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1 FUNDAÇÃO EDSON QUEIROZ UNIVERSIDADE DE FORTALEZA - UNIFOR JOSELIAS LOPES DOS SANTOS FILHO NA CORDA BAMBA DA TERCEIRIZAÇÃO: O CASO DAS ADMINISTRAÇÕES TRIBUTÁRIAS ESTADUAIS DO BRASIL FORTALEZA 2009

2 FUNDAÇÃO EDSON QUEIROZ UNIVERSIDADE DE FORTALEZA - UNIFOR JOSELIAS LOPES DOS SANTOS FILHO NA CORDA BAMBA DA TERCEIRIZAÇÃO: O CASO DAS ADMINISTRAÇÕES TRIBUTÁRIAS ESTADUAIS DO BRASIL Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado em Administração de Empresas da Universidade de Fortaleza como requisito parcial para obtenção do Título de Mestre em Administração de Emprasas. Orientador: Prof. Francisco Correia de Oliveira, PhD. FORTALEZA 2009

3 S237n Santos Filho, Joselias Lopes dos. Na corda bamba da terceirização: o caso das administrações tributárias estaduais do Brasil / Joselias Lopes do Santos Filho f. Dissertação (mestrado) Universidade de Fortaleza, Orientação: Prof. Francisco Correia de Oliveira, PhD. 1. Terceirização. 2. Administração tributária. 3. Setor público. 4. Tecnologia da informação. I. Título. CDU

4 JOSELIAS LOPES DOS SANTOS FILHO NA CORDA BAMBA DA TERCEIRIZAÇÃO: O CASO DAS ADMINISTRAÇÕES TRIBUTÁRIAS ESTADUAIS DO BRASIL Dissertação julgada e aprovada para obtenção do Título de Mestre em Administração de Empresas da Universidade de Fortaleza. Área de Concentração: Estratégia e Gestão Organizacional Linha de Pesquisa: Gestão Pública, Social e Ambiental Data de Aprovação: 22/11/2005 Banca Examinadora: Prof. PhD. Francisco Correia de Oliveira (Orientador/UNIFOR) Prof. Dr. Érico Veras Marques (Membro/UNIFOR) Prof. Dr. Samuel Façanha Câmara (Membro/UECE)

5 Aos meus pais: Joselias Lopes dos Santos (in memoriam), pela sua determinação, honestidade, coragem e amor à família; e Gemima da Silva dos Santos, um exemplo de mãe, esposa e ser humano, pela sua luz, amor, força, dedicação à família, fé e alegria de viver.

6 AGRADECIMENOS Ao meu orientador, Prof. Dr. Francisco Correia de Oliveira, pelo apoio, paciência, sabedoria e habilidade demonstrados ao longo do desenvolvimento deste trabalho. Ao Prof. Dr. Sérgio Forte, Coordenador do Mestrado, pela determinação, entusiasmo e incentivo à pesquisa científica. Aos professores do Curso de Mestrado, pelos ensinamentos e contribuição para o aprendizado de todos os alunos. A todos os colegas da turma IX, pelo espírito de equipe e companheirismo, em especial aos amigos Vidal e Eduardo. Aos colegas da Secretaria do Mestrado Adriana, Socorro e Narciso, pela atenção e presteza e apoio logístico em todas as horas. Aos gestores de TI das Administrações Tributárias Estaduais do Brasil que contribuíram para esta pesquisa. A todos os que fazem a área de TI da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará, em especial aos meus chefes e companheiros Aguilberto Júnior e Marta Vieira, e minha amiga Lúcia Cleide pela compreensão e incentivo durante o Mestrado. trabalho. Ao Prof. Dr. Sidney Silva Dias pela solidariedade, atenção e contribuição dada a este À minha mãe, irmãos e sobrinhos, que são as pessoas que mais amo nesta vida, pelo incentivo, solidariedade, apoio e, acima de tudo, tolerância, presentes durante o Curso de Mestrado.

7 A todos os meus amigos, dos quais tive que ficar distante no decorrer desta jornada, pelo incentivo, apoio e compreensão. A Deus e a Jesus Cristo pela possibilidade de iniciar e terminar este trabalho, e nos quais busquei inspiração e fé para superar todos os obstáculos durante esses longos meses de dedicação ao Mestrado.

8 SANTOS FILHO, Joselias Lopes dos. Na Corda Bamba da Terceirização: o caso das administrações tributárias estaduais do brasil f. Dissertação (Mestrado em Administração de Empresas) Universidade de Fortaleza-UNIFOR, CMA, Fortaleza, Perfil do autor: Bacharel em Ciência da Computação pela Universidade Federal do Ceará - UFC/1990. Auditor do Tesouro Estadual da Secretaria da Fazenda do Estado do Ceará. RESUMO A Tecnologia da Informação (TI) é um elemento estratégico para a modernização e aumento da eficiência dos governos, de quem a sociedade tem exigido mais transparência e melhores serviços. Nesse contexto, com o objetivo de analisar os riscos da terceirização de TI, desenvolveu-se uma pesquisa descritiva, de natureza qualitativa e quantitativa, com base no método de levantamento de dados survey, envolvendo as Administrações Tributárias Estaduais do Brasil. Os resultados desse estudo revelam que as organizações investigadas utilizam largamente a terceirização em diversas funções de TI, tanto operacionais quanto estratégicas, tendo em vista o reduzido número de servidores nas equipes técnicas internas e as dificuldades das companhias estaduais de processamento para atenderem às demandas urgentes. Mostram, ainda, que a Segurança da informação (inclusive sigilo fiscal) é o principal dentre todos os fatores de risco considerados relevantes, e que a não implementação de uma efetiva política de terceirização de TI seletiva potencializa os fatores de risco desse processo e deixa essas organizações sujeitas a resultados indesejáveis. Assim, a pesquisa revela que o modelo de terceirização de TI adotado nas Administrações Tributárias Estaduais do Brasil precisa ser revisto. Palavras-chaves: Terceirização. Tecnologia da Informação. Risco. Administrações Tributárias. Setor Público

9 ABSTRACT Information Technology (IT) is a strategic element for modernization and productivity enhancement in today's governmental affairs and service work. Besides that, IT facilitates the crucial role of transparency and accountability demanded by society. In the global context of IT outsourcing risk analysis, this paper aims to serve as a qualitative and quantitative measurement based upon a survey, conducted by the State Tax Administration in Brazil. The results show that a variety of IT services and functions, in both strategic and operational levels, are being outsourced by the regional governmental agencies. The outsourcing is primarily due to 2 factors: 1) the low number of governmental staff members, and 2) the difficulties caused by the State Data Processing Companies growing failure to meet its clients' demand. The research also reveals, among all of the other relevant factors, that the main risk (besides fiscal secrecy) is the safety of the information. In addition, when attention is not given, concerning the implementation of an IT selective outsourcing policy program, risk factors end up being potentialized as well as bringing along unexpected outcome for the organizations involved in the process. Thus, this study states that the IT outsourcing models in the field of the government tax system need to be rethought. Keywords: Outsourcing. Information Technology. Tax Collection Offices. Risk. Public Sector.

10 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Quadros Página 1 Relação de empresas estaduais de processamento de dados Definições de parceria Mudanças no ambiente empresarial, a partir da década de Fatores motivadores para a terceirização de TI Motivos para terceirização de TI Razões para terceirização de TI Funções de TI terceirizadas Fatores de risco na terceirização de TI Componentes da exposição ao risco na terceirização de TI Inserção das administrações tributárias no marco de referência Variáveis de pesquisa Categorização Fatores e características da terceirização de TI, agrupados conforme as variáveis de pesquisa e as categorias temáticas definidas, com numeração, abreviação, descrição completa dos fatores Fatores da categoria características da área de TI Fatores da categoria motivadores para a eliminação ou redução da terceirização de TI Fatores da categoria abrangência da terceirização de TI Fatores da categoria motivadores para a opção pela terceirização da área de TI Fatores da categoria características do processo licitatório e da gestão de contratos de terceirização de TI Fatores da categoria riscos da terceirização de TI Fatores da categoria estratégias para combater os fatores de risco da terceirização de TI

11 Gráficos Página 1 Evolução dos serviços potenciais disponíveis, por faixa quantitativa Características da área de TI, nas organizações fazendárias Características da área de TI, considerando as visões dos gerentes do nível estratégico e do nível tático Fatores motivadores para a eliminação ou redução da terceirização, nas organizações fazendárias Fatores motivadores para a eliminação ou redução da terceirização, considerando as visões dos gerentes do nível estratégico e do nível tático Abrangência da terceirização em atividades/funções de TI, nas organizações fazendárias Abrangência da terceirização em atividades/funções de TI, considerando as visões dos gerentes do nível estratégico e do nível tático Fatores motivadores para a opção pela terceirização de TI, nas organizações fazendárias Fatores motivadores para a opção pela terceirização de TI, considerando as visões dos gerentes do nível estratégico e do nível tático Características do processo licitatório e da gestão de contratos de terceirização de TI, nas organizações fazendárias Características do processo licitatório e da gestão de contratos de terceirização de TI, considerando as visões dos gerentes do nível estratégico e tático Criticidade dos potenciais fatores de risco da terceirização de TI, nas organizações fazendárias Criticidade dos fatores de risco da terceirização de TI, considerando as visões dos gerentes do nível estratégico e do nível tático Estratégias utilizadas para a eliminação ou minimização dos fatores de risco da terceirização de TI, nas organizações fazendárias Estratégias utilizadas para a eliminação ou minimização dos fatores de risco da terceirização de TI, considerando as visões dos gentes do nível estratégico e do nível tático

12 LISTA DE TABELAS Página 1 Evolução da quantidade de serviços disponibilizados na Internet, de acordo com o Anexo A Distribuição dos questionários, por grupo gerencial Participação dos órgãos, na pesquisa, por grupo gerencial Distribuição dos respondentes da pesquisa, por região do Brasil Tempo de experiência dos respondestes na organização onde trabalham Tempo total de experiência dos respondentes, na área de TI Predominância de características da área de TI Fatores motivadores para a eliminação ou redução da terceirização de TI Abrangência da terceirização em atividades/funções de TI Fatores motivadores para a opção pela terceirização de TI Características do processo licitatório e da gestão de contratos de terceirização de TI Criticidade dos potenciais fatores de risco da terceirização de TI Estratégias utilizadas para a eliminação ou minimização dos fatores de risco do processo de terceirização de TI Predominância de características da área de TI, considerando as visões dos gerentes do nível estratégico e do nível tático Fatores motivadores para a eliminação ou redução da terceirização TI, considerando as visões dos gerentes do nível estratégico e do nível tático Abrangência da terceirização em atividades/funções de TI, considerando as visões dos gerentes do nível estratégico e do nível tático Fatores motivadores para a opção pela terceirização de TI, considerando as visões dos gerentes do nível estratégico e do nível tático Características do processo licitatório e da gestão de contratos de terceirização de TI, considerando as visões dos gerentes do nível estratégico e do nível tático Criticidade dos potenciais fatores de risco da terceirização de TI, considerando as visões dos gerentes do nível estratégico e do nível tático

13 20 Estratégias utilizadas para a eliminação ou minimização dos fatores de risco do processo de terceirização de TI, considerando as visões dos gerentes do nível estratégico e do nível tático

14 SUMÁRIO Página INTRODUÇÃO CENÁRIO DA TERCEIRIZAÇÃO Abordagem Histórica Origens e Evolução da Terceirização A terceirização de TI no Setor Público A Escolha do Fornecedor Contratos e Relacionamentos Aspectos Legais da Terceirização Da Responsabilidade Solidária e das Questões Trabalhistas A Lei de Responsabilidade Fiscal LRF, e as Despesas com Pessoal Responsabilidade Legal do Trabalhador Terceirizado A OPÇÃO PELA TERCEIRIZAÇÃO DE TI O Papel da TI nas Organizações Por Que Terceirizar? O Que Terceirizar? Terceirização de TI e Competências Essenciais Riscos do Processo de Terceirização A Teoria da Agência A Teoria do Cliente A Teoria do Custo da Transação Fatores de Risco Associados a Resultados Indesejáveis Segurança da Informação Estratégias para o Gerenciamento dos Riscos A Terceirização de TI no Setor Público e o Neoliberalismo Algumas Lições O Caminho que Conduz à Terceirização de TI, nas Administrações Tributárias Estaduais do Brasil PERCURSO METODOLÓGICO Caracterização do Tipo de Pesquisa

15 3.2 Determinação da População-Alvo Definição das Fontes de Dados, Métodos e Técnicas de Coleta Técnicas de Análise dos Dados e Ferramentas Utilizadas Período da Pesquisa ANÁLISE DOS RESULTADOS DA PESQUISA Características dos Gerentes e das Organizações Participantes Questões de 1 a Análise das Respostas às Questões de Número 6 a Características da Área de TI Fatores Motivadores para a Eliminação ou Redução da Terceirização de TI Abrangência da Terceirização em Atividades/Funções de TI Fatores Motivadores para a Opção pela Terceirização de TI Características do Processo Licitatório e da Gestão de Contratos de Terceirização de TI Criticidade dos Potenciais Fatores de Risco da Terceirização de TI Estratégias Utilizadas para a Eliminação ou Minimização de Fatores de Risco do Processo de Terceirização de TI Análise Conjunta das Variáveis de Pesquisa CONCLUSÃO REFERÊNCIAS APÊNDICE A Questionário APÊNDICE B Ofício SEXEC N 261/ APÊNDICE C Tabelas com Medianas, Médias e Respostas das Organizações Participantes da Pesquisa às Questões de Número 6 a 110 (Valores Ordenados da Direita para a Esquerda) APÊNDICE D Tabelas com Medianas e Médias das Respostas às Questões de Número 6 a 110, Considerando a Visão dos Gerentes do Nível Estratégico e do Nível Tático ANEXO A PNAF - Web Sites de Administrações Tributárias Estaduais e DF. E- Fisco Serviços Disponíveis aos Contribuintes por meio de Internet. Terceiro Benchmark Setembro de

16 15 INTRODUÇÃO Este trabalho aborda peculiaridades e impactos da política de terceirização que as Administrações Tributárias Estaduais do Brasil adotam para a área de Tecnologia da Informação-TI. A opção pela terceirização é utilizada amplamente por muitas empresas, em praticamente todas as atividades e setores do mercado, como modelo de contratação de serviço na área de informática. No Brasil, esse fenômeno vem se estabelecendo de forma gradativa e tende a crescer ainda mais nos próximos anos. Por que terceirizar TI? Essa não é uma questão simples de se responder. Estudos sugerem que os principais fatores estratégicos na decisão de uma empresa para terceirizar Tecnologia da Informação-TI, concentram-se em aspectos relacionados a custos, inovação tecnológica e melhor performance. No setor público, dentre os pontos comumente levantados, como a redução de custos, melhor qualidade do serviço prestado por uma empresa especializada no assunto, direcionamento do foco da organização para suas atividades fins, podem ser citados, ainda, os seguintes motivadores para a terceirização de TI: rigidez na estrutura de cargos e salários da administração pública; e a impossibilidade de ajustar os quadros, devido à estabilidade dos servidores, que impede demissões, mesmo quando se constata uma situação onde há excedente, bem como pela forma de ingresso na carreia pública, por meio de concurso, que pode tomar muito tempo e, nem sempre, garante a seleção dos profissionais mais adequados para a área de TI (LEITE, 1995, p ). Sob a influência de idéias que emergiram do Consenso de Washington e do pensamento neoliberal, a bandeira da terceirização ganhou força durante os anos 90, encontrando condições favoráveis para seu desenvolvimento no Brasil, durante o período do governo Collor (FERRAZ, 2001). Entre os fatos marcantes daquela gestão, destaca-se a bem articulada campanha para se distorcer fortemente a imagem do servidor público no país (ALENCAR; VIEIRA, 2003).

17 16 Nos oito anos do governo FHC, que sucedeu a gestão Collor, a terceirização continuou a ser impulsionada. O fenômeno das privatizações também ganhou força com a proliferação das idéias neoliberais, não só aqui no Brasil, mas em vários outros países, e levou muitos governos a promoverem a redução e o enxugamento da máquina estatal (FERRAZ, 2001). O povo brasileiro viu o governo entregar a investidores nacionais e internacionais o controle de grandes empresas nacionais, de áreas como telecomunicação e energia tudo em nome da eficiência e da modernidade da máquina estatal. Uma análise superficial da questão implica sérios riscos, se, na hora de decidir ou não pela opção da terceirização, a organização não dispõe de todas as informações necessárias. Na prática, a obtenção dos prometidos benefícios que a terceirização de TI traz pode frustrar as expectativas dos dirigentes das organizações e revelar surpresas nada agradáveis, provenientes de algumas armadilhas escondidas nesse processo. As organizações devem dispor de instrumentos adequados que possibilitem a definição de indicadores que lhes forneçam os necessários subsídios na hora de decidir se a terceirização de uma determinada atividade é ou não vantajosa, levando-se em conta a relação custo/benefício dessa decisão. Para que seja feita uma avaliação mais precisa e profunda, devem ser considerados, além de elementos tangíveis, aspectos intangíveis relacionados ao problema que, por muitas vezes, são totalmente deixados de lado ou subestimados. A tônica do discurso que prega a incontestável redução de custos decorrente do processo de terceirização de TI ganha força entre os governantes e gestores do setor público. A proliferação dessa idéia encontrou abrigo em um cenário marcado pela instabilidade econômica e pela crise financeira que tem afetado as administrações públicas municipais, estaduais e o Governo Federal, historicamente afamadas por causa dos gastos excessivos. Ainda que sob a polêmica influência do Fundo Monetário Internacional - FMI, só a partir da década de 90 os governos passaram a receber uma maior imposição de controle nos seus gastos com a edição da Lei de Responsabilidade Fiscal-LRF (FERRAZ, 2001). A palavra de ordem é economizar - a qualquer custo. Nessa perspectiva, a tão almejada redução de custo, traduzida pela simples comparação entre os custos diretos do serviço prestado com a própria estrutura da organização e os custos advindos de um contrato de prestação de serviços com uma empresa de TI, pode não se

18 17 concretizar, ou mesmo levar a organização a perceber que a opção pela terceirização é, de alguma forma, mais onerosa. É primordial a utilização de TI para a modernização do governo e melhoria dos serviços prestados à sociedade. Entretanto, há escassez de estratégias de informatização adequadas à realidade do governo, pois a literatura que trata desse assunto aborda, essencialmente, modelos tradicionais de administração de informática construídos com base na realidade das empresas do setor privado (REINHARD; ZWICKER, 2004, p. 1). Assim, existem elementos intangíveis, mas relevantes para a tomada de decisão em relação a terceirização no setor público. Dentre os elementos intangíveis poderiam ser citados: valor de informações, sigilosas ou não, ao alcance de terceiros; imagem/credibilidade da instituição perante a sociedade; redução ou perda da autonomia do contratante sob a execução ou gestão dos serviços contratados; valor do conhecimento gerado e interiorizado pelos terceirizados. A partir do contexto acima, surge o problema que incita esta pesquisa: Quais os impactos da terceirização da Tecnologia da Informação, nas Administrações Tributárias Estaduais do Brasil? A pesquisa busca responder este problema colocando como objetivo geral analisar os riscos da terceirização da TI, nas Administrações Tributárias Estaduais do Brasil. Os objetivos específicos estão assim definidos: a) Verificar os fatores que levaram as organizações fazendárias a terceirizarem atividades/funções vinculadas à TI; b) Verificar a abrangência do uso da terceirização em atividades/funções vinculadas à TI, nessas organizações; c) Identificar os principais fatores de risco associados ao processo de terceirização de TI, considerando aspectos legais, a gestão de contratos, o controle de custos, e a preservação das competências essenciais dessas organizações; d) Verificar quais as estratégias adotadas, por essas organizações, para se combater os fatores de risco associados ao processo de terceirização de TI. Com o intuito de atingir os objetivos da pesquisa, levantam-se dois conjuntos de hipóteses. O primeiro, denominado de conjunto de hipóteses H A (H A1, H A2, H A3 ), indica que a Expectativa de redução de custos, a Necessidade de concentrar esforços no negócio principal da organização e o Desejo de garantir a atualização tecnológica foram os fatores mais

19 18 relevantes que motivaram a terceirização de atividades vinculadas à TI, nas Administrações Tributárias Estaduais do Brasil. O segundo, denominado de conjunto de hipóteses H B (H B1, H B2, H B3 ), mostra que Problemas de mensuração de custos, Proximidade entre as atividades/funções terceirizadas e as competências essenciais da organização, e Segurança da informação (inclusive sigilo fiscal) são os fatores de risco mais relevantes decorrentes da política de terceirização de atividades vinculadas à TI, nas Administrações Tributárias Estaduais do Brasil. O estudo discute aspectos relevantes das políticas de terceirização de TI adotadas pelos fiscos estaduais, analisando os fatores de risco associados à adoção indiscriminada dessa prática. Mesmo compartilhando de objetivos e metas em comum, inerentes ao papel que o fisco estadual deve desempenhar, cada órgão fazendário está inserido em uma realidade sóciopolítico-econômica e tecnológica específica, o que propicia a configuração de contextos muito particulares que não comportam tão-somente uma avaliação puramente objetiva, mas também uma análise crítica capaz de ir mais além e trazer à tona o que não está explícito. A pesquisa baseia-se no método de levantamento de dados survey. A população-alvo é composta pelos órgãos da Administração Tributária dos vinte e seis estados brasileiros e do Distrito Federal, sendo que a principal fonte de coleta de dados utilizada constitui-se de um questionário estruturado, contendo perguntas, em quase sua totalidade, fechadas, aplicado aos gerentes de TI do nível estratégico e do nível tático, que são as pessoas que vivenciam diariamente as questões relacionadas à terceirização na área de TI dessas organizações. Faz uso da pesquisa de campo, descrevendo as características do fenômeno estudado com enfoque qualitativo e quantitativo, e da observação participante, associada ao trabalho diário do pesquisador como gerente que atua na área de TI de uma Secretaria de Fazenda Estadual. A pesquisa utiliza o software SPHINK, para o tratamento dos dados, consolidação, agregação e cruzamento de informações. Utiliza, também, recursos da planilha eletrônica EXCEL, para elaboração de planilhas e geração de gráficos, além de mapas de associação de idéias, para apoiar a análise de conteúdo. A principal justificativa para a realização desta pesquisa é a relevância do tema terceirização de TI que, mesmo não sendo um assunto recente, ainda está longe de ser esgotado, especialmente em se tratando do setor público que carece de mais estudos direcionados à compreensão desse fenômeno, que envolve cifras elevadas e interesses

20 19 diversos governo, empresas públicas e privadas de tecnologia, servidores e sociedade. O desenvolvimento desse estudo contribui para um melhor entendimento acerca da realidade das Administrações Tributárias Estaduais do Brasil, estimulando o debate em torno da política de terceirização de TI, no ambiente dessas organizações que ocupam um lugar de destaque na esfera governamental, seja como instrumento fiscalizador e arrecadador de recursos necessários ao desenvolvimento do Estado e atendimento das necessidades da sociedade, seja como importante agente responsável pela prestação de serviços para contribuintes e cidadãos. A esperada redução de custos e o ganho em performance e eficiência advindos da terceirização de TI, realidade ou mito, precisam ser investigados e questionados, abrindo espaço para a discussão em torno dos fatores de risco envolvidos. Desta forma, os resultados desse estudo podem ser úteis como instrumento de apoio para a análise da política de terceirização de TI vigente nas organizações fazendárias, da origem à prática vivenciada pelos gestores envolvidos nesse processo, oferecendo a oportunidade de compartilhamento de experiências úteis, em especial para quem participa da gestão da terceirização e também para aqueles que têm o poder de decidir os rumos da área de TI, nesses órgãos e em outros das esferas do governo. O estudo proposto justifica-se, ainda, pelo fato de que os assuntos relacionados à TI estão sendo objeto de discussão dentro e fora da academia. Existe também, de forma ascendente, um maior interesse das pessoas por temas relacionados ao setor público. As sociedades modernas têm demonstrado muita preocupação e, quase inevitavelmente, uma maior cobrança em relação ao que acontece no cenário da administração pública, exigindo do governo uma gestão mais transparente, maior efetividade e qualidade na prestação de serviços, com a otimização das despesas e o uso racional dos recursos disponíveis (SILVA, 2004). A apresentação da pesquisa é constituída por dois capítulos teóricos. O primeiro descreve o cenário da terceirização, apresentando: uma abordagem histórica sobre o processo de terceirização, com sua origem e evolução, além de uma explanação sobre a terceirização de TI no setor público; em seguida, discutem-se aspectos legais da terceirização relacionados ao processo licitatório e aos contratos, à responsabilidade solidária e às questões trabalhistas, à Lei de Responsabilidade Fiscal-LRF, e à responsabilidade legal do trabalhador terceirizado. O segundo capítulo aborda a opção pela terceirização na área de TI, discutindo os motivos que

21 20 levam à terceirização, as atividades e funções que devem ou não ser terceirizadas nessa área; os riscos envolvidos nesse processo, a terceirização de TI e o neoliberalismo e, por último, o caminho que conduz à terceirização de TI nas Administrações Tributárias Estaduais no Brasil. O terceiro capítulo descreve o percurso metodológico seguido na pesquisa, apresentando os objetivos a serem alcançados, as hipóteses formuladas, as variáveis de pesquisa, os métodos e instrumentos de coleta de dados e, ainda, as técnicas de análise de dados. O quarto capítulo apresenta os resultados da análise de dados da pesquisa. A conclusão revela que a política indiscriminada de terceirização de TI, nas Administrações Tributárias Estaduais do Brasil, deixa essas organizações sujeitas aos efeitos negativos de fatores de risco associados a esse processo. As dificuldades das companhias estaduais de processamento de dados em atender as organizações dentro das expectativas desejadas, equipes próprias de técnicos reduzidas ou inexistentes, e a urgência no atendimento das demandas de TI são os principais motivadores para opção da terceirização de TI, nos órgãos fazendários. A pesquisa indica, ainda, que Segurança da informação (inclusive sigilo fiscal) é o mais importante dentre todos os fatores de risco relevantes, associados ao modelo de terceirização de TI adotado nas organizações investigadas. A abrangência do processo de terceirização de TI, envolvendo, inclusive, atividades mais próximas às competências essenciais das organizações, objeto desse estudo, potencializa os fatores de risco e propicia a ocorrência de resultados indesejáveis, que são prejudiciais a essas organizações. A idéia de que estão sendo implementadas as estratégias necessárias para combater esses fatores pode levar à conclusão equivocada de que, apesar dos riscos envolvidos no processo de terceirização de TI, os órgãos fazendários estão protegidos, quando de fato não estão. Conclui-se que um modelo de gestão de TI que combine a participação mais efetiva de funcionários de carreira e o uso da terceirização é mais adequado e menos arriscado para essas organizações do que o modelo atual. As funções mais críticas e mais próximas das competências essenciais das organizações, nesse novo modelo, devem ficar realmente sob o domínio dos servidores; e as demais podem ser terceirizadas, desde que sejam observados os cuidados discutidos nesta pesquisa.

22 21 1 CENÁRIO DA TERCERIZAÇÃO Este capítulo apresenta o cenário da terceirização. Traz, inicialmente, uma abordagem histórica sobre o processo de terceirização, sua origem e evolução, além de uma explanação sobre a terceirização de TI, no setor público. Em seguida, apresenta aspectos relacionados à escolha do fornecedor e à gestão de contratos de terceirização, discutindo aspectos contratuais e de relacionamento. Por último, discute aspectos legais da terceirização, relacionados à responsabilidade solidária e às questões trabalhistas, à Lei de Responsabilidade Fiscal, e à responsabilidade legal do trabalhador terceirizado. 1.1 Abordagem Histórica Existem muitas definições do que seria terceirização. Pinto e Pamplona Filho (2000, p. 500) conceituam a terceirização como "a transferência de segmento ou segmentos do processo de produção da empresa para outras de menor envergadura, porém de maior especialização na atividade transferida". Por sua vez, Sayão (1992 apud PAMPLONA FILHO, 2001, p. 2) dá a seguinte definição para a palavra terceirização: "vocábulo não dicionarizado, neologismo bem formado, portanto aceitável, construído a partir de terciário, forma erudita, equivalente à popular terceiro". Numa outra perspectiva, Pinto (1997 apud PAMPLONA FILHO, 2001) afirma que: [...] o neologismo, embora tenha sido aceito com foros de irreversível, não expressa, por via de nenhuma das derivações, a idéia do que pretende passar, ou porque a empresa prestadora não é terceiro e sim parceiro, no sentido de contratante direto com a tomadora, nem os empregados de cada uma são terceiros perante elas, ou porque a atividade de apoio não é obrigatoriamente terciária, podendo ser secundária ou até mesmo primária. O que se está tratando, sob essa nova denominação, é apenas de um contrato de prestação de serviço de apoio empresarial, que exprimirá, decerto, com mais eloqüência e precisão, seu conteúdo e sua finalidade com o batismo de contrato de apoio empresarial ou, igualmente, contrato de atividade de apoio. (PINTO, 1997 apud PAMPLONA FILHO, 2001, p. 2). Do ponto de vista dogmático, entretanto, a terceirização pode ser conceituada como uma forma de intermediação de mão-de-obra, de grande utilização na sociedade contemporânea, consistente na contratação por determinada empresa, de serviços de terceiros,

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