SELEÇÃO E CONTRATAÇÃO DE PRESTADORES DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS: UM ESTUDO DE CASO NA INDÚSTRIA PETROLEIRA. Renata de Albuquerque Figueiredo

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1 SELEÇÃO E CONTRATAÇÃO DE PRESTADORES DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS: UM ESTUDO DE CASO NA INDÚSTRIA PETROLEIRA Renata de Albuquerque Figueiredo Instituto COPPEAD de Administração Mestrado em Administração Orientador: Paulo Fernando Fleury COPPEAD/UFRJ Rio de Janeiro 2003

2 ii FOLHA DE APROVAÇÃO SELEÇÃO E CONTRATAÇÃO DE PRESTADORES DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS: UM ESTUDO DE CASO NA INDÚSTRIA PETROLEIRA Renata de Albuquerque Figueiredo Dissertação submetida ao corpo docente do Instituto de Pós-Graduação em Administração COPPEAD da Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ, como parte dos requisitos necessários à obtenção do grau de Mestre. Aprovada por: Prof. - Orientador Paulo Fernando Fleury da Silva e Souza COPPEAD/UFRJ Prof. Cesar Gonçalves Neto COPPEAD/UFRJ Prof. Ronaldo Soares de Andrade COPPE/UFRJ Rio de Janeiro 2003

3 iii FICHA CATALOGRÁFICA Figueiredo, Renata de Albuquerque. Seleção e Contratação de Prestadores de Serviços Logísticos: um estudo de caso na Indústria Petroleira / Renata de Albuquerque Figueiredo. - Rio de Janeiro, ix, 143 f..: il. Dissertação (Mestrado em Administração) Universidade Federal do Rio de Janeiro UFRJ, Instituto COPPEAD de Administração, Orientador: Paulo Fernando Fleury da Silva e Souza. 1. Operadores Logísticos. 2. E&P Offshore - Teses. I. Silva e Souza, Paulo Fernando Fleury (Orient.). II. Universidade Federal do Rio de Janeiro. Instituto COPPEAD de Administração III. Título

4 iv Aos meus pais.

5 v AGRADECIMENTOS Aos meus pais, mestres tão queridos e respeitados, de quem tive o privilégio de receber atenção especial e exclusiva. Muita sorte minha ter o amor, a orientação e a paciência dos dois melhores educadores que já encontrei. Ao meu pai, especificamente, pela inspiração da área escolhida, pelos conselhos, pela paciência e pela co-orientação ágil e pertinente. À minha mãezinha, por respeitar meus horários de estudo, pelo incentivo permanente, pela ternura e pelos eventuais colos de mãe, que todo mestrando precisa. A ambos, pelo amor incondicional, pelo apoio constante em tudo que faço e pela ajuda financeira (que em breve, espero não ser mais necessária). À Tia Sandra, por aliviar a minha barra de vez em quando, pela visão menos cartesiana da vida e pelo carinho maternal extra que tenho recebido todos estes anos. Ao Bruno, pela compreensão, companheirismo e inesgotável carinho, sem os quais este período teria sido muito mais difícil. Obrigada por respeitar minha vontade de fazer o mestrado bem como o intercâmbio. Aos meus amigos e família por compreenderem meu sumiço e nunca me cobrarem nada, pelo contrário: o incentivo e a torcida pareciam maiores com o passar do tempo. Ao professor Fleury, pela orientação proveitosa e oportuna e pela disponibilidade de seu tempo sempre quando precisei. Aos professores César e Ronaldo, por aceitarem participar da banca e pelas certeiras contribuições. A todos do COPPEAD, por fazerem desta instituição um lugar tão especial e agradável para se estudar. Especialmente ao pessoal da Secretaria Acadêmica e Biblioteca, não tenho dúvida de que parte do mérito desta escola é de vocês. Por fim, à Petrobrás e à BSM Engenharia, mais especificamente ao Ricardo Lima, ao Plínio e ao Ariel, pelo tempo e pela disposição em compartilhar seu conhecimento e experiência. Este estudo não seria possível sem a colaboração de vocês.

6 vi RESUMO FIGUEIREDO, Renata de Albuquerque. Seleção e Contratação de Prestadores de Serviços Logísticos: um estudo de caso na Indústria Petroleira. Orientador: Paulo Fernando Fleury da Silva e Souza. Rio de Janeiro: UFRJ/COPPEAD, Dissertação (Mestrado em Administração). Esta dissertação relata um estudo exploratório realizado na maior empresa petrolífera nacional, a Petrobrás, sobre a prática de seleção e contratação de prestadores de serviços logísticos. O foco é a atividade de exploração e produção de petróleo, setor recentemente desregulamentado, prestes a se tornar bastante competitivo. Através da metodologia do estudo de caso, são abordadas questões relativas à política de terceirização logística da empresa, enfatizando elementos como os motivadores existentes, as vantagens e desvantagens percebidas e os principais fatores de seleção. O detalhamento de um recente caso de terceirização logística é apresentado, onde são examinados pontos relevantes do contrato e suas especificações, bem como o nível de relacionamento que está sendo estabelecido. As conclusões indicam que as alterações que estão sendo promovidas na prática de terceirização logística da Petrobrás, assim como seus motivadores, são os mesmos apontados pela literatura pesquisada: no intuito de se obter maiores ganhos de eficiência nas atividades logísticas, bem como serviços de melhor qualidade, a empresa está realizando modificações na forma de remuneração, no escopo e no prazo dos contratos, nas responsabilidades atribuídas, na forma de relacionamento entre as partes e no processo de seleção.

7 vii ABSTRACT FIGUEIREDO, Renata de Albuquerque. Seleção e Contratação de Prestadores de Serviços Logísticos: um estudo de caso na Indústria Petroleira. Orientador: Paulo Fernando Fleury da Silva e Souza. Rio de Janeiro: UFRJ/COPPEAD, Dissertação (Mestrado em Administração). This dissertation reports an exploratory study on the biggest petroleum company in Brazil, Petrobrás, and the transitional stage of its process of logistics outsourcing. The focus will be the upstream activity, sector that has been recently deregulated and it s expected to become very competitive in a short time. With the case study methodology, several variables are considered regarding Petrobrás selection and contract practices: motivational factors, perceived advantages and disadvantages, and the selection criteria. Additionally, a recent example of logistics outsourcing is presented in detail, where relevant aspects of the contract and its specifications are analyzed, as well as the kind of relationship that is being developed between Petrobrás and the logistics provider The study enabled us to identify that the changes that are being implemented by Petrobrás on its process of logistics outsourcing, as well as its motivations are the same found on the surveyed literature: with the target of obtaining higher operational efficiency and better services, the company is changing its compensation system, the contracts scope and length, the level of responsibilities that are being delegated, the kind of relationship that are being established and the selection process.

8 viii SUMARIO 1. Definição do Problema Objetivo Relevância do Estudo Delimitações do Estudo Organização do Estudo Apresentação do Setor Petrolífero e da Atividade de E&P Offshore 8 2. Revisão Bibliográfica Introdução A Terceirização de Serviços Logísticos Histórico e Motivadores Aspectos de Contratação A Indústria de Operadores Logísticos Surgimento e Conceituação Relacionamento com clientes Serviços oferecidos Atributos e Competências desejados pelos clientes Dimensões de segmentação de Operadores Logísticos A classificação de Sheffi (1990) A proposta de Aertsen (1992) O modelo de Africk (1994) A segmentação de Berglund (1999) A pesquisa de Costa et al (2001) O modelo de Persson (2001) Selecionando um Prestador de Serviços Logísticos Fontes de Informação sobre Potencias Provedores Request for Information e Request for Proposal Resumo e Esquema conceitual para análise do Caso Metodologia Perguntas da Pesquisa Tipo de Pesquisa Método de Coleta e Análise de Dados 68

9 ix 3.4. Limitações do Estudo Descrição do Caso Introdução Serviços para E&P Planejamento de Recursos Logísticos Evolução das contratações Motivadores, Vantagens e Desvantagens da Terceirização Terceirização X Realização das atividades logísticas Atributos e competências dos fornecedores Posse e especificidade de ativos O primeiro contrato no novo modelo O processo de seleção e a empresa ganhadora BSM Engenharia Prestador de Serviços Logísticos Selecionado Análise do Caso A Evolução e Motivadores da Terceirização Fatores de Seleção Atributos, Competências e Facilitadores Serviços Desejados Dimensões de Segmentação Fontes de Informação, RFI e RFP Aspectos da Contratação Definição de Expectativas Remuneração e Incentivos Estilo do contrato Acompanhamento da Contratação Medidas de Avaliação e Desempenho Comunicação e Fluxo de Informações Relacionamento Análise da BSM Engenharia Conclusões e Sugestões para pesquisas futuras 126 Referência Bibliográfica 131

10 x Anexo I 136 INDICE DE FIGURAS FIGURA 1: EVOLUÇÃO DA RECEITA MÉDIA ANUAL DE OPERADORES LOGÍSTICOS... 4 FIGURA 2: RESERVAS MUNDIAIS DE PETRÓLEO... 9 FIGURA 3: MODELO DE PARCERIAS FIGURA 4: ATIVIDADES LOGÍSTICAS AO LONGO DA CADEIA DE SUPRIMENTOS FIGURA 5: COMPETÊNCIAS LOGÍSTICAS DE MELHOR DESEMPENHO FIGURA 6: PRINCIPAIS FERRAMENTAS DE TI ADOTADAS POR OPERADORES LOGÍSTICOS FIGURA 7: MATRIZ DE SERVIÇOS FÍSICOS X SERVIÇOS DE GERENCIAMENTO FIGURA 8: MATRIZ DE PROPRIEDADE DOS ATIVOS FIGURA 9: SEGMENTAÇÃO DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS FIGURA 10: DIMENSÕES DE SEGMENTAÇÃO FIGURA 11: GRUPOS DE PROVEDORES DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS FIGURA 12: POSSÍVEIS RELACIONAMENTOS DE OPERADORES LOGÍSTICOS FIGURA 13: POSICIONAMENTO DE PROVEDORES DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS FIGURA 14: CLASSIFICAÇÃO POR ATIVOS E SERVIÇOS FIGURA 15: EVOLUÇÃO DAS FONTES DE INFORMAÇÃO SOBRE OPERADORES LOGÍSTICOS FIGURA 16: ESTRUTURA DA ÁREA DE TRANSPORTE E ARMAZENAGEM DE E&P DA PETROBRÁS FIGURA 17: PORTO DE IMBETIBA FIGURA 18: CATEGORIAS DA CARGA MOVIMENTADA EM IMBETIBA FIGURA 19: FLUXO DE MERCADORIAS MOVIMENTADAS PELA BSM ENGENHARIA INDICE DE QUADROS QUADRO 1: MAIORES CONSUMIDORES DE PETRÓLEO QUADRO 2: SEGMENTOS DE PROVEDORES DE SERVIÇOS LOGÍSTICOS QUADRO 3: DIFERENÇAS ENTRE OS GRUPOS ENCONTRADOS QUADRO 4: ESQUEMA CONCEITUAL QUADRO 5: MOTIVADORES DE TERCEIRIZAÇÃO LOGÍSTICA QUADRO 6: VANTAGENS E DESVANTAGENS DA TERCEIRIZAÇÃO LOGÍSTICA QUADRO 7: ATIVIDADES LOGÍSTICAS TERCEIRIZADAS QUADRO 8: ATIVIDADES LOGÍSTICAS REALIZADAS INTERNAMENTE QUADRO 9: ATRIBUTOS E COMPETÊNCIAS VALORIZADOS... 86

11 1. Definição do Problema 1.1. Objetivo O objetivo principal desta dissertação é analisar o processo de transição da prática de seleção e contratação de prestadores de serviços logísticos por parte da maior empresa petrolífera nacional, a Petrobrás, companhia estatal atuante na Indústria em todas as suas etapas. O estudo se concentrará na atividade de exploração e produção de petróleo, atividade esta que está passando por grandes mudanças no Brasil, devido à sua desregulamentação e à conseqüente entrada de novas empresas no mercado. Dessa forma, espera-se, em breve, que este setor se torne altamente competitivo e dinâmico, demandando das empresas envolvidas uma administração rigorosa e eficiente. Em decorrência disto, as operações logísticas já começaram a atrair as atenções, tanto de companhias já estabelecidas, como dos novos entrantes. O estudo aborda, principalmente, questões relativas à política de terceirização logística da empresa e a sua atual fase de transformação, através de elementos como os motivadores existentes, as vantagens e desvantagens percebidas e os fatores de seleção dos prestadores de serviços logísticos. Pretende-se verificar se a Petrobrás está consciente de suas necessidades, e se estas estão refletidas nas competências e nos atributos valorizados e exigidos dos provedores logísticos. Complementando esta análise, o detalhamento de um recente caso de terceirização logística é utilizado para ilustrar a nova filosofia de contratação que a Petrobrás vem tentando implementar. São examinados pontos relevantes do contrato e suas especificações, bem como o nível de relacionamento que está sendo estabelecido entre contratante e contratado. A empresa contratada neste exemplo, também é apresentada, no intuito de avaliar suas percepções e suas atitudes em relação ao novo desafio.

12 Relevância do Estudo A terceirização de atividades logísticas está sendo, cada vez mais, considerada como uma alternativa estratégica para as empresas que desejam reduzir seus ativos, otimizar seus custos, melhorar seus processos, ou ainda atender seus consumidores com melhores níveis de serviços. Para se ter uma idéia da magnitude do setor, segundo Boyson et al 1999) a contratação de provedores de serviços logísticos é uma realidade para 60% das 500 maiores empresas listadas pela revista Fortune. Além disso, muitas empresas estão se vendo obrigadas a concentrarem esforços nos seus negócios principais, ou core business, terceirizando assim, atividades de suporte e reavaliando seus processos logísticos. Esta prática, conseqüentemente, acaba por gerar enormes oportunidades para os provedores de serviços logísticos. De fato, Sink, (1997) observa que, apesar da compreensível relutância com a qual empresas abdicam de sua responsabilidade sob alguns produtos ou serviços promovedores de diferenciação e/ou geradores de vantagem competitiva, elas estão cada vez mais incentivando as capacitações de seus fornecedores externos para maximizar o poder e os benefícios destes mesmos produtos e serviços. O resultado é a crescente preferência pela terceirização de atividades e processos logísticos específicos, incluindo alguns que produzem vantagens competitivas. Sheffi (1990) acrescenta que ao atrair profissionais mais especializados e ao investir no desenvolvimento de softwares sofisticados, em comunicações, em procedimentos de controle e monitoramento, em projetos de roteirização, e em muitos outros aspectos do gerenciamento logístico, os fornecedores de serviços logísticos reforçam e solidificam sua capacitação e especialização. Esta situação é claramente percebida pelas firmas usuárias. A seguinte declaração de um executivo contratante é encontrada em Aersten (1992): A Logística é a competência central dos provedores logísticos. Assim, na contratação de uma dessas empresas, atividades que são importantes para você, são, na verdade, a especialidade delas.

13 3 As relações de terceirização, no entanto, vêm passando por grandes transformações nos últimos anos, evoluindo de negociações de funções de rotina, para atividades logísticas que requerem mais conhecimento e expertise estratégicos. Com estas mudanças, surgiu no mercado a classe dos Prestadores de Serviços Logísticos, caracterizados, principalmente, pela variedade do seu escopo de serviços, pelo grau de comprometimento com as necessidades de seus clientes e pela grande transferência de responsabilidades que ocorre entre contratado e contratante. Lieb (2000a) é um dos pesquisadores que sistematicamente vem colhendo dados sobre o setor. Com informações coletadas desde 1991, seus relatórios se constituem em um dos melhores históricos da evolução da Indústria, abordando tanto o ponto de vista dos usuários como das empresas provedoras. Em sua mais recente pesquisa com as empresas contratantes, 77% dos respondentes (oriundos da lista das 500 maiores empresas manufatureiras da revista Fortune) afirmaram serem usuários dos serviços de operadores logísticos. É interessante ressaltar que este percentual vem crescendo visivelmente, ao registrar 37% em 1991, 60% em 1995 e 69% em A abrangência das terceirizações também tende a crescer, na medida em que 75% dos usuários manifestaram a intenção de aumentar moderadamente ou substancialmente a contratação de serviços logísticos. Das pesquisas realizadas com os CEO s dos maiores operadores logísticos norteamericanos (Lieb, 2000b), pode-se acompanhar pela Figura 1, o evolutivo das receitas médias anuais dos operadores entrevistados.

14 4 FIGURA 1: EVOLUÇÃO DA RECEITA MÉDIA ANUAL DE OPERADORES LOGÍSTICOS Receita Média Anual - Operadores Logísticos Pesquisados Fonte: Lieb (2000b) É importante ressaltar que em 1999, as receitas variaram de US$ 147 milhões a US$ 5,5 bilhões (LIEB, 2000b). Estes números mostram o crescimento e a representatividade dos negócios geridos por estas empresas. No mundo, o segmento movimenta US$ 2,1 trilhões por ano, ou 16% do Produto Bruto Global, e no Brasil, apesar da falta de dados confiáveis, calcula-se que o segmento todo movimente até 16% do PIB, ou R$ 160 bilhões (Tecnologística, maio/2001). Devido à tardia preocupação com a logística e com todas as suas dimensões, essas mudanças ocorreram mais recentemente no País, com a estabilização econômica, a abertura do mercado e as privatizações da infra-estrutura, sendo ainda enorme o potencial para o aprimoramento das atividades logísticas. De acordo com dados da Tecnologística (maio/2001), a magnitude e a crescente importância desse setor fazem com que o número de operadores logísticos no país aumente na razão de aproximadamente 5% ao mês. Os investimentos do setor têm sido expressivos, principalmente em infra-estrutura de armazenagem, que tem crescido 20% ao ano, segundo estimativas dos próprios operadores logísticos (Tecnologística, maio/2001).

15 5 Uma das Indústrias que vem recebendo mais investimentos e se tornando alvo de grande interesse por parte dos prestadores de serviços logísticos é a atividade de extração de petróleo. Desde a desregulamentação do setor e a concessão de exploração das reservas brasileiras às empresas privadas, a cadeia de fornecimento de bens e serviços da atividade voltou sua carga para novos investimentos (Gazeta Mercantil, p.3, julho/2001). De fato, os dados são promissores. Hoje, a exploração é uma tarefa entregue a 35 novas empresas, sendo 29 estrangeiras e 6 brasileiras Os investimentos previstos nesta atividade para os próximos 10 anos, são da ordem de U$100 bilhões, e há uma expectativa de crescimento da produção nacional de aproximadamente 60% (Revista Exame, janeiro/2001). Outro indicador relevante, foi a duplicação da participação da indústria petrolífera no PIB nacional, que passou de 2,7% em 1997, para 5,4% em 2000, o que, em valores, representa a movimentação de R$ 52,6 bilhões (O GLOBO, 24/03/2002). No centro deste notável desenvolvimento, está o segmento offshore, ou seja, operações de exploração e produção (E&P) realizadas em regiões marítimas. Esta atividade cresceu 38,4% entre os anos de 1997 e 2000, e receberá a maioria dos investimentos das novas entrantes no mercado (O GLOBO, 24/03/2002). Segundo Zamith (1999), a peculiaridade da exploração de reservas offshore, exige condições de operação especialmente difíceis e constante desenvolvimento tecnológico, tanto para a redução de custos, como para responder aos novos desafios. Ao mesmo tempo, Zamith (1999) observa que a maior parte do que é realizado hoje na indústria do Petróleo depende da participação das empresas fornecedoras de bens e serviços, como, por exemplo, os levantamentos geofísicos, a construção e pré-operação de unidades de produção, os serviços de transporte e logística, entre outros.

16 6 Sendo assim, aproveitando-se deste crescimento, as empresas brasileiras fornecedoras de bens e serviços estão se preparando para garantirem para si uma fatia dos negócios que estão nascendo e crescendo à sombra da intensa atividade petrolífera. É o caso, por exemplo, da empresa Vitória Offshore Logistic (VOL), localizada em Vilha Velha (ES), que investiu US$ 3 milhões na sua base, para as operações de apoio logístico às atividades offshore de prospecção, exploração e produção das companhias petrolíferas (www.vollogistics.com.br). Na cidade do Rio de Janeiro, por sua vez, foi inaugurada uma base logística também voltada para as cargas que terão que ser transportadas para os campos de petróleo da Bacia de Campos. O terminal Porto Novo recebeu investimentos da ordem de R$ 3 milhões (Portos e Navios, março/2002). Em reportagem intitulada Cresce a concorrência pela prestação de serviços às petroleiras, a Gazeta Mercantil (01/07/2002) noticia a criação de outra nova empresa voltada para este setor, a Brasil Supply, fruto da associação da Cotia Trading e da BR Distribuidora e constituída com capital inicial de R$ 4 milhões. Além de investimentos em infra-estrutura portuária, o estado do Rio de Janeiro comportará o primeiro aeroporto cargueiro do país voltado para o mercado de petróleo e gás, na cidade de Cabo Frio. (Gazeta Mercantil, p.3, maio/2002). Neste estado, também será inaugurada a rodovia do petróleo, facilitando o acesso à cidade petrolífera de Macaé (Revista Power, p.19, nº 13). Pode-se perceber, portanto, que a busca pela otimização e eficiência desta atividade no Brasil, através de serviços logísticos especializados, começa a despertar interesse, pelo seu grande potencial, à medida que o País está sendo considerado a mais nova fronteira de petróleo disponível no mundo (Revista Exame, janeiro/2001).

17 Delimitações do Estudo O presente trabalho se limita a estudar o momento atual tanto do setor de E&P como do setor de prestadores de serviços logísticos, não podendo ser utilizado como indicação para o futuro. É importante ressaltar que o dinamismo de ambos os setores, no país e no mundo, bem como as políticas governamentais para com o petróleo e a Petrobrás podem modificar radicalmente o quadro atual. Em relação à prática de seleção e contratação de prestadores de serviços logísticos da Petrobrás, não é intenção deste estudo avaliar a qualidade das decisões tomadas, mas sim os critérios utilizados, bem como o processo decisório Organização do Estudo Este trabalho está dividido em 6 capítulos. Após este capítulo inicial que será finalizado com uma breve introdução à indústria do petróleo e das atividades de E&P, será apresentada uma revisão da literatura internacional e nacional existente sobre os principais temas em questão. O resultado é um conjunto de referências teóricas, que agrupadas de acordo com os objetivos deste estudo, irão fornecer o arcabouço conceitual para a análise dos dados coletados. O terceiro capítulo versa sobre a escolha da metodologia. É apresentado o método de pesquisa selecionado para a realização do trabalho, o estudo de caso, discutindo-se suas vantagens e desvantagens. Em seguida, é feita referência aos métodos de coleta de dados, bem como as limitações do estudo. No quarto capítulo serão descritos os resultados da pesquisa, provenientes tanto de fontes secundárias, como das entrevistas com as empresas selecionadas. A análise desses dados é feita no quinto capítulo, à luz do referencial teórico exposto anteriormente e das perguntas da pesquisa.

18 8 O sexto e último capítulo, contém as conclusões e as recomendações para futuras pesquisas no campo da seleção e da contratação de prestadores de serviços logísticos no Brasil Apresentação do Setor Petrolífero e da Atividade de E&P Offshore O objetivo desta seção é apresentar uma visão geral da Indústria do Petróleo, das reservas mundiais, bem como das recentes mudanças do mercado nacional. Além disso, as principais características da atividade de E&P offshore e de seus prestadores de serviços serão apontadas para que suas peculiaridades sejam explicitadas e compreendidas. Panorama Mundial da Indústria Petrolífera Atualmente, o petróleo representa 63% de toda a energia primária consumida e sua importância em termos mundiais pode ser avaliada pelo volume de recursos que movimenta anualmente. Somente a receita operacional líquida dos 31 maiores grupos petrolíferos somou em 1996 quase um trilhão de dólares. (BNDES, Informe Infra- Estrutura, nº 21) Os choques de 1973 e 1979 foram demonstrações claras do conteúdo estratégico que o petróleo adquiriu e seu principal efeito foi o de quebrar a trajetória de estabilidade de preços do produto. Seu alto preço, no entanto, tornou possível a abertura de novas fronteiras de exploração, em especial no mar e em regiões de custos de produção mais elevados, como por exemplo os campos do Mar do Norte, do Alasca e de outras áreas nos países em desenvolvimento. No mundo, as reservas provadas de óleo estão concentradas em poucos países, uma vez que 90% são encontradas em 12 países. Regionalmente, as reservas mundiais apresentam a seguinte distribuição:

19 9 FIGURA 2: RESERVAS MUNDIAIS DE PETRÓLEO 100% Reservas Mundiais por Região 80% 60% 65,3% 40% 20% 11,7% 7,1% 6,4% 4,2% 3,4% 1,9% 0% Oriente M édio América Latina Africa Ex-URSS Asia e Pacífico América Norte (s/ México) Europa Fonte: BP Statistical Review of World Energy 2000 Da análise da distribuição regional das reservas conclui-se que os países industrializados possuem poucas reservas, relativamente aos respectivos níveis de consumo. De fato, os EUA, a Europa Ocidental e o Japão são responsáveis por 72% das importações mundiais, sendo que os EUA importam 60,6% de seu consumo de óleo, a Europa Ocidental importa cerca de 56% e o Japão 100%. Sendo assim, o suprimento destes países depende enormemente do aproveitamento das reservas localizadas nas regiões menos desenvolvidas - Oriente Médio e América Latina - que juntas possuem 77% das reservas mundiais provadas. Na América Latina, as principais reservas encontram-se no México e Venezuela. Neste contexto, o Brasil possui reservas provadas de 1,1 bilhão de toneladas de óleo, representando 0,8% das reservas mundiais. Este volume garantiria para o País cerca de 13 anos de suprimento. Apesar de suas reservas modestas, o país possui uma matriz energética diversificada e não tão dependente do petróleo, encontrando-se, portanto, em posição menos vulnerável do que aqueles cujas economias têm no petróleo sua principal fonte. O ranking dos países produtores não se diferencia muito da classificação por reservas provadas, à exceção dos EUA, que apesar do constante declínio de suas reservas

20 10 (equivalente a somente 4 anos de consumo), detém o segundo lugar, com 9,8% da produção, sendo a Arábia Saudita o primeiro (12,3%). O Brasil produz anualmente cerca de 63,5 milhões de toneladas, cerca de 1,8% da produção mundial. Já sob o ponto de vista do volume consumido, a classificação dos países se modifica radicalmente, e constata-se que treze países são responsáveis por quase 70% de todo o volume consumido no mundo, dentre eles o Brasil: Quadro 1: Maiores Consumidores de Petróleo MAIORES CONSUMIDORES País Consumo (milhões de toneladas) % Consumo Mundial 1 USA 897,4 25,6 2 Japão 253,5 7,2 3 China 226,9 6,9 4 Ex-URSS 173,1 5,0 5 Alemanha 129,5 3,7 6 Coréia do Sul 101,8 2,9 7 India 97,6 2,8 8 França 95,1 2,7 9 Itália 93 2,7 10 Brasil 84,4 2,4 11 México 84,3 2,4 12 Canadá 82,9 2,4 13 Reino Unido 77,6 2,2 Subtotal 2.397,1 69,0% Total 3.503,6 100,0% Fonte: BP Statistical Review of World Energy 2000 O Setor Petrolífero Brasileiro A baixa participação do Brasil nas reservas mundiais é compensada pelo fato de que enquanto as reservas provadas mundiais, nos últimos dez anos, permaneceram estáveis ao redor de 140 bilhões de toneladas ou 1 trilhão de barris, o Brasil, no mesmo período, triplicou suas reservas comprovadas, passando de 3 bilhões de barris para 9 bilhões ao final de Além disso, com todos os investimentos esperados para os próximos 5 anos, a expectativa é de que as reservas medidas cresçam para 13 bilhões de barris (Revista Exame, janeiro/2001).

21 11 Este notório crescimento foi resultado dos pesados investimentos em E&P, realizados pela estatal Petrobrás, que atingiram a média de US$ 2 bilhões anuais de 1980 a O esforço para diminuir o grau de dependência de importações, após os choques de 1973 e 1979, produziu resultados com as descobertas, pela Petrobrás, de petróleo no mar e com o desenvolvimento tecnológico nacional para a exploração em águas profundas, que transformou definitivamente o panorama da produção de petróleo no País. Já nos últimos anos, a média de investimentos em E&P tem sido ampliada, passando de R$ 3,7 bilhões em 1997 para R$ 5,3 bilhões em 2000, atingindo a admirável quantia de R$ 7,2 bilhões em A produção também apresenta índices de crescimento consideráveis, passando de 669 mil barris diários em 1997, para 1,3 milhão em 2000 (O GLOBO, 24/03/2002, p.37). Mas talvez a maior transformação já ocorrida no setor tenha sido a sua desregulamentação, que, após 45 anos de monopólio estatal nas áreas de exploração e refino, abriu o mercado para a participação de outras empresas. A Petrobrás então, deixou de ter a incumbência de explorar sozinha as 29 bacias sedimentares conhecidas, em uma manobra realizada para atrair grandes injeções de capital, necessárias para viabilizar o incremento da produção e o desenvolvimento da Indústria. Após um ano da Lei do Petróleo ter sido editada, em agosto de 1997, a recém criada ANP - Agência Nacional de Petróleo, anunciou as áreas que seriam mantidas como concessão da Petrobrás e aquelas que ficariam com o Poder Concedente para futuras licitações. A ANP permaneceu com 92,9% da área total das bacias sedimentares, e já promoveu, desde 1999, três leilões que totalizaram a assinatura de 67 contratos de concessão. O ágio médio registrado de aproximadamente % em cada um dos leilões, e a apressada inscrição de 27 empresas já em março de 2002, para o quarto leilão, previsto para junho do mesmo ano, demonstram o clima de entusiasmo criado com a abertura do território brasileiro. O potencial das reservas é o principal chamariz, uma vez que estas

22 12 permanecem praticamente inexploradas, com apenas 9% das bacias tendo sido licitadas. (O GLOBO, 24/03/2002, p.37). Do total de investimentos previstos para os próximos 10 anos neste setor, 85% serão destinados à atividade de Exploração e Produção (E&P) de petróleo. Características da Atividade de E&P Marítima (Offshore) A indústria petrolífera é considerada como de capital-intensivo, caracterizando-se por riscos geológicos e de mercado muito elevados. Indústrias desse tipo necessitam de perfeita coordenação entre os ritmos de produção e de consumo, para que os riscos sejam reduzidos e as reservas do subsolo valorizadas (FIGUEIREDO, 1998). A sua competitividade é garantida pela integração vertical e pelo volume dos negócios. A participação de uma empresa nas diversas atividades da cadeia produtiva tem por objetivo aumentar o seu grau de controle sobre o processo, de forma a reduzir o risco associado à queda do faturamento e à vulnerabilidade de suprimento de matéria-prima. Na indústria do petróleo, a verticalização significa a presença tanto nas atividades upstream (Exploração e Produção E&P) como downstream (Refino e Distribuição), permitindo garantia de suprimento de petróleo, economias de escala pelo aumento do porte da empresa, maior valor agregado pelas atividades e diversificação de investimentos (FIGUEIREDO, 1998). A atividade de exploração e produção da indústria de petróleo, denominada segmento upstream, abrange as áreas de prospecção de jazidas, desenvolvimento de reservas e produção de petróleo e gás natural. Cada campo, ou grupo de campos de petróleo se constitui em uma unidade de extração, cuja vida útil e volume produzido dependem das características do reservatório. As atividades de pesquisa e desenvolvimento de reservas caracterizam-se pelo uso intensivo de capital e elevado risco de insucesso econômico. Essas características refletem-se na busca da maximização da eficiência operacional na pesquisa exploratória, na perfuração e também na fase de produção, por meio da

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