PROFESSOR DE ARTES: A POLÍTICA EDUCACIONAL EM VIÇOSA ARTS TEACHER : EDUCATIONAL POLICY IN VIÇOSA

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1 PROFESSOR DE ARTES: A POLÍTICA EDUCACIONAL EM VIÇOSA Fernanda Ribeiro de Nardi Bastos (UFV) i Prof. Ms. Rosana Aparecida Pimenta (UFV) ii RESUMO: O presente trabalho foi desenvolvido no município de Viçosa, MG. Tratase de um município essencialmente universitário. De tradição nas Ciências Agrárias, a Universidade Federal de Viçosa apresenta uma diversidade de cursos nesta área. Já, no que diz respeito às Artes, possui apenas a graduação em Dança que forma profissionais que, em sua maioria, não permanecem no município após a formatura. Ademais, não há outros cursos de graduação em Artes ali. Essas observações levaram ao questionamento a respeito de quais seriam os profissionais que lecionam as linguagens artísticas nas escolas deste município, quais as políticas de contratação e de onde eles vêm? PALAVRAS CHAVE: Artes, Educação, Dança e Políticas Públicas ARTS TEACHER : EDUCATIONAL POLICY IN VIÇOSA ABSTRACT: This study was conducted in Viçosa, MG. It is essentially a university city. Tradition in Agricultural Sciences, Federal University of Viçosa offers a variety of courses in this area. Already, with regard to the Arts, has just graduated in dance that trains professionals that mostly do not remain in the city after graduation. Moreover, no other undergraduate courses in Arts there. These observations led to the question as to what are the professionals who teach the artistic languages in schools of this municipality, which hiring policies and where they come from? KEYWORDS : Arts, Education, Dance and Public Policy 1

2 Contextualização: Questões sobre o ensino de Artes na educação básica Esse resumo trata de um trabalho desenvolvido estritamente no município de Viçosa, localizado na região da Zona da Mata. Município universitário de tradição nas Ciências Agrárias, a UFV é uma universidade que apresenta uma diversidade de cursos nesta área. Já, no que diz respeito às Artes, possui apenas os cursos de Bacharelado e Licenciatura em Dança que formam profissionais que, em sua maioria, não exercem atividade profissional dentro do município. Ademais, não há outros cursos de graduação em Artes na cidade. Dessa forma essa pesquisa questiona quais seriam os profissionais que lecionam as linguagens artísticas nas escolas deste município? Segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), Lei nº o O ensino da arte, especialmente em suas expressões regionais, constituirá componente curricular obrigatório nos diversos níveis da educação básica, de forma a promover o desenvolvimento cultural dos alunos. Inicialmente, a inserção do ensino de Artes no currículo seria apenas para seguir o modelo norte americano. Segundo Barbosa (1989), na época não existia muitas possibilidades de formação docente na área de Artes, sendo que a única formação que existia, era na área de desenho. Com isso, para atender a essa demanda foram criados cursos de educação artística com duração de apenas dois anos que visavam as quatro linguagens. De acordo com o Prof. Dr. João Cardoso Palma Filho, após a divulgação dos Parâmetros Curriculares para o Ensino de Artes, contemplando as linguagens de Artes Visuais, Teatro, Música e Dança é iniciado um processo de encerramento dos cursos de graduação em Educação Artística, criados para formar professores multidisciplinares, e inicia-se a criação de cursos especializados. Como a maior parte dos professores é habilitada em Educação Artística com especialização em Artes Plásticas ou Visuais, na prática as outras linguagens não aparecem, de fato, no currículo escolar (PALMA FILHO, 2013).. 2

3 O Currículo Básico Comum (CBC) do Estado de Minas apresenta aos professores a forma como o governo do Estado planeja o ensino de Artes nas escolas. Nesse documento está destacada a importância de se trabalhar quatro as linguagens artísticas de forma significativa. A área de conhecimento ARTE é ampla e engloba para fins de estudo, no ensino fundamental, quatro áreas específicas: artes visuais, dança, música e teatro. Para cada uma delas, é necessário um professor especialista e condições mínimas de infraestrutura para que seu ensino seja significativo. Fica claro que é extremamente desejável que sejam feitos projetos conjuntos integrados, desde que o conhecimento específico de cada área de expressão seja construído (SECRETARIA DE EDUCAÇÃO DO ESTADO DE MINAS GERAIS, CBC Artes, ANO, p.32). Para o CBC, o ensino de Artes deve possibilitar a todos os alunos a construção de conhecimentos que interajam com sua emoção, por meio do pensar, do apreciar e do fazer em Artes. Para chegar a este estágio a figura do professor e a formação dele é fundamental, pois dessa forma as Artes serão trabalhadas de formas diferenciadas e atingirão o resultado esperado. Para isso, é necessário que o professor tenha uma base de conhecimentos que lhe possibilite a amplidão de pensamento, tanto para conhecer os caminhos trilhados por seus alunos quanto para propiciar momentos significativos que possibilitem encontrar novos processos individuais e coletivos. Caso isso não seja possível, aconselha-se que o professor solicite cursos de capacitação ou lance mão do conhecimento de outros membros da comunidade que possam participar como agentes informadores, num primeiro momento. Ao longo do tempo, a escola deve se programar para ter professores capacitados em todas as áreas artísticas. (CBC Artes, p.34) Dessa forma, o professor pode procurar outros meios, para além de sua formação inicial, para conseguir atingir os objetivos dos CBC dentro da sala de aula. Tal situação é vista como provisória, pois o ideal seria um professor artístico de cada área. Neste trabalho, objetiva-se refletir sobre três aspectos desenvolvidos na pesquisa: o primeiro diz respeito a contratação de professores pela Rede Estadual de Ensino de Minas Gerais, segundo é relativo a sua formação e o terceiro reflete como as política públicas a afetam a prática pedagógica do professor em sala de aula. 3

4 Caminhos Metodológicos De natureza descritiva e reflexiva, esta pesquisa foi um exercício de descoberta, descrição e reflexão. Foi feita uma consulta a leis da educação brasileira, os PCN s e o CBC que definem o currículo de Artes no estado de Minas Gerais. Com o objetivo de conhecermos os profissionais e professores responsáveis pela Educação em Artes da Rede Estadual em Viçosa, desenvolvemos um questionário que foi aplicado aos professores, supervisores pedagógicos e diretores, de todas as escolas estaduais de Viçosa que possuem do 6 ao 9 ano do Ensino Fundamental e o Ensino Médio. Os dados coletados foram analisados de formar quantitativa e qualitativa. A análise e a descrição dos resultados alcançados nos questionários foram tratadas por meio da Análise de Conteúdo. Este método consiste em um conjunto de técnicas das comunicações com a finalidade de encontrar o significado das mensagens por meio de procedimentos sistemáticos (BARDIN, 2011). Principais resultados e considerações finais A pesquisa revelou que 77% dos professores que ministram aula de Artes nas Escolas Estaduais no município de Viçosa não possuem formação específica na área. Sendo que, apenas 40% possuem formação complementar, dentre esses, metade dos professores são formados na área de Artes e a outra metade formada em outras áreas. Sendo assim, apenas 29% dos 77% professores que não são formados na área de Artes, possuem formação complementar. Os professores que possuem formação complementar não especificaram a qualidade, o tempo e a constância das formações ou cursos mencionados por eles. O CBC de Artes fala da importância do professor de Artes ter conhecimento específico na área pra que o conteúdo seja desenvolvido com qualidade. Dessa forma, consta no CBC que profissionais sem capacitação na área podem atuar de modo provisório, vindo posteriormente a buscar cursos de capacitação ou auxílio de membros da comunidade que possam participar como agentes. 4

5 O que essa pesquisa revela é que isso não tem acontecido Viçosa, visto que os professores sem formação não procuram capacitação. Constatamos ainda que, essa situação não se apresenta de maneira provisória e sim definitiva. Observamos ainda que, os únicos que estão em situação empregatícia provisória para o ensino de Artes são justamente os professores com formação na área. Os outros professores são efetivos e formados em outras áreas, ou ainda, efetivados em Artes, mas sem formação específica nessa área. Os professores efetivados são aqueles que estavam em exercício, mesmo sem formação específica, faziam uso do Certificado de Avaliação de Título (CAT), o qual é dado ao profissional que tenha curso superior, mas não é habilitado para o conteúdo que pretende lecionar. O profissional solicita uma autorização, a título precário, à Superintendência Regional de Ensino (SRE). Porém, a Lei Estadual nº 100/2007 efetivou esses profissionais que não possuíam formação na área e estavam trabalhando na área como contratados em um momento provisório. Grande parte dos diretores e alguns professores questionaram a falta de formação dos profissionais. Os PCNs e CBC trazem a importância da formação desses profissionais, porém na prática ocorrem políticas públicas que impedem que isso aconteça, como o uso do CAT, a lei 100/2007, e a resolução nº 1.026, de 28 de dezembro de 2007, que dá preferência para os professores efetivos completarem sua carga horária independente da formação. Porém é situação acontece em sua maioria com disciplinas marginalizadas como as Artes. Deste pequeno universo, no qual nenhum professor é efetivo em Artes, existem apenas dois professores efetivos concursados oriundos das áreas de Língua Portuguesa e Educação Física que lecionam Artes no município para completarem sua carga horária. Este fato nos leva a deduzir que existem poucos concursos ou poucas vagas disponíveis para o componente curricular Artes, ou que ainda não existem candidatos para essas vagas. Outro aspecto a ser considerado é a desvalorização da carreira salarial do professor, que não incentiva os profissionais a seguirem essa profissão. Dessa forma, com o baixo salário e a falta de estrutura, a carreira não chega a ser almejada. 5

6 Se os professores não possuem uma formação inicial nas linguagens artísticas e não buscam formação em Artes como poderiam trabalhar com as linguagens artísticas dentro da sala de aula? Essa falta de formação na área influencia na forma como esses professores atuam na sala de aula. Observamos que não existe uma tendência em como trabalhar as Artes dentro da sala de aula e, assim cada professor opta por estratégias diferenciadas. Porém, a grande maioria não foi clara ao explicar como se trabalha junto aos estudantes, pois foram dadas respostas superficiais. Observamos que nenhum dos professores segue as orientações dos PCNs e do CBC, pois consideram os documentos fora da realidade escolar. A maioria desses professores parecem utilizar esses documentos apenas com fim burocrático no planejamento e não os relaciona com a sala de aula propriamente. Os PCNs e o CBC sugerem que sejam trabalhadas as quatro linguagens artísticas dentro da sala de aula. Porém, menos da metade dos entrevistados afirmam abordarem todas as linguagens artísticas. Por último, é importante ressaltar que mais de uma vez, falamos neste artigo, sobre o não aproveitamento dos licenciados em Dança na UFV pelo município. O que reclamamos pelo fato desse licenciado ter uma formação artística, mas isso não quer dizer que ele estaria apto para desenvolver plenamente todas as linguagens artísticas na escola. Fica evidente que seria importante a criação de outros cursos de Licenciatura em Artes na cidade, isso apesar da falta de vagas. Apesar das contradições, acreditamos que é a partir da universidade que se daria com mais eficácia a difusão da importância do Ensino de Artes, o que poderia acontecer por meio de cursos de formação continuada, atividades extensionistas e etc.. Além disso, fica o convite para pensarmos e discutirmos a respeito de formações contínuas que poderiam ser oferecidas aos profissionais que já atuam na área ou outras soluções que poderiam ser desenvolvidas para garantir um ensino de artes transformador. 6

7 Referências Bibliográficas BARBOSA, Ana Mae. Arte Educação No Brasil. Revista estudos Avançados, v. 3, p , BARDIN, Laurence. Análise de Conteúdo. Portugal: Edições 70, 2011 BRASIL. Senado Federal. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: nº 9394/96. Brasília: MINAS GERAIS. Currículo Básico Comum: Artes/Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais. Estado de Minas Gerias, 2006 MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO (MEC). Parâmetros Curriculares Nacionais: Artes /Secretaria Nacional de Educação. Brasília: MEC, PALMA FILHO, João Cardoso de. ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE EDUCAÇÃO MUSICAL (ABEM). Música nas escolas - Lei nº , Disponível em: Acesso em: 5 fev i Professora de Artes da EMEF Profª Maria Dulce Rocha Duarte Barbosa. Licenciada e Bacharel em Dança pela Universidade Federal de Viçosa (2014). ii Mestre em Artes Visuais (2008), graduada em Artes Cênicas (2001) pelo Universidade Estadual Paulista IA/Unesp. Doutoranda pela mesma instituição, Nos últimos dois anos, atuou como Coordenadora Pedagógica do Curso de Dança da UFV, instituição da qual é docente. 7

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