IMPACTOS DA TERCEIRIZAÇÃO SOBRE A EMPREGABILIDADE NA PERSPECTIVA DOS TÉCNICOS DE SUPORTE DE INFORMÁTICA EM UMA ORGANIZAÇÃO PÚBLICA.

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1 31 de Julho a 02 de Agosto de 2008 IMPACTOS DA TERCEIRIZAÇÃO SOBRE A EMPREGABILIDADE NA PERSPECTIVA DOS TÉCNICOS DE SUPORTE DE INFORMÁTICA EM UMA ORGANIZAÇÃO PÚBLICA. Edgar Soares dos Santos (UFC MPA) Serafim Firmo de Souza Ferraz (UFC MPA) Marcia de Freitas Duarte (UFC MPA) Resumo Este estudo objetivou investigar os impactos do vínculo terceirizado de trabalho sobre a empregabilidade de técnicos de suporte de informática que prestam serviços em uma organização pública estadual. Buscou-se transversalmente também: identificar quais os fatores que motivaram a escolha da profissão desses técnicos e como eles percebem a perspectiva profissional; averiguar como eles se mantém atualizado das novas tendências no setor; verificar como suas competências profissionais são atualizadas; avaliar como mantém sua rede de relacionamentos; investigar como eles têm conhecimentos das oportunidades de trabalho, e ainda analisar quais os principais pontos positivos e negativos do trabalho na organização pública estadual em que atuam. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, exploratória e de campo, onde se adotou a entrevista semi-estruturada como forma de coleta e a amostra dos sujeitos foi não-probabilística e por acessibilidade.constatou-se que vários aspectos profissionais foram prejudicados devido ao vínculo terceirizado dos técnicos, tais como: capacitação, acesso a inovações, perspectivas profissionais, de uma forma geral, concluindo-se que, de fato, o vínculo terceirizado contribui para a deterioração da empregabilidade dos técnicos de informática da organização pública estudada. Abstract This study aimed to investigate the impacts of the outsourcing labor contracts on the employability of support technicians for computers which provide services in a state public organisation. The aim was to transversely also: identify the ffactors that motivated the choice of

2 profession of technicians and how they perceive the prospect training; ascertain how they keep updated with new trends in the industry, see how their professional skills are updated; assess how remains network of relationships; investigate how they have knowledge of job opportunities, and also consider what the main strengths and weaknesses of work in public organizing of the state in that act. This is a qualitative, exploratory and of field research, were adopted the semistructured interview as a collection and sample the subject was nonprobability and by accessibility.found out several aspects have been hampered due to the outsourced relationship as: professional training, access the innovations, career prospects, as a rule, concluding that is, in fact, the outsourced job contracts contributes to the deterioration of the technicians employability of the public organisation studied. Palavras-chaves: Terceirização. Empregabilidade. Tecnologia da informação. Competência profissional. IV CNEG 2

3 1. Introdução As mudanças ocorridas na estrutura das empresas nas últimas décadas tiveram alguns objetivos, dentre outros, a busca de maior flexibilidade nos processos, a redução de custos e a obtenção de maior competitividade diante dos mercados. Essas transformações fizeram surgir um grande número de práticas de gestão como downsizing, reengenharia, terceirização e outras (GABRIEL, 2004). Para Allan (2000 apud LOPES; SILVA, 2007), esta realidade fez aparecer no âmbito organizacional novos formatos de relações de trabalho, nos quais os contratos tradicionais passaram a coexistir com acordos mais precários tais como empregos em tempo parcial, prestações de serviços e terceirizados. Todavia, esses novos contratos de trabalho têm impacto na vida das pessoas no que concerne à preocupação com a instabilidade no emprego, exigindo delas uma nova postura diante do mercado de trabalho. O que passa a existir então, é um estímulo bem maior para que as pessoas tenham uma formação mais generalista, conhecimentos amplos e habilidades diferenciadas que as permitam atuar em diversas ocupações e em diferentes ramos (MINARELLI, 1995). Em setores como o de Tecnologia da Informação TI, extremamente dinâmicos, os profissionais necessitam atualizar constantemente suas competências, intensificando ainda mais a preocupação com a manutenção de sua empregabilidade. Em muitas organizações, o número de terceirizados de informática ultrapassa o número de efetivos (LOPES; SILVA, 2007). E no caso específico das organizações públicas, onde se percebe que há uma subutilização da prática de terceirização, como desvalorização dessa mão-de-obra terceirizada, tem-se então um ambiente propício para o estudo da empregabilidade nesta área profissional (GIOSA, 2003). Partindo-se deste contexto chegou-se ao questionamento de como o trabalho regido por contratos de terceirização em uma organização pública repercute sobre a empregabilidade dos técnicos de suporte de informática. Assim sendo, objetivou-se com este estudo, identificar os impactos que o trabalho regido por contratos de terceirização tem sobre a empregabilidade na perspectiva dos técnicos de suporte de informática de uma organização pública. Partindo-se da suposição geral de que o vínculo terceirizado prejudica a empregabilidade do trabalhador, foram avaliados aspectos específicos como: 1) os fatores que IV CNEG 3

4 motivaram a escolha da profissão desses técnicos e como percebem a perspectiva profissional; 2) avaliar como o profissional se mantém atualizado das novas tendências do seu setor de atividade; 3) analisar como o profissional atualiza as suas competências profissionais; 4) verificar como mantém sua rede de relacionamentos; 5)investigar como o profissional tem conhecimentos das oportunidades de trabalho; 6) verificar os principais pontos positivos e negativos do trabalho na organização. A relevância desta pesquisa está no fato de que ela contribui para o estudo do fenômeno de empregabilidade em um contexto terceirizado e de uma organização pública, tendo os profissionais de tecnologia da informação como sujeitos da análise. O mesmo pode ser utilizado como base para avaliação de percepções, anseios e perspectivas desses trabalhadores, bem como apontar caminhos para futuras ações voltadas a trabalhar a empregabilidade da mão-de-obra sublocada nas organizações públicas e com isto melhorar seus processos e resultados não apenas na área de TI, mas em outras atividades terceirizáveis. 2. Metodologia Para classificar a pesquisa aqui apresentada, utilizou-se como referência à taxionomia formulada por Vergara (2007, p. 46), que qualifica uma pesquisa sob dois prismas básicos: quanto aos fins e quantos aos meios. Quanto aos fins, trata-se de uma pesquisa exploratória, pois ainda são poucos os estudos que relacionam a prática de terceirização nas organizações públicas à empregabilidade de seus trabalhadores terceirizados. Quanto aos meios, esta pesquisa é bibliográfica e de campo. É Bibliográfica porque foi realizada uma revisão da literatura pertinente, necessária ao embasamento teórico sobre o assunto estudado. É também uma pesquisa de campo, do tipo estudo de caso, realizado em um órgão publico estadual onde, por meio de uma pesquisa com os técnicos de informática, analisou-se como os fenômenos da terceirização de serviços e da empregabilidade se manifestam e se relacionam. O estudo de caso foi realizado em uma das Secretarias do Governo Estado do Ceará responsável por planejar, coordenar e executar, diretamente ou por meio das suas entidades vinculadas, as ações do Governo para o desenvolvimento da agropecuária. Ao todo, esta organização conta com quarenta e dois funcionários terceirizados, divididos em três empresas prestadoras de serviços. Estes indivíduos desempenham atividades IV CNEG 4

5 variadas como: copeiros, motoristas, serviços gerais, informática, técnico em secretariado, e auxiliares administrativos. O quadro completo dos terceirizados da secretaria pode ser conferido a seguir. Tabela 1 Total de pessoal terceirizado por empresa e função Empresa Azul N de sublocados Auxiliar Administrativo 2 Copeiro 1 Serviços Gerais (bombeiro hidráulico) 1 Motorista 5 Técnico em Secretariado 5 Suporte Operacional em Informática 2 SUBTOTAL 16 Tabela 1 Total de pessoal terceirizado por empresa e função (continuação) Empresa Verde N de sublocados Analista de Sistema I 2 Programador Pleno 1 Técnico em Tele-processamento e Rede 4 Técnico em Atendimento 2 Suporte em Hardware e Software 5 SUBTOTAL 15 Empresa Branca N de sublocados Auxiliar de Serviços Gerais 10 Copeira 2 SUBTOTAL 12 TOTAL 42 Fonte: Adaptado pelo autor do núcleo administrativo do órgão público estudado. A Empresa Verde, assim denominada neste estudo, é a detentora do maior número de funcionários terceirizados de um mesmo setor profissional, o de informática. Assim, os profissionais desta empresa foram os sujeitos pesquisados no estudo. O universo da pesquisa, portanto, ficou restrito aos funcionários terceirizados do setor de Tecnologia de Informação TI da organização pública estadual pesquisada, ou seja, fizeram parte deste universo os profissionais como técnicos operacionais de hardware e software, analistas de sistemas, programadores, perfazendo um total de 15 técnicos. Todos os profissionais pesquisados eram prestadores de serviço que atuavam pela empresa terceirizada denominada neste estudo como Empresa Verde. Os demais profissionais terceirizados foram excluídos deste universo, pois não possuem relação com a área profissional escolhida como foco da pesquisa. A amostra é não-probabilística, pois conforme menciona Vergara (2007, p ) esta se subdivide em duas outras tipificações que são: por acessibilidade, pois o pesquisador do estudo atuava como estagiário da organização; e por tipicidade, pois a amostra selecionada constituía grupo representativo da população-alvo. IV CNEG 5

6 Dos 15 profissionais terceirizados de TI oficialmente listados pelo núcleo administrativo da Secretaria, apenas 10 atuavam efetivamente no setor de informática da mesma, exercendo suas funções de técnicos de informática. Dos outros cinco funcionários, quatro atuavam como técnicos de tele-processamento de rede e um como técnico de atendimento. Portanto, considerou-se que estes cinco profissionais que atuavam fora de suas funções originais não contribuiriam para a pesquisa, pois os mesmos não estariam a par da realidade do setor foco do estudo, a informática, tampouco da própria carreira nesse setor. Assim sendo, estes indivíduos foram excluídos da base de amostragem dos sujeitos da pesquisa. Considerou-se ainda o tempo de trabalho na empresa, que ficou restrito ao mínimo de quatro anos por técnico terceirizado, por considerarmos que um tempo de empresa menor que esse não era suficiente para refletir impactos na empregabilidade do trabalhador. Portanto, considerando as modificações necessárias, utilizou-se o número de 10 técnicos como universo da pesquisa e não 15 como se considerou inicialmente. Com essa alteração, a amostra dos sujeitos limitou-se ao número de cinco técnicos, representando 50% do universo da pesquisa. Este percentual é considerado aceitável para o critério de acessibilidade utilizado na amostra. Na coleta de dados, utilizou-se um questionário semi-estruturado apenas como forma de traçar o perfil da amostra. Em um segundo momento, foi adotado a técnica de entrevista semi-diretiva ou semi-estruturada com o pessoal técnico de suporte de TI da Secretaria. Buscou-se com a técnica de entrevista semi-estruturada obter uma análise qualitativa de conteúdo. Nessa técnica, a solicitação de informações não envolve o preenchimento de lacunas convencionais de informação sobre o respondente, mas a narração de uma história pessoal, nas palavras do próprio narrador (TEN HAVE, 2004 apud AZEVEDO et al., 2007). A narração é controlada pelo próprio entrevistado, o que faz com que esse tipo de entrevista não seja organizado em seqüências de perguntas/respostas relativamente curtas, mas como uma sucessão de unidades de turno múltiplo (HOUTKOOP; MAZELAND, 1985 apud AZEVEDO et al., 2007). Antes das entrevistas com os sujeitos selecionados, realizou-se uma entrevista-teste com um colaborador terceirizado que atua como Técnico em Tele-processamento e Rede. Nesse teste, foram seguidas todas as etapas pertinentes à pesquisa, simulando o mais próximo possível das reais condições que viriam a ser enfrentadas nas entrevistas válidas. Esta IV CNEG 6

7 simulação foi importante, pois serviu de base para apuração e retificação de possíveis erros na elaboração do questionário-perfil dos entrevistados, bem como sobre dúvidas que poderiam surgir no segmento da entrevista em relação aos conceitos abordados. As entrevistas consideradas no estudo foram realizadas no próprio local, ou seja, no setor de informática da organização em estudo, durante o mês de novembro de 2007 e tiveram duração média de quarenta minutos. Contou-se ainda com o auxílio de dispositivo eletrônico para a gravação das entrevistas e posterior análise das narrativas. 3. Referencial Teórico 3.1. Terceirização, tecnologia da informação e seus desdobramentos O termo terceirização originou-se do inglês outsourcing, e significa a obtenção de suprimentos por meio de outras fontes que não as internas à organização, ou seja, esta decide obter tais recursos por meio de transações mercantis externas e não internas a ela, a fim de atingir seus objetivos econômicos (CABRAL, 2002 apud GABRIEL, 2004). Batista (2004, p. 162) define a terceirização como um sistema em que uma organização contrata uma empresa especializada para executar alguma atividade que seja desenvolvida ou não pela organização. Ao terceirizarem os serviços de TI, por exemplo, as organizações visam principalmente, reduzir custos operacionais em todas as áreas que não apenas em TI. Além destes objetivos, continua o autor, destacam-se ainda outros como: favorecer a maior flexibilidade; reduzir preços de novos produtos e serviços; a melhoria na qualidade dos serviços de tecnologia; e contribuir para que a empresa foque em suas competências diferenciais (SAAD, 2006). A terceirização pode contribuir ainda para a competitividade estratégica das organizações principalmente quando aplicada aos preços praticados pela empresa no mercado, pois essa prática reduz investimentos, aumenta o nível tecnológico utilizado, reduz tempo e melhora resultados a baixos custos (GIOSA, 2003). Nesse sentido, setores como os de TI contribuem para as organizações na medida em que aprimoram processos internos, aplicam melhores controles, reduzem custos e otimizam a qualidade e disponibilidade das informações importantes interna e externamente à organização (BEAL, 2001 apud ARAGÃO, 2003). IV CNEG 7

8 Contudo, há desvantagens na terceirização, dentre as quais podemos citar as restrições de preços de produtos e serviços da empresa contratada, motivadas pelo mercado competitivo e pelos contratantes, e ainda a burla da legislação trabalhista que envolve custos altos, pois muitas empresas contratantes aderem a essa prática visando à eliminação de custos com admissões, treinamentos e demissões de empregados (SERRA, 2001 apud SOUZA, 2005). Para Cabral (2002 apud ARAÚJO, 2005), o estabelecimento de parcerias também constitui um fator de preocupação para organizações que optam pela terceirização, pois, buscam-se parceiros que garantam a competitividade, qualidade de produtos/serviços e prazo de entrega, o que significa um grande desafio para a contratante. Além da dificuldade apontada, constata-se ainda, apesar de ser uma prática muito utilizada pelas empresas brasileiras, o país carece de legislação específica que regulamente a terceirização (SOUZA, 2005). Diante de tantas restrições nesse tipo de gestão, a conseqüência é, via de regra, uma relação conflitante, entre a empresa contratante do serviço e os trabalhadores da empresa contratada. 3.2 A empregabilidade: o âmbito geral e o de TI Para Bridges (1995), as organizações de hoje estão retornando à simples execução de trabalhos sem empregos e livres do conceito de cargos em suas estruturas, pois estes cargos se flexibilizam de acordo com as necessidades que se apresentam. Neste sentido, o autor classifica as organizações entre aquelas que ainda utilizam as regras baseadas no paradigma dos cargos e entre aquelas que adotam uma nova postura, mais realista em relação à situação atual do emprego. Conforme o mesmo autor, as organizações modernas adotam uma certa postura em relação ao emprego na qual a premissa principal é que todos os trabalhadores são contingentes e o emprego é estabelecido de acordo com os resultados da empresa. Surge assim, uma outra característica dessa nova realidade, na qual os funcionários são valorizados a cada situação enfrentada pela empresa, fato que passa a exigir desses trabalhares um profundo conhecimento do negócio e da situação do mercado em que a organização está inserida. Nesta nova realidade, na qual grande parte das atividades organizacionais atualmente está nas mãos de pessoas que não tem um emprego real, os trabalhadores tornam-se responsáveis por suas próprias carreiras, atuando como um vendedor externo de serviços em IV CNEG 8

9 seu próprio negócio. As atividades passadas pela empresa são encaradas então, como um trabalho terceirizado para esses profissionais (BRIDGES, 1995). O profissional que busca desenvolver a sua empregabilidade, não foca mais primordialmente no vínculo estável em suas relações de trabalho. Sua intenção é se tornar cobiçado pelo mercado de trabalho, ampliando suas chances de recolocação quando precisar. Assim, o trabalhador passa a ver-se como um fornecedor de serviços e administrador da própria carreira como se fosse uma microempresa (MARTINS, 2004). O termo empregabilidade surgiu por volta de 1996 como um alerta para o indivíduo profissional pertencente a qualquer atividade ou nível. (CASE; FRANCIANATO, 1997). A empregabilidade é definida por Bitencourt (2004) como o desenvolvimento de um conjunto de habilidades, aptidões e conhecimentos que atendam as exigências do mercado de trabalho, de maneira a consolidar um perfil profissional interessante e atraente para futuros empregadores. Este termo propõe uma nova postura a ser adotada pelas pessoas que é a de não parar mais, buscando tanto a aprendizagem tradicional quanto uma formação de generalistas (SAVIANI, 1997). O mesmo termo ainda pressupõe agregar valor de forma contínua a empresa em que se trabalha e a si mesmo, tornando-se cada vez mais empregável (CASE; FRANCIANATO, 1997). Minarelli (1995, p. 39) acrescenta que o grande mercado da empregabilidade está, atualmente, em centenas de pequenas e médias empresas que se formam para prestar serviços cada vez mais atualizados. E para atender estas exigências, as pessoas devem estar atentas às características e competências empregáveis que devem possuir. Especificamente para os profissionais de tecnologia, Anell e Wilson (2000 apud LOPES; SILVA, 2007) apontam algumas características que são esperadas de qualquer profissional no contexto atual do mercado de trabalho, que não apenas o de TI. Os autores destacam principalmente o alto grau de flexibilidade, aprendizagem e mobilidade, e ainda a capacidade de lidar com mudanças de empregador, de horários, de ambiente de trabalho, de tarefas, de localização, além da habilidade de resolução de problemas e de uso do pensamento criativo. Saviani (1997) ressalta ainda que, seja qual for a área em que atue este profissional, ele deve adotar algumas atitudes como romper com a rotina de suas atividades, buscar atualização IV CNEG 9

10 constante, aprender idiomas, obter bons conhecimentos em informática e, principalmente, ter envolvimento com a área de negócio da empresa em que trabalha. Já Minarelli (1995) estabelece seis itens que atuam como pontos básicos da empregabilidade das pessoas, sendo denominadas pelo autor como pilares que sustentam um profissional empregável. São eles: a adequação vocacional, competência profissional, idoneidade, saúde física e mental, a reserva financeira e fontes alternativas e ainda os relacionamentos. Complementando estes aspectos, o mesmo autor traz ainda o conceito de pilares de empregabilidade os quais contribuem para traçar o perfil empregável de uma pessoa. São eles: auto-estima, vocação, motivação, resiliência, consciência auto-perceptiva e abertura para o novo. Esses pilares constroem a base que sustenta a empregabilidade das pessoas e devem ser trabalhados por elas de forma coesa e articulada, pois, na falta de algum deles, todos os demais falharão, daí a importância dessa inter-ralação entre eles para uma melhor condução da carreira profissional. 4. Resultados 4.1 Perfil dos entrevistados Para melhor visualização dos dados dos entrevistados e seus perfiz, usou-se criar um código para cada função de TI existente na Secretaria. Para identificar cada cargo foi atribuído um código se compõe da letra C acompanhada de uma numeração que nesse caso vai de 1 a 3, como pode ser visto no quadro abaixo. FUNÇÃO Analista de Sistema I Programador Pleno Suporte Operacional em Hardware e Software Quadro 1 - Funções do setor de informática Fonte: Elaborado pelo autor CÓDIGO DO CARGO No que concerne ao perfil completo dos técnicos pesquisados, têm-se os dados apresentados no quadro abaixo: C1 C2 C3 IV CNEG 10

11 Tabela 2 Perfil dos entrevistados ESTADO TEMPO DE SUJEITO SEXO IDADE ESCOLARIDADE CARGO CIVIL EMPRESA S1 F 33 anos Solteira Nível Médio C3 9 anos S2 M 40 anos Casado Nível Médio C3 4 anos S3 F 44 anos Solteira Pós - graduada C1 5 anos S4 F 32 anos Casada Universitária C2 12 anos S5 F 31 anos Casada Universitária C3 8 anos Fonte: Elaborado pelo autor Estes dados sobre os perfis dos técnicos também podem ser vistos no preâmbulo de cada um, antes das narrativas de suas entrevistas, cujos resultados serão apresentados a seguir. 4.2 Análise das entrevistas As entrevistas com os técnicos foram analisadas tendo-se por base a verificação dos aspectos assinalados nos objetivos específicos deste estudo, que são: o aspecto vocacional e as perspectivas para o setor; o acesso às tendências do setor de tecnologia da informação; atualização profissional; a rede de relacionamento desses técnicos; as oportunidades de trabalho; e ainda os pontos positivos e negativos do trabalho na Secretaria. Desta forma, partimos para a análise das entrevistas com os técnicos, buscando destacar o perfil destes sujeitos, tendo como base o referencial teórico pesquisado. O aspecto vocacional e perspectivas no setor No que se refere às características que o profissional de TI deve possuir para que o mesmo possa ser almejado pelo mercado, encontrase a relação feita por Loogman et al (2004 apud LOPES e SILVA, 2007) em seus estudos sobre o tema. Para este autor, as habilidades valorizadas são: confidencialidade, conhecimento técnico e em línguas, além de noções em administração, capacidade de se comunicar bem, facilidade para trabalhar em equipe, busca pelo desenvolvimento contínuo e capacidade de trabalhar em condições sob stress. Nesse aspecto, pôde-se apreender que os técnicos de TI pesquisados não utilizaram critérios vocacionais para escolha da profissão, mas sim outras motivações como o retorno financeiro da profissão e a oportunidade de trabalho, como podemos observar no relato do sujeito 2: S2: Em 1993 trabalhava na vice-governadoria quando fui convidado por um dos gerentes de lá que me deu a oportunidade de ir para área de informática. Na época não tinha experiência nenhuma na área, mas mesmo assim aceitei. Não fiz curso nem nada, aprendi tudo na prática. IV CNEG 11

12 Conforme esse trecho da entrevista, pode-se perceber que, em sua trajetória como terceirizado, este sujeito ingressou na área de informática mais por uma questão de oportunidade que surgiu por meio de convite de pessoas do ramo, e, além disso, o mesmo não possuía afinidade alguma com a área de TI na época. Para uma das entrevistadas, trabalhar na área de informática não foi uma escolha vocacional, mas sim uma opção como primeiro emprego. Ingressou no setor de TI por acaso, quando a Secretaria necessitava de digitadores e, a partir de então é que começou a desenvolver seu interesse na área, como podemos constatar em sua declaração: S5: Na verdade, quando entrei nesse ramo a informática era pouco vista, mas quando comecei a conhecer me deslumbrei, e pensei, é essa área que eu quero. Na época não tinha nenhuma outra profissão em vista, até porque era meu primeiro emprego e eu era muito nova, estava terminando o nível médio. Eu não sabia o queria para a carreira ainda, aí a informática veio e, como falei, me encantei e acabei seguindo. Isto revela que não houve por parte da entrevistada nenhum direcionamento de suas competências para o setor de TI, mas apenas a necessidade de uma oportunidade de primeiro emprego, o qual, por acaso, foi nesta área. Em relação à perspectiva profissional, observou-se um a maioria dos pesquisados vêem com pessimismo sua perspectiva profissional, em termos de reconhecimento e oportunidades, remuneração e prestígio, principalmente aqueles que atuam como técnicos de campo (hardware e software) na organização estudada. Conforme o primeiro sujeito 1: S1: Acho que tem prestígio sim. Não sei se no Estado acontece, mas novamente é aquela questão do profissionalismo e da reciclagem. Se a tecnologia tá avançando cada dia mais e você está por dentro disso você tem como crescer nessa área sim. Segundo este relato, este técnico em particular, vê o setor de TI como vantajoso e traz prestigio pra quem é analista, programador ou acima disto. No entanto, segundo o entrevistado, chamado aqui de sujeito 2, em funções como a de suporte de hardware e software, o prestígio e as oportunidades não ocorrem. Diante desta afirmação, observa-se uma certa decepção com a área em que ele trabalha atualmente. S2: Hoje essa área está estagnada. Antigamente era difícil ver alguém abrindo uma máquina, consertando um computador, hoje não, hoje qualquer menino faz isso. É a Internet, ela funciona como uma poderosa ferramenta de pesquisa e de conhecimento. Então eu vejo que área promissora na TI hoje é analise de sistema, programação, na minha área de suporte de hardware mesmo eu não vejo muito futuro não. IV CNEG 12

13 Quanto ao mercado de trabalho, uma entrevistada afirma ser o mesmo muito promissor, mas condicionou à reciclagem freqüente das competências profissionais. S1: É novamente aquela questão do profissionalismo e da reciclagem. Se a tecnologia ta avançando cada dia mais e você está por dentro disso você tem como crescer nessa área sim. Atualização das tendências no setor Avaliou-se que os técnicos de informática da organização pública estudada atualizam-se sobre as tendências no setor basicamente por meio de pesquisas e fóruns na Internet, livros da área e ainda por contatos com colegas da mesma área profissional, como podemos constatar no relato seguinte: S2: Eu particularmente tenho facilidade de aprender rápido essas inovações, mas deveria ter uma atenção maior no sentido de treinar o pessoal do setor responsável. Eu digo se colocar um passo a frente, tipo, levar um ou dois técnicos para fazer um curso, até porque a Secretaria não vai pagar vinte cursos de uma vez, mas poderia levar esses dois e depois eles repassariam para os outros. O mesmo sujeito acima revelou ainda que, há um grande compartilhamento de conhecimentos entre os técnicos das diferentes áreas, o que contribui para uma assimilação mais rápida de novos conhecimentos, além do uso da Internet. Ele ainda sugere ações dos gestores do setor no sentido de ajudar nesta questão da assimilação de inovações. Segundo a declaração de outra entrevistada: S3: Eu faço assim: quando vem algo que me interessa, eu vou lá, busco e aprendo. Quando é algo que eu vejo que não vai agregar na minha área, eu penso, não, isso não vai ser necessário para mim agora, então eu não invisto. Até porque não dá para você querer aprender tudo que chega, você tem que focar naquilo que tem haver com a sua área de atuação. Não procuro o que foge ao meu perfil. A postura profissional desta entrevistada só confirma a nova realidade do trabalho onde o que passa a existir é um estímulo bem maior para que as pessoas tenham uma formação mais generalista, conhecimentos amplos e, habilidades diferenciadas que as permitam atuar em diversas ocupações e em diferentes ramos (MINARELLI, 1995). Na verdade, estas ações constituem alternativas criadas pelos próprios técnicos, uma vez que as inovações são raras no setor graças aos atrasos provocados por burocracias que a terceirização exige. Isso pode ser comprovado em certos depoimentos, como os seguintes: S2: Nossa estrutura de trabalho hoje aqui na Secretaria está meio defasada, mas já esteve pior. Para o tamanho dessa organização, ela está com pelo menos IV CNEG 13

14 cinqüenta por cento de seu parque tecnológico defasado em termos de computadores, impressoras, scanners e multimídia. S5: O nosso setor é muito precário em termo de estrutura e até tem um aspecto de sujo. Nós não temos os programa e hardware necessários para o trabalho. Contudo, mesmo com todas estas dificuldades, estas pessoas declararam, assim como os demais, que quando finalmente as novidades chegam ao setor, elas não encontram dificuldades para assimilá-las. Atualização profissional Averiguou-se que a grande maioria dos técnicos atualiza suas competências através de cursos fora da Secretaria, pagos por eles mesmos, pois não há investimentos da Secretaria nesse sentido. Além disso, existe o compartilhamento do conhecimento dentro do setor de TI, onde os profissionais exercem diversas funções e contam com a ajuda dos colegas para repassar conhecimento novas áreas. Isso pode ser constatado no relato a seguir: S2: Nunca participei de curso algum pela Secretaria. Nada, nem na área de TI nem em qualquer outra área da Secretaria. Nunca fui chamado porque os cursos são oferecidos apenas aos funcionários e não aos terceirizados. Esta capacitação encontra barreiras no que diz respeito à visão que a secretaria possui dos terceirizados, por considerar que não é obrigada a capacitá-los mesmo quando se trata de treinamentos específicos que só serão úteis para a própria organização e que não serão usados pelos técnicos em outros locais. Conforme pode-se constatar no depoimento do sujeito 4: S4: Faz muito tempo que não tem nenhum tipo de curso ou treinamento aqui na Secretaria. Pela prestadora de serviços então, nunca teve. Na verdade a gente é como se fosse funcionário da própria secretaria, a prestadora de serviços fica meio escondida nessa historia de capacitação.inclusive acho que essa falta de capacitação se deve muito a troca de governo que é recente. Mas eles estão se estabilizando, na verdade eu não sei como isso acontece ao certo, não tomo muito conhecimento, acho que é mais do nível de gerente para lá. Também nunca fiz nenhum curso pago por mim não. Porém, apesar desta falta de incentivo, assim como a maioria dos pesquisados, a mesma entrevistada disse se sentir mais capacitada para competir no mercado de trabalho agora do que quando entrou na Secretaria, mas condicionou esta questão à área de atuação em que se trabalha na informática dentro do órgão: S4: Acho que depende da área em que você trabalha aqui, porque o tipo de trabalho que eu faço aqui, é muito voltado para cá, mais poderia ser aplicado IV CNEG 14

15 sim em outras empresas desde que eu me aprofundasse um pouco mais. Mas acho que esse período que passei até agora, me serviu de capacitação sim. Rede de relacionamentos Avaliou-se que os técnicos que mantêm suas redes de relacionamento o fazem dentro da própria secretaria, buscam contatos com outros profissionais da área e também por meio de mídias eletrônicas como Internet, s. Foram citados também outros meios como telefonemas e conversas com colegas da área profissional de outras secretarias. Com relação ao ambiente interno da organização, a entrevistada 1 relatou não ter dificuldades de acesso a outros funcionário terceirizados ou efetivos, mesmo aqueles que estão em cargos de gestão: S1: Tenho facilidade de interagir com o pessoal sim. Como a gente trabalha diretamente com o usuário, superior ou não daqui ou de outros setores a gente tem facilidade nessa interação. Como ela trabalha basicamente dentro da Secretaria, dando suporte aos usuários em campo, sua rede de relacionamento é mantida através de s, telefonemas etc. Outra entrevistada ressaltou a importância do trabalho em equipe que é desenvolvido no setor: S3: Desde os meninos do suporte, da programação, aos analistas, todo mundo entra nos projetos novos juntos como um time. Afinal ninguém pode fazer nada sozinho. Quando chega um projeto novo, já chamo o pessoal, e os olhos deles brilham. Elas encaram como um desafio mesmo. A gente mantém a equipe unida, e é isso. Conforme sujeito 4, em termos de relacionamentos internos na organização, este revelou que o e mesmo é horizontalizado, onde o acesso a qualquer funcionário ocorre sem maiores restrições. S4: Aqui a gente se relaciona bem, inclusive com nosso coordenador. A gente sabe que tem diferenças nas funções, mas todos falam com todo mundo, enfim, é uma família. Em relação à contratante, a gente também tem acesso às pessoas, claro que tem aqueles que acham que como a gente é terceirizada, a gente está aqui é para trabalhar mesmo e ficar na nossa. Mas é aquela coisa se a gente está aqui, é pra trabalhar para o Governo então, de certa forma nos também somos funcionários do Governo. A empregabilidade passou a ser uma característica exigida do trabalhador atual, onde, em vez de um vínculo estável de trabalho com o empregador, ele é levado a desenvolver uma condição empregável para sua carreira, tornando-se atraente ao mercado e ampliando suas chances de recolocação quando necessário (MARTINS, 2001). IV CNEG 15

16 No caso de um dos entrevistados, a maior forma de divulgação de seu trabalho é o diferencial que sempre busca na área em que atua, sem se preocupar com apego ao vínculo de trabalho. S3: O que eu faço é buscar o diferencial e quando você faz isso, você é notado, desejado pelas outras empresas. Mas aqui esse diferencial não conta porque infelizmente, quando você trabalha para o governo, não há interesse na sua qualificação. Há não ser que alguém conheça seu trabalho. Porque é assim: hoje te valorizam, amanhã entra um indicado e sua qualificação não vale mais nada. As oportunidades de trabalho Observou-se que os profissionais de informática da Secretaria têm informações sobre propostas de trabalho por meio de indicações de colegas, da mesma secretaria e de outras secretarias do governo estadual e ainda externamente, com contatos diretos com empresários do ramo, uma vez que grande parte dos entrevistados possui outra atividade remunerada na área. Há ainda os contatos nos cursos profissionalizantes e nas faculdades que oferecem cursos nesta área. Sobre este aspecto, o sujeito 1 afirmou que: S1: Eu tomo conhecimento das oportunidades por meio de amigos, Internet, do pessoal que já terminou outros cursos e se deram bem. Outro entrevistado declarou que já recebeu várias propostas desde que entrou na Secretaria, sempre de outros órgãos públicos estaduais. Porém demonstra interesse em mudar para área privada. Ele revelou ainda que o que o faria mudar de trabalho seria a questão do sucesso pessoal, em sua área ou em outra. O mesmo só lamenta que não tenha um curso superior, fato que, segundo ele, o impede de fazer planos mais audaciosos para a sua carreira. S2: Já recebi várias propostas de trabalho de diversos órgãos, mas sempre no âmbito do Estado... O que me faria mudar seria a questão do sucesso pessoal mesmo, na minha área ou em outra. Pena que eu não cheguei a fazer uma faculdade então eu não posso exigir muito. Eu não posso brigar aqui dentro do meu setor, pra ser um programador, um analista, porque tenho minha parcela de culpa por não ter cursado um nível superior. Ao falar das oportunidades na área de TI, um dos sujeitos em questão demonstrou tristeza ao constatar que infelizmente, pelo menos os profissionais internos da Secretaria não têm recebido propostas interessantes. Mas salientou que, dentre essas pessoas há aquelas que não procuram se capacitar, se prendem a um único trabalho e não buscam qualificação. Para ela, a pessoa que toma iniciativas como as descritas anteriormente, cria um know-how no IV CNEG 16

17 mercado, e chama a atenção das empresas. Mas este não é o caso de alguns técnicos do setor em sua opinião, conforme seu relato: S3: Eles não têm recebido boas propostas não, pelo menos não aqui. Mas tem aqueles que não procuram se capacitar, se prendem a um único trabalho e não vão em busca de qualificação. Quando você vai atrás e se qualifica, ganha experiência e conhecimento. Isso acaba te dando um know-how no mercado. Este trecho ratifica a máxima de o trabalhador não busca apenas o reconhecimento financeiro em suas relações de trabalho. Além disso, considerar o salário como única motivação para a realização do trabalho é uma forma simplista e inadequada de explicar o vínculo do homem à empresa a partir de uma única variável. Mesmo que o salário signifique objeto de troca importante entre indivíduo-empresa, são múltiplas as variáveis envolvidas nesta complexa relação (BOM SUCESSO, 1998). Em relação ao profissionais de TI que não trabalham na organização pesquisada, essa mesma pessoa afirma que muitos se acomodam e não procuram se capacitar devidamente para atender ao mercado, cada vez mais competitivo, e por isso também encontram dificuldades em conseguir boas propostas. É o que se pode apreender de sua resposta: S3: O que eu vejo é que infelizmente tem muita gente aqui que eu até gostaria de levar pra a trabalhar comigo nesse outro projeto, pois são pessoas que eu vejo que têm potencial. Eu até penso em levar para uma nova equipe, mas eles se apegaram tanto ao comodismo, que não dá. Quando perguntada sobre como recebia informações sobre oportunidades de trabalho, o sujeito 4 afirmou que: S4: Eu tomo conhecimento das oportunidades por meio de amigos mesmo. Não tenho cadastro em sites de empregos não. Mantenho contato com o pessoal da área por ou telefone mesmo. Também pelos amigos da área que tenho já há certo tempo, nas conversas com eles, onde acaba surgindo o assunto de trabalho, ai eu fico sabendo. Percepções sobre o trabalho realizado Na percepção dos técnicos, avaliou-se como pontos positivos do trabalho na Secretaria Estadual, a experiência em múltiplas áreas de informática que puderam adquirir, o relacionamento igualitário interno e o fato de que o setor poibilita um bom convívio entre os técnicos. Foram citadas ainda como vantagens do trabalho no órgão a contribuição social do trabalho com apoio aos programas assistenciais do governo, a flexibilidade na negociação de horários de trabalhos e folgas, o relacionamento interno favorável e a remuneração, que para IV CNEG 17

18 alguns cargos é o máximo alcançado no mercado. Isto pode er observado nas declarações dov sujeitos 1 e 2: S1: O que mais valorizo é o profissionalismo que está acumulando. Assim, para o que ele vê mais é questão do quanto vai pagar pelo serviço, mais para a gente o que vale é o profissionalismo mesmo. S2: O espaço que você tem aqui de aprender fazendo é bom. Na informática, a teoria é mínima. O espaço que o Estado, e algumas secretarias dão para você enfrentar as dificuldades na prática, consertando computadores antigos principalmente, é bem grande. Para a boa condução da parceria entre órgão contratante e prestadora de serviços, as duas devem estabelecer em conjunto as políticas que previnam problemas de incompatibilidade, principalmente entre as equipes que unem terceiros e efetivos da organização. As barreiras que se apresentam ao longo do processo de terceirização resultam em transtornos no desenvolvimento do trabalho (BATISTA, 2004). Exemplos dessas barreiras ou pontos negativos ficaram por conta do destrato que a organização pública tem com o setor, da obsolescência das máquinas e programas desatualizados e pela falta de reconhecimento do trabalho dos técnicos. Ainda pesaram aqui as dificuldades impostas pela burocracia existente na mesma secretaria no fornecimento de inovações, e falta de capacitação do pessoal de TI. Outros agravantes apontados estão relacionados à questão do nepotismo e cargos de indicação e ainda o preconceito com o pessoal terceirizado. Essas constatações podem ser observadas nas declarações a seguir: S3: O que eu vejo de negativo é que tecnologia da informação é um campo que está crescendo e, apesar disso eu vejo o nosso parque tecnológico aqui da Secretaria tão defasado...o que poderia ajudar nesse sentido era a valorização da área de informática. Acho que ainda tem muito gestor/gerente que não valoriza a informática de uma empresa.... S4: Como negativo tem o fato de que, por ser terceirizado, as solicitações do setor demoram a chegar.mas não sei falar muito sobre as razões, não sei é por causa das prioridades da Secretaria..Tem muita coisa a ser feita, mas depende mais do órgão, da gerência. Outros fatores citados foram a questão da remuneração, o prestígio e as oportunidades. Conforme o entrevistados, estes fatores não estão presentes na Secretaria, como aponta o sujeito 5: S5: Lá fora pode até ter essa história de prestigio e oportunidades, mas aqui dentro não. O pessoal acha que porque a gente é terceirizado ganha muito bem e então não precisa de incentivos. IV CNEG 18

19 5. Conclusões Esta pesquisa buscou identificar os impactos que o trabalho regido por contratos de terceirização tem sobre a empregabilidade na perspectiva dos técnicos de suporte de informática de uma organização pública, partindo da suposição geral de que o vínculo terceirizado prejudica a empregabilidade do trabalhador. Diante da pesquisa empreendida, percebeu-se que, na organização estudada, de fato isto acontece. A empregabilidade dos profissionais de informática é deteriorada em diversos aspectos observados, conforme mostra a análise sintética das entrevistas no quadro a seguir. Aspecto analisado Sujeito 1 Sujeito 2 Sujeito 3 Sujeito 4 Sujeito 5 I II I II I II I II I II 1.1 vocacional avalia se o técnico tem afinidade com a área de TI. 1.2 perspectiva profissional analisa a visão do técnico quanto ao futuro da área de TI em que atua e o retorno da mesma em termos de oportunidades, prestígio e remuneração. 2. Atualização das tendências verifica de que forma o técnico se atualiza das inovações e tendências no setor de TI. 3. Atualização profissional avalia como o técnico trabalha sua capacitação na área de TI em que atua. X X X X X X X X X X X X X X X X X X X X 4. Rede de relacionamentos como se caracteriza e X X X X X como é mantida a rede de relacionamento do técnico. 5. Oportunidades de trabalho como o técnico tem X X X X X conhecimento e qual a sua postura do técnico diante das oportunidades de trabalho. Prejuízo final para empregabilidade do técnico conforme por aspectos analisados. 50% 66% 33% 100% 100% Quadro 2 Análise dos impactos para a empregabilidade dos técnicos conforme os aspectos avaliados. Fonte: Elaborado pelo autor. I Aspecto muito afetado: problemas para a empregabilidade do técnico. II Aspecto pouco ou não afetado: sem maiores problemas para a empregabilidade do técnico. A partir destes resultados, constatou-se que os técnicos de informática da organização pesquisada foram afetados em 58% dos aspectos mencionados acima. Este percentual ratifica o prejuízo à empregabilidade destes profissionais, que mesmo com uma ou outra atitude mais empregável vislumbrada nas narrativas, não estão conseguindo impedir a deterioração de sua característica de empregabilidade. IV CNEG 19

20 Os aspectos mais afetados foram aqueles relacionados à vocação, às afinidades dos técnicos com a área de TI, à rede de relacionamentos, por se restringirem ao ambiente da Secretaria e a de outros órgão públicos, e ainda o aspecto que avalia o acesso às oportunidades de trabalho, pois em muitos dos casos os técnicos não viram oportunidades vantajosas nem internamente nem externamente à Secretaria. Além disso, ainda em relação ao aspecto das oportunidades, os sujeitos demonstraram acomodação ou restrições pessoais como o nível educacional. Esses aspectos foram afetados em 80% das vezes, segundo os técnicos pesquisados. O aspecto que trata das percepções dos técnicos sobre o trabalho na Secretaria foi analisado separadamente dos demais por ensejar uma análise mais aprofundada, o que o quadro síntese apresentado não permitiria fazer. Dessa maneira, como vantagens do trabalho realizado na organização, os sujeitos citaram os seguintes pontos favoráveis: a valorização da prática; o bom ambiente de trabalho e as trocas de experiências e conhecimentos. Além disso, foi citado ainda o senso de contribuição social do trabalho que realizam, dando suporte ao programas assistenciais do Governo Estadual. A remuneração foi citada apenas por programadores, e não por todos os técnicos de TI, o que impede a generalização. As dificuldades relatadas pelos profissionais entrevistados começam com o pouquíssimo e quase inexistente apoio à capacitação do pessoal técnico, que em sua grande maioria, desde que entrou nessa organização, jamais teve um único treinamento ou curso pago pela mesma, como é o caso de alguns técnicos de hardware e software. Existem também outras dificuldades como as restrições de acesso às inovações do setor de TI, as quais são fundamentais, considerando-se a freqüência com a qual a informática se atualiza. Estas restrições se devem basicamente aos atrasos nas solicitações de maquinário, softwares e outros equipamentos, todos necessários ao bom andamento dos trabalhos no setor, e para a própria qualificação dos técnicos. Constatou-se ainda o tratamento preconceituoso dado aos técnicos de informática terceirizados da Secretaria. Esta diferenciação entre os funcionários foi percebida na análise dos dados em exemplos como coerções por meio de palavras e olhares, além das restrições naturais que os mesmos técnicos sofrem de participação em eventos sociais dentro da Secretaria. Levando em consideração todos os pontos estudados e quanto ao objetivo geral, avaliou-se que, de fato, os impactos do trabalho regido por contratos de terceirização nessa IV CNEG 20

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