FEMPAR FUNDAÇÃO ESCOLA DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ

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1 FEMPAR FUNDAÇÃO ESCOLA DO MINISTÉRIO PÚBLICO DO ESTADO DO PARANÁ DIREITO PENAL IV PARTE ESPECIAL 1 PROFESSOR: ALEXANDRE RAMALHO DE FARIAS 2 INTRODUÇÃO Ao buscar interpretar o Sistema Criminal como um todo e o Direito Penal Especial em particular que é o que nos caberá: alguns poucos encontros... Objeto de análise bastante amplo, praticamente invencível... No entanto, é preciso estabelecer algumas premissas, algum ponto de partida. Na busca desta ideologia, desta perspectiva de análise temos duas direções a tomar: A primeira é continuar alimentando a espiral da criminalidade: apoiar o endurecimento penal, aumentar as taxas de encarceramento, adotar o modelo de superprisões, ignorar a seletividade penal, idolatrar a pena privativa de liberdade, eleger as facções criminosas como problema central, apoiar a privatização do sistema penal, combater apenas a corrupção da ponta, judicializar todos os comportamentos da vida, potencializar o mito das drogas, enfraquecer e criminalizar os movimentos sociais e defensores de Direitos Humanos e considerar o sistema prisional adjacente e consequente das polícias. A segunda é criar uma nova espiral, da cidadania e da responsabilização: reduzir as taxas de encarceramento, descriminalizar condutas, ter modelos distintos de prisões para cada segmento, combater a seletividade penal, buscar menos justiça criminal e mais justiça social, investir na justiça restaurativa, empoderar a população para busca de solução dos conflitos, priorizar as penas alternativas à prisão, eleger o sistema prisional como problema central, fortalecer o Estado na gestão do sistema penal, combater todos os níveis da corrupção, enfrentar a questão das drogas nas suas múltiplas dimensões (social, econômica, de saúde, criminal), fortalecer o controle social sobre o sistema penal e ter política, método e gestão específica para o sistema prisional. (Plano Nacional de Política Criminal e Penitenciária, aprovado pelo Conselho Nacional de Política Criminal e Penitenciária (CNPCP), em 26/04/2011). Tanto quanto possível, parece indicado buscar a segunda direção. 1 Advirta-se que o presente material não tem qualquer caráter científico, ao contrário, trata-se apenas de anotações prévias às aulas ministradas no Curso da FEMPAR em 2011, sendo que tanto quanto possível buscou-se fazer referencia bibliográfica, mesmo que indiretamente e que, ao final, foram referidas. 2 Promotor de Justiça no Estado do Paraná. Doutorando em Ciencias Juridicas e Sociais na Universidad Pablo de Olavid, Sevilla/ES. 1

2 Tipo é o modelo legal de conduta proibida. H. C. FRAGOSO doloso ou culposo. *Tipo penal é um instrumento legal, logicamente necessário e de natureza predominantemente descritiva, que tem por função individualizar condutas humanas penalmente relevantes, porque penalmente proibidas. Características do tipo: -pertence a lei: Princ. da Legalidade. Tipo é o que está na lei. A norma pertence ao mundo ético, não pertence ao tipo, mas ela inspira o tipo. Somente o tipo pertence a lei. O que está na Lei é o tipo, o que não está na lei não é o tipo. Ex. Sedução art Rapto art. 219 (homem). -logicamente necessário: é o caminho lógico a ser percorrido depois da conduta e antes da antijuridicidade. Não podemos inverter a lógica do sistema (conceito analítico de crime). -predominantemente descritivo: o tipo possui (ou deveria) elementos objetivos precisos, compreensíveis, que não dão ensejo a dúvida nem a raciocínios de valoração de caráter subjetivo. Ex. Rixa art. 137; Adultério 240; -tem como função individualizar condutas humanas: Individualizar condutas e não definir resultados. Ex. Redução à condição análoga a de escravo art Isso é o resultado. Deve estabelecer qual é a conduta que leva alguém a reduzir outrem à condição análoga a de escravo. É um lapso que o legislador deveria Ter evitado. A idéia é descrever/delimitar o que é proibido. Função do tipo penal: Garantia (assinala e limita o injusto): garantia para os indivíduos porque afeta o direito fundamental à liberdade. O que está no tipo incriminador é proibido, o que não está não é. O nosso limite é o tipo e não o que falam do tipo. Ex. Parte da doutrina dizia que a mulher não poderia ser sujeito ativo do crime de estupro ou ainda, que o marido não poderia ser sujeito ativo do estupro. Tipo formal tipo material (conglobante/conglobado ZAFFARONI). Importância da dogmática, todavia, poderá até mesmo ser relativizada no caso concreto, em favor da Política Criminal e da Justiça - ROXIN. 2

3 PARTE ESPECIAL TÍTULO I - DOS CRIMES CONTRA A PESSOA CAPÍTULO I - DOS CRIMES CONTRA A VIDA Inicia-se a parte especial, talvez pelo crime e seguro pelo bem jurídico mais importante. Conceito é a morte de um homem por outro. A vida, para a análise do delito, começa para a maioria da doutrina com o início do parto, pelo rompimento do saco amniótico (DELMANTO e Cezar Roberto BITENCOURT). A vida extrauterina, para MUÑOZ CONDE (ESP), se dá com a total expulsão do claustro materno e para Guilherme NUCCI, ocorre com o processo respiratório autônomo. Importante diferenciar, porque antes disto destruição da vida intrauterina configura o delito de aborto. Morte do fato durante o parto perfaz o homicídio. Ainda, poder-se-á configurar o delito de infanticídio quando a mãe mata o filho, logo após o parto, sob a influência do estado puerperal. Nota: O direito à vida não é absoluto. Vide p. ex. a legítima defesa e a pena de morte em caso de guerra declarada. Genocídio é crime contra a humanidade artigo 1º, da Lei n /56, quando elimina, ainda que parcialmente, um grupo nacional, étnico, racial ou religioso. 1. Bem Jurídico: a vida humana, independente. 2. Sujeito Ativo: qualquer pessoa. 3. Sujeito Passivo: qualquer pessoa, que é também o objeto material. Quando praticado contra o Presidente da República, do Senado Federal, da Câmara dos Deputados ou do Supremo Tribunal Federal será crime contra a Segurança Nacional, conforme artigo 29, da Lei n / Tipo Objetivo: matar alguém. Forma livre, inclusive por omissão. 5. Tipo Subjetivo: dolo, dolo eventual e culpa (artigo 121, parág. 3º). 6. Consumação e Tentativa: Delito instantâneo de efeitos permanentes. A tentativa é admissível. 7. Classificação: comum; material ou de resultado; de forma livre; impróprio (CP, artigo 13, par. 2º); instantâneo; de dano; unissubjetivo; progressivo; admite a tentativa. 3

4 8. Ação Penal: Pública Incondicionada. Homicídio simples Artigo 121. Matar alguém: Pena - reclusão, de seis a vinte anos. O homicídio simples, segundo BITENCOURT, em tese, não é objeto de qualquer motivação especial, moral ou imoral, tampouco a natureza dos meios empregados ou dos modos de execução apresenta característica determinante, capaz de alterar a reprovabilidade, para além ou aquém da simples conduta de matar alguém. A ausência de causas especiais de aumento ou diminuição ou mesmo que o qualificam, resultam em um delito subsidiário entre as espécies de homicídio. Sem cores... É delito hediondo o homicídio simples praticado em atividade de grupo de extermínio, ainda que apenas por um agente. Homicídio Privilegiado Caso de diminuição de pena 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. Natureza jurídica: Crítica de NUCCI (e BITENCOURT) a esta nomenclatura, pois o crime privilegiado é àquele que tem a pena mínima e máxima diminuídas (infanticídio). Neste caso, é verdadeira causa especial de diminuição de pena. Formas (motivo determinante): a) impelido por motivo de relevante valor social (BITENCOURT: relevante e interesse coletivo). Ex. mata um perigoso traficante, matador do bairro, da região. b) impelido por motivo de relevante valor moral (BITENCOURT: relevante e interesse pessoal). Ex. mata o estuprador de sua filha. Justificativa: Há punição, pois o ato não é lícito (legítima defesa ou estado de necessidade), todavia, justifica a pena menor pela importância do motivo fato. Privilégio, causa de diminuição X atenuante (CP, artigo 65, III, a, b): maior influência, porque impelido, movido, impulsionado, constrangido, dominado X menor influência, não está dominado: praticado por motivo. Na prática... JÚRI... 4

5 O Ciúme, para Guilherme NUCCI, dependendo do caso concreto, pode ser fútil, torpe ou mesmo representar relevante valor moral ou social. Pessoalmente, em princípio, mais torpe que fútil e menos social que moral. Os motivos de relevante valor moral ou social são incomunicáveis, visto que denotam menor culpabilidade do agente (REGIS PRADO). c) sob o domínio de violenta emoção, logo após injusta provocação da vítima. Requisitos (BITENCOURT): (1) a provocação injusta da vítima (não se confunde com agressão coloca em risco a integridade do ofendido e autoriza a legítima defesa); (2) o domínio da violenta emoção (não é qualquer emoção, mas somente quando intensa, violenta, absorvente, capaz de dominar o autocontrole do agente); e (3) a imediatidade entre a provocação e a reação (relativiza a expressão logo em seguida, quando a ação ocorrer em breve espaço de tempo e perdurar o estado emocional dominador. Ainda, assim, na expressão de Hungria, não admite a vingança tardia). Emoção x Paixão: Para BITENCOURT, a emoção é uma descarga emocional passageira, de vida efêmera, enquanto a paixão é o estado crônico da emoção, que se alonga no tempo, representando um estado contínuo e duradouro de perturbação afetiva. A emoção passa, enquanto a paixão permanece. Reduzem, mas não eliminam a censurabilidade da conduta (CP, artigo 28, I). Privilégio, causa de diminuição X atenuante (CP, artigo 65, III, c), diferenças: 1) segundo o grau de influência maior causa de diminuição (quando assumir o domínio) X menor atenuante (quando tiver simples influência); 2) logo após, em seguida (de imediato, instantâneo) de injusta de injusta provocação, enquanto que a atenuante nada observa quanto ao limite temporal. Concomitância das causas de diminuição: é possível, sendo que uma delas será causa de diminuição de pena e a outra atenuante. Premeditação é incompatível com violenta emoção. Homicídio privilegiado/qualificado: é possível, desde que exista compatibilidade lógica entre as circunstâncias, ou seja, qualificadoras objetivas (CP, artigo 121, par. 2º, incisos III e IV) com as circunstâncias do privilégio que são de ordem subjetiva. Não é crime hediondo. Diminuição não é faculdade do juiz, senão o quantum, motivadamente. BITENCOURT destaca que os estados emocionais ou passionais só poderão servir como modificadores da culpabilidade se forem sintomas de doença mental, estados emocionais patológicos. 5

6 Homicídio qualificado 2 Se o homicídio é cometido: I - mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; Formas específicas de torpeza: homicídio mercenário. Paga é a recompensa prévia pela morte da vítima. Recompensa, por disposição literal, o prêmio é posterior. Motivo econômico, pois do contrário, necessitaria determinar em cada caso a especial reprovabilidade e geraria insegurança jurídica (BITENCOURT, FRAGOSO, HUNGRIA E MAGALHÕES NORONHA). Contra: DAMÁSIO. Desnecessária a efetiva entrega do prêmio, pois é suficiente a promessa. Torpe é o motivo repugnante, abjeto, vil, que causa repulsa excessiva. É caso de interpretação analógica, pois se trata de regra específica, seguida de regra geral. O motivo torpe exclui o fútil. Segundo BITENCOURT, a vingança nem sempre caracteriza o motivo torpe, pois o sentimento de vingança pode até mesmo ser nobre, relevante, ético e moral... Os motivos que qualificam o crime são incomunicáveis: não se aplica àquele que oferece paga ou recompensa ou mesmo ao executor no caso do motivo torpe, pois tem motivação diversa. II - por motivo fútil; É o motivo insignificante, flagrantemente desproporcional, de mínima importância. Ex. (1) Risada e queda do cavalo e (2) troco de R$ 0,50 centavos. Jurisprudência e doutrina: ausência de motivo não caracteriza futilidade, ou seja, a ausência de motivo é menos grave do que a existência de motivo, ainda que irrelevante. Paradoxo que somente se sustenta pelo absoluto respeito ao princípio da legalidade (BITENCOURT). III - com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; BITENCOURT, citando Roberto Lyra, classifica os meios segundo sua natureza: a) emprego de meio insidioso: veneno; b) emprego de meio cruel: fogo, tortura; c) emprego de meio de que pode resultar perigo comum: fogo e explosivo. Interpretação analógica, pois se utiliza de uma fórmula casuística inicia, exemplificando, seguida de uma fórmula genérica. 6

7 Veneno por tratar-se de meio insidioso, somente qualifica se praticado por dissimulação. Não qualifica quando é administrado à força ou com o conhecimento da vítima. Segundo BITENCOURT, Veneno é qualquer substância vegetal, animal ou mineral que tenha idoneidade para provocar lesão no organismo humano. Uma substância teoricamente inócua pode assumir a condição de venenosa, segundo as condições especiais da vítima: açúcar para um diabético. Todavia, vidro moído, segundo NUCCI, não se considera como veneno. Exige prova pericial toxicológica, nos termos do artigo 158 do CPP. Emprego de fogo poderá constituir meio cruel (atear fogo em mendigos) ou meio que pode resultar perigo comum (atear fogo no escritório de um prédio, para matar o desafeto), dependendo das circunstâncias. Emprego de explosivo poderá constituir meio cruel (explosão de membros) ou meio que pode resultar perigo comum (explosão de bomba em um edifício) ocorrer pelo manuseio de dinamite ou qualquer outro material explosivo como bomba caseira, etc. Emprego de asfixia a) Asfixia mecânica, segundo NUCCI, pode ser produzida por enforcamento (compressão do pescoço com um laço, causada pelo peso do corpo do ofendido), estrangulamento (compressão do pescoço por um laço conduzido por força que pode ser a do agente agressor ou outra fonte, exceto o peso do corpo da vítima), afogamento (inspiração de líquidos, estando ou não submerso), esganadura (apertar o pescoço diretamente, valendo-se das mãos, das pernas ou do antebraço) ou sufocamento (p. ex. impedir a respiração com um travesseiro, saco plástico). b) Tóxica pelo uso de gás asfixiante. A reforma de 1984 excluiu a asfixia como agravante genérica, permanecendo apenas como qualificadora do homicídio. Se acaso asfixia a vítima, produzindolhe lesões corporais, todavia, sem ânimo homicida, não responderá pela agravante, nem pela qualificadora (BITENCOURT). Emprego de tortura É o meio que causa prolongado, atroz e desnecessário padecimento. É espécie de meio cruel, apenas um pouco mais prolongada. Tortura e morte, como resultado preterdoloso, sem ânimo de matar: pena de 8 a 16 anos. Artigo 1º, parágrafo 3º, 2ª parte da Lei n /97. Se durante a tortura o agente resolve matar a vítima, responderá por tortura (artigo 1º da Lei n /97) e homicídio (CP, artigo 121), em concurso material (DAMÁSIO e BITENCOURT). 7

8 Destaque negativo é, ainda nos dias atuas, ser utilizada por agentes do Estado como forma de obter a verdade real mito. Vide nos EUA X terrorismo. Nas cadeias públicas brasileiras. Retorno à inquisição, à Idade média. Meio insidioso utilizado com estratégia, dissimulado, disfarçado, ardiloso para ocultar o verdadeiro propósito do agente, surpreendendo a vítima. Ex. emboscada, traição. Meio cruel é a forma brutal, bárbara, sem piedade de praticar o crime. Causa sofrimento desnecessário, objetiva o padecimento. Ex. Hildebrando no Pará, que matava as vítimas com uma moto-serra. A crueldade praticada depois da morte não qualifica. Ex. Reiteradas facadas. Meio que possa resultar perigo comum Elemento subjetivo dolo de homicídio e não de crimes de perigo comum, do Título VIII, Capítulo I, do CP. BITENCOURT sustenta que poderá haver concurso formal com estes delitos quando além de atingir a vítima, criar também situação concreta de perigo comum para número indeterminado de pessoas. IV - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido; Modos qualificadores À Traição é o ataque sorrateiro, inesperado, desleal. Ex. Atira pelas costas. Não se configura se a vítima percebe ou mesmo se houver tempo para fugir. De emboscada é a tocaia, a espreita, escondendo-se para surpreender a vítima. Ex.: Espera na estrada, no portão da casa. Mediante dissimulação. É modalidade de surpresa, pois oculta, esconde ou disfarça sua intenção hostil, para surpreender a vítima desprevenida. É modalidade de surpresa. Recurso que dificulta ou impossibilita a defesa: hipótese análoga, de mesmas características à traição, emboscada ou dissimulação. Ex. Surpresa, o ataque inesperado, imprevisto e imprevisível. V - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime: Fins qualificadores Elemento subjetivo diverso do dolo. Especial fim de agir que deverá ser abrangido pelo dolo. 8

9 Assegurar a execução (para NUCCI, exemplo de conexão consequencial): não é necessário que o outro crime ocorra, mas apenas o fim de assegurar a execução. Ex. mata o segurança da empresa para furtá-la, roubá-la mais facilmente. Mata o guarda costas para poder sequestrar. Assegurar a ocultação ou impunidade (para NUCCI, exemplo de conexão consequencial): finalidade de dificultar, destruir a prova e evitar as consequências do delito. Ex. A morte do co-autor, da testemunha. Assegurar a vantagem de outro crime (para NUCCI, exemplo de conexão teleológica): garantir o êxito patrimonial ou não, direto ou indireto. Ex. Mata o comparsa para ficar com todo o produto do roubo. De maneira geral, no interesse próprio ou de terceiro. Não se trata de crime complexo, mas sim de conexão e, quando da prática de ambos, haverá concurso material. Pena - reclusão, de doze a trinta anos. O dolo eventual é compatível com as qualificadoras subjetivas. Portanto, que o agente assuma o risco de produzir o resultado morte (dolo eventual), motivado pela torpeza, futilidade ou ânsia de assegurar a execução, ocultação, impunidade ou vantagem de outro delito (NUCCI e STF). Homicídio culposo 3º Se o homicídio é culposo: Pena - detenção, de um a três anos. Menção expressa ao crime culposo: Falta do dever objetivo de cuidado. O artigo 121, parágrafo 3º deverá ser complementado pelo artigo 18, II do CP: Diz-se o crime culposo, quando o agente deu causa ao resultado por: Imprudência: É a conduta arriscada ou perigosa. Caracteriza-se pela intempestividade, precipitação, insensatez ou imoderação. Negligência: É a falta de precaução, portanto passiva. Não atuar como deveria. Ex. Passeio de barco, praia de Guairá. Imperícia: Segundo BITENCOURT, é a falta de capacidade, despreparo ou insuficiência de conhecimentos técnicos para o exercício de arte, profissão ou ofício. Não se confunde com o simples erro profissional. Ex. Imperícia médica. Ponderação da pena. Alguns como RUI STOCO, afirmam que o artigo 302 do CTB é inconstitucional por ofender o princípio da isonomia (detenção de 2 a 4 anos); CP homicídio culposo: detenção de 1 a 3 anos. BITENCOURT defende a diferenciação de pena por motivos de política criminal, especialmente ponderando 9

10 o desvalor da ação e o desvalor do resultado. Certo é que não há justificativa para a punição mais grave da lesão corporal culposa (CTB, detenção de 6 meses a 2 anos) do que a da lesão corporal dolosa (CP, Artigo 129: detenção de 3 meses a 1 ano). Não se aplica o artigo 121, parágrafo 3º ao homicídio culposo cometido na direção de veículo automotor, porque há tipo específico no artigo 302, da Lei n /97. Aumento de pena 4 o No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. a) Resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício. NUCCI critica esta causa de aumento de pena, pois se confunde com a imperícia. Na verdade, estas causas de aumento eram direcionadas para os delitos de trânsito que, à época, não eram previstos em lei especial. Diferentemente, REGIS PRADO sustenta que o agente é portador dos conhecimentos técnicos necessários para o exercício de sua profissão, arte ou ofício, todavia, deliberadamente os desatende. Hipóteses a seguir são causas de aumento por conduta após o fato: pro maior reprovabilidade social e não crime qualificado pelo resultado. b) Se o agente deixa de prestar socorro à vítima: nos delitos de trânsito encontra previsão expressa no artigo 302, parágrafo 4º: deixar de prestar socorro, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à vítima do acidente. ZAFFARONI destaca que a falta de capacidade para dirigir movimentos/ação: pessoa que atropela e fica estática (estado de choque) é hipótese de ausência de conduta. Socorro prestado por terceiro: NUCCI: haver disputa pelo socorro é surreal. Deve-se ponderar quem tem melhores condições para atender a vítima. P. ex. quando o terceiro é médico. No caso do homicídio, é no mínimo ilógico ter de prestar socorro à vítima quando a morte é instantânea... Código de Transito Brasileiro, artigo 304. NUCCI diferencia entre morte clara, inconteste ou duvidosa. c) Não procura diminuir as consequências do seu ato: REGIS PRADO/BITENCOURT entendem redundante, porque abarcada pela omissão de socorro. Já NUCCI sustenta ser uma causa de aumento subsidiária, no caso em que o agente não possa prestar socorro à vítima, seja porque está ameaçado de 10

11 linchamento, seja porque não tem recursos (veículo, p. ex.), poderá atenuar as consequências de seu ato buscando auxílio de terceiros ou chamando a polícia ou o socorro de emergência. d) Foge para evitar a prisão em flagrante: REGIS PRADO diz haver razões de política criminal, para maior eficiência da administração da justiça. BITENCOURT afirma que o agente que presta socorro não pode ser preso e NUCCI diz ser inconstitucional. 1. Não se exige esta atitude do autor do crime doloso, porque exigir do autor do crime culposo, mais brando. 2. Porque não se pode exigir a autoincriminação do autor do fato: Convenção Americana de Direitos Humanos. Norma semelhante no artigo 305 do CTB. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. Causa de aumento de Homicídio doloso mal inserida, deslocada. Menor de 14 anos pelo ECA: qual o critério... menor de 12, 18 anos. Maior de 60 anos Estatuto do Idoso. NUCCI afirma haver maior reprovação social. 5º - Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. Perdão judicial é hipótese de extinção de punibilidade e a sentença tem natureza declaratória. Súmula 18 do STJ: A sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatório. BITENCOURT entende que, presentes os requisitos, é direito público e subjetivo do autor do fato. Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio Art Induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça: Pena - reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave. BITENCOURT critica o tipo penal, pois não sendo criminalizada a ação de matarse ou a sua tentativa, a participação nessa conduta atípica, consequentemente, 11

12 tampouco poderia ser penalmente punível, uma vez que, segundo a teoria da acessoriedade limitada, adotada por nós, a punibilidade da participação em sentido estrito, que é uma atividade secundária, exige que a conduta principal seja típica e antijurídica. 1. Bem Jurídico: a vida humana. 2. Sujeito Ativo: qualquer pessoa. 3. Sujeito Passivo: qualquer pessoa (determinada). É necessário que o suicida atue de forma consciente e voluntária, pois, caso contrário, será homicídio. 4. Tipo Objetivo: induzir (fazer surgir a idéia suicida) ou instigar (reforçar a idéia suicida pré-existente) ou prestar auxílio (colaborando, fornecendo os meios necessários para que a vítima pratique o suicídio) Tipo misto alternativo. HUNGRIA, REGIS PRADO, NUCCI sustentam que a omissão é, em tese, admissível se o autor omisso é o garante, apenas na modalidade auxiliar. Contra, porque a conduta de prestar auxílio é positiva. DAMÁSIO. Pacto de morte: 1. Atira na cabeça do outro e, em seguida na própria, se acaso mata, mas não morre: homicídio. 2. Cada qual atira na própria cabeça, entretanto, se algum sobrevive, responde pelo artigo Tipo Subjetivo: dolo, direto ou eventual. 6. Consumação e Tentativa: Segundo REGIS PRADO, consuma-se com o induzimento, com a instigação ou o auxílio (delito instantâneo e de mera atividade). Não admite tentativa. Se o suicídio não se consuma ou não ocorre ao menos lesão corporal grave, não é possível a aplicação da pena, pois inexistirá punibilidade. O delito, porém, está perfeito em seus elementos. Diversamente, BITENCOURT não admite a tentativa branca e admite a tentativa cruenta, com lesão grave. A condição (morte ou lesão grave) é condição objetiva de punibilidade. 7. Classificação: comum, de ação múltipla ou de conteúdo variado, de resultado, material, doloso e instantâneo. 8. Ação Penal: Pública Incondicionada. Aumento de pena Parágrafo único - A pena é duplicada: I - se o crime é praticado por motivo egoístico; Maior reprovabilidade: p. ex. para receber seguro ou herança. 12

13 II - se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência. Maior propensão da vítima. Infanticídio Art Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após: Pena - detenção, de dois a seis anos. É hipótese de homicídio privilegiado. Anteriormente, nos Códigos Penais de 1830 e 1890 havia a expressão para ocultar desonra própria. 1. Bem Jurídico: a vida humana. 2. Sujeito Ativo: a mãe que mata o próprio filho durante o parto ou logo após, sob a influência do estado puerperal (delito especial próprio). Pela teoria monista, admite-se o concurso de pessoas (NUCCI). Também BITENCOURT e DAMÁSIO. Contra a comunicabilidade da influência do estado puerperal: HUNGRIA, ANIBAL BRUNO e FRAGOSO. Vide CP, artigo Sujeito Passivo: é o feto nascente ou recém-nascido. 4. Tipo Objetivo: matar o próprio filho durante o parto ou logo após, sob a influência do estado puerperal. Conduta comissiva ou omissiva quando, p. ex. não presta os cuidados essenciais. A expressão logo após o parto é a realização imediata e sem interrupção, pois deve haver nexo causal entre a morte e o estado puerperal. 5. Tipo Subjetivo: dolo, direto ou eventual. 6. Consumação e Tentativa: Se consuma com a morte do ser humano nascente ou recém nascido. A tentativa é admissível quando iniciada a ação de matar, esta é interrompida por circunstâncias alheias a vontade do agente. 7. Classificação: próprio; material ou de resultado; de forma livre; impróprio (CP, artigo 13, par. 2º); instantâneo; de dano; unissubjetivo; progressivo; admite a tentativa. 8. Ação Penal: Pública Incondicionada. Confronto com o Aborto: antes de iniciado o parto, a ocisão do feto é aborto; após aquele ter começado, o crime é de infanticídio, desde que praticado sob a influência do estado puerperal. BITENCOURT. 13

14 Aborto ROXIN ensina que da união do óvulo e do espermatozoide, surge uma forma de vida que se tornará um homem no futuro. Portanto o embrião, considerado um fim em si mesmo e não um objeto, um material consumível para fins de pesquisa, merece até certo ponto, proteção e tratamento com dignidade. Questões: 1. Embriões e diagnóstico pré-implantação para detectar severos defeitos genéticos? 2. Embriões produzidos e utilizados para fins de pesquisa buscando a cura para graves doenças com Alzheimer. Na Alemanha, ambas as questões recebem resposta negativa. Na Dinamarca e França, a primeira hipótese é possível. Na Inglaterra, ambas as questões são possíveis. O CP não conceitua aborto REGIS PRADO é elemento normativo extrajurídico do Tipo. Já NUCCI conceitua aborto como a cessação da gravidez, cujo início se dá com a nidação, antes do termo normal, causando a morte do feto ou embrião. 1. Bem Jurídico: a vida humana do ser humano em formação e a vida e a incolumidade física e psíquica da mulher grávida. 2. Sujeito Ativo: No crime de autoaborto e aborto consentido é a própria mãe (delito especial próprio). Nos demais casos, qualquer pessoa. Admite a participação, pois se o terceiro atua diretamente para interromper a gravidez não é participe, mas autor do delito do artigo Sujeito Passivo: ser humano em formação (embrião/feto), que é também o objeto material. Será a mãe quando se atente também contra a sua liberdade (aborto não consentido) ou contra sua vida ou integridade pessoal (aborto qualificado pelo resultado). 4. Tipo Objetivo: provocar (dar causa, promover, ocasionar) o aborto. Forma livre, inclusive por omissão. Pode haver crime impossível por impropriedade do meio (reza ou simpatia) ou do objeto (não havia gravidez ou o feto já estava morto). 5. Tipo Subjetivo: dolo, direto ou eventual. Não se pune a forma culposa. Quando além do dolo do aborto, houver dolo de lesões ou homicídio quanto à mãe, haverá concurso formal de delitos. 6. Consumação e Tentativa: É delito de resultado, consumando-se com a morte do embrião ou do feto. A tentativa é admissível quando, p. ex., das manobras abortivas sobrevém a aceleração do parto, mas o feto sobrevive por circunstâncias alheias a vontade do agente. Se após manobras abortivas, a morte do neonato resulta de causas independentes, existe apenas aborto tentado. 14

15 7. Classificação: delito especial próprio (autoaborto); comum (demais formas); de resultado; instantâneo; e doloso de dano; unissubjetivo (artigo 126 é plurissubjetivo); plurissubsistente; de forma livre; admite a tentativa. 8. Ação Penal: Pública Incondicionada. Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento Art Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena - detenção, de um a três anos. 1 a Parte: Auto aborto 2 a Parte: Aborto consentido É indispensável o consentimento da grávida, desde o início ao fim da conduta. Se acaso o consentimento é revogado durante a conduta e o terceiro prossegue, responde pelo artigo 125. A coautoria não é admissível no autoaborto, pois o terceiro responde pelo artigo 126. Já a participação é admitida. Aborto provocado por terceiro Art Provocar aborto, sem o consentimento da gestante: Pena - reclusão, de três a dez anos. Art Provocar aborto com o consentimento da gestante: Pena - reclusão, de um a quatro anos. Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência. Exceção à teoria monista, ou seja, aplicação da teoria dualista para o concurso de pessoas. Note-se aqui, que a violência é aquela empregada para obtenção do consentimento e não para a realização do aborto. Forma qualificada pelo resultado 15

16 Art As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em consequência do aborto ou dos meios empregados para provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte. As causas de aumento são aplicáveis apenas aos artigos 125 e 126, pois não se pune a autolesão. Crime preterdoloso ou preterintencional há dolo no antecedente e culpa na consequência: o resultado mais grave é imputado a título de culpa. Se abarcado pelo dolo (direto ou eventual), há concurso formal de delitos: aborto e lesão corporal leve ou homicídio consumados. Se dos meios empregados para causar o aborto não sobrevém a morte do feto, mas a lesão corporal grave ou a morte da gestante, configura o aborto qualificado pelo resultado consumado (CP, artigo 127 REGIS PRADO). Este caso, para NUCCI, é tentativa de aborto com lesões graves para a mãe. Aborto legal - permitido Art Não se pune o aborto praticado por médico: Aborto necessário ou terapêutico I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante; Exclui a ilicitude por estado de necessidade. Em princípio, somente o médico, pois necessita conhecer a situação de risco para a gestante. Mas, a enfermeira ou outra pessoa, em tese, também podem se valer do estado de necessidade ou mesmo inexigibilidade de conduta diversa. Prescinde do consentimento da gestante. Aborto no caso de gravidez resultante de estupro ou sentimental, humanitário ou piedoso. II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal. Necessita da comprovação do estupro, todavia, prescinde de condenação ou até mesmo do processo. É necessário o consentimento da gestante. Há, ainda, o aborto eugênico ou eugenésico que é a interrupção da gravidez, causando a morte do feto, quando apresenta graves defeitos e anomalias. Direito alemão permite e ROXIN sustenta que o Direito Penal não pode exigir da mãe este sacrifício que muitas vezes é verdadeiramente heroico. De outro lado, também não pode obrigá-la. Foi incluída no Anteprojeto de Reforma da Parte Especial do Código Penal. 16

17 Também há o aborto econômico-social: quando razões dessa natureza prole numerosa, escassez de recursos, motivem o aborto. ROXIN: Modelo de indicações: o aborto é, em regra punível, todavia, justificado e impunível se for realizado por médico, com o consentimento da gestante e, presente determinados casos, indicações como o risco para a saúde da gestante. Modelo, Solução de prazo: é autorizada a interrupção da gravidez, por vontade da gestante, mesmo que imotivada, dentro de terminado prazo, geralmente 3 meses. A Alemanha segue o modelo de aconselhamento à proteção da vida não nascida procedimento nos três primeiros meses que busca a decisão responsável e consciente. Questão social, sanitária que resulta em política criminal, todavia, um sistema de indicações rígido como o Brasileiro, pode resultar consequências indesejadas como perigos à gestante que vão desde lesões à saúde até extorsões. CAPÍTULO II - DAS LESÕES CORPORAIS Lesão corporal Art Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. Conceito: ofensa física voltada à integridade ou à saúde do corpo humano. A autolesão não é punida. Mas poderá constituir elementar de uma figura do crime de estelionato, quando, p. ex., o agente lesa a própria integridade física ou saúde com o fim de obter indenização ou valor de seguro (CP, art. 171, parágrafo 2 o, V). 1. Bem Jurídico: a incolumidade da pessoa humana, sua integridade física e psíquica. No parágrafo 9 o, o respeito à pessoa no âmbito familiar (REGIS PRADO). Indisponibilidade/disponibilidade do bem consentimento da vítima: historicamente entendida como indisponível, todavia, a evolução social, cultural, relativizaram a própria indisponibilidade da integridade física, pois a ação penal nos casos de lesão leve, culposas dependem de representação (BITENCOURT). É possível a aplicação do princípio da insignificância (NUCCI e BITENCOURT). Entretanto, não se confunde com crime de menor potencial ofensivo. Neste sentido, ANIBAL BRUNO, destaca que não caberia punir como lesão corporal 17

18 uma picada de alfinete, um pequeno arranhão, um resfriado ligeiro, uma dor de cabeça passageira. O consentimento do ofendido também é aplicável como causa supra legal de exclusão de ilicitude (FRAGOSO e NUCCI). Para BITENCOURT e DELMANTO, exclui a tipicidade (material). 2. Sujeito Ativo: qualquer pessoa. Na hipótese do parágrafo 9 o, 1 a parte, apenas o ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro da vítima (delito especial próprio) e, na 2 a parte, aquele que tenha com ela relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade, podendo ser qualquer pessoa (delito comum). 3. Sujeito Passivo: qualquer pessoa. Exceção: Apenas a mulher grávida em algumas hipóteses qualificadas, parágrafos 1 o, inciso IV e 2 o, inciso V, do artigo Tipo Objetivo: ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem. Compreende a alteração, anatômica ou funcional, interna ou externa, do corpo humano, como, p. ex. equimoses, luxações, mutilações, fraturas, etc. Inclui a perturbação psíquica, todavia, mais grave que a simples perturbação de ânimo (BITENCOURT). 5. Tipo Subjetivo: dolo, direto ou eventual e culpa (artigo 121, parágrafo 6º). Ainda, o preterdolo, em determinadas figuras qualificadas. O dolo deve abarcar a conduta, o resultado e o nexo causal. BITENCOURT destaca que o que distingue a lesão corporal da tentativa de homicídio é exatamente o elemento subjetivo: dolo de lesionar ou de matar. Pode haver, ainda, confronto com maus tratos (CP, art. 136), tentativa de lesões corporais (art. 129 c.c 14, II) e perigo para a vida ou a saúde de outrem (art. 132), contravenção de vias de fato. 6. Consumação e Tentativa: Consuma-se com a efetiva ofensa à integridade corporal ou à saúde de outrem (resultado). Admite a tentativa. Exceto a lesão culposa, a lesão corporal grave, prevista no artigo 129, parágrafo 1 o, inciso II, e a lesão gravíssima inscrita no parágrafo 2 o, inciso V, porque os resultados que, no caso, agravam a pena (perigo de vida e aborto) devem ser imputados ao agente unicamente a título de culpa (REGIS PRADO e BITENCOURT). 7. Classificação: comum; material ou de resultado; de forma livre; em regra comissivo ação de ofender, excepcionalmente, comissivo por omissão ou omissivo impróprio, quando exerce a função de garante, artigo 13, parágrafo 2 o ; instantâneo; de dano; unissubjetivo; plurissubsistente. 8. Ação Penal: é Pública, condicionada à representação nas lesões corporais leves, culposas (artigo 88 da Lei n ) e de violência doméstica (artigo 16, da Lei n /2006, e incondicionada nas demais hipóteses). Sob a mesma rubrica lesão grave, dois modelos distintos lesão grave do parágrafo 1 o e lesão gravíssima do parágrafo 2 o ontologicamente não há diferença, senão no desvalor do resultado e reflexo na pena. 18

19 A lesão leve se dá por exclusão. Lesão corporal de natureza grave 1º Se resulta: I - Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias; Toda e qualquer atividade desempenhada pela vítima (habitual, frequente como trabalho, lazer, recreação) e não apenas laborativa (NUCCI, REGIS PRADO e BITENCOURT). Importante porque as crianças e adolescentes também podem ser vítimas. Não abrange atividades ilícitas (criminosas), mas sim imorais como a prostituição. Apenas o exame de corpo de delito não é suficiente, e o exame complementar é indispensável, todavia, o exame suplementar (após 30 dias) poderá ser suprido por prova testemunhal (CPP, artigo 3 o, do Código de Processo Penal) (NUCCI, BITENCOURT). II - perigo de vida; Impropriedade legislativa, pois o perigo é de morte. Não basta a possibilidade, meras suposições: há necessidade de um fator real de risco inerente ao ferimento probabilidade concreta da vida em perigo (NUCCI e BITENCOURT). Praticamente indispensável a perícia, podendo ser substituída apenas por prova testemunhal qualificada: médico que atendeu a vítima. Doutrina e jurisprudência majoritária consideram crime preterdoloso, agravado pelo resultado, em que há dolo na lesão e culpa no perigo de morte, pois, havendo dolo em ambas, seria tentativa de homicídio. NUCCI é contra, pois entende como possível que o agente tenha provocado uma lesão na vítima, assumindo o risco de colocá-la em perigo de vida. III - debilidade permanente de membro, sentido ou função; Debilidade (redução ou enfraquecimento da capacidade funcional) de longa duração não precisa ser definitiva, perpétua. Membros: braços, mãos, pernas e pés. Para NUCCI, a perda de um dedo é considerada como lesão grave. Sentido é a capacidade de percepção: visão, olfato, audição, paladar e tato. Perda da visão em um dos olhos e da audição em um dos ouvidos. Função: é a ação própria de um órgão do corpo humano. Função respiratória, circulatória, digestiva, reprodutora, secretora. P. ex. a perda de um dos rins, pois é órgão duplo. 19

20 IV - aceleração de parto: É a antecipação do nascimento. É indispensável o conhecimento da gravidez, pois o desconhecimento caracteriza a lesão como leve (BITENCOURT). NUCCI sustenta que se houve aceleração de parto, o feto nasceu com vida, morrendo, em face das lesões sofridas, dias, semanas ou meses depois, não há como falar em lesão corporal gravíssima, ou seja, cujo resultado mais grave é o aborto, pois este é um termo específico, que significa a morte do feto antes do nascimento. Trata-se de lesão corporal grave (aceleração do parto). Pena - reclusão, de um a cinco anos. Todas as qualificadoras são de natureza objetiva e, portanto, se comunicam em caso de concurso de pessoas, desde que abarcadas pelo dolo. Lesão corporal de natureza gravíssima : em regra, irreparáveis. 2 Se resulta: I - Incapacidade permanente para o trabalho; Incapacidade somente para o trabalho, mas o trabalho em geral e não de forma específica para a atividade que exercia. Permanente, mas não irreversível, pois pode até curar-se que a qualificadora persiste. II - enfermidade incurável; É a doença cuja cura não é conseguida no atual estágio da Medicina. Não são exigíveis intervenções cirúrgicas arriscadas ou tratamentos duvidosos (BITENCOURT). III - perda ou inutilização do membro, sentido ou função; Perda é a extirpação, quando o membro ou órgão é mutilado, amputado ou extraído. IV - deformidade permanente; Lesão estética visível de certa monta, capaz de produzir desgosto, desconforto a quem vê e vexame humilhação ao portador. Defeito físico permanente, irrecuperável que não perde este caráter se houver a possibilidade artificial de remoção como, p. ex. por cirurgia plástica. 20

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