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1 opinião análise informação circulação interna 297 2C/C2/2CC1 > * A CUT e o FAT: apontamento para uma análise da atuação recente ^ Trabalho informal: origens e evolução * Mudanças no atendimento bancário * Balanço do ano 2000: um desastre para o meio rural * A dívida que nos governa * A pirataria do nome de domínio na Internet ^ Rumo à guerra biológica Custo unitário desta edição: R$ 2,50

2 QUINZENA N c de março pia internictonal de ^ Ni ão é de hoje para con- que mulheres lutam quistar uma socieda justiça social e liberseu marco histórico, Nova Iorque, em de com mais dade. Uma luta que tem como o ocorrido em 1857, quando operárias de uma tecelagem organizaram uma greve contra as péssimas condições de trabalho. Em resposta, os patrões fecharam as portas das fábricas e atearam fogo, matando 128 mulheres. Pouco antes da greve ser decidida as operárias estavam tingindo tecidos da cor lilás. Por esse motivo, o lilás foi adotado internacionalmente como a cor do movimento feminista. Em 1910, no I Congresso Internacional de Mulheres, acontecido em Copenhague, a socialista Clara Zetkin propôs que o dia do massacre destas trabalhadoras em Nova Iorque, 8 de março, passasse a ser celebrado como uma jornada internacional das mulheres. Muitas conquistas se fizeram desde então, mas ainda há muito que fazer. O Dia Internacional da Mulher é um dia de luta contra a discriminação e a violência, contra a exploração que atinge a toda classe trabalhadora, em especial às mulheres, que sofrem com salários ainda inferiores aos dos homens, acumulam dupla jornada de trabalho e têm seus direitos desrespeitados. As Mulheres Lutam por:? Não à violência contra as mulheres! S Fim de todas as formas de discriminação contra a mulher! $ í Ç ^ í Assistência integral à saúde da mulher! Legalização do aborto! Creche para todas as crianças! Salário igual para trabalho igual! Em defesa da proteção social à maternidade! ruktas Sobre o Lilás A cor LILÃS é a fusão do rosa e azul. Trazendo mais um motivo para ser um dos símbolos da luta das mulheres, pois o movimento das mulheres visa construir uma sociedade igualitária onde mlheres e homens tenham os mesmos direitos e que o sexo não seja um motivo para a existência da opressão e exploração.cj R$ 7,00 A venda no CPV ^ií5& Ak>x.mdr.i Kolontai A NOVA MULHER E A MORAL SEXUAL Este ensaio reúne dois trabalhos de Alexandra Kolontai: A nova Mulher e a Moral Sexual e O Amor na Sociedade Comunista....quando o proletariado triunfar totalmente e for de fato uma sociedade constituída,... desaparecerão sem deixar o menor rastro a desiguadade entre os sexos e todas as formas de dependência da mulher em relação ao homem. C u I N Z E N A Expediente O boletim C)UÍnzena é uma publicação do: iyis\ - Centro de Documentação e Pesquisa Vergueiro Rua São Domingos, Térreo - Bela Vista CEP São Paulo - SP Telefone (011) Fax (011) E.Mail: O objetivo do boletim é divulgar uma seleção de material informativo, analítico e opinativo, publicado na grande imprensa, partidária e alternativa e outras fontes importantes existentes nos movimentos. A proposta do boletim é ampliar a circulação dessas informações, facilitando o debate sobre as questões políticas em pauta na conjuntura. Caso você queira divulgar algum texto no Quinzena, basta nos enviar. Pedimos que se atenha a, no máximo, 8 laudas. Textos que ultrapassem este limite estarão sujeitos a cortes, por imposição de espaço Seleção e editoração do Boletim Quinzena: Equipe do CPV e Colaboradores Ilustração: Ohi "Sin sonrisa de mujer no hay obra completa de ombre."

3 Forma e conteúdo, no ago/2000 A CUT e o FAT: Traballiad re ento para uma análise da atuação recente (continuação) Políticas Públicas de Emprego e o FAT Entretanto, a história do Estado brasileiro nos mostra que se tem muito caminho a percorrer até a sua democratização, mesmo nos marcos da sociedade capitalista. A passagem de colônia de Portugal ao Império se deu sob o signo da escravidão, e tampouco os trabalhadores livres eram cidadãos. A própria República começa com uma ditadura militar e os poucos direitos conseguidos nos períodos democráticos são atenuados ou suprimidos pelas sucessivas ditaduras ( e ). A ditadura militar instalada a partir de 1 de abril de 1964, sufocou no nascedouro um projeto de reformas populares, que poderia democratizar o Estado. No período que se seguiu, foram suprimidas as liberdades individuais e coletivas. Sem opressão das organizações populares, perseguidas pelos militares, um Estado autoritário cresceu de forma assustadora, de forma a garantir os privilégios de banqueiros, industrias e latifundiários, além de formar uma nova elite política, capaz de barganhar estes privilégios. Devido a esta história, sobrevive no Brasil uma cultura autoritária, individualista, corporativa e corrupta, que impede a construção de um Estado democrático. Remover o "entulho autoritário", acumulado durante décadas, tem se transformado em tarefa fundamental dos movimentos sociais, os mais interessados em manter e ampliar a democracia. Porém a Constituição de 1988 abriu brechas que podem promover um avanço considerável para a democratização do Estado, no que diz respeito às políticas públicas, ao estabelecer a necessidade de conselhos, vinculados a estas políticas. Os conselhos são espaços públicos de elaboração, discussão, implementação e avaliação de políticas públicas. Os conselhos se proliferam e assumem diferentes formatos e papéis 12. Pode-se citar, ente outros: o conselho de desenvolvimento rural ligado ao PRONAF, o conselho da criança e do adolescente, o conselho da previdência, o da assistência social e as comissões estaduais e municipais de emprego. Os movimentos sociais têm defendido conselhos (cf. DIEESE, 1997; CUT, 1998d) que sejam l)permanente, não desaparecendo depois que o problema foi resolvido ou contornado (o caso das comissões municipais da seca, por exemplo); II) deliberativos, tendo poder de decisão sobre sua área de atuação e III) paritários, com o número de conselheiros que deve ser o mesmo para todos os setores que o compõem. Eles podem ser bipartites (trabalhadores e governo, por exemplo), tripartites (trabalhadores, governo e empresários) e multipartites (podendo incluir organizações não-governamentais, a igreja, etc). Embora os conselhos Antônio Almerico B. Lima' sejam importantes canais de intervenção nas políticas públicas, eles não são os únicos. Não se pode esquecer, também, que nos conselhos as soluções são negociadas (mas não consensuais). Isto quer dizer que existe disputa permanente entre projetos no seu interior, e, por isso a mobilização popular é fundamental. Os conselhos só serão eficazes na medida em que: a) atenderem aos anseios da população, mobilizadas para isso; b) os conselheiros representarem de fato suas entidades e c) sejam produzidas alternativas viáveis, dentro do campo de ação do conselho. O ideal, baseados em uma noção de desenvolvimento, seria uma integração e interdependência dos diversos conselhos, para que as ações se multipliquem. Com a crise econômico-social dos anos 90, os olhares tem se dirigido para as políticas públicas de emprego, não só pela sua importância social, mas também pela capacidade, em termos de recursos, dos fundos públicos (no caso, o Fundo de Amparo ao Trabalhador - FAT) em operacionalizar estas políticas. As políticas de emprego também são objeto de controvérsias a respeito de sua abrangência e eficácia. Barbosa e Mattoso (1998) trabalham com um conselho amplo, tentando abarcar os diferentes níveis de intervenção. Assim, as políticas podem ser especificamente voltadas para o emprego ou com impacto sobre o emprego. As primeiras podem ser caracterizadas como aitvas (criação de emprego público, redução da jornada de trabalho, subsídios à contratação do setor privado, oferta de crédito a micro empresas, formação profissional e intermediação de mãode-obra e passivas (seguro desemprego, aposentadoria antecipada e incentivo à permanência do jovem no sistema escolar). As políticas com impacto sobre o emprego poderiam ser de caráter I) macroeconômico (juros, câmbio, nível de gastos públicos, políticas industrial, comercial - externa e interna -, agrícola e agrária); II) estrutural (sistema de relações de trabalho, política tributária e fiscal) e III) de proteção social (saúde, previdência e assistência social) 13. No Brasil, um embrião de SPE: o SINE - Sistema Nacional de Emprego, foi criado em 1975 e ratificados na Constituição Federal de 1988, que define seu art. 22, inciso XVI que, "...compete privativamente à União legislar sobre:... Organização do Sistema Nacional de Emprego e condições para o exercício das profissões.'", o SINE deveria ser uma rede integrada de órgãos e entidades (no âmbito federal, estadual e municipal), destinada à prestação de serviços ao trabalhador com vistas à sua proteção e melhoria nas condições de acesso e permanência no mercado de trabalho. Mas, infelizmente não o é, devido ao seu vício de origem. Criado em plena ditadura militar, tem como característica marcante a pouca autonomia, pouca

4 transparência e poucas possibilidades de participação daqueles que são objeto de sua ação: os trabalhadores 14. O SINE nunca conseguiu ser capilar ou seja, chegar às pequenas cidades de todo o Brasil, apenas se instalando nas capitais e nas cidades grandes e médias, através de Postos de Atendimento ao Trabalhador (PAT's). Também nunca conseguiu ser eficaz, articulando as políticas de emprego, pois estas, na maioria das vezes, estão a sabor dos mandos e desmandos das equipes econômicas ou participação democrática 15. A principal fonte de financiamento das ações que embasam as políticas públicas de emprego é o Fundo de Amparo ao Trabalhador. O FAT é um fundo contábil, de natureza financeira, vinculada ao Ministro do Trabalho, destinado ao custeio do Programa do Seguro-desemprego, ao pagamento do Abono Salarial e ao financiamento de programas de desenvolvimento econômico. Sua criação está prevista no Art. 201, inciso IV e art. 23 da Constituição Federal de A Lei n /90 o instituiu- para custeio do programa Segurodesemprego e Abono Salarial, e financiamento de programas de desenvolvimento, mas as leis n /90, 8.458/92 e /94, ampliaram o seu raio de atuação. O FAT é custeado pela sociedade: arrecadação do PIS/ PASEP; remuneração dos empréstimos a bancos; remuneração de depósitos especiais; remuneração e saldos remanescentes do pagamento Seguro-desemprego e Abono Salarial; e pela parcela de 20% do Imposto Sindical, descontada dos trabalhadores anualmente. Deste montante, 60% são aplicados ao Sistema Público de Emprego, enquanto que o restante vai para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDES), para financiar programas especiais ligados à geração de renda. Os recursos destinados ao SPE são geridos pelo Conselho Deliberativo do FAT (CODEFAT), composto de 12 membros, sendo trabalhadores (as Centrais Sindicais CUT, Força Sindical, CGT e SDS), empregadores e governo com quatro representantes cada. A representação tripartite se verifica (com outros integrantes) nas comissões estaduais e municipais de emprego. A participação da sociedade, em particular dos trabalhadores, tem conseguido fazer do CODEFAT um poderoso instrumento de elaboração de políticas de emprego, sendo que diversos programas foram criados e estão constantemente fiscalizados pelo CODEFAT, sempre na perspectiva de fortalecer o SPE. As diretrizes políticas que norteiam as ações dos Programas finaciados pelo FAT são a descentralização, a participação e a parceria. A administração dos trabalhadores e empregadores na sua gestão, de acordo com o que estabelece a Constituição Federal em seu art. 10: "É assegurada a participação dos trabalhadores e empregadores nos colegiados dos órgãos públicos em que seus interesses profissionais ou previdenciários sejam objetos de discussão e deliberação." Já a descentralização e parcerias são fundamentais para que as ações do SPE consigam, de fato chegar a todas as cidades, porque a promoção de emprego, de melhores condições de vida, da superação da pobreza e da busca do desenvolvimento exigem a cooperação e integração de esforços entre as diversas esferas do poder e a participação Traballiaclcres decisiva da sociedade. A diretriz da descentralização permite a criação das comissões estaduais e municipais de emprego e da parceria que garante a execução de programas de qualificação profissional através de ONG's, sindicatos e outras entidades da sociedade civil. Os principais programas financiados pelo FAT, e que constituem ações do SPE são: Informações sobre o Mercado de trabalho Um conjunto de informações sobre emprego e desemprego que permitam fazer diagnósticos sobre a situação e que oriente as ações das políticas de emprego, adequando-as à realidade regional e local 16. Seguro-desemprego Instituído no Brasil, a partir de 1986, proposto pelo movimento sindical e após longa polêmica, o seguro-desemprego é um benefício temporário concedido a trabalhadores desempregados, que possibilita ações integradas de orientação, e recolocação e qualificação profissional. Embora seja uma conquista, deve-se ressaltar que este benefício só atinge os trabalhadores do mercado formal de trabalo (carteira assinada) 17, quando mais da metade dos trabalhadores (inclusive a imensa maioria dos trabalhadores rurais) estão no mercado informal. Intermediação da mão-de-obra O papel da intermediação é cadastrar o trabalhador (a oferta de mão-de-obra) e as vagas oferecidas pelas empresas (a procura ou demanda do mercado de trabalho) e, cruzando informações, indicar ao trabalhador as opções mais adequadas a seu perfil. Ou ainda, identificando que as empresas querem um trabalhador cujo perfil que não existe, indicar cursos ou treinamentos que possam qualificá-lo para aquela função 18. Qualificação profissional O programa de qualificação profissional é entendido como a promoção de ações com o objetivo de proporcionar ao trabalhador a aquisição de conhecimentos básicos, específicos e/ou de gestão que facilitem o processo de entrada no mercado de trabalho. O responsável pela execução da política pública de qualificação profissional tem sido a Secretaria de Formação Profissional do Ministério do Trabalho (agora Trabalho e Emprego, a SEFOR/MTE). Entretanto esta política tem interfaces com as políticas educacionais envolvendo o ensino médio e profissional regulares (2 o grau profissionalizante. Escolas técnicas, Agrotécnicas, etc.) que são atribuições do Ministério da Educação(MEC). O CODEFAT discute anualmente a quantidade de recursos a serem utilizados em qualificação profissional e os critérios referentes a esta utilização 19. Geração de Emprego e Renda (PROGER) O PROGER tem por finalidade a promoção de ações que gerem emprego e renda, mediante concessão de linhas especiais de crédito a setores normalmente com pouco ou nenhum acesso ao sistema financeiro, como pequenas e micro empresas, cooperativas e formas associativas de produção, além de iniciativa de produção próprias de economia informal (com vistas a prepará-las para a formalização) 20. Os recursos do PROGER e do PROGER RURAL destinam-se.

5 basicamente aos seguintes tipos de ocupação: I) trabalhadores que estão produzindo bens ou serviços de maneira informal, em pequenos negócios familiares, com possibilidade de ingressar no setor formal da economia; 11) pessoas que possuem micro ou pequenas empresas que tenham capacidade de crescimento e aumentar a renda e o número de funcionários; III) trabalhadores que fazem parte de cooperativas e associações de produção formadas por mini e pequenos produtores ou de atividades agrícola de base familiar, interessadas em adquirir recursos para investimento ou para custeio agrícola e pecuário 21, 22. Para acompanhar estes programas de forma descentralizada o CODEFAT orientou a criação de comissões Estaduais e Municipais de Emprego, que são conselhos permanentes, paritários e deliberativos, instituídos nos estados e municípios, e homologadas pelo CODEFAT, com o objetivo de elaborar, propor, acompanhar e avaliar políticas públicas de emprego, particularmente as financiadas com recursos do FAT, que atuam no âmbito estadual e municipal, respectivamente. Por serem permanentes, eles não podem ser mudados a cada governo. Já o fato de serem tripartites e paritárias, garante a presença da sociedade no processo de elaboração e avaliação de políticas públicas. A CUT e o FAT A emergência das questões envolvendo trabalho, emprego e educação não tem passado desapercebida aos diversos agentes (estado, empresariado, movimento sindical), principalmente pela urgência quanto à elaboração de estratégias eficazes de qualificação e/ou requalificação profissionais, segundo seus interesses. Estas necessidades se tomam mais prementes quando as centrais sindicais, tradicionalmente polarizadas entre a adesão/subordinação à políticas governamentais e recusa/construção de políticas autônomas, alteram substancialmente a sua atuação. Papéis se modificam rapidamente e alianças, antes consideradas impensáveis, se concretizam, tornando necessário um importante esforço analítico para apreensão de uma realidade tão dinâmica. Estes elementos, somados às modificações na esfera política e econômica, à fragilidade das centrais sindicais e suas entidades filiadas e à sobrevivência do modelo corporativista de organização sindical, têm enfraquecido o poder de fogo do sindicalismo brasileiro. Tal debilidade estaria motivando uma mudança acentuada nos padrões de atuação do movimento sindical na virada da década de 90, particularmente naquelas organizações que balizavam sua ação em mobilizações massivas, cuja meta era a conquista de acordos coletivos vantajosos. Também parece evidente que as estratégias sindicais de ação coletiva têm se mostrado pouco eficazes no contexto da reestruturação produtiva, principalmente com as disputas se acirrando no chão da fábrica. Assim, atores importantes, na medida em que vislumbram o seu alijamento ou retirada de cena, tentam reelaborar o roteiro, tanto na narrativa, quanto no caráter e extensão do Traballiadcres seu papel, de modo a permanecer um personagem sempre novo e sempre em cena (cf. Sader, 1998). Em outras palavras, o movimento sindical, ao colocar em sua agenda novas questões 23 (das quais a qualificação profissional é um exemplo), não estaria aceitando, passivamente, o seu alijamento do processo: antes, estaria redefinindo suas relações com os "outros" (Estado e empresariado) e, desta forma, a sua própria identidade. Buscase, desta forma atingir um maior número de trabalhadores, incluindo setores desorganizados. Trata-se, pois, de recuperar a representatividade, com a inclusão de novos sujeitos, e de reelaborar o projeto político - seus pressupostos e sua agenda - para que nele caibam os interesses dos novos representados. Por outro lado, trata-se de travar o confronto no campo "inimigo", ou seja, na esfera do Estado, o que não pode se dar de maneira tradicional, nem está isento de tensão. Neste sentido, pode-se exprimir o processo como um avanço em direção a uma concepção não estatista, ou seja, de valorização da sociedade civil em detrimento do Estado. Ganha espaço na prática sindical os conceitos de hegemonia e guerra de posição, ao mesmo tempo em que minguam os de revolução e guerra de movimento. Não se pode afirmar, entretanto, que este percurso sela totalmente virtuoso ou que inexistam ilusões quanto aos limites da democracia em um estado-nação capitalista periférico. Também não podemos negar que a ocupação de espaços no aparelho de Estado passou a ser, para alguns, a estratégia principal, em tempos de descenso da mobilização das massas trabalhadoras. O que queremos ressaltar, entretanto, que surge uma terceira via, entre o dogmatismo da extrema esquerda e o pragmatismo do que Rodrigues (1997) chama (indiscriminadamente) de "esquerda contratual" 24, 25. O movimento sindical tem participado ativamente das discussões envolvendo as políticas públicas de emprego, porém com atuação muitas vezes calcadas em doses elevadas de pragmatismo. Teve peso considerável, também, a disputa das diversas centrais sindicais pela hegemonia no sindicalismo brasileiro, que inclui a busca de legitimidade frente à sociedade e ao Estado. Aqui, visões diferentes da importância de um ou outro espaço social irão definir prioridades de atuação 26, que implicam, inclusive, na sobrevivência da organização. Olhares menos atentos identificariam a ação sindical em relação ao FAT (com destaque para a qualificação profissional) como resumida à disputa de recursos públicos, numa ótica neocorporativista. As principais críticas a esta ação a caracterizam como: I) limitada a espaços tripartites e à negociação coletiva nestes espaços; II) centrada à execução de curso no âmbito do PLANFOR e mais recentemente na implantação de centros de intermediação; III) a aceitação de uma nova institucionalidade trabalho-educação, sob a hegemonia do binômio Estado-empresariado e IV) submetido à lógica de formação para o mercado (Tumolo, 1999; cf. Fidalgo, 1999). Entretanto estas análises, apesar de levantarem importantes elementos, pecam pela generalização e, algumas vezes, por tomar a aparência pela essência. Para fugir da avaliação meramente ideológica, elas deveriam se debruçar, também, na análise do papel e das ações dos demais atores (diversos aparelhos de Estado e o empresariado), de modo a construir uma apreensão totalizante do processo (Lima, ).

6 Insiste-se como em outros trabalhos 28, que tendencialmente se delineiam: a) a afirmação de uma concepção de Central Sindical (seus princípios, papéis, prioridades e ações), por sua vez vinculada a uma concepção de Estado e de sociedade, que, mesmo se diferenciando das concepções correntes nos anos 80 e contenções entre o seu discurso e sua prática, está muito distante do "sindicalismo de resultados" (heterônimo frente ao Estado e ao empresariado neocorporativo), continuando a representar o "sindicalismo classista" (autônomo e cidadão 29 ); b) a demanda por recursos públicos, particularmente do Fundo de Amparo do Trabalhados (FAT), paralela ao estabelecimento de processos negociais envolvendo qualificação profissional, ligados à resposta inicial para a reestruturação produtiva. c) A criação e manutenção de cursos profissionais, de caráter técnico, desenvolvida por entidades externas ao sindicato, por vezes cabendo a este a transmissão de conhecimento ligados à cidadania versos a elaboração, execução e manutenção de experiências de educação profissional autônomas, baseadas em uma concepção de qualificação que envolve formação básica, técnica e social, além de mobilização e organização de trabalhadores (em particular de desempregados); d) Como resultado destas experiências, estabelecimentos de processos relativamente articulados de formação de trabalhadores (com e sem elevação de escolaridade), de educadores e conselheiros de políticas públicas de emprego combinado a uma aproximação recente com a academia e ao processo de disputa de conceitos e modelos de organização da educação profissional; e) Nas ações coletivas, deslocamentos das ações do local de trabalho (trabalhadores empregados) para a cidade, envolvendo desempregados, trabalhadores informais e outras categorias não organizadas; f) Nas negociações coletivas, deslocamento progressivo do eixo da discussão do eixo da produção para o campo do Estado e para o campo da educação, em detrimento dos aspectos relacionados com o processo de trabalho e a disputa hegemônica no chão da empresa; g) Nas dimensões pedagógicas, questionamentos da desvinculação entre diversas dimensões da educação (básica, profissional e político-sindical) e tensão entre estas três dimensões e entre os processos metodológicos até então seguidos no âmbito da formação sindical (Manfredi, 1999b e Veras, 2000); h) Como síntese a formulação de um embrião de política nacional cutista de qualificação profissional, entendida como orientações gerais para a realização de experiências em qualificação profissional geridas pelos sindicatos; i) A demanda, cada vez mais intensa de formulação de um Sistema Público de Emprego (SPE) na perspectiva do trabalhadores, caracterizado pelo controle da sociedade sobre as políticas e pela integração e sinergia entre as diversas políticas. Ao mesmo tempo, no âmbito da CUT, a necessidade de superar a fragmentação no sentido de atuações homogêneas, tanto para o conjunto destas políticas quanto Tralicilliaflcres para cada uma delas separadamente, nos diferentes espaços (nacional, estadual e municipal). A questão da manutenção da autonomia do movimento sindical frente ao Estado, diante de ações cada vez mais ampliadas em espaços tripartite e multipartite, aparece com muita força a tensão entre o público e o privado. Como atuar nestes espaços, contribuindo para a expansão da esfera pública, com a defesa do controle social das políticas públicas e não para a sua apropriação privada, pelas corporações, sejam elas empresariais ou sindicais? A título de exemplo, serão destacadas duas situações, numa das quais a CUT se comporta como gestora do FAT e na outra como executora de atividades financiadas pelo Fundo (apud Lima, 2000). No primeiro caso, verifica-se o descompasso entre a representação nacional e as estaduais e entre estas e as municipais correspondentes, explicitado por: um forte investimento na "capacitação de conselheiros", mas ainda aquém das necessidades tanto em relação à demanda numérica quanto no aprofundamento de determinados temas; tentativas descontinuadas de articulação entre os conselheiros estaduais; demandas não satisfeitas de comunicação rápida e eficiente entre os conselheiros; pouco investimento das CUTs da maioria dos estados nas possibilidades de articulação dos conselheiros municipais; concentração do debate na qualificação profissional, em detrimento da intervenção nas demais políticas públicas de emprego, principalmente quanto ao caráter físcalizador da comissão. Constata-se que, com toda esta intervenção, a maioria das comissões (estaduais e municipais) não se consolidaram ou não se ampliaram significativamente o seu raio de ação 30 e que as deliberações do CODEFAT são constantemente revistas (ou, no caso orçamentário, simplesmente ignoradas), ao bel prazer do governo. O estabelecimento de um sistema nacional de comunicação entre os conselheiros, ágil e eficiente, provavelmente minimizaria alguns dos efeitos citados, mas parece insuficiente para resolver o problema. A questão da demanda uma urgente reflexão sobre as possibilidades e limites do tripartismo, submetido à cultura autoritária de prefeitos, secretários estaduais e ministros e à burocracia arrogante de funcionários graduados destas esfera. Tal reflexão deve contemplar também uma reavaliação do papel do representante, que, na maioria das vezes apenas legitima o processo, seja por uma intervenção qualificada, seja pela postura neocorporativa de defesa exclusiva dos interesses da entidade sindical 31. Como executora do PLANFOR, enquanto muitas experiências cutistas tensionem a concepção de qualificação profissional (e, em conseqüência os objetivos, conteúdos e métodos) hegemônica do Ministério do Trabalho, elas se dão num marco estreito e, deste modo, estão submetidas a uma lógica própria: número e tipo de atividades a serem executadas, prazos, prestação de contas, etc. do mesmo modo, embora as experiências nacionais da CUT no âmbito do PLANFOR

7 assumam características radicalmente diferentes das tradicionais, ainda não foi elaborada uma crítica coletiva e consistente ao modelo que se gesta para a qualificação profissional no Brasil, para além das repetidas críticas ao "modelo de adestramento do Sistema S" (que aliás se recicla rapidamente). Cada vez mais é necessário se posicionar quanto às seguintes tensões fundamentais: a dualidade verificada na educação formal, desvinculando a educação profissional da educação básica; a vinculação à aprovação de projetos à existência de outors recursos, para além do FAT, o que praticamente eliminaria sindicatos e ONGs do processo de execução do PLANFOR; a limitação da "população alvo" àquela definida como prioritária para a ação governamental (desempregados, jovens, empreendedores, autônomos), excluindo alguns setores (p.e. os trabalhadores de mais de 40 anos), o que vem contribuindo para que o SPE financie as políticas de governo para esta população (p.e. as ações da Comunidade Solidária, serviço civil voluntário, etc); a questão dos recursos alocados nos Planos Estaduais de Qualificação (PEQs), na perspectiva da criação de critérios de distribuição mais transparente e adequados; a recusa de estabelecer o nível nacional do PLANFOR (as "Parcerias") como mero executor da política de educação profissional da SEFOR, limitando o percentual a ser aplicado no chamado "avanço conceituai" (que se expressava em projetos de desenvolvimento metodológico) 32 ; em resumo, ações imediatas e concretas no sentido de impedir a limitação do caráter público e plural do PLANFOR, através do enquadramento das ações na concepção hegemônica de educação profissional. Partese do pressuposto de que não há, para o governo, mais necessidade de desenvolver metodologias, pois as que já existem são suficientes. O passo seguinte é estabelecer quais são essas metodologias e enquadrar as entidades executoras. Deste modo fica seriamente comprometida, se não limitada, uma das características mais interessantes e positivas do PLANFOR: "o chamado avanço conceituai". Sem ele o pluralismo acaba e o debate sobre o caráter e o modelo da educação profissional no Brasil muda de patamar, pois não se trata mais de construir, mas de implantar um modelo, definido a partir de cima, sem discussão com a sociedade. Em consonância com a ação do MEC, pavimenta-se a estrada para a adoção de um modelo nacional de educação profissional, baseado nas concepções empresariais e fundamentalmente privado, a ser instalado com recursos público. Isto é um forte golpe na estratégia da CUT de desenvolver metodologias no sentido de acumular experiências visando uma disputa pela hegemonia no campo da qualificação profissional 33. Na contramão do exposto anteriormente, elaborou-se a proposta da criação de Centros Públicos de Qualificação profissional, na busca de soluções que ampliem o espaço público, concebido além da estrutura fisica. Embora diversas experiências estejam em curso (São Paulo, Rio de Janeiro e lr<ih<illi<hl4 n k s Minas Gerais, são as mais visíveis), a discussão é muito insipiente e não tem tido prioridade na agenda sindical. Na CUT, a polêmica é se este centro deve estar ou não sob o controle exclusivo da central (como o Centro de Solidariedade, da Força Sindical) e se deve agrupar ou não todas as políticas públicas de emprego (em particular a intermediação e o seguro-desemprego), de modo a não substituir o Sistema Nacional de Emprego (SINE). Este debate é mais um sintoma da falta de uma visão sistêmica que impede uma intervenção mais conseqüente e coerente no conjunto das políticas públicas 34. Algumas Pistas Os terrenos de disputa hegemônica no campo do Estado têm apresentado, para os movimentos sociais, grandes desafios. Afinal de contas, são terrenos desconhecidos e "pantanosos", onde são testados princípios, convicções e o próprio projeto dos movimentos. Sem dúvida, adentrar no campo do Estado pressupõe tanto firmeza de princípios, quanto clareza de objetivos, além da técnica que permitam o livre trânsito, minimizando os acidentes de percurso. A ausência de um destes itens pode levar à cooptação, à utilização e a um investimento sem retomo de preciosos recursos materiais e da inteligência e tempo das pessoas. A experiência recente da CUT vem revelando uma situação de "fio de navalha", em que são tensionadas concepções ainda não apropriados. O autor reitera a sua posição de que a participação nos espaços públicos é uma conquista que deve ser reforçada por uma sólida política de atuação e acompanhamento das ações. Como contribuição a esta política sugere-se: a construção de visão e estratégia sistêmica em todos os campos, dimensões e espaços em que as políticas públicas de emprego estão relacionadas; a atuação equilibrada nos diversos campos, corrigindo os deslocamentos e distorções, em particular quanto ao local de trabalho e à educação, caracterizada pelo tensionamento das instituições e alargamento dos espaços públicos; o debate amplo e profundo sobre as questões que envolvem a concepção de Estado e a construção de um sistema público de emprego, inclusive envolvendo as experiências internacionais; constituição de espaço de debates e formação sobre Sindicato, Estado e sociedade; melhor precisão quanto à relação com outros agentes sociais, com a construção de uma política de alianças os setores populares e que fortaleçam o campo do público, inclusive com o detalhamento de propostas democratizantes (gestão do sistema S, centros públicos); não limitar a atuação da central aos "projetos", nem permitir o aprofundamento da dependência financeira, trabalhando no sentido do Estado (prefeituras, por exemplo) assumir a execução das políticas públicas de emprego; estabelecer uma política de acompanhamento e formação dos representantes da CUT em todos os espaços, bem como um fórum de debate das questões relacionadas com políticas de emprego; Jose Marti

8 debater os limites e as contradições entre os papéis de representação da sociedade no espaço público (gestão) e de execução das políticas de emprego. Evidentemente, as propostas acima serão inócuas se o conjunto da CUT não perceber a importância destas questões para o futuro da central enquanto representação classista dos trabalhadores brasileiros. Assim, se faz necessária a discussão permanente destes temas, sob o risco de se perder a riqueza das experiências, bem como um dos mais importantes princípios do movimento sindical: a autonomia.o Notas * Educador Popular e Professor da Faculdade de Educação da UFBA. Mestre e Doutorando em Educação. I2-Estes formatos e papéis foram definidos pela correlação de forças estabelecida entre os grupos interessados na política pública, mas tem sofrido alterações, determinadas pela capacidade de intervenção, mobilização e pressão de cada grupo, bem como pelo interesses dos sucessivos governos de promover as políticas e a participação destes grupos nas decisões concernentes a ela. 13-Pochman (1994) distingue, entretanto, as políticas de emprego como ativas (que geram, de fato emprego) e compensatórias (que atenuam a situação do desemprego ou contribui para a reentrada no mercado de trabalho). Esta distinção, na verdade um aspecto do debate entre as visões estruturalista (que afirmam que o desemprego deve ser combatido com medidas predominantemente de caráter estrutural e macroeconômicas) e liberal (centrada na perspectiva do mercado como regulador do emprego), parece necessária como um alerta à generalização da noção de empregabilidade, difundida pelo governo FHC, como a base das ações em qualificação profissional. A idéia da integração destas políticas (ou algumas delas), não é nova A Organização Internacional do Trabalho (OIT), desde 1950 reconhece este direito através da Convenção 88. Esta Convenção recomenda ainda que os países organtem Sistemas Públicos de Emprego (SPE), instrumentos para garantir o direito ao emprego, deforma ampla, como um elo central que unifique as políticas públicas de um Estado voltado para o bem estar social. 14-Os próprios funcionários do SINE passam por dificuldades: baixo salários, capacitação deficiente, condições de trabalho precárias. 15-Com a ascensão das posições neoliberais, não tem interessado ao governo aperfeiçoar ou revitalizar o SINE. Ao contrário, o esvaziamento crescente, com a absorção de suas funções por outros órgãos e entidades da sociedade civil, leva a crer que a sua extinção pura e simples, é apenas questão de tempo. 16- Nesta rubrica está incluída a realtação das pesquisas de emprego e desemprego (PED). 17- Em 1991, os pescadores artesanais também passaram a receber o segwo-desemprego, durante osperídos de proibição de pesca 18- A intermediação da mão-de-obra é considerada um dos elos mais fracos do embrionário Sistema Público de Emprego do Brasil, pois o sistema intermedia apenas 2% dos trabalhadores que o demandam... Esta debilidade tem dado argumentos aos governos para defender a terceirtação da intermediação, ou seja, trasnferir a responsabilidade do Estado para a esfera privada, no caso os executores do Plano Nacional de Formação Profissional (PLANFOR). As posições assumidas pelos movimentos sociais são no sentido de fortalecer o SPE, reestru-turando-o de modo a atender à demanda dos trabalhadores e nesta medida, as iniciativas do movimento sindical devem ter o caráter de experiências onde sejam testadas concepções, metodologias, formas de gestão, etc. 19- Baseada nos critérios, a SEFOR estabelece convênios com as Se- Traballiaderes cretarias de Trabalho dos Estado (Planos Estaduais de Qualificação - PEQ's), e, em nível nacional, com instituições (Universidades, ONG's, Centrais Sindicais, Fundações, etc.) para executarem cursos e outras atividades formativas no campo da educação profissional em execução, verifica-se quase sempre um afastamento da educação básica e de educação formal: U) os recursos às vezes são desperdiçados em cursos de curta duração, que não profissionalizam ninguém; iii) o discurso de que a qualificação é garantia de emprego, quando na verdade, ela só melhora (dependendo da qualificação) as condições de reentrada no mercado de trabalho; iv) muitos dos cursos reproduzem uma educação fragmentada, com o centro na técnica; v) não são consultados os representantes dos trabalhadores, de modo que os conteúdos expressem a real necessidade dos educandos; vi) os métodos ainda são autoritários, baseados numa concepção de educação bancária, onde o trabalhador apenas recebe o conhecimento. 20-Os trabalhadores, sobretudo do campo, sempre defenderam a existência de linhas de crédito especiais, com juros baixos, que financiem pequenos empreendimentos. Eles formam aparecendo aos poucos, quase sempre devido a pressão feita pelos próprios trabalhadores. Estas linhas, aliados a outras ações, constituem os programas de geração de empregos e renda (GER) PRONAF, instituído em 1995, éfruto de muita luta: foram os trabalhadores rurais, através do Grito da Terra Brasil que conseguiram implantar este programa destinado a apoiar a agricultura familiar, a grande produtora de alimentos básicos do Brasil. A bancada dos trabalhadores no CODEFAT, particularmente a da CUT, tem lutado para aumentar a quantia aplicada na geração de emprego e renda para R$ 10 bilhões. 22-Os agentes financeiros do PROGER são: Banco do Brasil (BB), Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Caixa Econômica Federal(CEF), Financiadora de Estudos e Projetos (FNEP). Infelizmente, estes muitos agentes muitas vezes se sentem "donos da bola" e causam dificuldades à execução do programa, repetindo os mesmos problemas verificados nos bancos privados e nas linhas de crédito normais. Podemos citar: o péssimo atendimento ao trabalhador, a exigência de garantias "reais", burocracia e demora, clientelismo, atendimento a projetos que não geram emprego, não atendimento a projetos que os gerentes não "gostam", discriminação política, falta de bancários para processarem os pedidos, falta de interesse do bando de operar tais linhas de crédito (caso do Banco do Brasil), desrespeito às determinações das comissões estaduais e municipais de emprego. Outro problema é a falta de integração do PROGER com outros programas do Sistema Público de Emprego. No caso, a concessão do crédito deveria ser acompanhada de capacitação técnico-gerencial, qualificação profissional e assistência técnica, mas isto raramente acontece, sobretudo no interior do país. Uma fiscalização intensa que garanta o objetivo do PROGER de "estimular a geração de emprego e renda, mediante criação de novas unidades produtivas e fomento às unidades já existentes", ainda éprecária e existem muitas denúncias e dúvidas quanto a eficiência na aplicação dos recursos. 23-Algumas destas questões são, sem dúvida, propostas pelo Estado e pelo empresariado, mas o movimento sindical tem sabido incluir elementos de sua própria agenda. 24-Na opinião do autor, Rodrigues comete um erro ao atribuir à corrente majoritária na CUT, a Articulação Sindical, uma homogeneidade de concepção e de estratégia Esta corrente, que sem dúvida, tem uma enorme contribuição teórica e às ações práticas da CUT, apresenta tensões desde a 6 a Plenária (1993), que vão se revelar mais fortes no 6 o Congresso (1997). As questões de fundo, relacionadas com a estratégia e à prática sindical, ficam encobertas sob a forma aparente de disputa entre corporações. Entretanto, há que se concor-

9 Traballiadores dar com as críticas dos autores ciados, em pelo menos dois pontos cruciais, em que há estagnação na elaboração e na prática da CUT: organização no local de trabalho e ruptura com o atrelamento sindical ao Estado. Ao mesmo tempo, acrescentaria a relação com o movimento popular, como questão necessária a ser desenvolvida pela CUT, na perspectiva de avançar em direção da terceira via 25-A conquista acelerada do novos sindicatos para o campo da CUT, também colocou outros desafios, também relacionados à concepção de Estado. Tornava-se preciso conviver com uma estrutura híbrida: de um lado a estrutura autônoma (CUT nacional, estaduais e regionais; departamentos), e de outra a estrutura atrelada ao Estado (sindicatos e federações). Esta tensão entre a necessidade de superar os limites da estrutura oficial e a necessidade de conquista e manutenção das máquinas sindicais, convivia com outro problema: a (re)produção de práticas sindicais antidemocráticas e burocrattadas. 26 -A Força Sindical (FS), a Central Geral dos Trabalhadores (CGT) e a Social Democracia Sindical (SDS) têm caractertado uma atuação por uma supervalortação da relação com o Estado, em detrimento da sociedade. A perda de autonomia e a dependência de recursos públicos aparecem como os principais elementos dessa relação. Já a Central Única do Trabalhadores (CUT), que historicamente tem privilegiado as ações na sociedade, transitou da negação do Estado à ocupação dos espaços que se ofereciam. Em questão polêmica e ainda em discussão no interior da Central, tem marcado as divergências, inclusive no interior da corrente majoritária da CUT. Para uma reconstrução breve da história da relação da CUT com o Estado e para uma abordagem destas divergências, ver Lima (1999a). 27- "Deste modo, o percurso a ser seguido não seria o de construir um modelo ideal e compará-lo com a realidade, atribuindo juízos de valor dependendo da aproximação e afastamento de determinadas características^ do conjunto delasjdo modelo. Ao contrário, imaginase que, se um modelo é necessário ao entendimento de um processo social, ele deve ser dinâmico na sua essência e deve ser construído a partir do estudo das múltiplas dimensões das diversas experiências concretas. Em outras palavras, o modelo, pensado como referêncianunca como guia ou padrão-deve-se adaptar à realidade e não o contrário. Estas afirmações se referem tanto ao processo de análise (geralmente conduzida por intelectuais externos ou orgânicosjquanto às ação concretas(conduzidas pelo movimento sindical) " Lima Lima(1999 e2000). 29-Utilta-se este termo no sentido gramsciano de cidadania, a ser construída mesmo durante a luta contra o capitalismo, como condição, inclusive, para o estabelecimento de uma verdadeira democra- cia socialista 30-Ao contrário, as comissões estaduais parecem ter perdido espaço e poder de intervenção. 31-Quanto a este aspecto parece ser muito relevante a confusão entre "representante dos trabalhadores" e "representante de executora", papéis desempenhados muitas vezes pela mesma pessoa. Outra questão é a contradição entre a defesa da ampliação dos recursos atribuídos à qualificação, na esfera nacional, em detrimento dos estados, supostamente por favorecer a negociação para as centrais. Além do balanço resultante ser questionável, esta defesa é claramente contraditória com a bandeira da democratização, descentralização e ampliação do espaço público defendida pelas centrais sindicais, especialmente a CUT. 32- Do ponto de vista operacional, a ação do governo se expressou na mudança: a) do caráter das parcerias. Se até elas eram prioritariamente, voltadas para o desenvolvimento metodológico e para projetos especiais (dos quais eram citados, entre outras opções: formação de formadores, capacitação de conselheiros, desenvolvimentos, produção, experimentação e avaliação de metodologias), agora o foco são as "ações em qualificação profissional"; b)no estrangulamento dos projetos especiais nos PEQs, limitando-os ai) supervisão (feitopela secretaria); II) avaliação externa e acompanhamento de egressos (geralmente feita por uma universidade); III) avaliação de cadastro de entidades e avaliação da oferta deep no estado (também geralmente feita por uma universidade). Depois de atendidos estes três projetos obrigatórios, se sobrarem recursos, poderão ser feitos estudos "prospectivos da demanda de trabalho e qualificação profissional". Isto significa o fim dos cursos deformação de formadores e de capacitação de conselheiros estaduais, um dos alvos de atuação das CUTi em c) Os projetos especiais de desenvolvimento metodológico nas parcerias (onde se localàam os projetos das centrais), forma limitados, sendo estabelecidos 96% dos recursos para a execução e apenas 4% dos recursos para os projetos especiais. 33-Entretanto, ao invés do conforto, as centrais preferiram rever os projetos elaborados para 2000, do modo a mantendo a essência, adaptá-los à nova configuração exigida Em outras palavras, a disputa da hegemonia parece ter sido substituída pela estratégia de constituição de espaços próprios, característica da postura neocorporativa 34- No mesmo contexto está a questão da certificação, que tem sido tratada separadamente das discussões sobre qualificação. Do mesmo modo, outras ações dispersas relacionadas à questão precisam ser integradas, por exemplo, a atuação no Programa Brasileiro de Qualidade e Competitividade (PBQP) do Ministério da Ciência e Tecnologia e OT diversos fóruns internacionais (MERCOSUL, OIT, etc.) Mapa do Trabalho Informal. Ed. Fundação Perseu Abramo, SP: Trabalho Informal: Origens e evolução O trabalho informal e a luta da classe operária No debate sobre trabalho informal, convém lembrar que ele - como quer que o chamemos: subemprego, desemprego disfarçado, estratégia de sobrevivência - é algo relativamente antigo, datando dos primórdios da Revolução Industrial. Marx, n'o Capital (yol. Paul Sineer 1 1), denominou a quarta seção do capítulo 23 de "Diversas formas de existência da população relativamente excedente". Por que relativamente excedente? Porque ela excede momentaneamente as necessidades do capital, ou seja, a procura por mão-de-obra das empresas. Mas ela de modo algum é excedente, no sentido de redundante, desnecessária à economia como um todo, inclusive ao modo de produção capitalista. Este, para poder pagar salários compatíveis com a valorização do capital, precisa poder dispor de uma massa

10 de trabalhadores que esteja sendo demitida por algumas empresas e admitida por outras. É uma reserva móvel de trabalho, sempre disponível às empresas quando estas querem expandir rapidamente o número de empregados. Marx chamou esta parte da população excedente de "líquida". Uma segunda parte da população excedente, segundo Marx, é a "latente", formada pelos moradores do campo que estão em vias de ser expulsos da agricultura e só esperam uma conjuntura favorável para se dirigir às cidades em busca de trabalho. Mas é a terceira parte que aqui mais nos interessa, "terceira categoria da população relativamente excedente, a estagnada, forma parte do exército ativo do trabalho, mas com ocupação inteiramente irregular. Ela oferece assim ao capital uma fonte inesgotável de força de trabalho disponível. Seu padrão de vida cai abaixo de nível normal da classe trabalhadora e é exatamente isso que a toma uma ampla base para ramos de exploração específicos do capital. Caracterizam-na o máximo de tempo de trabalho e o mínimo de salário" (Abril Cultural, São Paulo, P. 677). Seria difícil resumir melhor os resultados da pesquisa Mapa do Trabalho Informal no Município de São Paulo, realizada pela CUT e publicada neste livro. O "trabalho informal" corresponde ao segmento estagnado da população excedente que Marx tinha diante dos olhos, em Londres, em , quando redigia o primeiro volume à'o Capital. Em primeiro lugar, trata-se do exército industrial ativo e não de reserva, este formado pelos sem-trabalho, pelos desempregados no sentido estrito do termo. Os desempregados vivem do segurodesemprego (enquanto dura) ou são sustentados por economias ou pelo que ganham outros membros da família, enquanto ficam em tempo integral procurando emprego. Os trabalhadores informais já desistiram de procurar emprego, como reiteram os entrevistados no Estudo de Casos desta pesquisa (ver p. 40). Eles saem à qualquer luta, tentando ganhar a vida de qualquer jeito. Em segundo lugar, trabalham longas jornadas para ganhar o mínimo. Mostra a pesquisa que "normalmente os vendedores de em ponto fixo trabalham de segunda a sábado, descansando aos domingos, mas em muitos casos trabalham sem folga, de segunda a domingo. A jornada de trabalho média entre os entrevistados é de 76 horas por semana". A jornada semanal média de trabalho dos vendedores em trens é de 62 horas, a dos vendedores em semáforos é de 54 horas e a dos catadores de material reciclável é de 44 horas. Os ganhos são muito incertos e muito variáveis nestas profissões. Os vendedores em ponto fixo, certamente uma das maiores categorias de trabalhadores informais, ganham em média R$ 927 por mês, mas "com uma grande distância entre o menor ganho, que é de R$ 150,00 e o maior de R$ 4000,00". A grande maioria dos informais exerce atividades precárias, quase todas sujeitas a repressão policial, o que toma os ganhos extremamente instáveis e incertos. Uma das características do trabalho informal é que ele se restringe a poucos ramos de atividade. Convém lembrar que em 1998, conforme a pesquisa, 48,2% dos ocupados na Grande São Paulo estavam neste setor. A grande maioria deles se dedica ao pequeno comércio e a serviços de baixa Trabalhaderes qualificação, inclusive o doméstico. Estes serviços muitas vezes exigem experiência e conhecimentos, mas não escolaridade elevada. Os mercados do trabalho informal são o desaguadouro de toda a força de trabalho que desistiu de procurar emprego ou deixou de contar com suporte material para fazê-lo. Por isso em todos eles há excesso de oferta. Sendo quase a metade da força de trabalho ocupada, os trabalhadores informais têm acesso a muito menos que a metade da economia metropolitana, a maior parte da qual é dominada pelo grande capital, sendo constituída por mercados oligopolizados, ou seja, em que a oferta está concentrada em um pequeno número de empresas, que por isso têm meios de evitar que ela se tome excessiva. Para resgatar o trabalho informal da pobreza é necessário organizá-lo. Mas a forma de organização não pode ser o sindicato clássico, porque os trabalhadores informais não têm emprego regular, não são explorados por empresas em termos permanentes, sendo antes vítimas da espoliação de intermediários, usurários, fiscais e policiais corruptos. Uma forma que se mostrou eficaz é a cooperativa, à qual pertence parte dos catadores de material reciclável. A cooperativa tem por base a solidariedade entre os trabalhadores, ou impede a concorrência entre eles. No caso dos catadores, por exemplo, ela lhes permite barganhar de igual para igual com os recicladores e eventualmente até substituí-los pela própria cooperativa. Uma cooperativa que reunisse todos ou a maioria dos vendedores ambulantes poderia distribuí-los de forma racional pelos espaços da cidade, sem impedir a circulação dos clientes potenciais, organizar em parceria com o poder público shoppings populares e até desenvolver novas atividades para ocupar os excedentes. A organização em cooperativa permite transformar o trabalho informal em formal e a pequena produção, fragilizada pelo tamanho reduzido das unidades, em produção em escala média e grande. Isso, porém, exige capital, que pode vir de fonte pública (programas de geração de trabalho e renda) ou, melhor ainda, da poupança da própria classe operária, depositada em cooperativas de crédito que se organizem em bancos cooperativos. Se for possível organizar em cooperativas uma grande parte do trabalho informal, ele deixará de fazer parte da população relativamente excedente e seus integrantes deixarão de estar condenados a trabalhar jomadas máximas para ganhar um mínimo. É do maior interesse dos trabalhadores formais e de seus sindicatos que os trabalhadores informais se organizem. Embora não concorram diretamente com os formais, os trabalhadores informais em grande parte anseiam por empregos regulares (como deixa claro o Estudo de Casos da pesquisa) e sua presença latente no mercado de trabalho debilita o poder de barganha e a capacidade de luta das organizações sindicais. Quanto mais eles se organizarem, tanto mais reforçarão a luta dos assalariados formais por melhores salários e condições de trabalho. Convém lembrar que as cooperativas competem com as empresas capitalistas e, se estas pagam melhor seus trabalhadores sobe na mesma proporção, pois o preço no mercado é sempre regulado pelo custo médio do trabalho.

11 Trabalhadcre É, no entanto, difícil reunir trabalhadores que atuam isoladamente e em competição entre si em cooperativas, pois estas requerem profundos laços de confiança mútua e solidariedade entre companheiros. A cooperativa de trabalhadores é uma organização autogestionária, em cada sócio é proprietário de uma cota igual do capital e tem direito a um voto na assembléia, em que todas as decisões importantes são tomadas e na qual são eleitos os diretores e demais encarregados da administração. A dificuldade provavelmente reside no receio do trabalhador de abrir mão de sua autonomia para compartilhar o destino de outros, cujo caráter e integridade ele não tem provas. Este receio é superado, no entanto, se alguma cooperativa puder ser formada e o seu êxito demonstrar que trabalhadores informais são capazes de criar empreendimentos competitivos no mercado e que remuneram o trabalho melhor e de modo mais sistemático do que a atividade individual. A experiência nacional e internacional indica que a organização cooperativa requer apoio constante, ao menos em sua fase inicial, para ajudar os novos cooperadores a ganhar cultura solidária e capacitação gerencial. É aqui que a solidariedade dos sindicatos com os trabalhadores informais tem um vasto campo prático de aplicação. Hoje em dia já há várias organizações que se dedicam a apoiar cooperativas de trabalhadores, como a ANTEAG (Associação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Autogestão e Participação Acionária), o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), as Incubadoras Universitárias de Cooperativas Populares e a Agência de Desenvolvimento Solidário da CUT. Seria importante os sindicatos se engajarem nesta luta vários já o fizeram, estreitando os laços entre o trabalho formal e o informal e forjando assim uma frente unida contra a hegemonia exploradora do grande capital. O l-professor titular de economia da universidade de São Paulo e coordenador da Incubadora Tecnológica de Cooperativas Populares dessa universidade. Boletim Díeese - ano XIX - n mar/abr/mai2000 Mudanças no Atendimento Bancário Nos últimos anos, os bancos, apoiados por várias resoluções do Banco Central, vêm multiplicando seus canais de distribuição de serviços as público. Além da tradicional agência bancária, foram criados canais de atendimento cujo o funcionamento não depende do trabalho direto do bancário. Os lados mais visíveis, mas não únicos, destes canais são as máquinas de auto-atendimento e a utilização de computadores pessoais para um atendimento "a distância". Há também um novo tipo de dependência bancária e, mais recentemente, a possibilidade de contratação de empresas não bancárias para distribuir vários serviços anteriormente exclusivos dos bancos. Este artigo, elaborado pela Subseção do DIEESE na Anabb, procura localizar a natureza e as formas deste "novo" atendimento e os impactos sobre o emprego bancário. Entre as funções desempenhadas pelos bancos, além da intermediação financeira (captação de recursos no mercado e repasse para algum tomador), destacam-se os pagamentos e recebimentos numa economia. Historicamente, no país, as instituições bancárias são o principal canal par efetuar pagamentos de taxas, impostos e contas (água, luz, telefone, etc). No entanto, os demais pagamentos também se utilizam freqüentemente dos bancos. O uso de cheques continua expressivo, mesmo após justificável decréscimo em função do processo de estabilização monetária, e, assim como os cartões de crédito e de débito, requerem o suporte das instituições bancárias para a liquidação dos débitos e créditos. No país, a centralidade dos bancos no sistema de pagamentos acentuou-se na conjuntura inflacionária dos anos 80 (até 1994), quando a aplicação financeira dos recursos das contas correntes bancárias para períodos inferiores a trinta dias foi importante instrumento de defesa do poder aquisitivo de parte da população, associando rentabilidade e liquidez. Após os primeiros planos de estabilização econômica (1986) e, em particular, após o Plano Real (1994), entretanto, os bancos vêm mudando sua estratégia de atendimento bancário visando implementar novas formas ao lado das já consolidadas. Com a diminuição das taxas de inflação, o ganho com as receitas inflacionárias decresceu rapidamente 1, fazendo diminuir a importância para os bancos dos recursos "em trânsito" no sistema 2, ao mesmo tempos que aumentou o interesse para as operações de tesouraria, de crédito e para a venda de produtos e serviços. As mudanças recentes no atendimento bancário Segundo o "Balanço Social dos Bancos 1998", da Federação Brasileira dos Bancos (Febraban), hoje, o atendimento bancário não pode ser entendido sem se considerar o relacionamento do banco com os clientes. Isso implica um esforço para identificálos e para fornecer-lhes produtos e serviços diferenciados, tendo em conta o perfil de cada segmento da clientela. Em particular, "as agênciasjá não são mais grandes salões para o atendimento de massa, dispondo agora de áreas compartilhadas para um atendimento seletivo". Esse atendimento distingue a clientela em grupos a partir de suas características, em que, além dos dados cadastrais, são consideradas a faixa de renda (ou o faturamento) e informação de comportamento bancário (número de produtos do banco que o cliente utiliza, reconhecimento dos produtos, tempo de relacionamento, perfil do crédito, dados sobre cheque especial e a informação se o cliente é "tomador" ou "aplicador" de recursos). A classificação em grupos possibilita identificar hábitos

12 e características comuns entre os que utilizam um determinado produto, permitindo ao banco oferecê-lo também a quem, enquadrando-se no mesmo padrão, não utilize ainda. Dessa maneira, aação comercial da instituiçãoé mais dirigidaeeficiente, pennitindo incrementar o volume de produtos utilizados por um mesmo cliente. Os saques, depósitos e pagamentos de contas, que constituíam a maioria das transações operadas no interior das agências bancárias nos anos 80, passam a ser vistos pelos bancos como uma atividade menos prioritária a ser transferida para canais de atendimento menos caros, pennitindo que o bancário seja "liberado" para realizar outros negócios mais rentáveis (em particular, o crédito e a venda de produtos complementares, tais como seguros, títulos de capitalização, planos de previdência complementar e de saúde, etc). Conforme trabalhos anteriores do DIEESE 3, as causas das mudanças no atendimento devem ser procuradas principalmente na geração de receitas e na redução de despesas, bem como na disputa por maior participação no mercado, dentro do contexto da nova conjuntura econômica. As inovações tecnológicas garantem que as novas estratégias sejam implementadas, pennitindo a confecção de novos produtos e a adoção do atendimento seletivo pretendido. A Febraban utiliza uma classificação das transações bancárias que auxilia a visualizar as mudanças. Atualmente, ao lado das transações executadas diretamente por funcionários de agências (principalmente os saques no caixa e pagamentos de contas), o atendimento bancário prove também outra modalidades, a saber: Transações automáticas de origem intema (incluem débitos automáticos de contas de água, luz, crédito de salários, etc.); Transações automáticas de origem intema (incluem tarifas para fornecimento de talão de cheques, renovação de ficha cadastral, crédito de dividendos de ações, etc); Transações automáticas via Internet (inc luem todas as transações e os repasses de infonnações disponibilizadas ao cliente via Internet); Transações em home ou office banking {PC banking), que são as realizadas por microcomputador doméstico ou de escritório de fomia totalmente independente; Transações provenientes de auto-atendimento, que são operadas diretamente pelos clientes, tais como saques em Automatic Teller Machine (ATMs), em cash dispenser (máquina de autoatendimento para saques e extratos), emissão de talões de cheques em tenninais próprios, consulta de saldo, emissão de extratos, pagamentos de contas, etc; Transações em POS, feitas em terminais que realizam transferências eletrônicas de fundos, facilitando pagamentos em estabelecimentos comerciais; Outras Transações, ou seja, aquelas que ocorrem via central de atendimento com a ajuda dos funcionários do banco. De acordo com a Febraban, mais de 60% de todas as transações bancárias realizadas ocorrem sem a intervenção direta de funcionários (Tabela 1). Tabela 1 Transações por canal de atendimento em 1998 (em milhares) Descrição Totais parciais Absoluto Relativo Transações diretas com bancários Em agências ,1% Outras ,6% Trabalhaclcre Transações Automatizadas Externas ,4% Internas ,3% Internet ,3% Home/Office Banking ,5% Auto-atendimento ,5% Comércio (POS) ,3% Total ,0% Fonte: Febraban - Balanço Social dos Bancos Elaboração: DIEESE - Subseção Anabb. Devido à diminuição das transações em agências, detecta-se um crescimento diferenciado do atendimento através dos canais automatizados, com destaques para a Internet, cuja utilização em serviços bancários quase quadruplicou em 1999, chegando a responder por cerca de 5% do total das transações, segundo esse estudo. Outra vantagem da Internet é eliminar a distância física entre o banco e o cliente. Em outras palavras, pelo canal virtual todos os clientes interessados ficam próximos ao banco. O Quadro 1 ilustra as diferenças de custo entre diversos canais de distribuição, que podem chegar até cem vezes. O barateamento da transação pelo auto-atendimento tem várias causas, a saber: Quadro 1 Custo médio por transação (em US$) Transação custo Internet 0,01 Personal Computer 0,02 Automatic Teller machine 0,27 Telefone 0,52 Agência l/)7 Fonte: The Emerging Digital Economy, U S Departament of Commerce, 1998(extratode 'InformáticaHoje", 16a31/05/2000,p.20). No auto-atendimento é o próprio cliente que realiza o serviço, reduzindo, assim, a necessidade de trabalho bancário. Nas operações realizadas via Internet, o equipamento informático e do telefone; O custo de manutenção de uma máquina de auto-atemdimento bancárioficaem tomo de R$4 mil/mês, incluindo depreciação, limpeza, segurança e energia 4. Compa-rativamente com a despesa das transações diretas com bancários, esse custo pouco depende do número de horas de expediente, o que toma atrativo empregar as máquinas em horários de atendimento mais extensos (que variam das 10 à 20 horas/dia), sem grandes acréscimos nas despesas do banco O auto-atendimento propicia maior aproveitamento do tempo de trabalho dos empregados no processamento dos documentos. Por exemplo, a real ização de pagamentos e de depósitos em uma máquina de auto-atendimento, ao reduzir o tempo de espera decorrente de eventuais interrupções no fluxo de clientes ao estabelecimento bancário, toma possível a racionalização e intensificação dos ritmos de trabalho dos funcionários. Os canais alternativos de atendimento favorecem a utilização de mão-de-obra não bancária, geralmente mais barata, em várias atividades, tais como o processamento de documentos, que pode ser realizado em locais diferentes do banco, e o atendimento telefônico à clientela 5. O auto-atendimento possibilita o compartilhamento dos "Sín sonrisa de mujer no hay obra completa de hombre."

13 equipamentos por parte de bancos diferentes, o que pode reduzir o custo fixo e a ociosidade, além de propiciar eventualmente também expansão da rede de atendimento por parte de cada instituição participante. Esse compartilhamento, comum no exterior, ainda não se constitui prática padrão, mesmo que, no final de 1999, a rede ' Banco 24 Horas", compartilhada entre várias instituições financeiras, perfizesse um total de quiosques de aub>atendimento no Brasil. Até hoje, contudo, o mais comum no país é que cada banco conte com rede própria de pontos de auto-atendimento. Em final de 1998, o número de equipamentos de auto-atendimento, dentro e fora das dependências bancárias, era de , conforme dados da Febraban. Em 2000, no entanto, a imprensa noticiou planos de utilização conjunta dessa parte de bancos nacionais de menor porte 6. A crescente freqüência de transações automatizadas não decorre apenas do menor custo, ou de novas tecnologias, mas também da nova organização do trabalho bancário, a partir de uma padronização maior dos procedimentos. A esse respeito, destaca-se a concessão de crédito, que tradicionalmente implicava uma visita à agência bancária por parte do cliente, para uma conversa com a gerência. A análise e classificação prévias do perfil dos clientes viabilizam a fixação de critérios possíveis e respectivos montantes para cada um deles. Como conseqüência, a concessão de empréstimo ou financiamento por parte da instituição financeira pode ser efetuada também de forma automática. Além da criação e manutenção cuidadosa do cadastro classificado dos clientes, o crédito por canais automatizados se toma possível pelo contrato realizado eletronicamente e pela cobrança efetuada via débito automático em conta corrente. Dessa maneira, são eliminados os procedimentos da ficha de contratação, do analista de crédito e do boleto de cobrança, com uma razoável redução de custos por parte do banco. Do ponto de vista do usuário, registram-se resistências ao atendimento bancário por meios e canais automatizados, a saber: Alguns segmentos populacionais, principalmente os de baixa escolaridade ou de idade elevada, encontram dificuldades em lidar com as máquinas de auto-atendimento, enquanto outros clientes manifestam aprovação pela redução do tempo gasto para a realizar o serviço bancário; Existem problemas de segurança na utilização do auto-atendimento, destacando-se em especial os assaltos em horários fora do expediente comercial (o que determinou a introdução pelos bancos de um valor máximo de R$ 100,00 nos saques executados em terminais de autoatendimento em horário noturno, entre as 22h e 6h) e as violações do sigilo da senha eletrônica do titular da conta bancária, inclusive na Internet. Alteração na regulamentação Após o Plano Real, registraram-se por parte do Banco Central (BC) várias iniciativas a respeito da regulamentação para a instalação e para o funcionamento de dependências de instituições financeiras. O Regulamento anexo à Resolução 2.099, de 17/08/94, classificou essas dependências como: a) Agência, definindo em particular como agência pioneira "aquela instalada em praça desassistida de qualquer outra agência de banco múltiplo com carteira comercial, banco comercial ou caixa econômica, podendo ter horário de atendimento ao público diferente do horário estabelecido para a praça, desde que fixado de comum acordo com as autoridades municipais"; Traballiadcre b) Posto de Atendimento Bancário (PAB), que somente pode ser instalado em recinto interno de entidade de administração pública ou empresa privada, podendo ter horário de funcionamento diferente da sede ou agência à qual está subordinado; c) Posto de Atendimento Transitório (PAT), que pode ser localizado em feiras, congressos e outros eventos de grande afluxo temporário de público. Pode ter horário de funcionamento diferente da sede ou agência à qual está subordinado e com seu funcionamento vetado por mais de noventa dias; d) Posto de Compra de Ouro (PCO), destinado exclusivamente à aquisição de ouro em regiões produtoras, sendo- Ihes permitido horário de funcionamento diferente da sede ou agência à qual estó subordinado; e) Posto de Atendimento Bancário Eletrônico (PAE), destinado a saques, depósitos, pag3mentos, saldos e extratos de contas, transferência de fundos e fornecimento de talonário de cheques, devendoatransação ser acionada exclusivamente por senha privativa. Este posto não está sujeito ao horário de funcionamento fixado para as instituições financeiras; f) Posto de Atendimento Cooperativo (PAC). A Resolução 2.396, de 25/06/1997, instituiu outra dependência de instituição financeira denominada de Posto de Atendimento Avançado (PAA), que somente pode ser instituída em municípios não assistidos por agência bancária ou por outro PAA. A instalação desse tipo de dependência é incentivado pelo não recolhimento de compulsórios sobre os depósitos à vista, pela possibilidade de utilizar instalações cedidas ou de ter as despesas custeadas por terceiros, pela não exigência de aporte de capital por parte da instituição financeira e, por fim, pela faculdade de instalação, no mesmo município, de um Posto de Atendimento Bancário Eletrônico. Outra facilidade diz respeito ao horário de atendimento e aos dias de funcionamento, que podem ser fixados livremente pela instituição financeira. Através da Resolução 2.640, do BC, de 25/08/1999, avançou-se na desregulamentação dos serviços bancários, facultando aos múltiplos com carteira comercial, aos bancos comerciais e à Caixa Econômica Federal "a contratação de empresas para o desempenho de funções correspondentes" (essas empresas são denominadas de "correspondentes bancários"), com autorização prévia do Banco Central, com vista à prestação dos seguintes serviços: abertura de contas de depósitos à vista, a prazo e de poupança; recebimento e pagamento de depósitos das referidas contas, bem como aplicações e resgates em fundos de investimento; recebimento e pagamento decorrentes de convênios de prestação de serviços; execução de ordens de pagamento; recepção e encaminhamento de pedidos de empréstimos e de financiamentos; análise de créditos e cadastro; execução de cobrança de títulos; outras atividades de controle, inclusive de processamento de dados. Com a introdução dos "correspondentes", a maior abrangência de atendimento passa mais claramente por uma desregulamentação do serviço bancário. A importância dos bancos públicos, reconhecida pelo próprio BC, com relação à cobertura de localidades' 'deficitárias", fica reduzida pela existência de uma outra alternativa A ampliação da rede de atendimento através dos correspondentes, contudo, não introduz formas de concorrência com os bancos, que ficam com o controle da atividade. Assim, o espaço dos bancos em geral foi preservado e fortalecido, pois os "correspondentes" lhes permitem manter e ampliar sua atuação, reduzindo suas "Sin sonrisa de mujer no hay obra completa de hpmbre."

14 despesas, principalmente no tocante ao pessoal e à estrutura de atendimento. A Resolução 2.707, do BC, viabilizou a possibilidade de utilização de correspondentes bancários para distribuição de amplo leque de produtos e serviços, também em localidades onde já ílincione alguma dependência bancária. Do ponto de vista das instituições financeiras, está colocada uma possibilidade de rápida ampliação de sua rede de distribuição, principalmente caso consigam aproveitar redes de serviços já instaladas e com abrangência nacional, através de contratos e convênios. Esse foi o passo dado pelo Banco do Brasil (BB), que fez acordo com a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), que conta com estrutura nacional capilar de 10,5 mil agências e 82 mil empregados e funciona de segunda-feira até sábado. A primeira agência do Correios a funcionar como "correspondente bancário" foi a de Sooretama (ES), a partir de 3 de abril de Esse caminho foi seguido também pela Caixa Econômica Federal (CEF), que, na qualidade de operador exclusivo do sistema de administração e operacionalização das loterias, serviço delegado do governo federal, já dispunha da rede dos revendedores lotéricos. No início de 2000, essa rede se compunha de 6,2 mil lotéricas, espalhadas em municípios, responsáveis por cerca de 3 0 mil empregados diretos e indiretos. Desde 1997, os lotéricos estão ligados on-line na rede de informática da CEF, o que lhes possibilita eficiente integração com o banco no fornecimento de serviços à população. Em 1999, nos lotéricos efetuava-se o recebimento das contas de concessionárias públicas e privadas (água, luz, gás, telefone), bem como o pagamento de impostos e contribuições (IPVA, IPTU, escolas, planos de saúde, etc). A partir de maio de 2000, a CEF viabiliza, através dos lotéricos, também a captação de depósitos em caderneta de poupança e em conta corrente de pessoas físicas, até o teto máximo de R$ 150,00, por motivo de segurança. Os clientes do banco, também poderão descontar nas casas lotéricas o cheque especial da CEF, até o valor máximo de R$ 100,00. A partir de j ulho de 2000, será possível o recolhimento do FGTS nas casas lotéricas. De fato, além de o custo da infra-estrutura das casa lotéricas ser menor do que o das dependências de instituições financeiras, os empregados lotéricos têm remuneração inferior à dos bancários, ficando, por exemplo, em R$ 167,00, em Minas Gerais, em maio de Os lotéricos podem atender até as 22h, funcionar aos sábados e, eventualmente até aos domingos, como habitualmente acontece nos shoppings centers e nos aeroportos. Assim, a jornada semanal e o horário de atendimento, mais extensos que os dos bancos, constituem outro atrativo desse canal de atendimento para as instituições financeiras. Em março de 2000, a CEF, através de seus lotéricos, registrou recebimento de um número recorde mensal de contas, com mais de 43 milhões de pagamentos (45% do total de contas pagas no Brasil), permitindo que, em breve, as dependências bancarias perderão sua centralidade em algumas operações do sistema de pagamentos. A rede dos lotéricos presta outros serviços não bancários, tais como o recadastramento de isentos da Receita Federal (20 milhões de pessoas realizaram esse serviço nas lotéricas) ou o recarregamento dos cartões pré-pagos de telefones celulares. Essa prática pode ser uma parcial confirmação de uma tendência Trabalhadores apontada por consultores internacionais no IX Congresso Internacional de Automação Bancária 7. De acordo com eles, num futuro próximo, várias empresas do setor de serviços não serão mais distintas apenas com base no tipo de serviço que disponibilizavam na época de sua criação. Serão vistas como canal para encontrar serviços e/ou realizar operações variadas. Para explicar essa tendência, cita-se a Internet, que não disponibiliza apenas informação pronta, mas permite a relação com pessoas, empresas e instituições, a execução de serviços de inscrição em eventos, cadastros, compras e vendas, assessorias, discussões on-line, entretenimento, etc. Até hoje, as principais experiências de "empresas correspondentes" são aquelas em que duas grandes instituições financeiras federais (BB e CEF) visam maior extensão de sua rede de atendimento, já muito ampla. Assim, cabe a hipótese de que o investimento numa grande rede de "correspondentes" por parte desses dois bancos vise a manutenção desse diferencial competitivo, antes que outros venham a disputá-lo. Outro elemento explicativo dessa política é constituído pela busca de redução por parte dos bancos federais das despesas com pessoal. Também a partir dessa preocupação, o recurso a "empresas correspondentes" pode ser visto como uma forma de fornecer serviços bancários a custo menor. No exterior, em países como Austrália, França, Itália e Japão, os correios freqüentemente são utilizados como canal para universalizar o acesso aos serviços bancários 8. A contratação da ECT como "correspondente", dentro de um convênio com o BB, pode ser lida dessa forma. No entanto, no Brasil, os correios vêm sendo pensados como extensão de uma ou mais instituições financeiras, enquanto em outros países é garantido a eles espaço próprio de atuação, havendo possibilidade, inclusive, de concorrer com os bancos. Na Itália e no Japão, em particular, a população pode aplicar seus recursos em títulos públicos através da rede dos Correios, como alternativa de aplicação financeira que não passa pelos bancos. Impactos sobre o emprego bancário Até 1999, a mudança dos canais de atendimento realizou-se principalmente privilegiando o auto-atendimento e o atendimento remoto, dentro de uma tentativa de diferenciação e segmentação por parte dos bancos, de acordo com seus nichos de atuação. Neste processo, também o layout das agências foi redefinido. O tamanho dos estabelecimentos vem sendo reduzido e os clientes não preferenciais e os usuários vêm sendo encaminhados para outros canais (máquinas de auto-atendimento, telefone, Internet, etc), de forma a priorizar - em termos de qualidade e conveniência - o atendimento à clientela preferencial. A estratégia dos bancos é de uma lado, executar as tarefas relativas ao pagamento de contas e a outras rotinas que agregam menos valor com menores gastos e utilizando canais automatizados, que possibilitam a contratação de pessoal não bancário para sua implementação. Do outro lado, os bancos visam "liberar" os bancários para a venda de produtos e serviços financeiros. Quanto à utilização dos "correspondentes bancários", hoje, ela é praticada efetivamente apenas pela CEF (através da rede de casas lotéricas) e já começou a ser implementada pelo BB, através de convênio com a ETC, a partir de abril de Ainda não é claro se a maioria dos bancos montará uma rede própria de correspondentes bancários. Mesmo que só BB e CEF optem por essa estratégia, a importância desses dois bancos não pode ser ignorada, pois juntos

15 respondem por quase 40% dos ativos, depósitos totais e operações de crédito. Assim, o impacto dessa nova modalidade de atendimento diz respeito a todo o sistema financeiro e deve, ao mesmo tempo, acentuar a diminuição do número de bancários e a maior utilização de trabalhadores de outras categorias profissionais. Da mesma forma, confirma e acentua o processo de redefinição do perfil dos bancários, que, dentro da mão-de-obra contratada pelos bancos, vêm se constituindo como um "núcleo duro" (mais estável, qualificado e bem pago), ao lado de outros segmentos de trabalhadores menos garantidos, menos qualificados e com retribuição menor. Os correspondentes bancários, nos termos da Resolução 2.707, deste ano, deverão acarretar, ainda um redesenho da distribuição territorial das dependências bancárias, pois as instituição financeiras são incentivadas a contratar os "correspondentes" em regiões periféricas e de baixo retomo privado. Como um diretor do BC avaliou recentemente na Câmara do Deputados, os correspondentes devem exercer atividades tema de pagamento. Assim, algumas regiões podem ficar desassistidas pela oferta de crédito e de serviços bancários fornecidos somente pelas dependências das instituições financeiras. A possibilidade de crescimento da rede de auto-atendimento "Banco 24 horas" e a adoção de outras, modalidades de compartilhamento de pontos de atendimento automatizados e da rede dos correspondentes bancários de algum banco 9 devem ampliar os impactos ilustrados da reorganização na área de atendimento bancário. O Trabalhadcres Notas ] Segundo o IBGE, no período de 1990 a 1993, dos bancos representavam em média de 35% a 40% das receitas totais, sendo reduzidas a apenas 0,6% em Com o atual processo de redução do compulsório sobre depósitos à vista, entretanto, esses recursos despertam renovado interesse por parte dos bancos. 3-Ver DIEESE. "A globaltação da economia e a informattação do sistema financeiro" in: Boletim DIEESE n 198- set/ Ver Henrique, Sidrônio. "BB usa compartilhamento de rede para reduzir o custo fixo e a ociosidade ", em Gazeta Mercantil - Distrito Federal, em 31/05/00, p Conforme denúncia da Associação do pessoal da Caixa Econômica Federal (CEF) do Piauí ao Ministério Público, em 1999, os trabalhadores utiltados pelo banco para digitação e fechamento de documentos conciliatórios e ligados à Cotepro, uma cooperativa de mão-deobra, recebiam pagamento mensal de R$ 240,00, além de não ter mais carteira assinada e conseqüentes direitos e garantias trabalhistas. 6-Ibidem. 7-Emmott, Stephen J., "Seis fatores que transformarão a atividade bancária, o comércio e a economia", São Paulo, 16 a 18 de junho de 1999, Mímeo. 8-Assessoria da Liderança do PT na Câmara dos Deputados. "O Papel do Estado e a Atuação das Instituições Financeiras Públicas Federais", Brasília, abril de 2000, Mímeo. 9-A assessoria de imprensa da CEF declarou que a instituição está estudando a possibilidade de compartilhar a rede dos lotéricos com outros bancos. Jornal dos Trabalhadores Rurais Sem Terra ano XIX - n Dez2000/Jan2001 Balanço do Ano 2000: um desastre para o meio rural Estamos encerrando mais um ano de atividades, e como sempre, todo mundo faz o balanço do ano que passou, o que melhorou e o que piorou. E no meio rural, para os trabalhadores rurais, leia como foi mais uma ano de governo FHC. A concentração da propriedade da terra no Brasil O governo FHC faz propaganda de que está fazendo a maior Reforma Agrária do mundo. Será verdade? Reforma Agrária é sinônimo de distribuição da propriedade da terra, de democratização da propriedade na sociedade. Durante o ano de 2000 foi publicado o Cadastro do INCRA que trouxe os dados de todas as propriedades cadastradas e sua evolução entre 1992 e O período analisado pelo INCRA já incorpora, portanto, alguns anos do mandato FHC. Os dados estatísticos são objetivos: a propriedade da terra no Brasil continua concentrado em poucos proprietários. E o que é pior, continua aumentando a concentração. Se em 15 anos de luta do MST e do movimento sindical consegui-se a desapropriação de 16 milhões de hectares para 350 mil famílias, em apenas 5 anos, os 1030 proprietários que possuem fazendas maiores de 20 mil hectares acumularam a mais do que já tinham, outros 21 milhões de hectares. E passaram a ter sozinhos 62 milhões de hectares. O cadastro mostrou também que existem fazendeiros com mais de 5 mil hectares cada um, que controlam 119 milhões de hectares. Do outro lado, continua existindo mais de um milhão de famílias amontoadas em propriedades menores de 10 hectares, controlando apenas 5 milhões de hectares, equivalente a apenas 1,3% de todas as terras do Brasil. Já as famílias que não tem terra continuam sendo 4,5 milhões. No afa de enganar a opinião pública, o presidente FHC teve o desplante de ir à televisão anunciar que pelo índice de GINI o Brasil é o 14 colocado na América Latina, e portanto melhorou a distribuição de renda. Mas sua incompetência e megalomania é tão grande que usou os dados ao contrário, assim, o Canadá aparece com índice de 0,55 em primeiro lugar, e o Brasil em 14 com 0,802, acontece que pelo índice

16 de Gini, esse indicador demonstra na verdade que o Canadá tem uma distribuição de terra mais justa, e que o Brasil é um dos piores em concentração da terra. Produção agrícola do Brasil A evolução da produção agrícola do Brasil refletiu o descaso com que o governo FHC tem na agricultura, em função da sua prioridade para o capital internacional e financeiro. No ano passado o IBGE terminou de pesquisar os dados do Censo. Eles ainda não foram publicados, mas alguns números já forma anibnübéraüâob^d ^^ aáoüü)yadieíiaalalaaiitikadàaio Brasil passou de 35 milhões de hectares para 34 milhões de hectares. Isso demonstra a falta de estímulo ao cultivo. No caso da produção de grãos, a evolução foi semelhante: em 1995 produziu-se 81 milhões de toneladas de grãos, aumentando apenas para 84 milhões em Mas, dez anos antes, ou seja, em 1989, já havíamos colhido quase a mesma quantidade. E se analisarmos a produção per capita, colhemos em 95, 522 quilos por pessoa e baixamos para 498 quilos em Uma das conseqüências desse desastre é que o Brasil gastou 4,6 bilhões de dólares na importação de muitos produtos que poderiam ser produzidos aqui como trigo, leite, legumes, frutas, milho, algodão, café, arroz, etc. O desempenho dos pequenos agricultores O desempenho dos pequenos agricultores durante o ano de 2000 foi uma verdadeira tragédia. Aumentou o desânimo, a renda agrícola continuou caindo e a maioria das famílias que ainda vivem no meio rural tiveram que apelar para outros tipos de atividades para conseguir sobreviver. Dois estudos importantes forma divulgados: o primeiro do Prof. Graziano da Silva, da UNICAMP (Universidade de Campinas), revelou que o emprego doméstico é o que mais cresce no meio rural brasileiro. Ou seja, as famílias são obrigadas a empregar as filhas como empregadas na cidade como fonte de renda alternativa, pois não conseguem mais sobreviver da agricultura. O segundo, realizado na USP (Universidade de São Paulo), pela equipe do Prof. Guilherme Dias, revelou que a manter-se os parâmetros da política agrícola atual, somente 18% dos 4 milhões de estabelecimentos agrícolas pequenos e médios sobreviverão. Pronaf não atendeu as necessidades dos agricultores O governo fez muita propaganda com o Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar). Mas não conseguiu muita gente. As principais organização dos pequenos agricultores, a Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) e suas federações, e o MPA (Movimento dos Pequenos Agricultores) passaram o ano nas estradas e em Brasília, porque no banco nunca chegaram os recursos. O governo fazia propaganda de um dinheiro de crédito rural que os bancos deveriam disponibilizar. Mas isto nunca aconteceu, não passava de propaganda. E aí o Pronaf ficou reduzido aos recursos que o governo tinha do tesouro Trabcilliaclrres para cobrir a diferença da taxa de juros. O balanço apresentado pelo próprio governo dos subsídios oficiais no ano passado revelam a falsidade. O governo diz que concedeu 42 bilhões de reais de subsídios a diferentes setores da economia. Mas os mais privilegiados foram os setores de exportação que ficaram com quase metade do total. Os pequenos agricultores tiveram um subsídio no crédito no valor de apenas 392 milhões de reais. Enquanto os ricos que viajam para o exterior tiveram 707 milhões de subsídios para comprar sem impostos nas lojas de aeroportos. E de novo, privilégio para os latifundiários. Além de não pagar quase nada de ITR (Imposto Territorial Rural) o governo previa arrecadar 2 bilhões e anda arrecadando no máximo 250 milhões os latifundiários caloteiros do Banco do Brasil representaram um custo alto ao Tesouro Nacional com negociação das dívidas. Segundo a própria CNA (Confederação Nacional da Agricultura) a renegociação das dívidas dos 14 mil maiores devedores (que devem em tomo de 15 bilhões de dólares) custaram 5,4 bilhões de reais de subsídios na forma de pagamento de juros aos bancos, que securitizaram a dívida. Ou seja, passaram para o Tesouro. Desempenho do Governo na Reforma Agrária Certamente 2000 foi um dos piores anos para os sem terra e para o avanço da Reforma Agrária. O governo apelou de vez. O orçamento do INCRA foi o mais baixo de todos os anos do governo FHC e chegou a ser gasto um bilhão, enquanto que, em 1997 o orçamento chegou a 2,7 bilhões. Assustado com as crescentes manifestações de diversos movimentos sociais do campo, que começaram a se mobilizar nos acampamentos das mulheres rurais, em março, depois com a concentração em Porto Seguro e outras mobilizações que se seguiram durante quase todo ano. E com medo de perder as eleições municipais também no interior, o governo apelou então para a repressão. Baixou diversas portarias e decretos que retomam as práticas da ditadura militar. Criou o Departamento de Conflitos Agrários na Polícia Federal, que na prática é uma espécie de Dops rural, usado na época da ditadura. Proibiu a vistoria de fazendas ocupadas. Proibiu o assentamento de famílias ocupantes. Determinou a abertura de mais de 180 processos contra lideranças do MST, a maioria por motivos fúteis. Houveram mais de 200 prisões. Muitos casos de tortura. E o absurdo de seis companheiros do MST de São Paulo, condenados a penas de até dez anos. Suspendeu todos os convênios com cooperativas e com programa de alfabetização de adultos no meio rural. Fechou o programa de assistência técnica nos assentamentos, Lumiar que ele mesmo havia criado, depois de sucatear as EMATER. No lugar da reforma Agrária o governo colocou a repressão, a manipulação dos meios de comunicação para satanizar o MST e a mentira. Por outro lado, passou a liberar todos os recursos possíveis para viabilizar apenas os programas indicados e assessorados pelo Banco Mundial: o crédito fundiário para pequeno comprar de pequeno. O Banco da Terra, que beneficia apenas ao

17 Traballiaclore fazendeiro que vende a vista, e o Cédula da Terra, que continuou funcionando nos estados do Nordeste. Um triste ano da Reforma Agrária. Ao ponto de entidades da sociedade brasileira como a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), CONIC (Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil), que acompanharam todas as negociações e mobilizações dos sem terra classificaram como farsa do governo FHC. Pois o governo mente e enrola o tempo todo. Famílias assentadas pelo governo O governo divulgou que assentou no ano de 2000, cerca de 108 mil famílias. A mentira é tão deslavada que o próprio INCRA havia publicado, em final de outubro, ou deseja, apenas dois meses antes de findar o ano, que havia assentado apenas 23 mil famílias. Em dois meses, com eleições, feriados de fim de ano, o governo conseguiu essa proeza (ou será mágica?). Mas a realidade é bem diferente. Em nenhum estado o INCRA conseguiu cumprir sua própria meta que totalizaria 85 mil famílias assentadas. Em alguns estados como São Paulo, Rio Grande do Sul, Espírito Santo, Minas Gerais e Goiás, o número de famílias assentadas durante 2000 foi ridículo, menos de 500 famílias. Além disso, há estados que sequer houve desapropriação. E mesmo nos estados do Norte, onde os números são exagerados, o INCRA usa o artifício de colocar projeto de assentamento. A única vantagem que as famílias têm é que não vão ser despejadas. Mas sabem que estão muito longe de receber seu lote, construir sua casa, ter escola, etc. O governo na verdade utiliza-se de artimanhas estatísticas para enganar a opinião pública. Coloca assentamentos na região amazônica, como se fossem assentamentos e na maioria se trata de regularização de posseiros que já viviam na área. Coloca famílias em assentamentos antigos. E vem fazendo isso há anos. Só para se ter idéia, 64% de todas as famílias assentadas pelo governo localizam-se na região amazônica, de difícil averiguação. E outras 27% foram famílias alocadas em projetos antigos onde a falta de condições levou as anteriores a desistirem. E agora acrescenta ainda as famílias que tiveram acesso pelo crédito fundiário ou Banco da Terra, que a rigor é uma negociação imobiliária e não Reforma Agrária. Famílias acampadas Segundo o levantamento preliminar do MST, existem, aproximadamente, 500 acampamentos em todo o Brasil com cerca de 100 mil famílias. Elas estão debaixo de lona preta esperando pelas promessas do governo. A maioria dos acampamentos estão organizados pelo MST Mas há vários acampamentos desvinculados ao movimento sindical, à CPT e a outras entidades e organizações de luta pela terra regionais. O governo conseguiu, nos últimos anos motivar a luta pela terra organizada não apenas pelo MST, mas por sindicatos e outras entidades. O eoria e Debate - ano 14 - n 46 - nov/dez2000/jan2001 A dívida que nos governa Valter Pomar 1 O endividamento externo e o interno são mecanismos de transferência de riqueza, de "dentro para fora " e de "baixo para cima". É preciso reverter o processo, transferindo, rápida e radicalmente, renda e patrimônio, dos ricos para os pobres, dos capitalistas para os trabalhadores. O desafio político e técnico está em não penalizar os setores médios A vitória do PT nas eleições municipais, a disputa no interior do bloco govemista e a crise econômico-social indicam que o ciclo neoliberal iniciado com Collor pode estar chegando ao fim. Cabe lembrar, entretanto que tanto na Europa quanto na América Latina, a primeira geração neoliberal foi derrotada, mas em seu lugar assumiram partidos da chamada "centroesquerda", que deram prosseguimento ao ílindamental da política anterior. O caso mais recente de estelionato eleitoral é o da Argentina, com De La Rúa. Cabe lembrar, também que nas eleições deste ano, os partidos govemistas receberam aproximadamente metade dos votos do eleitorado brasileiro. Por tudo isso, encerrar o ciclo neoliberal e dar início a um de natureza oposta, exigirá bastante esforço político e definições estratégicas e programáticas muito claras por parte do PT. Um momento chave será a próxima disputa presidencial. Nosso plano de batalha para 2002 envolve quatro dimensões combinadas: a preparação do partido e das organizações aliadas; a mobilização social; a ação de nossos governos e parlamentares; e o debate programático. Em cada uma destas dimensões, a experiência do Plebiscito Nacional da Dívida Externa, realizado de 2 a 7 de setembro de 2000, pode ser útil. Iniciativa da "Campanha jubileu 2000, por um milênio sem dívidas", impulsionadas por igrejas, movimentos sociais e partidos políticos, o Plebiscito da Dívida colheu a opinião de 6 milhões de pessoas sobre o acordo com o FMI, a dívida externa e a dívida interna brasileiras. A iniciativa mostrou que é possível combinar mobilização e debate programático. Nos últimos 20 anos, apenas a Campanha das Diretas, a campanha Lula-89 e o movimento Fora Collor mobilizaram tanta gente em ações desta natureza. A campanha presidencial de 2002 precisa estimular e ao mesmo

18 tempo estar apoiada num processo semelhante. É preciso que o povo seja chamado a debater, formular e escolher entre projetos, não entre candidatos. O debate de mérito provocado pelo Plebiscito foi bastante ilustrativo de que nos espera nos próximos dois anos. Num artigo publicado no jornal O Globo, no dia 10/ 09/2000, intitulado "PT saudações", o ministro da Fazenda Pedro Malan disse que o plebiscito foi "uma idéia fora de lugar (o Brasil não é um país miserável, altamente endividado, cujas dívidas estão sendo perdoadas), fora de tempo (a discussão sobre moratórias teve lugar 15,20 anos atrás, e hoje o problema não tem a mesma natureza e dimensão), fora de foco (há problemas muito mais importantes a enfrentar no país) e, portanto, fora de prfijxjíiitoslro concluiu seu artigo apresentando "uma pergunta à ala moderada do PT, aquela que pensa em chegar ao poder federal pela via democrática e em democraticamente exercêlo". A pergunta "parte de uma constatação: comunistas italianos (d'alemanha), socialistas franceses (Jospin), social-democratas alemães (Schroeder), trabalhistas ingleses (Blair), socialistas chilenos (Lagos), oposições argentinas (De La Rua) e mexicanas (Fox), todos, sem exceção, tanto ao se apresentarem ao escrutínio popular em suas eleições, quanto uma vez eleitos e no exercício do poder, deixaram absolutamente claro que eram oposições e que mudariam muita coisa, mas reafirmaram seus compromissos básicos com questões que há muito são vistas como de interesse da maioria, como, por exemplo, a preservarão da inflação sob controle, o respeito a restrições orçamentárias e o controle do déficit público. Estas questões fazem parte hoje, no mundo organizado, de um terreno comum, compartilhado por todos. Não são questões sujeitas ao debate político-ideológico. São consideradas obrigações básicas de qualquer governo (de qualquer coloração) minimamente responsável pela gestão da coisa pública". Pergunta então o ministro: "por que só aqui no Brasil, dentre os países de alguma expressão econômica e política no mundo de hoje (desenvolvido e em desenvolvimento), ainda se encontra amplo espaço para o discurso de que estas questões são idéias neoliberais impostas por interesses alienígenas, contrários à soberania nacional, ditames do FMI e de forças ocultas expressas em consensos definidos em capitais de potência hegemônica (...)?" Explicável a irritação, num ministro tido como fleumático. Ocorre que o Plebiscito tocou nas três características fundamentais da sociedade brasileira: a democracia restrita, a dependência externa e a propriedade hiperconcentrada. Para a burguesia, é inaceitável submeter estas questões ao escrutínio popular. Afinal, para eles, a democracia não pode colocar em questão a estrutura social, sendo inconcebível romper com a dependência externa e alta traição propor a redistribuição real de riquezas. Como nossa campanha presidencial terá que tratar destes temas e propor alternativas, jogarão contra nós o mesmo dogma: estas "não questões sujeitas ao debate político-ideológico". Acontece que é impossível qualquer política de crescimento econômico ou de enfrentamento da crise social, dois objetivos moderados, se não enfrentarmos o tomiquete das dívidas externa e interna. O endividamento externo é parte de uma política econômica baseada na atração de capitais estrangeiros. Todo capital estrangeiro que vem para o país gera uma remessa futura de divisas. Para Ecencmía conseguir estas divisas, o país tem algumas alternativas: gerar superávits comerciais, oferecer vantagens para os investidores estrangeiros, conseguir novos empréstimos e volta e meia desvalorizar a moeda. Tomado isoladamente, o "serviço" da dívida (que é parte de nosso passivo externo) constitui uma sangria acumulada de recursos da ordem de 500 bilhões de dólares, desde O governo FHC insiste que a dívida externa é na sua maior parte "privada", como se não tivesse responsabilidade alguma nisso; como se, por ser "privada", a dívida não tivesse implicações econômicosociais; como se o fato de ser "privada" impossibilitasse qualquer ação pública a respeito. O estoque da dívida externa pública é bastante volumoso, tendo chegado a 136 bilhões de dólares em junho de A dívida externa privada é maior, tendo dado um salto enorme, de 55 bilhões de dólares (1993)para 141 bilhões de dólares(1999). Salto que foi acompanhado pelo crescimento da dívida interna pública, que pulou de 60 para 380 bilhões de reais, nesse mesmo período. A dívida externa privada cresceu porque os grandes empresários pegam empréstimos no exterior, a taxas de juros baixas, e investem no país a taxas de juros várias vezes maiores, inclusive comprando títulos da dívida pública intema, estabelecendo assim um vínculo entre as dívidas. Tudo isso com o estímulo e a conveniência do governo federal, que fez aprovar a Lei de Responsabilidade Fiscal exatamente para garantir o pagamento em dia das dívidas. Os juros são mantidos altos sob o pretexto de que o Brasil precisa atrair capitais estrangeiros, para financiar nosso déficit em conta corrente, que não pára de crescer entre outros motivos porque mantemos os juros altos. No dia que cessar ou se reduzir substancialmente o fluxo de capitais para o Brasil, quebraremos. Por trás deste círculo vicioso, existem fortes interesses financeiros. Os grandes capitalistas se financiam com dinheiro barato, o governo paga a conta aumentando impostos, cortando gastos sociais, privatizando estatais e fazendo novos empréstimos. Vale lembrar que quando um grande capitalista contrai um empréstimo externo, ele gera uma dívida em dólares, mesmo que seu investimento gere um lucro em reais. Na hora de pagar sua dívida externa, supostamente privada, o grande capitalista precisa de dólares que são atraídos pelo conjunto da economia brasileira. Portanto, a dívida é privada, mas o esforço para pagá-la é público. Parte de nosso passivo externo tem relação com o crescimento das importações. Nos últimos anos, passamos a importar coisas que poderiam e deveriam continuar sendo produzidas aqui. Para um governo popular, financiar as importações com endividamento externo só faria sentido como política estrutural se as importações gerassem alterações na economia nacional, que ampliassem o potencial exportador de nossa economia. Hoje, as importações estão substituindo parte da produção nacional. Apesar de termos ampliado muito as exportações, alternamos déficits enormes com superávits comerciais ridicularmente pequenos. Nossa participação no comércio internacional continua inferior a 1% do total e caindo. Fazemos um esforço cavalar para exportar, cada vez mais produtos, a um preço cada vez menor. O governo acusou de caloteiros os promotores do Plebiscito. O termo não se aplica ao caso: não se deve seguir pagando o que já foi pago, várias vezes. Daí, aliás, a importância política de uma auditoria da dívida extema, proposta no projeto de decreto lei apresentado

19 pelo deputado federal José Dirceu, a pedido da coordenação do Plebiscito. Não consideremos que pagar as dívidas financeiras constituía a prioridade nacional, donde nossa oposição ao acordo com o FMI e à Lei de Responsabilidade Fiscal. Tampouco queremos manter a atual política de endividamento e dependência. Se o atual modelo econômico fosse o único possível, toda mudança provocaria prejuízos enormes e nenhuma vantagem. Mas julgamos possível utilizar os recursos da economia brasileira de forma mais "produtiva", socialmente falando. Assim, a questão passa a ser: como transitar de um modelo para outro? Esta transição exige quebrar o círculo de ferro do endividamento externo e interno. Isso provocará reações dos credores, pois ninguém aceitará passivamente perder dezenas de bilhões ao ano. Podemos raciocinar com otimismo e concluir que, após alguns rosnados, os grandes capitalistas se acomodarão a nova situação, para não perder as vantagens de investir em um país como o Brasil. Aliás, é bom lembrar que, quando a dívida é muito grande, o problema também passa a ser do credor. Mas vamos imaginar que eles levem a cabo suas ameaças: cessar o financiamento externo do consumo local; bloquear parte das importações e exportações; interromper os "programas sociais" alimentados por recursos de organismos internacionais; atacar a "imagem" internacional do país; além de uma ferrenha oposição, interna e externa, que pode até desembocar em tentativas golpistas. O Brasil tem como suportar a retaliação dos credores. Grande parte do que nós importamos pode ser produzido aqui. Existem outros consumidores e fornecedores no mercado internacional, com quem podemos negociar em caso de bloqueio. O "financiamento externo" da nossa economia, ao menos nos termos atuais, causa mais prejuízos do que vantagens. Se houver vontade política, apoio popular e solidariedade, a resistência é possível e a chance de golpismos internos e agressões externas diminui bastante. A campanha continua A campanha jubíleu 2000, por um milênio sem dívidas, prosseguirá no primeiro ano do terceiro milênio. Alguns dos objetivos são: aprovar o Projeto de Decreto Legislativo que estabelece a convocação de um Referendo sobre o acordo com o FMI, sobre a auditoria e as condição de pagamento da dívida externa; aprovar o projeto que estabelece o cancelamento da dívida externa que países com PIB per. capita igual ou inferior ao brasileiro têm para com o Brasil; realização de uma auditoria da dívida externa; acompanhamento dos orçamentos e das dívidas dos municípios, combatendo a Lei de Responsabilidade Fiscal. Economia Afinal, não se pode desconsiderar o peso geopolítico do Brasil para a América Latina e mesmo para o sistema financeiro. Isto é um trunfo a nosso favor e liderar processos de desmonte dos mecanismos e organismos de agiotagem internacional. Vale a pena enfrentar a íuria dos credores. Pois a pergunta não deve ser só "o que nos acontecerá, se tomarmos uma atitude firme", mas também "o que acontecerá se as coisas continuarem como hoje": mais desigualdade social, mais violência, mais desesperança. O endividamento externo e o intemo são mecanismos de transferência de riqueza, de "dentro para fora" e de "baixo para cima". Ao enfrentá-los, não basta interromper o processo. É preciso revertêlo, transferindo, rápida e radicalmente, renda e patrimônio, dos ricos para os pobres, dos capitalistas para os trabalhadores. O desafio político e técnico está em fazer isso, sem penalizar e/ ou sem perder o apoio dos setores médios. Toda vez que se fala em quebrar e reverter os mecanismos de endividamento, os setores da dívida reclamam: "quebra de contrato"! Reclamação curiosa, vinda de quem vem. Afinal, só no governo FHC, quantos direitos trabalhistas e sociais vêm sendo expressa e assumidamente rasgados, em nome da "globalização", da "modemidade", do "livre mercado", etc.? A"quebra de ccaitrato", aliás, é algo bastante usual na era neoliberal, inaugurada exatamente por um ato unilateral dos Estados Unidos, declarando a inconversibilidade do dólar em ouro, no início dos anos 70. O problema é que não existe como realizar mudanças sociais profundas, sem algum tipo de "quebra de contrato". A alternativa é a manutenção do staíus quo, com ou sem reformas cosméticas. Aí está o nosso desafio em 2002: seguir a trilha aberta pelo Plebiscito da Dívida e ganhar apoio majoritário, na sociedade, para um projeto de natureza socialista, democrática e popular.o 1-E o 3 vice-presidente nacional do PT Rae- Revista de Administração de Empresas vol n 1 - jan/mar2001 A pirataria do nome de domínio na Internet Introdução A Internet, um dos fenômenos mais importantes do fim do século passado, foi concebida nos idos de Suas origens militares e universitárias reúnem, num amálgama singular, aspectos econômicos e tecnológicos Lieia Maura Costa' dos mais relevantes. Para alguns, trata-se de uma revolução técnica. Para outros, é uma revolução semelhante ao surgimento do alfabeto. Há quem considere sua aparição como comparável à invenção da imprensa. Seja como for, tanto uns quanto outros são unânimes em afirmar que o fenômeno

20 Lr< m míii da Internet suscita, ao mesmo tempo, receio e admiração. O receio decorre do fato de escapar, à primeira vista, de qualquer controle regulador estatal. A admiração resulta da inesistência de fronteiras físicas. A Internet não tem um "comando" jurídico uniformizado e harmonizado. Ela é "independente". Assim, sob o prisma da liberdade, a Internet vem derrubando conceitos jurídicos tradicionais. Entretanto, ela não pode subsistir sem a influência de um sistema legal. É quase desnecessário dizer que o rápido desenvolvimento da Internet não está permitindo que o Direito fique estático diante dessa transformação. De fato, "o Direito apoiava-se na concepção de que o mundo era feito de átomos e, por isso, as regras disciplinando as condutas humanas assumiam como referencial da disciplina certos conceitos ou figuras cujo substrato é formado por átomos". Essa, porém, não é mais a realidade atual, pois o real tornou-se virtual. De qualquer maneira, as leis nacionais de um determinado país estão tendo aplicação na Internet, dada a inexistóencia de uma regulamentação específica. Essa aplicação, contudo, não se faz de forma imediata e, em alguns casos, nem mesmo de modo eficaz e eficiente. É certo que adaptações nos conceitos jurídicos tradicionais serão necessários para atender aos novos modelos jurídicos utilizados na Internet. De fato, a história jurídica da Internet é ainda mais recente, pois a maior parte pertence, na realidade, ao futuro. Internet "A Internet nada mais é do que uma rede mundial de computadores que podem não só se comunicar e trocar mensagens, mas também trocar arquivos de dados e imagens entre si, tudo isso em tempo real". O serviço de conexão à Internet é prestado pelos provedores de acesso. No Direito brasileiro, esse serviço é considerado como um serviço de valor adicionado. É nesse sentido que dispõe o art. 61 da Lei Geral de Telecomunicações (Lei n , de 16 de julho de 1997). Dessa forma, entende-se como serviço de valor adicionado todo o serviço que se agrega a uma rede preexistente de serviços de telecomunicações, pela criação de utilidades específicas ou atividades produtivas novas, relacionadas com o acesso, o armazenamento, a movimentação e a recuperação de informação. Logo, os serviços de conexão à Internet oferecidos pelos provedores não são considerados como serviços de telecomunicações. Aliás, dois tipos de serviços são distintos e não devem ser confundidos. Isso porque o prestador de serviço de telecomunicações "é aquele que mantém em funcionamento os canais de transmissão de som ou sinais, e o seu cliente aquele que se utiliza de tal sistema p[ara fazer chegar a outrem o som ou o sinal que ele tem a faculdade de emitir". Daí decorre que a utilização dos serviços de valor adicionado não depende da obtenção de qualquer autorização da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), pelo menos em princípio. Embora a exploração dos serviços de conexão à Internet fornecidos pelos provedores independa de autorização da ANATEL, é necessário, para isso, a utilização das redes de serviços de telecomunicações. Como essas redes dependem da autorização da Anatel para seu funcionamento, coube a esta regulamentar o condicionamento do uso das redes de serviços de telecomunicações, bem como o relacionamento entre provedores de serviços de conexão à Internet e as prestadoras de serviços de telecomunicações. Redes públicas de telecomunicações As redes públicas de telecomunicações devem dar condições a todos os interessados em explorar serviços de conexão à Internet, desde que observadas certas condições técnicas e operacionais. Os provedores de Internet podem escolher, livremente, quaisquer serviços de telecomunicações oferecidos pelas exploradoras para a utilização de seus serviços. Aos interessados nesse tipo de serviço, basta solicitar diretamente às prestadoras de serviços de telecomunicações o uso das redes de telecomunicações. Tal solicitação deve ser feitas por escrito e deverá conter informações técnicas necessárias à obtenção do direito ao uso das redes de telecomunicações. As prestadoras de serviços de telecomunicações deverão responder a esses pedidos dentro de 30 dias. Note-se que será obedecida a ordem cronológica de recebimento de solicitações para uso das redes de telecomunicações. Em primeiro, a solicitação para o uso da rede não poderá ser negada, salvo por motivo de limitação da capacidade do sistema ou de condições determinadas no contrato de concessão ou no termo de autorização. As condições desse serviço serão diretamente negociadas entre os exploradores de serviços de conexão à Internet e as prestações de serviços de telecomunicações. Qualquer pessoa jurídica poderá explorar a atividade de provedor de conexão à Internet, desde que possua o equipamento técnico necessário e obtenha autorização para o uso das redes de telecomunicações. É também possível às prestadoras de serviços de telecomunicações fornecem serviços de conexão à Internet. Para tanto, elas deverão constituir uma empresa especificamente para esse fim. A empresa prestadora de serviços de conexão à Internet deverá pagar uma taxa à prestadora de serviços de telecomunicações pelo uso da rede. Essa taxa é fixada pela própria prestadora de serviço de telecomunicações. Registro de nome de domínio É quase desnecessário dizer que uma das conseqüências da inexistência de fronteiras na Internet é a ausência de um controle centralizado ou de um órgão regulador único. De qualquer modo, para viabilizar o fluxo de dados via Internet, era preciso determinar um endereço para a emissão e a recepção de dados e informações de cada computador a ela conectado. Esse endereço denomina-se Internet Protocol (IP). Ele é representado por um conjunto de quatro números, separador por pontos. Entretanto, a memorização de um conjunto de números seria muito difícil, para não dizer quase impossível. Por essa razão, foi criado, além dos números, um sistema de nomes, o Domain Nome System (DNS) Sistema de Nome de Domínio. Dentro da estrutura do DNS, nasceram os chamados World Wide Web ("www", ou "web", ou "w3"), isto é, na "teia de alcance mundial", a marca nominativa que

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