7ª Semana de Licenciatura Educação Científica e Tecnológica: Formação, Pesquisa e Carreira De 08 a 11 de junho de 2010

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1 7ª Semana de Licenciatura Educação Científica e Tecnológica: Formação, Pesquisa e Carreira De 08 a 11 de junho de 2010 A IMPORTÂNCIA DO BRINQUEDO NO PROCESSO EDUCATIVO DA CRIANÇA Eder Mariano Paiva Filho Resumo Universidade Federal de Goiás - Campus Jataí O brinquedo é essencial não só no divertimento da criança como também na educação da mesma. O divertimento através do brinquedo traz para a criança prazer e fuga da realidade. Na educação o brinquedo gera aprendizagem, desenvolvimento da imaginação, percepção, desenvolvimento cognitivo, entre outros. Porém, para o brinquedo se tornar educativo é necessário a intervenção de um adulto no manuseio do mesmo, pois sem o auxílio de um adulto o brinquedo perde todo seu valor educativo, uma vez que, a criança sozinha não consegue entender e compreender o modo de utilizar e a real importância do brinquedo. Os adultos têm como obrigação fazer do brinquedo um instrumento de aprendizagem, tornando-o educativo. No brincar, com o brinquedo ou não, a assimilação predomina e a criança incorpora o mundo à sua maneira sem nenhum compromisso com a realidade, interações face a face com uma ou mais pessoas são desenvolvidas, orientando os comportamentos cognitivos e simbólicos. Neste sentido, brincar é parte ativa, agradável e interativa do desenvolvimento intelectual da criança. O ideal é enfatizar o brinquedo como material motivador e fundamental para o treino de habilidades cognitivas, verbais e sociais. Com o brinquedo as crianças dão significado as suas vidas. Palavras-chave: Brinquedo, Criança, Educação Área Temática: Linguagem e cognição no ensino-aprendizagem Introdução A evolução da atividade lúdica está intimamente relacionada com todo o desenvolvimento da criança. Da evolução da utilização do brinquedo só se pode falar depois de se terem formado as coordenações sensório-motoras fundamentais que oferecem a possibilidade de manipular e atuar com os objetos. Sem saber sustentar um objeto na mão é impossível qualquer ação com ele, incluindo a lúdica. A primeira metade do primeiro ano de vida transcorre integralmente com uma formação adiantada dos sistemas sensoriais (ELKONIN, 1998). Ainda de acordo com o autor acima citado, é fundamental que os pais mostrem diversos brinquedos para as crianças, uma vez que, é de fundamental importância o ato de apreender diversos objetos com a subsequente sujeição, apalpação e contemplação simultânea dos mesmos, pois, durante esse processo se constituem as ligações entre a imagem reticular do objeto e suas verdadeiras dimensões, forma e distância. Desse modo se estabelecem as bases da percepção tridimensional dos objetos. Página 264

2 Para a criança compreender a importância do brinquedo, é aconselhável que os pais ensinem a manusear brinquedo, é necessário haver uma comunicação emocional entre pais e filhos. A qualidade da brincadeira das crianças com o uso do brinquedo se desenvolve na atividade conjunta com adultos, uma vez que, são os adultos que darão auxílio, que farão de modo planejados o manuseio do brinquedo e em seguida estimulam e controlam a evolução de sua formação e execução. A criança necessita de um adulto para desenvolver suas percepções e ações motoras. Justificativa A presente pesquisa se justifica ao passo em que se busca identificar a real importância do brinquedo no processo educativo da criança e como conseguir que esse brinquedo seja positivo, educativo para a criança, pois se sabe que não é simplesmente dando um brinquedo à criança que ela irá conseguir alcançar os objetivos do brinquedo educativo, é necessário a intervenção de um adulto e escolha certa do brinquedo. Os brinquedos podem ser definidos de duas maneiras, em relação a brincadeira, onde o brinquedo é aquilo que é utilizado como suporte numa brincadeira, e o sentido de objeto lúdico só lhe é dado por aquele que brinca enquanto a brincadeira perdura, ou em relação a uma representação social, onde o brinquedo é um objeto industrial ou artesanal reconhecido como tal em função de aspecto, função, utilizado ou não numa situação de brincadeira onde ele conserva seu caráter de brinquedo. O brinquedo na representação social pode ser considerado como uma mídia que transmite à criança certos conteúdos simbólicos, imagens e representações produzidas pela sociedade que a cerca. Com o brinquedo, a criança constrói suas relações com o objeto, relações de posse, de utilização, de abandono, de perda, de desestruturação, que constituem os esquemas que ela reproduzirá, com outros objetos na sua vida futura. Tratase realmente de um objeto com forte conteúdo simbólico. Para as crianças mais velhas, o brinquedo propõe uma imagem da sociedade ou papéis sociais. Através do brinquedo, a criança entra em contato com um discurso cultural sobre a sociedade, como é feito, ou foi feito, nos contos, nos livros, nos desenhos animados. A especificidade do brinquedo está no fato de ter volume, de propor situações originais de apropriação e, sobretudo, em convidar à manipulação lúdica. O brinquedo é mais que uma necessidade, é reconhecido, por muitos autores, como essencial no divertimento e na educação. A manipulação de brinquedos permite, ao mesmo tempo, manipular os códigos culturais e sociais e projetar ou exprimir, por meio do comportamento e dos discursos que o acompanham, uma relação individual com esse código. O brinquedo é testemunha da Página 265

3 importância da interação, do que se passa entre o objeto e o ator. Mas falemos também da criação desse brinquedo tão importante no desenvolver educativo da criança. Segundo Benjamim (2002) os brinquedos em sua origem não foram fabricados de forma especializada, eram brinquedos simples que eram comprados com entalhadores, marceneiros, fundidores entre outros, eram brinquedos únicos, todos com sua particularidade, pois eram feitos por encomenda. Esses brinquedos tinham a alma dos fabricantes, eram peças únicas, com beleza e estilo próprio. Entendemos que a história do brinquedo é muito mais importante do que se pode imaginar, ele é essencial na vida da criança, no eu desenvolvimento e no seu caráter. Durante muito tempo o brinquedo foi um objeto de produção em que a arte e a beleza predominavam, mas com o tempo, os brinquedos tornaram-se industrializados e perderam dos primeiros a serem produzidos. Sua importância, porém, não diminuiu, sua produção cresceu, e as crianças enfim puderam ter sua própria estante de brinquedos separados de livros e objetos decorativos. Os brinquedos puderam ser reconhecidos como objetos essenciais para toda a vida da criança, onde telo fazia parte de um ritual que começava no nascimento e terminava na adolescência, o brinquedo como material motivador é fundamental para o treino de habilidades cognitivas, verbais e sociais. Batendo, apalpando ou virando um objeto, a criança está tentando defini-lo pelo seu uso. Se durante a exploração, obtém um resultado inesperado, sua tendência é reproduzi-lo através de movimentos que o provocaram. Esse tipo de comportamento, segundo Piaget (1975), caracteriza o surgimento das primeiras condutas inteligentes, pois a criança começa a desenvolver e a combinar esquemas com meios e fins. Para ela, o contato com o objeto já não consiste em um simples exercício do esquema, mas na compreensão do objeto em si e sua relação com ela mesma. A criança dominará a qualidade dos objetos, somente através de sua relação com eles. Ela tem de experimentar, sentir, cheirar, ouvir e manipular os objetos até que os conheça tão bem que não necessite mais tê-los fisicamente presentes para saber como são e como se comportarão em grande variedade de circunstâncias. Significa que a criança progride da necessidade de experimentar alguma coisa para a habilidade de pensar sobre ela. De acordo com Zimmermann e Calovini (1971), o brinquedo deve ser atraente, bem construído, seguro, não tóxico e, sobretudo, desafiador. Acrescentaria, além disso, que ele deve estimular a curiosidade e a imaginação da criança, levando-a a descobrir coisas novas e diferentes e fantasiar sobre elas. Para isso não é necessário que este brinquedo seja sofisticado, eletrônico, automático ou de controle remoto. O ambiente é de suma importância Página 266

4 para a criança. Livre para explorar, de acordo com seu ritmo, e o fato de autocontrolar suas atividades, o ambiente a encoraja a uma série de descobertas e lhe dá respostas imediatas. Segundo Benjamim (2002), O brinquedo, mesmo quando não imita os instrumentos dos adultos, é confronto, e, na verdade, não tanto da criança com os adultos, mas destes com a criança. Pois quem senão o adulto fornece primeiramente à criança os seus brinquedos? E embora reste a ela certa liberdade em aceitar ou recusar as coisas, não poucos dos mais antigos brinquedos (bola, arco, roda de penas, pipa) terão sido de certa forma impostos à criança como objetos de culto, os quais só mais tarde, e certamente graças à força da imaginação infantil, transformaram-se em brinquedos (p. 96). Para Vygotsky (1967), há dois aspectos importantes no brincar: a situação imaginária e as regras. A situação imaginária criada pela criança preenche necessidades que mudam de acordo com a idade. Um brinquedo que interessa a um bebê não interessa a uma criança mais velha, por exemplo. As regras presentes no brincar não são regras explícitas, mas que a própria criança cria. A utilização do jogo simbólico ou de faz-de-conta é outro recurso de grande valia, pois, proporciona um maior desenvolvimento cognitivo e social à criança. Resultados O brinquedo na representação social pode ser considerado como uma mídia que transmite à criança certos conteúdos simbólicos, imagens e representações produzidas pela sociedade que a cerca. Com o brinquedo, a criança constrói suas relações com o objeto, relações de posse, de utilização, de abandono, de perda, de desestruturação, que constituem os esquemas que ela reproduzirá, com outros objetos na sua vida futura. Tratase realmente de um objeto com forte conteúdo simbólico. O divertimento através do brinquedo traz para a criança prazer, divertimento, fuga da realidade. Na educação o brinquedo gera aprendizagem, desenvolvimento da imaginação, percepção, desenvolvimento cognitivo, entre outros (BROUGERE, 2004). O brinquedo também proporciona a socialização das crianças, é um intermediário pra seu desenvolvimento em grupo. Os adultos têm como obrigação fazer do brinquedo um instrumento de aprendizagem, tornando-o educativo. Apesar de o brinquedo ser considerado educativo, o mesmo não pode ser considerado de todo educativo (BROUGERE, 2004). Para o brinquedo se tornar educativo é necessário a intervenção de um adulto no manuseio do mesmo, pois sem auxílio de um adulto o brinquedo perde esse valor, uma vez que, a criança sozinha não consegue entender e compreender o modo de utilizar e a real importância do brinquedo. Página 267

5 Através do brinquedo, a criança, se situa no universo do consumo, respondendo as solicitações que lhes são destinadas. Desde muito cedo o brinquedo é escolhido pela criança e os pais dão continuidade à escolha de seus filhos. O brinquedo também pode ser objeto de investimento afetivo, de exploração e de descobertas. É a experiência das múltiplas relações sociais que são possíveis de construir com o objeto. É legítimo estudar também as dimensões de socialização do brinquedo, independentemente das interações lúdicas, que variam segundo as idades e as situações. Acredita-se que o brinquedo é um objeto que reproduz valores e conceitos de uma sociedade. Ele é o parceiro da criança na brincadeira. A manipulação do brinquedo leva a criança à ação e representação, a agir e imaginar. Para Piaget (1951), o jogo utilizando o brinquedo é fator de grande importância no desenvolvimento cognitivo. O conhecimento não deriva da representação de fenômenos externos, mas sim, da interação da criança com o meio ambiente. O processo de acomodação e assimilação é o meio pelo qual a realidade é transformada em conhecimento. No brincar, a assimilação predomina e a criança incorpora o mundo à sua maneira sem nenhum compromisso com a realidade, interações face a face com uma ou mais pessoas são desenvolvidas, orientando os comportamentos cognitivos e simbólicos. Neste sentido, brincar é parte ativa, agradável e interativa do desenvolvimento intelectual da criança. Nowak (1994) analisa como o jogo simbólico ou faz-de-conta contribui para o desenvolvimento cognitivo. Cognição criatividade, substituição, expressão, socialização, entre outros, são atribuídas a esse tipo de jogo. A brincadeira com cartas pode ser um precursor do desenvolvimento da leitura, uma habilidade cognitiva. A função criativa é demonstrada pelos papéis e características do que ocorrem ao longo da brincadeira, lembrando que esse tipo de brincadeira deve sempre ser orientada por um adulto para que a brincadeira tenha seus objetivos educativos alcançados, podendo o adulto interferir no tipo de brincadeira com cartas e jogos simbólicos para que o desenvolvimento desses jogos e brincadeiras não desvie dos objetivos educativos. No jogo simbólico a criança expressa medos e preocupações e representa emoções observadas na vida real, começa e termina a construção e organização de seu mundo, forma e reforma a realidade de acordo com suas necessidades e vontades próprias. A criança percebe o objeto não da maneira como ele é, mas como desejaria que fosse, ela lhe confere um novo significado, muitas vezes representando algo acontecido em sua realidade. Assim, o jogo simbólico é um elemento necessário ao desenvolvimento intelectual e emocional da criança. Os jogos de memória também são imprescindíveis no desenvolvimento intelectual da criança, devendo sempre obedecer a idade das crianças para este tipo de jogo seja executado por elas. Página 268

6 Ao fim da pesquisa chega-se ao resultado de que um dos principais fatores que influenciam rendimento no processo educativo da criança é a intervenção do adulto na brincadeira da criança com o brinquedo. O brinquedo não tem finalidades educativas concretas sem a ajuda de um adulto ao ser manuseado pela criança. Existem basicamente dois tipos de brinquedos utilizados pela criança, o brinquedo que na verdade seria um objeto qualquer utilizado pela criança para brincar dando outro nome e sentido a esse objeto, e existe o brinquedo industrial, que seria o brinquedo propriamente dito, o fabricado com sentido e nome próprio. Conclusões O brinquedo é essencial não só no divertimento da criança como também na educação da mesma. O divertimento através do brinquedo traz para a criança prazer e fuga da realidade. Na educação o brinquedo gera aprendizagem, desenvolvimento da imaginação, percepção, desenvolvimento cognitivo, entre outros. Porém, para o brinquedo se tornar educativo é necessário a intervenção de um adulto no manuseio do mesmo, pois sem o auxílio de um adulto o brinquedo perde todo seu valor educativo, uma vez que, a criança sozinha não consegue entender e compreender o modo de utilizar e a real importância do brinquedo. A evolução da atividade lúdica está intimamente relacionada com todo o desenvolvimento da criança, no entanto, é fundamental que os pais mostrem diversos brinquedos para as crianças, uma vez que, é de fundamental importância o ato de apreender diversos objetos com a subsequente sujeição, apalpação e contemplação simultânea dos mesmos, pois, durante esse processo se constituem as ligações entre a imagem reticular do objeto e suas verdadeiras dimensões, forma e distância. Conclui-se que o fato de dar um brinquedo à criança não quer dizer que ela irá conseguir alcançar os objetivos do brinquedo educativo, pois é necessária a intervenção de um adulto e escolha certa do brinquedo. O adulto tem papel fundamental em todo o processo educativo da criança, mesmo quando esse processo se faz com brinquedos, uma vez que, é o adulto quem deve orientar a criança na utilização do brinquedo e fará a escolha do brinquedo para a criança, sem um adulto para orientar no manuseio do brinquedo, o mesmo perde todo seu valor educativo. Com o brinquedo, a criança constrói suas relações com o objeto, relações de posse, de utilização, de abandono, de perda, de desestruturação, que constituem os esquemas que ela reproduzirá, com outros objetos na sua vida futura. Trata-se realmente de um objeto com forte conteúdo simbólico, além disso, o brinquedo também proporciona a socialização das Página 269

7 crianças, é um intermediário pra seu desenvolvimento em grupo. Os adultos têm como obrigação fazer do brinquedo um instrumento de aprendizagem, tornando-o educativo. O brinquedo é um objeto que reproduz valores e conceitos de uma sociedade. Ele é o parceiro da criança na brincadeira. A manipulação do brinquedo leva a criança à ação e representação, a agir e imaginar. O jogo ou brinquedo são, portanto, fatores de comunicação mais amplos do que a linguagem, pois propiciam o diálogo entre pessoas/crianças de culturas diferentes. O ideal é enfatizar o brinquedo como material motivador e fundamental para o treino de habilidades cognitivas, verbais e sociais. Com o brinquedo as crianças dão significado às suas vidas. As pesquisas podem ajudar os adultos a entender os significados que as crianças dão as suas experiências nas diversas brincadeiras, como os jogos simbólicos, por exemplo, e a facilitar o brincar. Para traduzir a pesquisa em prática, é preciso definir os objetos do brincar, os processos de desenvolvimento e ou aprendizagem que desejam influenciar, o que exige constante observação dos resultados educativos da brincadeira. Referências bibliográficas BENJAMIM, Walter. Reflexões sobre a criança, o brinquedo e a educação. São Paulo, SP: Duas Cidades, BROUGÉRE, Gilles. Brinquedos e companhia. São Paulo, SP: Cortez, ELKONIN, Daniil B. Psicologia do jogo. São Paulo, SP: Martins Fontes, NOWAK, F.K. Can symbolic play prepare children for their future? Early Child Development and Care. Sep. Vol. 102, 63, PIAGET, J. A formação do símbolo na criança. Rio de Janeiro, RJ: Zahar Editores, PIAGET, J. O nascimento da inteligência na criança. Rio de Janeiro, RJ: Zahar Editores, VYGOTSKY, L. S. Play and its role in the mental development of the child. Soviet Psychology. 5, 18, ZIMMERMAN, L. D. e CALOVINI, G. Toys as learning material for preschool children. Exceptional children, 37, 38, 642, 654, Página 270

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