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1 Ministério da Educação Universidade Tecnológica Federal do Paraná Reitoria Conselho de Graduação e Educação Profissional Conselho de Graduação e Educação Profissional COGEP PROCESSO Nº. 038/13-COGEP Câmara de Licenciaturas e Bacharelados CAMPUS PROPONENTE: APUCARANA Data de entrada: 03/09/13. PROJETO DE INCLUSÃO DA DISCIPLINA HISTÓRIA E CULTURA AFROBRASILEIRA E INDÍGENA NO CURSO DE LICENCIATURA QUÍMICA Data Destino 03/09/13 CELIB

2 21 PROJETO DE CONSTRUÇÃO E INSERÇÃO DE DISCIPLINAS REFERENTES À EDUCAÇÃO DAS RELAÇÕES ÉTNICO RACIAIS PARA O ENSINO DE HISTÓRIA E CULTURA INDÍGENA, AFRO BRASILEIRA E AFRICANA

3 22 Reitor CARLOS EDUARDO CANTARELLI Pró Reitor de Graduação e Educação Profissional MAURÍCIO ALVES MENDES Diretor do Câmpus Apucarana ALOYSIO GOMES DE SOUZA FILHO Diretoria de Graduação e Educação Profissional EDMILSON ANTONIO CANESIN Equipe de Organização do Projeto Organizadores: Angélica Cristina Rivelini José Bento Suart Júnior Colaboradores: Edmilson Antonio Canezin Rúbia Michele Suzuki Nome da Unidade: Universidade Tecnológica Federal do Paraná Câmpus Apucarana CNPJ/CGC / Data: Agosto de 2013

4 23 Curso: Licenciatura em Química SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO JUSTIFICATIVA OBJETIVOS A ESTRUTURA EXISTENTE E A PROPOSTA DE INSERÇÃO... 8

5 24 1. INTRODUÇÃO Visando atender orientações legais quanto à inserção de tópicos referentes a estudos étnico culturais na formação profissional docente o presente projeto tem por objetivo criar e implantar componentes curriculares na atual matriz do Curso de Licenciatura em Química UTFPR Campus Apucarana, orientando as ações para responder aos desafios que se apresentam a partir das legislações, e assim, atuar no combate a todas as formas de racismo, fortalecendo a nação brasileira em torno de premissas da democracia, da diversidade e da cidadania, papel inquestionável dos órgãos gestores da educação como as instituições de ensino superior (IES). As medidas aqui contenpladas referem se portanto à construção de estratégias educacionais, que visem uma pedagogia antirracista e à diversidade, como tarefa de todos os educadores independente de questões étnico raciais. Deste modo as IES devem capacitar os profissionais de educação para em seu fazer pedagógico 1 : construir novas relações étnico raciais; reconhecer e alterar atitudes racistas em qualquer veículo didáticopedagógico; lidar positivamente com a diversidade étnico racial. Para que a educação antirracista se concretize é preciso considerar que o exercício profissional depende de ações individuais, coletivas, dos movimentos organizadores e também das politicas públicas; assim como as ações das IES enquanto responsáveis pela inserção da Resolução CNE/CP1/2004, criando condições necessárias em seu interior para que avancemos ante o desafio que o cenário atual nos coloca. 1 MONTEIRO, Rosana Batista. Licenciaturas. In: Orientações e Ações para a Educação das Relações Étnico-Raciais. Brasília: SECAD, 2006.

6 25 2. JUSTIFICATIVA A Educação das Relações Étnico Raciais objetiva a divulgação e produção de conhecimentos, bem como de atitudes, posturas e valores que eduquem cidadãos quanto à pluralidade étnico racial. Tal perspectiva visa tornar os cidadãos capazes de interagir e de negociar objetivos comuns que garantam, a todos, respeito aos direitos legais e valorização de identidade, na busca da consolidação da democracia. O artigo 6 da RESOLUÇÃO CNE/CP Nº 1 2, de 18 de Fevereiro de 2002 que institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Formação de Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena, já previa direcionamentos no sentido de uma formação cultural que integrasse relações étnicoculturais no que tange as comunidades indígenas: 3º A definição dos conhecimentos exigidos para a constituição de competências deverá, além da formação específica relacionada às diferentes etapas da educação básica, propiciar a inserção no debate contemporâneo mais amplo, envolvendo questões culturais, sociais, econômicas e o conhecimento sobre o desenvolvimento humano e a própria docência, contemplando: I cultura geral e profissional; II conhecimentos sobre crianças, adolescentes, jovens e adultos, aí incluídas as especificidades dos alunos com necessidades educacionais especiais e as das comunidades indígenas; III conhecimento sobre dimensão cultural, social, política e econômica da educação; IV conteúdos das áreas de conhecimento que serão objeto de ensino; V conhecimento pedagógico; VI conhecimento advindo da experiência. (CNE/CP1,2002) A Lei /2000, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro Brasileira e Africana na Educação Básica, está entre as medidas governamentais que visam à disseminação de conhecimento necessário para a dispersão da visão anteriormente citada. 2 CNE. Resolução CNE/CP 1/2002. Diário Oficial da União, Brasília, 9 de abril de Seção 1, p. 31. Republicada por ter saído com incorreção do original no D.O.U. de 4 de março de Seção 1, p. 8. Alterada pela Resolução CNE/CP n.º 2, de 27 de agosto de 2004, que adia o prazo previsto no art. 15 desta Resolução. Alterada pela Resolução CNE/CP n.º 1, de 17 de novembro de 2005, que acrescenta um parágrafo ao art. 15 da Resolução CNE/CP nº 1/2002.

7 26 Segundo o relatório inicial que precede as indicações propostas pelas Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro Brasileira e Africana 3 : Este parecer visa a atender os propósitos expressos na Indicação CNE/CP 6/ 2002, bem como regulamentar a alteração trazida à Lei 9.394/96 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, pela Lei /2000, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de História e Cultura Afro Brasileira e Africana na Educação Básica. Desta forma, busca cumprir o estabelecido na Constituição Federal nos seus Art. 5º, I, Art. 210, Art. 206, I, 1 do Art. 242, Art. 215 e Art. 216, bem como nos Art. 26, 26 A e 79 B na Lei 9.394/96 de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, que asseguram o direito à igualdade de condições de vida e de cidadania, assim como garantem igual direito às histórias e culturas que compõem a nação brasileira, além do direito de acesso às diferentes fontes da cultura nacional a todos brasileiros. Juntam se a preceitos analógicos os Art. 26 e 26A da LDB, como os das Constituições Estaduais da Bahia (Art. 275, IV e 288), do Rio de Janeiro (Art. 306), de Alagoas (Art. 253), assim como de Leis Orgânicas, tais como a de Recife (Art. 138), de Belo Horizonte (Art. 182, VI), a do Rio de Janeiro (Art. 321, VIII), além de leis ordinárias, como lei Municipal nº 7.685, de 17 de janeiro de 1994, de Belém, a Lei Municipal nº 2.251, de 30 de novembro de 1994, de Aracaju e a Lei Municipal nº , de 4 de janeiro de 1996, de São Paulo. Junta se, também, ao disposto no Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.096, de 13 de junho de 1990), bem como no Plano Nacional de Educação (Lei , de 9 de janeiro de 2001). Todos estes dispositivos legais, bem como reivindicações e propostas do Movimento Negro ao longo do século XX, apontam para a necessidade de diretrizes que orientem a formulação de projetos empenhados na valorização da história e cultura dos afro brasileiros e dos africanos, assim como comprometidos com a de educação de relações étnico raciais positivas, a que tais conteúdos devem conduzir. (BRASIL, 2004, p.9) Contudo foi somente em 2008, com a aprovação da lei , que institui se a obrigatoriedade do ensino de estudo da história e cultura afro brasileira considerando se ainda as discussões referentes à cultura indígena: 3 BRASIL. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro brasileira e Africana. MEC, SECAD, Brasília, Outubro, BRASIL. Lei de 10 de Março de Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que por sua vez foi modificada pela Lei no , de 9 de janeiro de 2003, estabelecendo as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino, a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro Brasileira e Indígena" nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados.

8 27 Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna se obrigatório o estudo da história e cultura afro brasileira e indígena. 1 o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil. 2 o Os conteúdos referentes à história e cultura afro brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras. (BRASIL, 2008) Neste sentido é inquestionável a integração das discussões acerca das relações étnicoraciais e de cultura afro brasileira, africana e indígena nos conteúdos programáticos referentes à formação básica. As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro Brasileira e Africana apontam para a necessidade da integração de tais discussões dentro dos processos de formação inicial e continuada de professores: Assim sendo, sistemas de ensino e estabelecimentos de diferentes níveis converterão as demandas dos afro brasileiros em políticas públicas de Estado ou institucionais, ao tomarem decisões e iniciativas com vistas a reparações, reconhecimento e valorização da história e cultura dos afrobrasileiros, à constituição de programas de ações afirmativas, medidas estas coerentes com um projeto de escola, de educação, de formação de cidadãos que explicitamente se esbocem nas relações pedagógicas cotidianas. Medidas que, convém, sejam compartilhadas pelos sistemas de ensino, estabelecimentos, processos de formação de professores, comunidade, professores, alunos e seus pais. (BRASIL, 2004, p.13, grifo nosso) Tais pedagogias precisam estar atentas para que todos, negros e não negros, além de ter acesso a conhecimentos básicos tidos como fundamentais para a vida integrada à sociedade, exercício profissional competente, recebam formação que os capacite para forjar novas relações étnico raciais. Para tanto, há necessidade, como já vimos, de professores qualificados para o ensino das diferentes áreas de conhecimentos e, além disso, sensíveis e capazes de direcionar positivamente as relações entre pessoas de diferentes pertencimento étnico racial, no sentido do respeito e da correção de posturas, atitudes, palavras preconceituosas. Daí a necessidade de se insistir e investir para que os professores, além de sólida formação na área específica de atuação, recebam formação que os capacite não só a compreender a importância das questões relacionadas à

9 28 diversidade étnico raciais, mas a lidar positivamente com elas e, sobretudo criar estratégias pedagógicas que possam auxiliar a reeducá las. (BRASIL, 2004, p.17, grifo nosso) A Resolução CNE/CP N 01, de 17 de junho de 2004 traz as orientações pertinentes à inserção dos tópicos referentes às Relações Étnico Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro Brasileira e Africana no ensino superior: Art. 1 A presente Resolução institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro Brasileira e Africana, a serem observadas pelas Instituições de ensino, que atuam nos níveis e modalidades da Educação Brasileira e, em especial, por Instituições que desenvolvem programas de formação inicial e continuada de professores. 1 As Instituições de Ensino Superior incluirão nos conteúdos de disciplinas e atividades curriculares dos cursos que ministram, a Educação das Relações Étnico Raciais, bem como o tratamento de questões e temáticas que dizem respeito aos afrodescendentes, nos termos explicitados no Parecer CNE/CP 3/2004. Sendo assim, o presente projeto vem ao encontro das determinações legais visando à implantação de componentes curriculares que correspondam às orientações para a formação de professores referentes aos Estudos Culturais e as Relações Étnico Raciais. 3. OBJETIVOS Construir e implementar componentes curriculares que compreendam como conteúdo programático as Relações Étnico Raciais e os Estudos Culturais (Afro Brasileira, Africana, indígena e etc.), na matriz curricular do curso de Licenciatura em Química da UTFPR, Campus Apucarana. 4. A ESTRUTURA EXISTENTE E A PROPOSTA DE INSERÇÃO Atualmente a proposta pedagógica, aqui representada pela matriz curricular, do curso de licenciatura em química da UTFPR, Campus Apucarana, tem sido alvo de alterações e adaptações visando a total adequação às orientações propostas pelo MEC para a formação docente.

10 29 Contudo, a atual matriz não apresenta componentes curriculares capazes de tratar das questões referentes às Relações Étnico Raciais e os Estudos Culturais. O banco de disciplinas do sistema acadêmico da UTFPR contém a disciplina História da Cultura Afro Brasileira cuja carga horária é de duas aulas semanais. A disciplina em questão atende às necessidades impostas pela justificativa já apresentada neste documento, entretanto, somente para questões étnico raciais pertencentes à cultura africana, sendo então necessário a inclusão de tópicos referente às demais culturas. As últimas modificações realizadas na matriz da licenciatura em Química (Figura 1), para implementação e adequação do estágio Supervisionado, acarretaram a inexistência de um espaço físico capaz de receber a referida disciplina, em seus moldes atuais. Visando integrar tal componente curricular propõe se aqui a instalação de dois componentes curriculares (Figura 2) cujas ementas e cargas horárias correspondem à subdivisão da ementa e carga horária da referida disciplina. Esta divisão denominada ESTUDOS CULTURAIS E RELAÇÕES ÉTNICO RACIAIS 1 e ESTUDOS CULTURAIS E RELAÇÕES ÉTNICO RACIAIS 2, está apresentada no quadro a seguir, contemplando a ementa das novas disciplinas. ESTUDOS CULTURAIS E RELAÇÕES ÉTNICO RACIAIS 1 Carga Horária: AT(17) AP(00) APS(1) TA(18) Ementa: A história africana e indígena no Brasil e a compreensão dos processos de diversidade étnico racial e étnico social na formação político, econômica e cultural do Brasil. ESTUDOS CULTURAIS E RELAÇÕES ÉTNICO RACIAIS 2 Carga Horária: AT(17) AP(00) APS(1) TA(18) Ementa: O processo de naturalização da pobreza e a formação da sociedade brasileira. Igualdade jurídica e desigualdade social. Figura 1 apresenta a matriz atual e a Figura 2 apresenta a matriz após a inserção das disciplinas.

11 Figura 1 Matriz atual do Curso de Licenciatura em Química da UTFPR Apucarana 30

12 Figura 2 Matriz proposta para Curso de Licenciatura em Química da UTFPR Apucarana 31

13 COGEP/UTFPR PROCESSO N o COGEP FL Ministério da Educação UNIVERSIDADE TECNOLÓGICA FEDERAL DO PARANÁ Conselho de Graduação e Educação Profissional Câmara de Licenciaturas e Bacharelados PROCESSO N o : 038/13-COGEP PARECER N o : 29/13-CELIB ANALISADO EM: 12/09/13 CÂMARA: CÂMARA DE LICENCIATURAS E BACHARELADOS INTERESSADO: Câmpus Apucarana ASSUNTO: Projeto de Inclusão da Disciplina História e Cultura Afrobrasileira e Indígena no Curso de Licenciatura Química RELATOR: Prof. Carlos Alberto Dallabona RELATO Considerando que as questões foram corrigidas conforme indicado, sou de parecer favorável a aprovação do presente processo. Curitiba, 25 de novembro de CONS. CARLOS ALBERTO DALLABONA RELATOR

14 33 Ministério da Educação Universidade Tecnológica Federal do Paraná Conselho de Graduação e Educação Profissional Câmara de Licenciaturas e Bacharelados Do: Presidente da Câmara de Licenciaturas e Bacharelados Ao: Sr. Presidente do Conselho de Graduação e Educação Profissional Ref.: Processo n. o 013/13-COGEP Projeto de Inclusão da Disciplina História e Cultura Afrobrasileira e Indígena no Curso de Licenciatura Química, do Câmpus Apucarana. voto do relator. A Câmara de Licenciaturas e Bacharelados acompanha, por unanimidade, o Curitiba, 25 de novembro de PROF. ÁLVARO PEIXOTO DE ALENCAR NETO PRESIDENTE DA CELIB

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