ERRATA. Luiz Carlos Bivar Corrêa Júnior. Noções de Direito Penal

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1 ERRATA Luiz Carlos Bivar Corrêa Júnior 2011

2 2011 Vestcon Editora Ltda. Todos os direitos autorais desta obra são reservados e protegidos pela Lei nº 9.610, de 19/2/1998. Proibida a reprodução de qualquer parte deste material, sem autorização prévia expressa por escrito do autor e da editora, por quaisquer meios empregados, sejam eletrônicos, mecânicos, videográficos, fonográficos, reprográficos, microfílmicos, fotográficos, gráficos ou outros. Essas proibições aplicam-se também à editoração da obra, bem como às suas características gráficas. Título da obra: TRT Tribunal Regional do Trabalho 1ª Região Técnico Judiciário Área Administrativa Nível Médio Atualizada até (E2/AT445) (Conforme o edital nº 01/2011 de abertura de inscrições FCC) Autores: Luiz Carlos Bivar Corrêa Júnior DIRETORIA EXECUTIVA Norma Suely A. P. Pimentel PRODUÇÃO EDITORIAL Maria Neves Supervisão EDITORIAL Reina Terra Amaral Supervisão DE PRODUÇÃO Luciana S. D. Santos Edição DE TEXTO Isabel Cristina Aires Lopes Micheline Cardoso Ferreira CAPA Ralfe Braga ASSISTENTE EDITORIAL Samyra Campos ASSISTENTE DE PRODUÇÃO Gabriela Tayná Moura de Abreu EDITORAÇÃO ELETRÔNICA Diogo Alves REVISÃO Kátia Ribeiro Érida Cassiano sequenciadora Cláudia Freires estagiária Renata Passos Morgado Ilustração Humberto A. Castelo Branco Projeto Gráfico Ralfe Braga SEPN 509 Ed. Contag 3º andar CEP Brasília/DF SAC: Tel.: (61) Fax: (61)

3 TRT SUMÁRIO Dos Crimes contra a Pessoa...5 Dos Crimes Contra o Patrimônio...38 Dos Crimes Contra Administração Pública...61

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5 Luiz Carlos Bivar Corrêa Júnior DOS CRIMES CONTRA A PESSOA O Código Penal, em seu Título I, define os crimes contra a pessoa. A pessoa humana está protegida antes mesmo do seu nascimento. Em determinadas situações a pessoa jurídica também pode ser sujeito passivo. Por fim, o Título I do Código Penal encontra se dividido em seis capítulos, a saber: Capítulo I Dos crimes contra a vida; Capítulo II Das lesões corporais; Capítulo III Da periclitação da vida e da saúde; Capítulo IV Da rixa; Capítulo V Dos crimes contra a honra; Capítulo VI Dos crimes contra a liberdade individual. Dos Crimes Contra a Vida Homicídio Homicídio Simples Art Matar alguém: Pena reclusão, de seis a vinte anos. Caso de Diminuição de Pena 1º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, ou juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. Homicídio Qualificado 2º Se o homicídio é cometido: I mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe; II por motivo fútil; III com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum; IV à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido; V para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime: Pena reclusão, de doze a trinta anos. Homicídio Culposo 3º Se o homicídio é culposo: Pena detenção, de um a três anos. Aumento de Pena 4º No homicídio culposo, a pena é aumentada de 1/3 (um terço), se o crime resulta de inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício, ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima, não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de 1/3 (um terço) se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 (quatorze) ou maior de 60 (sessenta) anos. 5º Na hipótese de homicídio culposo, o juiz poderá deixar de aplicar a pena, se as consequên cias da infração atingirem o próprio agente de forma tão grave que a sanção penal se torne desnecessária. Homicídio é a destruição da vida humana por outrem. O objeto jurídico tutelado, assim, é a vida humana extrauterina. O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa (crime comum). Quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que executado por um só agente, será considerado crime hediondo (Lei nº 8.072/1990). A conduta típica consiste em matar alguém, ou seja, eliminar. O homicídio é crime de ação livre, pois admite qualquer meio de execução. O elemento subjetivo é o dolo (direto ou eventual), consistente na vontade livre e consciente de matar alguém (animus necandi), admitindo se a modalidade culposa. Como diferenciar a tentativa de homicídio, quando a vítima sofre lesões corporais, do crime de lesão corporal previsto no art. 129 do CP? A resposta encontra se no elemento subjetivo do tipo, compreendido como a própria intenção do agente ao cometer o delito. Assim, se a intenção era matar e o crime não tenha se consumado por circunstâncias alheias a sua vontade, estaremos diante da tentativa de homicídio. Mas se a intenção do agente era apenas de lesionar a vítima, o crime será de lesão corporal. Do mesmo modo, não se confunde a tentativa de homicídio com o crime de lesão corporal seguida de morte (art º). No primeiro caso, o agente deseja provocar a morte da vítima, mas o crime não se consuma por circunstâncias alheias a sua vontade. Já no segundo caso, o agente visa apenas a lesionar a vítima, mas acaba provocando, culposamente, a sua morte. A consumação se dá com a morte da vítima (crime instantâneo de efeitos permanentes). Nos termos da Lei nº 9.434/1997 a morte se dá com a cessação da atividade encefálica. Por se tratar de crime material, o homicídio admite tentativa. Homicídio Privilegiado (art. 121, 1º) O homicídio privilegiado encontra se previsto no 1º do art. 121 do CP. Trata se de verdadeira causa especial de diminuição da pena. Apesar de o Código Penal utilizar a expressão pode para autorizar a diminuição da pena, a maioria da doutrina entende que, presentes os requisitos, é obrigação do juiz diminuí la, por se tratar de direito subjetivo do réu. 5

6 6 Motivo de relevante valor social é aquele que busca satisfazer um anseio social. Exemplo: matar um traidor por amor à pátria. Já o motivo de relevante valor moral é aquele nobre, correspondente a um interesse individual, mas aprovado pela moralidade média. Exemplo: eutanásia (matam se pessoas para livrá las de seus sofrimentos). Devem ser analisados de acordo com o senso comum. Também será privilegiado o homicídio cometido sob o domínio de violenta emoção, logo após a injusta provocação da vítima. São necessários, portanto, três requisitos: a) domínio de violenta emoção: apesar de o art. 28, I, do CP estabelecer que não excluem a imputabilidade, a emoção e a paixão, a emoção, que é um estado transitório de perturbação, pode funcionar como causa especial de diminuição da pena ou como atenuante genérica. Já a paixão, caracterizada por uma emoção prolongada, não produz qualquer efeito. Caso o agente não esteja fortemente consumido pela emoção, mas tão somente esteja influenciado por uma violenta emoção, será o caso de uma atenuante genérica (art. 65, III, c, in fine, do CP), e não causa de diminuição de pena; b) imediatidade da reação por parte do agente: só haverá o privilégio se a reação do agente for logo após a injusta provocação da vítima. A jurisprudência entende que essa reação não precisa ser atual, bastando que seja compatível com o estado emocional do agente; c) provocação injusta feita pelo ofendido: é aquela sem motivo justificável. Não se exige que a vítima tenha tido a intenção específica de provocar, bastando que o agente se sinta provocado. A análise deve ser feita conforme o senso comum, mas levando em consideração as qualidades e condições pessoais dos envolvidos. O homicídio privilegiado não é considerado crime hediondo. Além disso, o STF e o STJ têm admitido a coexistência do privilégio (circunstância subjetiva) com as qualificadoras de caráter objetivo (chamado homicídio privilegiado qualificado), sendo que a existência do privilégio afasta a hediondez do homicídio qualificado. Homicídio Qualificado (art. 121, 2º) O homicídio será qualificado quando praticado por certos motivos; se cometido com certos recursos que demonstrem a crueldade do agente, insídia, de que resulte perigo comum ou dificulte ou torne impossível a defesa da vítima. A qualificadora pode existir ainda se cometido com o objetivo de se atingir determinados fins considerados reprováveis (exemplos: execução, ocultação, impunidade ou vantagem de outro crime). Hipóteses descritas no 2º do art. 121: a) mediante paga ou promessa de recompensa, ou por outro motivo torpe (inciso I): essa primeira hipótese tem caráter subjetivo, pois se refere à motivação do agente para cometer o crime. Torpe é o motivo moralmente desprezível, reprovável, por exemplo, matar alguém para receber a herança. O ciúme, por si só, não é considerado motivo torpe. Na paga, o agente recebe a vantagem econômica antes de cometer o crime, diferentemente, na promessa o agente primeiro pratica o homicídio para depois receber. Essa qualificadora aplica se tanto para o executor do homicídio quanto para aquele que efetua a paga ou promessa de recompensa, ainda que o mandante não cumpra sua promessa. Posição majoritária da doutrina entende que sendo o motivo torpe elementar do tipo, aplica se também ao mandante nos termos do art. 30 do CP; b) por motivo fútil (inciso II): também se refere à motivação do agente para cometer o crime (caráter subjetivo). Motivo fútil é aquele insignificante, banal, totalmente desproporcional em relação ao crime. Exemplos: matar o motorista que deu uma fechada no trânsito. A existência do motivo fútil deve ficar provada para que se possa aplicar essa qualificadora, pois a ausência de motivos para cometer o crime não corresponde a motivo fútil; c) com emprego de veneno, fogo, explosivo, asfixia, tortura ou outro meio insidioso ou cruel, ou de que possa resultar perigo comum (inciso III): essa qualificadora refere se aos meios empregados pelo agente para a consecução do crime de homicídio (caráter objetivo).veneno é uma substância química ou biológica que ingerida pelo agente é capaz de colocar em risco sua vida. O veneno que é ministrado com o emprego da força física, a qualificadora será de meio cruel. Fogo ou explosivo: explosivo é a substância que causa estrondo ou detonação. Exemplo: dinamite. Asfixia: consiste em impedir a função respiratória. Pode ocorrer por estrangulamento, enforcamento, soterramento etc. Segundo a doutrina, a asfixia pode ser mecânica (estrangulamento, enforcamento, soterramento, afogamento, esganadura, sufocação ou imprensamento) ou tóxica (uso de gás asfixiante ou confinamento). Tortura é o sofrimento desnecessário da vítima antes da morte. Exemplos: furar os olhos da vítima antes de matá la, decepar lhe os dedos ou as mãos. Não se deve confundir essa qualificadora com o crime de tortura com resultado morte (art. 1º, 3º, da Lei nº 9.455/1997). Meio insidioso é aquele dissimulado, empregado para que a vítima não perceba que está ocorrendo um crime. Exemplos: envenenamento, sabotagem dos freios da vítima. Meio cruel é aquele que causa um sofrimento desnecessário na vítima, revestindo se de brutalidade incomum. Exemplo: desferir pontapés na cabeça da vítima. Meio de que possa resultar perigo comum: é aquele que, além de causar a morte da vítima, é capaz de causar perigo para a vida ou saúde de um número indeterminado de pessoas. Exemplo: atear fogo na residência da vítima, colocando em situação de perigo seus vizinhos. Não se exige a prova de risco efetivo no caso concreto, bastando que o meio escolhido pelo agente seja capaz de causar risco a outras pessoas. Caso fique evidenciado que o meio empregado, além de matar a vítima, causou risco efetivo para outras pessoas, deverá o agente responder pelo homicídio qualificado em concurso com o crime de perigo comum (art. 250 do CP); d) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido (inciso IV): essa qualificadora refere se ao modo de execução do

7 crime (caráter objetivo). A traição pode ser física (ou material), que se refere ao ataque brusco, normalmente quando a vítima se encontra de costas; ou moral, em que ocorre a quebra de confiança entre os sujeitos. Exemplo: atrair a vítima para um local onde exista um poço. Emboscada significa tocaia; nela o agente se oculta, aguardando clandestinamente a passagem da vítima para surpreendê la e, assim, alvejá la. Já a dissimulação é o encobrimento dos próprios desígnios, ocultando se o propósito criminoso. Qualquer outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido: se assemelha com os outros já vistos. Exemplos: matar a vítima que está dormindo, alvejar alguém pelas costas, número de agressores muito grande (comum em linchamentos). A simples superioridade física do agressor (pessoa mais forte) ou a mera presença de arma de fogo não qualifica o crime; e) para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou a vantagem de outro crime (inciso V): essa qualificadora de caráter subjetivo, uma vez que se refere aos motivos determinantes do crime. Trata das hipóteses de conexão teleológica e consequencial. A conexão teleológica ocorre quando o homicídio é cometido com o intuito de garantir a execução de outra infração penal. Exemplo: matar o segurança para sequestrar o empresário. Nesse caso, o agente responderá pelos dois crimes (homicídio e sequestro) em concurso material. Existem casos, no entanto, em que o agente pratica o homicídio, visando a cometer outro delito, mas esse último sequer chega a ter iniciada sua execução. Responderá, nessa hipótese, pelo homicídio qualificado, mas não pelo outro crime. Exemplo: agente mata o marido com o intuito de estuprar a esposa, mas é preso antes que esta retorne do trabalho. Já a conexão consequencial se dá quando o homicídio é cometido com o fim de assegurar a ocultação, (procura se evitar que se descubra o crime que ele cometeu), impunidade (este procura evitar que descubram ter sido ele o autor do delito) ou vantagem de outra infração penal (busca se permitir que o agente usufrua a vantagem decorrente da prática de outra infração). Exemplos: ocultar o cadáver após o homicídio; matar a testemunha de um crime; um dos comparsas espanca o outro para ficar com todo o produto do furto. Homicídio Culposo (art. 121, 3º) O homicídio culposo encontra se previsto no 3º do art. 121 do CP. Nos termos do art. 18, II, do Código Penal, o crime será culposo quando o agente der causa ao resultado por imprudência, negligência ou imperícia. Pode se dizer que culposa é a conduta voluntária que produz um resultado ilícito, não desejado pelo agente, mas previsível e, excepcionalmente, previsto, que podia, com a devida atenção, ser evitado. O agente que falta com o dever de cuidado objetivo está agindo imprudentemente (conduta positiva em que o agente faz mais do que devia, praticando um ato perigoso), negligentemente (conduta negativa em que o agente faz menos do que devia) ou atua com imperícia (é a imprudência ou negligência no terreno específico da arte, técnica, ofício ou profissão). a) Matar o próprio pai (parricídio) ou a própria mãe (matricídio) não qualifica o homicídio, sendo, nos termos do art. 61, II, e, do CP, mera agravante genérica. A premeditação não qualifica o homicídio. b) Aquele que mata dolosamente o Presidente da República, da Câmara dos Deputados, do Senado Federal ou do Supremo Tribunal Federal comete crime contra a Segurança Nacional (art. 29 da Lei nº 7.170/1983). Já quem mata, com a intenção de destruir, no todo ou em parte, grupo nacional, étnico, racial ou religioso, comete crime de genocídio (Lei nº 2.889/1956). c) Nos termos da Lei nº 8.072/1990 (Lei dos Crimes Hediondos) constituem crime hediondo o homicídio qualificado e o homicídio simples quando praticado em atividade típica de grupo de extermínio, ainda que por uma só pessoa. d) Nos termos do art. 121, 4º, do CP, no homicídio culposo a pena é aumentada de um terço, se o crime resulta da inobservância de regra técnica de profissão, arte ou ofício (o agente tem o conhecimento técnico, pois é um profissional, mas não o aplica. Difere da imperícia, em que o agente não tem os conhecimentos técnicos exigidos), ou se o agente deixa de prestar imediato socorro à vítima (o agente, após dar causa culposamente ao evento danoso, não presta imediato socorro à vítima, deixando a a sua própria sorte), não procura diminuir as consequências do seu ato, ou foge para evitar prisão em flagrante. Além disso, sendo doloso o homicídio, a pena é aumentada de um terço, se o crime é praticado contra pessoa menor de 14 anos (introdução trazida pela Lei nº 8.069/1990 Estatuto da Criança e do Adolescente) ou maior de 60 anos (acréscimo feito pela Lei nº /2003 Estatuto do Idoso). e) O art. 121, 5º, do CP prevê o perdão judicial no crime de homicídio. Trata se de causa extintiva da punibilidade (art. 107, IX, do CP), só podendo ser aplicada quando expressamente prevista em lei. De acordo com o Supremo Tribunal Federal, a sentença que concede o perdão judicial é condenatória, afastando apenas o efeito principal da condenação (cumprimento da pena) e a reincidência, subsistindo os efeitos secundários (exemplo: obrigação de reparar o dano) e o lançamento do nome do réu no rol de culpados. O Superior Tribunal de Justiça, entretanto, editou a Súmula nº 18, entendendo que a sentença que concede o perdão judicial é declaratória, afastando todos os efeitos da condenação (principais e secundários). Ademais, não geraria reincidência, obrigação de reparar o dano ou lançamento o nome do réu no rol de culpados. Exemplo de aplicação do perdão judicial no homicídio culposo se dá quando o pai, dirigindo de maneira imprudente, acaba capotando o veículo, causando a morte do próprio filho. f) O homicídio doloso é e competência do Tribunal o Júri. A ação penal é pública incondicionada em qualquer das modalidades de homicídio. O homicídio culposo (art. 121, 3º) admite a suspensão 7

8 8 condicional do processo nos termos do art. 89 da Lei nº 9.099/1995. Com a Lei nº /2007, que alterou a Lei nº 8.072/1990, os crimes hediondos passaram a admitir a progressão de regime. Induzimento, Instigação ou Auxílio a Suicídio Art Induzir ou instigar alguém a suicidar se ou prestar lhe auxílio para que o faça: Pena reclusão, de dois a seis anos, se o suicídio se consuma; ou reclusão, de um a três anos, se da tentativa de suicídio resulta lesão corporal de natureza grave. Parágrafo único. A pena é duplicada: Aumento de Pena I se o crime é praticado por motivo egoístico; II se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência. O objeto jurídico tutelado é a preservação da vida humana. O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa (crime comum). Já o sujeito passivo é qualquer pessoa que possua capacidade de discernimento e resistência. Do contrário, o crime será de homicídio. Exemplo: induzir um louco a se matar. Segundo Fragoso (1981, p. 99): [...] suicídio é a supressão voluntária e consciente da própria vida e, por isso, é indispensável que a vítima tenha capacidade de discernimento para entender o ato que pratica. O induzimento, instigação ou auxílio que atinja várias pessoas não tipifica o delito em tela. A conduta típica consiste em induzir (introduzir a ideia na cabeça do agente), instigar (reforçar uma ideia já existente) ou auxiliar (colaborar materialmente com o cometimento do suicídio exemplo: fornecer a arma) alguém a se suicidar. Trata se de crime de ação múltipla, já que a conduta criminosa é composta de vários núcleos (verbos). Ainda que o agente realize todas as condutas, o crime será único. O induzimento e a instigação são chamados de participação moral, enquanto o auxílio é chamado de participação material. No entanto, no caso da participação material, a ajuda deve ser acessória (exemplo: emprestar a arma para que alguém se mate), pois caso essa ajuda seja direta e imediata, o crime será o de homicídio. Exemplo: puxar o gatilho a pedido da vítima. O elemento subjetivo é o dolo (direto ou eventual), consistente na vontade livre e consciente de participar do suicídio de outrem. Exige se, ainda, que o agente realmente queira que a vítima se mate (elemento subjetivo especial do tipo). Assim, não haverá o crime em tela se o agente, por brincadeira, falar para outro se matar. Inexiste modalidade culposa. A consumação ocorre com a produção da morte da vítima ou de lesões corporais de natureza grave (entenda se também gravíssima). Trata se de crime material que só será punido se resultar morte ou lesão grave. Não haverá crime se a vítima, apesar de ter sido induzida, instigada ou auxiliada a se suicidar, não chegar a tentar o suicídio ou, se, embora tente, vier a sofrer apenas lesões leves. Qual será, portanto, a natureza jurídica do resultado morte e lesão corporal grave? Duas correntes se formaram: a) para Hungria (1979) e Greco (2005), trata se de condição objetiva de punibilidade, pois o crime se consuma com a ação ou omissão descrita no tipo incriminador (induzir, instigar ou auxiliar alguém a se suicidar), porém a punição fica subordinada a ocorrência de um certo resultado danoso (morte ou lesão corporal de natureza grave); b) para Noronha (1988), Jesus (1998) e Capez (2004), trata se de elemento do tipo. A morte e lesão corporal grave são elementares do tipo, de modo que a participação em suicídio do qual não resulte um desses dois eventos danosos é fato atípico, não se enquadrando na norma penal incriminadora. O problema seria de atipicidade e não de punibilidade. Não importa o lapso temporal transcorrido entre o comportamento do agente e a conduta da vítima, bastando que se comprove o nexo causal entre esses dois comportamentos. Assim, se induzo alguém a se suicidar, mas este só vem tirar a própria vida um mês depois, influencia o por meu comportamento, ainda, sim, respondo pelo delito do art. 122 do CP. Não é admitida a tentativa. Não há punição para o agente que tenta se matar e não consegue. a) A pena será duplicada se o crime for cometido por motivo egoístico (refere se à obtenção de alguma vantagem pessoal exemplo: induzir, instigar ou auxiliar alguém a se suicidar para ficar com sua herança) ou se a vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de resistência (exemplos: embriaguez, idade avançada, efeito de entorpecentes). Conforme corrente majoritária, a menoridade a que o artigo se refere é da vítima maior de 14 e menor de 18 anos. Caso ela seja menor de 14 anos, seu consentimento é irrelevante, e o crime cometido será o de homicídio. b) A ação penal é pública incondicionada. Por se tratar de crime doloso contra a vida, é de competência do Tribunal do Júri. c) Suicídio a dois ou pacto de morte: ocorre quando duas pessoas resolvem se suicidar juntas. Exemplo: sala fechada com gás aberto. Podem ocorrer as seguintes situações: I) havendo um sobrevivente: se for aquele que abriu a torneira de gás, responderá pelo crime de homicídio (art. 121), já que praticou os atos executórios desse delito. Se, ao contrário, for o que não abriu a torneira responderá por participação em suicídio (art. 122); II) caso haja dois sobreviventes, havendo lesão corporal de natureza grave: aquele que abriu a torneira de gás responderá por tentativa de homicídio (art. 121 c/c 14) e o que não abriu o gás responderá por participação em suicídio (art. 122); III) caso haja dois sobreviventes, sem que ocorra lesão corporal de natureza grave: aquele que abriu a torneira de gás responderá por tentativa de homicídio (art. 121 c/c

9 14) e o que não abriu o gás não responderá por nada, sendo o fato atípico; IV) caso ambos sobrevivam, tendo os dois aberto a torneira de gás, responderão por tentativa de homicídio (art. 121 c/c 14). d) Roleta russa e duelo americano: no primeiro, tem se uma arma, com um só projétil, sendo que cada participante, em sua vez, aperta o gatilho. No segundo, têm se duas armas, mas apenas uma delas está carregada. Nos dois casos, os participantes que sobreviverem responderão por participação em suicídio (art. 122). e) O agente que tenta se suicidar e não consegue não comete crime, mas poderá responder por outras infrações penais, como, por exemplo, o porte ilegal de arma de fogo (Lei nº /2003). Infanticídio Art Matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após: Pena detenção, de dois a seis anos. O objeto jurídico tutelado é a vida humana. O sujeito ativo é a mãe que se encontra sob a influência do estado puerperal (crime próprio). Já o sujeito passivo é o nascente (aquele que está nascendo) ou neonato (aquele que acabou de nascer, já estando desprendido da mãe). Constatado que o feto nascente estava com vida, haverá o crime de infanticídio. A comprovação de que a vítima nasceu com vida se faz normalmente pelas docimasias respiratórias, geralmente utilizando se a pulmonar hidrostática (método de Galeno), ou seja, coloca se o pulmão do feto na água e aguarda se para ver se ele boia. Havendo flutuação é sinal que ele respirou e, portanto, houve vida; caso isso não ocorra, significa que o feto já nasceu morto. A conduta típica consiste em matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após. Percebe se, então, que o núcleo desse delito é matar (eliminar a vida) o próprio filho. A conduta típica, entretanto, deve ocorrer durante o parto ou logo após, ainda que a morte, propriamente dita, se dê em momento posterior. Estado puerperal trata se de perturbações, de ordem física e psicológica, que acometem grande parte das mulheres durante o parto ou, em alguns casos, até mesmo após o parto. Não se exige apenas a existência do estado puerperal, mas, sim, que ela atue influenciada por esse estado puerperal. No infanticídio a mulher, em razão do estado puerperal, tem diminuída sua capacidade de entendimento sobre o delito, sendo, assim, punida com uma pena mais branda. No entanto, caso fique comprovada sua inteira incapacidade para compreender o caráter criminoso de seu comportamento, será o caso de inimputabilidade, nos termos do art. 26 do CP. Exige se, ainda, para a configuração do delito em tela, a presença da cláusula temporal durante o parto ou logo após. Antes do início do parto, o crime será o de aborto. Finalmente, o que significa a expressão logo após o parto a que o art. 123 do CP faz referência? Para Capez (2004, v. 2, p. 102): [...] delito de infanticídio deve ser cometido enquanto durar o estado puerperal, não importando avaliar o número de horas ou dias após o nascimento, e, se aquele não mais subsistir, não mais poderemos falar em delito de infanticídio, mas em delito de homicídio. O elemento subjetivo é o dolo (direto ou eventual), consistente na vontade livre e consciente de matar, sob a influência do estado puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após. Não se admite a modalidade culposa. A doutrina diverge quanto qual crime cometido pela mãe que, sob a influência do estado puerperal, provoca a morte do próprio filho, durante o parto ou logo após, em decorrência da inobservância do dever de cuidado objetivo (culposamente). a) Jesus (1998) defende a atipicidade da conduta, não devendo a mãe responder por infanticídio ou homicídio. Argumenta que a culpa, nos termos do art. 18 do CP, exige previsão expressa, o que não ocorre no caso; b) Hungria (1979), Mirabete (2005), Bitencourt (2001), Capez (2004), Greco (2005) defendem que o crime seria de homicídio culposo. É a posição que vem predominando. A consumação ocorre com a morte do nascente ou neonato (crime material). Admite se a tentativa. a) A mãe que mata um adulto, sob a influência do estado puerperal, cometerá o crime de homicídio. Caso a mãe, sob a influência do estado puerperal, mate outra criança, supondo tratar se de seu filho, responderá pelo delito de infanticídio putativo. b) Admite se a coautoria ou participação no crime de infanticídio? A doutrina majoritária posiciona se favoravelmente a tal possibilidade, com fundamento no art. 30 do CP. De acordo com esse dispositivo, não se comunicam as circunstâncias e as condições de caráter pessoal, salvo quando elementares do crime. Analisando se o art. 123 do CP, percebe se que ele possui a seguintes elementares: I) ser mãe; II) matar o próprio filho; III) durante o parto ou logo após; IV) estar sob a influência do estado puerperal. Desse modo, mesmo se tratando de circunstâncias e condições de caráter pessoal, comunicam se, pois são elementares do crime. Podem surgir três situações: I) A mãe mata o próprio filho com o auxílio de terceiro: ambos respondem por infanticídio, nos termos do art. 30 do Código Penal. II) Um terceiro mata o recém nascido com a participação da mãe: tecnicamente, conforme bem explica Capez, o terceiro deveria responder por homicídio, sendo a mãe partícipe desse crime. No entanto, isso geraria um contrassenso, pois se a mãe matasse a criança, responderia por infanticídio, mas como apenas ajudou a matá la, responde por homicídio. Assim, deve a mãe responder por infanticídio. III) A mãe e um terceiro, em coautoria, matam o recém nascido: ambos responderão por infanticídio, nos termos do art. 29 do CP (teoria monista 9

10 ou unitária). Entretanto, existe entendimento de que não seria possível o concurso de pessoas (coautoria ou participação) no infanticídio. Segundo essa corrente, o estado puerperal não é condição de caráter pessoal, e sim personalíssima que, portanto, não se comunicaria. c) Caso a mãe, após matar o próprio filho, sob a influência do estado puerperal, durante o parto ou logo após, também ocultar o cadáver do infante, haverá concurso material entre o infanticídio e a ocultação de cadáver (art. 211 do CP). d) A ação penal é pública incondicionada. Trata se de crime doloso contra a vida e a competência para o julgamento será do Tribunal do Júri. Aborto Aborto Provocado pela Gestante ou com seu Consentimento Art Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena detenção, de um a três anos. Aborto Provocado por Terceiro Art Provocar aborto, sem o consentimento da gestante: Pena reclusão, de três a dez anos. Art Provocar aborto com o consentimento da gestante: Pena reclusão, de um a quatro anos. Parágrafo único. Aplica se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência. Forma Qualificada Art As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas de um terço, se, em consequência do aborto ou dos meios empregados para provocá lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave; e são duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte. Art Não se pune o aborto praticado por médico: Aborto Necessário I se não há outro meio de salvar a vida da gestante; Aborto no caso de Gravidez resultante de Estupro II se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal. O objeto jurídico tutelado é a preservação da vida humana intrauterina. No caso de aborto cometido por terceiro, também protege se a vida e a incolumidade da gestante. O sujeito ativo, no autoaborto ou aborto consentido (art. 124), é somente a gestante. Nesse caso, não se admite a coautoria, embora seja possível a participação. No aborto provocado por terceiro, com ou sem consentimento da gestante (arts. 125 e 126), qualquer pessoa pode ser sujeito ativo. Já o sujeito passivo, no autoaborto ou aborto consentido, é o feto. No aborto provocado por terceiro sem o consentimento da gestante, os sujeitos passivos são o feto e a gestante. O art. 124 do CP trata do caso em que a própria gestante pratica as manobras abortivas (autoaborto) ou consente para que terceira pessoa faça o aborto (aborto consentido). Note que, na última hipótese, a gestante responderá pelo crime do art. 124, 2ª parte, e o terceiro responde pelo art. 126 (provocar aborto com o consentimento da gestante). É, portanto, exceção à teoria monista prevista no art. 29 do CP. Esse crime do art. 124, segundo a doutrina, é crime de mão própria, já que somente a própria gestante é que pode cometê lo. Dessa forma, não admite coautoria, porém permite a participação. Exemplo: uma mulher grávida, desejando o aborto, ingere, com a ajuda do namorado, remédio abortivo, causando a morte do feto. Nesse caso, a mulher será autora do autoaborto e o namorado partícipe do mesmo crime. O art. 125 do CP trata do aborto provocado por terceiro, sem o consentimento da gestante. O terceiro realiza o aborto sem a gestante ter dado efetivamente o seu consentimento ou tendo ela dado este consentimento, porém sem ele ser considerado válido (art. 126, parágrafo único, do CP). Não se exige que ela diga expressamente que não permite o aborto, bastando que o agente empregue os meios abortivos sem o seu conhecimento. Ainda que, caso a gestante consinta o aborto, ainda assim haverá crime por parte de terceiro que realizar a prática abortiva. Ele, porém responderá pelo art. 126 e não pelo art O art. 126 do CP trata do aborto provocado por terceiro, com o consentimento da gestante. A doutrina esclarece que, tecnicamente, tanto a gestante quanto o terceiro que cometem o aborto deveriam responder pelo mesmo crime, nos termos da teoria monista ou unitária adotada pelo Código Penal no concurso de pessoas (art. 29 do CP). Entretanto, temos, na hipótese, exceção a essa teoria, pois a gestante responderá pelo art. 124, 2ª parte, enquanto o terceiro que pratica o aborto responderá pelo art. 126 do CP. O aborto só será consentido se o consentimento da gestante for tido como válido. Assim, se a gestante não é maior de quatorze anos, é alienada ou débil mental, ou se o seu consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência, seu consentimento será considerado inválido. O consentimento da gestante, este deve perdurar toda a fase de execução do aborto, caso não perdure, o crime será o previsto no art. 125 do CP, e para a gestante o fato será atípico. O elemento subjetivo é o dolo (direto ou eventual), consistente na vontade livre e consciente de interromper a gravidez e provocar a morte do feto. Não se admite a modalidade culposa. O terceiro que culposamente dá causa ao aborto responderá por lesão corporal culposa, sendo a gestante a vítima. 10

11 Já a conduta da gestante de, culposamente, provocar a morte do feto é atípica, já que o direito brasileiro não pune a autolesão. A consumação ocorre com a morte do feto, decorrente da interrupção da gravidez (crime material). Pouco importando se o feto chega ou não a ser expulso do ventre materno. É indispensável que se prove que o feto encontrava se vivo quando do emprego das manobras abortivas, pois, do contrário, poderá ficar configurado o crime impossível (art. 17 do CP). A tentativa é perfeitamente possível. Caso seja realizada a manobra abortiva e o feto venha, ainda assim, a nascer com vida, haverá tentativa de aborto. Caso, entretanto, seja realizada a manobra abortiva e o feto venha a nascer com vida, mas morra, logo em seguida, em razão dos meios abortivos empregados, o crime será de aborto consumado. Aborto Legal Causa de Exclusão da Antijuridicidade O art. 128 do CP prevê duas modalidades de aborto legal, ou seja, autorizado pela lei penal. São elas: I se não há outro meio de salvar a vida da gestante; II se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal. A primeira hipótese trata do chamado aborto necessário ou terapêutico (art. 128, I). É o aborto realizado por médico quando não há outro meio de salvar a vida da gestante. Trata se de um caso de estado de necessidade em que dois bens jurídicos estão em conflito: a vida da gestante e a vida do feto. O legislador optou por proteger a vida da gestante. A concordância da gestante é dispensável, podendo o médico intervir mesmo contra a sua vontade. Não se exige que o risco de vida da gestante seja atual, bastando que o médico constate a existência de um risco futuro. Difere, portanto, do estado de necessidade previsto no art. 24 do CP, que exige a atualidade da situação de perigo ou, pelo menos, sua iminência. A enfermeira ou a própria gestante que cometem o aborto respondem por qual crime? Caso o perigo sofrido pela gestante seja atual, não responderão por crime, pois estarão acobertadas pela excludente da ilicitude do estado de necessidade próprio (quando realizado pela própria gestante) ou de terceiro (quando o aborto é feito pela enfermeira). A segunda excludente da ilicitude ou da antijuridicidade trata do chamado aborto sentimental, humanitário ou ético (art. 128, II). Ocorre nos casos em que a gravidez é resultante de estupro. Esse aborto deve ser realizado por médico e contar com o consentimento da gestante ou, caso seja incapaz, de seu representante legal. Pouco importa se o estupro foi cometido com violência real ou presumida (art. 224 do CP). A doutrina e jurisprudência admitem também o aborto quando a gravidez resulta da prática de atos libidinosos diversos da conjunção carnal (exemplo: atentado violento ao pudor). E se esse aborto for praticado por enfermeira ou pela própria gestante? Ambas responderão por crime (a gestante pelo art. 124 e a enfermeira pelo art. 126), já que a lei só autoriza ao médico realizar, nesse caso, a prática abortiva. Importante destacar que a lei não exige autorização judicial para que o médico possa praticar esse aborto, bastando prova inidônea do ato sexual, mas na prática, os médicos acabam por só realizar esse tipo de aborto com autorização judicial, como forma de se resguardarem e evitar eventual responsabilização penal. a) O art. 127 do CP traz duas causas de aumento de pena no aborto. Apesar de o Código Penal chamá las e de formas qualificadas, trata se, em verdade, de causas de aumento de pena. Essas majorantes aplicam se apenas aos arts. 125 e 126, ficando excluído o autoaborto ou aborto consentido (art. 124). Isso ocorre porque o Direito brasileiro não pune a autolesão nem o ato de matar se. As causas de aumento previstas no art. 127 existem apenas na modalidade preterdolosa, ou seja, dolo com relação ao aborto e culpa com relação à lesão corporal grave ou homicídio. Do contrário, isto é, havendo o dolo do agente com relação à lesão ou morte, deverá responder pelo aborto em concurso com a lesão corporal grave ou homicídio. Por fim, para a doutrina, caso a gestante acidentalmente morra, mas o aborto não se consume por circunstâncias alheias à vontade do agente, deverá este responder por aborto qualificado consumado (art. 127), pouco importando se o abortamento se efetivou ou não. Não há que se falar em tentativa de aborto qualificado. b) O aborto natural ou espontâneo e o aborto acidental não constituem crime. c) O aborto eugenésico, eugênico ou piedoso é aquele realizado para impedir que a criança nasça com deformidade ou enfermidade incurável. Não é admitido pelo Direito Penal Brasileiro. O Supremo Tribunal Federal também não vem admitindo o aborto nos casos de anencefalia (ausência de cérebro) (ADPF nº 54 MC/DF). d) O aborto econômico ou social, isto é, aquele em que o nascimento de mais uma criança agravaria a crise financeira familiar, também não é admitido, havendo crime na hipótese. e) A conduta de anunciar processo, substância ou objeto destinado a provocar aborto constitui contravenção penal, nos termos do art. 20 do Decreto Lei nº 3.688/1941 (Lei de Contravenções Penais). f) A ação penal é pública incondicionada. Por se tratar de crime doloso contra a vida, a competência para julgamento será do Tribunal do Júri. DAS LESÕES CORPORAIS Lesão Corporal Art Ofender a integridade corporal ou a saúde de outrem: Pena detenção, de três meses a um ano. 11

12 Lesão Corporal de Natureza Grave 1º Se resulta: I Incapacidade para as ocupações habituais, por mais de trinta dias; II perigo de vida; III debilidade permanente de membro, sentido ou função; IV aceleração de parto: Pena reclusão, de um a cinco anos. 2º Se resulta: I Incapacidade permanente para o trabalho; II enfermidade incurável; III perda ou inutilização do membro, sentido ou função; IV deformidade permanente; V aborto: Pena reclusão, de dois a oito anos. Lesão Corporal seguida de Morte 3º Se resulta morte e as circunstâncias evidenciam que o agente não quis o resultado, nem assumiu o risco de produzi lo: Pena reclusão, de quatro a doze anos. Diminuição de Pena 4º Se o agente comete o crime impelido por motivo de relevante valor social ou moral ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima, o juiz pode reduzir a pena de um sexto a um terço. Substituição da Pena 5º O juiz, não sendo graves as lesões, pode ainda substituir a pena de detenção pela de multa, de duzentos mil réis a dois contos de réis: I se ocorre qualquer das hipóteses do parágrafo anterior; II se as lesões são recíprocas. Lesão Corporal Culposa 6º Se a lesão é culposa: Pena detenção, de dois meses a um ano. Aumento de Pena 7º Aumenta se a pena de um terço, se ocorrer qualquer das hipóteses do art. 121, 4º. 8º Aplica se à lesão culposa o disposto no 5º do art Violência Doméstica 9º Se a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo- se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade: (Redação dada pela Lei nº , de 2006) Pena detenção, de 3 (três) meses a 3 (três) anos. (Redação dada pela Lei nº , de 2006) 10. Nos casos previstos nos 1º a 3º deste artigo, se as circunstâncias são as indicadas no 9º deste artigo, aumenta se a pena em 1/3 (um terço). (Incluído pela Lei nº , de 2004) 11. Na hipótese do 9º deste artigo, a pena será aumentada de um terço se o crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência. (Incluído pela Lei nº , de 2006) O crime de lesão corporal, nos termos do art. 129 do CP, consiste em ofender a integridade corporal ou saúde de outrem. A proteção da lei não se limita apenas à normalidade anatômica, mas também à regularidade fisiológica e psíquica. Equimoses (rouxidão decorrente do rompimento de pequenos vasos sanguíneos) e hematomas (equimoses com inchaço) constituem lesões. Já os eritemas (mera vermelhidão da pele decorrente de um tapa, por exemplo) e a simples provocação de dor não são considerados lesão corporal. A ofensa à saúde diz respeito ao desajuste no funcionamento de algum órgão ou sistema do corpo humano (paralisia, impotência sexual) ou a uma perturbação mental (desarranjo no funcionamento cerebral exemplos: convulsões, doenças mentais). Percebe se, então, que o objeto jurídico tutelado nesse delito é a incolumidade da pessoa humana. Em regra, a integridade física e a saúde constituem bens indisponíveis. No entanto, a Lei nº 9.099/1995 abrandou tal concepção ao exigir a representação da vítima ou de seu representante legal para os crimes de lesão corporal leve e culposa. Nesses dois últimos casos, tem se hipótese de bem jurídico disponível. Sujeitos Ativo e Passivo O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, menos o próprio ofendido. Trata se de crime comum. A autolesão é irrelevante penal, desde que a ofensa física não vise a lesionar outro bem jurídico. É o que ocorre, quando o agente se mutila para obter indevidamente indenização ou valor de seguro (art. 171, 2º, V, do CP). Caso o agressor seja um policial em serviço, responderá também pelo crime de abuso de autoridade. O sujeito passivo também pode ser qualquer pessoa, salvo na figura qualificada prevista nos 1º, IV, e 2º, V, do CP, em que deve ser mulher grávida. Caso a vítima seja menor de 14 anos, incidirá a causa de aumento de pena prevista no 7º do CP. Ofender a integridade física de um cadáver configura o delito previsto no art. 211 da lei penal. Consentimento do Ofendido Considerando que a integridade física e psíquica constitui, em regra, bem indisponível, o consentimento do ofendido, em princípio, não gera nenhum efeito. No entanto, algumas considerações podem ser feitas quando se tratar de lesões esportivas e cirúrgicas: a) lesões esportivas: predomina o entendimento de que o fato seria típico, porém não é antijurídico, diante da excludente da ilicitude do exercício regular de direito. Alguns autores, entretanto, defendem se tratar de fato atípico em razão da aplicação da teoria da imputação objetiva; 12

13 b) intervenção médico cirúrgica: quando consentida, constitui causa de exclusão da ilicitude pelo exercício regular de direito. Caso não haja o consentimento da vítima, poderá ser o caso de estado de necessidade em favor de terceiro. Exemplos: amputação de uma perna para salvar a vida da pessoa; c) transplante de órgãos: segundo a maioria da doutrina, a intervenção cirúrgica realizada em razão da disposição gratuita de órgãos, tecidos ou partes do corpo vivo de pessoa juridicamente capaz com o fim de viabilizar a realização de transplantes ou terapia (Lei nº 9.434/1997) constitui exercício regular de direito; d) cirurgia transexual: constituiria, em tese, o crime de lesão corporal gravíssima (art. 129, 2º, IV, do CP), pois a cirurgia para mudança de sexo implica mutilação dos órgãos genitais externos. Tem se admitido, no entanto, a realização de tal cirurgia com o intuito de corrigir desajustamento psíquico, sendo, assim, um procedimento sem o dolo de lesionar; e) esterilização cirúrgica: a Lei nº 9.263/1996 permite que o médico realize a esterilização cirúrgica como método contraceptivo, por meio da laqueadura de tubária, vasectomia ou outro método cientificamente aceito, desde que haja consentimento expresso do interessado. Caso o médico realize o procedimento sem o consentimento do interessado, responderá pelo crime previsto no art. 15 da referida lei, por ser norma especial ( Art. 15. Realizar esterilização cirúrgica em desacordo com o estabelecido no art. 10 desta Lei ); f) existem certas lesões que são social e culturalmente aceitas, como, por exemplo, colocação de brincos ou similares. A conduta típica consiste em ofender [atingir] a integridade corporal ou a saúde de outrem. O crime de lesão corporal é de ação livre, ou seja, admite qualquer forma de execução. Desse modo, pode ser comissivo ou omissivo, por meios materiais (facada) ou morais (susto que provoca lesão no sistema nervoso da vítima). O elemento subjetivo é o dolo, consistente na vontade livre e consciente de ofender a integridade física ou saúde de outrem. Há, também, a previsão de formas preterdolosas (algumas figuras do art. 129, 1º e 2º, e o 3º, do CP) e a lesão corporal culposa (art. 129, 6º e 7º, do CP). Note que é o elemento subjetivo que vai diferenciar o crime de lesão corporal de outros, tais como: tentativa de homicídio (art. 121 c/c 14, II, do CP), perigo para a vida ou saúde de outrem (art. 132 do CP), maus tratos (art. 136 do CP) etc. A consumação ocorre no momento da efetiva ofensa à integridade corporal ou saúde da vítima (trata se, assim, de crime material e de dano). De acordo com Delmanto (2000, p. 253) ainda que a vítima sofra mais de uma lesão, o crime será único. Por se tratar de crime de dano, a tentativa é possível nas formas dolosas. Assim, não admite tentativa a lesão corporal culposa ( 6º) e suas formas preterdolosas ( 1º, II, 2º, V e 3º, do CP). Eventual dificuldade que poderia surgir é quanto à prova de qual lesão foi intencionada pelo agente, isto é, leve, grave ou gravíssima. Formas de Lesão Corporal A lesão corporal dolosa subdivide se em simples (leve art. 129, caput) e qualificadas (grave 1º; gravíssima 2º e seguida de morte 3º). Há, também, a forma culposa ( 6º e 7º) e uma figura privilegiada ( 4º e 5º). A Lei nº /2004 introduziu os 9º e 10º, que tratam de lesões relativas à violência doméstica. Já o 8º do art. 129 do CP prevê o perdão judicial. Por fim, o 11 foi introduzido pela Lei nº /2006. Lesão Corporal Leve A lesão corporal leve ou simples encontra se prevista no art. 129, caput, do CP e consiste em ofender a integridade física ou saúde de outrem, desde que o fato não constitua outra modalidade de lesão (critério de exclusão). Lesão Corporal Qualificada pelo Resultado ( 1º a 3º) O art. 129, 1º a 3º, do CP prevê modalidades de lesão corporal em que a sanção penal é agravada devido ao resultado produzido. Os crimes preterdolosos ou preterintencionais (aqueles em que há dolo na conduta antecedente e culpa na consequente) são uma modalidade de crime qualificado pelo resultado. Entretanto, nem todos os crimes qualificados pelo resultado são preterdolosos. Portanto, se houver dolo na conduta antecedente e dolo na consequente, o crime será qualificado pelo resultado. Lesão Corporal Grave ( 1º) A lesão corporal grave está descrita no art. 129, 1º, do CP. Nada impede que coexistam duas ou mais modalidades de lesão grave. Incapacidade para as Ocupações habituais por mais de trinta dias (inciso I) Por ocupação habitual, deve se entender qualquer atividade rotineira (trabalhar, andar, praticar esportes etc.). A atividade deve ser lícita (exclui se, assim, os criminosos), porém mesmo ocupações imorais são protegidas (prostituição). A incapacidade tanto pode ser física como psíquica. A simples vergonha de praticar as ocupações habituais não configura a lesão grave. Nos termos do 2º do art. 168 do CPP, a comprovação desse tipo de lesão se faz por meio de um exame de corpo de delito, que deve ser feito depois de transcorridos 30 (trinta) dias do crime. De acordo com o STF, esse prazo não é peremptório, ou seja, admite se exame feito poucos dias depois de transcorridos esse prazo, e a ausência desse exame complementar pode ser suprida pela prova testemunhal (art. 168, 3º, do CPP), porém não sendo esta feita, fica impossível a configuração da qualificadora, devendo o delito ser desclassificado para lesão corporal leve. 13

14 Se Resulta Perigo de Vida (inciso II) O perigo de vida é o risco grave e imediato de morte deve ser concreto e demonstrado por perícia devidamente fundamentada, não bastando a simples menção à lesão. Essa modalidade de lesão corporal só admite o preterdolo (dolo com relação à lesão e culpa quanto à situação de perigo de vida), pois, se o agente agiu com a intenção de matar e não conseguiu, responderá por tentativa de homicídio. Se Resulta Debilidade Permanente de Membro, Sentido ou Função (Inciso III) Debilidade é a redução ou enfraquecimento da capacidade funcional. Não se exige que essa debilidade seja perpétua, bastando que seja duradoura. Haverá a qualificadora ainda que a debilidade seja possível de correção por intervenção cirúrgica. Membros são as partes do corpo humano que se prendem ao corpo. Exemplos: braços, pernas, coxa. Sentidos são os mecanismos sensoriais. São eles: visão, audição, olfato, paladar e tato. Função é a atividade específica de um órgão ou aparelho do corpo humano. Exemplos: circulatória, reprodutora, locomotora, respiratória. Tratando se de órgãos duplos (exemplo: olhos), a supressão de um deles debilita a função, configurando lesão grave. Já a supressão de ambos, ficará configurada perda da função visual e, consequentemente, a lesão será gravíssima. Se Resulta Aceleração de Parto (Inciso IV) Ocorre quando, em razão da lesão, ocorre a antecipação do parto. O agente deve saber que a mulher está grávida para responder por essa qualificadora (do contrário, responderá por lesão leve). É indispensável que o feto venha a nascer com vida, pois, do contrário, a lesão corporal será gravíssima (art. 129, 2º, V, do CP). Lesão Corporal Gravíssima ( 2º) A lesão corporal gravíssima está descrita no art. 129, 2º, do CP, cuja pena é de dois a oito nos de reclusão, em razão das consequências mais danosas produzida pelo delito em tela. Quanto à expressão lesão corporal gravíssima, a doutrina e jurisprudência assim o fazem para diferenciar dos outros tipos de lesão. Nada impede a coexistência de mais de uma forma de lesão gravíssima. O crime, no entanto, será único, devendo o juiz levar em consideração essa situação quando da fixação da pena base (art. 59 do CP). Caso, entretanto, fique constatado no laudo que a vítima sofre lesão grave e gravíssima, responderá apenas pela lesão gravíssima. As circunstâncias qualificadoras previstas nesse 2º podem ser tanto dolosas quanto culposas, com exceção do inciso V (quando resulta aborto) que será necessariamente preterdolosa. Incapacidade Permanente para o Trabalho (Inciso I) A incapacidade deve ser genérica, ou seja, para exercer qualquer atividade lucrativa e não apenas a atividade laboral anteriormente exercida pelo agente. Note que como a lei usa a expressão trabalho, abrangendo apenas a atividade lucrativa, excluindo se, por conseguinte, a criança e a pessoa idosa aposentada. Não se exige que a incapacidade seja perpétua, bastando que seja duradoura. Se Resulta Enfermidade Incurável (Inciso II) É a doença para a qual ainda não existe cura no atual estágio da medicina. Havendo a necessidade de intervenção cirúrgica arriscada e recusando se a vítima a realizá la, ainda assim incidirá a qualificadora. Existem entendimentos de que a transmissão dolosa de Aids, caracterizaria o delito de tentativa de homicídio, já que tem a morte como consequência natural. Se Resulta Perda ou Inutilização de Membro, Sentido ou Função (Inciso III) Perda é a ablação (extirpação) de uma parte do corpo. Pode se dar por mutilação (exemplo: agente que decepa a mão ao usar um facão para limpar cana) ou amputação (o seccionamento de parte do corpo decorre de intervenção cirúrgica necessária para salvar a vítima de consequências mais graves. Exemplo: amputar uma perna que está gangrenada). Na Inutilização, o membro continua ligado ao corpo, porém incapacitado de realizar suas próprias atividades (exemplo: paralisia). A perda de parte dos movimentos do braço é lesão grave pela debilidade do membro. A perda de todo o movimento do braço é lesão gravíssima pela inutilização, enquanto a perda de todo o braço constitui lesão corporal gravíssima pela perda de membro. A perda de um dedo constitui lesão grave em razão de debilidade permanente, enquanto a perda da mão é lesão gravíssima, pois configura inutilização do membro. A correção por meio de aparelhos ortopédicos ou próteses não exclui essa qualificadora. No entanto, caso haja o reimplante, com total êxito, do membro perdido, haverá a desclassificação do delito. Se Resulta Deformidade Permanente (Inciso IV) Trata se do dano estético, permanente e visível, capaz de causar situação vexatória. Exige se, assim, que o dano seja de monta razoável, não havendo a qualificadora caso resulte dano mínimo. A deformidade será considerada permanente quando não puder ser reparada pelo transcurso do tempo. Assim, mesmo que a vítima use aparelhos que camuflem a deformidade (exemplos: olho de vidro, prótese), não deixará de incidir essa qualificadora. Se a vítima se submeter a tratamento cirúrgico com sucesso, estará afastada a qualificadora. Se Resulta Aborto (Inciso V) Esse dispositivo é exclusivamente preterdoloso (dolo com relação à lesão corporal e culpa com relação ao aborto), pois caso o aborto tenha sido causado intencionalmente, haverá crime de aborto. É imprescindível que o agente saiba que a vítima está grávida; do contrário, haveria responsabilidade penal objetiva. 14

15 Lesão Corporal seguida de Morte ( 3º) Essa modalidade de lesão corporal é exclusivamente preterdolosa (dolo com relação à lesão e culpa com relação à morte). Do contrário, isto é, se o agente quis ou assumiu o risco do resultado morte, o crime será de homicídio. Por se tratar de crime preterdoloso, essa modalidade de lesão corporal não admite tentativa. Esse delito não se confunde com o homicídio culposo, pois, neste, o resultado morte decorre de um ato prévio que representa um indiferente penal ou, quando muito, um ato contravencional (exemplo: agente que dirige em alta velocidade e acaba atropelado pedestre que tentava atravessar na faixa), enquanto no delito do art. 129, 3º, do CP, a morte decorre de uma lesão corporal dolosa prévia por parte do agente. O crime de lesão corporal seguida de morte é de competência do juiz singular. Lesão Corporal Privilegiada ( 4º) A lesão corporal privilegiada encontra se prevista no 4º do art. 129 do CP, devendo a pena ser reduzida de um sexto a um terço, caso o crime seja cometido por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de violenta emoção, logo em seguida injusta provocação da vítima. Esse privilégio legal se aplica a todos os tipos de lesão dolosa, incabível nas lesões culposas. Motivo de relevante valor social é aquele referente ao interesse coletivo. Exemplo: matar o traidor por amor à pátria. O motivo de relevante valor moral é aquele correspondente a um interesse individual, mas aprovado pela moralidade média. Exemplo: eutanásia (mata se a pessoa para livrá la do sofrimento). Devem ser analisados de acordo com o senso comum. Também será privilegiada a lesão corporal cometida sob o domínio de violenta emoção, logo após a injusta provocação da vítima. São necessários, portanto, três requisitos: a) domínio de violenta emoção: apesar do art. 28, I, do CP estabelecer que não excluem a imputabilidade, a emoção e a paixão, a emoção pode funcionar como causa especial de diminuição da pena ou como atenuante genérica. Essa emoção só é causa de diminuição da pena quando consumir totalmente o agente que age em estado de ira. Caso esteja apenas influenciado por uma violenta emoção, não se aplica essa causa de diminuição da pena, mas, sim, uma atenuante genérica (art. 65, III, c, in fine, do CP); b) imediatidade da reação por parte do agente: só haverá o privilégio se a reação do agente for logo após a injusta provocação da vítima, entretanto de acordo com a jurisprudência, essa reação não precisa ser atual, bastando que seja compatível com o estado emocional do agente. Assim, o agente que, após ter sido provocado injustamente pela vítima, após armar se, volta ao local do crime e esfaqueia o ofendido, não estará despido da violenta emoção que o dominara; c) provocação injusta feita pelo ofendido: é aquela sem motivo justificável. Não se exige que a vítima tenha tido a intenção específica de provocar, bastando que o agente se sinta provocado. A análise deve ser feita conforme o senso comum, mas levando em consideração as qualidades e condições pessoais dos envolvidos. Lesão Corporal Culposa ( 6º) Ocorrerá quando a lesão decorrer da falta do dever de cuidado objetivo, manifestado pela imperícia, imprudência ou negligência. As consequências, embora previsíveis, não foram previstas pelo agente, ou, se foram, ele não assumiu o risco de produzir o resultado. O Código Penal não fez distinção com relação às lesões culposas, assim, qualquer que seja a intensidade da lesão, responderá o agente apenas por lesão culposa. A gravidade da lesão deve ser levada em consideração pelo juiz quando da fixação da pena base (art. 59 do CP). Nos termos do art. 88 da Lei nº 9.099/1995, o crime de lesão corporal culposa depende da representação de vontade da vítima ou do seu representante legal. Nos termos do 7º do art. 129 do CP, a pena da lesão corporal será aumentada de um terço quando o agente deixar de prestar imediato socorro à vítima, quando foge para evitar a prisão em flagrante, quando não procura diminuir as consequências de seu ato ou quando o crime resulta da inobservância de regra técnica de arte, profissão ou ofício. O aumento de pena também se aplica às lesões dolosas quando a vítima for menor de 14 (inovação trazida pelo art. 263 da Lei nº 8.069/1990) ou maior de 60 anos (Lei nº /2003). Nos termos do art. 129, 8º, do CP, o juiz pode aplicar ao crime de lesão corporal culposa o instituto do perdão judicial quando as consequências do crime tiverem atingido o agente de forma tão grave que a imposição de pena se torne desnecessária. Trata se de causa extintiva da punibilidade cabível apenas quando expressamente previsto na lei. Nos termos da Súmula nº 18 do Superior Tribunal de Justiça, a sentença concessiva do perdão judicial é declaratória da extinção da punibilidade, não subsistindo qualquer efeito condenatório, ou seja, a sentença que concede o perdão judicial é meramente declaratória, não gerando reincidência, inscrição do nome no rol de culpados etc. Já o Supremo Tribunal Federal entende que a sentença que concede o perdão judicial é condenatória, afastando somente o efeito principal da condenação (obrigação de cumprir pena) e a reincidência, remanescendo a obrigação de reparar o dano e a obrigação de lançamento do nome do réu no rol de culpados. Substituição da Pena ( 5º) Nos termos do art. 129, 5º, do CP, não sendo graves as lesões, o juiz poderá substituir a pena de detenção pela de multa, nos seguintes casos: a) quando a lesão corporal for privilegiada. Note que, caso as lesões sejam leves, o juiz terá duas opões: I) reduzir a pena de um sexto a um terço ( 4º); ou II) substituí la por multa ( 5º); b) se as lesões leves forem recíprocas. Ocorrerá quando uma pessoa agride outra e, cessada essa primeira agressão, ocorrer uma retorsão. Não há que se falar em lesão corporal se a pessoa apenas se defende de seu agressor, provocando lhe lesões. 15

16 Nesse caso, estaremos diante da excludente da legítima defesa. Violência Doméstica ( 9º e 10º) A Lei nº , de 17 de junho de 2004, buscando aumentar o âmbito de proteção quando as lesões corporais fossem cometidas no âmbito doméstico, acrescentou os 9º e 10º ao art. 129 do Código Penal, criando o tipo especial denominado Violência Doméstica. Assim, a pena do delito de lesão corporal passaria a ser de detenção de seis meses a um ano quando a lesão fosse praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade. Além disso, a pena aumenta se de um terço quando a lesão corporal qualificada pelo resultado (art. 129, 1º a 3º, do CP) for cometida em situações envolvendo violência doméstica ( 9º). Trata se de uma causa de aumento de pena quando as lesões corporais grave, gravíssima e seguida de morte ( 1º a 3º) forem cometidas as circunstâncias indicadas no 9º. Essa circunstância especial de aumento de pena prefere a agravante genérica do art. 61 do CP. A Lei nº de 2006 aumentou a pena do 9º do art. 129 do CP que passou a ser de detenção de três meses a três anos quando a lesão for praticada contra ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro, ou com quem conviva ou tenha convivido, ou, ainda, prevalecendo se o agente das relações domésticas, de coabitação ou de hospitalidade. Além disso, a referida lei incluiu o 11 no art. 129, estabelecendo que a pena aumente um terço se o crime for cometido contra pessoa portadora de deficiência. Finalmente, a Lei nº , de 2006, inovou ao dispor, em seu art. 41, que os crimes praticados com violência doméstica e familiar contra a mulher, independentemente da pena prevista, não estão sujeitos às disposições da Lei nº 9.099, de 1995 (Lei dos Juizados Especiais Criminais). Consequentemente, não se aplicam os institutos da transação penal e conciliação civil próprios das infrações penais de menor potencial ofensivo. A União, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados poderão criar os Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a mulher, enquanto não forem criados tais Juizados, as varas criminais acumularão as competências cível e criminal para conhecer e julgar as causas decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher (art. 33 da referida lei). a) Cortar o cabelo ou a barba da vítima, sem o seu consentimento, pode constituir crimes de lesão corporal, injúria real ou contravenção penal de vias de fato, dependendo dos motivos. A questão é bastante polêmica. Parte da doutrina e jurisprudência sustenta que seria crime de lesão corporal leve, pois os pelos e os cabelos pertencem à integridade corporal da vítima. b) O crime de lesão corporal não se confunde com a contravenção penal de vias de fato (art. 21 do Decreto Lei nº 3.688/1941). Nestas, o agente agride sem a intenção de lesionar (exemplos: empurrão simples, puxão de cabelos), enquanto na lesão corporal o agente tem o dolo de machucar. Caso a intenção do agente, ao lesionar, seja a de ridicularizar a vítima ou expô la a uma situação vexatória, poderá ocorrer o crime de injúria real (tapa no rosto da vítima para humilhá la). c) A continuidade delitiva (art. 71 do CP) é admitida no crime de lesões corporais quando o agente, nas mesmas condições de tempo, lugar, meios de execução e outras semelhantes, praticar várias lesões corporais, em vítimas diversas. d) A multiplicidade de lesões contra a mesma vítima, em um mesmo contexto criminoso, constitui crime único, uma vez que se trata de crime plurissubsistente (perfaz se com vários atos executivos, mas que constituem uma só ação). Exemplo: o agente dá um soco na vítima, corta sua pele e, ainda, lhe desfere uma facada. No entanto, caso as lesões sejam interrompidas e, posteriormente, em uma nova ação criminosa, o agente produza novas lesões contra a mesma vítima, haverá concurso de crimes. e) Nos termos da Lei nº 9.099/1995, com as alterações introduzidas pela Lei nº /2001, os crimes de lesão corporal leve e culposa, inclusive na sua forma majorada ( 7º), constituem infração penal de menor potencial ofensivo. A lesão corporal de natureza grave ( 2º), apesar de não ser de competência dos Juizados Especiais Criminais, poderá ser objeto de suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei nº 9.099/1995). DA PERICLITAÇÃO DA VIDA E DA SAÚDE Este capítulo do Código Penal trata de diversos crimes de perigo que se consumam com a mera exposição do bem jurídico ao perigo (neste, o bem jurídico não é efetivamente lesado, bastando que o agente crie uma situação de risco). Nesses delitos, o elemento subjetivo do agente consiste na vontade livre e consciente de produção de perigo (a vontade do agente envolve apenas a criação de uma situação de risco, não estando a ocorrência do dano compreendida no dolo do agente). Dentre as várias espécies de crime de perigo, destacam se as seguintes: a) perigo individual: ofende um número determinado de pessoas. Exemplo: art. 130 e seguintes do CP; b) perigo coletivo ou comum: ofende um número indeterminado de pessoas. Exemplo: art. 250 e seguintes do CP; c) perigo concreto: o perigo deve ser demonstrado. Exige se prova efetiva de que certa pessoa sofreu uma situação de perigo; d) perigo abstrato: a lei descreve uma conduta e presume (jure et de jure) a ocorrência de uma situação de perigo. Não se exige a demonstração do risco efetivamente criado, bastando que o agente pratique a conduta típica. Exemplo: crime de quadrilha ou bando (art. 288 do CP). 16

17 PERIGO DE CONTÁGIO VENÉREO Art Expor alguém, por meio de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a contágio de moléstia venérea, de que sabe ou deve saber que está contaminado: Pena detenção, de três meses a um ano, ou multa. 1º Se é intenção do agente transmitir a moléstia: Pena reclusão, de um a quatro anos, e multa. 2º Somente se procede mediante representação. O objeto jurídico tutelado é a incolumidade física e a saúde da vítima. O legislador busca evitar o contágio e a propagação de doenças sexualmente transmissíveis. Esse delito é de ação penal pública condicionada à representação. O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa. O sujeito passivo também pode ser qualquer pessoa, inclusive a prostituta, já que a lei protege a sua saúde. A conduta típica consiste em expor (colocar em perigo, arriscar) a vítima, por meio da prática de relações sexuais ou qualquer ato libidinoso, a contágio de moléstia venérea. Esse tipo penal exige o contato corporal entre o autor e a vítima. Assim, se o agente transmite a moléstia venérea para sua amante e esta a transmite para seu marido, apenas ela responderá pelo crime em tela. Não haverá crime se o contágio venéreo se der por outro meio que não o ato sexual. Exemplo: transmissão por meio de objetos pessoais (nesse caso, o crime poderá ser o previsto no art. 131 ou 132 do CP). O elemento subjetivo pode ocorrer em três modalidades: a) na hipótese do art. 130, caput, primeira figura, do CP, o agente sabe que está contaminado, sendo, portanto, caso de dolo direito de perigo. A vontade do agente não é transmitir a moléstia venérea, mas, sim, expor a vítima a uma situação de perigo; b) no caso do art. 130, caput, segunda figura, do CP, o agente deve saber que está contaminado. A doutrina majoritária entende que a expressão deve saber indica culpa, no entanto, existe posição minoritária no sentido de que essa expressão é indicativa de dolo eventual; c) o art. 130, 1º, do CP trata do caso em que o agente sabe que está contaminado com a moléstia venérea e tem a intenção de transmiti la. Tem se caso de dolo direto de dano, pois, diferentemente da situação descrita na letra a, o agente não visa apenas a criar uma situação de perigo, e sim tem a intenção de transmitir a moléstia venérea. A consumação se dá com a prática do ato sexual capaz de transmitir a moléstia venérea, ainda que a vítima não seja contaminada. Basta a simples exposição à situação de perigo de contágio de moléstia venérea. Caso ocorra a contaminação, o agente responderá pelo art. 130, caput, do CP. Caso a intenção do agente tenha sido de transmitir a moléstia (dolo de dano), responderá nos termos do art. 130, 1º, do CP. Ainda que sobrevenham lesões leves, responderá o agente por esse delito. Caso, entretanto, o sujeito efetive o contágio e sobrevenha lesão corporal grave ou gravíssima (art. 129, 1º e 2º, do CP), responderá o agente pelo crime de lesão corporal grave ou gravíssima, pois a pena destes é maior que a prevista no art. 130 desse diploma. Caso, após o contágio, sobrevenha a morte da vítima, poderá ocorrer uma dessas situações: a) se a intenção do agente era matar a vítima, responderá pelo crime de homicídio doloso; b) se a intenção era apenas a de contaminar a vítima, mas o evento morte era previsível, responderá pelo crime de lesão corporal seguido de morte (art. 129, 3º, do CP); A tentativa é admissível quando o agente quer manter relações sexuais com a vítima, mas não consegue. a) Admite se o concurso de crimes entre o art. 130 do CP e os crimes contra a dignidade sexual (art. 213 e seguintes do CP). Exemplo: o agente, acometido de moléstia venérea, comete um estupro. b) O delito de perigo de contágio venéreo possui uma forma simples (art. 130, caput, do CP) e outra qualificada (art. 130, 1º, do CP). No primeiro, o agente possui dolo de perigo, ou seja, não tem intenção de transmitir a moléstia. Já na forma qualificada o dolo do agente é de dano, isto é, sua intenção é transmitir a moléstia. Esse delito, em sua forma simples (art. 130, caput, do CP), constitui infração penal de menor potencial ofensivo, estando, assim, sujeito às disposições dos Juizados Especiais Criminais. Em sua forma qualificada ( 1º), não se enquadra no conceito de infração penal de menor potencial ofensivo, mas está sujeito à suspensão condicional do processo (art. 89 da Lei nº 9.099/1995). c) A ação penal é pública condicionada à representação. PERIGO DE CONTÁGIO DE MOLÉSTIA GRAVE Art Praticar, com o fim de transmitir a outrem moléstia grave de que está contaminado, ato capaz de produzir o contágio: Pena reclusão, de um a quatro anos, e multa. O objeto jurídico tutelado é a incolumidade física e a saúde da vítima. O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa contaminada por moléstia grave. O sujeito passivo também pode ser qualquer pessoa, desde que não infectada com a mesma moléstia. A conduta típica consiste em praticar qualquer ato capaz de transmitir a moléstia grave. Trata se, assim, de crime de ação livre, pois admite qualquer meio de execução (aperto de mão, beijo, injeções e, até mesmo, relações sexuais). Caso a moléstia seja venérea e a transmissão se dê por meio de 17

18 relação sexual ou qualquer ato libidinoso, o crime será o previsto no art. 130 do CP. A moléstia deve ser grave (capaz de causar séria perturbação à saúde), pouco importando se é incurável ou não. Parte da doutrina entende que o art. 131 do CP é norma penal em branco, pois o preceito primário da norma exige uma complementação pelos Regulamentos da Saúde Pública. No entanto, entendo que a razão encontra se com Bitencourt (2001, p. 222), que afirma tratar se de um tipo anormal, pois [...] o fato de determinada moléstia grave não constar, eventualmente, de regulamentos oficiais não lhe retirará, por certo, a idoneidade para tipificar esse crime. Ser grave ou contagiosa decorre da essência da moléstia e não de eventuais escalas oficiais. Por isso, a nosso juízo, o conteúdo do tipo penal do art. 131 não pode ser definido como norma penal em branco. Trata se, em verdade, daqueles crimes que, historicamente, a doutrina tem denominado tipos anormais, em razão da presença de elementos normativos ou subjetivos; neste caso, ambos estão presentes: a finalidade de transmitir a moléstia (elemento subjetivo) e moléstia grave (elemento normativo). No que tange à Aids, se o agente tem a intenção de transmiti la e consegue fazê lo, responderá por homicídio doloso tentado ou consumado. Caso transmita o vírus culposamente, responderá por lesão corporal culposa ou homicídio culposo, mas não pelo delito do art. 131 do CP. O elemento subjetivo do tipo é o dolo direto de dano, acrescido do elemento subjetivo especial do tipo (especial fim de agir) com o fim de transmitir a outrem a moléstia grave. Não se admite o dolo eventual, já que o tipo exige expressamente que o agente queira transmitir a moléstia grave. Caso o agente apenas assuma o risco de transmitir a moléstia grave a outrem, responderá por tentativa de lesão corporal ou o crime do art. 132 do CP (perigo para a vida ou saúde de outrem). Ocorrendo a efetiva transmissão, responderá o agente por lesão corporal dolosa ou lesão corporal seguida de morte, dependendo do resultado que advir. Não se admite a modalidade culposa. Caso o agente transmita imprudentemente a moléstia grave, o crime será de lesão corporal culposa. A consumação se dá com a prática do ato capaz de transmitir a moléstia grave, não importa se houve o efetivo contágio (crime formal). Caso ocorra a transmissão da doença, implicando lesão leve, responderá o agente pelo crime do art. 131, ficando as lesões absorvidas. Caso resulte lesão grave ou gravíssima (art. 129, 1º e 2º, do CP), o agente responderá por lesão corporal grave ou gravíssima. Se resultar morte, responderá o agente por homicídio, se teve a intenção de matar. Caso não tivesse esse ânimo, responderá por lesão corporal seguida de morte (art. 129, 3º, do CP). Caso tenha agido com culpa, responderá por homicídio culposo. Em tese, cabe a tentativa quando o agente não consegue praticar a conduta que visa à transmissão de moléstia grave por circunstâncias alheias a sua vontade. a) É cabível o concurso de crimes caso o agente deseje causar uma epidemia. b) Trata se de crime de ação penal pública incondicionada. c) Não se trata de infração penal de menor potencial ofensivo (pena máxima supera dois anos), porém, nos termos do art. 89 da Lei nº 9.099/1995, admite a suspensão condicional do processo. PERIGO PARA A VIDA OU SAÚDE DE OUTREM Art Expor a vida ou a saúde de outrem a perigo direto e iminente: Pena detenção, de três meses a um ano, se o fato não constitui crime mais grave. Parágrafo único. A pena é aumentada de um sexto a um terço se a exposição da vida ou da saúde de outrem a perigo decorre do transporte de pessoas para a prestação de serviços em estabelecimentos de qualquer natureza, em desacordo com as normas legais. O objeto jurídico tutelado é a vida e a saúde da pessoa humana. Por se tratar de bem jurídico indisponível, o consentimento da vítima não exclui o delito. O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa (crime comum). O sujeito passivo também pode ser qualquer pessoa, mas exige se que ela seja determinada. Não se exige qualquer vinculação ou ligação jurídica entre autor e vítima. A conduta típica consiste em expor [colocar em perigo] a vida ou saúde de outrem a perigo direto e iminente. Esse delito pode ser comissivo ou omissivo, admitindo qualquer meio de execução (crime de ação livre). O perigo deve ser direto (atinge pessoa certa e determinada) e iminente (imediato), pois a possibilidade futura de perigo não caracteriza o delito em tela. O elemento subjetivo do tipo é o dolo de perigo, consistente na vontade livre e consciente de expor alguém a uma situação de perigo. Admite se tanto o dolo direto como o dolo eventual. O exemplo apontado pela doutrina é dos pais que, Testemunhas de Jeová, não autorizam a transfusão de sangue imediata e urgente para seu filho. Caso a intenção do agente seja de causar dano a alguém, responderá por outro delito (lesão corporal ou tentativa de homicídio). Não se admite a modalidade culposa. A consumação ocorre com a produção do perigo concreto. Caso resulte lesão corporal à vítima, responderá o agente por esse delito e não pela lesão. Se da conduta de expor a vida ou a saúde de outrem resultar morte, responderá o agente por 18

19 homicídio culposo. Não pode o agente responder por lesão corporal seguida de morte (art. 129, 3º, do CP), pois não age com dolo de dano, mas, sim, com dolo de perigo. A tentativa é admissível na modalidade comissiva desse delito. a) A simples conduta do patrão que não fornece os equipamentos de segurança a seus funcionários configura a contravenção penal prevista no art. 19 da Lei nº 8.213/1991. Mas se, em razão dessa conduta, sobrevier perigo concreto aos funcionários, estará configurado o delito previsto no art. 132 do CP. b) Esse delito é expressamente subsidiário, pois, conforme estabelece o art. 132 do CP, o agente só responderá por esse delito se o fato não constituir crime mais grave. A doutrina majoritária não admite o concurso formal por se tratar de delito subsidiário. Ainda que o agente, com uma só conduta, exponha várias pessoas à situação de perigo, haverá crime único. c) A Lei nº 9.777/1998 acrescentou um parágrafo único ao art. 132, estabelecendo que a pena será aumentada de um sexto a um terço se a exposição da vida ou da saúde de outrem a perigo decorre do transporte de pessoas para a prestação de serviços em estabelecimentos de qualquer natureza, em desacordo com normas legais. d) O art. 15 da Lei nº /2003 (Estatuto do Desarmamento) prevê o delito de disparo de arma de fogo que, por ser delito mais grave, tem primazia sobre o delito previsto no art. 132 do CP. e) Caso a exposição da vida ou saúde de outrem a perigo se dê por meio do uso de veículo automotor, deve se aplicar a Lei nº 9.503/1997 (Código de Trânsito Brasileiro), que trouxe vários delitos de perigo 310 e 311 e que ficarão absorvidos caso ocorra dano efetivo (lesões corporais ou homicídio culposo na condução de veículo automotor). f) Trata se de crime de ação penal pública incondicionada. Trata se de infração penal de menor potencial ofensivo de competência dos Juizados Especiais Criminais (Leis n os 9.099/1995 e /2001). ABANDONO DE INCAPAZ Art Abandonar pessoa que está sob seu cuidado, guarda, vigilância ou autoridade, e, por qualquer motivo, incapaz de defender se dos riscos resultantes do abandono: Pena detenção, de seis meses a três anos. 1º Se do abandono resulta lesão corporal de natureza grave: Pena reclusão, de um a cinco anos. 2º Se resulta a morte: Pena reclusão, de quatro a doze anos. Aumento de Pena 3º As penas cominadas neste artigo aumentam se de um terço: I se o abandono ocorre em lugar ermo; II se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, irmão, tutor ou curador da vítima; III se a vítima é maior de 60 (sessenta) anos. O objeto jurídico tutelado é a segurança da pessoa humana que não pode defender se. Protege se, portanto, a sua incolumidade física. O sujeito ativo é aquele que tem o dever de zelar pela vítima. Trata se, então, de crime próprio, pois só pode ser autor desse delito aquele que tem o dever de cuidado, guarda, vigilância ou autoridade em relação ao sujeito passivo. Este, por sua vez, é aquele que está sob os cuidados, guarda, vigilância ou autoridade do sujeito ativo. São sujeitos passivos todos aqueles que não podem defender se, por si mesmos. Protege se, inclusive, a incapacidade temporária (pessoa embriagada, deficiente físico ou mental etc.). A conduta típica consiste em abandonar (deixar sem assistência no local de costume). Esse crime pode ocorrer na modalidade comissiva e omissiva. De qualquer forma, exige se que da conduta resulte perigo concreto para a vítima. Não há crime quando o próprio assistido se afasta da pessoa que tem o dever de prestar lhe assistência. De acordo com Jesus (1998, v. 2, p. 164), cuidado é a assistência eventual (por exemplo, enfermeiro que cuida de um doente). Guarda é a assistência duradoura (tutor de um menor). Vigilância é a assistência acauteladora (o guia de uma escalada em relação ao esportista). Por fim, autoridade é o poder que uma pessoa exerce sobre outra, podendo a relação ser de direito público ou privado. na vontade livre e consciente de abandonar alguém, colocando o em situação de perigo efetivo. Não se admite a modalidade culposa. Caso o agente desconheça o seu dever de assistência para com o sujeito passivo, poderá ocorrer erro de tipo (art. 20 do CP), excluindo se o crime em tela. A consumação ocorre com o abandono do incapaz, causando lhe situação concreta de perigo. Ainda que o agente posteriormente retome sua posição de garantidor, o crime estará consumado. Trata se de crime instantâneo (consuma se em um dado momento) com efeitos permanentes. A tentativa é admitida na modalidade comissiva. a) Caso não haja especial relação de vinculação entre sujeito ativo e passivo pode restar configurado o delito de omissão de socorro (art. 135 do CP). b) Caso o agente deseje, com o abandono, ocultar desonra própria e a vítima seja recém nascido, o crime será o previsto no art. 134 do CP. c) A forma simples desse crime está prevista no caput do art. 133 do CP. As formas qualificadas encontram se previstas em seus 1º (quando resulta lesão corporal grave) e 2º (quando resulta morte). Na modalidade qualificada, o agente não 19

20 deseja o resultado, sendo lhe imputado a título de culpa (figuras preterdolosas). Caso o resultado não seja ao menos previsível ao agente, fica excluída a qualificadora. d) O 3º do art. 133 traz causas de aumento de pena: I) se o abandono ocorrer em local ermo (local habitual mente isolado). Caso o lugar esteja frequentado não incidirá o aumento de pena; II) se o agente é ascendente ou descendente, cônjuge, irmão, tutor ou curador da vítima (não se podendo incluir outros parentes, pois tal interpretação seria mais gravosa para o acusado); e III) se a vítima é maior de 60 anos (inovação trazida pela Lei nº /2003 Estatuto do Idoso). Essas duas últimas figuras de aumento de pena afastam as agravantes genéricas previstas no art. 61, II, e e h, do CP. e) A ação penal é pública incondicionada. Admite se, nos termos do art. 89 da Lei nº 9.099/1995, a suspensão condicional do processo quando a pena mínima abstratamente cominada for igual ou inferior a um ano. Exposição ou Abandono de Recém Nascido Art Expor ou abandonar recém nascido, para ocultar desonra própria: Pena detenção, de seis meses a dois anos. 1º Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave: Pena detenção, de um a três anos. 2º Se resulta a morte: Pena detenção, de dois a seis anos. O objeto jurídico tutelado é a vida e a saúde do recém nascido. Trata se de crime de perigo concreto. O sujeito ativo é a mãe adúltera que concebeu a criança fora do matrimônio ou o pai, visando a ocultar filho adulterino ou incestuoso (trata se de crime próprio). Sujeito passivo é o recém nascido. A conduta típica consiste em expor (remover a vítima para outro lugar, deixando a sem assistência) ou abandonar (deixar a vítima sem assistência no local de costume) recém nascido para ocultar desonra própria, surgindo para a vítima uma situação de perigo concreto. O elemento subjetivo do tipo é o dolo de perigo, consistente na vontade livre e consciente de expor ou abandonar o recém nascido, criando se uma situação de perigo concreto, com o especial fim de agir (elemento subjetivo do tipo especial) de ocultar desonra própria. Só haverá esse delito se o nascimento do infante for sigiloso, pois, se notório, não há que se falar em se ocultar um fato já conhecido. Se o dolo do agente for de dano, ou seja, caso o agente realize o abandono com o intuito de causa a morte do neonato, haverá o delito de infanticídio, se presente o estado puerperal, ou homicídio, se ausente este estado. Inexiste a modalidade culposa desse delito. A consumação ocorre com a efetiva exposição ou abandono do recém nascido, criando se uma situação concreta de perigo. Trata se de crime instantâneo de efeitos permanentes. Admite se a tentativa quando o delito for praticado na modalidade comissiva. a) A forma simples desse crime está prevista no caput do art. 134 do CP. As formas qualificadas encontram se previstas em seus 1º (quando resulta lesão corporal grave) e 2º (quando resulta morte). Na modalidade qualificada, o agente não deseja o resultado, sendo lhe imputado a título de culpa figuras preterdolosas. Caso o resultado não seja ao menos previsível ao agente, fica excluída a qualificadora. b) A ação penal é pública incondicionada. c) A forma simples desse delito constitui infração penal de menor potencial ofensivo (Leis n os 9.099/1995 e /2001). Admite se, nos termos do art. 89 da Lei nº 9.099/1995, a suspensão condicional do processo quando a pena mínima abstratamente cominada for igual ou inferior a um ano. OMISSÃO DE SOCORRO Art Deixar de prestar assistência, quando possível fazê lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo; ou não pedir, nesses casos, o socorro da autoridade pública: Pena detenção, de um a seis meses, ou multa. Parágrafo único. A pena é aumentada de metade, se da omissão resulta lesão corporal de natureza grave, e triplicada, se resulta a morte. O objeto jurídico tutelado é a vida e a saúde da pessoa humana. Em outras palavras, protege se a solidariedade entre os seres humanos. O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa, não se exigindo qualquer vínculo jurídico com a vítima. Já o sujeito passivo serão apenas aqueles elencados no art. 135 do CP: a) criança abandonada: é aquela que foi propositadamente deixada por seus responsáveis, ficando sujeita a sua própria sorte. Não se confunde com o crime de abandono de incapaz; b) criança extraviada: é a criança perdida; c) pessoa inválida: é aquela que não pode, por si própria, praticar atos inerentes à vida normal. É imprescindível que se encontre ao desamparo no momento da omissão; d) pessoa ferida: é aquela que sofreu lesões corporais. Também é imprescindível que se encontre ao desamparo no momento da omissão; e) pessoa em grave e iminente perigo: não se exige que a pessoa seja inválida ou esteja ferida, bastando que se encontre diante de uma situação de perigo grave e que esteja prestes a acontecer. Exemplo: pessoa pendurada em um abismo. Pouco importa se a vítima quer ou não ser socorrida, pois a 20

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