Pós-Graduação a distância

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "Pós-Graduação a distância"

Transcrição

1 Pós-Graduação a distância Direito Penal e rocesso Penal Direito Penal II / Dos Crimes em Espécie Profº. Fábio Magro

2 Sumário Dos Crimes em Espécie... 4 Dos Crimes Contra a Pessoa... 4 Dos Crimes Contra a Vida Arts. 121 à Homicídio Privilegiado...7 Homicídio Qualificado...8 Homicídio Culposo...9 Homicídio Culposo Qualificado Induzimento, Instigação ou Auxílio a Suicídio Infanticídio Crime de Aborto Das Lesões Corporais Lesões Corporais Dolosas Art Lesões Leves Lesões Corporais de Natureza Grave Lesões Corporais de Natureza Gravíssima Lesões Corporais Privilegiadas Substituição da Pena Lesões Corporais Culposa Causa de Aumento de Pena em Face da Idade da Vítima Perdão Judicial Violência Doméstica Crimes de Periclitação da Vida e da Saúde Arts. 130 A Perigo de Contágio Venéreo Perigo de Contágio de Moléstia Grave Perigo para avida ou Saúde de Outrem Abandono de Incapaz Exposição ou Abandono de Recém-Nascido Omissão de Socorro Dos Crimes contra a Honra Arts. 138 À Dos Crimes contra a Inviolabilidade do Domicílio Dos Crimes contra o Patrimônio Arts. 155 À Do Roubo e da Extorsão Do Dano Art Apropriação Indébita Art

3 Do Estelionato e Outras Fraudes Art Da Receptação Art Dos Crimes contra a Propriedade Imaterial - Art. 184 e Dos Crimes contra a Organização do Trabalho Art. 197 a Dos Crimes contra o Sentimento Religioso e contra o Respeito aos Mortos Art. 208 a Dos Crimes contra a Dignidade Sexual Art. 213 a Do Lenocínio e do Tráfico de Pessoa para fim de Prostituição ou Outra Forma de Exploração Sexual.52 Do Ultraje Público ao Pudor... 54

4 Dos Crimes em Espécie Se existe crime é porque existe direito; e a idéia subversiva de um é como que a sombra da idéia construtora do outro. Clóvis Bevilaqua O Código Penal Brasileiro está dividido em duas partes: Parte Geral, do artigo 1º ao 120; Parte Especial, do artigo 121 ao 361. Ambas contêm normas penais incriminadoras e nãoincriminadoras. Conforme estudado na Parte Geral, as normas penais se classificam em: normas penais incriminadoras; normas penais permissivas; e normas penais complementares ou explicativas. As normas penais permissivas e complementares são denominadas não-incriminadoras. Normas penais de incriminação são as que definem infrações penais e cominam as respectivas sanções. Ex: arts. 123 e 129, caput, do Código Penal, que definem, os crimes de infanticídio e lesão corporal. Normas penais permissivas são as que prevem a licitude ou a impunidade de determinados comportamentos, não obstante sejam típicos diante das normas penais de incriminação. Ex.: disposições dos artigos 20, 21, 23 a 25, 26 a 28, 128 etc. Normas penais complementares, finais ou explicativas, são as que esclarecem outras disposições ou delimitam o âmbito de sua incidência. Ex.: disposições dos artigos 5º, 7º, 10º, 327 etc. A Parte Geral do Código Penal trata das normas penais não-incriminadoras, permissivas e explicativas. Já a Parte Especial trata da definição legal dos crimes em espécie. A definição legal dos crimes não é encontrada na Parte Geral, mas sim, na Parte Especial, embora aquela contenha algumas normas de extensão, como é o caso das previstas nos artigos 14, II, e 29, que tratam, respectivamente, das figuras da tentativa e do concurso de agentes, servindo de complemento das normas penais incriminadoras. A Parte Geral cuida da aplicação da lei penal, do crime, da responsabilidade, do concurso de agentes, das penas e das medidas de segurança, enquanto a Parte Especial descreve os delitos e impõem as penas. As normas penais da Parte Especial do Código Penal podem ser classificadas em: normas penais em sentido amplo; normas penais em sentido estrito. As normas penais em sentido amplo estão definidas nos artigos 121 a 361. Já as normas penais em sentido estrito são as incriminadoras, descritivas de delitos e impositivas das respectivas sanções. Foram classificados os delitos na Parte Especial, tendo em vista a natureza e a importância do objeto jurídico. O Código observou a ordem de apresentação histórica dos crimes e, ainda, partiu do mais simples para atingir o mais complexo. A Parte Especial está dividida em onze títulos, com as seguintes rubricas: crimes contra a pessoa, contra o patrimônio, contra a propriedade imaterial, contra a organização do trabalho, contra o sentimento religioso e contra o respeito aos mortos, contra a dignidade sexual, contra a família, contra a incolumidade pública, contra a paz pública, contra a fé pública e contra a administração pública. Dos Crimes Contra a Pessoa Dos Crimes Contra a Vida Arts. 121 à 127 Como ensina Nélson Hungria, a pessoa humana, sob o duplo ponto de vista material e moral, é um dos mais relevantes objetos da tutela penal. O interesse do estado em proteger a pessoa continua o renomado autor não é apenas por obséquio ao indivíduo, mas, principalmente, por exigência de indeclinável interesse público atinente a elementares condições da vida em sociedade (Comentários ao Código Penal, 4ª ed., Forense, v. V, p.15). Já no entendimento de Júlio Fabbrini Mirabete, a pessoa humana, como centro do universo jurídico, constitui objeto de preponderante relevo na tutela que o Estado exerce através do Direito Penal. O homem é sujeito de direitos e entre estes estão os chamados direitos de personalidade, em seus múltiplos aspectos, físico e moral, individual e social. São direitos essenciais porque se não existissem, a pessoa não poderia 4

5 ser concebida como tal (Manual de Direito Penal, Parte Especial, 3ª ed., Atlas, V. 2, p. 41). Diante destes ensinamentos, podemos concluir que o legislador protege a pessoa humana desde a sua formação, sendo que a tutela penal, ocorre antes mesmo do nascimento, por intermédio da descrição legal do crime de aborto. A classificação dos crimes contra a vida, são os delitos de: homicídio (CP, art. 121); participação em suicídio (induzimento, instigação ou auxílio) (art. 122); infanticídio (art. 123); e aborto (arts. 124 a 127). O homicídio pode ser doloso (simples, art. 121, caput; privilegiado, 1º e qualificado, 2º), culposo (simples ou qualificado, art. 121, 3º e 4º) e preterdoloso (CP, art. 127). É a do aborto qualificado pela lesão corporal grave ou morte. O conceito de homicídio, por vários autores, é a destruição da vida de uma pessoa praticada por outra. No Código Penal Brasileiro, o homicídio simples ou fundamental, está previsto no artigo 121, caput, com a seguinte redação: Matar alguém: Pena reclusão de seis a vinte anos. O objeto jurídico é a preservação da vida humana. O sujeito ativo é qualquer pessoa (crime comum), e o sujeito passivo qualquer ser humano com vida, sem distinção de idade, sexo, raça, condição social etc. Diante disso, qualquer pessoa pode ser sujeito ativo ou passivo, pois não é crime próprio, a exigir uma legitimidade ativa ou passiva especial. O homicídio pode ser praticado por qualquer meio de execução (crime de forma livre). Pode ser cometido por intermédio de conduta comissiva, como atirar na vítima ou feri-la a facadas, ou omissiva, como no caso de deixar de alimentar uma pessoa para matá-la, mãe que não alimenta o filho de tenra idade. Nestes casos é indispensável que exista o dever jurídico do agente de impedir a morte da vítima (CP, art. 13, 2º). Conforme ensinamento de Damásio Evangelista de Jesus, em sua obra Direito Penal Parte Especial V 2, 17ª ed., pg. 18, ed. Saraiva, diz que o dever jurídico advém de um mandamento legal específico, Ex: a mãe deixa a criança morrer de inanição, descumprindo uma obrigação imposta pelos artigos 229, da CF, e 384 do CC; quando o sujeito, de outra maneira, tornou-se garantidor da não-ocorrência do resultado, Ex: guia alpino e alpinista, depois de terminado o contrato com o alpinista, resolva gratuitamente guiá-lo mais algumas horas, trata-se de posição de garantidor, não havendo contrato; e quando uma conduta precedente determinou essa obrigação. Ex: um exímio nadador convida alguém a acompanhálo em longo nado e, em determinado momento, vendo que o companheiro está fraquejando, não o socorre, permitindo a produção de sua morte. É indispensável a existência do nexo causal entre a conduta e o resultado morte, para que o agente possa ser responsabilizado por homicídio (artigo 13 do CP). A classificação do homicídio é crime comum quanto ao sujeito, doloso ou culposo, de forma livre, instantânea, material, de conduta e resultado. O dolo do homicídio é a vontade consciente de eliminar uma vida humana, ou seja, de matar (animus necandi), não exigindo fim especial. Na corrente tradicional é o dolo genérico. A finalidade ou motivo determinante do crime pode, eventualmente, constituir uma ou mais qualificadoras (motivo fútil ou torpe, etc) ou uma causa de diminuição de pena (relevante valor moral ou social etc). Admite-se perfeitamente homicídio com dolo eventual, quando assume o risco de sua produção (CP, art. 18, I), reconhecido pela jurisprudência nos seguintes casos: roleta-russa (RT 409/395); motorista que imprimiu maior velocidade ao veículo que dirigia, para impedir que vítima dele descesse, vindo esta a cair e morrer (RT 432/327). O dolo direto do homicídio é equiparado ao dolo eventual, consideração advinda de longo debate doutrinário. No Código Penal Brasileiro, o dolo direto está contido na expressão quis o resultado (art. 18, I, 1ª parte); o dolo eventual se encontra na expressão assumiu o risco de produzi-lo (art. 18, I, 2ª parte). O dolo alternativo também se encontra na expressão 5

6 quis o resultado : se ele quis um ou outro resultado, e produziu um deles, não deixou de querê-lo. Ex: Recentemente o caso do Deputado Estadual do PR. A prova do homicídio é fornecida pelo laudo de exame de corpo de delito (necroscópico). Quando não é possível o exame direto (o corpo da vítima não é encontrado ou desaparece), permite-se a constituição do corpo de delito indireto por testemunhas, por exemplo, não o suprindo a simples confissão do agente (artigos 158 e 167 do CPP). Exemplos: Caso Elisa Samudio e de Ulisses. Admite o homicídio a tentativa, como todo crime material, a tentativa é possível, desde que, iniciada a execução com ataque ao bem jurídico vida, não se verifique o evento morte, por circunstâncias alheias a vontade do agente. Ex: A atira em B, visando matá-lo, mas o projétil não atinge qualquer órgão vital e a vítima não morre, por circunstâncias alheias à vontade de A. Comum o agente efetuar um disparo quando ainda dispõe de munição na arma. Nesses casos tem-se decidido pela desistência voluntária, respondendo o agente apenas por eventuais lesões corporais e não por tentativa de homicídio (RT 527/335, 523/352 e 378/210). A diferença entre a tentativa de homicídio e o delito de lesões corporais é dada apenas pelo elemento subjetivo, ou seja, pela existência ou não do animus necandi, embora este possa ser deduzido por circunstâncias objetivas (violência dos golpes, profundidade das lesões etc). O homicídio é delito instantâneo de efeito permanente. É instantâneo porque a consumação é atingida em determinado momento, que corresponde à morte da vítima. Não é permanente porque para a caracterização deste se exige que a lesão jurídica perdure no tempo, como ocorre no sequestro e no cárcere privado. É plausível a ocorrência de erro de tipo ou de proibição, a ser avaliado à luz dos artigos 20 e 21 do Código Penal. O erro de tipo no homicídio pode ser essencial e acidental. O primeiro é o que versa sobre as elementares ou circunstâncias da figura típica do homicídio e se apresenta sob duas formas: invencível (escusável) e vencível (inescusável). O segundo é o que versa sobre dados secundários do homicídio. Há erro de tipo essencial quando a falsa percepção impede o sujeito de compreender a natureza criminosa do fato. Ex.: matar um homem supondo tratar-se de animal bravio. Os efeitos do erro no homicídio no caso erro acidental, não beneficia o sujeito. Já no essencial invencível exclui o dolo e a culpa, (art. 20, caput, do CP), enquanto que o vencível exclui o dolo, mas não a culpa, respondendo o autor por crime de homicídio culposo (art. 20, caput, 2ª parte do CP). No exemplo do caçador que atira no amigo supondo tratar-se de animal bravio podem ocorrer duas hipóteses: tratando-se de erro de tipo essencial invencível, não responde por crime de homicídio doloso ou culposo. Provando-se que qualquer pessoa, nas condições em que se viu envolvido, teria a mesma suposição, qual seja, que se tratava de animal bravio, há exclusão do dolo e da culpa, aplicando-se o disposto no artigo 20, caput, 1ª parte; tratando-se de erro de tipo essencial vencível, não responde por crime de homicídio doloso, mas sim por crime de homicídio culposo. Provandose que qualquer pessoa, nas condições em que o caçador se viu envolvido, empregando a diligência ordinária exigida pela ordem jurídica, não incidiria em erro, isto é, não faria a leviana suposição de tratar-se de animal bravio, há exclusão do dolo, mas não da culpa. Ocorre que o erro resultou de desatenção, leviandade, negligência do sujeito, respondendo pelo fato culposo, aplicando-se o que dispõe o artigo 20, caput, 2ª parte do Código Penal. Com relação ao erro de tipo no homicídio acidental, são divididos em três: erro sobre a pessoa (error in persona) (CP, art. 20, 3º); quando há erro de representação, em face do qual o sujeito atinge uma pessoa supondo tratar-se da que deseja matar. Ele prevê o nexo de causalidade entre sua conduta e a morte de 6

7 A; pratica a conduta e causa a morte de B. Há desvio entre o curso causal representado e o que efetivamente ocorreu. erro na execução (aberratio ictus) (CP, art. 73); ocorre quando o sujeito pretende matar uma pessoa que se encontra ao lado de outra, vem atingi-la. Ocorre disparidade entre a relação de causalidade entre a conduta e a morte prevista pelo agente e o nexo de causalidade realmente produzido. Ex: Pretende atingir a pessoa de João, e causa a morte de Luciano. No caso de também ser atingida a pessoa de João, aplica-se a regra do art. 70 do Código Penal, somente ao crime de homicídio doloso. resultado diverso do pretendido (aberratio criminis ou delicti) (CP, art. 74); desvio do crime. Conforme demonstrado acima, o erro na execução ocorre quando o agente quer matar uma pessoa e mata outra (ou ambas). Já no resultado diverso, o sujeito quer atingir um bem jurídico e ofende outro (de espécie diversa). Na aberratio ictus, se o sujeito quer matar A e vem atingir B, responde como se tivesse atingido o primeiro, na aberratio criminis a solução é outra, pois o Código manda que seja punido a título de culpa o resultado diverso do pretendido, podendo ocorrer vários casos: o sujeito quer atingir uma coisa e mata uma pessoa; neste caso respondendo pelo resultado produzido a título de culpa (homicídio culposo); no segundo pretende matar uma pessoa e atinge uma coisa; não responde por crime de dano culposo, uma vez que o Código não prevê a modalidade culposa, respondendo por tentativa de homicídio; na terceira o sujeito que matar uma pessoa, vindo atingir esta e uma coisa; responde apenas pelo resultado causado na pessoa, pois, não há dano culposo; e o último pretende atingir uma coisa, vindo a ofender esta e a matar uma pessoa; neste caso responde por dois crimes, o artigo 163 e homicídio culposo em concurso formal (concurso entre crime doloso e culposo). Conforme estudado na Parte Geral, vimos as descriminantes putativas, ocorrendo quando o sujeito, levado a erro, no caso concreto, supõe agir de acordo com uma causa que exclui de ilicitude o seu ato. Assim existe a possibilidade de ocorrência de estado de necessidade putativa, legítima defesa putativa, de estrito cumprimento de dever legal ou de exercício regular de direito, aplicando-se o disposto no artigo 20, 1º, 1ª parte: É isento de pena quem, por erro plenamente justificado pelas circunstâncias, supõe situação de fato que, se existisse, tornaria a ação legítima. O homicídio atinge a consumação com a morte da vítima, admitindo a forma tentada. Ex: o sujeito, agindo dolosamente, desfere tiros de revólver na vítima, que, mortalmente ferida, vem a ser salva. Neste caso, o sujeito não alcançou a consumação do delito, com a morte da vítima, por circunstâncias alheias à sua vontade. Nossa lei não faz diferença entre tentativa perfeita (crime falho, delito frustado) e imperfeita, pelo que recebem igual tratamento penal no que tange à aplicação da pena em abstrato (artigo 14, parágrafo único). O dolo da tentativa é o mesmo do crime consumado. Aquele que mata age com o mesmo dolo daquele que tenta matar. Também devemos atentar para a possibilidade de ocorrência da desistência voluntária (CP, art. 15), quando o agente, por exemplo, embora podendo continuar atirando, cessa os disparos que fazia contra a vítima; caso já a tenha ferido, responderá pelo delito de lesão corporal e não por tentativa de homicídio. A ação penal é pública incondicionada, competindo ao júri o julgamento. Com a nova Lei nº , de , o 2º passou a disciplinar a progressão do regime de cumprimento de pena do seguinte modo: A progressão de regime, no caso dos condenados aos crimes previstos neste artigo, dar-se-á após o cumprimento de dois quintos da pena, se o apenado for primário, e de três quintos, se reincidente. A proibição de liberdade provisória foi, igualmente, suprimida. Homicídio Privilegiado No parágrafo 1º do artigo 121 é definido o crime de homicídio privilegiado, não delito autônomo, mas um caso de diminuição de pena, em virtude de circunstâncias especiais que se ajuntam ao fato típico fundamental: Quando o 7

8 agente é impelido por motivo de relevante valor social; quando o crime é cometido por motivo de relevante valor moral; e quando o delito é cometido pelo agente, sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida à injusta provocação da vítima. Neste caso o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço, querendo isto significar uma faculdade, pois, caso contrário, diria deve. Mas a jurisprudência, contudo, se assenta no sentido de que a redução seja obrigatoriamente aplicada. Atualmente, com o advento da Lei nº /2008, que reformou o procedimento do Júri, verifica-se que o artigo 483, 3º, I, do CPP expressamente prevê que, (...): I causa de diminuição de pena alegada pela defesa. As duas primeiras figuras típicas contempladas no artigo 121, 1º, como formas privilegiadas do homicídio, estão presas aos motivos determinantes do crime. Inicialmente tem-se a causa especial de diminuição de pena quando o crime é praticado por revelante valor social, ocorrendo quando a causa do delito diz respeito a um interesse coletivo. Ex: o sujeito mata o vil traidor da pátria. A segunda, ou seja, o motivo de relevante valor moral diz respeito aos interesses individuais, particulares, do agente, entre eles os sentimentos de piedade e compaixão. Ex: o sujeito mata o estuprador de sua filha. Coronel acusado de matar vários adolescentes em Curitiba. O Código Penal brasileiro não reconhece a impunibilidade do homicídio eutanásico, haja ou não consentimento do ofendido, mas, em consideração ao motivo, de revelante valor moral, permite a minoração da pena. É punível a eutanásia por omissão (ortotanásia), mas discutese a possibilidade de não se falar em homicídio quando se interrompe uma vida mantida artificialmente por meio de aparelhos. A última figura típica privilegiada descreve o homicídio cometido pelo sujeito sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação do ofendido, não se confundindo com a atenuante genérica do artigo 65, III, c, parte final, do CP: no homicídio privilegiado, o agente se encontra sob o domínio de violenta emoção e há de realizar a conduta logo após a provocação da vítima; na atenuante genérica, ele se acha sob a influência da emoção, não exigindo o requisito temporal. Um homicídio cometido horas ou dias depois da provocação injusta não é privilegiado. Homicídio Qualificado As qualificadoras do homicídio, previstas no artigo 121, 2º, do CP, resultam: 1. dos motivos determinantes: paga, promessa de recompensa ou outro motivo torpe e motivo fútil (I e II); 2. dos meios: veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum (III); 3. da forma de execução: traição, emboscada, mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido (IV); 4. da conexão com outro crime: fato praticado para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime (V). A pena é de reclusão de doze a trinta anos. É hediondo o homicídio qualificado (art. 121, 2º, I a V) (art. 1º, I, segunda parte, da Lei nº 8.072/90, com a nova redação dada pela Lei nº 8.930/94. Todavia, não é hediondo o homicídio qualificado privilegiado. Conforme dito anteriormente, houve também a mudança com a nova Lei nº /2007, no artigo 2º, 2º ao disciplinar a progressão de regime (Caso Daniela Perez ). Conforme estudamos na graduação, o homicídio mediante paga é o chamado mercenário, que o agente pratica por motivo de pagamento. O Código Penal, também qualifica o cometido por motivo de promessa de recompensa, isto é, a expectativa de paga, predominando o entendimento de que deve ter o valor econômico. O motivo torpe é o motivo baixo, repugnante, ignóbil, vil, que repugna à coletividade. Ex: matar alguém para adquirir-lhe a herança, por ódio de classe, vaidade e prazer de ver sofrer. Ex: Caso Richthofen. O motivo fútil é o praticado por motivo insignificante, sem importância, leviano, totalmente desproporcionado em relação ao crime, em vista de sua banalidade. Ex: Matar a esposa porque deixou queimar o arroz na panela. Não se deve confundir motivo fútil com o motivo injusto, pois, em muitos casos, um motivo que traz em si a aparência de frívolo projeta-se como relativamente suficiente, exonerando a qualificadora da futilidade. O homicídio pelo emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum. Nesses casos, a conduta do agente denota maior periculosidade, dificultando a defesa da vítima ou pondo em risco a incolumidade pública. Veneno: é um meio insidioso. Trata-se de toda substância que, introduzida no organismo, por intermédio de ação biológica ou química pode lesar ou causar a morte. Para a qualificadora é necessário que o veneno seja propinado 8

9 insidiosamente. Se houver emprego de violência no sentido de que a vítima ingira a substância, não ocorre a qualificadora, podendo incidir o meio cruel. Fogo e explosivo: Fogo. Ex: Índio Galdino. Explosivo. O meio usado é a dinamite ou substância de efeitos análogos. Asfíxia: Pode ser mecânica (Ex: enforcamento, afogamento etc) ou tóxica (Ex: gás asfixiante). Embora a Lei nº 7.209/84 tenha retirado a asfíxia das circunstâncias agravantes, ela permanece como qualificadora do homicídio. Tortura: É a inflição de mal desnecessário para causar à vítima dor, angústia, amargura, sofrimento. Pode ser ela física ou moral. Observe-se que o homicídio qualificado pelo emprego de tortura não se confunde com o crime de tortura do qual resulte morte (artigo 1º, 3º, da Lei nº 9.455/97). Insídioso: Aqueles constituídos de fraude, clandestinos, desconhecidos da vítima, que não sabe estar sendo atacada. Ex: A sabotagem de um motor de automóvel ou de aeroplano. Meio cruel: é aquele que causa sofrimentos à vítima, que revela uma brutalidade fora do comum e que contraria os mais elementares sentimentos de piedade, não incidindo se empregado após sua morte. Ex: O vídeo assistido anteriormente do jogador Bruno. Meio de que possa resultar perigo comum: É aquele que pode alcançar indefinido número de pessoas. Diferenciase dos crimes de perigo comum porque a finalidade do agente do homicídio é a morte e não o perigo comum. Traição: É a quebra de confiança depositada pela vítima no agente, que dela se aproveita para matá-la, podendo ser física (Ex: Matar pelas costas), ou moral (Ex: sujeito atrair a vítima a local onde existe um poço). Emboscada: É a tocaia, espera, por parte do agente, da passagem ou chegada da vítima descuidada, para feri-la de improviso. Dissimulação: O agente esconde ou disfarça o seu propósito, para atingir o ofendido desprevenido. Tanto qualifica a ocultação do propósito como o disfarce usado pelo próprio agente para se aproximar da vítima. Por fim, o Código Penal se refere a recurso que dificulte ou torne impossível a defesa da vítima. É necessário que tais meios se assemelhem à traição, emboscada ou dissimulação. A surpresa, para qualificar, é a insidiosa e inesperada para a vítima, dificultando ou impossibilitando sua defesa. A superioridade em armas ou forças, por si só, não qualifica, pois não é, sempre, recurso que dificulte ou impossibilite a defesa. As figuras típicas do homicídio qualificado pela conexão com outro crime, são: a) matar alguém para assegurar a execução de outro crime. b) matar alguém para assegurar a ocultação de outro crime. c) matar alguém para assegurar a impunidade de outro crime. d) matar alguém para assegurar vantagem em relação a outro crime. e) Conexão é o liame objetivo ou subjetivo que liga dois ou mais crimes. Homicídio Culposo Toda vez que o agente atua com imprudência, negligência ou imperícia, inobserva o cuidado objetivo exigível nas circunstâncias em que o fato ocorreu e acarreta, em razão desta inobservância, um resultado a que se atribui um caráter penal, tipificando uma infração culposa. No meu modo de ver, a culpa é a omissão da diligência do homem normal. Na definição de Maggiore, é a conduta voluntária (ação ou omissão) que produz um resultado antijurídico não querido, mas previsível, ou excepcionalmente previsto, de tal modo que podia, com a devida atenção, ser evitado. A culpabilidade, no delito de homicídio culposo, possui os mesmos elementos dos crimes dolosos: imputabilidade, potencial consciência da antijuridicidade e exigibilidade de conduta diversa. Os elementos do tipo culposo no homicídio são: a) comportamento humano voluntário, positivo ou negativo. Se inicia com a realização voluntária de uma conduta de fazer ou não fazer. A conduta inicial pode ser positiva, como por exemplo dirigir um veículo; ou negativa, como por exemplo, deixar de alimentar um recém-nascido; b) descumprimento do cuidado objetivo necessário manifestado pela imprudência, negligência ou imperícia. A imprudência é a prática de um fato perigoso, como por exemplo, dirigir veículo em rua movimentada com excesso de velocidade. A negligência é a ausência de precaução ou indiferença em relação ao ato realizado, como por exemplo, deixar arma de fogo ao alcance de uma criança. A imperícia é a falta de aptidão para o exercício de arte ou profissão. O químico, o eletricista, o motorista, o engenheiro, etc. A imperícia não se confunde com o erro profissional; c) previsibilidade objetiva do resultado. A previsibilidade objetiva, que constitui a possibilidade de antevisão da morte da vítima; d) inexistência de previsão do resultado. É necessário que o sujeito não tenha previsto o resultado morte. Se o previu, não estamos no terreno da culpa stricto sensu, mas do dolo. A morte era previsível, mas não foi prevista pelo sujeito, como por exemplo, um motorista dirige veículo em rua movimentada com excesso de velocidade e prevê que vai atropelar o transeunte, se continuar a marcha e matá-lo, não irá responder por homicídio culposo, mas sim doloso; Ex: Vídeo assistido anteriormente do acidente do ex-deputado estadual do Paraná. e) morte involuntária. Sem a morte não há falar-se em crime de homicídio culposo. Ou a conduta inicial constitui infração em si mesma ou é um 9

10 indiferente penal; f) tipicidade. As espécies de culpa no homicídio, são divididas em duas formas: culpa consciente e inconsciente e própria e imprópria. Culpa consciente o resultado morte é previsto pelo sujeito, que espera levianamente que não ocorra ou que possa evitá-lo. Ex: numa caçada, o sujeito vê um animal nas proximidades de seu companheiro. Confia, porém, em sua pontaria, acreditando que não virá a matá-lo, atira e o mata. Não responde por homicídio doloso, mas sim por homicídio culposo (CP, art. 121, 3º). Observa-se que o sujeito previu o resultado, mas, levianamente, acreditou que não ocorresse, conforme falamos anteriormente.. A culpa consciente se diferencia do dolo eventual. Neste, o sujeito tolera a produção do resultado, este lhe é indiferente, tanto faz que ocorra ou não. Ele assume o risco de produzilo. Na culpa consciente, ao contrário, o agente não quer o resultado, não assume o risco de reproduzi-lo e nem lhe é tolerável ou indiferente. O evento é previsto, mas confia em sua não produção. Na culpa inconsciente a morte da vítima não é prevista pelo sujeito, embora previsível. É a culpa comum, que se manifesta pela imprudência, negligência ou imperícia. Culpa própria é a comum, em que o resultado morte não é previsto, embora seja previsível. Nela o agente não quer o resultado e nem assume o risco de produzi-lo. Já na culpa imprópria, também denominada culpa por extensão, assimilação ou equiparação, o resultado morte é querido pelo sujeito, que labora em erro de proibição inescusável ou vencível. Ex: o sujeito é vítima de furto em sua residência por diversos dias seguidos. Em determinada noite, arma-se com um revólver e se coloca de atalaia, à espera do ladrão. Vendo entrar um vulto em seu quintal, levianamente (imprudentemente, negligentemente) supõe tratar-se do ladrão, acreditando estar agindo em legítima defesa de sua propriedade, atira na direção do vulto, matando-a. Prova-se, posteriormente, que não se tratava do ladrão contumaz, mas de terceiro inocente. Note-se que o resultado (morte da vítima) foi querido, porém, o agente realizou a conduta por erro de tipo vencível ou inescusável, pois, se ele fosse mais atento, teria percebido que não era o ladrão, mas terceiro inocente (um parente, p. ex.). Enquanto o erro de tipo escusável exclui o dolo e a culpa, o inescusável afasta o dolo, subsistindo a culpa. Por esta razão o sujeito responde por homicídio culposo e não doloso, aplicando-se o disposto no artigo 20, 1º, do CP. Podemos verificar que na chamada culpa imprópria na verdade há um delito doloso a que se impõe a pena de um crime culposo. Tratando -se de homicídio culposo na direção de veículo automotor, vide art. 302 da Lei nº 9.503/97 (Código de Trânsito Brasileiro). Homicídio Culposo Qualificado Se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o sujeito deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as consequências de seu comportamento, ou foge para evitar prisão em flagrante. Existe o elemento subjetivo relativo à finalidade de evitar a prisão em flagrante, em se tratando de acidente de trânsito, segundo o artigo 301 do Código de Trânsito Brasileiro (Lei nº 9.503/97). A inobservância de regra técnica não se confunde com imperícia e, para alguns autores, só se aplica aos profissionais. Ex: o motorista, dirigindo veículo, causa a morte de um transeunte deixando de observar regra de trânsito. A omissão de socorro, exige ausência de risco pessoal para o agente e não pode ser aplicada em concurso com o delito do artigo 135 do CP. Por ser regra especial, a omissão de socorro deste parágrafo 4º do artigo 121 prevalece sobre a norma do artigo 13, 2º, c, do CP. O elemento subjetivo da qualificadora da omissão de socorro é o dolo de perigo, vontade livre e consciente de expor a vítima a perigo de dano ou de mantê-la, após a conduta culposa de que adveio a lesão corporal, sob o efeito de tal perigo. 10

11 A qualificadora só incide, é evidente, quando cabível o socorro. Nos crimes de acidentes de trânsito, ver artigos 304 e 305 do CTB, Lei nº 9.503/97. A última causa de aumento de pena é fuga para evitar a prisão em flagrante, a não ser o caso de acidente de trânsito mencionado anteriormente. Não há qualificadora quando o sujeito foge a fim de evitar linchamento, ou se sofreu lesões, foi em busca de socorro. Por fim, a qualificadora do homicídio culposo do parágrafo 5º, que trata-se do perdão judicial. Perdão judicial é o instituto pelo qual o juiz, não obstante a prática delituosa por um sujeito culpado, não lhe aplica pena, levando em consideração determinadas circunstâncias. Na Parte Geral nos vimos que a causa extintiva da punibilidade, está previsto no artigo 107, IX, do CP, prevalecendo hoje pelos nossos Tribunais. A Lei nº 6.416/77 acrescentou ao artigo 121 o parágrafo 5º, prevendo um novo caso de perdão judicial: Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as consequências da infração atingiram o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. As consequências a que o parágrafo se refere tanto podem ser físicas (ex: ferimentos no agente) como morais (morte ou lesão em parentes, em pessoas ao agente por afinidade ou por laços de afeto, como amásio, amigo, namorada. Deve haver entre vítima e agente vínculo afetivo com razoável expressão. O perdão judicial é aplicado aos parágrafos 3º e 4º do artigo 121 e também aos parágrafos 6º e 7º do artigo 129 do CP. Conforme vimos em todo o artigo 121, o homicídio simples é apenado com reclusão, de seis a vinte anos. Tratando-se da forma privilegiada, a pena pode ser diminuída de um sexto a um terço. O homicídio qualificado tem pena de reclusão, de doze a trinta anos. Tratandose de fato doloso e de vítima menor de 14 anos há o acréscimo de um terço, incidindo sobre as penas das figuras típicas simples, privilegiadas e qualificadas. Para o homicídio culposo simples, o CP prevê pena de detenção, de um a três anos. O homicídio qualificado (CP, art. 121, 4º) é apenado com detenção, de um a três anos, mais aumento de um terço. A segunda parte do parágrafo 4º (ou maior de sessenta anos) foi acrescentada pela Lei nº , de (Estatuto do Idoso). A ação penal é pública incondicionada, com processo pelo rito especial estabelecido para os crimes de competência do júri. Nos crimes de homicídio culposo, também pode ser beneficiado pela Lei nº 9.099/ 95, artigo 89. Induzimento, Instigação ou Auxílio a Suicídio O suicídio, sob o aspecto formal, constitui indiferente penal. Embora sendo o suicídio um fato ilícito ou antijurídico, por ser um mal social que contraria interesses morais e demográficos do Estado, a lei não pune o suicídio por razões de ordem lógica ou puramente utilitária. Sob o ponto de vista repressivo não se pode cuidar de pena contra um cadáver; do ponto de vista preventivo, seria inútil a ameaça da pena contra quem não sente o termo da morte. Conclusão: não haveria oportunidade para o exercício de qualquer das funções da pena, nem a ação segregadora, porque a vítima e o autor se confundem, nem a influência intimidativa, porque quem não temeu a morte não seria sensível a qualquer punição. Embora o suicídio não constitua ilícito penal, a participação é prevista como crime. O Código Penal, no artigo 122, caput, descreve o fato como a conduta de induzir ou instigar alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio para que o faça. Para que haja delito de participação em suicídio é necessário que a vítima tenha capacidade de resistência. Tratando-se de alienado mental, de criança, a ausência de vontade válida faz com que inexista o delito privilegiado, cuidando-se de homicídio (autoria mediata). O legislador, na descrição típica do artigo 122 do CP, protege o direito à vida, para que haja crime é necessário que resulte morte ou lesão corporal de natureza grave. Não vindo a vítima a morrer ou a sofrer lesão corporal de natureza grave, não há crime. 11

12 A participação em suicídio é delito próprio. Pode ser praticado por qualquer sujeito ativo, como também qualquer pessoa pode ser sujeito passivo, desde que tenha discernimento, senão o crime poderá ser homicídio. É necessário que seja determinada a pessoa induzida ou instigada. Hão há crime, por exemplo, na hipótese de o sujeito escrever um conto que leve seus leitores ao suicídio. A participação em suicídio pode ser moral e material. A moral é a praticada por intermédio de induzimento (incitar) ou instigação (estimular ideia já existente). A material é a realizada por meio de auxílio (ajudar materialmente). Se o agente praticar mais de uma ação, o crime será único (tipo alternativo). Não há auxílio por omissão. Conforme dissemos anteriormente, o crime só é punido quando há morte da vítima ou esta sofre lesão corporal grave. O elemento subjetivo do tipo é o dolo (vontade livre e consciente de praticar a conduta prevista), tanto genérico como específico. O dolo genérico estaria na vontade livre e consciente de induzir, instigar ou auxiliar alguém a suicidar-se. O dolo específico na intenção de que a vítima viesse a se matar. Geralmente, é o dolo direto, mas, para alguns, também em sua forma eventual, artigo 18, único do Código Penal. Não existe participação por culpa. A tentativa teoricamente seria possível, quando o agente induzisse e a vítima acabasse por não praticar o ato. Nos termos do Código, não há punição se a vítima não morrer ou sofrer, pelo menos lesão corporal de natureza grave, o fato é atípico. Portanto, é inadmissível. Note-se que o Código impõe a pena de reclusão, de 2 a 6 anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de 1 a 3 anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave. Logo, é atípico o fato se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza leve, ou se a vítima não vem a sofrer nenhuma lesão corporal. A ação é pública incondicionada, cabendo ao júri o julgamento. Nos termos do artigo 122, único, do CP, a pena é duplicada se o crime é praticado por motivo egoístico (nº I), ou se a vítima é menor, ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência (nº II). O motivo egoístico é o caso, por exemplo, de o sujeito induzir a vítima a suicidar-se para ficar com a herança. A menoridade da vítima, trata-se de menor de 18 anos e maior de 14. Se a vítima é maior de 18 anos, aplica-se o caput do artigo 122. Se a vítima é menor de 14 anos, há crime de homicídio. A qualificadora só é aplicável quando a vítima tem idade entre 14 e 18 anos. A terceira qualificadora prevê a hipótese de a vítima ter diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência, como enfermidade física ou mental, idade avançada etc. Ex: induzir ao suicídio vítima embriagada. A embriaguez deve apenas diminuir a capacidade de resistência vítima. Se anula completamente tal capacidade, terá o sujeito cometido homicídio e não participação em suicídio. Infanticídio O Código Penal de 1940 adotou critério diverso, acatando o de natureza psicofisiológica da influência do estado puerperal. A conduta que se encerra no tipo vem contida no preceito primário do artigo 123: Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após: Pena detenção de 2 a 6 anos. Assim, o infanticídio, em face da legislação penal vigente, não constitui mais forma típica privilegiada de homicídio, mas de delito autônomo com denominação jurídica própria. O infanticídio não deixa de ser, doutrinariamente, forma de homicídio privilegiado, em que o legislador leva em consideração a situação particular da mulher que vem a matar o próprio filho em condições especiais. O objeto jurídico do crime de infanticídio é o direito à vida. Nos termos do artigo 123 do CP, o fato é cometido pela mãe durante o parto ou logo após. Diante disso, o direito à vida que se protege é tanto o do neonato como o do nascente. Neonato, o que acabou de nascer; nascente, o que é morto durante o parto. O sujeito ativo só a mãe (crime próprio). 12

13 O sujeito passivo, é o neonato ou nascente, de acordo com a ocasião da prática do fato: durante o parto ou logo após. Se a mãe, mesmo estando sob influência do estado puerperal e logo após o parto, mata algum outro filho que não o nascente ou recém-nascido, incide no crime de homicídio. O crime de infanticídio, para ser qualificado, deve ser praticado durante ou logo após o parto. Há infanticídio quando a conduta é executada pela mãe durante esse lapso temporal. Antes de iniciado o parto existe aborto e não infanticídio. O parto se inicia com a dilatação, em que se apresentam as circunstâncias caracterizadoras das dores e da dilatação do colo do útero. Após, vem a fase de expulsão, em que o nascente é impelido para a parte externa do útero. Por último, há a expulsão da placenta. Com a expulsão desta, o parto está terminado. O infanticídio só é punível a título de dolo, que corresponde à vontade de concretizar os elementos objetivos descritos no artigo 123 do CP. Admite-se a forma direta, em que a mãe quer precisamente a morte do próprio filho, e a forma eventual, em que assume o risco de lhe causar a morte. Não há infanticídio culposo, uma vez que no artigo 123 do CP, o legislador não se refere à modalidade culposa (CP, art. 18, parágrafo único). Se a mulher vem a matar o próprio filho, sob a influência do estado puerperal, de forma culposa, não responde por delito algum (nem homicídio, nem infanticídio). Se a mulher vier a matar a criança, não se encontrando sob a influência do estado puerperal, agindo culposamente, neste caso, haverá o homicídio culposo, descrito no artigo 121, 3º do CP. Pode haver crime impossível (artigo 17 do CP), quando a mãe pratica o fato já estando a criança morta. O infanticídio é delito próprio, de dano, material, instantâneo, comissivo ou omissivo impróprio, principal, simples, de forma livre e plurissubsistente. É possível a tentativa, desde que a morte não ocorra por circunstâncias alheias à vontade da autora. A doutrina divide-se no concurso de pessoas, entendendo uns que pode haver. Mas a maioria dos doutrinadores entendem que o concurso deve ser admitido de acordo com a regra do CP, art. 30. Embora não seja a solução mais justa, o coautor ou o participe não se encontram em estado puerperal, não merecendo receber a pena mais branda do infanticídio, mas foi a adotada pelo legislador. O infanticídio é apenado com detenção, de dois a seis anos. A ação penal é pública incondicionada, competindo ao júri o julgamento. Crime de Aborto Aborto é a interrupção da gravidez com a consequente morte do feto (produto da concepção). É a morte do ovo (até três semanas de gestação), embrião (de três semanas a três meses) ou feto (após três meses), não implicando necessariamente sua expulsão. A palavra abortamento tem maior significado técnico que aborto. Aquela indica a conduta de abortar; esta, o produto da concepção cuja gravidez foi interrompida. Entretanto, de observar-se que a expressão aborto é mais comum e foi empregada pelo CP nas indicações marginais das disposições incriminadoras. O aborto pode ser natural, acidental, criminoso e legal ou permitido. Os dois primeiros não constituem crime. O aborto natural, há interrupção espontânea da gravidez. O aborto acidental, geralmente ocorre em consequência de traumatismo; interrupção da gravidez causada por queda, atropelamento. A nossa legislação atual, só permite duas formas de aborto legal: o denominado aborto necessário ou terapêutico, previsto no artigo 128, I, caso em que o fato, quando praticado por médico, não é punido, desde que não haja outro meio de salvar a vida da gestante. O segundo caso de aborto permitido é o descrito no artigo 128, II, hipótese em que a gravidez resulta de estupro. Também chamado de aborto sentimental ou humanitário. No auto-aborto só há uma tutela penal: o direito à vida, cujo titular é o feto. É delito próprio, pois o tipo exige da autora uma especial capacidade penal, contida na condição de 13

14 gestante (condição de fato). No aborto provocado por terceiro há duas objetividades jurídicas. A imediata incide sobre o direito à vida, cujo o titular é o produto da concepção. A mediata incide sobre o direito à vida e a incolumidade física e psíquica da própria gestante. O aborto é crime material, uma vez que as figuras típicas descrevem a conduta de provocar o resultado, que é a morte do feto, exigindo a sua produção. Delito instantâneo, a consumação ocorre num só momento e aí se esgota, não tendo continuidade a lesão do bem jurídico. É crime de dano e não de perigo, uma vez que se consuma com a efetiva lesão do objeto jurídico. Crime de forma livre, pode ser executado por qualquer meio, ação ou omissão, físico, químico, mecânico, material ou moral. O crime de aborto apresenta os seis tipos penais: a) auto-aborto (em si mesma) (CP, art. 124, 1ª parte) A gestante, por intermédio de meios executivos químicos, físicos ou mecânicos, provoca em si mesma a interrupção da gravidez, causando a morte do feto. Admite concurso de pessoas, quem apenas auxilia a gestante, induzindo, instigando, acompanhando, será copartícipe deste crime e não do artigo 126 do CP. A coautoria do art.126, é quem eventualmente auxilie o autor da execução material do aborto, como por exemplo a enfermeira, anestesista; b) fato de a gestante consentir que outrem lhe provoque aborto (CP, art. 124, 2ª parte) A gestante presta consentimento no sentido de que terceiro lhe provoque o aborto; c) aborto provocado sem o consentimento da gestante (art. 125) Comporta duas formas: não concordância real (violência, grave ameaça ou fraude) e não concordância presumida ( menor de 14 anos, alienada ou débil mental); d) aborto provocado com o consentimento da gestante (art. 126) Defini-se a provocação do aborto com o consentimento da gestante. Esta responderá pelo crime previsto no artigo 124 e aquele que pratica as manobras abortivas ou causa o aborto de outra forma será punido por este artigo, com pena mais severa. O erro do agente, supondo justificadamente que há consentimento da gestante, quando isso ocorre, é erro de tipo, (CP, artigo 20); e) aborto qualificado pela lesão corporal grave ou morte da gestante (art. 127) As penas dos crimes de aborto provocado com e sem o consentimento da gestante são aumentadas de 1/3, se, em consequência do fato ou dos meios empregados para a provocação, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte (CP, artigo 127). As formas qualificadas são aplicáveis aos crimes descritos nos artigos 125 e 126 do CP. Não se aplica ao aborto provocado pela gestante ou com sem consentimento o artigo 124, uma vez que a legislação penal brasileira não pune a autolesão; f) aborto legal necessário (art. 128, I) e sentimental (art. 128, II). O primeiro, também conhecido como terapêutico, é o aborto praticado quando não há outro meio de salvar a vida da gestante. Neste inciso, é dispensável a concordância da gestante ou de seu representante legal, se o perigo de vida for iminente (CP, artigo 146, 3º, I). O segundo, também conhecido como ético ou humanitário, levando-se em consideração a saúde psíquica da mãe decorrente do trauma causado pelo crime sexual de que foi vítima (estupro). Não exigese autorização judicial, ficando ao livre arbítrio do médico. É indispensável a concordância da gestante ou de seu representante legal. Em ambos os casos, exige-se que o aborto seja praticado por médico. Na hipótese do inciso I, quando urgente a necessidade de salvar a vida da gestante, na falta de médico, outra pessoa não habilitada poderá fazer a intervenção, acobertada pela excludente do estado de necessidade (CP, arts. 23, I, e 24). No auto-aborto, a autora é a gestante, sendo o produto da concepção o sujeito passivo. No aborto provocado por terceiros, o autor pode ser qualquer pessoa, havendo dupla subjetividade passiva: o feto e a gestante. No auto-aborto, o objeto material é o feto; no provocado por terceiro, há dois objetos materiais: o produto da concepção e a pessoa da gestante. O sujeito ativo no auto-aborto (art. 124, 1ª parte), ou no aborto consentido (art. 124, 2ª parte), só a gestante pode ser agente (crime próprio). O sujeito passivo segundo a doutrina, é o feto, ou seja, o produto da concepção, recordando-se que a lei civil resguarda os direitos do nascituro. Não é o feto, porém, titular de bem jurídico ofendido, apesar de ter seus direitos de natureza civil resguardado. Sujeito passivo portanto é o Estado ou a comunidade nacional. Vítima também é a mulher quando o aborto é praticado sem o seu consentimento. 14

15 O objeto material do delito é o produto da fecundação (ovo, embrião ou feto). Segundo a doutrina, a vida intra-uterina se inicia com a fecundação ou constituição do ovo, ou seja, a concepção. Já se tem apontado, porém, como início da gravidez, a implantação do óvulo no útero materno. Considerando que é permitida no País a venda do medicamento DIU e de pílulas anticoncepcionais cujo efeito é acelerar a passagem do ovo pela trompa, de modo que atinja ele o útero sem condições de implantarse, ou transformar o endométrio para criar nele condições adversas à implantação do óvulo, forçoso é concluir-se que se deve aceitar a segunda posição, tendo em vista a lei penal. Não há crime na interrupção da gravidez extrauterina ou molar. No primeiro caso a gravidez não pode chegar ao termo e na segunda a molar, produto degenerado da fecundação de um óvulo, não tem possibilidade de destino humano. As condutas previstas nos artigos 124 a 126 referem-se à provocação do aborto, ou seja, a qualquer ação de produzir, promover, causar, originar o aborto, interrompendo a gravidez com a morte do feto. A morte do produto da concepção pode ocorrer no útero ou fora dele (no caso de expulsão com vida). Os processos utilizados podem ser químicos, orgânicos, físicos ou psíquicos. São substâncias que provocam a intoxicação do organismo da gestante e o consequente aborto o fósforo, o chumbo, o mercúrio, o arsênico (químicos), e a quinina, a estricnina, o ópio, a beladona etc (orgânicos). Os meios físicos são os mecânicos (traumatismo do ovo com punção, dilatação do colo do útero, curetagem do útero, microcesária), térmicos (bolsas de água quente) ou elétricos (choque elétrico por máquina estática). Os meios psíquicos ou morais são que agem sobre o psiquismo da mulher (susto, terror, choque moral, etc). Há também tentativa inidônea, diante da impropriedade absoluta do objeto, nas manobras abortivas praticadas em mulher que não se encontra grávida ou dirigidas a feto já morto. O aborto é crime que deixa vestígios, sendo indispensável a comprovação de sua existência material por meio de exame de corpo de delito. Não sendo possível o exame pericial direto, por terem desaparecido os vestígios, a prova testemunhal ou documental poderá suprir-lhe a falta, ressalvando-se que a palavra da gestante não basta, por si só, para tal finalidade. O aborto só é punível a título de dolo, vontade de interromper a gravidez e de causar a morte do produto da concepção. Não existe aborto culposo. O dolo pode ser direto e eventual. Direto, quando há vontade firme de interromper a gravidez e de produzir a morte do feto. Eventual, quando o sujeito assume o risco de produzir esses resultados. Ex: a mulher pratica esporte violento, tendo consciência de que poderá vir a abortar. No aborto qualificado pelo resultado (CP, art. 127), o crime é preterdoloso: há dolo no antecedente (aborto) e culpa no consequente (lesão grave ou morte). A consumação se caracteriza com a morte do feto ou destruição do óvulo. É admissível a tentativa quando, provocada a interrupção da gravidez, o feto não morre por circunstâncias alheias à vontade do sujeito. A ação penal é pública incondicionada, cabendo ao júri o julgamento. Das Lesões Corporais O Código Penal no artigo 129, caput, define como o fato de ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem. O estatuto penal protege nessa incriminação a integridade física e fisiopsíquica da pessoa humana. O crime de lesão corporal não é próprio, podendo ser cometido por qualquer pessoa. O sujeito passivo também qualquer pessoa, salvo nas hipóteses do artigo 129, 1º, IV, e do 2º, V, em que deve ser mulher grávida, e nas figuras dos 9º e 10º, em que deve ser ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou quem conviva ou tenha convivido com o agente, ou, ainda, pessoa em relação a qual o agente haja se prevalecido de relação domésticas, de coabitação ou de hospitalidade. O crime de lesão corporal se aperfeiçoa no momento em que há real ofensa à integridade corporal ou à saúde física ou mental do ofendido. 15

16 O crime de lesão corporal apresenta três figuras típicas: fundamental, qualificada e privilegiada. Apresenta, também, um caso de perdão judicial. As lesões corporais podem ser dolosas e culposas. A lesão corporal dolosa subdividese em: lesões leves; lesões graves; lesões gravíssimas e lesões seguidas de morte. Lesões Corporais Dolosas Art. 129 Lesões Leves Art. 129 Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena detenção, de três meses a um ano. A descrição típica abrange alternativamente a ofensa à integridade física ou a ofensa à saúde da vítima. A ofensa a integridade física, abrange qualquer alteração anatômica prejudicial ao corpo humano. Ex: fraturas, cortes, escoriações, luxações, queimaduras etc. A ofensa a saúde abrange a provocação de perturbações fisiológicas (vômitos, paralisia corporal momentânea, transmissão intencional de doença etc.) ou psicológicas. A objetividade jurídica é a incolumidade da pessoa em sua integridade física e psíquica. O Código Penal não pune a autolesão. Não constitui delito o fato de o sujeito ofender a própria integridade corporal ou a saúde. A autolesão pode caracterizar crime de outra natureza como, por exemplo, fraude para recebimento de seguro (art. 171, 2º, V, do CP) ou criação de incapacidade para se furtar ao serviço militar (artigo 184 do CPM). Nesses casos, todavia, o sujeito passivo não é a pessoa que se autolesionou. O meio de execução do crime, pode ser praticado por ação ou por omissão. A provocação de várias lesões na mesma vítima em um só contexto fático caracteriza crime único, mas o fato deve ser levado em conta na fixação da penabase. O delito se consuma, no momento em que ocorre a ofensa à integridade física ou corporal da vítima. A tentativa é possível. Distingue-se da contravenção de vias de fato (LCP, artigo 21), porque, nesta, o agente agride sem intenção de lesionar e, na tentativa de lesões corporais, o agente tem dolo de machucar mas não consegue por circunstâncias alheias à sua vontade. Se, por acaso, o agente quer cometer apenas a contravenção e, de forma não intencional, provoca lesões na vítima, responde apenas por crime de lesões corporais culposas. O elemento subjetivo é o dolo, direto ou eventual. Desde o advento da Lei nº 9.099/95 a ação penal passou a ser pública condicionada à representação (artigo 88). Cabe conciliação, nos termos dos artigos 72 a 74 da Lei nº 9.099/95, além da transação penal do artigo 76 e suspensão condicional do processo artigo 89, da mesma Lei. A prova da materialidade deve ser feita através de exame de corpo de delito, mas, para o oferecimento de denúncia, basta qualquer boletim médico ou prova equivalente (artigo 77, 1º, da Lei nº 9.099/95). A Lei nº 9.434/97 admite a doação de órgão de pessoa viva, desde que o doador seja maior e capaz e que a doação seja gratuita. Além disso, só será possível se houver autorização do doador e caso não haja possibilidade de graves prejuízos para a saúde. Caso haja desrespeito a essas regras, caracteriza crime previsto no artigo 14 da Lei nº 9.434/97. Lesões Corporais de Natureza Grave As lesões corporais de natureza grave se encontram descritas nos 1º e 2º do artigo 129 do Código Penal. Devemos observar que a descrição típica do 2º não tem nenhuma indicação marginal, o que não acontece com os fatos previstos no 1º, em que o legislador usa a denominação lesão corporal de natureza grave. Diante disso, de entender-se que as lesões graves e gravíssimas estão descritas nos dois primeiros 16

17 parágrafos do artigo 129 do CP, pelo que devemos classificar as lesões corporais de natureza grave em: sentido lato e sentido estrito. As lesões graves em sentido lato abrangem as lesões graves em sentido estrito e as lesões gravíssimas, estas descritas no artigo 129, 2º. As lesões graves em sentido lato são as previstas no artigo 129, 1º. Art. 129, 1º, I Se resulta incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias. Pena reclusão, de um a cinco anos. Atividade habitual é qualquer ocupação rotineira, do dia a dia da vítima, como andar, trabalhar, praticar esportes etc. A Lei não se refere apenas à incapacidade para o trabalho e, por isso, crianças e aposentados também podem ser sujeito passivo. A relutância, por vergonha, de praticar as ocupações habituais, não agrava o crime. Ex: o ofendido deixa de trabalhar por mais de 30 dias em face de apresentar ferimentos no rosto. O Código de Processo Penal exige, para a comprovação dessa espécie de lesão grave, a realização de um exame de corpo de delito complementar a ser realizado após o trigésimo dia (art. 168, 3º, afastada pelo 2º, do CPP). A atividade que a vítima ficou impossibilitada de realizar deve ser lícita, pouco importando se é ou não moral. A incapacidade pode ser física ou mental. Art. 129, 1º, II Se resulta perigo de vida. Perigo de vida é a possibilidade grave e imediata de morte. Deve ser um perigo efetivo, concreto, comprovado por perícia médica, onde os médicos devem especificar qual o perigo de vida sofrido pela vítima. Não basta, pois, dizer que houve tal situação de perigo. O laudo, em verdade, deve dizer em que ele consistiu, como por exemplo, que houve perigo de vida decorrente de grande perda de sangue, de necessidade de cirurgia de emergência etc. O perigo de vida que a lei se refere é aquele decorrente da gravidade das lesões e não do fato em si. Trata-se de hipótese preterdolosa, já que se o sujeito agiu com intenção de matar e não conseguiu, responde por tentativa de homicídio. Art. 129, 1º, III Se resulta debilidade permanente de membro, sentido ou função. Debilidade consiste na redução ou enfraquecimento da capacidade funcional. Para que caracterize esta hipótese de lesão grave é necessário que seja permanente, ou seja, que a recuperação seja incerta e a eventual cessação incalculável. Membros são os apêndices do corpo braços e pernas. A perda de parte dos movimentos do braço é um exemplo. Sentidos são os mecanismos sensoriais através dos quais percebemos o mundo exterior. Tato, olfato, paladar, visão e audição. Função é a atividade de um órgão ou aparelho do corpo humano. Função respiratória, circulatória, reprodutora etc. Art. 129, 1º, IV Se resulta aceleração de parto. O que se exige, em verdade, é uma antecipação do parto, ou seja, um nascimento prematuro. Só é aplicável quando o feto nasce com vida, pois, quando ocorre aborto, o agente responde por lesão gravíssima. É necessário que o agente saiba que a mulher está grávida (TJSP, 606/329, 603/336). Lesões Corporais de Natureza Gravíssima Estão previstas no artigo 129, 2º, do Código Penal, cuja pena é de reclusão de dois a oito anos. O Código, na realidade, não utiliza a expressão lesões gravíssimas, mas é tradicional na doutrina e na jurisprudência, uma vez que se tornou necessária uma diferenciação em relação às hipóteses do 1º, já que as penas são distintas. Art. 129, 2º, I Se resulta incapacidade permanente para o trabalho. Prevalece o entendimento de que deve ser uma incapacidade genérica para o trabalho, ou seja, para qualquer tipo de labor, uma vez que a lei se refere à palavra trabalho sem fazer ressalvas. Há entretanto, entendimento minoritário no sentido de que bastaria a incapacitação para a ocupação anteriormente exercida pela vítima, 17

18 pois, caso contrário, o instituto perderia quase que totalmente sua aplicação prática. Art. 129, 2º, II Se resulta enfermidade incurável. É a alteração permanente da saúde por processo patológico, a transmissão intencional de uma doença para a qual não existe cura no estágio atual da medicina. A enfermidade também é considerada incurável se a cura somente é possível através de cirurgia, posto que ninguém é obrigado a se submeter a processo cirúrgico. A transmissão intencional de AIDS caracteriza a lesão gravíssima, porém, se o agente pratica ato com intenção de transmitir tal doença mas não consegue, não responde pela tentativa, porque existem crimes específicos descritos no artigo 130, 1º, do Código Penal (se a exposição a perigo se deu mediante contato sexual) ou no artigo 131 (se por outro meio qualquer). Há, entretanto, entendimento no sentido de que, com ou sem a efetiva transmissão, o crime seria o de tentativa de homicídio, já que a doença tem a morte como consequência natural. Art. 129, 2º, III Se resulta perda ou inutilização de membro, sentido ou função. Perda é a ablação do membro ou órgão. Inutilização é a inaptidão do órgão à sua função específica. Existe diferença entre debilidade, perda e inutilização. Assim, se o ofendido, em consequência da lesão corporal, sofre paralisia de um braço, trata-se de inutilização de membro. Se, em face de lesão corporal, perde a mão, cuida-se também de inutilização de membro. Entretanto, vindo a perder um dedo da mão, a hipótese é de debilidade permanente. Se vier a perder todo o braço, o fato constitui perda de membro. Art. 129, 2º, IV Se resulta deformidade permanente. É o dano estético, de certa monta, permanente, visível e capaz de provocar impressão vexatória. O dano estético pode ter sido causado por qualquer forma. As mais comuns são queimaduras com fogo ou com ácido (vitriolagem), etc. Exigi-se, entretanto, que o dano seja de certa monta, ou seja, que haja perda razoável de estética, não o configurando, portanto, pequenas cicatrizes ou outros danos mínimos. Deve também ser permanente, isto é, irreparável pela própria força da natureza, pelo passar do tempo. A correção por cirurgia plástica afasta a aplicação dessa qualificadora, mas, se a cirurgia é possível e a vítima se recusa a realizá-la, haverá a lesão gravíssima, uma vez que a vítima não está obrigada a submeter-se à intervenção cirúrgica. A correção através de prótese não afasta a aplicação do instituto. A deformidade deve ser visível. Não abrange apenas deformidades no rosto, mas também nas pernas, nos braços etc. Somente terá aplicação o dispositivo em estudo se ele for capaz de causar má impressão nas pessoas que olham para a vítima, e que esta, portanto, se sinta incomodada com a deformidade. Em outras palavras, a deformidade deve causar impressão vexatória. Art. 129, 2º, V Se resulta aborto. O aborto não pode ter sido provocado intencionalmente, pois, como já estudado, nesse caso haveria crime de aborto. Conclui-se, assim, que este dispositivo é exclusivamente preterdoloso ou, em outras palavras, se caracteriza nas hipóteses em que o agente quer agredir a vítima e não quer causar o aborto mas o provoca de maneira culposa. O agente deve saber que a vítima está grávida, para que não ocorra punição decorrente de responsabilidade objetiva. A diferença entre os tipos dos artigos 127 e 129, 2º, V, do Código Penal, é que no crime do artigo 127 o sujeito age com dolo quanto ao aborto e culpa quanto à lesão corporal grave; no crime do artigo 129, 2º, V, o sujeito pratica o fato com dolo quanto à lesão corporal e culpa no tocante ao resultado qualificador do aborto. Não existe a tentativa de lesão corporal qualificada pelo aborto. Se a lesão corporal gravíssima é resultante de tortura, artigo 1º, 3º, primeira parte, da Lei nº 9.455/97. Lesões Corporais Seguidas de Morte Art. 129, 3º Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de produzi-lo: Pena reclusão, de quatro a doze anos. 18

19 Trata-se de crime exclusivamente preterdoloso ou preterintencional, em que o agente quer apenas lesionar a vítima e acaba provocando sua morte de forma não intencional, mas culposa. Se o agente comete vias de fato (sem intenção de lesionar) e provoca culposamente a morte da vítima, responde apenas por homicídio culposo que absorve a contravenção penal. Se a lesão corporal seguida de morte é resultante de tortura, artigo 1º, 3º, segunda parte, da Lei nº 9.455/97. A lesão corporal seguida de morte não admite a figura da tentativa. O resultado qualificador culposo não permite essa figura. Lesões Corporais Privilegiadas Art. 129, 4º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. Aplicam-se aqui todos os comentários feitos em relação ao homicídio privilegiado. O privilégiado, nas lesões corporais, aplicase apenas às lesões dolosas, sendo, portanto, incabível nas lesões culposas. Nas lesões dolosas, a aplicação pode ser feita qualquer que seja sua natureza leve, grave, gravíssima ou seguida de morte. A redução da pena é obrigatória, não obstante o emprego da expressão pode. Desde que presentes as circunstâncias legais, o juiz está obrigado a proceder à diminuição. A faculdade diz respeito ao quantum da redução. Substituição da Pena Art. 129, 5º O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção de multa: I- se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior: Em se tratando de lesões leves, o juiz tem duas opções nas hipóteses de relevante valor social, moral ou de violenta emoção. Pode reduzir a pena de um sexto a um terço ( 4º) ou substituí-la por multa ( 5º). II- se as lesões são recíprocas. Quando uma pessoa apenas se defende de uma agressão injusta anterior e provoca também lesões no agressor, há crime apenas por parte de quem iniciou a agressão, já que o outro agiu em legítima defesa. Assim, o dispositivo somente será aplicado quando uma pessoa agride outra e, cessada a agressão, ocorre a retorsão. Conforme dito no parágrafo anterior, a substituição da pena é obrigatória, desde que presentes seus pressupostos. Assim, não pode o juiz deixar de proceder à substituição por puro arbítrio. Lesões Corporais Culposa Art. 129, 6º Se a lesão é culposa: Pena detenção, de dois meses a um ano. O crime de lesões corporais culposas tem a mesma sistemática do crime de homicídio culposo, modificando-se apenas o resultado, já que, nesse caso, a vítima não morre. Nas lesões culposas, ao contrário do que ocorre nas dolosas, não há distinção no que tange à gravidade das lesões. O crime será sempre o mesmo (lesões culposas) e a gravidade somente será levada em consideração por ocasião da fixação da pena base (art. 59 do CP). Nos termos do artigo 88 da Lei nº 9.099/95, a ação é pública condicionada a representação, admitindo conciliação nos moldes do artigo 72 a 74 da Lei; transação nos moldes do artigo 76 da referida Lei; e suspensão condicional do processo, nos moldes do artigo 89. Conforme explanado anteriormente no capítulo do homicídio, tratando-se da prática de lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, vide artigo 303 da Lei nº 9.503/97 - CTB. O artigo 129, 7º, do Código Penal estabelece que a pena da lesão culposa será aumentada em um terço quando o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, quando foge para evitar a prisão em flagrante, quando não procura diminuir as consequências de seu ato e, por fim, quando o crime resulta da inobservância de regra técnica de arte, profissão ou ofício. 19

20 É irrelevante, na responsabilidade do sujeito que pratica lesão corporal culposa, que seja leve, grave ou gravíssima. Entretanto, na fixação da pena concreta, o juiz deve levar em consideração a gravidade do mal causado pelo sujeito (CP, artigo 59). Causa de Aumento de Pena em Face da Idade da Vítima O artigo 129, 7º, do Código Penal, com a redação dada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente, estabelece que a pena da lesão corporal dolosa, de qualquer natureza, sofrerá acréscimo de um terço se a vítima é menor de 14 anos, que faz remissão ao artigo 121, 4º, 2ª parte, do CP. A conciliação, transação e suspensão condicional do processo, cabem ainda que haja o aumento previsto neste 7º (arts. 72 a 74, 76 e 89 da Lei nº 9.099/95). A Lei nº 9.099/95 e /2001, a exemplo do que já fizera a Lei dos Juizados Especiais Criminais Federais, o artigo 61 da Lei dos Juizados Especiais Criminais Estaduais, modificado pela Lei nº , de , considera infrações penais de menor potencial ofensivo as contravenções e os crimes com pena máxima não superior a dois anos, cumulada ou não com multa, não fazendo restrição ao tipo de procedimento, se comum ou especial, nem ao tipo de ação penal (pública incondicionada, pública condicionada ou privada) Perdão Judicial O artigo 129, 8º, do CP, diz que na hipótese de lesão corporal culposa, o juiz poderá deixar de aplicar a pena se as consequências da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção se torne desnecessária. Aplica-se aqui o que dissemos sobre o perdão judicial no homicídio culposo. Violência Doméstica Art. 129, 9º Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo-se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade. Pena detenção, de 3 meses a 3 anos. Doméstico é termo que diz respeito à vida em família, usualmente na mesma casa, tanto assim que sempre se definiu a agravante prevista no artigo 61, II, f, do Código Penal, como sendo as ligações estabelecidas entre participantes de uma mesma vida familiar, podendo haver laços de parentesco ou não. A violência doméstica, embora lesão corporal, cuja descrição típica advém do caput, é forma qualificada da lesão, logo, não mais depende de representação da vítima. Além disso, o artigo 41 da Lei nº /2006 afasta a aplicação da Lei nº 9.099/95, onde se menciona ser a iniciativa da ação penal, em virtude de lesões simples, sujeita à representação da vítima. Alguns autores e juristas entendem que a ação penal é de natureza pública incondicionada. Entretanto, existem posições em sentido contrário. Recentemente, em razão da lei estar em vigor pouco mais de quatro anos, a Terceira Seção do Superior Tribunal de Justiça, reunindo os ministros da Seção Criminal, por maioria de votos, prevaleceu o entendimento de que a ação penal deve ser condicionada à representação da vítima. (Resp DF, rel. para o acórdão Jorge Mussi, ). Haverá a forma qualificada da lesão quando o agente voltar-se contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro com que conviva ou tenha convivido. Não outra pessoa, mas somente essas enumeradas no tipo. Com a edição da Lei nº /2006 (Violência Doméstica), a pena da lesão corporal, nesta hipótese, alterou-se novamente. O limite máximo elevou-se de um para três anos, o que lhe retira o caráter de infração de menor potencial ofensivo. O mínimo, que havia subido para seis meses, tornou a diminuir, atingindo três meses de detenção. Ora, se a violência doméstica merece efetiva repressão, não há o menor sentido no tocante à diminuição da pena mínima, como já sabemos, 20

OAB 139º - 1ª Fase Regular Modulo II Disciplina: Direito Penal Professor Patrícia Vanzolini Data: 31/07/2009

OAB 139º - 1ª Fase Regular Modulo II Disciplina: Direito Penal Professor Patrícia Vanzolini Data: 31/07/2009 9ª Aula: Parte Especial: Homicídio, Infanticídio, Participação no Suicídio, Aborto e Lesão Corporal. 1. HOMICIDIO 1. Homicídio simples: Caput pena de 6 a 20 anos de reclusão. É crime hediondo? Não, salvo

Leia mais

Questões relevantes Parte Especial CP

Questões relevantes Parte Especial CP Direito Penal 2ª Fase OAB/FGV Aula 07 Professor Sandro Caldeira Questões relevantes Parte Especial CP Crimes contra a vida; ; Homicídio simples Art. 121 CP. Matar alguém: Pena - reclusão, de seis a vinte

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br BuscaLegis.ccj.ufsc.Br O Crime de Aborto e Suas Principais Características Carlos Valfrido Aborto Conceito: Aborto é a interrupção de uma gestação com a conseqüente morte do feto. Do latim ab (privação),

Leia mais

CODIGO PENAL PROPOSTAS DE ALTERAÇÃO

CODIGO PENAL PROPOSTAS DE ALTERAÇÃO Homicídio simples Art 121. Matar alguém: Pena - reclusão, de seis a vinte anos. TÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A PESSOA CAPÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A VIDA Caso de diminuição de pena 1º Se o agente comete

Leia mais

OAB 1ª FASE EXTENSIVO Direito Penal Data = 04.06.2009 Aula = 7

OAB 1ª FASE EXTENSIVO Direito Penal Data = 04.06.2009 Aula = 7 TEMAS TRATADOS EM SALA CRIMES CONTRA A VIDA TITULO I I - Homicídio = Art. 121. II - Induzimento/Instigação/Auxílio ao Suicídio = Art. 122. III - Infanticídio = Art. 123. IV - Aborto = Art. 124/128. 1.

Leia mais

Prof. José Nabuco Filho. Aborto

Prof. José Nabuco Filho. Aborto Aborto Apostila 1. Introdução Sob o nomem juris de aborto, o Código Penal tipifica quatro crimes diferentes: 1 duas definidas no art. 124, tendo como sujeito ativo a gestante; outras duas, em que o sujeito

Leia mais

DIREITO PENAL ÍNDICE DE DIREITO PENAL Danilo D. Oyan. Aula 01 HOMICÍDIO (artigo 121 do C.P.)

DIREITO PENAL ÍNDICE DE DIREITO PENAL Danilo D. Oyan. Aula 01 HOMICÍDIO (artigo 121 do C.P.) DIREITO PENAL ÍNDICE DE DIREITO PENAL Danilo D. Oyan Aula 01 HOMICÍDIO (artigo 121 do C.P.) 1. HOMICÍDIO SIMPLES ART. 121 CAPUT DO C.P. 1.1. Homicídio Simples: 1.1.1. Objeto jurídico (bem jurídico tutelado):

Leia mais

Crime Unisubjetivo: quando o crime pode ser cometido por uma única pessoa. Crime Plurisubjetivo: quando o crime exige uma quantidade de pessoas.

Crime Unisubjetivo: quando o crime pode ser cometido por uma única pessoa. Crime Plurisubjetivo: quando o crime exige uma quantidade de pessoas. CONCURSO DE PESSOAS Crime Unisubjetivo: quando o crime pode ser cometido por uma única pessoa. Crime Plurisubjetivo: quando o crime exige uma quantidade de pessoas. Nos crimes unisubjetivos o concurso

Leia mais

PARTE ESPECIAL TÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A PESSOA CAPÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A VIDA

PARTE ESPECIAL TÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A PESSOA CAPÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A VIDA Homicídio simples Art 121. Matar alguém: PARTE ESPECIAL TÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A PESSOA CAPÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A VIDA Pena - reclusão, de seis a vinte anos. Caso de diminuição de pena 1º Se o

Leia mais

FATO TÍPICO. Conduta (dolosa ou culposa; comissiva ou omissiva) Nexo de causalidade Tipicidade

FATO TÍPICO. Conduta (dolosa ou culposa; comissiva ou omissiva) Nexo de causalidade Tipicidade TEORIA GERAL DO CRIME FATO TÍPICO Conduta (dolosa ou culposa; comissiva ou omissiva) Resultado Nexo de causalidade Tipicidade RESULTADO Não basta existir uma conduta. Para que se configure o crime é necessário

Leia mais

Arthur Migliari Júnior

Arthur Migliari Júnior Arthur Migliari Júnior Doutorando pela Universidade de Coimbra. Mestre em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Professor universitário e de cursos preparatórios para concursos.

Leia mais

ALTERAÇÃO NO CÓDIGO PENAL: O DELITO DE FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU DE VULNERÁVEL

ALTERAÇÃO NO CÓDIGO PENAL: O DELITO DE FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU DE VULNERÁVEL ALTERAÇÃO NO CÓDIGO PENAL: O DELITO DE FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU DE VULNERÁVEL. Nomen juris: a Lei nº 12.978/2014 alterou o nome

Leia mais

Prof. José Nabuco Filho. Direito Penal

Prof. José Nabuco Filho. Direito Penal Direito Penal 1. Apresentação José Nabuco Filho: Advogado criminalista em São Paulo, mestre em Direito Penal 1 (UNIMEP), professor de Direito Penal desde 2000. Na Universidade São Judas Tadeu, desde 2011,

Leia mais

FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2015

FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2015 FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2015 Disciplina: Direito Penal III Departamento III Direito Penal e Direito Processo Penal Carga Horária Anual: 100 h/a Tipo: Anual 4º ano Docente Responsável: Gustavo

Leia mais

NOVO CÓDIGO PENAL E A RESPONSABILIDADE PENAL DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE. José Arthur Di Spirito Kalil

NOVO CÓDIGO PENAL E A RESPONSABILIDADE PENAL DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE. José Arthur Di Spirito Kalil NOVO CÓDIGO PENAL E A RESPONSABILIDADE PENAL DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE José Arthur Di Spirito Kalil O aborto e o Código Penal Atual (Dec. Lei 2.848, de 1940) O aborto e o Anteprojeto do Código Penal Aborto

Leia mais

TEMA: CRIME CONSUMADO E CRIME TENTADO CRIME CONSUMADO

TEMA: CRIME CONSUMADO E CRIME TENTADO CRIME CONSUMADO TEMA: CRIME CONSUMADO E CRIME TENTADO CRIME CONSUMADO Significado: Terminar, acabar. Importância: Termo inicial da prescrição e na competência territorial (não esquecer da teria da ubiqüidade quanto ao

Leia mais

AULA 3 23/02/11 A ANÁLISE TIPOLÓGICA DO ART. 121

AULA 3 23/02/11 A ANÁLISE TIPOLÓGICA DO ART. 121 AULA 3 23/02/11 A ANÁLISE TIPOLÓGICA DO ART. 121 1 CÓDIGO PENAL, ART. 121, CAPUT O caput do art. 121, do Código Penal 1, trata da forma simples do crime de homicídio. É a forma basilar do tipo, desprovida

Leia mais

Faculdade Cathedral Curso de Direito 6º Semestre Direito Penal IV Prof. Vilmar A. Silva AULA 1 A 4 PARTE 2

Faculdade Cathedral Curso de Direito 6º Semestre Direito Penal IV Prof. Vilmar A. Silva AULA 1 A 4 PARTE 2 Faculdade Cathedral Curso de Direito 6º Semestre Direito Penal IV Prof. Vilmar A. Silva AULA 1 A 4 PARTE 2 Crime qualificado pela provocação de lesão grave ou em razão da idade da vítima Art. 213, 1º Se

Leia mais

L G E ISL S A L ÇÃO O ES E P S EC E IAL 10ª 0 ª-

L G E ISL S A L ÇÃO O ES E P S EC E IAL 10ª 0 ª- DIREITO PENAL III LEGISLAÇÃO ESPECIAL 10ª - Parte Professor: Rubens Correia Junior 1 DIREITO PENAL III 2 ABORTO CRIMINOSO Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento Art 124 - Provocar aborto

Leia mais

L G E ISL S A L ÇÃO O ES E P S EC E IAL 8ª ª-

L G E ISL S A L ÇÃO O ES E P S EC E IAL 8ª ª- DIREITO PENAL IV LEGISLAÇÃO ESPECIAL 8ª - Parte Professor: Rubens Correia Junior 1 Direito penal Iv 2 ROUBO 3 - Roubo Qualificado/Latrocínio 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de

Leia mais

Turma e Ano: Delegado Civil (2013) Matéria / Aula: Direito Penal / Aula 3. Professor: Marcelo Uzeda. Monitor: Marcelo Coimbra

Turma e Ano: Delegado Civil (2013) Matéria / Aula: Direito Penal / Aula 3. Professor: Marcelo Uzeda. Monitor: Marcelo Coimbra Turma e Ano: Delegado Civil (2013) Matéria / Aula: Direito Penal / Aula 3 Professor: Marcelo Uzeda Monitor: Marcelo Coimbra 1) Concurso de Pessoas (continuação): Na aula passada estávamos falando no concurso

Leia mais

Núcleo de Pesquisa e Extensão do Curso de Direito NUPEDIR VII MOSTRA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA (MIC) 25 de novembro de 2014

Núcleo de Pesquisa e Extensão do Curso de Direito NUPEDIR VII MOSTRA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA (MIC) 25 de novembro de 2014 DOS CRIMES CONTRA A VIDA HOMICÍDIO Camila Beatriz Herschaft 1 Jenifer Maldaner 2 Marciele Burg 3 Rogério Cézar Soehn 4 SUMÁRIO: 1 INTRODUÇÃO. 2 HOMICÍDIO. 2.1 O PRIMEIRO HOMICÍDIO. 2.2 OBJETO JURÍDICO.

Leia mais

Aborto. Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque:

Aborto. Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: - Aborto provocado pela Aborto Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena - detenção, de um a três anos. - Introdução: - O abortamento é a cessação da gravidez, antes

Leia mais

PLANO DE ENSINO. Disciplina Carga Horária Semestre Ano Teoria Geral do Direito Penal I 80 2º 2015. Carga

PLANO DE ENSINO. Disciplina Carga Horária Semestre Ano Teoria Geral do Direito Penal I 80 2º 2015. Carga 1 PLANO DE ENSINO Disciplina Carga Horária Semestre Ano Teoria Geral do Direito Penal I 80 2º 2015 Unidade Carga Horária Sub-unidade Introdução ao estudo do Direito Penal 04 hs/a - Introdução. Conceito

Leia mais

PONTO 1: Suicídio PONTO 2: Infanticídio PONTO 3: Aborto PONTO 4: Lesão Corporal. 1. Suicídio art. 122 do CP:

PONTO 1: Suicídio PONTO 2: Infanticídio PONTO 3: Aborto PONTO 4: Lesão Corporal. 1. Suicídio art. 122 do CP: 1 PONTO 1: Suicídio PONTO 2: Infanticídio PONTO 3: Aborto PONTO 4: Lesão Corporal 1. Suicídio art. 122 do CP: Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se

Leia mais

WWW.CONTEUDOJURIDICO.COM.BR. Questões comentadas de Direito Penal da prova objetiva do concurso de 2009 para Defensor do Pará

WWW.CONTEUDOJURIDICO.COM.BR. Questões comentadas de Direito Penal da prova objetiva do concurso de 2009 para Defensor do Pará Cacildo Baptista Palhares Júnior: advogado em Araçatuba (SP) Questões comentadas de Direito Penal da prova objetiva do concurso de 2009 para Defensor do Pará 21. Para formação do nexo de causalidade, no

Leia mais

LATROCÍNIO COM PLURALIDADE DE VÍTIMAS

LATROCÍNIO COM PLURALIDADE DE VÍTIMAS LATROCÍNIO COM PLURALIDADE DE VÍTIMAS ALESSANDRO CABRAL E SILVA COELHO - alessandrocoelho@jcbranco.adv.br JOSÉ CARLOS BRANCO JUNIOR - jcbrancoj@jcbranco.adv.br Palavras-chave: crime único Resumo O presente

Leia mais

CRIME = FATO TÍPICO + Antijurídico + Culpável

CRIME = FATO TÍPICO + Antijurídico + Culpável 1. O FATO TÍPICO 1 CRIME = FATO TÍPICO + Antijurídico + Culpável Elementos do FATO TÍPICO: FATO TÍPICO 1) CONDUTA DOLOSA OU CULPOSA Conceito: É fato material que se amolda perfeitamente aos elementos constantes

Leia mais

Doutrina - Omissão de Notificação da Doença

Doutrina - Omissão de Notificação da Doença Doutrina - Omissão de Notificação da Doença Omissão de Notificação da Doença DIREITO PENAL - Omissão de Notificação de Doença CP. Art. 269. Deixar o médico de denunciar à autoridade pública doença cuja

Leia mais

Direito Penal III. Aula 07 21/03/2012 2.3 DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE. 2.3.1 Introdução

Direito Penal III. Aula 07 21/03/2012 2.3 DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE. 2.3.1 Introdução Aula 07 21/03/2012 2.3 DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE 2.3.1 Introdução a) Crime de perigo os da periclitação da vida e da saúde são denominados como crimes de perigo, cuja consumação se dá com a exposição

Leia mais

LFG MAPS. Teoria Geral do Delito 05 questões

LFG MAPS. Teoria Geral do Delito 05 questões Teoria Geral do Delito 05 questões 1 - ( Prova: CESPE - 2009 - Polícia Federal - Agente Federal da Polícia Federal / Direito Penal / Tipicidade; Teoria Geral do Delito; Conceito de crime; Crime impossível;

Leia mais

Introdução ao direito penal. Aplicação da lei penal. Fato típico. Antijuridicidade. Culpabilidade. Concurso de pessoas.

Introdução ao direito penal. Aplicação da lei penal. Fato típico. Antijuridicidade. Culpabilidade. Concurso de pessoas. Programa de DIREITO PENAL I 2º período: 80 h/a Aula: Teórica EMENTA Introdução ao direito penal. Aplicação da lei penal. Fato típico. Antijuridicidade. Culpabilidade. Concurso de pessoas. OBJETIVOS Habilitar

Leia mais

Lesão corporal Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano.

Lesão corporal Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. Lesão corporal Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. 1) BEM JURÍDICO Integridade física e psíquica da pessoa humana. A dor, por si só,

Leia mais

ANTIJURIDICIDADE. 1.3 - Conceito segundo a Teoria Constitucionalista do Delito: fato formal e materialmente típico e antijurídico.

ANTIJURIDICIDADE. 1.3 - Conceito segundo a Teoria Constitucionalista do Delito: fato formal e materialmente típico e antijurídico. ANTIJURIDICIDADE 1 - Crime 1.1 - Conceito Clássico: fato típico, antijurídico e culpável. 1.2 - Conceito segundo o Finalismo: fato típico e antijurídico. 1.3 - Conceito segundo a Teoria Constitucionalista

Leia mais

TIPO 1 TIPO 2 TIPO 3 TIPO 4 59 60 61 64 60 61 60 63 61 62 59 62 62 59 64 59 63 64 63 61 64 63 62 60 65 66 67 68

TIPO 1 TIPO 2 TIPO 3 TIPO 4 59 60 61 64 60 61 60 63 61 62 59 62 62 59 64 59 63 64 63 61 64 63 62 60 65 66 67 68 Tabela de Correspondência de Questões: XIII EXAME UNIFICADO OAB 1ª. ETAPA TIPO 1 TIPO 2 TIPO 3 TIPO 4 59 60 61 64 60 61 60 63 61 62 59 62 62 59 64 59 63 64 63 61 64 63 62 60 65 66 67 68 PROVA TIPO 1 Questão

Leia mais

PLANO DE ENSINO EMENTA DA DISCIPLINA OBJETIVOS DA DISCIPLINA. 1-Identificar os bens jurídicos tutelados no Código Penal Brasileiro.

PLANO DE ENSINO EMENTA DA DISCIPLINA OBJETIVOS DA DISCIPLINA. 1-Identificar os bens jurídicos tutelados no Código Penal Brasileiro. FACULDADE: FACULDADE DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS CURSO: DIREITO DISCIPLINA: DIREITO PENAL PARTE ESPECIAL I CÓDIGO: CARGA HORÁRIA: 075 4º- SEMESTRE: 2013 PROFESSOR(A): LÁSARO MOREIRA DA SILVA PLANO

Leia mais

PROGRAMA APRENDA DIREITO PENAL EM 3 MESES

PROGRAMA APRENDA DIREITO PENAL EM 3 MESES PROGRAMA APRENDA DIREITO PENAL EM 3 MESES Perguntas/Respostas alunos Módulo 2 Seguem abaixo as respostas aos questionamentos elaborados pelos alunos. Bons estudos! PERGUNTA 1 Aluna: Talita Késsia Andrade

Leia mais

Capítulo 1 Crimes Hediondos Lei 8.072/1990

Capítulo 1 Crimes Hediondos Lei 8.072/1990 Sumário Prefácio... 11 Apresentação dos autores... 13 Capítulo 1 Crimes Hediondos Lei 8.072/1990 1. Para entender a lei... 26 2. Aspectos gerais... 28 2.1 Fundamento constitucional... 28 2.2 A Lei dos

Leia mais

CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES ( )

CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES ( ) CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES ( ) Heleno Cláudio Fragoso I É da tradição do direito penal brasileiro a previsão casuística de circunstâncias agravantes de caráter geral aplicáveis a todos os crimes ou a grupos

Leia mais

1 CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES

1 CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES DIREITO PENAL Classificação dos Crimes RESUMO DA AULA 1 CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES; 2 QUESTÕES COMENTADAS. INTRODUÇÃO 1 CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES O CRIME PODE SER VISTO POR INÚMEROS ÂNGULOS E, DEPENDENDO

Leia mais

Sumário. Coleção Sinopses para Concursos... 25 Guia de leitura da Coleção... 27

Sumário. Coleção Sinopses para Concursos... 25 Guia de leitura da Coleção... 27 Sumário Coleção Sinopses para Concursos... 25 Guia de leitura da Coleção... 27 Capítulo I DOS CRIMES CONTRA A PESSOA... 29 1. DOS CRIMES CONTRA A VIDA... 33 1.1 HOMICÍDIO... 33 1. Bem jurídico... 34 2.

Leia mais

Quadro comparativo do Projeto de Lei do Senado nº 236, de 2012 (projeto do novo Código Penal)

Quadro comparativo do Projeto de Lei do Senado nº 236, de 2012 (projeto do novo Código Penal) Quadro comparativo do Projeto de Lei do Senado nº 236, de 2012 (projeto do novo Código Penal) Decreto-Lei nº 2.848, de 7.12.1940 (Código Penal) Reforma o Código Penal Brasileiro. Código Penal. O CONGRESSO

Leia mais

UNIDADE: FACULDADE DE DIREITO DISCIPLINAS OBRIGATÓRIAS

UNIDADE: FACULDADE DE DIREITO DISCIPLINAS OBRIGATÓRIAS DISCIPLINAS OBRIGATÓRIAS Í N D I C E Código Disciplina Página DIR 05-00188 Direito Penal I 2 DIR 05-00361 Direito Penal II 3 DIR 05-00528 Direito Penal III 4 DIR 0-00684 Direito Penal IV 5 DIR 05-07407

Leia mais

FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2016

FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2016 FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2016 Disciplina: Direito Penal II Departamento III Penal e Processo Penal Carga Horária Anual: 100 h/a Tipo: Anual 3º ano Docente Responsável: José Francisco Cagliari

Leia mais

DIREITO PENAL DO TRABALHO

DIREITO PENAL DO TRABALHO DIREITO PENAL DO TRABALHO ÍNDICE Prefácio à 1º Edição Nota à 4º Edição Nota à 3º Edição Nota à 2º Edição 1. CONCEITOS PENAIS APLICÁVEIS AO DIREITO DO TRABALHO 1.1. DoIo 1.1.1. Conceito de dolo 1.1.2. Teorias

Leia mais

CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES Patricia Smania Garcia 1 (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio)

CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES Patricia Smania Garcia 1 (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio) CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES Patricia Smania Garcia 1 (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio) RESUMO Há várias classificações para os crimes, ora se referindo à gravidade do fato, ora à forma de

Leia mais

Aula de Direito Penal. 2015.02. Professor Jomar Sarkis. Teoria do Crime. Conteúdo programático.

Aula de Direito Penal. 2015.02. Professor Jomar Sarkis. Teoria do Crime. Conteúdo programático. Aula de Direito Penal. 2015.02 Professor Jomar Sarkis. Teoria do Crime. Conteúdo programático. Conceito analítico do crime. A teoria bipartida e tripartida do crime. Crime é uma conduta típica, ilícita

Leia mais

Mais uma falha legislativa na tentativa desesperada de retificar o Código de Processo Penal. Análise feita à luz da Lei nº. 12.403/11.

Mais uma falha legislativa na tentativa desesperada de retificar o Código de Processo Penal. Análise feita à luz da Lei nº. 12.403/11. Mais uma falha legislativa na tentativa desesperada de retificar o Código de Processo Penal. Análise feita à luz da Lei nº. 12.403/11. Ricardo Henrique Araújo Pinheiro. A breve crítica que faremos neste

Leia mais

CRIMES CONTRA A INTEGRIDADE FÍSICA

CRIMES CONTRA A INTEGRIDADE FÍSICA LESÕES CORPORAIS Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. Lesão corporal de natureza grave 1º Se resulta: I - Incapacidade para as ocupações

Leia mais

SUPERVENIÊNCIA DE CAUSA INDEPENDENTE CAUSAS INDEPENDENTES

SUPERVENIÊNCIA DE CAUSA INDEPENDENTE CAUSAS INDEPENDENTES RETA FINAL MINISTÉRIO PÚBLICO DE SP Direito Penal André Estefam Data: 1º/09/2012 Aula 2 RESUMO SUMÁRIO 1) Relação de Causalidade (continuação) 2) Superveniência de Causa Independente 3) Relevância Penal

Leia mais

Dos crimes contra a vida

Dos crimes contra a vida Direito Penal Parte Especial Professor Sandro Caldeira Dos Crimes Contra a Vida Parte II Art. 123 - Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após: Pena - detenção,

Leia mais

CONDUTA TEO E R O I R AS A a) c ausal b) c ausal valora r tiva (neoclássica) c) finalista d) s ocial e) f uncionalistas

CONDUTA TEO E R O I R AS A a) c ausal b) c ausal valora r tiva (neoclássica) c) finalista d) s ocial e) f uncionalistas DIREITO PENAL Prof. Marcelo André de Azevedo TEORIA GERAL DO CRIME INTRODUÇÃO TEORIA GERAL DO CRIME FATO TÍPICO CONDUTA RESULTADO NEXO DE CAUSALIDADE CONDUTA TEORIAS a) causal b) causal valorativa (neoclássica)

Leia mais

CRIMES DE TORTURA (9.455/97)

CRIMES DE TORTURA (9.455/97) CRIMES DE TORTURA (9.455/97) TORTURA FÍSICA MENTAL Art. 1º Constitui crime de tortura: I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental: a) tortura-persecutória

Leia mais

01 MOEDA FALSA. 1.1. MOEDA FALSA 1.1.1. Introdução. 1.1.2. Classificação doutrinária. 1.1.3. Objetos jurídico e material

01 MOEDA FALSA. 1.1. MOEDA FALSA 1.1.1. Introdução. 1.1.2. Classificação doutrinária. 1.1.3. Objetos jurídico e material 01 MOEDA FALSA Sumário: 1. Moeda falsa 2. Crimes assimilados ao de moeda falsa 3. Petrechos para falsificação de moeda 4. Emissão de título ao portador sem permissão legal. 1.1. MOEDA FALSA 1.1.1. Introdução

Leia mais

Sumário NOTA DO AUTOR... 23 PARTE 1 FUNDAMENTOS DO DIREITO PENAL 1 INTRODUÇÃO... 29

Sumário NOTA DO AUTOR... 23 PARTE 1 FUNDAMENTOS DO DIREITO PENAL 1 INTRODUÇÃO... 29 XXSumário NOTA DO AUTOR... 23 PARTE 1 FUNDAMENTOS DO DIREITO PENAL 1 INTRODUÇÃO... 29 1. Conceito de direito penal... 29 1.1. Relação entre Direito Penal e Direito Processual Penal... 32 1.2. Conceito

Leia mais

Julio 2008 O CRIME DE PARTICIPAÇÃO EM SUICÍDIO NO CÓDIGO PENAL

Julio 2008 O CRIME DE PARTICIPAÇÃO EM SUICÍDIO NO CÓDIGO PENAL Julio 2008 O CRIME DE PARTICIPAÇÃO EM SUICÍDIO NO CÓDIGO PENAL Marcelo Nunes Apolinário Para citar este artículo puede utilizar el siguiente formato: Nunes Apolinário, M.: O crime de participação em suicídio

Leia mais

(E) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República. II. Da Aplicação da Lei Penal. 1. (Delegado PC-MA FCC) Tem efeito retroativo a lei que

(E) contra a vida ou a liberdade do Presidente da República. II. Da Aplicação da Lei Penal. 1. (Delegado PC-MA FCC) Tem efeito retroativo a lei que II. Da Aplicação da Lei Penal 1. (Delegado PC-MA FCC) Tem efeito retroativo a lei que (A) elimina circunstância atenuante prevista na lei anterior. (B) comina pena mais grave, mantendo a definição do crime

Leia mais

TEMA: CONCURSO DE PESSOAS (concursus delinquentium) CONCURSO DE AGENTES / CONCURSO DE DELINQUENTES / CO-AUTORIA/ CODELINQÜÊNCIA/PARTICIPAÇÃO

TEMA: CONCURSO DE PESSOAS (concursus delinquentium) CONCURSO DE AGENTES / CONCURSO DE DELINQUENTES / CO-AUTORIA/ CODELINQÜÊNCIA/PARTICIPAÇÃO TEMA: CONCURSO DE PESSOAS (concursus delinquentium) CONCURSO DE AGENTES / CONCURSO DE DELINQUENTES / CO-AUTORIA/ CODELINQÜÊNCIA/PARTICIPAÇÃO INTRODUÇÃO Normalmente, os tipos penais referem-se a apenas

Leia mais

RESPONSABILIDADE CIVIL E PENAL NA ÁREA DA SEGURANÇA DO TRABALHO

RESPONSABILIDADE CIVIL E PENAL NA ÁREA DA SEGURANÇA DO TRABALHO RESPONSABILIDADE CIVIL E PENAL NA ÁREA DA SEGURANÇA DO TRABALHO RESPONSABILIDADE CIVIL E CRIMINAL DECORRENTE DE ACIDENTES DE TRABALHO Constituição Federal/88 Art.1º,III A dignidade da pessoa humana. art.5º,ii

Leia mais

PONTO 1: Teoria da Tipicidade PONTO 2: Espécies de Tipo PONTO 3: Elementos do Tipo PONTO 4: Dolo PONTO 5: Culpa 1. TEORIA DA TIPICIDADE

PONTO 1: Teoria da Tipicidade PONTO 2: Espécies de Tipo PONTO 3: Elementos do Tipo PONTO 4: Dolo PONTO 5: Culpa 1. TEORIA DA TIPICIDADE 1 DIREITO PENAL PONTO 1: Teoria da Tipicidade PONTO 2: Espécies de Tipo PONTO 3: Elementos do Tipo PONTO 4: Dolo PONTO 5: Culpa 1.1 FUNÇÕES DO TIPO: a) Função garantidora : 1. TEORIA DA TIPICIDADE b) Função

Leia mais

ERRATA. Luiz Carlos Bivar Corrêa Júnior. Noções de Direito Penal

ERRATA. Luiz Carlos Bivar Corrêa Júnior. Noções de Direito Penal ERRATA Luiz Carlos Bivar Corrêa Júnior 2011 2011 Vestcon Editora Ltda. Todos os direitos autorais desta obra são reservados e protegidos pela Lei nº 9.610, de 19/2/1998. Proibida a reprodução de qualquer

Leia mais

&RQFHLWRGH'ROR. Descaracterizando o DOLO de uma conduta, tornando o ato de doloso para culposo, a extensão da pena diminui drasticamente.

&RQFHLWRGH'ROR. Descaracterizando o DOLO de uma conduta, tornando o ato de doloso para culposo, a extensão da pena diminui drasticamente. &RQFHLWRGH'ROR 3RU$QGUp5LFDUGRGH2OLYHLUD5LRV(VWXGDQWHGH'LUHLWR Tão importante no Direito Penal, o conceito de DOLO, deve estar sempre presente na cabeça do advogado Criminalista. Pois, quem conhece e sabe

Leia mais

Introdução ao direito penal. Aplicação da lei penal. Fato típico. Antijuridicidade. Culpabilidade. Concurso de pessoas.

Introdução ao direito penal. Aplicação da lei penal. Fato típico. Antijuridicidade. Culpabilidade. Concurso de pessoas. Programa de DIREITO PENAL I 2º período: 4h/s Aula: Teórica EMENTA Introdução ao direito penal. Aplicação da lei penal. Fato típico. Antijuridicidade. Culpabilidade. Concurso de pessoas. OBJETIVOS Habilitar

Leia mais

Capítulo 1 Notas Preliminares...1

Capítulo 1 Notas Preliminares...1 S u m á r i o Capítulo 1 Notas Preliminares...1 1. Introdução... 1 2. Finalidade do Direito Penal... 2 3. A Seleção dos Bens Jurídico-Penais... 4 4. Códigos Penais do Brasil... 5 5. Direito Penal Objetivo

Leia mais

LEI DE TORTURA Lei n. 9.455/97

LEI DE TORTURA Lei n. 9.455/97 LEI DE TORTURA Lei n. 9.455/97 DUDH Artigo 5º Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante. ART. 5º DA CF Inciso III Ninguém será submetido à tortura nem

Leia mais

TCU ACE 2008 DIREITO PENAL Prof. Dicler Forestieri

TCU ACE 2008 DIREITO PENAL Prof. Dicler Forestieri Caros concurseiros, é com imensa satisfação que hoje trago os comentários da prova de Direito Penal do cargo de Analista de Controle Externo do TCU, aplicada pelo CESPE/UnB no último fim de semana. Tenha

Leia mais

Art. 1º, LICP as infrações penais representam um gênero que se divide em duas espécies:

Art. 1º, LICP as infrações penais representam um gênero que se divide em duas espécies: DO CRIME Introdução O Brasil adotou somente dois tipos de infrações penais como a doutrina denomina de sistema dicotômico ou bipartido, conforme se extrai da leitura do art. 1º da Lei de Introdução ao

Leia mais

Módulo 03- Direito Penal e Processual Penal. Disciplina: Direito Penal Aplicado à Prática Policial

Módulo 03- Direito Penal e Processual Penal. Disciplina: Direito Penal Aplicado à Prática Policial 1 CONCEITO DE DIRETO PENAL 2 DA APLICAÇÃO DA LEI PENAL ANTERIORIDADE DA LEI PENAL No artigo 1º do código penal está o principio da anterioridade, da legalidade ou da reserva legal, segundo o qual nullum

Leia mais

DIREITO PENAL. PARTE ESPECIAL ESBOÇO DE PROGRAMA I INTRODUÇÃO. 1. Parte especial como conjunto de tipos de crime e como ordem de bens jurídicos.

DIREITO PENAL. PARTE ESPECIAL ESBOÇO DE PROGRAMA I INTRODUÇÃO. 1. Parte especial como conjunto de tipos de crime e como ordem de bens jurídicos. Teresa Quintela de Brito DIREITO PENAL. PARTE ESPECIAL ESBOÇO DE PROGRAMA I INTRODUÇÃO 1. Parte especial como conjunto de tipos de crime e como ordem de bens jurídicos. 2. Relações entre a parte geral

Leia mais

Direito Penal Aula 3 1ª Fase OAB/FGV Professor Sandro Caldeira. Espécies: 1. Crime (delito) 2. Contravenção

Direito Penal Aula 3 1ª Fase OAB/FGV Professor Sandro Caldeira. Espécies: 1. Crime (delito) 2. Contravenção Direito Penal Aula 3 1ª Fase OAB/FGV Professor Sandro Caldeira TEORIA DO DELITO Infração Penal (Gênero) Espécies: 1. Crime (delito) 2. Contravenção 1 CONCEITO DE CRIME Conceito analítico de crime: Fato

Leia mais

TRIBUNAL DO JÚRI: A NOVA QUESITAÇÃO

TRIBUNAL DO JÚRI: A NOVA QUESITAÇÃO TRIBUNAL DO JÚRI: A NOVA QUESITAÇÃO Delmar Pacheco da Luz Procurador de Justiça 1 Questionário Seguramente este é um dos tópicos do Procedimento do Júri que sofreu as mudanças mais profundas. Há muito

Leia mais

LEI N.º 8.072, DE 25 DE JULHO DE 1990

LEI N.º 8.072, DE 25 DE JULHO DE 1990 LEI N.º 8.072, DE 25 DE JULHO DE 1990 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA: LEI DOS CRIMES HEDIONDOS Dispõe sobre os crimes hediondos, nos termos do art. 5º, inciso XLIII, da Constituição Federal, e determina outras

Leia mais

CRIME DOLOSO E CRIME CULPOSO PROFESSOR: LEONARDO DE MORAES

CRIME DOLOSO E CRIME CULPOSO PROFESSOR: LEONARDO DE MORAES CRIME DOLOSO E CRIME CULPOSO PROFESSOR: LEONARDO DE MORAES Espécies de Conduta a) A conduta pode ser dolosa ou culposa. b) A conduta pode ser comissiva ou omissiva. O tema dolo e culpa estão ligados à

Leia mais

Exercícios da lei 9.455/97 - lei de tortura. Prof. Wilson Torres

Exercícios da lei 9.455/97 - lei de tortura. Prof. Wilson Torres Exercícios da lei 9.455/97 - lei de tortura. Prof. Wilson Torres 01- A prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes, o terrorismo e os crimes definidos como hediondos podem ser imputados, com

Leia mais

www.apostilaeletronica.com.br

www.apostilaeletronica.com.br DIREITO PENAL PARTE GERAL I. Princípios Penais Constitucionais... 003 II. Aplicação da Lei Penal... 005 III. Teoria Geral do Crime... 020 IV. Concurso de Crime... 027 V. Teoria do Tipo... 034 VI. Ilicitude...

Leia mais

COMENTÁRIOS DA PROVA DE DIREITO PENAL ANALISTA PROCESUAL MPU 2004

COMENTÁRIOS DA PROVA DE DIREITO PENAL ANALISTA PROCESUAL MPU 2004 COMENTÁRIOS DA PROVA DE DIREITO PENAL ANALISTA PROCESUAL MPU 2004 01- Podemos afirmar que a culpabilidade é excluída quando a) o crime é praticado em obediência à ordem, manifestamente legal, de superior

Leia mais

Germano Marques da Silva. Professor da Faculdade de Direito Universidade Católica Portuguesa

Germano Marques da Silva. Professor da Faculdade de Direito Universidade Católica Portuguesa Germano Marques da Silva Professor da Faculdade de Direito Universidade Católica Portuguesa UNIVERSIDADE CATÓLICA EDITORA LISBOA 2012 PREFÁCIO Publiquei em 1998 o Direito Penal Português, II, Teoria do

Leia mais

Assim, o bem jurídico tutelado é o meio ambiente natural, cultural, artificial e do trabalho, englobáveis na expressão BEM AMBIENTAL.

Assim, o bem jurídico tutelado é o meio ambiente natural, cultural, artificial e do trabalho, englobáveis na expressão BEM AMBIENTAL. ASPECTOS DA TUTELA PENAL DO AMBIENTE 1. Introdução Como conseqüência da consciência ambiental, o legislador brasileiro não só previu a proteção administrativa do meio ambiente e a denominada tutela civil

Leia mais

Autor: Marcos Espínola Advogado Criminalista

Autor: Marcos Espínola Advogado Criminalista Autor: Marcos Espínola Advogado Criminalista 1 SUMÁRIO DEDICATÓRIAS E AGRADECIMENTOS 02 CARTA DE APRESENTAÇÃO 03 O QUE SERIA O SOFRIMENTO FÍSICO? 04 E O SOFRIMENTO MENTAL? 04 TORTURA-PROVA 05 TORTURA

Leia mais

FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2015

FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2015 FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2015 Disciplina: Direito Penal I Departamento III Direito Penal e Direito Processo Penal Carga Horária Anual: 100 h/a Tipo: Anual 2º ano Docente Responsável: Prof.

Leia mais

AULA 5 16/03/11 O SUICÍDIO E O INFANTICÍDIO

AULA 5 16/03/11 O SUICÍDIO E O INFANTICÍDIO AULA 5 16/03/11 O SUICÍDIO E O INFANTICÍDIO 1 O SUICÍDIO 1.1 O CONCEITO Suicídio ou autocídio é a conduta humana visando a supressão da vida do próprio autor. É forçoso observarmos que a figura prevista

Leia mais

ESTUDOS DE DIREITO PENAL AVANÇADO TEORIA GERAL DO CRIME

ESTUDOS DE DIREITO PENAL AVANÇADO TEORIA GERAL DO CRIME TEORIA GERAL DO CRIME Davi André Costa Silva Neste módulo CAUSAS DE EXCLUSÃO DO CRIME Estrutura do crime na teoria finalista Crime Fato típico Conduta (objetiva e subjetiva) resultado naturalístico nexo

Leia mais

DIREITO PENAL CURSO COMPLEMENTAR P/ ICMS-SP CURSOS ON-LINE PROFESSOR JULIO MARQUETI

DIREITO PENAL CURSO COMPLEMENTAR P/ ICMS-SP CURSOS ON-LINE PROFESSOR JULIO MARQUETI 8.2. DA APLICAÇÃO DAS PENAS. Agora vamos tratar das regras gerais para aplicação das penas. Nas linhas anteriores já falamos da aplicação das penas de multa e restritivas de direitos (itens 8.1.3.1 e 8.1.2.6).

Leia mais

TRATADO DE DIREITO PENAL BRASILEIRO

TRATADO DE DIREITO PENAL BRASILEIRO LUIZ REGIS PRADO nerior Jrib{J S~t' DE JUSTIÇA J'lq/ TRATADO DE DIREITO PENAL BRASILEIRO VOLUME 4 Parte Especial - Arts. 121 a 154-A Crimes contra a vida Crimes contra a liberdade individual THOMSON REUTERS

Leia mais

DIREITO PENAL Professor: Yuri Nadaf Borges Infanticídio (art. 123 do CP) Sujeito ativo: Mãe em estado puerperal. Estado puerperal é o conjunto de alterações que ocorre no organismo da mulher em razão do

Leia mais

PROJETO DE LEI Nº, DE 2005 (DO SR. TAKAYAMA)

PROJETO DE LEI Nº, DE 2005 (DO SR. TAKAYAMA) PROJETO DE LEI Nº, DE 2005 (DO SR. TAKAYAMA) Dispõe sobre os crimes de antecipação terapêutica de parto de feto anencefálico ou inviável, e dá outras providências. O CONGRESSO NACIONAL decreta: Art. 1º

Leia mais

TEMA: CONCURSO DE CRIMES

TEMA: CONCURSO DE CRIMES TEMA: CONCURSO DE CRIMES 1. INTRODUÇÃO Ocorre quando um mesmo sujeito pratica dois ou mais crimes. Pode haver um ou mais comportamentos. É o chamado concursus delictorum. Pode ocorrer entre qualquer espécie

Leia mais

Direito Penal. Prof. Davi André Costa TEORIA GERAL DO CRIME

Direito Penal. Prof. Davi André Costa TEORIA GERAL DO CRIME TEORIA GERAL DO CRIME 1. Conceito de infração penal: a) Unitário (monista): infração penal é expressão sinônima de crime. Adotado pelo Código Penal do Império (1830). b) Bipartido (dualista ou dicotômico):

Leia mais

Exercícios de fixação

Exercícios de fixação 1. (UFMT) As infrações penais se dividem em crimes e contravenções. Os crimes estão descritos: a) na parte especial do Código Penal e na Lei de Contravenção Penal. b) na parte geral do Código Penal. c)

Leia mais

CURSO: DIREITO NOTURNO - CAMPO BELO SEMESTRE: 2 ANO: 2015 C/H: 67 AULAS: 80 PLANO DE ENSINO

CURSO: DIREITO NOTURNO - CAMPO BELO SEMESTRE: 2 ANO: 2015 C/H: 67 AULAS: 80 PLANO DE ENSINO CURSO: DIREITO NOTURNO - CAMPO BELO SEMESTRE: 2 ANO: 2015 C/H: 67 AULAS: 80 DISCIPLINA: DIREITO PENAL I PLANO DE ENSINO OBJETIVOS: * Compreender as normas e princípios gerais previstos na parte do Código

Leia mais

AULA 7 30/03/11 ABORTAMENTO

AULA 7 30/03/11 ABORTAMENTO AULA 7 30/03/11 ABORTAMENTO 1 O CONCEITO Conforme preleciona Nelson Hungria, o abortamento pode ser percebido como a interrupção do processo gravídico com a conseqüente destruição do produto da concepção.

Leia mais

Tropa de Elite Polícia Civil Legislação Penal Especial CBT - Parte Especial Liana Ximenes

Tropa de Elite Polícia Civil Legislação Penal Especial CBT - Parte Especial Liana Ximenes Tropa de Elite Polícia Civil Legislação Penal Especial CBT - Parte Especial Liana Ximenes 2012 Copyright. Curso Agora eu Passo - Todos os direitos reservados ao autor. CTB- Parte Especial Art. 302. Praticar

Leia mais

FATO TÍPICO CONDUTA. A conduta é o primeiro elemento integrante do fato típico.

FATO TÍPICO CONDUTA. A conduta é o primeiro elemento integrante do fato típico. TEORIA GERAL DO CRIME FATO TÍPICO CONDUTA A conduta é o primeiro elemento integrante do fato típico. Na Teoria Causal Clássica conduta é o movimento humano voluntário produtor de uma modificação no mundo

Leia mais

Ministério da Educação Universidade Federal de Santa Maria Centro de Ciências Sociais e Humanas Departamento de Direito PLANO DE ENSINO

Ministério da Educação Universidade Federal de Santa Maria Centro de Ciências Sociais e Humanas Departamento de Direito PLANO DE ENSINO Ministério da Educação Universidade Federal de Santa Maria Centro de Ciências Sociais e Humanas Departamento de Direito PLANO DE ENSINO 1) Identificação Disciplina Direito Penal III - DIURNO Carga horária

Leia mais

SUMÁRIO. Parte 1. Capítulo 3 Prisão em flagrante... 21

SUMÁRIO. Parte 1. Capítulo 3 Prisão em flagrante... 21 SUMÁRIO Parte 1 Aspectos gerais da atividade policial Capítulo 1 Distinção entre a Polícia Militar, a Polícia Civil, a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Guarda Municipal...3 Capítulo 2

Leia mais

AULA 08. CONTEÚDO DA AULA: Teorias da Conduta (cont). Teoria social da ação (cont.). Teoria pessoal da ação. Resultado. Relação de Causalidade Início.

AULA 08. CONTEÚDO DA AULA: Teorias da Conduta (cont). Teoria social da ação (cont.). Teoria pessoal da ação. Resultado. Relação de Causalidade Início. Turma e Ano: Flex A (2014) Matéria / Aula: Direito Penal / Aula 08 Professora: Ana Paula Vieira de Carvalho Monitora: Mariana Simas de Oliveira AULA 08 CONTEÚDO DA AULA: Teorias da (cont). Teoria social

Leia mais

PONTO 1: Introdução PONTO 2: Crimes contra a Honra continuação PONTO 3: Crimes contra a Liberdade Pessoal. 1. Introdução:

PONTO 1: Introdução PONTO 2: Crimes contra a Honra continuação PONTO 3: Crimes contra a Liberdade Pessoal. 1. Introdução: 1 PONTO 1: Introdução PONTO 2: Crimes contra a Honra continuação PONTO 3: Crimes contra a Liberdade Pessoal 1. Introdução: - Teoria da dupla imputação art. 225, 3º 1, CF. - STF RE 628582. - INF 639, J.

Leia mais

DIREITO PENAL ÍNDICE. CAPÍTULO 03... 34 Concurso de Crimes... 34 Concurso Material...34 Concurso Formal...34 Crime Continuado...35

DIREITO PENAL ÍNDICE. CAPÍTULO 03... 34 Concurso de Crimes... 34 Concurso Material...34 Concurso Formal...34 Crime Continuado...35 DIREITO PENAL ÍNDICE CAPÍTULO 01... 7 Introdução ao Direito Penal e Aplicação da Lei Penal... 7 Introdução ao Estudo do Direito Penal...7 Teoria do Crime...8 Princípio da Legalidade (Anterioridade - Reserva

Leia mais

Direito Penal Dr. Caio Paiva Aprovado no Concurso para Defensor Público Federal

Direito Penal Dr. Caio Paiva Aprovado no Concurso para Defensor Público Federal Direito Penal Dr. Caio Paiva Aprovado no Concurso para Defensor Público Federal Escola Brasileira de Ensino Jurídico na Internet (EBEJI). Todos os direitos reservados. 1 Direito Penal Parte Especial do

Leia mais

RESUMO DE DIREITO PENAL FABIANO MARQUES (FABAVI) 1

RESUMO DE DIREITO PENAL FABIANO MARQUES (FABAVI) 1 RESUMO DE DIREITO PENAL FABIANO MARQUES (FABAVI) 1 DIREITO PENAL 4º PERÍODO PARTE ESPECIAL ARTIGO 121 HOMICÍDIO MATAR ALGUÉM Homicídio é a eliminação da vida de uma pessoa provocada por outra. O objeto

Leia mais