Direito Penal ii Parte especial

Tamanho: px
Começar a partir da página:

Download "Direito Penal ii Parte especial"

Transcrição

1 Direito Penal II PARTE ESPECIAL Brasília, 2012.

2 Elaboração Georges Carlos Fredderico Moreira Seigneur Produção Equipe Técnica de Avaliação, Revisão Linguística e Editoração Todos os direitos reservados. W Educacional Editora e Cursos Ltda. Av. L2 Sul Quadra 603 Conjunto C CEP Brasília-DF Tel.: (61) Fax: (61)

3 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO... 4 ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA... 5 Introdução... 7 Unidade única CRIMES... 9 capítulo 1 Dos crimes contra a pessoa CAPÍTULO 2 Dos crimes contra o patrimônio CAPÍTULO 3 Dos crimes contra a propriedade imaterial, contra a organização do trabalho, contra o sentimento religioso e contra o respeito aos mortos CAPÍTULO 4 Dos crimes contra a dignidade sexual CAPÍTULO 5 Dos crimes contra a família, contra a incolumidade pública e contra a paz pública CAPÍTULO 6 Dos crimes contra a fé pública CAPÍTULO 7 Dos crimes contra a administração pública referências... 75

4 APRESENTAÇÃO Caro aluno A proposta editorial deste Caderno de Estudos e Pesquisa reúne elementos que se entendem necessários para o desenvolvimento do estudo com segurança e qualidade. Caracteriza-se pela atualidade, dinâmica e pertinência de seu conteúdo, bem como pela interatividade e modernidade de sua estrutura formal, adequadas à metodologia da Educação a Distância EaD. Pretende-se, com este material, levá-lo à reflexão e à compreensão da pluralidade dos conhecimentos a serem oferecidos, possibilitando-lhe ampliar conceitos específicos da área e atuar de forma competente e conscienciosa, como convém ao profissional que busca a formação continuada para vencer os desafios que a evolução científico-tecnológica impõe ao mundo contemporâneo. Elaborou-se a presente publicação com a intenção de torná-la subsídio valioso, de modo a facilitar sua caminhada na trajetória a ser percorrida tanto na vida pessoal quanto na profissional. Utilize-a como instrumento para seu sucesso na carreira. Conselho Editorial 4

5 ORGANIZAÇÃO DO CADERNO DE ESTUDOS E PESQUISA Para facilitar seu estudo, os conteúdos são organizados em unidades, subdivididas em capítulos, de forma didática, objetiva e coerente. Eles serão abordados por meio de textos básicos, com questões para reflexão, entre outros recursos editoriais que visam a tornar sua leitura mais agradável. Ao final, serão indicadas, também, fontes de consulta, para aprofundar os estudos com leituras e pesquisas complementares. A seguir, uma breve descrição dos ícones utilizados na organização dos Cadernos de Estudos e Pesquisa. Provocação Pensamentos inseridos no Caderno, para provocar a reflexão sobre a prática da disciplina. Para refletir Questões inseridas para estimulá-lo a pensar a respeito do assunto proposto. Registre sua visão sem se preocupar com o conteúdo do texto. O importante é verificar seus conhecimentos, suas experiências e seus sentimentos. É fundamental que você reflita sobre as questões propostas. Elas são o ponto de partida de nosso trabalho. Textos para leitura complementar Novos textos, trechos de textos referenciais, conceitos de dicionários, exemplos e sugestões, para lhe apresentar novas visões sobre o tema abordado no texto básico. Sintetizando e enriquecendo nossas informações abc Espaço para você, aluno, fazer uma síntese dos textos e enriquecê-los com sua contribuição pessoal. 5

6 Sugestão de leituras, filmes, sites e pesquisas Aprofundamento das discussões. Praticando Atividades sugeridas, no decorrer das leituras, com o objetivo pedagógico de fortalecer o processo de aprendizagem. Para (não) finalizar Texto, ao final do Caderno, com a intenção de instigá-lo a prosseguir com a reflexão. Referências Bibliografia consultada na elaboração do Caderno. 6

7 Introdução O Direito Penal realiza-se por meio dos crimes previstos pelo legislador. Ao preferir adotar um modelo de Código, buscou o legislador consolidar os tipos penais em um só diploma legislativo, a fim de se facilitar a compreensão e o entendimento da matéria. Entretanto, 70 anos após a entrada em vigor do Código Penal, diversas leis extravagantes foram surgindo, especialmente em virtude da maior complexidade de figuras penais que precisavam ser tratadas de uma maneira distinta da forma como foram expostas no Código Penal. Apesar dessas mudanças, o Código Penal brasileiro ainda mantém os principais tipos penais, que serão devidamente tratados neste Caderno. Os crimes em espécie, previstos nos arts. 121 a 360 do referido Código, carregam o pensamento criminal das últimas sete décadas, com tipos penais atuais, bem como crimes absolutamente obsoletos e sem qualquer efeito prático atualmente. É sabido e discutido que o Código Penal precisa ser refeito. Todavia, o Congresso Nacional não parece empenhado em mudar a estrutura da lei como um todo, fazendo adendos quase que anuais, a fim de tentar satisfazer a vontade popular e dos meios jurídicos de uma melhor adaptação do Código a nossa sociedade. Assim, o estudo tentará amoldar-se da melhor forma possível ao tempo e ao espaço deste Curso, cujos objetivos principais devem ser alcançados ao final do estudo. Objetivos Proporcionar ao aluno conhecimentos fundamentais e avançados dos conteúdos concernentes ao Direito Penal. Promover o estudo lógico-sistemático e crítico-reflexivo dos crimes em espécie no Código Penal brasileiro. Estimular o entendimento dos tipos penais de uma forma mais didática, a fim de auxiliar a compreensão e a própria existência da previsão legal de crimes.»» Analisar a jurisprudência pátria acerca do assunto, especialmente o entendimento da matéria pelo Supremo Tribunal Federal e Superior Tribunal de Justiça. 7

8

9 Unidade única CRIMES

10

11 capítulo 1 Dos crimes contra a pessoa Homicídio Previsto no art. 121 do Código Penal, o homicídio manteve esse nome desde o Código Penal de 1890, contrariando alguns diplomas legais estrangeiros que fazem distinção entre o homicídio e o assassinato, ocorrendo este quando há um delito de maior gravidade 1. Vale lembrar que a Constituição Federal, no caput do art. 5 o, prevê expressamente o direito à vida como o primeiro de uma série de garantias, sendo o homicídio a principal violação desse direito. Entretanto, no nosso modelo normativo, não há que se falar em direitos e garantias de natureza absoluta, nem mesmo para o direito à vida, em razão de ocorrer uma excludente de ilicitude ou de culpabilidade, ou, até mesmo, no caso de guerra declarada, em que a pena de morte é admitida. O caput do art. 121 é simples: matar alguém. A pena para a prática do crime é de 6 a 20 anos de reclusão. Tem-se um tipo meramente descritivo, sem qualquer elemento subjetivo ou normativo, não havendo a necessidade de maior interpretação para que se entenda claramente o tipo penal. Pergunta-se: o que é a morte? A morte é o fim da vida, da existência do ser humano. Entretanto, tem-se como mais complexo determinar o momento em que ela ocorre. Por muito tempo não houve uma definição de morte na nossa legislação, imaginando-se sempre que esta ocorre quando cessam as principais atividades vitais. Entretanto, o legislador, ao editar a Lei n o 9.434/1997, que versa sobre transplantes de órgãos, definiu, em seu art. 3 o, que: A retirada post mortem de tecidos, órgãos ou partes do corpo humano destinados a transplante ou tratamento deverá ser precedida de diagnóstico de morte encefálica, constatada e registrada por dois médicos não participantes das equipes de remoção e transplante, mediante a utilização de critérios clínicos e tecnológicos definidos por resolução do Conselho Federal de Medicina. Ocorrida a morte encefálica, tem-se o fim da vida e, no caso de morte provocada por terceiro, homicídio. Qualquer um pode ser sujeito ativo ou sujeito passivo de homicídio. É um crime comum clássico, em que a condição para que ocorra é de que a pessoa esteja viva, sob pena de se ter um crime impossível, e fora do útero, haja vista que a morte provocada em vida intrauterina se enquadra em outro tipo penal que é o aborto. O objeto material do crime é a pessoa contra a qual recai a conduta, e o objeto juridicamente protegido é a vida em um sentido mais amplo. 1 BITTENCOURT, Cezar Roberto. Tratado de Direito Penal. 7. ed. rev. e atual. São Paulo: Saraiva, 2007, v. 2. p

12 UNIDADE ÚNICA CRIMES O caput do art. 121 necessita do dolo para que seja configurado, haja vista que o parágrafo único do art. 18 do Código Penal prevê que o crime culposo só restará configurado se previsto expressamente. A forma culposa vem no 3 o do art. 121, que será tratado mais abaixo. A forma dolosa do homicídio implica uma outra situação, só que agora de natureza processual. Conforme previsão constitucional (art. 5 o, XXXVIII) e legal (Código de Processo Penal, art. 74, 1 o ), os crimes dolosos contra a vida não serão julgados por um Juiz comum, mas pelo Tribunal do Júri, órgão de jurisdição popular composto por sete jurados e um Juiz-Presidente, cuja votação será secreta e a decisão soberana. O homicídio permite a sua prática nas modalidades comissiva e omissiva, esta na hipótese do art. 13, 2 o, do Código Penal, como é o caso da mãe, já fora do seu estado puerperal, que deixa de alimentar o filho, visando matá-lo, logrando êxito na sua empreitada. Já os meios de execução podem ser: diretos (p. ex.: disparo de arma de fogo, facada); indiretos (p. ex.: atiçar animais para atacar um terceiro ou instigar um indivíduo incapaz); materiais (meios mecânicos, químicos e patológicos); morais (susto, medo, emoção violenta que mate ou conduza a enfermidade e depois à morte). No 1 o do art. 121, o Código Penal trata do homicídio privilegiado. A nomenclatura é errada, haja vista que não se trata de um privilégio, mas de uma causa de diminuição de pena. Segundo o diploma legal, a pena será reduzida de 1/6 a 1/3 se o agente cometer o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida à injusta provocação da vítima. Relevante valor social é aquele motivo que atende aos interesses da coletividade 2, enquanto o de relevante valor moral tem em mente questão de ordem pessoal 3. Um exemplo do primeiro caso seria a morte de um político corrupto, de um bandido de alta periculosidade. No segundo caso, tem-se o exemplo de um pai que mata o estuprador da filha ou da eutanásia, quando a vítima está desenganada pelos médicos e sofre com a doença. Tais condutas são ainda reprováveis, entretanto, menos do que a conduta normal do homicídio, por isso merecem a redução da pena. O homicídio sob violenta emoção, logo em seguida à injusta provocação da vítima, deve ser dividido em cada um de seus elementos. Sob o domínio não significa sob influência, esta prevista na agravante expressa na alínea c do inciso III do art. 65. No caso da causa de redução da pena, há a necessidade de que o agente esteja absolutamente dominado pela violenta emoção e, por isso, tenha causado o homicídio. 2 GRECO, Rogério. Curso de Direito Penal: parte especial. 7. ed., rev., ampl. e atual. Niterói, RJ: Impetus, 2010, p NUCCI, Guilherme de Souza. Código Penal Comentado. 9. ed., rev. ampl. e atual. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008, p. 588.

13 CRIMES UNIDADE ÚNICA A violenta emoção, nas palavras de Nelson Hungria, seria: Um estado de ânimo ou de consciência caracterizado por uma viva excitação do sentimento. É uma forte e transitória perturbação da efetividade, a que estão ligadas certas variações somáticas ou modificações particulares das funções da vida orgânica 4. Vale lembrar que o Código, em seu art. 28, I, veda a exclusão de imputabilidade penal em virtude da emoção. Entretanto, nada impede que a prática de um ato sob seu domínio permita uma redução da pena. Logo em seguida significa um pequeno espaço de tempo, não necessariamente imediatamente, como na legítima defesa. Entretanto, tal lapso temporal não poderá durar muitas horas ou dias, já que o objetivo do legislador era de que o agente não tivesse tempo para repensar seus atos ou planejar algo. Provocação da vítima está em uma conceituação mais ampla do que a agressão. Ela pode ser de natureza física ou verbal (um tapa na cara, uma ofensa) que venha a gerar um distúrbio emocional razoável. Entretanto, a provocação verbal pode aproximar-se muito de uma agressão à honra, a qual justificaria, a defesa, dentro das regras do art. 25, atentando-se à proporcionalidade. Alguém que dê um tapa na cara de uma pessoa que está xingando outra pessoa de forma exacerbada e incomum pode, até, dependendo de outras circunstâncias fáticas, ser absolvido pela legítima defesa. Entretanto, se, ao invés de dar um tapa na cara, o indivíduo dá uma facada, a situação é absolutamente desproporcional, podendo, no máximo, permitir a redução da pena pela prática do homicídio sob violenta emoção, logo em seguida à injusta provocação da vítima. Cumpre ressaltar que a causa de diminuição de pena não é faculdade do Juiz, e sim direito subjetivo do réu. Já o homicídio qualificado vem previsto no 2 o, do art. 121 do Código Penal. Tem-se aí, corretamente, um tipo qualificado, haja vista que uma nova pena mais grave é imposta pela prática do crime pelas hipóteses previstas no referido parágrafo. A prática do crime de homicídio qualificado resulta em uma pena de 12 a 30 anos. Cinco são as qualificadoras do homicídio: mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; por motivo fútil; com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; traição, emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossivel a defesa do ofendido; para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime. 4 HUNGRIA, Nelson. Comentários ao Código Penal. v, 3. ed. Rio de Janeiro: Forense, v. p

14 UNIDADE ÚNICA CRIMES A eventual prática do homicídio em qualquer uma dessas situações aumenta a pena de 12 a 30 anos. Ressalte-se que o homicídio qualificado é um crime hediondo, dificultando ou impedindo a concessão de determinados benefícios durante a execução da pena. Já o homicídio simples só poderá ser hediondo se praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que cometido por um só agente (art. 1 o, I, da Lei n o 8.072/1990). Entretanto, como afirma Guilherme Nucci, é pouco lógico ocorrer tal hipótese, haja vista que a prática de um crime em atividade de grupo de extermínio é naturalmente torpe, segundo o nosso entendimento jurisprudencial 5. As duas primeiras hipóteses são as chamadas qualificadoras subjetivas. Rogério Greco e Damásio de Jesus entendem que as condições de caráter pessoal, no caso, o crime praticado mediante torpeza ou futilidade, não se comunica a coautores, haja vista se tratar de um tipo derivado qualificado 6. O Superior Tribunal de Justiça também coaduna o mesmo entendimento 7. A primeira qualificadora é a do motivo torpe. Tem-se um caso de interpretação analógica, haja vista que o Código Penal exemplifica, pelo menos em uma hipótese, o motivo torpe. Como o motivo torpe é agravante também, sempre que um crime for praticado mediante paga ou promessa de recompensa, tem-se a agravante da torpeza. Cumpre lembrar que, em face da vedação ao princípio do bis in idem, não se pode aplicar a agravante da torpeza, caso se utilize a qualificadora do mesmo motivo. Motivo torpe é, segundo Heleno Fragoso, aquele que ofende gravemente a moralidade média ou os princípios éticos dominantes em determinado meio social 8. É aquele motivo vil, que causa repugnância, nojo. Já a paga ou promessa de recompensa não é a recompensa do art. 159, exclusivamente financeira. Ela pode ser de qualquer forma, seja moral, profissional ou sexual. O agente responde pela qualificadora mesmo que não receba o benefício prometido, haja vista que a qualificadora é a motivação do crime. Com relação ao mandante, o Superior Tribunal de Justiça tem uma cisão entre suas turmas, visto que a 5 a Turma entende que o mandante não responde e a 6 a Turma, em decisão mais recente, enquadra o mandante na da qualificadora do inciso I. Motivo fútil é aquele desproporcional, como o de um flanelinha que mata outro por ter recebido em seu lugar R$ 0,75 por guardar o veículo, ou o de uma briga de trânsito. Discussão existe sobre a falta de motivo. Damásio entende que falta de motivo não é futilidade, enquanto Rogério Greco discorda 9. 5 NUCCI, op. cit., p GRECO, op. cit., p Penal e processual penal. Recurso especial. Prequestionamento. Júri. Homicídio qualificado. Motivo fútil. Circunstância de caráter pessoal. Quesitação vinculada. Nulidade absoluta. I O amplo direito de defesa isenta o recorrente do pagamento de despesas de remessa e de retorno dos autos, na ação penal pública, para efeito de subida do recurso especial. II Tema não ventilado no v. acórdão increpado desmerece apreciação por ausência de oportuno prequestionamento (Súmulas n o 282 e STF). III Os dados que compõem o tipo básico ou fundamental (inserido no caput) são elementares; aqueles que integram o acréscimo, compondo o tipo derivado (qualificado ou privilegiado) são, em regra, circunstâncias. IV O motivo fútil, qualificando o homicídio, é circunstância de caráter pessoal, subjetiva, que não se comunica ex vi art. 30 do Código Penal. V A quesitação vinculada, acerca do motivo fútil, acarreta nulidade absoluta. Recurso conhecido e provido. (REsp /MG, Rel. Ministro Felix Fischer, 5 o Turma, julgado em 13/04/1999, DJ de 7 de jun. 1999, p. 122). 8 FRAGOSO, Heleno. Lições de Direito Penal. 16. ed. Atualizado por Fernando Fragoso. Rio de Janeiro: Forense, p GRECO, op. cit., p. 156.

15 CRIMES UNIDADE ÚNICA E o ciúme? Várias são as interpretações, devendo cada um dos casos ser resolvido pela casuística. O ciúme como um motivo fútil é algo que cada vez menos vem sido aceito, haja vista que o ciúme é uma reação natural humana. Entretanto, hoje, tem-se cada vez mais que o ciúme pode ser carregado de torpeza, em razão do sentimento de posse, inadmissível nos dias de hoje, que ocorre especialmente nas relações domésticas, em que ex-maridos ou ex-mulheres não admitem a separação e o fato de que o ex-cônjuge arranje outro companheiro. O ciúme pode até ser, em poucas hipóteses, causa de diminuição da pena, como no caso do agente que é provocado pela vítima momentos antes do homicídio, como, por exemplo, um caso em que a mulher, encontrada na cama com outro, diz ao marido: Sente aí e veja como faz, ou outro caso em que a mulher viu o marido chegando em casa às 5 horas da manhã, confirmando que estava com outra e dizendo que não queria fazer sexo com ela por já ter feito com a amante. É claro que situações incomuns como essas não podem ser consideradas como regra, mas, para efeito do adágio popular, essas são hipóteses de exceção que confirmam a regra. Como o motivo do crime só pode ser de uma natureza, não é possível haver um homicídio torpe e fútil ou qualificado-privilegiado, quando ambas as situações se referem à questão de natureza subjetiva. Nesse caso, o Tribunal do Júri precisa decidir qual é a hipótese que configura o crime, havendo nulidade do julgamento a aceitação dupla motivacional. Vale lembrar que o homicídio qualificado-privilegiado é plenamente aceito quando se tem como qualificadora os motivos objetivos, que serão vistos abaixo. Uma última qualificadora subjetiva é a do inciso V, que também trata do motivo do crime. Quando o homicídio é praticado para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime, tem-se a finalidade especial do agente, ocasionando a conexão dos crimes, nos moldes do disposto no Código de Processo Penal. Vale lembrar que, se o crime que o agente visa assegurar a finalidade especial for putativo ou impossível, não se aplica a respectiva qualificadora. Já as qualificadoras objetivas estão previstas nos incisos III e IV, assim descritas: III com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; IV a traição, emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido; Vale lembrar que a qualificadora precisa, para sua aplicação, ser dolosa. Uma pessoa que mata outra dolosamente, mas que acidentalmente põe fogo, não deve responder pela qualificadora. Não há problema algum na cumulação de um homicídio qualificado-privilegiado quando a qualificadora é objetiva, deixando o crime, inclusive, de ser hediondo, haja vista a sua não previsão. Para facilitar a compreensão das qualificadoras, faremos uma breve explanação sobre os termos. Veneno: substância que, introduzida no organismo, altera momentaneamente ou suprime definitivamente as manifestações vitais de toda matéria organizada ODON RAMO, apud NUCCI, op. cit., p

16 UNIDADE ÚNICA CRIMES Fogo: qualificadora que ficou bem conhecida com o julgamento do homicídio do índio Galdino dos Santos, em Brasília, o qual teve o dolo do homicídio justificado em sede de Recurso Especial, por causa do emprego do fogo (STJ RE /DF 5a Turma, Rel. Min. Félix Fischer, 9/2/1999). Explosivo: meio utilizado pelo agente que traz perigo, também, a um número indeterminado de pessoas 11. Asfixia: supressão da respiração e pode vir por meio do estrangulamento (por um laço conduzido por uma força), enforcamento (compressão do pescoço por um laço, causada pelo peso do próprio corpo da vítima), esganadura (aperto do pescoço provocado pelo agente agressor diretamente), afogamento (inspiração de líquido), dentre outras 12. Tortura: a Lei no 9.455/1997 prevê suas hipóteses no art. 1o 13. Meio insidioso ou cruel: insidioso é o meio utilizado pelo agente sem que a vítima tome conhecimento, enquanto cruel é aquele que causa um sofrimento excessivo, desnecessário à vítima ainda viva 14. Esquartejar uma vítima morta não qualifica o crime pela crueldade. Traição: ação do agente que colhe a vítima por trás, desprevenida, sem ter qualquer visualização do ataque 15. Emboscada: espécie de traição na qual o agente se coloca escondido, a fim de agredir a vítima. Dissimulação: é ocultar a verdadeira intenção, agindo com hipocrisia. O agente finge amizade ou carinho, aproximando-se da vítima, e depois a mata 16. Recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido: mais um caso de interpretação analógica. Vários são os exemplos jurisprudenciais, como: matar alguém dormindo, embriagado, de surpresa, dentre outras. 11 GRECO, op. cit., p NUCCI, op. cit., p. 598 e Art. 1 o Constitui crime de tortura: I constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental: a) com o fim de obter informação, declaração ou confissão da vítima ou de terceira pessoa; b) para provocar ação ou omissão de natureza criminosa; c) em razão de discriminação racial ou religiosa; II submeter alguém, sob sua guarda, poder ou autoridade, com emprego de violência ou grave ameaça, a intenso sofrimento físico ou mental, como forma de aplicar castigo pessoal ou medida de caráter preventivo. 14 GRECO, op. cit., p NUCCI, op. cit., p Idem.

17 CRIMES UNIDADE ÚNICA Já o 3 o, do art. 121, prevê a hipótese de crime culposo quando o agente mata por negligência, imperícia ou imprudência. O 4 o, por sua vez, prevê causas de aumento de pena em 1/3 no crime culposo, a saber: se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício; se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Da mesma forma, o 4 o aumenta a pena de homicídio também em 1/3 se o crime for praticado contra menor de 14 anos ou maior de 60. Há de se ressaltar que é fundamental que o agente saiba dessa condição para aplicação da causa de aumento de pena. Por fim, o Código prevê no inciso V uma hipótese de perdão judicial, onde o Juiz pode, mas, na verdade, deve, extinguir a pena se as consequências do delito atingirem o autor com uma dor física ou moral, como, por exemplo, uma paraplegia ou a morte de um parente muito próximo e querido. O Juiz deve analisar se houve realmente o sofrimento e, havendo, deve perdoar o réu, na hipótese de homicídio culposo. Outros crimes contra a vida O art. 122 prevê o induzimento, a instigação ou o auxílio a quem pratica o suicídio. Suicídio aqui é o voluntário, ou seja, o indivíduo querer tirar a própria vida intencionalmente. Induzir significa dar a ideia, enquanto a instigação é inflamar uma vontade já existente. O auxílio se dá materialmente, como o agente que empresta a faca ou a arma para o suicida. Por fim, a pena é duplicada se o crime é praticado por motivo egoístico (p. ex.: para receber um valor de seguro de vida); se a vítima é menor de idade, no caso, menor entre 14 e 18 anos ou tenha sua capacidade reduzida por algum motivo. Vale lembrar que o indivíduo que tenha menos de 14 anos ou absolutamente incapaz não possui vontade jurídica relevante, sendo que o induzimento, a instigação ou o auxílio, nesses casos, resulta não no art. 122, mas em um homicídio doloso. O infanticídio, previsto no art. 123, tem uma origem histórica, entretanto sua aplicação prática é quase inexistente. Trata-se, na verdade, de um homicídio privilegiado, em que a mãe mata o filho, sob a influência do estado puerperal durante o parto ou logo após, tendo uma pena de 2 a 6 anos. Estado puerperal é o que envolve a parturiente durante a expulsão da criança do ventre materno, sendo uma hipótese de semi-imputabilidade 17. É um delito de mão própria, só podendo ser praticado pela mãe. Discussão histórica é a do concurso de pessoas no infanticídio, em que a doutrina, majoritariamente, entende que todos respondem por infanticídio e não separadamente 18. Por fim, logo após deve ser entendido como um período de tempo bem curto logo após o parto, não devendo ser determinado de forma precisa. Os arts. 124 a 128 tratam do aborto e de suas modalidades. O art. 124 trata do aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento (pena de detenção de 1 a 3 anos). Já o art. 125 trata do aborto provocado por terceiro sem o consentimento da gestante (reclusão de 3 a 10 anos), enquanto o art NUCCI, op. cit., p Ibidem, p

18 UNIDADE ÚNICA CRIMES trata do aborto provocado por terceiro com o consentimento da gestante (reclusão de 1 a 4 anos, salvo no caso de a gestante ser menor de 14 anos, absolutamente incapaz, de forma fraudulenta, com grave ameaça ou violência, em que a pena será igual a do aborto provocado sem o consentimento da gestante). O art. 127 qualifica as duas formas de aborto provocado por terceiro, aumentando em 1/3 se a gestante sofrer lesão grave e duplicando na hipótese de morte. O art. 128 encerra o capítulo com duas excludentes de ilicitude 19 : o aborto provocado por médico, sem o qual não há outro meio de salvar a vida da gestante, ou o aborto provocado por médico se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido do consentimento da gestante ou, se incapaz, do seu representante legal. A primeira hipótese é conhecida como aborto terapêutico e, a segunda, como aborto piedoso ou humanitário. O aborto é um tema bastante polêmico. A discussão acerca de sua legalização envolveu até mesmo candidatos à Presidência da República e é hoje uma questão de fundo moral e sanitária. A punição pelo crime de aborto é cada vez mais difícil, haja vista que certos remédios ilegais possuem o condão de não deixar vestígios no corpo da mulher sobre a espontaneidade ou não do aborto, dificultando sobremaneira a prova. Além do mais, o aborto provocado pela mulher permite a suspensão condicional do processo, em face de sua pena ser de 1 a 3 anos. Tem-se, hoje, no Supremo Tribunal Federal, a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental no 54, que busca a legalização do aborto do feto anencefálico, com o principal argumento de que, como a vida se encerra, pela lei, com o fim da atividade cerebral, não se pode dizer que há aborto quando o feto não possui cérebro, pois, segundo nossa lei, esse feto não teria vida. Possivelmente, o julgamento dessa ADPF será uma das questões mais controvertidas a serem decididas pelo Supremo Tribunal Federal, que dará uma resposta à sociedade que espera a solução desse conflito. Lesões corporais O art. 129 do Código Penal trata exclusivamente do Capítulo II dos crimes contra a vida, tipificando o crime de lesão corporal. Segundo o artigo, pratica o crime quem ofende a integridade física de outrem. Inicialmente, é de extrema relevância a caracterização das lesões corporais, a qual visa proteger a incolumidade da pessoa humana. Diferencia-se da contravenção de vias de fato, por deixar alguma marca ou sequela. Não se pode inserir em seu conceito qualquer ideia de ofensa moral. Não se pune a autolesão nem a lesão consentida, esta em face da causa supralegal de exclusão de ilicitude. Da mesma forma, não se pune uma lesão desportiva praticada dentro das normas regulares do esporte, por estar o ofensor dentro de um exercício regular de direito que autorizou a prática do esporte. Entretanto, o excesso não está amparado nem no direito desportivo, nem no penal. São sete as hipóteses de lesões corporais: leve (caput); grave ( 1 o ); NUCCI, op. cit., p. 617.

19 CRIMES UNIDADE ÚNICA gravíssima ( 2 o ); seguida de morte ( 3 o ); privilegiada ( 4 o ); culposa; decorrente de violência doméstica ( 9 o ). A lesão leve é a lesão comum, sendo, na verdade, um tipo subsidiário das outras lesões. Já a grave ocorre quando se tem incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias; perigo de vida; debilidade permanente de membro, sentido ou função; e aceleração de parto, sendo a pena de reclusão de 1 a 5 anos. Ocupação habitual é toda atividade regularmente desempenhada pela vítima e não apenas sua ocupação laborativa 20. O meio de prova é o laudo complementar, previsto no art. 168 do CPP, podendo ser suprido pela prova testemunhal ( 3 o, 168, da CPP). Perigo de vida é um termo equivocado, haja vista que o perigo é de morte. Normalmente, o Laudo do IML de Corpo de Delito deve apontar se há ou não perigo de morte, havendo um dolo não no perigo de vida, mas apenas na lesão, já que, se houvesse dolo no perigo de vida, ter-se-ia uma tentativa de homicídio. Exige-se, para que se tenha o perigo de vida, um perigo real, efetivo e atual, devendo o perito mostrar qual seria o perigo, mesmo que de forma breve, para a vida da vítima 21. Debilidade permanente é o enfraquecimento, a redução ou a diminuição da capacidade funcional 22. Membros são os braços, as mãos, as pernas e os pés. Sentidos são os cinco: visão, olfato, audição, paladar e tato. Função é a ação própria ou específica desempenhada por um órgão: funções digestiva, respiratória, reprodutora, circulatória. A debilidade tem que ser permanente, não perpétua 23. Um caso comum de lesão corporal grave é a lesão dentária que debilita a função mastigatória, corrigível com qualquer microcirurgia. A perda de um olho é uma debilidade na função, e não a perda desta, sendo meramente lesão grave. Se o indivíduo só possuía um olho, perdeu-se a função, tendo-se uma lesão gravíssima. A aceleração de parto decorre da expulsão do feto antes do tempo previsto, sem que sobrevenha o resultado morte, que, ocorrendo, transformaria a lesão em gravíssima. Já a lesão gravíssima, cuja pena é de reclusão de 2 a 8 anos, ocorre quando a lesão resulta em incapacidade permanente para o trabalho; enfermidade incurável; perda ou inutilização do membro, sentido ou função; deformidade permanente e aborto. 20 NUCCI, op. cit., p PRADO, Luiz Régis. Comentários ao Código Penal, 4. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2007, p Idem. 23 Idem. 19

PARTE ESPECIAL TÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A PESSOA CAPÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A VIDA

PARTE ESPECIAL TÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A PESSOA CAPÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A VIDA Homicídio simples Art 121. Matar alguém: PARTE ESPECIAL TÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A PESSOA CAPÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A VIDA Pena - reclusão, de seis a vinte anos. Caso de diminuição de pena 1º Se o

Leia mais

Questões relevantes Parte Especial CP

Questões relevantes Parte Especial CP Direito Penal 2ª Fase OAB/FGV Aula 07 Professor Sandro Caldeira Questões relevantes Parte Especial CP Crimes contra a vida; ; Homicídio simples Art. 121 CP. Matar alguém: Pena - reclusão, de seis a vinte

Leia mais

OAB 139º - 1ª Fase Regular Modulo II Disciplina: Direito Penal Professor Patrícia Vanzolini Data: 31/07/2009

OAB 139º - 1ª Fase Regular Modulo II Disciplina: Direito Penal Professor Patrícia Vanzolini Data: 31/07/2009 9ª Aula: Parte Especial: Homicídio, Infanticídio, Participação no Suicídio, Aborto e Lesão Corporal. 1. HOMICIDIO 1. Homicídio simples: Caput pena de 6 a 20 anos de reclusão. É crime hediondo? Não, salvo

Leia mais

CRIMES CONTRA A INTEGRIDADE FÍSICA

CRIMES CONTRA A INTEGRIDADE FÍSICA LESÕES CORPORAIS Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. Lesão corporal de natureza grave 1º Se resulta: I - Incapacidade para as ocupações

Leia mais

1. Objetividade jurídica: é a incolumidade física e a saúde da pessoa.

1. Objetividade jurídica: é a incolumidade física e a saúde da pessoa. Perigo de contágio venéreo Art. 130 - Expor alguém, por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a contágio de moléstia venérea, de que sabe ou deve saber que está contaminado: Pena - detenção,

Leia mais

Direito Penal III. Aula 07 21/03/2012 2.3 DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE. 2.3.1 Introdução

Direito Penal III. Aula 07 21/03/2012 2.3 DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE. 2.3.1 Introdução Aula 07 21/03/2012 2.3 DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE 2.3.1 Introdução a) Crime de perigo os da periclitação da vida e da saúde são denominados como crimes de perigo, cuja consumação se dá com a exposição

Leia mais

DIREITO PENAL ÍNDICE DE DIREITO PENAL Danilo D. Oyan. Aula 01 HOMICÍDIO (artigo 121 do C.P.)

DIREITO PENAL ÍNDICE DE DIREITO PENAL Danilo D. Oyan. Aula 01 HOMICÍDIO (artigo 121 do C.P.) DIREITO PENAL ÍNDICE DE DIREITO PENAL Danilo D. Oyan Aula 01 HOMICÍDIO (artigo 121 do C.P.) 1. HOMICÍDIO SIMPLES ART. 121 CAPUT DO C.P. 1.1. Homicídio Simples: 1.1.1. Objeto jurídico (bem jurídico tutelado):

Leia mais

LATROCÍNIO COM PLURALIDADE DE VÍTIMAS

LATROCÍNIO COM PLURALIDADE DE VÍTIMAS LATROCÍNIO COM PLURALIDADE DE VÍTIMAS ALESSANDRO CABRAL E SILVA COELHO - alessandrocoelho@jcbranco.adv.br JOSÉ CARLOS BRANCO JUNIOR - jcbrancoj@jcbranco.adv.br Palavras-chave: crime único Resumo O presente

Leia mais

FATO TÍPICO. Conduta (dolosa ou culposa; comissiva ou omissiva) Nexo de causalidade Tipicidade

FATO TÍPICO. Conduta (dolosa ou culposa; comissiva ou omissiva) Nexo de causalidade Tipicidade TEORIA GERAL DO CRIME FATO TÍPICO Conduta (dolosa ou culposa; comissiva ou omissiva) Resultado Nexo de causalidade Tipicidade RESULTADO Não basta existir uma conduta. Para que se configure o crime é necessário

Leia mais

CODIGO PENAL PROPOSTAS DE ALTERAÇÃO

CODIGO PENAL PROPOSTAS DE ALTERAÇÃO Homicídio simples Art 121. Matar alguém: Pena - reclusão, de seis a vinte anos. TÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A PESSOA CAPÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A VIDA Caso de diminuição de pena 1º Se o agente comete

Leia mais

Prof. José Nabuco Filho. Aborto

Prof. José Nabuco Filho. Aborto Aborto Apostila 1. Introdução Sob o nomem juris de aborto, o Código Penal tipifica quatro crimes diferentes: 1 duas definidas no art. 124, tendo como sujeito ativo a gestante; outras duas, em que o sujeito

Leia mais

PONTO 1: Introdução PONTO 2: Crimes contra a Honra continuação PONTO 3: Crimes contra a Liberdade Pessoal. 1. Introdução:

PONTO 1: Introdução PONTO 2: Crimes contra a Honra continuação PONTO 3: Crimes contra a Liberdade Pessoal. 1. Introdução: 1 PONTO 1: Introdução PONTO 2: Crimes contra a Honra continuação PONTO 3: Crimes contra a Liberdade Pessoal 1. Introdução: - Teoria da dupla imputação art. 225, 3º 1, CF. - STF RE 628582. - INF 639, J.

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.br

BuscaLegis.ccj.ufsc.br BuscaLegis.ccj.ufsc.br Crimes contra honra Aline Ramalho Alana Ramalho Aretusa Notelo Luceli Cruz Suely Soares * "A honra é um atributo da pessoa, estando de tal modo ligado e vinculado à personalidade

Leia mais

AULA 3 23/02/11 A ANÁLISE TIPOLÓGICA DO ART. 121

AULA 3 23/02/11 A ANÁLISE TIPOLÓGICA DO ART. 121 AULA 3 23/02/11 A ANÁLISE TIPOLÓGICA DO ART. 121 1 CÓDIGO PENAL, ART. 121, CAPUT O caput do art. 121, do Código Penal 1, trata da forma simples do crime de homicídio. É a forma basilar do tipo, desprovida

Leia mais

Lição 2. Periclitação da Vida e da Saúde

Lição 2. Periclitação da Vida e da Saúde Lição 2. Periclitação da Vida e da Saúde PERIGO DE CONTÁGIO VENÉREO Artigo 130 - Expor alguém, por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a contágio de moléstia venérea, de que sabe ou deve

Leia mais

Questões relevantes Parte Especial CP

Questões relevantes Parte Especial CP Direito Penal 1ª Fase OAB/FGV Aula 5 Professor Sandro Caldeira Questões relevantes Parte Especial CP Crimes contra a honra Crimes contra o patrimônio; Crimes contra a dignidade sexual; Crimes praticados

Leia mais

Faculdade Cathedral Curso de Direito 6º Semestre Direito Penal IV Prof. Vilmar A. Silva AULA 1 A 4 PARTE 2

Faculdade Cathedral Curso de Direito 6º Semestre Direito Penal IV Prof. Vilmar A. Silva AULA 1 A 4 PARTE 2 Faculdade Cathedral Curso de Direito 6º Semestre Direito Penal IV Prof. Vilmar A. Silva AULA 1 A 4 PARTE 2 Crime qualificado pela provocação de lesão grave ou em razão da idade da vítima Art. 213, 1º Se

Leia mais

Direito Penal Dr. Caio Paiva Aprovado no Concurso para Defensor Público Federal

Direito Penal Dr. Caio Paiva Aprovado no Concurso para Defensor Público Federal Direito Penal Dr. Caio Paiva Aprovado no Concurso para Defensor Público Federal Escola Brasileira de Ensino Jurídico na Internet (EBEJI). Todos os direitos reservados. 1 Direito Penal Parte Especial do

Leia mais

Lesão corporal Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano.

Lesão corporal Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. Lesão corporal Art. 129. Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena - detenção, de três meses a um ano. 1) BEM JURÍDICO Integridade física e psíquica da pessoa humana. A dor, por si só,

Leia mais

L G E ISL S A L ÇÃO O ES E P S EC E IAL 8ª ª-

L G E ISL S A L ÇÃO O ES E P S EC E IAL 8ª ª- DIREITO PENAL IV LEGISLAÇÃO ESPECIAL 8ª - Parte Professor: Rubens Correia Junior 1 Direito penal Iv 2 ROUBO 3 - Roubo Qualificado/Latrocínio 3º Se da violência resulta lesão corporal grave, a pena é de

Leia mais

FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2015

FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2015 FACULDADE DE DIREITO DE SOROCABA FADI 2015 Disciplina: Direito Penal III Departamento III Direito Penal e Direito Processo Penal Carga Horária Anual: 100 h/a Tipo: Anual 4º ano Docente Responsável: Gustavo

Leia mais

Mais uma falha legislativa na tentativa desesperada de retificar o Código de Processo Penal. Análise feita à luz da Lei nº. 12.403/11.

Mais uma falha legislativa na tentativa desesperada de retificar o Código de Processo Penal. Análise feita à luz da Lei nº. 12.403/11. Mais uma falha legislativa na tentativa desesperada de retificar o Código de Processo Penal. Análise feita à luz da Lei nº. 12.403/11. Ricardo Henrique Araújo Pinheiro. A breve crítica que faremos neste

Leia mais

PLANO DE ENSINO EMENTA DA DISCIPLINA OBJETIVOS DA DISCIPLINA. 1-Identificar os bens jurídicos tutelados no Código Penal Brasileiro.

PLANO DE ENSINO EMENTA DA DISCIPLINA OBJETIVOS DA DISCIPLINA. 1-Identificar os bens jurídicos tutelados no Código Penal Brasileiro. FACULDADE: FACULDADE DE CIÊNCIAS JURÍDICAS E SOCIAIS CURSO: DIREITO DISCIPLINA: DIREITO PENAL PARTE ESPECIAL I CÓDIGO: CARGA HORÁRIA: 075 4º- SEMESTRE: 2013 PROFESSOR(A): LÁSARO MOREIRA DA SILVA PLANO

Leia mais

Autor: Marcos Espínola Advogado Criminalista

Autor: Marcos Espínola Advogado Criminalista Autor: Marcos Espínola Advogado Criminalista 1 SUMÁRIO DEDICATÓRIAS E AGRADECIMENTOS 02 CARTA DE APRESENTAÇÃO 03 O QUE SERIA O SOFRIMENTO FÍSICO? 04 E O SOFRIMENTO MENTAL? 04 TORTURA-PROVA 05 TORTURA

Leia mais

Prof. José Nabuco Filho. Direito Penal

Prof. José Nabuco Filho. Direito Penal Direito Penal 1. Apresentação José Nabuco Filho: Advogado criminalista em São Paulo, mestre em Direito Penal 1 (UNIMEP), professor de Direito Penal desde 2000. Na Universidade São Judas Tadeu, desde 2011,

Leia mais

NOVO CÓDIGO PENAL E A RESPONSABILIDADE PENAL DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE. José Arthur Di Spirito Kalil

NOVO CÓDIGO PENAL E A RESPONSABILIDADE PENAL DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE. José Arthur Di Spirito Kalil NOVO CÓDIGO PENAL E A RESPONSABILIDADE PENAL DOS PROFISSIONAIS DA SAÚDE José Arthur Di Spirito Kalil O aborto e o Código Penal Atual (Dec. Lei 2.848, de 1940) O aborto e o Anteprojeto do Código Penal Aborto

Leia mais

TEMA: CRIME CONSUMADO E CRIME TENTADO CRIME CONSUMADO

TEMA: CRIME CONSUMADO E CRIME TENTADO CRIME CONSUMADO TEMA: CRIME CONSUMADO E CRIME TENTADO CRIME CONSUMADO Significado: Terminar, acabar. Importância: Termo inicial da prescrição e na competência territorial (não esquecer da teria da ubiqüidade quanto ao

Leia mais

Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa.

Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa. CRIMES CONTRA A HONRA CALÚNIA DIREITO PENAL Art. 138 - Caluniar alguém, imputando-lhe falsamente fato definido como crime: Pena - detenção, de seis meses a dois anos, e multa. 1º - Na mesma pena incorre

Leia mais

LEIS PENAIS ESPECIAIS

LEIS PENAIS ESPECIAIS LEIS PENAIS ESPECIAIS Prof. Marcel Figueiredo Gonçalves Especialista em Direito Penal e Direito Processual Penal (PUC-SP) Mestre em Ciências Jurídico-Criminais (Universidade de Lisboa) www.cienciacriminal.com

Leia mais

TRATADO DE DIREITO PENAL BRASILEIRO

TRATADO DE DIREITO PENAL BRASILEIRO LUIZ REGIS PRADO nerior Jrib{J S~t' DE JUSTIÇA J'lq/ TRATADO DE DIREITO PENAL BRASILEIRO VOLUME 4 Parte Especial - Arts. 121 a 154-A Crimes contra a vida Crimes contra a liberdade individual THOMSON REUTERS

Leia mais

Sumário. Coleção Sinopses para Concursos... 25 Guia de leitura da Coleção... 27

Sumário. Coleção Sinopses para Concursos... 25 Guia de leitura da Coleção... 27 Sumário Coleção Sinopses para Concursos... 25 Guia de leitura da Coleção... 27 Capítulo I DOS CRIMES CONTRA A PESSOA... 29 1. DOS CRIMES CONTRA A VIDA... 33 1.1 HOMICÍDIO... 33 1. Bem jurídico... 34 2.

Leia mais

Núcleo de Pesquisa e Extensão do Curso de Direito NUPEDIR VII MOSTRA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA (MIC) 25 de novembro de 2014

Núcleo de Pesquisa e Extensão do Curso de Direito NUPEDIR VII MOSTRA DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA (MIC) 25 de novembro de 2014 DOS CRIMES CONTRA A VIDA HOMICÍDIO Camila Beatriz Herschaft 1 Jenifer Maldaner 2 Marciele Burg 3 Rogério Cézar Soehn 4 SUMÁRIO: 1 INTRODUÇÃO. 2 HOMICÍDIO. 2.1 O PRIMEIRO HOMICÍDIO. 2.2 OBJETO JURÍDICO.

Leia mais

ALTERAÇÃO NO CÓDIGO PENAL: O DELITO DE FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU DE VULNERÁVEL

ALTERAÇÃO NO CÓDIGO PENAL: O DELITO DE FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU DE VULNERÁVEL ALTERAÇÃO NO CÓDIGO PENAL: O DELITO DE FAVORECIMENTO DA PROSTITUIÇÃO OU DE OUTRA FORMA DE EXPLORAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇA OU ADOLESCENTE OU DE VULNERÁVEL. Nomen juris: a Lei nº 12.978/2014 alterou o nome

Leia mais

Crime Unisubjetivo: quando o crime pode ser cometido por uma única pessoa. Crime Plurisubjetivo: quando o crime exige uma quantidade de pessoas.

Crime Unisubjetivo: quando o crime pode ser cometido por uma única pessoa. Crime Plurisubjetivo: quando o crime exige uma quantidade de pessoas. CONCURSO DE PESSOAS Crime Unisubjetivo: quando o crime pode ser cometido por uma única pessoa. Crime Plurisubjetivo: quando o crime exige uma quantidade de pessoas. Nos crimes unisubjetivos o concurso

Leia mais

Turma e Ano: Delegado Civil (2013) Matéria / Aula: Direito Penal / Aula 3. Professor: Marcelo Uzeda. Monitor: Marcelo Coimbra

Turma e Ano: Delegado Civil (2013) Matéria / Aula: Direito Penal / Aula 3. Professor: Marcelo Uzeda. Monitor: Marcelo Coimbra Turma e Ano: Delegado Civil (2013) Matéria / Aula: Direito Penal / Aula 3 Professor: Marcelo Uzeda Monitor: Marcelo Coimbra 1) Concurso de Pessoas (continuação): Na aula passada estávamos falando no concurso

Leia mais

ANTIJURIDICIDADE. 1.3 - Conceito segundo a Teoria Constitucionalista do Delito: fato formal e materialmente típico e antijurídico.

ANTIJURIDICIDADE. 1.3 - Conceito segundo a Teoria Constitucionalista do Delito: fato formal e materialmente típico e antijurídico. ANTIJURIDICIDADE 1 - Crime 1.1 - Conceito Clássico: fato típico, antijurídico e culpável. 1.2 - Conceito segundo o Finalismo: fato típico e antijurídico. 1.3 - Conceito segundo a Teoria Constitucionalista

Leia mais

CRIMES DE TORTURA (9.455/97)

CRIMES DE TORTURA (9.455/97) CRIMES DE TORTURA (9.455/97) TORTURA FÍSICA MENTAL Art. 1º Constitui crime de tortura: I - constranger alguém com emprego de violência ou grave ameaça, causando-lhe sofrimento físico ou mental: a) tortura-persecutória

Leia mais

UNIDADE: FACULDADE DE DIREITO DISCIPLINAS OBRIGATÓRIAS

UNIDADE: FACULDADE DE DIREITO DISCIPLINAS OBRIGATÓRIAS DISCIPLINAS OBRIGATÓRIAS Í N D I C E Código Disciplina Página DIR 05-00188 Direito Penal I 2 DIR 05-00361 Direito Penal II 3 DIR 05-00528 Direito Penal III 4 DIR 0-00684 Direito Penal IV 5 DIR 05-07407

Leia mais

O TROTE NA PERSPECTIVA DOS DIREITOS HUMANOS

O TROTE NA PERSPECTIVA DOS DIREITOS HUMANOS 1. Introdução O TROTE NA PERSPECTIVA DOS DIREITOS HUMANOS Mônica Alves Costa Ribeiro* Na definição da profª Maria Helena Diniz, trote é: b) troça que os estudantes veteranos impõem aos calouros. 1 Ou seja,

Leia mais

1. CRIMES CONTRA A HONRA.

1. CRIMES CONTRA A HONRA. 1. CRIMES CONTRA A HONRA. Fundamentos Jurídicos: arts. 138 a 145, CP. art. 5º, X, CF. Integridade Moral; consideração social; auto-estima; dignidade. Espécies: Calúnia: Imputação falsa de um ato criminoso

Leia mais

LEI DE TORTURA Lei n. 9.455/97

LEI DE TORTURA Lei n. 9.455/97 LEI DE TORTURA Lei n. 9.455/97 DUDH Artigo 5º Ninguém será submetido à tortura, nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante. ART. 5º DA CF Inciso III Ninguém será submetido à tortura nem

Leia mais

PONTO 1: Suicídio PONTO 2: Infanticídio PONTO 3: Aborto PONTO 4: Lesão Corporal. 1. Suicídio art. 122 do CP:

PONTO 1: Suicídio PONTO 2: Infanticídio PONTO 3: Aborto PONTO 4: Lesão Corporal. 1. Suicídio art. 122 do CP: 1 PONTO 1: Suicídio PONTO 2: Infanticídio PONTO 3: Aborto PONTO 4: Lesão Corporal 1. Suicídio art. 122 do CP: Induzimento, instigação ou auxílio a suicídio Art. 122 - Induzir ou instigar alguém a suicidar-se

Leia mais

Doutrina - Omissão de Notificação da Doença

Doutrina - Omissão de Notificação da Doença Doutrina - Omissão de Notificação da Doença Omissão de Notificação da Doença DIREITO PENAL - Omissão de Notificação de Doença CP. Art. 269. Deixar o médico de denunciar à autoridade pública doença cuja

Leia mais

A p s e p c e t c os o s Ju J r u ídi d co c s o s n a n V n e t n ilaç a ã ç o ã o M ec e â c n â i n ca

A p s e p c e t c os o s Ju J r u ídi d co c s o s n a n V n e t n ilaç a ã ç o ã o M ec e â c n â i n ca Aspectos Jurídicos na Ventilação Mecânica Prof. Dr. Edson Andrade Relação médico-paciente Ventilação mecânica O que é a relação médico-paciente sob a ótica jurídica? Um contrato 1 A ventilação mecânica

Leia mais

OAB 1ª FASE EXTENSIVO Direito Penal Data = 04.06.2009 Aula = 7

OAB 1ª FASE EXTENSIVO Direito Penal Data = 04.06.2009 Aula = 7 TEMAS TRATADOS EM SALA CRIMES CONTRA A VIDA TITULO I I - Homicídio = Art. 121. II - Induzimento/Instigação/Auxílio ao Suicídio = Art. 122. III - Infanticídio = Art. 123. IV - Aborto = Art. 124/128. 1.

Leia mais

Capítulo 1 Crimes Hediondos Lei 8.072/1990

Capítulo 1 Crimes Hediondos Lei 8.072/1990 Sumário Prefácio... 11 Apresentação dos autores... 13 Capítulo 1 Crimes Hediondos Lei 8.072/1990 1. Para entender a lei... 26 2. Aspectos gerais... 28 2.1 Fundamento constitucional... 28 2.2 A Lei dos

Leia mais

01 MOEDA FALSA. 1.1. MOEDA FALSA 1.1.1. Introdução. 1.1.2. Classificação doutrinária. 1.1.3. Objetos jurídico e material

01 MOEDA FALSA. 1.1. MOEDA FALSA 1.1.1. Introdução. 1.1.2. Classificação doutrinária. 1.1.3. Objetos jurídico e material 01 MOEDA FALSA Sumário: 1. Moeda falsa 2. Crimes assimilados ao de moeda falsa 3. Petrechos para falsificação de moeda 4. Emissão de título ao portador sem permissão legal. 1.1. MOEDA FALSA 1.1.1. Introdução

Leia mais

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br

BuscaLegis.ccj.ufsc.Br BuscaLegis.ccj.ufsc.Br O Crime de Aborto e Suas Principais Características Carlos Valfrido Aborto Conceito: Aborto é a interrupção de uma gestação com a conseqüente morte do feto. Do latim ab (privação),

Leia mais

Ministério da Educação Universidade Federal de Santa Maria Centro de Ciências Sociais e Humanas Departamento de Direito PLANO DE ENSINO

Ministério da Educação Universidade Federal de Santa Maria Centro de Ciências Sociais e Humanas Departamento de Direito PLANO DE ENSINO Ministério da Educação Universidade Federal de Santa Maria Centro de Ciências Sociais e Humanas Departamento de Direito PLANO DE ENSINO 1) Identificação Disciplina Direito Penal III - DIURNO Carga horária

Leia mais

1 CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES

1 CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES DIREITO PENAL Classificação dos Crimes RESUMO DA AULA 1 CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES; 2 QUESTÕES COMENTADAS. INTRODUÇÃO 1 CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES O CRIME PODE SER VISTO POR INÚMEROS ÂNGULOS E, DEPENDENDO

Leia mais

Exercícios da lei 9.455/97 - lei de tortura. Prof. Wilson Torres

Exercícios da lei 9.455/97 - lei de tortura. Prof. Wilson Torres Exercícios da lei 9.455/97 - lei de tortura. Prof. Wilson Torres 01- A prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes, o terrorismo e os crimes definidos como hediondos podem ser imputados, com

Leia mais

LFG MAPS. Teoria Geral do Delito 05 questões

LFG MAPS. Teoria Geral do Delito 05 questões Teoria Geral do Delito 05 questões 1 - ( Prova: CESPE - 2009 - Polícia Federal - Agente Federal da Polícia Federal / Direito Penal / Tipicidade; Teoria Geral do Delito; Conceito de crime; Crime impossível;

Leia mais

FACULDADE METROPOLITANA SÃO CARLOS

FACULDADE METROPOLITANA SÃO CARLOS FACULDADE METROPOLITANA SÃO CARLOS DIREITO CHEYENNE BERNARDES CLÁUDIO GUALANDE JALLON NOGUEIRA KARINA CAVICHINI MARCELO NUNES DE JESUS MARCO ANTÔNIO TEIXEIRA MAYRA RAMOS PAULO RODRIGO MARTINS PEDRO LEMGRUBER

Leia mais

Curso: Direito Carga Horária: 64 Departamento: Direito Público Área: Direito Penal e Processo Penal PLANO DE ENSINO

Curso: Direito Carga Horária: 64 Departamento: Direito Público Área: Direito Penal e Processo Penal PLANO DE ENSINO Faculdade de Direito Milton Campos Disciplina: Direito Penal III Curso: Direito Carga Horária: 64 Departamento: Direito Público Área: Direito Penal e Processo Penal PLANO DE ENSINO EMENTA Introdução ao

Leia mais

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 309, DE 2004

PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 309, DE 2004 PROJETO DE LEI DO SENADO Nº 309, DE 2004 Define os crimes resultantes de discriminação e preconceito de raça, cor, etnia, religião ou origem. Seção I Disposição preliminar Art. 1º Serão punidos, na forma

Leia mais

PROJETO DE LEI Nº, DE 2015 (Da Sra. Soraya Santos)

PROJETO DE LEI Nº, DE 2015 (Da Sra. Soraya Santos) CÂMARA DOS DEPUTADOS PROJETO DE LEI Nº, DE 2015 (Da Sra. Soraya Santos) Torna mais rigorosa a punição dos crimes contra a honra cometidos mediantes disponibilização de conteúdo na internet ou que ensejarem

Leia mais

COMPETÊNCIA CAPÍTULO VIII 1. NOÇÕES GERAIS

COMPETÊNCIA CAPÍTULO VIII 1. NOÇÕES GERAIS COMPETÊNCIA CAPÍTULO VIII COMPETÊNCIA SUMÁRIO 1. Noções gerais; 2. Competência territorial (ratione loci); 2.1. O lugar da infração penal como regra geral (art. 70 CPP); 2.2. O domicílio ou residência

Leia mais

LEI N.º 8.072, DE 25 DE JULHO DE 1990

LEI N.º 8.072, DE 25 DE JULHO DE 1990 LEI N.º 8.072, DE 25 DE JULHO DE 1990 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA: LEI DOS CRIMES HEDIONDOS Dispõe sobre os crimes hediondos, nos termos do art. 5º, inciso XLIII, da Constituição Federal, e determina outras

Leia mais

PLANO DE ENSINO. Disciplina Carga Horária Semestre Ano Teoria Geral do Direito Penal I 80 2º 2015. Carga

PLANO DE ENSINO. Disciplina Carga Horária Semestre Ano Teoria Geral do Direito Penal I 80 2º 2015. Carga 1 PLANO DE ENSINO Disciplina Carga Horária Semestre Ano Teoria Geral do Direito Penal I 80 2º 2015 Unidade Carga Horária Sub-unidade Introdução ao estudo do Direito Penal 04 hs/a - Introdução. Conceito

Leia mais

Dermeval Farias Gomes Filho Promotor de Justiça do MPDFT; Membro Auxiliar do CNMP; Professor de Direito Penal da Fundação Escola Superior do MPDFT.

Dermeval Farias Gomes Filho Promotor de Justiça do MPDFT; Membro Auxiliar do CNMP; Professor de Direito Penal da Fundação Escola Superior do MPDFT. Breves considerações sobre a proposta do novo Código Penal- Projeto de Lei do Senado n. 236 de 2012: o tratamento dos crimes de peculato, corrupção e enriquecimento ilícito. Dermeval Farias Gomes Filho

Leia mais

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XVI EXAME DE ORDEM UNIFICADO

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XVI EXAME DE ORDEM UNIFICADO PADRÃO DE RESPOSTA - PEÇA PROFISSIONAL Gilberto, quando primário, apesar de portador de maus antecedentes, praticou um crime de roubo simples, pois, quando tinha 20 anos de idade, subtraiu de Renata, mediante

Leia mais

CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES ( )

CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES ( ) CIRCUNSTÂNCIAS AGRAVANTES ( ) Heleno Cláudio Fragoso I É da tradição do direito penal brasileiro a previsão casuística de circunstâncias agravantes de caráter geral aplicáveis a todos os crimes ou a grupos

Leia mais

APONTAMENTOS ART. 146 a 154 do CP

APONTAMENTOS ART. 146 a 154 do CP APONTAMENTOS ART. 146 a 154 do CP 1 Alves, Rodrigo Teófilo. A474a Apontamentos : Art. 146 a 154 do CP / Rodrigo Teófilo Alves. Varginha, 2015. 13 f. Sistema requerido: Adobe Acrobat Reader Modo de Acesso:

Leia mais

L G E ISL S A L ÇÃO O ES E P S EC E IAL 8ª ª-

L G E ISL S A L ÇÃO O ES E P S EC E IAL 8ª ª- DIREITO PENAL IV LEGISLAÇÃO ESPECIAL 8ª - Parte Professor: Rubens Correia Junior 1 Direito penal IV 2 EXTORSÃO Art. 158 - Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, e com o intuito de obter

Leia mais

TEMA: CONCURSO DE PESSOAS (concursus delinquentium) CONCURSO DE AGENTES / CONCURSO DE DELINQUENTES / CO-AUTORIA/ CODELINQÜÊNCIA/PARTICIPAÇÃO

TEMA: CONCURSO DE PESSOAS (concursus delinquentium) CONCURSO DE AGENTES / CONCURSO DE DELINQUENTES / CO-AUTORIA/ CODELINQÜÊNCIA/PARTICIPAÇÃO TEMA: CONCURSO DE PESSOAS (concursus delinquentium) CONCURSO DE AGENTES / CONCURSO DE DELINQUENTES / CO-AUTORIA/ CODELINQÜÊNCIA/PARTICIPAÇÃO INTRODUÇÃO Normalmente, os tipos penais referem-se a apenas

Leia mais

CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES Patricia Smania Garcia 1 (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio)

CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES Patricia Smania Garcia 1 (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio) CLASSIFICAÇÃO DOS CRIMES Patricia Smania Garcia 1 (Centro Universitário Nossa Senhora do Patrocínio) RESUMO Há várias classificações para os crimes, ora se referindo à gravidade do fato, ora à forma de

Leia mais

Primeiras impressões sobre o feminicídio Lei nº 13.104/2015. César Dario Mariano da Silva Promotor de Justiça SP

Primeiras impressões sobre o feminicídio Lei nº 13.104/2015. César Dario Mariano da Silva Promotor de Justiça SP Primeiras impressões sobre o feminicídio Lei nº 13.104/2015. César Dario Mariano da Silva Promotor de Justiça SP A Lei nº 13.104, de 09 de março de 2015 criou em nossa legislação a figura do feminicídio,

Leia mais

Espelho Penal Peça. Endereçamento correto da interposição 1ª Vara Criminal do Município X 0 / 0,25

Espelho Penal Peça. Endereçamento correto da interposição 1ª Vara Criminal do Município X 0 / 0,25 Espelho Penal Peça O examinando deve redigir uma apelação, com fundamento no artigo 593, I, do Código de Processo Penal. A petição de interposição deve ser endereçada ao juiz de direito da 1ª vara criminal

Leia mais

TCU ACE 2008 DIREITO PENAL Prof. Dicler Forestieri

TCU ACE 2008 DIREITO PENAL Prof. Dicler Forestieri Caros concurseiros, é com imensa satisfação que hoje trago os comentários da prova de Direito Penal do cargo de Analista de Controle Externo do TCU, aplicada pelo CESPE/UnB no último fim de semana. Tenha

Leia mais

LEI ANTIDISCRIMINAÇÃO

LEI ANTIDISCRIMINAÇÃO MODULAR AVANÇADO Disciplina: Legislação Penal Especial Tema: Racismo e Estatuto do Idoso. Profa.: Patrícia Vanzolini Data: 30 e 31/05/2007 LEI ANTIDISCRIMINAÇÃO 7716/89 INTRODUÇÃO 1) HISTÓRICO LEGISLATIVO

Leia mais

PARECERES JURÍDICOS. Para ilustrar algumas questões já analisadas, citamos abaixo apenas as ementas de Pareceres encomendados:

PARECERES JURÍDICOS. Para ilustrar algumas questões já analisadas, citamos abaixo apenas as ementas de Pareceres encomendados: PARECERES JURÍDICOS Partindo das diversas obras escritas pelo Prof.Dr. AURY LOPES JR., passamos a oferecer um produto diferenciado para os colegas Advogados de todo o Brasil: a elaboração de Pareceres

Leia mais

L G E ISL S A L ÇÃO O ES E P S EC E IAL 10ª 0 ª-

L G E ISL S A L ÇÃO O ES E P S EC E IAL 10ª 0 ª- DIREITO PENAL III LEGISLAÇÃO ESPECIAL 10ª - Parte Professor: Rubens Correia Junior 1 DIREITO PENAL III 2 ABORTO CRIMINOSO Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento Art 124 - Provocar aborto

Leia mais

PLANO DE RESPOSTA DA PROVA DISSERTATIVA PARA O CARGO DE DELEGADO

PLANO DE RESPOSTA DA PROVA DISSERTATIVA PARA O CARGO DE DELEGADO PLANO DE RESPOSTA DA PROVA DISSERTATIVA PARA O CARGO DE DELEGADO PEÇA D E S P A C H O 1. Autue-se o Auto de Prisão em Flagrante; 2. Dê-se o recibo de preso ao condutor; 3. Autue-se o Auto de Apresentação

Leia mais

TIPO 1 TIPO 2 TIPO 3 TIPO 4 59 60 61 64 60 61 60 63 61 62 59 62 62 59 64 59 63 64 63 61 64 63 62 60 65 66 67 68

TIPO 1 TIPO 2 TIPO 3 TIPO 4 59 60 61 64 60 61 60 63 61 62 59 62 62 59 64 59 63 64 63 61 64 63 62 60 65 66 67 68 Tabela de Correspondência de Questões: XIII EXAME UNIFICADO OAB 1ª. ETAPA TIPO 1 TIPO 2 TIPO 3 TIPO 4 59 60 61 64 60 61 60 63 61 62 59 62 62 59 64 59 63 64 63 61 64 63 62 60 65 66 67 68 PROVA TIPO 1 Questão

Leia mais

WWW.CONTEUDOJURIDICO.COM.BR. Questões comentadas de Direito Penal da prova objetiva do concurso de 2009 para Defensor do Pará

WWW.CONTEUDOJURIDICO.COM.BR. Questões comentadas de Direito Penal da prova objetiva do concurso de 2009 para Defensor do Pará Cacildo Baptista Palhares Júnior: advogado em Araçatuba (SP) Questões comentadas de Direito Penal da prova objetiva do concurso de 2009 para Defensor do Pará 21. Para formação do nexo de causalidade, no

Leia mais

GABARITO DIREITO Processual Penal e Penal Professor Emílio Oliveira

GABARITO DIREITO Processual Penal e Penal Professor Emílio Oliveira GABARITO DIREITO Processual Penal e Penal Professor Emílio Oliveira QUESTÕES PROCESSO PENAL 1- É possível a incomunicabilidade do indiciado na atual conjuntura constitucional brasileira? Segundo o art.

Leia mais

CASOTECA DIREITO GV PRODUÇÃO DE CASOS 2011

CASOTECA DIREITO GV PRODUÇÃO DE CASOS 2011 CASOTECA DIREITO GV PRODUÇÃO DE CASOS 2011 CASOTECA DIREITO GV Caso do Campo de Algodão: Direitos Humanos, Desenvolvimento, Violência e Gênero ANEXO I: DISPOSITIVOS RELEVANTES DOS INSTRUMENTOS INTERNACIONAIS

Leia mais

TÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A PESSOA

TÍTULO I DOS CRIMES CONTRA A PESSOA ANTEPROJETO DE LEI Altera dispositivos do Código Penal e dá outras providências. Art. 1º. A Parte Especial do Código Penal (Decreto-lei nº. 2.848, de 7 de dezembro de 1940) passa a vigorar com a seguinte

Leia mais

DIREITO PENAL. PARTE ESPECIAL ESBOÇO DE PROGRAMA I INTRODUÇÃO. 1. Parte especial como conjunto de tipos de crime e como ordem de bens jurídicos.

DIREITO PENAL. PARTE ESPECIAL ESBOÇO DE PROGRAMA I INTRODUÇÃO. 1. Parte especial como conjunto de tipos de crime e como ordem de bens jurídicos. Teresa Quintela de Brito DIREITO PENAL. PARTE ESPECIAL ESBOÇO DE PROGRAMA I INTRODUÇÃO 1. Parte especial como conjunto de tipos de crime e como ordem de bens jurídicos. 2. Relações entre a parte geral

Leia mais

CONDUTA TEO E R O I R AS A a) c ausal b) c ausal valora r tiva (neoclássica) c) finalista d) s ocial e) f uncionalistas

CONDUTA TEO E R O I R AS A a) c ausal b) c ausal valora r tiva (neoclássica) c) finalista d) s ocial e) f uncionalistas DIREITO PENAL Prof. Marcelo André de Azevedo TEORIA GERAL DO CRIME INTRODUÇÃO TEORIA GERAL DO CRIME FATO TÍPICO CONDUTA RESULTADO NEXO DE CAUSALIDADE CONDUTA TEORIAS a) causal b) causal valorativa (neoclássica)

Leia mais

EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE

EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE RETROATIVIDADE DA LEI QUE NÃO MAIS CONSIDERA O FATO COMO CRIMINOSO ART. 107, III ABOLITIO CRIMINIS O CRIME É APAGADO CONSIDERA-SE INEXISTENTE PRESCRIÇÃO ART. 107, IV CP PRESCRIÇÃO LIMITAÇÃO TEMPORAL DO

Leia mais

PROJETO DE LEI nº, de 2012 (Do Sr. Moreira Mendes)

PROJETO DE LEI nº, de 2012 (Do Sr. Moreira Mendes) PROJETO DE LEI nº, de 2012 (Do Sr. Moreira Mendes) Dispõe sobre o conceito de trabalho análogo ao de escravo. O CONGRESSO NACIONAL decreta: Art. 1º Para fins desta Lei, a expressão "condição análoga à

Leia mais

INSTITUIÇÕES DE DIREITO PUBLICO E PRIVADO MÓDULO 18 COMPETÊNCIA

INSTITUIÇÕES DE DIREITO PUBLICO E PRIVADO MÓDULO 18 COMPETÊNCIA INSTITUIÇÕES DE DIREITO PUBLICO E PRIVADO MÓDULO 18 COMPETÊNCIA Índice 1. Competência...3 1.1. Critérios Objetivos... 3 1.1.1. Critérios Subjetivos... 4 1.1.2. Competência Territorial... 4 2. Dos Processos...4

Leia mais

Dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento e dá outras providências.

Dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento e dá outras providências. Legislação LEI Nº 9.434, DE 4 DE FEVEREIRO DE 1997. Dispõe sobre a remoção de órgãos, tecidos e partes do corpo humano para fins de transplante e tratamento e dá outras providências. O PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Leia mais

Súmulas em matéria penal e processual penal.

Súmulas em matéria penal e processual penal. Vinculantes (penal e processual penal): Súmula Vinculante 5 A falta de defesa técnica por advogado no processo administrativo disciplinar não ofende a Constituição. Súmula Vinculante 9 O disposto no artigo

Leia mais

Professor Alexandre Salim Direito Penal crimes contra a pessoa Carreiras Jurídicas MANHÃ

Professor Alexandre Salim Direito Penal crimes contra a pessoa Carreiras Jurídicas MANHÃ Professor Alexandre Salim Direito Penal crimes contra a pessoa Carreiras Jurídicas MANHÃ 1) TJ-DFT - 2011 - Juiz Dos crimes contra a vida. Homicídio simples, privilegiado e qualificado (Art. 121, 1º e

Leia mais

Roteiro de Teses Defensivas OAB 2ª Fase Penal Vega Cursos Jurídicos

Roteiro de Teses Defensivas OAB 2ª Fase Penal Vega Cursos Jurídicos Roteiro de Teses Defensivas OAB 2ª Fase Penal Vega Cursos Jurídicos Prof. Sandro Caldeira Prezado(a) aluno(a), Na nossa primeira aula abordamos um roteiro de teses defensivas que iremos treinar durante

Leia mais

COMENTÁRIOS DA PROVA DE DIREITO PENAL ANALISTA PROCESUAL MPU 2004

COMENTÁRIOS DA PROVA DE DIREITO PENAL ANALISTA PROCESUAL MPU 2004 COMENTÁRIOS DA PROVA DE DIREITO PENAL ANALISTA PROCESUAL MPU 2004 01- Podemos afirmar que a culpabilidade é excluída quando a) o crime é praticado em obediência à ordem, manifestamente legal, de superior

Leia mais

CARTILHA DOS JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS

CARTILHA DOS JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS CARTILHA DOS JUIZADOS ESPECIAIS CRIMINAIS Os Juizados Especiais foram criados para atender; de uma forma rápida e simples, problemas cujas soluções podem ser buscadas por qualquer cidadão. Antes deles,

Leia mais

Estudo da Legislação Penal de Combate ao Racismo

Estudo da Legislação Penal de Combate ao Racismo Estudo da Legislação Penal de Combate ao Racismo Professor: Almiro de Sena Soares Filho 1. Introdução A declaração de direitos humanos da Organização das Nações Unidas de 1948 significou um divisor de

Leia mais

www.apostilaeletronica.com.br

www.apostilaeletronica.com.br DIREITO PENAL PARTE GERAL I. Princípios Penais Constitucionais... 003 II. Aplicação da Lei Penal... 005 III. Teoria Geral do Crime... 020 IV. Concurso de Crime... 027 V. Teoria do Tipo... 034 VI. Ilicitude...

Leia mais

Professor Márcio Widal Direito Penal PRESCRIÇÃO

Professor Márcio Widal Direito Penal PRESCRIÇÃO PRESCRIÇÃO Professor Márcio Widal 1. Introdução. A perseguição do crime pelo Estado não pode ser ilimitada no tempo, por força, inclusive, da garantia da presunção de inocência. Além disso, o Estado deve

Leia mais

DISCIPLINA: DIREITO PENAL

DISCIPLINA: DIREITO PENAL ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL PROCURADORIA-GERAL DO ESTADO DISCIPLINA: DIREITO PENAL QUESTÃO Nº 109 Protocolo: 11913003657-0 Não existe qualquer erro material na questão. Nada a ser alterado. O recorrente

Leia mais

Lei Maria da Penha Lei 11.340/06

Lei Maria da Penha Lei 11.340/06 Legislação Penal Especial Aula 02 Professor Sandro Caldeira Lei Maria da Penha Lei 11.340/06 Art. 1 o Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, nos

Leia mais

Lei Maria da Penha. Pelo fim da violência. ulher. contra a

Lei Maria da Penha. Pelo fim da violência. ulher. contra a Lei Maria da Penha Pelo fim da violência ulher contra a Ligação gratuita, 24 horas, para informações sobre a Lei Maria da Penha e os serviços para o atendimento às mulheres em situação de violência. Lei

Leia mais

Espelho da 2ª Redação_ Simulado Policia Federal_30.11.13. Delimitação do tema.

Espelho da 2ª Redação_ Simulado Policia Federal_30.11.13. Delimitação do tema. Espelho da 2ª Redação_ Simulado Policia Federal_30.11.13 Um policial federal, ao executar a fiscalização em um ônibus interestadual procedente da fronteira do Paraguai, visando coibir o contrabando de

Leia mais

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XVI EXAME DE ORDEM UNIFICADO

ORDEM DOS ADVOGADOS DO BRASIL XVI EXAME DE ORDEM UNIFICADO PADRÃO DE RESPOSTA - PEÇA PROFISSIONAL ENUNCIADO Gilberto, quando primário, apesar de portador de maus antecedentes, praticou um crime de roubo simples, pois, quando tinha 20 anos de idade, subtraiu de

Leia mais

Quadro comparativo do Projeto de Lei do Senado nº 236, de 2012 (projeto do novo Código Penal)

Quadro comparativo do Projeto de Lei do Senado nº 236, de 2012 (projeto do novo Código Penal) Quadro comparativo do Projeto de Lei do Senado nº 236, de 2012 (projeto do novo Código Penal) Decreto-Lei nº 2.848, de 7.12.1940 (Código Penal) Reforma o Código Penal Brasileiro. Código Penal. O CONGRESSO

Leia mais

A (IN)COMPATIBILIDADE DA TENTATIVA NO DOLO EVENTUAL RESUMO

A (IN)COMPATIBILIDADE DA TENTATIVA NO DOLO EVENTUAL RESUMO 331 A (IN)COMPATIBILIDADE DA TENTATIVA NO DOLO EVENTUAL Cícero Oliveira Leczinieski 1 Ricardo Cesar Cidade 2 Alberto Wunderlich 3 RESUMO Este artigo visa traçar breves comentários acerca da compatibilidade

Leia mais