a melhoria na qualidade do serviço prestado (FJP,2000). Entre os anos de 2001 e 2002, Belo Horizonte inicia um processo de reordenamento e, a partir daí, é iniciado a construção do Projeto Político Educativo para as entidades, a formação continuada e a implantação de uma equipe para acompanhamento das ações de reintegração (FJP,2000). Em 2008, aconteceu a parceria entre a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e o Instituto Félix Guatarri que passou a promover a formação continuada para os profissionais das unidades de acolhimento institucional conveniadas com a prefeitura. (LIMA, 2013). No ano de 2009, foi instituída uma equipe de base municipal, com a função de realizar ações de apoio sócio-familiar com vistas à reintegração. Já em 2010, houve a implantação da Central de Vagas e aconteceu uma chamada pública do CMDCA, para a realização de estudo de caso de todas as crianças e adolescentes acolhidos. No ano seguinte, foi elaborado o Plano Municipal de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária. Ressalta-se que, no momento anterior à exigência pelas Orientações Técnicas, inserida no Plano de Trabalho de Entidades de Acolhimento, estava prevista a capacitação, direcionada aos profissionais de acolhimento institucional. Esse Plano de Trabalho se constitui de um documento que formaliza a parceria entre a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte e as entidades de acolhimento institucional, ou seja, as entidades firmam um convênio de prestação de serviço com a PBH e, a partir desse convênio, passam a receber uma verba para as despesas e manutenção das unidades de acolhimento. Nesse Plano, é traçado, pela PBH, um cronograma de execução e nele há metas e ações a serem cumpridas pelas entidades. Assim, é garantida, a todos os funcionários, a participação em capacitação inicial e a formação continuada. 3.3O Processo de capacitação nas unidades de acolhimento institucional A Prefeitura Municipal de Belo Horizonte firmou algumas parcerias para realização de capacitações e, em 2008, o Instituto Félix Guatarri iniciou a promoção de cursos para os profissionais de acolhimento institucional, incluindo cozinheiras e

60 60 dirigentes. Essa capacitação foi em formato de módulos, cada um abordando uma temática, inclusive a construção do Projeto Político Educativo (PPE) atual Projeto Político Pedagógico (PPP). O Projeto Político Pedagógico pode ser considerado como uma bússola para orientar e direcionar o gestor da entidade. Esse Projeto foi trazido pelas Orientações Técnicas, para os serviços de acolhimento institucional. O documento é validado pela Lei 12010/2009, que lhe deu legalidade. O PPP estabelece um processo metodológico, sustenta a necessidade de um planejamento e contribui para uma boa gestão, pois abarca aspectos organizacionais e funcionais da entidade. Ele, ainda, traz o monitoramento, avaliação e aponta para a construção de indicadores sociais, vistos como potenciais instrumentos metodológicos que colaboram com o processo de monitoramento do serviço. O Projeto Político Pedagógico é um instrumento fundamental na gestão da entidade de acolhimento, pois traz novas diretrizes e se constitui em um conjunto de práticas metodológicas. Ele deve ser construído em conjunto com todos os funcionários e ficar exposto para que todos tenham acesso, pois ele vai da apresentação da entidade às regras de convivência. Em 2012, terminou o convênio da PBH com o Instituto Félix Guatarri e, atualmente, a Gerência de Políticas de Assistência Social (Gepas) aproveita a própria rede para oferecer capacitação na área de saúde; das secretarias de abastecimento e educação; acerca do trabalho protegido; no âmbito da Vara da Infância e Juventude. A Promotoria também realiza, por meio dessa rede, momentos de capacitação continuada. Inclusive a própria Unidade de Acolhimento Institucional, dentro da sua realidade, promove a capacitação interna. Essas capacitações internas são vinculadas ao planejamento da entidade, no sentido de potencializar o desenvolvimento das competências individuais e da equipe. Elas, ainda, promovem o desenvolvimento e valorização da qualidade das atividades implementadas pelos profissionais inseridos no acolhimento institucional. O propósito das capacitações é buscar a qualidade dos serviços prestados às crianças e adolescentes acolhidos e suas famílias. A entidade identifica suas necessidades e convida profissionais de áreas como saúde, educação etc., que ministram palestras dentro da própria unidade de acolhimento, e aqueles com seus conhecimentos e habilidades a contribuírem para a melhoria do desempenho de funções e papéis, dentro da instituição.

61 61 Ao analisar pesquisas, como as da Fundação João Pinheiro (2009) e CMDCA(1997),percebeu-se que houve um investimento das políticas públicas, no sentido de atender as necessidades básicas das crianças e adolescentes acolhidos no município de Belo Horizonte.Existe, ainda, uma preocupação no sentido de garantir que o acolhimento institucional seja um sistema articulado,destinado, apenas,àqueles que, realmente,dele necessitam em caráter provisório. Diante desse cenário, compreende-se que as ações não devem estar focadas em atender, apenas, crianças e adolescentes, pois os acolhimentos têm um novo e grande desafio, que é lidar com as adequações exigidas com a nova proposta de reordenamento. Essa direção nos leva a refletir sobre o acolhimento institucional que, nos dias atuais, exige de nós um conhecimento amplo, baseado no respeito ao atendimento às crianças e adolescentes acolhidos, porém, condizente com a garantia do direito de fato. Desde a promulgação do ECA (1990),percebemos a carência de ações, no que se refere aos direitos das crianças e adolescentes. Sendo, portanto, necessárias políticas públicas específicas, que garantam a preservação dos direitos desse público. Diante disso, os acolhimentos institucionais devem assumir que esse é um momento para trabalhar com uma realidade, que deverá ser desempenhada com qualidade e compromisso, além de envolver a qualidade no ambiente, dos profissionais e na formação continuada. O investimento em capacitações irá ampliar e aprimorar os conhecimentos técnicos, com a finalidade de garantira qualidade nos atendimentos Profissionais envolvidos no acolhimento institucional de acordo com a nova legislação Mesmo com a intensidade da rotina, percebe-se que o profissional de acolhimento institucional pode proporcionar grande contribuição nesse período de ruptura do vínculo familiar. Porém, é importante ressaltar que esse profissional não conseguirá desenvolver um trabalho condizente com a real necessidade do público atendido sem a devida preparação e qualificação. Ao passo que, a capacitação irá permitir o melhor desempenho das atividades e a garantia da eficácia dos resultados, ou seja, assegura que a criança, o adolescente e suas famílias sejam de fato acolhidos e tenham seus direitos preservados.

62 62 Ressalta-se que esses profissionais não recebem formação continuada, condizente com o trabalho e o contexto em que é realizado. São ofertadas capacitações voltadas para as políticas públicas.todavia, em termos de conteúdos, apresentam resultados insatisfatórios,que não condizem com a realidade do cotidiano dos acolhimentos. Outro problema é a esporadicidade das atividades de qualificação. Para que os acolhimentos consigam atingir seus objetivos, os profissionais, que neles atuam, devem conhecer o trabalho desenvolvido, no sentido de garantir o acolhimento de crianças e suas famílias. Para que a qualidade dos serviços prestados às crianças e às suas famílias seja cada vez melhor, é imprescindível um reordenamento dos programas públicos, na busca de investimento na formação continuada dos profissionais de acolhimento institucional. É indispensável, para se alcançar qualidade no atendimento, investirem capacitação para os profissionais de acolhimento institucional. Essa é uma tarefa complexa, que exige não apenas boa vontade e solidariedade, mas uma equipe com conhecimento técnico adequado para a sua atuação.nesse sentido, é necessário que seja oferecida não só uma capacitação inicial de qualidade,mas, também, uma formação continuada a tais profissionais, especialmente, aqueles que têm contato direto com as crianças e adolescentes e suas famílias. Atuar em acolhimento institucional não é tarefa fácil e os profissionais dessas instituições acabam por sofrer os impactos da relação da criança com sua família. A rotina das tarefas é muito instável e o profissional deve estar, o tempo todo, preparado para enfrentar o desconhecido. A impossibilidade de prever o que acontecerá nestes ambientes, acaba por gerar um clima de insegurança. Essa instabilidade ocorre devido à diversidade de históricos familiares, ao desconhecimento sobre a medida protetiva e a reação da criança e dos pais diante do acolhimento, o que gera comportamentos inesperados, inclusive momentos de agressividade.normalmente, o cotidiano dos acolhimentos institucionais exige um esforço e muita dedicação dos profissionais, no sentido de conseguirem atingir o objetivo de seu trabalho.a busca da realização das metas implica em um envolvimento com a dinâmica do acolhimento. Um processo de seleção criterioso dos profissionais, que atuarão nos serviços de acolhimento, é essencial para a garantia de contratação de pessoal qualificado e com perfil adequado ao desenvolvimento de suas funções. A capacitação possibilita,

63 63 desse modo, a oferta de um serviço de qualidade aos usuários (BRASIL, 2009a). Esses profissionais são: técnicos que podem ter a formação acadêmica em serviço social ou psicologia; educadores sociais, que, segundo exigência da Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, tenham concluído o ensino médio. O profissional deve ter informações claras sobre o serviço e o perfil dos atendidos, formação mínima para cada função e experiência profissional. Também deve estar motivado para a função que ocupar, ter aptidão para o cuidado com a criança e adolescente, capacidade de lidar com frustração e separação, disponibilidade afetiva, estabilidade emocional, dentre outras. De acordo com Oliveira (2005), qualquer experiência de trabalho, pode deixar marcas no profissional, pois cada um a vivencia ao seu modo. Portanto, ele se envolve no seu ambiente de trabalho, não sendo, então, uma relação unilateral. Pode-se então afirmar que o profissional de acolhimento institucional se esforça para fazer o melhor e busca o sucesso e reconhecimento nas suas atividades. Porém, devido à complexidade do serviço prestado à criança acolhida e suas famílias, se sentem impotentes diante da experiência real do trabalho e, muitas vezes, expressam suas dificuldades no cotidiano. A Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do Sistema Único de Assistência Social (NOB-RH/SUAS) foi aprovada pela Resolução n o 269, de 13 de dezembro de Seu objetivo é delinear os principais pontos da gestão pública do trabalho, além de propor mecanismos reguladores da relação entre gestores e trabalhadores e os prestadores de serviços socioassistenciais, apresentando, para tanto, as primeiras diretrizes para a política de gestão do trabalho. A NOB-RH/SUAS traz a dimensão da gestão do trabalho, pautado em quatro dimensões: conhecer os profissionais que atuam na assistência social (caracterizando suas expectativas de formação e capacitação); propor estímulos e valorização destes trabalhadores; identificar pactos necessários entre gestores, servidores, trabalhadores da rede socioassistencial; política de gestão do trabalho, que privilegie a qualificação técnico-política desses agentes. Sendo o acolhimento institucional um serviço da política pública, é necessário que seu gestor considere os pressupostos da NOB-RH/SUAS, que posteriormente, foram reforçados com as Orientações Técnicas (2009). Portanto, de acordo com a NOB-RH/SUAS, compete às entidades considerarem as seguintes diretrizes:

64 64 [...] Valorizar os seus trabalhadores de modo a ofertar serviços com o caráter público e de qualidade, conforme realidade no município; Elaborar e executar plano de capacitação, em consonância com as diretrizes da Política Nacional de Capacitação; Viabilizar a participação de seus trabalhadores em atividades e eventos de capacitação e formação no âmbito municipal, estadual, distrital e federal, na área de assistência social; Buscar, em parceria com o poder público, o tratamento salarial isonômico entre os trabalhadores da rede pública e da rede prestadora de serviços socioassistenciais; Manter atualizadas as informações sobre seus trabalhadores, disponibilizando-as aos gestores, para alimentação do Cadastro Nacional de Trabalhadores do Suas. (BRASIL,2006,p.21) Diante desse cenário, percebe-se a necessidade de políticas públicas abrangentes, capazes de integrar e complementar ações para oferecer uma formação continuada aos profissionais de acolhimento institucional, objetivando responder, positivamente, às necessidades do acolhimento. É, de primordial importância, a formação continuada para que possam construir, conscientemente, uma trajetória profissional responsiva e condizente com o ECA, as Orientações Técnicas para os Serviços de Acolhimento para crianças e adolescentes e a Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais (BRASIL, 2009b). Através dos conhecimentos adquiridos, com essa formação continuada, os profissionais de acolhimento institucional poderão propor mudanças, transformando o acolhimento em uma ação efetiva de garantia do direito da criança e de sua família Formação profissional do profissional de acolhimento institucional A qualificação profissional é hoje uma preparação do indivíduo por meio de uma formação profissional, dessa maneira ele irá aprimorar suas habilidades para executar suas funções de acordo com a necessidade exigida pelo mercado de trabalho. O objetivo da qualificação profissional é incorporar conhecimentos teóricos, técnicos e profissionais. Atualmente o mercado de trabalho está cada vez mais exigente e busca por profissionais qualificados, portanto, a carência de capacitação é reconhecida tanto pelos profissionais quanto pelas empresas. Ambos encaram a qualificação como um diferencial, nesse momento de competição no mundo do trabalho.

65 65 Considerada como uma vertente da educação, a qualificação profissional é uma necessidade urgente da sociedade. Cabe ao profissional manter-se qualificado para que possa atender as necessidades de sua empresa. Portanto, apenas uma formação inicial não é suficiente para garantir uma qualificação exigida nos dias atuais. Uma formação continuada não se baseia apenas pelo conhecimento teórico mas também na realização pessoal, pois, através de estudos, reflexão, contato com novas percepções que serão proporcionadas, novos modos de pensar o fazer surgem com o objetivo de assegurar aos profissionais melhor desempenho de suas ações. Com relação ao profissional de acolhimento institucional inserido nessa nova ideologia de mercado e, ainda, por trabalhar no sentido de promover a proteção à criança e ao adolescente, no intuito de preservar seus direitos fundamentais e dentre eles o direito de convivência familiar e comunitária a falta de uma formação profissional continuada pode causar, além de um atendimento não condizente com o que é previsto em lei, a insatisfação com as atividades que realizam. Esse descontentamento traz prejuízos, apenas, ao profissional. Tal fato pode desenvolver baixo rendimento, negligência para com os acolhidos e suas famílias e, consequentemente, a diminuição da qualidade dos serviços prestados. Compreende-se que as novas exigências de qualificações e competências constituem, hoje, também para as entidades que ofertam programas de acolhimentos, uma forma de assegurar a qualidade das ações desenvolvidas. Entretanto, nesse mercado competitivo, é necessário que as políticas públicas invistam cada vez mais nas qualificações de seus profissionais. Na busca de oferecer uma prestação de serviços mais adequada às crianças e adolescentes acolhidos por determinação judicial, passar a promover a qualificação, capacitação e o aperfeiçoamento de profissionais inseridos em acolhimentos institucionais, torna-se fundamental objetivando formar quadros de profissionais mais competentes e compromissados na realização de suas atividades profissionais, pois estarão cientes de sua responsabilidade. Nesse cenário, é importante salientar que os acolhimentos institucionais devem atender aos pressupostos do ECA, a fim de trabalhar pela organização de um ambiente favorável ao desenvolvimento da criança e do adolescente, estabelecendo uma relação afetiva e estável com os profissionais. Esse ambiente

66 66 facilitador, deve oferecer condições de atendimento às necessidades físicas, de sobrevivência e emocionais. Pensar na reintegração da criança e do adolescente, em sua família de origem, é prioridade. Porém, segundo Silva (2004), em nosso país, os indicadores sociais mostram que esse público é a parcela mais exposta às consequências nefastas da exclusão social. As Orientações Técnicas (2009) estabelecem parâmetros de funcionamento e oferecem orientações metodológicas. O objetivo é disponibilizar os serviços de acolhimento de criança e adolescentes, de forma a cumprir a função protetiva e de restabelecimento de direitos, compondo uma rede de proteção que favoreça o fortalecimento dos vínculos familiares e comunitários, o desenvolvimento de potencialidades das crianças e adolescentes atendidos e o empoderamento de suas famílias (BRASIL, 2009a). Dentre as orientações metodológicas, para o serviço de acolhimento, está a capacitação e acompanhamento dos profissionais. De acordo com as Orientações Técnicas (2009), deve-se investir na capacitação e acompanhamento de toda a equipe, pois atuar em acolhimento institucional é uma tarefa complexa, que exige uma equipe bem preparada. A formação é importante, especialmente, para os profissionais que têm contato direto com as crianças, adolescentes e suas famílias e para se ter um acompanhamento sistemático do profissional. A exigência do mercado de trabalho faz com que investir na formação de novas competências dos trabalhadores seja uma possibilidade de tornar, além das ações mais qualificadas, os profissionais mais competentes e com novas possibilidades. Segundo Alencar: Uma organização que valoriza o potencial para a competência, responsabilidade de ação, indo de encontro com a prática presente em nossa sociedade de promover um constante desperdício de potencial criativo. Ela se caracteriza por uma cultura que reconhece o potencial ilimitado de seus recursos humanos, que cultiva a harmonia do grupo, que estabelece expectativas apropriadas, que tolera as diferenças e que reconhece as habilidades e esforços de cada indivíduo. (ALENCAR, 1996, p. 92) De acordo com o que é previsto no ECA (1990),nas Orientações Técnicas (2009) e na Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais (2009), as unidades

67 67 de acolhimento institucional devem oferecer um espaço acolhedor, garantidor de direitos às crianças e aos adolescentes acolhidos. Portanto, se os profissionais perceberem esse espaço com objetivos claros, com autonomia e esforços reconhecidos, certamente, trabalharão em níveis mais altos de motivação e produzirão ideias criativas. Nessa nova ordem capitalista, qualificação e novas competências dos profissionais são a garantia de melhor desempenho e maior segurança das atividades desenvolvidas. Cattani (1997,p.94) denomina, como formação profissional, todos os processos educativos que permitam, ao indivíduo, adquirir e desenvolver conhecimentos teóricos, técnicos e operacionais relacionados à produção de bens e serviços, quer esses processos sejam desenvolvidos nas escolas ou nas empresas. Percebe-se que o mundo do trabalho oferece amplo espaço de atuação para todos os profissionais e uma formação profissional amplia essas possibilidades. O acolhimento institucional tem a responsabilidade de zelar pela integridade física e emocional de crianças e adolescentes, que necessitam estar afastados de suas famílias. Assim, deve promover formas de cuidado e educação em um ambiente seguro, dotado de infraestruturas material e humana que sejam capazes de proporcionar ao seu público atendido condições de pleno desenvolvimento. Frente a essa realidade, é necessário encontrar saídas para contribuir com esses profissionais para que possam desempenhar melhor suas funções, sejam técnicas ou educativas. Além disso, é importante propiciar, a esses trabalhadores, o constante aprendizado e um espaço de satisfação. Partindo desse pressuposto, uma formação continuada torna-se ferramenta importante para melhorar a excelência das atividades e contribuir para seu sucesso. Todo profissional capacitado, que percebe que poderá contribuir com o local de seu trabalho, realizará suas funções de forma mais eficaz e com responsabilidade. Nessa perspectiva, ao ser, devidamente, capacitado, contribuirá para a qualidade dos serviços prestados. Uma formação continuada tende a trazer benefícios para os acolhimentos, pois profissionais preparados poderão oferecer qualidade, credibilidade e respeito em seus serviços. Além disso, o acolhimento institucional pode se constituir em um sistema de proteção que, conforme preconiza o ECA, é uma medida de caráter provisório e excepcional de proteção para todas as crianças e adolescentes em situação de risco pessoal e ou social.

68 68 Isso nos faz pensar sobre os processos educacionais nas entidades de acolhimento institucional, tendo em vista a garantia do direito à convivência familiar e comunitária. Para essa discussão, é preciso partir dos conceitos de educação e educação profissional e refletir em que medida a teoria pode contribuir para as nossas questões nesse projeto. Segundo Freire (2002) o sentido de ensinar não se esgota no tratamento do objeto, ou do conteúdo, superficialmente, feito. Ao contrário, ele se alonga à produção das condições em que aprender, criticamente, é possível. E essas condições implicam ou exigem a presença de educadores e educandos criadores, instigadores, inquietos, rigorosamente curiosos, humildes e persistentes. Sabemos que a educação não se dá, somente, no ambiente escolar, mas sim em todos os espaços e práticas sociais. Por essa razão, em diferentes momentos e locais, se evidencia a relevância social da educação. É por meio dela que valores e práticas são reconstruídos e que novos e diferentes saberes são veiculados em virtude das exigências econômicas e tecnológicas, advindas das necessidades de uma sociedade em constante transformação. Para Ramos (2002), a educação pode contribuir para a formação e instrução de trabalhadores e, tem como função, formar a pessoa humana, possibilitando que todos adquiram os conhecimentos, historicamente, construídos. O trabalho deve ser visto como um processo educativo da personalidade humana. Com relação à educação profissional, ela pode ser pensada na perspectiva da Pedagogia Social, cuja finalidade é a promoção de condições de bem estar social, de convivência, de exercício da cidadania, de promoção social e desenvolvimento e de superação de condições de sofrimento e marginalidade. Nesse sentido, o conhecimento exigido extrapola o conhecimento acadêmico. É necessário fazer uso do conhecimento adquirido no decorrer da vida, especialmente, no envolvimento pessoal. (LONI;CALIMAN,2010). Em 1900, o conceito da Pedagogia Social surgiu na Alemanha e, em um primeiro momento, seria uma tentativa de criar estratégias para educar os filhos de guerra. Ao longo do século XX, outras teorias foram surgindo sobre a Pedagogia Social. O conceito mais recente de Pedagogia Social, resultante de estudos de várias universidades, é vista como Teoria Geral da Educação Social. Para Loni (2010), a pedagogia social é voltada para a sensibilidade e a sociabilidade humana e pode ser

69 69 base para a educação profissional. Com isso, espera-se aumentar as possibilidades de oferecer mudanças e melhores condições de vida às pessoas que não tiveram acesso à escolaridade formal ou à inserção social. Dessa forma, seria uma educação profissional, com o olhar voltado para os princípios da cidadania. As leis que fundamentam as ações da Pedagogia Social encontram fundamento no artigo 205, da Constituição Federal de 1.988, a educação é direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando o pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho. Outra ação está na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 9394/1996 que, em seu artigo1, cita: a educação abrange os processos formativos que se desenvolve na vida familiar, na convivência humana, nos movimentos sociais e organização da sociedade civil e nas manifestações culturais. Percebe-se que a legislação nacional considera a necessidade da educação para além da ação individual, ou seja, como ação coletiva, comunitária, pautada no saber fazer socioeducativo. Para Caliman (2006), o prioritário seria o agir sobre a prevenção e a recuperação das deficiências de socialização e, de modo especial, nos locais onde as pessoas são vítimas da insatisfação das necessidades fundamentais. A Pedagogia Social pode ser ainda definida como uma ação teórico-prática e socioeducativa, realizada por educadores ou agentes sociais. É um campo de estudo onde é priorizado a conexão entre educação e a sociedade. As atividades são voltadas para amenizar os problemas sociais, por meios de ações educacionais. A proposta da Pedagogia Social está no empenho direto do aprofundamento de perspectivas teóricas e de propostas metodológicas que objetivam o bem estar social. Segundo Caliman (2008), a pedagogia social se volta para a análise e a avaliação das situações e condições sociais conflituosas ; possibilita a sistematização de boas práticas e metodologias, com base, nas quais, seja possível intervir, em termos formativos, no âmbito da diversidade social, do desvio, da marginalidade e da equidade dos recursos sociais. No que diz respeito à inclusão profissional, através da Pedagogia Social, haverá maior igualdade de oportunidades, quanto maior for a dignidade e aspectos sociais, culturais, educacionais e econômicos. Será através desses indicadores que o profissional poderá vencer desafios,por meio do trabalho. A Pedagogia Social

70 70 auxilia na superação das dificuldades, causadas pela necessidade de formação e trabalho e, ainda, na obtenção do bem estar social, na reintegração e na inclusão(manica;caliman,2010). Atuar na perspectiva da Pedagogia Social é pautar ações de transformação, que, segundo Soares (2008), é ser agente social de mudança. A educação deve ser pensada como transformadora, propondo possibilidades e não, somente, de responsabilidade das instituições de ensino. A educação acontece em todos os espaços e deve ser pautada em valores sociais e deve estar além das escolas, sendo capaz de causar reflexões sobre conhecimentos e produção de saberes. Pensando a relação entre profissional de acolhimento institucional e a Pedagogia Social, a formação profissional continuada deverá estar baseada em uma educação além da formalização e apropriação de conhecimentos. É fundamental reconhecer as potencialidades desses profissionais e a capacidade de recriar, a partir dos contextos onde estão inseridos. A Pedagogia Social também visa o auto conhecimento na relação com o outro, pois reconhece que a Educação se dá pela participação social. Assim, o trabalho a ser desenvolvido é pautado nas demandas sociais e o educador torna-se um agente de mudança. Com efeito, pensar a formação continuada para os profissionais de acolhimento social, baseada na Pedagogia Social é relevante, pois, ao considerar o contexto atual desse serviço de proteção, as demandas desses profissionais deverão ser compreendidas na sua realidade. É ainda, importante compreender o papel e a função desse profissional, na medida em que ele atua diretamente com as crianças acolhidas e suas famílias. Contudo, unir saberes e criticidade, a partir dos próprios profissionais inseridos nos acolhimentos, resultará em um desenvolvimento de uma prática educativa, no sentido de emancipação desse profissional. Uma formação profissional continuada para os profissionais de acolhimento institucional fundamentada em uma proposição de uma prática pedagógica planejada, discutida e avaliada, pautada na Pedagogia Social, demonstra que é possível desenvolver um atendimento de qualidade, ao invés de um atendimento de caráter assistencialista, fruto de um ranço histórico que espaços institucionais carregam. Nesse sentido, é preciso buscar um formato para essas formações continuadas serem capazes de ilustrar a sua real função e condizerem com a realidade desses profissionais.

71 71 É preciso valorizar as potencialidades do profissional de acolhimento institucional como contribuinte do desenvolvimento humano. A compreensão do trabalho pedagógico, como fio condutor que perpassa a dinâmica desse espaço, é o início de mudanças no atendimento à criança acolhida e sua família. Deverá ser respeitada a experiência do profissional, para ser elaborada uma formação profissional que lhe seja direcionada. A incoerência que pode ocorrer em uma formação, que não condiz com a realidade, pode interferir, diretamente, na proposta educativa das unidades de acolhimento institucional o que pode gerar problemas nas relações interpessoais. Para a concretização de um espaço, realmente, educacional é preciso investir em uma qualificação onde todos são importantes para a realização do objetivo da instituição, onde cada qual tem o seu valor. Com essa percepção, o trabalho se torna, de fato, eficiente. A formação continuada pode funcionar como articuladora entre a proposta do acolhimento institucional e os profissionais, desenvolvendo uma comunicação dinâmica e funcional que auxilie na promoção de uma relação interpessoal pautada no respeito. Uma formação que respeita o profissional e valoriza a escuta, requer reconhecimento, apoio e orientação. O acolhimento institucional pode ser considerado um espaço de formação que pode possibilitar à criança ou ao adolescente iniciativa, responsabilidade e autonomia. O que pode determinar esses resultados, está na práxis pedagógica existentes nesses espaços. O reordenamento do acolhimento institucional perpassa também pela educação, como estratégia para as mudanças que podem ocorrer nesse espaço. Neste capítulo, foi proposto apresentar a Medida Protetiva de Acolhimento Institucional,iniciada a partir da promulgação do ECA (1990) e se efetivou através de um sistema de proteção,denominado acolhimento institucional.também foi apresentada a formalização desse acolhimento,a partir das Orientações Técnicas para os Serviços de Acolhimentos para Crianças e Adolescentes (2009), que é um documento com princípios, orientações metodológicas e parâmetros de funcionamento para as diversas modalidades de serviço de acolhimento de crianças e adolescentes, no cumprimento de sua função protetiva e de restabelecimento de direitos.

72 72 Foi ainda apresentado neste capítulo, o cenário atual relativo às crianças e aos adolescentes acolhidos, institucionalmente, no Brasil e em Minas Gerais. Foi destacado que é recente a preocupação em realizar pesquisas ou censos sobre o perfil das entidades de acolhimento institucional e das crianças e adolescentes acolhidos e sob medida de proteção. Foram citadas as pesquisas, realizadas sobre acolhimento institucional, que apontaram um intenso investimento do poder público municipal na política para a criança e o adolescente, durante a década de 90, do século passado. O processo de capacitação nas unidades de acolhimento institucional também teve destaque neste capítulo e foi citada a promoção de cursos para os profissionais. As qualificações foram ofertadas pela Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, em parceria com o Instituto Félix Guatarri. Porém, em 2012, essa parceria foi desfeita, sendo necessário que a própria Gerência de Políticas de Assistência Social convocasse a rede (saúde, secretarias de abastecimento, educação e etc.) para capacitar as entidades de acolhimento institucional. Foi ainda ressaltado que, de acordo com a nova legislação, os profissionais envolvidos no acolhimento institucional necessitam alcançar qualidade em suas atividades. Para tanto, deverá haver um investimento das políticas públicas em capacitações continuadas e condizentes com a realidade desse profissional. Finalizando, foram citadas as novas exigências do mercado de trabalho, no que se refere à qualificação e competência profissional. A aptidão e conhecimento do profissional devem se estender às entidades que ofertam programas de acolhimentos. A necessidade de se pensar a educação nesses ambientes, deve ser contemplada como forma de assegurar a qualidade das ações desenvolvidas a partir da perspectiva da Pedagogia Social, baseada em uma educação para além da formalização e apropriação de conhecimentos. Ela deve, assim, reconhecer as potencialidades desses profissionais e a capacidade de recriara partir dos contextos onde estão inseridos. 4 ANÁLISE DOS DADOS E OS PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Compreender como as entidades de acolhimento se constituem é fundamental para apreender como ela poderá promover as atuações de sua equipe

73 73 de profissionais, para proporcionar às crianças acolhidas e suas famílias a garantia de seus direitos. Minha percepção com relação à necessidade de uma formação profissional continuada, para os técnicos que atuam em acolhimento institucional, surgiu a partir do meu trabalho como técnica e coordenadora nesse espaço de acolhida. Nessa prática profissional, deparei-me com a complexidade que envolve o atendimento social do profissional de acolhimento às crianças e suas famílias, pois exige não apenas solidariedade e boa vontade, mas uma equipe com conhecimento técnico adequado. Portanto, as atividades, desenvolvidas pelos técnicos de um acolhimento institucional, se constroem no cotidiano e essa construção não depende só desses profissionais, mas de outros atores envolvidos, que não têm vocalização, principalmente, a criança acolhida e sua família. Dessa forma, as ações, além de complexas, contêm características que dificultam a organização e produção do trabalho. Devido a essa complexidade, procurei complementar minha formação com a especialização em atendimento sistêmico com família e redes sociais. O intuito era o de alcançar uma melhor compreensão dos atores envolvidos no acolhimento institucional, como também obter mais instrumental teórico para operacionalizar a prática. Outras atividades que, diretamente, impactaram a reflexão sobre minha prática profissional foi a participação na comissão do Fórum das Instituições de Acolhimento de Belo Horizonte (2007 a 2009) e a contribuição na elaboração do Plano Estadual de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária (2009). A presença nesses eventos trouxe inquietações que, se tornaram mais fortes, em virtude da percepção do despreparo dos profissionais de acolhimento institucional em lidar com o público atendido e, em especial, à falta de uma formação profissional continuada. Apesar das orientações legais 4, percebi a existência de um despreparo dos técnicos em relação às atividades realizadas junto às famílias e às crianças, pois, muitas vezes, eles relataram, em encontros e discussões, a necessidade de um apoio das políticas públicas, no sentido de proporcionar uma formação continuada que os preparassem para um atendimento qualificado ao público atendido. Ressalto que são ofertadas capacitações pelas políticas públicas, porém, em 4 Estatuto da Criança e do Adolescente; Orientações Técnicas para os Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes e Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais.

74 74 termos práticos, apresentam resultados pouco satisfatórios, pois acontecem esporadicamente e, nem sempre,condizem com a realidade dos acolhimentos institucionais. Ainda durante o meu percurso profissional, foi possível conhecer a realidade dos técnicos que atuam no acolhimento institucional e, diante do cotidiano de suas atividades, surgiu um grande desafio: o desejo de investigar sobre as formas de capacitação desses profissionais. O anseio compreendia, principalmente, a análise da nova proposta,da entidade em que estou inserida, de abertura de mais uma unidade de acolhimento, cujo nome é Mãos de Maria. A nova unidade foi inaugurada em 26 de setembro de 2012 e acolhe doze crianças até um ano de idade. Esse é um momento propício para desenvolver esta pesquisa, pois estou diante de um novo desafio que é um acolhimento com um público tão específico e com demandas especiais. 4.1Metodologia e procedimentos de investigação A metodologia diz respeito à forma como a pesquisa será desenvolvida, de acordo com a definição do seu tema. Minayo (1993) considera a pesquisa como uma: [...] atividade básica das ciências na sua indagação e descoberta da realidade. É uma atitude e uma prática teórica de constante busca que define um processo intrinsecamente inacabado e permanente. É uma atividade de aproximação sucessiva da realidade que nunca se esgota, fazendo uma combinação particular entre teoria e dados. (MINAYO, 1993, p. 269 ). Discussões acerca do acolhimento institucional que, historicamente, foi marcado por violações de direitos, continuam presentes nos dias atuais. Entretanto, esta pesquisa parte do princípio de que os acolhimentos institucionais são cercados por diversos problemas, dentre eles a falta de uma formação profissional continuada para os técnicos. Uma vez que seria uma forma de qualificar as atividades desenvolvidas por eles. Para esse profissional desenvolver um trabalho condizente com a real necessidade do público atendido deverá estar, devidamente, qualificado através de uma capacitação continuada e que esteja de acordo com sua vivência profissional.

75 75 A presente investigação foi realizada por meio de pesquisa qualitativa que trabalha com valores, crenças, hábitos, atitudes, representações, opiniões e adequase a aprofundar a complexidade de fatos e processos particulares específicos a indivíduos e grupos. A abordagem qualitativa é empregada, portanto, para a compreensão de fenômenos caracterizados por um alto grau de complexidade interna. A modalidade de pesquisa qualitativa proporcionou à pesquisadora conhecer, com profundidade, as dificuldades apontadas pelos profissionais de acolhimento institucional, dando ênfase à efetivação do direito da criança e adolescente acolhidos e suas famílias. A análise dos dados ocorreu a partir do conhecimento desses profissionais, ou seja, o que pensam, o que sentem, como se dão as relações sociais com os acolhidos e suas famílias e as dificuldades encontradas em seu cotidiano profissional. Richardson (1999) apresenta as vantagens da análise qualitativa. As investigações que se voltam para uma análise qualitativa têm como objeto situações complexas ou estritamente particulares. Os estudos que empregam uma metodologia qualitativa podem descrever a complexidade de determinado problema, analisar a interação de certas variáveis, compreender e classificar processos dinâmicos vividos por grupos sociais, contribuir no processo de mudança de determinado grupo e possibilitam em maior nível de profundidade, o entendimento das particularidades do comportamento dos indivíduos. (RICHARDSON, 1999, p.80) De acordo com Minayo (2007), o método qualitativo é o que se aplica ao estudo da história, das relações, das representações, das interpretações que os humanos fazem a respeito de como vivem, sentem, pensam e constroem seus artefatos e a si mesmos. Ainda de acordo com a autora, as abordagens qualitativas se adaptam melhor com a investigação de grupos e segmentos delimitados e focalizados de histórias sociais sob a ótica dos atores, de relações e para análises de discursos e de documentos. Nesta investigação, é importante ter clareza sobre o objeto de estudo e as questões que norteiam a pesquisa. Assim, é relevante salientar que elas fazem parte do conhecimento do pesquisador. No entanto, a riqueza da pesquisa está em desvendar o que está por traz da realidade. Esta pesquisa de caráter qualitativo teve, como questão orientadora, a importância de uma formação profissional continuada para os técnicos de acolhimento institucional, na cidade de Belo

76 76 Horizonte. O trabalho teve como objetivo fornecer fundamentos teóricos e metodológicos para uma formação profissional continuada destinada a esses profissionais, condizentes com a sua realidade e necessidade. Através do conhecimento adquirido com as crianças acolhidas e suas famílias e do trabalho realizado pelos técnicos, inseridos em acolhimento institucional, definiu-se como procedimento metodológico o estudo de caso. É de suma importância, pensar, nesse profissional, não de forma isolada, e sim inseridos em um contexto social e baseado em uma visão da totalidade. Com efeito, isso nos remete ao estudo de caso que, de acordo com Yin, Pinto e Martins (2001), é uma ferramenta de investigação científica utilizada para compreender processos na complexidade social. Esse contexto, abarca as situações problemáticas, para análise dos obstáculos, e situações bem-sucedidas, para avaliação de modelos exemplares. Através de um mergulho profundo e exaustivo em um objeto delimitado, o estudo de caso possibilita a penetração em uma realidade social, não conseguida, plenamente, por um levantamento amostral e avaliação, exclusivamente, qualitativa (MARTINS, 2008). Segundo Ventura (2007), no estudo de caso, deverá haver sempre a preocupação de se perceber o que o caso sugere a respeito do todo e não o estudo se limitar, apenas, àquele caso. Ele será eficiente, se for precedido por um planejamento detalhado, a partir de ensinamentos advindos do referencial teórico e das características próprias do caso. O estudo de caso abrange tudo com a lógica de planejamento, incorporando abordagens específicas à coleta e análise de dados. Portanto, o estudo de caso não se restringe, somente, à coleta de dados e nem, tampouco,se caracteriza como um planejamento em si, mas é uma estratégia de pesquisa abrangente. 4.2Sujeitos da pesquisa Como já mencionado, não existe uma formação continuada para os técnicos de acolhimento institucional, em Belo Horizonte. O que existe são capacitações disponibilizadas, esporadicamente, pela Prefeitura que, nem sempre, discutem questões condizentes com a realidade desses profissionais. Diante desse cenário, a presente pesquisa foi conduzida por meio da coleta de dados primários, levantados a partir de questionários apresentados aos técnicos dos acolhimentos institucionais.

77 77 A coleta dos dados secundários foi realizada por meio de pesquisa documental, ou seja, coleta de dados que estão restritos a documentos escritos ou não (MARCONI; LAKATOS, 1990), a partir de um levantamento sobre a legislação referente aos direitos da criança e do adolescente. Primeiramente, para a realização da pesquisa documental, foi realizado um levantamento sobre as exigências que a Lei 12010, ECA e as Normas Técnicas e Tipificação Nacional de Serviços Socioassistenciais (BRASIL, 2009b) especificam para que o direito da criança e do adolescente acolhido seja, de fato, garantido. No segundo momento, foram aplicados questionários junto aos técnicos de acolhimento institucional, que apresentaram questões em torno dos processos de capacitação. A técnica de questionário foi escolhida porque serve para a coleta de informações da realidade vivenciada pelos profissionais no acolhimento institucional e apresenta uma série de vantagens. Esse método é mais interessante porque, por exemplo, garante o anonimato das respostas; possibilita atingir um grande número de pessoas; não é necessário treinamento para o pesquisador;permite que as pessoas o respondam no momento em que julgarem conveniente e não expõe os pesquisados à influência das opiniões e do aspecto pessoal do entrevistado. (GIL,1999,p.128). Ainda segundo Gil (1999,p.128), o questionário pode ser definido como a técnica de investigação composta por um número, mais ou menos, elevado de questões apresentadas, por escrito às pessoas, tendo por objetivo o conhecimento de opiniões, crenças, sentimentos, interesses, expectativas, situações vivenciadas, etc.. Para analisar a opinião dos técnicos de acolhimento institucional, com relação à necessidade de uma formação profissional continuada, definiu-se pelos acolhimentos situados na cidade de Belo Horizonte: 42unidades de acolhimento institucional, que acolhem crianças e adolescentes afastados da família por risco social e/ou pessoal. Para a realização dos questionários, optou-se por selecionar um acolhimento por regional. O município de Belo Horizonte está dividido em nove administrações regionais: Barreiro, Centro-Sul, Leste, Nordeste, Noroeste, Norte, Oeste, Pampulha e Venda Nova.Cada uma delas, por sua vez, são divididas em bairros. Porém, não há acolhimento institucional na regional Centro-Sul. Sendo assim, foram apresentados questionários a oito acolhimentos institucionais. A escolha de um

78 78 acolhimento por regional foi no sentido de visualizar a cidade como um todo, bem como identificar as especificidades e pontos em comum para mapear a realidade dos acolhimentos institucionais em Belo Horizonte. Figura 1 -Regiões Administrativas de Belo Horizonte Fonte: IBGE,2007.Prodabel,2011.SMAPL.2011 Todos os técnicos que responderam ao questionário foram consultados a respeito da pesquisa e seu objetivo e aceitaram participar assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, conforme preconiza a Resolução 466/2012 da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa (Conep). A proposta do questionário foi analisar a necessidade de uma formação profissional continuada e conhecer a realidade desses profissionais e de que forma eles apontam questões sobre essa necessidade. O estudo analisou se as capacitações existentes contribuíram de fato nas atividades desenvolvidas no acolhimento institucional e na preservação da garantia do direito da criança ou adolescente acolhido e suas famílias.

79 79 Em relação aos profissionais, foram escolhidos os técnicos 5, pois eles atuam diretamente comas famílias e as crianças acolhidas. O grupo entrevistado totalizou oito profissionais, uma vez que foi escolhido um acolhimento por regional e, conforme citado, anteriormente, apesar da cidade ser dividida em nove regionais, há acolhimentos em apenas oito regionais. A oportunidade de apresentar um mesmo questionário a esses profissionais,tornou-se uma ferramenta que auxiliou a pesquisadora, no sentido de direcionar melhor o enfoque sobre as questões relevantes ao cargo e funções bem como em relação às suas responsabilidades. Dessa forma, pretendeu-se elencar as necessidades em torno da capacitação profissional, identificadas pelos entrevistados a partir de suas vivências no cotidiano dos abrigos. 4.3Descrição e análise dos dados Após parecer consubstanciado da Plataforma Brasil, datado de 12 de setembro de 2013, foram aplicados oito questionários para oito técnicos que atuam em acolhimentos institucionais, na cidade de Belo Horizonte. Assim, as regionais contempladas foram: Barreiro, Leste, Oeste, Noroeste, Norte, Nordeste, Pampulha e Venda Nova. A análise qualitativa, através da interpretação dos dados coletados por meio dos questionários, apresenta informações sobre a realidade vivenciada, apontam indícios da subjetividade de cada profissional e abordam a problemática estudada. Essa aproximação com os sujeitos proporcionou um conhecimento mais aprofundado da realidade desse profissional, o que foi de suma importância para a presente pesquisa. Um de seus objetivos, inclusive, é elaborar um projeto de formação continuada para os técnicos de acolhimentos institucionais, a partir das necessidades apontadas por eles e condizente com o contexto social, político e econômico do público atendido. Esta proposta buscará abarcar no seu bojo um processo educacional que possa contribuir de forma positiva para a qualificação dos atendimentos às crianças acolhidas e suas famílias, visando a garantia do direito à convivência familiar e comunitária. 5 Profissionais que compõem a equipe em um acolhimento: coordenador, técnico, educadores social, auxiliar de serviços gerais, motorista e cozinheira.

80 80 Para uma maior compreensão sobre a opinião dos técnicos, acerca da importância de uma formação profissional continuada, foram utilizadas questões que nortearam esta investigação e,com base nos questionários respondidos, a categorização e análise dos dados foram feitas Perfil dos Acolhimentos: natureza jurídica O gráfico abaixo demonstra que, no universo pesquisado, dos oito acolhimentos, seis são denominados Organização Não Governamental, que são Organizações sem fins lucrativos criadas e mantidas com ênfase na participação voluntária de âmbito não governamental, objetivando o benefício público. As ONGs atuam em diversas áreas como, por exemplo, social, ambiental, saúde tratamento de dependentes químicos e etc. Segundo Delgado (1983),as ONGs tem como objetivo cooperar como Estado na consecução de seus objetivos e, não raras vezes, serve para fazer o seu papel. Ainda de acordo com o citado autor, por não ter tempo hábil para resolver todos os problemas e suprir todas as necessidades de uma política de desenvolvimento social, a sociedade civil se organiza e funda essas organizações. Percebe-se então que, com o surgimento das ONGs, atribuições do âmbito, antes, estatal, vêm-se transferindo para a iniciativa privada e para a sociedade. O modelo neoliberal, exige a participação de novos atores e o Estado, que deveria ser o principal responsável, não dispõe de condições de implementar políticas de desenvolvimento social. Com as ONGs em atuação, o Estado reduz seu investimento na área social, intensificando parcerias com os setores da sociedade, no sentido de enfrentar, juntos, questões sociais. Portanto, o bem público passa a ser de responsabilidade de todos (ANDRADE,2002). Ressalta-se que as ONGs, fazem parte do terceiro setor que, nas últimas décadas do século XX, vem expandindo e se fortalecendo. Segundo Coelho (2000), o terceiro setor é o conjunto de organizações sociais privadas, sem fins lucrativos, com atuação voltada ao atendimento das necessidades de segmentos da população, visando o bem comum. Com a ausência do Estado em alguns serviços, as ONGs surgiram para dar o suporte e seus projetos são financiados pelas próprias organizações, por meio de doações, além de algumas receberem apoio de instituições públicas e privadas.

81 81 Quanto à associação, que também foi vislumbrada no gráfico, é uma modalidade de agrupamento dotada de personalidade jurídica. Ela se configura, então, como pessoa jurídica de direito privado, voltada à realização de interesses dos seus associados ou de uma finalidade de interesse social. A existência legal das associações surge com a inscrição de seu estatuto no registro competente, desde que satisfeitos os requisitos legais, que ela tenha objetivo lícito e esteja regularmente organizada (PAES, 2006, p.63). Gráfico 1 Natureza Jurídica 6 ONG 2 Associação Fonte: dados da Pesquisa 4.5 Filiações Religiosas Os dados, apresentados no gráfico 2,elucidam que dos oito acolhimentos escolhidos para a pesquisa, 5 apresentam vínculo com a religião. Percebe-se pela história que a filantropia exercida através das Santas Casas de Misericórdias, conhecidas também como Irmandades, constituíram as primeiras formas de serviços assistenciais.portanto,estão na origem do atendimento às crianças e adolescentes. A filantropia foi desenvolvida no Brasil sob a lógica da prática assistencialista. Segundo Castro (1999), as ações das entidades ligadas à igreja, praticamente desde a chegada dos portugueses no Brasil, estavam demasiadamente carregadas com o conceito de benemerência.

82 82 Gráfico 2 Filiações religiosas 5 Sim 3 Não Fonte: dados da Pesquisa 4.6 Parcerias e convênios O gráfico 3 indica que a maioria dos acolhimentos institucionais firmou convênio com a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte. Essas parcerias são necessárias para que as ONGs possam continuar existindo. A constante busca por parcerias é imprescindível, pois as atividades passam a ser desenvolvidas em conjunto, aumentando, assim, os recursos para a eficácia das ações e qualidade dos serviços prestados.

83 83 Gráfico 3 - Pública, Privada ou Conveniada 6 Conveniadas 2 Privadas e conveniadas Fonte: dados da Pesquisa 4.7 Capacidade de Atendimento Interpretamos os dados contidos no gráfico 4, de acordo com o que está previsto no artigo 94, inciso III, oferecer atendimento personalizado, em pequenas unidades e grupos reduzidos (BRASIL, 1990, p. 20). Esse novo olhar direciona para a vertente da proteção integral. A forma diferente, de vislumbrar essa questão, significa dizer que as unidades de acolhimento devem trabalhar dentro de critérios mínimos de qualidade, evitando o atendimento massificado. A relevância de se evitar a massificação, consiste no fato de ela trazer dificuldade de estabelecimento de vínculos, distanciamento da família de origem, carência afetiva, atrasos no desenvolvimento, perda de registro da história de vida e etc. Esse reordenamento dos serviços de acolhimento está previsto, também, nos Planos Nacional, Estadual e Municipal de Promoção, Proteção e Defesa do Direito da Criança e do Adolescente à Convivência Familiar e Comunitária. Portanto, as entidades de acolhimento institucional devem atuar de forma diferenciada e todo seu fazer deve ser no sentido de alcançar os direitos, antes relegados à crianças e adolescentes acolhidos e suas famílias. Ainda de acordo com as Orientações Técnicas para os Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes (2009), está previsto a oferta de atendimento personalizado e individualizado: toda criança e adolescente tem direito a viver num ambiente favorecedor de seu processo de desenvolvimento, que lhe

84 84 ofereça segurança, apoio, proteção e cuidado. Nesse sentido, quando o afastamento for necessário e enquanto soluções para a retomada do convívio familiar forem buscadas, os serviços de acolhimento prestados deverão ser de qualidade, condizentes com os direitos e as necessidades físicas, psicológicas e sociais da criança e do adolescente. Para tanto, o atendimento deverá ser oferecido para um pequeno grupo e garantir espaços privados, para a guarda de objetos pessoais e registros, inclusive fotográficos,sobre a história de vida e desenvolvimento de cada criança e adolescente. Gráfico 4 - Capacidade de Atendimento 6-15 crianças ou adolescentes 2-12 crianças A faixa etária dos acolhimentos que atendem 15 crianças ou adolescentes é de 0 a 17 anos, onze meses e vinte nove dias. Quanto aos dois acolhimentos que acolhem 12 crianças o perfil é de 0 a 1 ano. 4.8 Faixa etária das crianças acolhidas A faixa etária atendida pelas unidades de acolhimento está demonstrada no gráfico5. De acordo com as Orientações Técnicas para Serviços de Acolhimentos (2009), a organização dos serviços de acolhimento, para crianças e adolescente, está dividida em diferentes modalidades, ou seja, perfil dos acolhidos, cujo objetivo é responder de forma mais adequada às demandas da população infanto-juvenil. A partir da análise da situação familiar, do perfil de cada criança ou adolescente e de seu processo de desenvolvimento, deve-se indicar qual modalidade poderá responder, de forma mais eficaz, às suas necessidades e num determinado

85 85 momento. Para determinar a modalidade que melhor atenderá a criança ou adolescente, há que se considerar, ainda, sua idade; histórico de vida; aspectos culturais; motivos do acolhimento; situação familiar; previsão do menor tempo necessário para viabilizar soluções de caráter permanente (reintegração familiar ou adoção); condições emocionais e de desenvolvimento, bem como condições específicas que precisem ser observadas (crianças e adolescentes com diferentes graus de deficiência,crianças e adolescentes que estejam em processo de saída da rua, com histórico de uso, abuso ou dependência de álcool ou outras drogas, com vínculos de parentesco irmãos, primos, etc.); dentre outras. Gráfico 5 - Faixa etária atendida pelas unidades de acolhimento 3-7 a 12 anos 3-0 a 6 anos 1-0 a 1 ano 1-12 a 18 anos Fonte: dados da Pesquisa 4.9 Fontes dos recursos Quanto às fontes de recursos que está demonstrada no gráfico 6, todas as unidades pesquisadas têm convênio com a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte, recebem doações da sociedade civil e algumas, ainda, têm recursos próprios. As ONGS necessitam recorrer a outros setores para obter uma parte de seus recursos financeiros, o que a torna, às vezes, dependentes. De acordo com Falconer e Vilela (2001), entre as fontes de recursos do terceiro setor estão os fundos públicos repassados para executar funções que, usualmente, cabem ao Estado, a geração de

86 86 receita própria por meio de venda de produtos, serviços a associados ou terceiros e as doações de empresas e de indivíduos. Muitas vezes as ONGs buscam recursos junto à sociedade civil e empresas privadas, pois o que é ofertado pelo município ou Estado não é suficiente para atender a toda demanda existente. A busca pela diversidade de recursos, torna-se importante para que as entidades não se tornem tão vulneráveis. A dificuldade das ONGs em gerar recursos próprios aumenta a necessidade de captação de fundos. Portanto, é importante que as entidades adotem novas estratégias trazendo recursos que possam expandir sua capacidade de atendimento. Muitas vezes, essas entidades sobrevivem graças aos recursos captados que as tornam capazes de cumprir o seu papel e garantir seu espaço. Contudo, as entidades não podem continuar dependendo apenas de financiadores tradicionais. Para Landim (2002), a independência das ações depende do grau de força e consistência das organizações para impor sua autonomia e negociar os recursos, sem alterar seus projetos e objetivos. Gráfico 6 - Fontes de recursos 6 Convênio com PBH e Doações Fonte: dados da Pesquisa 2 Convênio com PBH, Doações e Recursos próprios 4.10 Recursos Humanos Os gráficos 7 e 8retratam quem são os trabalhadores que estão inseridos no acolhimento institucional e como operacionalizam a medida protetiva.

87 87 O primeiro documento normativo a trazer a dimensão da gestão do trabalho, foi a Norma Operacional Básica de Recursos Humanos do Sistema Único de Assistência Social (NOB-RH/SUAS,2006). Esse documento abarca a gestão do trabalho pautado em quatro dimensões, que são: conhecer os profissionais que atuam na assistência social, caracterizando suas expectativas de formação e capacitação; propor estímulos e valorização destes trabalhadores; identificar pactos necessários entre gestores, servidores, trabalhadores da rede socioassistencial e política de gestão do trabalho que privilegie a qualificação técnico-política desses trabalhadores. Os pressupostos desse documento foram reforçados nas Orientações Técnicas (2009). Portanto, cabe ao gestor das entidades de acolhimento institucional considerar os pressupostos desse documento e algumas de suas competências. Segundo a NOB-RH/SUAS, as tarefas incluem valorizar os seus trabalhadores, de modo a ofertar serviços com o caráter público e de qualidade, conforme realidade no município; elaborar e executar plano de capacitação em consonância com as diretrizes da Política Nacional de Capacitação; viabilizar a participação de seus trabalhadores em atividades e eventos de capacitação e formação no âmbito municipal, estadual, distrital e federal, na área de assistência social. Fazem parte do quadro de recursos humanos das unidades de acolhimento, o educador social que tem a responsabilidade de cuidar, diretamente, das crianças e adolescentes.nesse quadro se encaixam, ainda,o apoio operacional dos serviços gerais, cozinheiras, motorista e os técnicos,que têm como função a realização de estudos de casos e elaboração de relatórios. A presença técnica na unidade de acolhimento, com horários determinados de trabalho, garante a realização de estudo de caso, de forma pontual e sistemática. O trabalho técnico exercido, da forma como prescrito na NOB-RH/SUAS e nas Orientações Técnicas, faz com que crianças e adolescentes não fiquem esquecidos nas entidades. O técnico realiza a busca ativa pela família de origem ou extensa, buscando intervir para que a medida protetiva de acolhimento seja, de fato, provisória, conforme também preconiza o ECA(1990). Além dos profissionais citados, as unidades de acolhimento contam com o apoio de voluntários considerados adicionais, que contribuem para o funcionamento eficiente das atividades. A pesquisa, realizada pela Fundação João Pinheiro (2000), registrou que menos da metade das entidades tinham o quadro mínimo estabelecido pelo próprio município, através do documento: Critérios de Qualidade do Atendimento em Abrigos/Secretaria Municipal Adjunta de Assistência Social/SMAAS.

88 88 Foi ainda apontado na pesquisa que, mais de 65% das entidades, trabalhavam com a figura do pai ou mãe social (atual educador social). Não foi registrada a formação continuada dos profissionais. Pensando a entidade, considerando a sua especificidade e complexidade, não se pode avaliar a sua rotina diária sem profissionais qualificados e preparados para exercer a sua função e, o mais importante, em número suficiente. Gráfico 7 - Número de Educadores Social por unidade de acolhimento 2-4 a 8 educadores 4-9 a 12 educadores 2-12 a 13 educadores Fonte: dados da Pesquisa Gráfico 8 - Formação dos Técnicos por unidade de acolhimento 6 Assistentes Social 2 Psicólogas Fonte: dados da Pesquisa

89 Sobre a atuação profissional Dificuldades com o público atendido A investigação dos dados apresentados no gráfico 9 que trata das dificuldades em lidar com o público atendido demonstrou que 90% dos técnicos reconhecem essa dificuldade. As dificuldades citadas ocorrem devido à ordem das ações que são permeadas por um conjunto de fatores que as tornam diversificadas, inesperadas e sujeitas a constantes mudanças. A complexidade das ações se referem às variedades de problemas sociais emergentes de demandas e necessidades, expressos devido à complexidade dos contextos histórico familiares com os seus constantes conflitos. Os entrevistados citaram em suas respostas algumas dificuldades enfrentadas no cotidiano do acolhimento: Dificuldade em lidar com comportamento, disciplina do público atendido (Informante 1) Saúde precária das crianças, má qualidade dos serviços disponíveis, acompanhamento e superação do uso de drogas e álcool por parte dos genitores (Informante 2) Variedade de problemas devido à faixa etária (Informante 4) O público atendido na maioria das vezes é usuário de drogas e moradores de rua. Não existe capacitação que nos qualifique para atender a este público (Informante 5). Gráfico 9 - Dificuldades ao lidar com o público atendido Sim 1 Não Fonte: dados da Pesquisa

ASPECTOS HISTÓRICOS RESGATE DA HISTÓRIA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO BRASIL Maria Izabel Rocha Simão e Silva Capacitação de Candidatos ao Conselho Tutelar Barbacena, julho/2010 Objetivos: 1- Entendimento

Leia mais

Jornada Pedagógica Pastoral 2011. Divane Nery

Jornada Pedagógica Pastoral 2011. Divane Nery Jornada Pedagógica Pastoral 2011 Divane Nery Uma Breve História dos Direitos da Criança e do Adolescente no Brasil Por Gisella Werneck Lorenzi* Até 1900 Final do Império e início da Republica Não se tem

Leia mais

O DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES

O DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES O DIREITO À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES Josefa Adelaide Clementino Leite 1 Maria de Fátima Melo do Nascimento 2 Waleska Ramalho Ribeiro 3 RESUMO O direito à proteção social

Leia mais

Políticas Setoriais Secretarias Municipais: Saúde, Assistência Social, Educação, Direitos Humanos(quando houver). Participações Desejáveis

Políticas Setoriais Secretarias Municipais: Saúde, Assistência Social, Educação, Direitos Humanos(quando houver). Participações Desejáveis PARÂMETROS PARA A CONSTITUIÇÃO DAS COMISSÕES INTERSETORIAIS DE ACOMPANHAMENTO DO PLANO NACIONAL DE PROMOÇÃO, PROTEÇÃO E DEFESA DO DIREITO DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES À CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA

Leia mais

como Política Pública de Estado

como Política Pública de Estado como Política Pública de Estado Brasil 27 estados 5.565 municipios 190 milhoes ha 60 milhoes de 0 a 18 anos. Constituicao Federal de 1988 Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar

Leia mais

As entidades e organizações da Assistência Social no Sistema Único de Assistência Social

As entidades e organizações da Assistência Social no Sistema Único de Assistência Social Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome Secretaria Nacional de Assistencia Social Departamento da Rede Socioassistencial Privada do SUAS As entidades e organizações da Assistência Social

Leia mais

O COTIDIANO DAS VARAS DA INFÂNCIA. Maria Isabel Strong Assistente Social Judiciário

O COTIDIANO DAS VARAS DA INFÂNCIA. Maria Isabel Strong Assistente Social Judiciário PROTEÇÃO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE O COTIDIANO DAS VARAS DA INFÂNCIA E JUVENTUDE Maria Isabel Strong Assistente Social Judiciário Medidas Protetivas Lei 12.010 de 03/08/2009 Lei Nacional de Adoção Altera

Leia mais

Assistência Social da benesse ao Direito A experiência de Campinas

Assistência Social da benesse ao Direito A experiência de Campinas Assistência Social da benesse ao Direito A experiência de Campinas Arnaldo Rezende Setembro/2010. Um pouco da origem... 1543 Implantação da 1ª. Santa Casa de Misericórdia. 1549 - Chegada dos Jesuítas no

Leia mais

PLANO MUNICIPAL DE ATENDIMENTO SÓCIOEDUCATIVO DO MUNICÍPIO DE ESPÍRITO SANTO/RN

PLANO MUNICIPAL DE ATENDIMENTO SÓCIOEDUCATIVO DO MUNICÍPIO DE ESPÍRITO SANTO/RN PLANO MUNICIPAL DE ATENDIMENTO SÓCIOEDUCATIVO DO MUNICÍPIO DE ESPÍRITO SANTO/RN ESPÍRITO SANTO/RN, OUTUBRO DE 2014. FRANCISCO ARAÚJO DE SOUZA PREFEITO MUNICIPAL DE ESPÍRITO SANTO/RN ELIZANGELA FREIRE DE

Leia mais

Avanços e Perspectivas dos Direitos da Criança com Ênfase na Área da Saúde

Avanços e Perspectivas dos Direitos da Criança com Ênfase na Área da Saúde Avanços e Perspectivas dos Direitos da Criança com Ênfase na Área da Saúde Falar dos direitos da criança implica necessariamente um resgate do maior avanço em âmbito jurídico e político-ideológico relacionado

Leia mais

UMA VAGA PARA TODOS PROJETO DE ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL. Rio de Janeiro, março de 2015

UMA VAGA PARA TODOS PROJETO DE ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL. Rio de Janeiro, março de 2015 UMA VAGA PARA TODOS PROJETO DE ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL. Rio de Janeiro, março de 2015 RESUMO Este projeto visa a atender crianças e adolescentes em situação de rua, abandonados ou que necessitam ser

Leia mais

ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES: MUDANÇAS NA HISTÓRIA BRASILEIRA

ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES: MUDANÇAS NA HISTÓRIA BRASILEIRA 1 ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES: MUDANÇAS NA HISTÓRIA BRASILEIRA Ana Maria Augusta dos Santos 1 RESUMO Esse artigo apresenta um estudo bibliográfico e uma reflexão sobre a institucionalização

Leia mais

PROGRAMA NACIONAL DE ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES PAIR

PROGRAMA NACIONAL DE ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA SEXUAL CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES PAIR Presidência da República Secretaria de Direitos Humanos Secretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Criança e do Adolescente Departamento de Políticas Temáticas dos Direitos da Criança e do Adolescente

Leia mais

A BUSCA PELA BREVE E EXCEPCIONAL PERMANÊNCIA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM INSTITUIÇÕES

A BUSCA PELA BREVE E EXCEPCIONAL PERMANÊNCIA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM INSTITUIÇÕES A BUSCA PELA BREVE E EXCEPCIONAL PERMANÊNCIA DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES EM INSTITUIÇÕES Idenilse Maria Moreira 1 RESUMO O estudo foca o papel da rede de proteção à infância e juventude frente ao direito

Leia mais

Carta Unir para Cuidar Apresentação

Carta Unir para Cuidar Apresentação Carta Unir para Cuidar Apresentação Durante o 17º Encontro Nacional de Apoio à Adoção (ENAPA), na capital federal, de 07 a 09 de junho de 2012, as entidades participantes assumem, com esta carta de compromisso,

Leia mais

TEXTO 1 História do Atendimento ao adolescente autor de ato infracional no Brasil

TEXTO 1 História do Atendimento ao adolescente autor de ato infracional no Brasil TEXTO 1 História do Atendimento ao adolescente autor de ato infracional no Brasil A construção da política de atendimento aos adolescentes a quem se atribua a prática do ato infracional acompanhou o desenvolvimento

Leia mais

O Suas Sistema Único da Assistência Social em perspectiva Valéria Cabral Carvalho, CRESS nº 0897 Luiza Maria Lorenzini Gerber, CRESS nº 0968

O Suas Sistema Único da Assistência Social em perspectiva Valéria Cabral Carvalho, CRESS nº 0897 Luiza Maria Lorenzini Gerber, CRESS nº 0968 O Suas Sistema Único da Assistência Social em perspectiva Valéria Cabral Carvalho, CRESS nº 0897 Luiza Maria Lorenzini Gerber, CRESS nº 0968 Com a Constituição Federal de 1988, a Assistência Social passa

Leia mais

MÓDULO II Introdução ao Estatuto da Criança e do Adolescente AULA 04

MÓDULO II Introdução ao Estatuto da Criança e do Adolescente AULA 04 MÓDULO II Introdução ao Estatuto da Criança e do Adolescente AULA 04 Por Leonardo Rodrigues Rezende 1 1. Apresentação O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) completa 24 anos este ano, mas sua história

Leia mais

POLÍTICA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, SUAS e legislações pertinentes. Profa. Ma. Izabel Scheidt Pires

POLÍTICA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, SUAS e legislações pertinentes. Profa. Ma. Izabel Scheidt Pires POLÍTICA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL, SUAS e legislações pertinentes Profa. Ma. Izabel Scheidt Pires REFERÊNCIAS LEGAIS CF 88 LOAS PNAS/04 - SUAS LOAS A partir da Constituição Federal de 1988, regulamentada

Leia mais

A CULTURA DA VIOLENCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO ESPAÇO DOMÉSTICO

A CULTURA DA VIOLENCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO ESPAÇO DOMÉSTICO UNIFLU FACULDADE DE DIREITO DE CAMPOS PROGRAMA DE MESTRADO A CULTURA DA VIOLENCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES NO ESPAÇO DOMÉSTICO LUZINARA SCARPE MORGAN CAMPOS DOS GOYTACAZES - RIO DE JANEIRO 2006/2007

Leia mais

Expert Consultation on Prevention of and Responses to Violence against Young Children Lima, 27 28 August 2012

Expert Consultation on Prevention of and Responses to Violence against Young Children Lima, 27 28 August 2012 Expert Consultation on Prevention of and Responses to Violence against Young Children Lima, 27 28 August 2012 JANDIRA FEGHALI (Deputada Federal/Brasil) Temas: Trabalhando com autoridades e parlamentares

Leia mais

CADERNO DE PROVA FUNÇÃO: COORDENADOR PROCESSO SELETIVO SIMPLIFICADO EDITAL 01/2014 PREFEITURA MUNICIPAL DE BARÃO DE COCAIS/MG INSTRUÇÕES:

CADERNO DE PROVA FUNÇÃO: COORDENADOR PROCESSO SELETIVO SIMPLIFICADO EDITAL 01/2014 PREFEITURA MUNICIPAL DE BARÃO DE COCAIS/MG INSTRUÇÕES: PROCESSO SELETIVO SIMPLIFICADO EDITAL 01/2014 PREFEITURA MUNICIPAL DE BARÃO DE COCAIS/MG CADERNO DE PROVA FUNÇÃO: COORDENADOR NOME: DATA: / / INSCRIÇÃO Nº: CPF ou RG: INSTRUÇÕES: 1. Você recebeu sua folha

Leia mais

POLÍTICA DE INVESTIMENTO SOCIAL NA ÁREA DA INFÂNCIA

POLÍTICA DE INVESTIMENTO SOCIAL NA ÁREA DA INFÂNCIA POLÍTICA DE INVESTIMENTO SOCIAL NA ÁREA DA INFÂNCIA NOVOS PARÂMETROS DO CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (CONANDA) Carlos Nicodemos DOUTRINA DA INDIFERENÇA Até 1899: Ausência

Leia mais

TRAJETÓRIA DAS POLÍTICAS PARA A CRIANÇA E O ADOLESCENTE NO BRASIL

TRAJETÓRIA DAS POLÍTICAS PARA A CRIANÇA E O ADOLESCENTE NO BRASIL TRAJETÓRIA DAS POLÍTICAS PARA A CRIANÇA E O ADOLESCENTE NO BRASIL A trajetória da política social no Brasil desde o período colonial até os dias atuais, em especial a trajetória da política voltada para

Leia mais

Desvelando o SUAS por meio dos conceitos de Proteção Social Básica e Especial

Desvelando o SUAS por meio dos conceitos de Proteção Social Básica e Especial Desvelando o SUAS por meio dos conceitos de Proteção Social Básica e Especial MINISTÉRIO DE DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE À FOME Secretaria Nacional de Assistência Social Departamento de Gestão do SUAS

Leia mais

REVISTA SABER ACADÊMICO N 16 / ISSN 1980-5950 SQUIZATTO, E. P. S. 2013.

REVISTA SABER ACADÊMICO N 16 / ISSN 1980-5950 SQUIZATTO, E. P. S. 2013. 86 Artigo original A PRÁXIS PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL NO CENTRO DE REFERÊNCIA ESPECIALIZADO DA ASSISTÊNCIA SOCIAL SQUIZATTO, E. P. S. 1 Nome Completo Ediléia Paula dos Santos Squizatto Artigo submetido

Leia mais

Plano Decenal dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes

Plano Decenal dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes Plano Decenal dos Direitos Humanos de Crianças e Adolescentes EIXO 1 PROMOÇÃO DOS DIREITOS DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES Diretriz 01 - Promoção da cultura do respeito e da garantia dos direitos humanos de

Leia mais

MUDANÇAS NO CONTEXTO FAMILIAR

MUDANÇAS NO CONTEXTO FAMILIAR 1 MUDANÇAS NO CONTEXTO FAMILIAR 1 SOUZA, M. A. 2 ZAMPAULO, J. 3 BARROS, D. R. B. Resumo: Com esse breve estudo buscou se refletir sobre as mudanças que a família tem vivenciado no contexto social. Procura

Leia mais

A Política Nacional de Assistência Social na Perspectiva do Sistema Único - SUAS

A Política Nacional de Assistência Social na Perspectiva do Sistema Único - SUAS A Política Nacional de Assistência Social na Perspectiva do Sistema Único - SUAS Deliberação da IV Conferência Nacional; Garantia de acesso aos direitos socioassistenciais; Modelo democrático e descentralizado

Leia mais

RESOLUÇÃO CONJUNTA CNAS/CONANDA Nº 001 DE 09 DE JUNHO DE 2010

RESOLUÇÃO CONJUNTA CNAS/CONANDA Nº 001 DE 09 DE JUNHO DE 2010 RESOLUÇÃO CONJUNTA CNAS/CONANDA Nº 001 DE 09 DE JUNHO DE 2010 Estabelece parâmetros para orientar a constituição, no âmbito dos Estados, Municípios e Distrito Federal, de Comissões Intersetoriais de Convivência

Leia mais

Os direitos das crianças e adolescentes no contexto das famílias contemporâneas. Ana Paula Motta Costa anapaulamottacosta@gmail.

Os direitos das crianças e adolescentes no contexto das famílias contemporâneas. Ana Paula Motta Costa anapaulamottacosta@gmail. Os direitos das crianças e adolescentes no contexto das famílias contemporâneas Ana Paula Motta Costa anapaulamottacosta@gmail.com Pressuposto: Direito à Convivência Familiar, um direito fundamental de

Leia mais

PORTARIA NORMATIVA INTERMINISTERIAL Nº- 17, DE 24 DE ABRIL DE 2007

PORTARIA NORMATIVA INTERMINISTERIAL Nº- 17, DE 24 DE ABRIL DE 2007 PORTARIA NORMATIVA INTERMINISTERIAL Nº- 17, DE 24 DE ABRIL DE 2007 Institui o Programa Mais Educação, que visa fomentar a educação integral de crianças, adolescentes e jovens, por meio do apoio a atividades

Leia mais

PENSANDO NA PRÁTICA: AS AÇÕES E ATIVIDADES EXECUTADAS NOS CRAS/CREAS FACILITADORA: INÊS DE MOURA TENÓRIO

PENSANDO NA PRÁTICA: AS AÇÕES E ATIVIDADES EXECUTADAS NOS CRAS/CREAS FACILITADORA: INÊS DE MOURA TENÓRIO a Área da Assistência Social PENSANDO NA PRÁTICA: AS AÇÕES E ATIVIDADES EXECUTADAS NOS CRAS/CREAS FACILITADORA: INÊS DE MOURA TENÓRIO Assistência Social na PNAS Situada como proteção social não contributiva;

Leia mais

ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES: BALANÇO DE UMA DÉCADA

ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES: BALANÇO DE UMA DÉCADA ENFRENTAMENTO DA VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES: BALANÇO DE UMA DÉCADA Área Temática: Direitos Humanos e Justiça Liza Holzmann (Coordenadora da Ação de Extensão) Liza Holzmann 1 Palavras Chave:

Leia mais

ÁREA TEMÁTICA: ( ) COMUNICAÇÃO ( ) CULTURA ( x ) DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA ( ) EDUCAÇÃO ( ) MEIO AMBIENTE ( ) SAÚDE ( ) TRABALHO ( ) TECNOLOGIA

ÁREA TEMÁTICA: ( ) COMUNICAÇÃO ( ) CULTURA ( x ) DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA ( ) EDUCAÇÃO ( ) MEIO AMBIENTE ( ) SAÚDE ( ) TRABALHO ( ) TECNOLOGIA 12. CONEX Apresentação Oral Resumo Expandido 1 ÁREA TEMÁTICA: ( ) COMUNICAÇÃO ( ) CULTURA ( x ) DIREITOS HUMANOS E JUSTIÇA ( ) EDUCAÇÃO ( ) MEIO AMBIENTE ( ) SAÚDE ( ) TRABALHO ( ) TECNOLOGIA ATUAÇÃO DO

Leia mais

DIREITOS DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES: O QUE ISTO TEM A VER COM SUSTENTABILIDADE? 1

DIREITOS DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES: O QUE ISTO TEM A VER COM SUSTENTABILIDADE? 1 DIREITOS DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES: O QUE ISTO TEM A VER COM SUSTENTABILIDADE? 1 O conceito de sustentabilidade Em 1987, o Relatório Brundtland, elaborado pela Comissão Mundial do Ambiente e Desenvolvimento,

Leia mais

NORMATIVAS INTERNACIONAIS Publicação/Origem

NORMATIVAS INTERNACIONAIS Publicação/Origem LEVANTAMENTO DOS MARCOS LÓGICOS E LEGAIS DO SERVIÇO DE ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA, ABUSO E EXPLORAÇÃO SEXUAL CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES 1. Marcos Lógicos NORMATIVAS INTERNACIONAIS DECLARAÇÃO DE GENEBRA

Leia mais

Faço saber que a Câmara Municipal de Queimados, APROVOU e eu SANCIONO a seguinte Lei:

Faço saber que a Câmara Municipal de Queimados, APROVOU e eu SANCIONO a seguinte Lei: LEI N.º 1135/13, DE 01 DE ABRIL DE 2013. Dispõe sobre o Sistema Municipal de Assistência Social de Queimados e dá outras providências. Faço saber que a Câmara Municipal de Queimados, APROVOU e eu SANCIONO

Leia mais

Palavras-chave: adolescente, risco pessoal, prática profissional

Palavras-chave: adolescente, risco pessoal, prática profissional PRÁTICA PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL E ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL NA CASA SANTA LUIZA DE MARILLAC. SOMER, Diana Galone (estagio I), e-mail: dianassomer@gmail.com BOMFATI, Adriana (supervisor), e-mail:

Leia mais

Secretaria Nacional de Assistência Social

Secretaria Nacional de Assistência Social POLÍTICA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SISTEMA ÚNICO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SUAS Secretaria Nacional de Assistência Social MARCOS NORMATIVOS E REGULATÓRIOS Constituição Federal 1988 LOAS 1993 PNAS 2004

Leia mais

Violação dos Direitos da Criança e do Adolescente

Violação dos Direitos da Criança e do Adolescente Vara da Infância e da Juventude do Distrito Federal Violação dos Direitos da Criança e do Adolescente Conceito Onde denunciar Procedimentos Renato Rodovalho Scussel Juiz de Direito Simone Costa Resende

Leia mais

SIM SENHOR, NÃO SENHOR: desvelando o significado dos processos educativos para a realidade dos adolescentes em conflito com a lei

SIM SENHOR, NÃO SENHOR: desvelando o significado dos processos educativos para a realidade dos adolescentes em conflito com a lei SIM SENHOR, NÃO SENHOR: desvelando o significado dos processos educativos para a realidade dos adolescentes em conflito com a lei Ivana Marques dos Santos Silva Universidade Federal Rural de Pernambuco

Leia mais

Art. 2 O Sistema Municipal de Assistência Social de Mangueirinha SUAS é regido pelos seguintes princípios:

Art. 2 O Sistema Municipal de Assistência Social de Mangueirinha SUAS é regido pelos seguintes princípios: LEI Nº 1720/2012 Dispõe sobre o Sistema Municipal de Assistência Social de Mangueirinha SUAS (Sistema Único de Assistência Social). Faço saber, que a Câmara Municipal de Mangueirinha, Estado do Paraná

Leia mais

Curso I Introdução ao provimento de serviços e benefícios socioassistenciais do SUAS

Curso I Introdução ao provimento de serviços e benefícios socioassistenciais do SUAS Curso I Introdução ao provimento de serviços e benefícios socioassistenciais do SUAS Módulo II - O provimento dos serviços socioassistenciais Proteção Social Especial Recife, fevereiro/2014 Conteúdo Programático

Leia mais

A ATUAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NO CONTEXTO SÓCIO-JURÍDICO: O PAPEL DOS IDOSOS GUARDIÕES

A ATUAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NO CONTEXTO SÓCIO-JURÍDICO: O PAPEL DOS IDOSOS GUARDIÕES A ATUAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL NO CONTEXTO SÓCIO-JURÍDICO: O PAPEL DOS IDOSOS GUARDIÕES FERREIRA, M.F.J.A. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo TJSP - BRASIL A perspectiva deste trabalho consiste em

Leia mais

Lidiane Santos de Oliveira 1 Maria Catarina do Carmo 2 RESUMO

Lidiane Santos de Oliveira 1 Maria Catarina do Carmo 2 RESUMO 1 AQUI SE FAZ, AQUI SE PENSA: PROBLEMATIZAÇÕES SOBRE A ATUAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL BASEADAS EM UM ESTUDO SOBRE IDOSOS COM DIREITOS VIOLADOS Lidiane Santos de Oliveira 1 Maria Catarina do

Leia mais

ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A

ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A ESTA PALESTRA NÃO PODERÁ SER REPRODUZIDA SEM A REFERÊNCIA DO AUTOR Irma Martins Moroni da Silveira FALAR DA CONTEMPORANEIDADE É REFLETIR SOBRE O TEMPO PRESENTE Falar do hoje da Assistência Social; Como

Leia mais

A EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS RESIDENTES EM ABRIGOS

A EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS RESIDENTES EM ABRIGOS A EDUCAÇÃO DE CRIANÇAS RESIDENTES EM ABRIGOS TORRES, Diana de Farias Dianafarias_83@hotmail.com Faculdade das Américas Resumo: Através de estudos bibliográficos busca-se neste artigo compreender como se

Leia mais

Estatuto da Criança e do adolescente

Estatuto da Criança e do adolescente Luiz Octávio O. Saboia Ribeiro Juiz Auxiliar da CGJ Estatuto da Criança e do adolescente PROTEÇÃO INTEGRAL Os espinhos que me ferem são frutos dos arbustos que plantei. (Lord Byron) Art. 227. É dever da

Leia mais

Art. 99. As medidas previstas neste Capítulo poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente, bem como substituídas a qualquer tempo.

Art. 99. As medidas previstas neste Capítulo poderão ser aplicadas isolada ou cumulativamente, bem como substituídas a qualquer tempo. Conforme o Estatuto da Criança e do Adolesecente Art. 98. As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados: I -

Leia mais

PREVENÇÃO DE VIOLÊNCIAS E PROMOÇÃO DA CULTURA DE PAZ

PREVENÇÃO DE VIOLÊNCIAS E PROMOÇÃO DA CULTURA DE PAZ MINISTÉRIO DA SAÚDE IMPACTO DA VIOLÊNCIA NA SAÚDE DAS CRIANÇAS E ADOLESCENTES PREVENÇÃO DE VIOLÊNCIAS E PROMOÇÃO DA CULTURA DE PAZ VOCÊ É A PEÇA PRINCIPAL PARA ENFRENTAR ESTE PROBLEMA Brasília - DF 2008

Leia mais

PROFª CLEIDIVAINE DA S. REZENDE Disc. Sociologia / 1ª Série

PROFª CLEIDIVAINE DA S. REZENDE Disc. Sociologia / 1ª Série PROFª CLEIDIVAINE DA S. REZENDE Disc. Sociologia / 1ª Série 1 - DEFINIÇÃO Direitos e deveres civis, sociais e políticos usufruir dos direitos e o cumprimento das obrigações constituem-se no exercício da

Leia mais

Uma análise preliminar do perfil demográfico das crianças e adolescentes cadastrados para adoção no município de São Paulo

Uma análise preliminar do perfil demográfico das crianças e adolescentes cadastrados para adoção no município de São Paulo Uma análise preliminar do perfil demográfico das crianças e adolescentes cadastrados para adoção no município de São Paulo Paulo José Pereira 1 Maria Coleta Ferreira Albino de Oliveira 2 Introdução Pesquisar

Leia mais

A PRÁTICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE NA APAM-ASSOCIAÇÃO DE PROMOÇÃO A MENINA DE PONTA GROSSA.

A PRÁTICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE NA APAM-ASSOCIAÇÃO DE PROMOÇÃO A MENINA DE PONTA GROSSA. A PRÁTICA PROFISSIONAL DO ASSISTENTE NA APAM-ASSOCIAÇÃO DE PROMOÇÃO A MENINA DE PONTA GROSSA. SILVA, Jessica Da¹. NADAL, Isabela Martins². GOMES, R.C. Ana³. RESUMO: O presente trabalho é referente à prática

Leia mais

DIREITO CONSTITUCIONAL. Art. 227, CF/88 RAFAEL FERNANDEZ

DIREITO CONSTITUCIONAL. Art. 227, CF/88 RAFAEL FERNANDEZ DIREITO CONSTITUCIONAL Art. 227, CF/88 RAFAEL FERNANDEZ É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde,

Leia mais

Como o Brasil enfrenta a exploração sexualcomercial de crianças e adolescentes

Como o Brasil enfrenta a exploração sexualcomercial de crianças e adolescentes Como o Brasil enfrenta a exploração sexualcomercial de crianças e adolescentes 1. Introdução Fenômeno dos mais graves de nosso tempo, a exploração sexual-comercial de crianças e adolescentes não deve ser

Leia mais

SERVIÇO DE PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA, IDOSAS E SUAS FAMÍLIAS NO SUAS Tipificação Nacional dos Serviços SUAS/2009

SERVIÇO DE PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL PARA PESSOAS COM DEFICIÊNCIA, IDOSAS E SUAS FAMÍLIAS NO SUAS Tipificação Nacional dos Serviços SUAS/2009 MINISTÉRIO DO DESENVOLVIMENTO SOCIAL E COMBATE À FOME SECRETARIA NACIONAL DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SNAS DEPARTAMENTO DE PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL - DPSE SERVIÇO DE PROTEÇÃO SOCIAL ESPECIAL PARA PESSOAS COM

Leia mais

O sistema de garantias dos direitos da criança e do adolescente

O sistema de garantias dos direitos da criança e do adolescente O sistema de garantias dos direitos da criança e do adolescente SISTEMA DE GARANTIA DE DIREITOS PROMOÇÃO CONTROLE SOCIAL DEFESA A Convenção Internacional sobre o direito da criança e do adolescente Busca

Leia mais

Juntos somos mais fortes!

Juntos somos mais fortes! Juntos somos mais fortes! Zacharias Jabur Prefeito Municipal Solange Camargo Souza de Oliveira Prado Secretária do Bem Estar Social Caroline Bianchi Dias do Carmo Coordenadora da Casa São Rafael Efren

Leia mais

TITULO A GENTE NA RUA UM OLHAR DIFERENCIADO NA POPULAÇÃO DE RUA NA CIDADE DE SÃO PAULO

TITULO A GENTE NA RUA UM OLHAR DIFERENCIADO NA POPULAÇÃO DE RUA NA CIDADE DE SÃO PAULO TITULO A GENTE NA RUA UM OLHAR DIFERENCIADO NA POPULAÇÃO DE RUA NA CIDADE DE SÃO PAULO Breve Histórico da População de Rua na Cidade de São Paulo A população de rua da cidade de são Paulo, heterogenia

Leia mais

TRABALHO INFANTIL. Fabiana Barcellos Gomes

TRABALHO INFANTIL. Fabiana Barcellos Gomes TRABALHO INFANTIL Fabiana Barcellos Gomes Advogada, Pós graduada em Direito e Processo Penal com ênfase em Segurança Pública, Direito do Trabalho e Pós graduanda em Direito de Família e Sucessões O que

Leia mais

POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL BRASILEIRA. Sistema Único. de Assistência Social- SUAS

POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL BRASILEIRA. Sistema Único. de Assistência Social- SUAS POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL BRASILEIRA Sistema Único de Assistência Social- SUAS Política de Assistência Social Caracterização: - Definida constitucionalmente (CF/1988): - política pública: direito

Leia mais

A GESTÃO DO CREAS E AS MUDANÇAS COM A TIPIFICAÇÃO E O PROTOCOLO DE GESTÃO

A GESTÃO DO CREAS E AS MUDANÇAS COM A TIPIFICAÇÃO E O PROTOCOLO DE GESTÃO A GESTÃO DO CREAS E AS MUDANÇAS COM A TIPIFICAÇÃO E O PROTOCOLO DE GESTÃO A Assistência Social como política de proteção social configura uma nova situação para o Brasil: garantir proteção a todos, que

Leia mais

LEI N.º 7.390, DE 6 DE MAIO DE 2015

LEI N.º 7.390, DE 6 DE MAIO DE 2015 LEI N.º 7.390, DE 6 DE MAIO DE 2015 Institui o Sistema Municipal de Assistência Social do Município de Santo Antônio da Patrulha e dá outras providências. O PREFEITO MUNICIPAL de Santo Antônio da Patrulha,

Leia mais

POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL PARA A PESSOA IDOSA

POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL PARA A PESSOA IDOSA POLÍTICA DE ASSISTÊNCIA SOCIAL PARA A PESSOA IDOSA Potyara A. P. Pereira 1 Introdução Do conjunto de leis, direitos e políticas que, a partir da Constituição Federal de 1988, compõem a nova institucionalidade

Leia mais

PROJETO DE PESQUISA. ADOÇÃO PELO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (lei nº 8069, de 13/07/1990) E PELO CÓDIGO CIVIL (lei nº 10406, de 10/01/2002).

PROJETO DE PESQUISA. ADOÇÃO PELO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (lei nº 8069, de 13/07/1990) E PELO CÓDIGO CIVIL (lei nº 10406, de 10/01/2002). PROJETO DE PESQUISA ADOÇÃO PELO ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE (lei nº 8069, de 13/07/1990) E PELO CÓDIGO CIVIL (lei nº 10406, de 10/01/2002). Polyana da Silva Siqueira Rosana Rangel Silva Campos

Leia mais

A atuação de políticas públicas no contexto familiar de crianças e adolescentes em situação de rua: uma violência compartilhada? 1

A atuação de políticas públicas no contexto familiar de crianças e adolescentes em situação de rua: uma violência compartilhada? 1 A atuação de políticas públicas no contexto familiar de crianças e adolescentes em situação de rua: uma violência compartilhada? 1 Porque a vida, a vida, a vida, a vida só é possível reinventada. (Cecília

Leia mais

ASSISTENTE SOCIAL. C européia e da Igreja Católica. D política, através do governo Getúlio Vargas e da Igreja Católica.

ASSISTENTE SOCIAL. C européia e da Igreja Católica. D política, através do governo Getúlio Vargas e da Igreja Católica. ASSISTENTE SOCIAL 01. Considerando que o Serviço Social foi introduzido no Brasil nos anos 30, é correto afirmar que a primeira escola de Serviço Social, criada em 1963, no seu inicio sofreu forte influência:

Leia mais

CURSO PREPARATÓRIO. VIII Processo de Escolha dos Membros dos Conselhos Tutelares de Belo Horizonte/MG

CURSO PREPARATÓRIO. VIII Processo de Escolha dos Membros dos Conselhos Tutelares de Belo Horizonte/MG CURSO PREPARATÓRIO VIII Processo de Escolha dos Membros dos Conselhos 2015 ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE ECA Fernanda Flaviana de Souza Martins Assistente Social, Doutora Psicologia pela PUCMinas,

Leia mais

NOTA TÉCNICA 003/2012_ DA OBRIGAÇÃO DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL NO ATENDIMENTO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO À COMUNIDADE DE ADOLESCENTES

NOTA TÉCNICA 003/2012_ DA OBRIGAÇÃO DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL NO ATENDIMENTO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO À COMUNIDADE DE ADOLESCENTES Prezada, NOTA TÉCNICA 003/2012_ DA OBRIGAÇÃO DO PODER EXECUTIVO MUNICIPAL NO ATENDIMENTO DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO À COMUNIDADE DE ADOLESCENTES Florianópolis, 18 de abril de 2012. Interessados: Secretarias

Leia mais

Histórico do Atendimento à Criança em Família

Histórico do Atendimento à Criança em Família Histórico do Atendimento à Criança em Família Kátia C. SILVESTRE 1 Maria Aparecida PIERRONI ¹ Vânia Maria FERRAZ ¹ Marisa Antônia de SOUZA 2 Resumo O presente artigo tem por objetivo analisar a influência

Leia mais

A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NA POLÍTICA DE ATENDIMENTO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE NO ESTADO DE ALAGOAS

A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NA POLÍTICA DE ATENDIMENTO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE NO ESTADO DE ALAGOAS A ATUAÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NA POLÍTICA DE ATENDIMENTO À CRIANÇA E AO ADOLESCENTE NO ESTADO DE ALAGOAS Resumo Este estudo é parte da pesquisa O Mercado de Trabalho do Serviço Social na Sociedade Contemporânea:

Leia mais

Módulo 01 Professor Antonio Carlos Gomes da Costa 1

Módulo 01 Professor Antonio Carlos Gomes da Costa 1 Módulo 01 Professor Antonio Carlos Gomes da Costa 1 Vídeo Aula 1 2 A Constituição Federal de 1988 e o Estatuto da Criança e do Adolescente O contexto da Constituição Federal de 1988 foi inspirado nau idéia

Leia mais

Núcleo de Pesquisa e Extensão do Curso de Direito NUPEDIR VII MOSTRA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA (MIC) 25 de novembro de 2014

Núcleo de Pesquisa e Extensão do Curso de Direito NUPEDIR VII MOSTRA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA (MIC) 25 de novembro de 2014 O ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL E O DIREITO À CONVIVÊNCIA COM A FAMÍLIA Graciele Benisch 1 Deise Josene Stein 2 SUMÁRIO: 1 INTRODUÇÃO. 2 ASPÉCTOS HISTÓRICOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. 3 MEDIDAS DE ACOLHIMENTO

Leia mais

A PERSPECTIVA DO ADOLESCENTE QUANTO À PRIVAÇÃO DE LIBERDADE EM CASO DE INTERNAÇÃO

A PERSPECTIVA DO ADOLESCENTE QUANTO À PRIVAÇÃO DE LIBERDADE EM CASO DE INTERNAÇÃO 1 A PERSPECTIVA DO ADOLESCENTE QUANTO À PRIVAÇÃO DE LIBERDADE EM CASO DE INTERNAÇÃO Amanda Bueno da Silva 1 Kênia Maria Noma de Melo 2 Elizabete David Novaes 3 RESUMO O presente trabalho objetiva investigar

Leia mais

LEGISLAÇÃO CITADA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988

LEGISLAÇÃO CITADA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 LEGISLAÇÃO CITADA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988 TÍTULO VIII Da Ordem Social CAPÍTULO VII DA FAMÍLIA, DA CRIANÇA, DO ADOLESCENTE E DO IDOSO Art. 227. É dever da família, da sociedade

Leia mais

Roteiro de Diretrizes para Pré-Conferências Regionais de Políticas para as Mulheres. 1. Autonomia econômica, Trabalho e Desenvolvimento;

Roteiro de Diretrizes para Pré-Conferências Regionais de Políticas para as Mulheres. 1. Autonomia econômica, Trabalho e Desenvolvimento; Roteiro de Diretrizes para Pré-Conferências Regionais de Políticas para as Mulheres 1. Autonomia econômica, Trabalho e Desenvolvimento; Objetivo geral Promover a igualdade no mundo do trabalho e a autonomia

Leia mais

ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2008 CAMPANHA * COMPROMISSO PELA CRIANÇA E PELO ADOLESCENTE

ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2008 CAMPANHA * COMPROMISSO PELA CRIANÇA E PELO ADOLESCENTE ELEIÇÕES MUNICIPAIS 2008 CAMPANHA * COMPROMISSO PELA CRIANÇA E PELO ADOLESCENTE Carta Aberta aos candidatos e candidatas às Prefeituras e Câmaras Municipais: Estatuto da Criança e do Adolescente: 18 anos,

Leia mais

DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE

DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DIREITO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE HISTÓRICO DA PROTEÇÃO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE NO BRASIL PERÍODO COLONIAL 1551 - fundada no Brasil a primeira Casa de Recolhimento: gerida pelos jesuítas, objetivava

Leia mais

Projeto Ação Proteção

Projeto Ação Proteção Projeto Ação Proteção Políticas Públicas Para Infância e Juventude: Conquistas e Desafios. José Carlos Bimbatte Junior Email = josecarlos@bimbatte.com.br Agosto de 2010. 1 O que trabalharemos... Concepção

Leia mais

Projeto de Decreto. (Criar uma denominação/nome própria para o programa)

Projeto de Decreto. (Criar uma denominação/nome própria para o programa) Projeto de Decreto Dispõe sobre as atribuições e competência do Programa de Execução de Medidas Socioeducativas em Meio Aberto, atendendo à Resolução do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente,

Leia mais

PLANO ESTADUAL DE CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA

PLANO ESTADUAL DE CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA PLANO ESTADUAL DE CONVIVÊNCIA FAMILIAR E COMUNITÁRIA Comitê Intersetorial Direito à Convivência Familiar e Comunitária Porto Alegre, 9 de outubro de 2012 DIRETRIZES Fundamentação Plano Nacional Efetivação

Leia mais

DA SITUAÇÃO IRREGULAR À PROTEÇÃO INTEGRAL A tutela constitucional da criança e do adolescente

DA SITUAÇÃO IRREGULAR À PROTEÇÃO INTEGRAL A tutela constitucional da criança e do adolescente ANAIS - I Congresso Norte Mineiro de Direito Constitucional - Outubro de 2015 ISSN 2447-3251- Montes Claros, MG-p. 1 DA SITUAÇÃO IRREGULAR À PROTEÇÃO INTEGRAL A tutela constitucional da criança e do adolescente

Leia mais

8ª CONFERÊNCIA ESTADUAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE MINAS GERAIS

8ª CONFERÊNCIA ESTADUAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE MINAS GERAIS 8ª CONFERÊNCIA ESTADUAL DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE DE MINAS GERAIS DOCUMENTO FINAL EIXO 1 PROMOÇÃO DOS DIREITOS DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE Ações de mobilização: 1. Ampla mobilização, por

Leia mais

Blumenau, 24 de junho de 2015. Ilustríssimo(a) Senhor(a) Vereador(a).

Blumenau, 24 de junho de 2015. Ilustríssimo(a) Senhor(a) Vereador(a). 1 Ofício nº 01/2015 - CDS - OAB/BLUMENAU Aos(as) Excelentíssimos(as) Vereadores(as) de Blumenau. Blumenau, 24 de junho de 2015. Ilustríssimo(a) Senhor(a) Vereador(a). Conforme se denota do sítio eletrônico,

Leia mais

EDUCAÇÃO NÃO FORMAL NA CONCEPÇÃO DE CONSELHEIROS MUNICIPAIS: UM UNIVERSO AINDA DESCONHECIDO

EDUCAÇÃO NÃO FORMAL NA CONCEPÇÃO DE CONSELHEIROS MUNICIPAIS: UM UNIVERSO AINDA DESCONHECIDO EDUCAÇÃO NÃO FORMAL NA CONCEPÇÃO DE CONSELHEIROS MUNICIPAIS: UM UNIVERSO AINDA DESCONHECIDO Resumo SANTA CLARA, Cristiane Aparecida Woytichoski de- UEPG-PR cristianesclara@yahoo.com.br PAULA, Ercília Maria

Leia mais

REVISTA SABER ACADÊMICO N 15 / ISSN 1980-5950 SQUIZATTO, E. P. S. 2013. ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL E O SERVIÇO SOCIAL

REVISTA SABER ACADÊMICO N 15 / ISSN 1980-5950 SQUIZATTO, E. P. S. 2013. ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL E O SERVIÇO SOCIAL 80 Artigo original ACOLHIMENTO INSTITUCIONAL E O SERVIÇO SOCIAL SQUIZATTO, E. P. S. 1 Nome Completo: Ediléia Paula dos Santos Squizatto Artigo submetido em: 26/03/2013 Aceito em: 10/05/2013 Correio eletrônico:

Leia mais

OS PROCESSOS DE GESTÃO NO CREAS/SERVIÇO DE PROTEÇÃO E ATENDIMENTO ESPECIALIZADO À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR

OS PROCESSOS DE GESTÃO NO CREAS/SERVIÇO DE PROTEÇÃO E ATENDIMENTO ESPECIALIZADO À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR OS PROCESSOS DE GESTÃO NO CREAS/SERVIÇO DE PROTEÇÃO E ATENDIMENTO ESPECIALIZADO À MULHER EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR Nathalia Germiniani Silva, Juliene Áglio de Oliveira Parrão Centro

Leia mais

2 Determinantes estruturais.

2 Determinantes estruturais. 2 Determinantes estruturais. Um homem estava adormecido Se sentia por dentro um trapo social Igual se, por fora, usasse um casaco rasgado e sujo Tentou sair da angústia Isto ser: Ele queria jogar o casaco

Leia mais

EXCELENTÍSSIMO DESEMBARGADOR COORDENADOR DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE

EXCELENTÍSSIMO DESEMBARGADOR COORDENADOR DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE EXCELENTÍSSIMO DESEMBARGADOR COORDENADOR DA INFÂNCIA E DA JUVENTUDE ATENDIMENTO A CRIANÇAS E ADOLESCENTES USUÁRIOS DE DROGAS ENCAMINHAMENTOS DECORRENTES DE SEMINÁRIO ORGANIZADO PELA COORDENADORIA DA INFÂNCIA

Leia mais

TRABALHO SOCIAL COM FAMÍLIAS NO SUAS IRACI DE ANDRADE DRA. SERVIÇO SOCIAL

TRABALHO SOCIAL COM FAMÍLIAS NO SUAS IRACI DE ANDRADE DRA. SERVIÇO SOCIAL TRABALHO SOCIAL COM FAMÍLIAS NO SUAS IRACI DE ANDRADE DRA. SERVIÇO SOCIAL OBJETIVO DO CURSO Capacitar trabalhadores da assistência social para a utilização dos instrumentos técnico-operativos trabalho

Leia mais

Carta Aberta aos candidatos e candidatas às prefeituras e Câmaras Municipais

Carta Aberta aos candidatos e candidatas às prefeituras e Câmaras Municipais Carta Aberta aos candidatos e candidatas às prefeituras e Câmaras Municipais Estatuto da Criança e do Adolescente: 18 anos, 18 Compromissos A criança e o adolescente no centro da gestão municipal O Estatuto

Leia mais

VIOLÊNCIA SEXUAL E ABRIGAMENTO

VIOLÊNCIA SEXUAL E ABRIGAMENTO VIOLÊNCIA SEXUAL E ABRIGAMENTO Mônica Barcellos Café Psicóloga na Aldeia Juvenil PUC Goiás Movimento de Meninos e Meninas de Rua de Goiás VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS E ADOLESCENTES Todo ato ou omissão praticado

Leia mais

Serviço que organiza o acolhimento, em residências de famílias acolhedoras cadastradas, de crianças e adolescentes afastados do convívio familiar por

Serviço que organiza o acolhimento, em residências de famílias acolhedoras cadastradas, de crianças e adolescentes afastados do convívio familiar por Serviço que organiza o acolhimento, em residências de famílias acolhedoras cadastradas, de crianças e adolescentes afastados do convívio familiar por meio de medida protetiva (ECA, Art. 101), em função

Leia mais

Implantação e trajetória de um Programa de Acolhimento Familiar. Débora Nogueira Tomás Universidade Federal de Uberlândia deb_nog@yahoo.com.

Implantação e trajetória de um Programa de Acolhimento Familiar. Débora Nogueira Tomás Universidade Federal de Uberlândia deb_nog@yahoo.com. Implantação e trajetória de um Programa de Acolhimento Familiar Débora Nogueira Tomás Universidade Federal de Uberlândia deb_nog@yahoo.com.br Este trabalho apresenta a implantação e o desenvolvimento de

Leia mais

Departamento da Rede SocioassistencialPrivada do

Departamento da Rede SocioassistencialPrivada do Departamento da Rede SocioassistencialPrivada do SUAS Dados Gerais: Pesquisa das Entidades de Assistência Social Privadas sem Fins Lucrativos PEAS realizada em 2006,pormeiodeparceriaentreoMDSeoIBGE. Objeto

Leia mais

O ESTIGMA PROVENIENTE DO ACOLHIMENTO INTITUCIONAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES: UM DESAFIO PARA O PROFISSIONAL DE SERVIÇO SOCIAL 1

O ESTIGMA PROVENIENTE DO ACOLHIMENTO INTITUCIONAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES: UM DESAFIO PARA O PROFISSIONAL DE SERVIÇO SOCIAL 1 O ESTIGMA PROVENIENTE DO ACOLHIMENTO INTITUCIONAL DE CRIANÇAS E ADOLESCENTES: UM DESAFIO PARA O PROFISSIONAL DE SERVIÇO SOCIAL 1 TASCHETTO, Ketheni Machado²; LEAL, Francine Ziegler³; BERNARDON, Andressa

Leia mais

Departamento de Assistência Social DAS Unidade Brasília

Departamento de Assistência Social DAS Unidade Brasília Departamento de Assistência Social DAS Unidade Brasília Programas e Serviços de Atenção à População em Situação de Vulnerabilidade Social, Econômica e Pessoal Brasília, Maio de 2013. Apresentação A Federação

Leia mais

Câmara Municipal de Uberaba A Comunidade em Ação LEI Nº 7.904

Câmara Municipal de Uberaba A Comunidade em Ação LEI Nº 7.904 A Comunidade em Ação LEI Nº 7.904 Disciplina a Política Municipal de Enfrentamento à Violência Sexual e dá outras providências. O Povo do Município de Uberaba, Estado de Minas Gerais, por seus representantes

Leia mais