CURSO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL PARA O CARGO DE SOLDADO PM DA CARREIRA DE PRAÇAS DA POLÍCIA MILITAR DO CEARÁ - CFPCSPMCPPM / T2

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2 CURSO DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL PARA O CARGO DE SOLDADO PM DA CARREIRA DE PRAÇAS DA POLÍCIA MILITAR DO CEARÁ - CFPCSPMCPPM / T2 Disciplina: Fundamentos de Direito Penal Militar CONTEUDISTAS: Manuel Ozair Santos Júnior Marcos Antônio Barros dos Santos Página 2 de 28

3 GESTÃO GERAL John Roosevelt Rogério de ALENCAR Cel PM DIRETOR-GERAL MARIANA Maia Pinheiro de Abreu Meneses SECRETÁRIA EXECUTIVA GESTÃO ACADÊMICA TELMA Maria Melo Nazareth COORDENADORA GERAL DE ENSINO Clauber Wagner Vieira DE PAULA Maj PM ORIENTADOR DA CÉLULA DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL Gessivando MENESES da Silva 1º Ten PM SECRETÁRIO ACADÊMICO EXPEDIENTE CAPA GIL Alisson Freitas de Farias FORMATAÇÃO Francisco SILVIO Maia Página 3 de 28

4 SUMÁRIO INTRODUÇÃO DO DIREITO PENAL MILITAR Conceituação de Direito Penal Militar O caráter especial do Direito Penal Militar Aplicação da Lei Penal Militar DO CRIME Elementos constitutivos do crime Elementos não constitutivos do crime Crime militar e transgressão militar Crime comum e crime militar Crime doloso e crime culposo Excludentes da ilicitude Do excesso e suas modalidades Crime militar em tempo de paz Crime militar em tempo de guerra Crime militar próprio e impróprio Crime militar próprio Crime militar impróprio DAS PENAS Conceito Finalidade Classificação Penas principais Penas acessórias PRINCIPAIS CRIMES CONTRA A AUTORIDADE OU A DISCIPLINA PRINCIPAIS CRIMES CONTRA O SERVIÇO E O DEVER MILITAR PRINCIPAIS CRIMES CONTRA A PESSOA PRINCIPAIS CRIMES CONTRA O PATRIMÔNIO PRINCIPAIS CRIMES CONTRA A ADMINISTRAÇÃO MILITAR REFERÊNCIAS Página 4 de 28

5 INTRODUÇÃO O Direito Penal Militar, assim como os demais ramos do Direito, tem sua origem no Direito Romano. No Brasil o Direito Penal Militar passou a ser aplicado efetivamente, com a vinda da família real portuguesa, em 1808, quando foi criado o Supremo Conselho Militar e de Justiça, primeiro Tribunal instalado no Brasil. Atualmente, esta função é desempenhada pelo Superior Tribunal Militar, com sede em Brasília e jurisdição em todo o território nacional. A primeira legislação penal militar no Brasil refere-se aos Artigos de guerra do Conde de Lippe, aprovados em 1763, época em que vigiam as Ordenações do Reino, as Filipinas, com o seu terrível Livro Quinto. A pena de morte era imposta, por exemplo, ao oficial que ao ser atacado pelo inimigo, abandonasse seu posto sem ordem, bem como ao militar que se escondesse ou fugisse do combate. Aqueles que desrespeitassem as sentinelas ou outros guardas eram fuzilados. Já os cabeças de motim ou traição, assim como os que tendo conhecimento do crime não o denunciassem eram enforcados. Os que faltassem ao serviço de guarda ou comparecessem à parada, tão bêbados que não pudessem montar, eram punidos com pancadas de prancha de espadas. Esta pena foi abolida em O Código Penal Militar (CPM), Decreto-Lei nº 1001, de 21 de outubro de 1969, alcança os integrantes das Forças Armadas, das Polícias Militares e dos Corpos de Bombeiros Militares, cabendo a estes o fiel cumprimento e respeito às regras contidas no CPM e às demais regulamentos militares. Ademais, pela própria característica das Polícias Militares, cujos integrantes foram denominados militares estaduais pela Constituição Federal, torna-se imprescindível levar-se o conhecimento sobre o Direito Militar nos cursos de formação, haja vista que o mencionado ramo do Direito se constitui como um dos elementos norteadores da vida profissional de seus integrantes. Nesta perspectiva, elaborou-se a presente apostila, com os conteúdos programáticos capazes de fazer com que o aluno possa adquirir conhecimentos necessários à boa convivência militar. Página 5 de 28

6 Para tanto, esta apostila divide-se em nove capítulos. No primeiro, estuda-se a conceituação do direito penal militar, seu caráter especial e a aplicação da lei penal militar. No segundo, aborda-se o crime e seus elementos constitutivos e não constitutivos, crime militar e transgressão; crime militar e comum; crime doloso e culposo; as excludentes da criminalidade; o excesso; crime militar em tempo de paz e de guerra; propriamente e impropriamente militar. No terceiro capítulo, apresenta-se o conceito, a finalidade e a classificação das penas. Do quarto ao nono capítulo, são enfocados: os crimes contra a autoridade ou disciplina; contra o serviço e o dever militar; contra a pessoa; contra o patrimônio; contra a incolumidade pública e contra a administração militar. Página 6 de 28

7 1. DO DIREITO PENAL MILITAR 1.1 Conceituação de Direito Penal Militar É o complexo de normas jurídicas destinadas a assegurar a ordem e a realização dos fins das instituições militares. A preservação dessa ordem jurídica militar, onde preponderam a hierarquia e a disciplina, exige obviamente do Estado, um elenco de sanções de naturezas diversas, de acordo com os diferentes bens tutelados: administrativas (disciplinares), civis e penais. As penais surgem com o Direito Penal Militar. 1.2 O Caráter especial do Direito Penal Militar Esse caráter especial deve-se ao fato de que grande parte de suas normas, diferentemente do Direito Penal comum, aplicam-se exclusivamente aos militares, em vista da característica peculiar desta categoria de agentes públicos para com o Estado. O caráter especial do Direito Penal Militar, também está consubstanciado na Constituição Federal, onde nos arts. 122 a 126, atribui a exclusividade da Justiça Militar Federal para processar e julgar os crimes militares definidos em lei, bem como à Justiça Militar Estadual para processar e julgar os militares estaduais. No entanto, deve-se fazer uma ressalva, quanto ao processo e o julgamento dos crimes dolosos contra a vida praticados por militar contra civil, cuja competência é do jurí. Assim, tais fatos continuam possuindo a classificação de crime militar, e, portando, devem ser apurados por meio de IPM, contudo, será a Justiça Comum e não a Justiça Militar, no âmbito do Estado, a competente para o processamento e o julgamento de tais crimes. 1.3 Da aplicação da lei penal militar As normas de Direito Penal Militar são conhecidas como de direito penal material ou substantivo e as de Direito Processual Penal Militar como de direito penal formal ou adjetivo, ou, simplesmente, de direito processual. As normas de Direito Penal Militar são as reunidas no Código Penal Militar (CPM Decreto Lei nº 1.001, de 21 de outubro de 1969) e as de Direito Processual Penal Militar, no Código Processual Penal Militar (CPPM - Decreto Lei nº 1.002, de 21 de outubro de 1969). Página 7 de 28

8 Anterioridade da lei Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal ( Art. 1º do CPM). Lei penal no tempo Ninguém pode ser punido por fato que lei posterior deixa de considerar crime, cessando, em virtude dela, a execução e os efeitos penais da sentença condenatória. Lei excepcional ou temporária Embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplica-se ao fato praticado durante a sua vigência. Tempo do crime - Considera-se praticado o crime no momento da ação ou omissão, ainda que outro seja o do resultado. Lugar do crime Considera-se praticado o fato, no lugar em que se desenvolveu a atividade criminosa, no todo ou em parte, e ainda que sob forma de participação, bem como onde se produziu ou deveria produzir-se o resultado. Territorialidade Aplica-se a lei penal militar, sem prejuízos de convenções, tratados e regras de direito internacional, ao crime cometido, no todo ou em parte, no território nacional, ou fora dele, ainda que neste caso, o agente esteja sendo processado ou tenha sido julgado pela justiça estrangeira. 2. DO CRIME 2.1 Elementos constitutivos do crime O "crime" passou a ser definido diferentemente pelas dezenas de escolas penais. E, dentro destas definições, haviam ainda sub-divisões, levando-se em conta o foco de observação do jurista. Surgem então, os conceitos: formal, material e analítico do crime, como expressões mais significativas, dentre outras de menor expressão. O conceito formal corresponde à definição nominal, ou seja, relação de um termo àquilo que o designa. O conceito material corresponde à definição real, que procura estabelecer o conteúdo do fato punível. O conceito analítico indica as características ou elementos constitutivos do crime, portanto, de grande importância técnica. O crime, portanto, passou a ser definido como toda a ação ou omissão, típica, antijurídica e culpável. Vejamos então, os seus elementos: a) Ação ou omissão: Significa que o crime sempre resulta de uma conduta positiva (ação), comissiva. Ou, de uma conduta negativa (omissão). É o não fazer. A inércia. Tanto é criminoso o fato do marginal esfaquear uma pessoa até matá-la (ação), como o fato de uma mãe, por preguiça Página 8 de 28

9 ou comodidade, não retirar de cima da mesa de sua casa (omissão) o veneno para matar baratas, que foi posteriormente ingerido pelo seu filho de três anos, provocando-lhe a morte, enquanto aquela, assistia sua novela preferida. b) típica: Significa que a ação ou omissão praticada pelo sujeito, deve ser tipificada. Isto é, descrita em lei como delito. A conduta praticada deve ajustar-se à descrição do crime criado pelo legislador e previsto em lei. Assim, pode a conduta não ser crime, e, não sendo crime, denomina-se conduta atípica (não punida, tendo em vista que não existe um dispositivo penal que a incrimine). Mas, cumpre lembrar, que uma conduta atípica, pode ser tipificada como contravenção penal. Não se pode confundir de modo algum, crime com contravenção penal. Esta, como definia HUNGRIA, é um "crime anão", é menos grave que o delito (ou crime) e possui legislação própria (Decreto-lei n.º 3.688/41), com tipificação e características próprias. c) antijurídica: Significa que a ação ou omissão, além de típica, deve ser antijurídica, contrária ao direito. É a oposição ou contrariedade entre o fato e o direito. Será antijurídica a conduta que não encontrar uma causa que venha a justificá-la. Desta forma, uma pessoa pode ser morta, e ficar constatado, a título de exemplificação, que: 1º) Ela foi morta injustificadamente. Portanto foi vítima de um homicídio (art. 205 CPM). 2º) Ela foi morta justificadamente, porque estava de posse de uma pistola carregada e prestes a matar seu desafeto, quando foi morto por este, que agiu em legítima defesa (art. 42, II do CPM), uma excludente de ilicitude (antijuridicidade). 3º) Ela foi morta justificadamente, porque mesmo não estando armado, ele havia ameaçado de morte seu desafeto, que, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supôs que na realidade estivesse armado, vindo a matá-lo. Tendo, desta forma, agido em legítima defesa putativa (uma excludente de culpabilidade, art.36 do CPM). d) culpável: a culpabilidade é o elemento subjetivo do autor do crime. É aquilo que se passa na mente daquela pessoa que praticou um delito. A culpabilidade portanto, é a culpa em sentido amplo, que abrange o dolo (artigo 33, inciso I; CPM); e a culpa em sentido estrito (artigo 33, inciso II; CPM). Estes seriam, então, os elementos integrantes do conceito jurídico, dogmático ou analítico de crime, segundo a doutrina prevalente. Página 9 de 28

10 2.1.1 Elementos não constitutivos do crime Dispões o Código Penal Militar em seu art. 47 que: Art. 47. Deixam de ser elementos constitutivos do crime: I a qualidade de superior ou de inferior, quando não conhecida do agente; II a qualidade de superior ou a de inferior, a de oficial do dia, de serviço ou de quarto, ou a de sentinela, vigia, ou plantão, quando a ação é praticada em repulsa a agressão. Assim, exemplificando, se um cabo esbofeteia um sargento, está praticando, em tese, o crime de violência contra superior, capitulado no art. 157 do Código Penal Militar, desde que, é claro, o agressor saiba que a vítima é seu superior. Pode ocorrer, no entanto, que ambos, em trajes civis, e após breve discussão, o cabo termina por agredir seu antagonista, desconhecendo a sua qualidade de sargento, portanto de superior. À evidência não poderá responder pelo crime em tela (violência contra superior), mas pelo art. 209 do Código Penal Militar, se em decorrência da agressão, ocasionar lesões corporais. Relevância de omissão - a omissão é relevante desde que o omitente, ou seja, a pessoa que deixa de agir, devia e podia agir para evitar o resultado. Podemos então afirmar que se faz necessário a conjugação de dois fatores, quais sejam: que a pessoa que se omite tivesse o dever de agir e pudesse de fato agir. Para tanto, devem estar presentes e inafastáveis a obrigação de agir e a possibilidade real de fazê-lo. Dessa forma, se o agente não agir para evitar o resultado, poderá ser responsabilizado por este, a título de dolo ou culpa. 2.2 Crime militar e transgressão militar Crime militar é todo aquele que a lei assim o reconhece como tal. O legislador penal brasileiro adotou o critério legal para definir crime militar, isto é, apenas enumerou taxativamente as diversas situações que definem esse delito. Ou seja, um fato só poderá ser considerado crime militar se estiver previsto no Código Penal Militar (CPM). O Código Penal Militar dispões em seu art. 19 que este código não compreende as infrações dos regulamentos disciplinares. Dessa forma, fica claro que as transgressões disciplinares devem estar presentes nos respectivos regulamentos. Considera-se transgressão disciplinar toda infração administrativa caracterizada pela violação dos deveres militares, cominando ao infrator as sanções previstas nos Códigos Página 10 de 28

11 Disciplinares, como no caso da Polícia Militar do Ceará, ou nos respectivos Regulamentos, sem prejuízo das responsabilidades penal e civil. As transgressões disciplinares compreendem todas as ações ou omissões contrárias à disciplina militar, especificadas nos Códigos Disciplinares, inclusive as condutas que resultem nos crimes previstos no Código Penal ou Penal Militar. 2.3 Crime comum e crime militar Este é um dos pontos que exige esforço dos aplicadores da lei e operadores do Direito, considerando que por vezes, é complicado distinguir se o fato é crime comum ou militar, principalmente nos casos de ilícitos praticados por policiais militares. Tanto o Direito Penal comum quanto o militar, em respeito ao constitucional princípio da reserva legal, definem: "Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia cominação legal." (CP, Art. 1º) ou "Não há crime sem lei anterior que o defina, nem pena sem prévia cominação legal. (CPM, Art. 1º)"; adiante vem a Lei de Introdução ao Código Penal ditando: "Considera-se crime a infração penal a que a lei comina pena de reclusão ou de detenção, quer isoladamente, quer alternativa ou cumulativamente com a pena de multa". Assim, idênticas as definições legais de crime, tanto comum ou militar, deve-se recorrer, diante do caso concreto às regras de hermenêutica. Desta forma, se a conduta não foi tipificada no Código Penal Militar, mas em alguma lei penal especial, esta prevalece. Se, todavia, o fato se subsume tanto na norma penal militar quanto na comum, prepondera a primeira em razão do princípio da especialidade. Assim, poderemos encontrar no caso concreto, perfeita subsunção do fato típico a duas espécies de normas penais (penal comum e penal militar), como se observa nos crimes impropriamente militares, ou seja, aqueles que sendo definidos como crimes militares, podem de igual forma ter como sujeito ativo um militar ou mesmo um civil (o homicídio, definido do artigo 205 do CPM e no artigo 121 do CP, sem exigir qualquer dos tipos penais a condição de militar ao sujeito ativo; da mesma forma, o delito de lesões corporais: art. 209, CPM e 129, CP; a Rixa: art. 211, CPM e art. 137, CP; o furto: art. 240, CPM e 155, CP; etc.). Na verdade, quase todos os crimes tipificados no Código Penal "comum" de igual forma o são no Código Penal Militar, tendo este último um outro número de crimes que somente são por ele tipificados (geralmente os crimes propriamente militares). Página 11 de 28

12 2.4 Crime doloso e crime culposo a) crime doloso É quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzi-lo. Vontade ou intenção de delinqüir. Dolo - É a união da vontade e da consciência de realizar o tipo penal.. b) crime culposo É quando o agente, deixando de empregar cautela, atenção, ou diligência ordinária ou especial, a que estava obrigado em face das circunstâncias, não prevê o resultado que podia prever ou, prevendo-o, supõe levianamente que não se realizaria ou que poderia evitá-lo. Podemos assim dizer que o agente deu causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. Importante destacar que, salvo nos casos expressos em lei, ninguém pode ser punido por fato previsto como crime, senão quando o pratica dolosamente. 2.5 Excludentes da ilicitude As excludentes da ilicitude conforme estabelecido no art. 42 do Código Penal Militar, estão enumeradas em quatro, a saber: Estado de Necessidade, Legítima Defesa, Estrito Cumprimento do Dever Legal e Exercício Regular de Direito. Cada uma das excludentes têm seus requisitos próprios, a saber: O Estado de Necessidade exige: 1) Situação de Perigo Atual; 2) Ameaça a direito próprio ou alheio; 3) Situação não causada voluntariamente pelo sujeito; 4 ) Inexistência do dever legal de afastar o perigo; 5) Inevitabilidade do comportamento lesivo e 6) Inexigibilidade de sacrifício do interesse ameaçado. A Legítima Defesa: 1) Agressão Injusta, atual ou Iminente; 2) Direitos do agredido ou de terceiros atacados ou ameaçados de dano; 3) Uso dos meios necessários; 4) Moderação no uso dos meios necessários. O Exercício Regular de um Direito é composto pelo exercício de uma prerrogativa conferida pelo ordenamento jurídico. Já o Estrito Cumprimento do Dever Legal é o cometimento de um fato típico pelo desempenho de uma obrigação legal. Página 12 de 28

13 2.5 1 Do excesso e suas modalidades Ocorre o excesso quando o agente, após dar início a seu comportamento em conformidade a uma causa de justificação (por exemplo, estado de necessidade, legítima defesa, estrito cumprimento do dever legal, exercício regular do direito) ultrapassa seus limites legais, excedendo-se, portanto, naquele comportamento, tornando-o reprovável. a) Do excesso doloso Diz-se que o excesso é doloso quando o agente quer deliberadamente um resultado além do permitido e do necessário. Por exemplo: o sujeito em legítima defesa, após dominar seu agressor, passa a agredi-lo violentamente. Responderá, evidentemente, pelas lesões corporais dolosas causadas. Na legislação penal militar, ao tratar do excesso doloso, faculta ao juiz atenuar a pena ainda quando punível o fato por excesso doloso (art. 46). b) Do excesso culposo O excesso é culposo, quando o agente, embora não querendo o resultado, provoca-o por deixar de observar a atenção e cautela a que estava obrigado em face das circunstâncias, e vai além do que era necessário. Responderá, então, pelo excesso, se o fato for previsto como crime culposo, de acordo com o estabelecido no art, 45 do Código Penal Militar. 2.6 Crimes militares em tempo de paz (Art. 9º, CPM) Art. 9º. Consideram-se crimes militares, em tempo de paz: I os crimes de que trata este Código, quando definidos de modo diverso na lei penal comum, ou nela não previstos, qualquer que seja o agente, salvo disposição especial; II os crimes previstos neste Código, embora também o sejam com igual definição na lei penal comum, quando praticados: a) por militar em situação de atividade ou assemelhado, contra militar na mesma situação ou assemelhado; b) por militar em situação de atividade ou assemelhado, em lugar sujeito à administração militar, contra militar da reserva, ou reformado ou assemelhado ou civil. Página 13 de 28

14 c) por militar em serviço, em comissão de natureza militar, ou em formatura, ainda que fora do lugar sujeito à administração militar, contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil; d) por militar durante o período de manobras ou exercício, contra militar da reserva, ou reformado, ou assemelhado, ou civil; e) por militar em situação de atividade, ou assemelhado, contra o patrimônio sob a administração militar, ou a ordem administrativa militar; III os crimes praticados por militar da reserva, ou reformado, ou por civil, contra as instituições militares, consideram-se como tais não só os cometidos no inciso I, como os do inciso II, nos seguintes casos: a) contra o patrimônio sob a administração militar, ou contra a ordem administrativa militar; b) em lugar sujeito à administração militar contra militar em situação de atividade ou assemelhado, ou contra funcionário de Ministério militar ou da Justiça Militar, no exercício de função inerente a seu cargo; c) contra militar em formatura, ou durante o período de prontidão, vigilância, observação, exploração, exercício, acampamento, acantonamento ou manobras; d) ainda que fora do lugar sujeito à administração militar, contra militar em função de natureza militar, ou no desempenho de serviço de vigilância, garantia e preservação da ordem pública, administrativa e judiciária, quando legalmente requisitado para aquele fim, ou em obediência a determinação legal superior. Parágrafo único Os crimes de que trata este artigo, quando dolosos contra a vida e cometidos contra civil, serão da competência da justiça comum. 2.7 Crimes Militares em Tempo de Guerra (Art. 10, CPM) Art. 10. Consideram-se crimes militares, em tempo de guerra: I - os especialmente previstos neste Código para o tempo de guerra; II - os crimes militares previstos para o tempo de paz; Página 14 de 28

15 III - os crimes previstos neste Código, embora também o sejam com igual definição na lei penal comum ou especial, quando praticados, qualquer que seja o agente: a) em território nacional, ou estrangeiro, militarmente ocupado; b) em qualquer lugar, se comprometem ou podem comprometer a preparação, a eficiência ou as operações militares ou, de qualquer outra forma, atentam contra a segurança externa do País ou podem expô-la a perigo; IV - os crimes definidos na lei penal comum ou especial, embora não previstos neste Código, quando praticados em zona de efetivas operações militares ou em território estrangeiro, militarmente ocupado. 2.8 Crime militar próprio e impróprio Crime militar próprio Os delitos propriamente militares nunca podem ser crimes comuns. Assim, o crime propriamente militar é o que só por militares pode ser praticado, isto é, aquele que constitui uma infração específica e funcional do militar. São exemplos de crime propriamente militares dentre outros: a covardia, o motim, a revolta, a violência contra superior, o desrespeito a superior. Não existe previsão de tais fatos no Código Penal comum ou em qualquer outra lei de caráter penal, daí dizer que são crimes propriamente militares Crime militar impróprio O crime impropriamente militar é, por sua vez, aquele que, pela condição militar do culpado, ou pela espécie militar do fato, ou pela natureza militar do lugar, ou, finalmente, pela anormalidade do tempo em que é praticado, acarreta dano à segurança ou à economia, ao serviço ou à disciplina das instituições militares. O crime impropriamente militar é, em linhas gerais, aquele crime comum cujas circunstâncias alheias ao elemento constitutivo do fato delituoso o transformam em crime militar transportando-o para o CPM. Desta forma, podemos dizer que o fato definido como crime impropriamente militar também está previsto no Código Penal comum. Página 15 de 28

16 3. DAS PENAS 3.1 Conceito Segundo Damásio de Jesus, pena é a sanção aflitiva imposta pelo Estado, mediante ação penal, ao autor de uma infração (no caso de nosso estudo penal militar), como retribuição pela prática de seu ato ilícito, consistente na diminuição de um bem jurídico, e cujo objetivo é evitar o cometimento de novos delitos. 3.2 Finalidade De acordo com Loureiro Neto, sua finalidade é eminentemente preventiva, pois evita a prática de novas infrações. Nesse sentido, a prevenção pode ser considerada em seus aspectos geral e especial. No aspecto geral, o fim intimidativo da pena visa toda a sociedade, enquanto que no aspecto especial visa apenas o autor do delito. No sentido não apenas de corrigi-lo, como também de impedi-lo de praticar novos delitos. 3.3 Classificação Conforme estabelecido no art. 55 do Código Penal Militar, as penas classificam-se em principais e acessórias Penas principais As penas principais compreendem a pena de morte, considerada na doutrina como pena corporal, pela privação da vida; reclusão, detenção, prisão e impedimento, consideradas na doutrina como privativas da liberdade, pois afastam o criminoso do ambiente social, em face de sua segregação; suspensão do exercício do posto, graduação, cargo ou função e reforma, consideradas na doutrina como privativas ou restritivas de direitos. A pena de morte é aplicada em caso de guerra declarada. A pena de reclusão tem o mínimo de um ano e o máximo de trinta anos (art. 58 do CPM). A pena de detenção tem o mínimo de trinta dias e o máximo de dez anos ( art. 58 do CPM). A pena de prisão resulta da conversão das penas de reclusão ou de detenção até dois anos, aplicada a militar quando não for cabível a suspensão condicional da pena (art. 59 do CPM). A pena de impedimento é aplicada nos delitos de insubmissão (art. 183 do CPM). Sujeita o condenado a permanecer no recinto da Unidade, sem prejuízo da instrução militar. Página 16 de 28

17 A pena da suspensão do exercício do posto, graduação, cargo ou função consiste na agregação, no afastamento, no licenciamento ou na disponibilidade do condenado, pelo tempo fixado na sentença, sem prejuízo de seu comparecimento regular à sede do serviço Penas acessórias As penas acessórias estão discriminadas no art. 98 do Código Penal Militar, a saber: perda do posto ou patente; a indignidade para o oficialato; a exclusão; a perda da função pública, ainda que eletiva, a inabilitação para o exercício de função pública, a suspensão do pátrio poder, tutela ou curatela e a suspensão dos poderes políticos. 4. PRINCIPAIS CRIMES CONTRA AUTORIDADE OU DISCIPLINA Motim - Reunirem-se militares ou assemelhados: (Art. 149) I - agindo contra a ordem recebida de superior, ou negando-se a cumpri-la; II - recusando obediência a superior, quando estejam agindo sem ordem ou praticando violência; III - assentindo em recusa conjunta de obediência, ou em resistência ou violência, em comum, contra superior; IV - ocupando quartel, fortaleza, arsenal, fábrica ou estabelecimento militar, ou dependência de qualquer deles, hangar, aeródromo ou aeronave, navio ou viatura militar, ou utilizando-se de qualquer daqueles locais ou meios de transporte, para ação militar, ou prática de violência, em desobediência a ordem superior ou em detrimento da ordem ou da disciplina militar. PENA Reclusão de 04 a 08 anos, com aumento de 1/3 para os cabeças. Se os agentes estavam armados caracteriza-se a Revolta. Apologia de fato criminoso ou de seu autor Fazer apologia de fato que a lei militar considera crime, ou do autor do mesmo, em lugar sujeito à administração militar. (Art. 156) PENA detenção, de 06 meses a 01 ano. Fazer apologia significa elogiar, louvar defender. Para que se consume tal crime esta apologia tem que ocorrer em local sujeito a administração militar, ou seja em uma Organização militar. Página 17 de 28

18 Violência Contra Superior - Praticar violência contra superior. (157) É uma agressão, via de regra, sem a configuração de lesão corporal, consiste geralmente em se aplicar empurrões, tapas, puxões de orelha, pontapés. A pena varia de acordo com a gravidade do resultado e com a função exercida pelo superior. Violência contra militar de serviço - Praticar violência contra oficial de dia, de serviço, ou de quarto, ou contra sentinela, vigia ou plantão. (Art. 158) DESRESPEITO A SUPERIOR Art. 160 COM Desrespeitar superior diante de outro militar: Pena detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave. Parágrafo único. Se o fato é praticado contra o Cmte da OM a que pertence, oficial general, oficial de dia, de serviço ou de quarto, a pena é aumentada da metade. Figura retirada do Manual do Soldado no site: Recusa de Obediência - Recusar obedecer a ordem do superior sobre assunto ou matéria de serviço, ou relativamente a dever imposto em lei, regulamento ou instrução. (Art. 163) Oposição a Ordem de Sentinela - Opor-se às ordens da sentinela. (Art. 164) Página 18 de 28

19 USO INDEVIDO DE UNIFORME, DISTINTIVO OU INSÍGNIA MILITAR POR QUALQUER PESSOA Art.172 CPM usar indevidamente uniforme, distintivo ou insígnia militar a que não tenha direito: Pena detenção, até seis meses. Figura retirada do Manual do Soldado no site: VIOLÊNCIA CONTRA INFERIOR Art. 175 COM - Praticar violência contra inferior: Pena detenção, de três meses a um ano Parágrafo único. Se da violência resulta lesão corporal ou morte é também aplicada a pena do crime contra a pessoa, atendendo-se, quando for o caso, ao disposto no art Figura retirada do Manual do Soldado no site: Amotinamento - Amotinarem-se presos, ou internados, perturbando a disciplina do recinto de prisão militar. (Art. 182) Página 19 de 28

20 5. PRINCIPAIS CRIMES CONTRA O SERVIÇO E O DEVER MILITAR DESERÇÃO Art. 187 COM - Ausentar-se o militar, sem licença, da unidade em que serve, ou do lugar em que deve permanecer, por mais de oito dias: Pena detenção, de seis meses a dois anos; se oficial, a pena é agravada. Figura retirada do Manual do Soldado no site: Deserção especial - Deixar o militar de apresentar-se no momento da partida do navio ou aeronave, de que é tripulante, ou do deslocamento da unidade ou força em que serve. (Art. 189, II) Deserção por Evasão ou Fuga - Evadir-se o militar do poder da escolta, ou de recinto de detenção ou de prisão, ou fugir em seguida à prática de crime para evitar prisão, permanecendo ausente por mais de oito dias. (Art. 192) Favorecimento a Desertor - Dar asilo a desertor, ou tomá-lo a seu serviço, ou proporcionar-lhe ou facilitar-lhe transporte ou meio de ocultação, sabendo ou tendo razão para saber que cometeu qualquer dos crimes previstos no CPM contra o serviço ou o dever militar. (Art. 193). Se o favorecedor é ascendente, descendente, cônjuge ou irmão do criminoso, fica isento de pena. (Art. 193, parágrafo único)!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Página 20 de 28

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