Danilo Munhoz Alves Corrêa Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio 1 - Introdução

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1 Sistema Modal de Transportes no Município do Rio de Janeiro: a modernização dos eixos de circulação na cidade carioca para a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e as Olimpíadas em Introdução Danilo Munhoz Alves Corrêa Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro - PUC-Rio Para a elaboração de sistema de transporte modal no Município do Rio de Janeiro que comporte eventos de grande porte como uma Copa do Mundo de Futebol e uma Olimpíada, os atuais problemas pelos quais passa o sistema de transporte urbano da cidade têm que ser pensados pelo poder instituído. Reordenar o espaço de circulação da cidade gerará transformações no espaço geográfico carioca e afetará os futuros investimentos na cidade, devido à logística pensada e materializada no seu território político-administrativo. A partir desta perspectiva, os olhos dos pesquisadores do espaço geográfico devem estar voltados para os futuros investimentos que serão realizados pelos gestores municipais que atinjam a rede de transporte da cidade, além de se entender a natureza das políticas públicas sobre a mobilidade urbana. Esses eventos vão trazer muitos investimentos para a cidade, principalmente em relação ao transporte, um quesito fundamental para os organizadores, tanto pela FIFA, órgão que conduz o futebol mundial, quanto ao COI (Comitê Olímpico Internacional). Deve-se, portanto, realçar a importância dos fatores econômicos na localização das vias e os fatores expressos em termos de custos desses investimentos. A fragmentação que ocorre na cidade em relação à oferta de transporte público também tem que ser considerada pelos gestores municipais, criando infraestrutura não só nos núcleos centrais e nos bairros de classes mais altas, como também em todo território carioca. Com esta percepção do espaço de circulação, entende-se a necessidade de verificação das relações entre os diferentes atores e agentes presentes no território da cidade do Rio de Janeiro. 1 1

2 O investimento que o município receberá para realização dos projetos transformará radicalmente o espaço geográfico do Rio de Janeiro, ora, tendo em vista que o espaço geográfico é composto segundo Milton Santos (1996) por sistemas de objetos e sistemas de ações, sendo estes indissociáveis. O sistema de objetos seria composto pelos objetos naturais, que alguns autores denominam como coisas e, os objetos fabricados pelo homem. Os sistemas de ações seriam inerentes ao indivíduo que ao criar um objeto é dotado de uma intencionalidade, para a prática de uma ação. Com isso em mente, podemos entender que o espaço carioca será modificado, com o intuito de atender as necessidades requeridas para a implementação de novas redes de transportes, resultando no melhoramento da locomoção dos habitantes e dos turistas. Tais modificações espaciais irão impactar diretamente nas transformações tanto nos aspectos físicos (os naturais e os não-naturais), quanto nos aspectos socioeconômicos. Assim, alguns locais do município se valorizarão com os investimentos, com possíveis novas moradias, melhoria nos aspectos socioeconômicos, urbanização e etc. lugares que antes não eram ocupados ou então quase não eram ocupados e desvalorizados serão modificados ou revitalizados. A logística pensada e materializada no território político-administrativo carioca tem que ser pensada como um todo. As relações de poder de cada região, zona ou bairro no município tem que ser enfatizada, para que não haja desigualdades, problemas em relação a impactos socioespaciais das possíveis intervenções, etc. Além disso, os futuros investimentos que serão realizados pelos gestores municipais com as parcerias privadas, caberão contrapartidas de cada lado, visando o melhor pra cada um. Ocorrendo uma disputa de como será o trajeto, por qual local deverá passar, qual local será mais vantajoso financeiramente, podendo deixar de lado as melhores soluções para atender o maior número de pessoas. Faz-se necessário entender como se dão essas relações de poder nos territórios e definir o que é esse conceito tão amplo. Neste artigo nos deteremos à noção de território de Marcelo Lopes de Souza e Rogério Haesbaert. É necessário 2 2

3 explicitar também que como é um artigo em fase inicial, só se pretende discutir como se dá essa relação de poder inicialmente sem apontar quem possui maior ou menor contribuição no território. A análise segundo o autor Marcelo Lopes de Souza, onde o mesmo faz uma abordagem interessante sobre o conceito de território e para tentarmos desvincular o território apenas como o território do Estado-nação, mas mostrando que há várias formas de território, de territorialidades por diferentes grupos sociais. Inicialmente o autor coloca o fato de que todo o território mantém relações de poder. Podemos ver isto nesse trecho de Souza (2001): O território, objeto deste ensaio, é fundamentalmente um espaço definido e delimitado por e partir de relações de poder. A questão primordial é saber quem domina ou influencia esse espaço. Posteriormente o autor nos alerta para a questão de como entender esse conceito de poder, que também é bastante amplo. Na verdade há uma confusão no que realmente seja o conceito de poder, já que o poder não é de um indivíduo, o poder na verdade é garantido por certo número de indivíduos que investiram nessa pessoa e permitiram que atuassem em seu nome. Se há violência para manter esse poder é porque o poder já está abalado. Tendo isto posto, é possível falar agora em território, O território não existe apenas com a sua base material, o que realmente faz com que o território exista são as relações sociais que são estabelecidas dentro desse território, nesse sentido, há diferentes territorialidades, que se criam, recriam, acabam. Por muito tempo discorreu a falar de território só no âmbito político, esquecendo que, antes de tudo, o território é construído socialmente e é nesse enfoque que Lopes focaliza seu texto. Rogério Haesbaert faz uma introdução sobre a amplitude do conceito território, que tem sido empregado livremente sem se fazer uma referência adequada sobre qual território está se apontando. Na Geografia, área que nos interessa, só para se ter noção de tal amplitude, o território tem seis definições, onde o autor em síntese colocou três vertentes básicas, a saber, político, cultural e 3 3

4 econômica. Neste artigo nos deteremos às definições de território político e econômico. Segundo Haesbaert (2004) a definição: - política (referida às relações espaço-poder em geral) ou jurídico-política (relativa também a todas as relações espaço-poder institucionalizadas): a mais difundida, onde o território é visto como um espaço delimitado e controlado, através do qual se exerce um determinado poder, na maioria das vezes mas não exclusivamente relacionado ao poder político do Estado. - econômica (muitas vezes economicista): menos difundida, enfatiza a dimensão espacial como fonte de recursos e/ou incorporando no embate entre classes sociais e na relação capital-trabalho, como produto da divisão territorial do trabalho, por exemplo. A partir das definições de território apresentadas acima pode-se perceber nitidamente uma correlação entre os agentes que contribuem para a construção do espaço geográfico carioca. Ora, no aspecto econômico vislumbra-se a ação da dos moradores de cada área do município, na tentativa de maximização dos ganhos a partir da (re) estruturação do território em si. Já no aspecto político, passa a existir uma maior participação da prefeitura do município na tentativa de se auto-afirmar como gestora do espaço municipal sem prestar conta à população e o possível embate com o poder privado nas futuras construções e no planejamento urbano. 3 - Objeto de estudo O objeto de estudo deste presente trabalho é o sistema de transporte do município do Rio de Janeiro e a sua utilização pela população. Estudar as transformações da malha de transporte e a sua logística, visando aos futuros eventos que ocorrerão na cidade do Rio de Janeiro. 4 - Objetivo O principal objetivo da pesquisa é analisar a natureza dos investimentos da gestão municipal do Rio de Janeiro em relação ao sistema de transporte, visando a Copa do Mundo de Futebol em 2014 e as Olimpíadas em 2016, identificando os impactos socioespaciais das possíveis intervenções no espaço, que afetarão a população da cidade e de outros municípios da Região Metropolitana. Projetos 4 4

5 considerados estratégicos pelas autoridades e pelo Comitê Organizador Local (COL), como o Arco Metropolitano, que criará um cinturão de comunicação de 145 Km entre as principais vias do estado facilitando, a expansão do Metrô com a construção da linha 4 (Zona Sul Barra), a linha 1-A, ligando São Cristóvão, da linha 2 à Central do Brasil, da linha 1, e a criação de corredores de ônibus articulados, os Bus Rapid Transit (BRT), como a TransOlímpica, que vai ligar a Barra à Deodoro; a TransOeste, que prevê a construção do Túnel da Grota Funda ligando a Barra à Santa Cruz e a TransCarioca, que ligará a Barra à Penha, são os focos dessa reorganização para além da cidade. Além dessas obras, a questão ambiental no uso de transportes sustentáveis é de suma importância para a população do Rio de Janeiro, junto com a questão do bilhete único intermodal, que gera economia e agilidade de circulação para a população. 5 - Justificativa As transformações socioespaciais proporcionadas pelas relações entre os agentes de políticas públicas têm suma importância para o contribuinte da cidade, que precisa participar, de maneira mais atuante, sobre as decisões sobre a sua circulação no espaço. Os novos empreendimentos têm de ocorrer de maneira transparente para que, de fato, as transformações esperadas na logística de transporte da cidade possam contemplar, de maneira mais equânime, os diferentes espaços do Rio de Janeiro. Outro motivo para o desenvolvimento deste estudo é devido à grande insatisfação da população com os transportes públicos na cidade e região metropolitana, região que é pouco integrada ao contexto da circulação de pessoas desde a sua formação em A situação caótica de circulação intra e interurbana precisam ser foco hoje de políticas públicas condizentes com as necessidades e potencialidades do povo e do espaço carioca e fluminense, para que as distâncias sejam relativamente reduzidas e a qualidade da circulação dos cidadãos possa ser ampliada e articulada por diversos meios de transporte. 6 - Metodologia 5 5

6 Para a realização do presente trabalho será realizado uma análise bibliográfica inicial, que possibilite o melhor entendimento das distribuições das vias e da formação histórica da cidade e de sua articulação viária com o entorno. Além disso, a consulta dos editais das obras e os fatos jornalísticos que contribuem diretamente para a análise dos impactos sobre o território serão valorizados para que as dinâmicas atuais sejam entendidas em sua totalidade. 7 - Considerações Finais A circulação na cidade do Rio de Janeiro e dela para outras no seu entorno metropolitano é uma das piores do mundo. Muitas localidades e regiões não são conectadas com eficiência e segurança como conseqüência da ausência de planejamento e ações públicas que não pensaram a cidade como um todo e no seu crescimento. O deslocamento urbano se tornou um transtorno para a população de todo território carioca e novos projetos precisam ser efetuados com urgência. A Copa do Mundo e a Olimpíada se tornaram uma ótima possibilidade para os governantes investirem neste quesito, que é estruturante de boa qualidade de vida. O legado que estes eventos podem trazer para a cidade é muito maior de que uma simples construção de um estádio ou de atrativo turístico, e os planejamentos que cuidam do evento precisam entender que ele é de extrema importância para a população, já que o poder público terá, obrigatoriamente, que beneficiar o habitante da cidade com as novas linhas de metrô, vias de acesso rodoviárias e, quem sabe, hidroviárias... e etc. Basta ter um estudo mais detalhado das áreas mais carentes da cidade, ouvir a população e unir a cidade, no sentido de ruas, avenidas e linhas de trem, para se ver que o Rio de Janeiro é uma cidade fragmentada tanto social quanto no seu sistema de transportes. 8 - Referências Bibliográficas 6 6

7 BAUMAN, Zygmunt. Modernidade líquida. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., BOLZAN DE MORAIS, José Luís. As crises do estado e da constituição e a transformação espacial dos direitos humanos. Porto Alegre: Livraria do Advogado, CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. Rio de Janeiro: Editora Paz e Terra, CASTRO, Iná Elias de. Geografia e Política Território, escalas de ação e instituições. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, p. HAESBART, Rogério. O mito da desterritorialização: do fim dos territórios à multiterritorialidade. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, LEFEBVRE, Henri. Espaço e política. Belo Horizonte: Editora UFMG, SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço. Técnica e Tempo. Razão e Emoção. 2. ed. São Paulo: Hucitec, l p. SCHNOOR, Jorge. A Harmonia do desenvolvimento urbano em função da rede de transporte coletivo de massa. Rio de Janeiro: BNH, Secretaria de Divulgação, p. SOUZA, Marcelo José Lopes de. O território: sobre espaço e poder. Autonomia e desenvolvimento. In CASTRO, I. E. de; GOMES, P. C. da C.; CORRÊA, R. L. (Orgs.). Geografia: conceitos e temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2001, p

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