2. A PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO EM GOIÂNIA

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1 CANDOMBLÉ, ESPAÇO E POLÍTICA: SEGREGAÇÃO URBANA E AÇÕES PÚBLICAS Rodolfo Ferreira Alves Pena - UEG RESUMO O presente ensejo pauta-se em trabalhar a temática das Religiões de Matriz Africana na cidade de Goiânia (GO), sob a égide da concatenação entre os aportes da Geografia Cultural em consonância com a temática da Geografia Urbana. Assim, a cultura será entendida como uma importante categoria interpretativa, abordada a partir de um viés político, sobretudo ao analisar a questão da problemática da segregação urbana das casas e templos sagrados das Religiões de Matriz Africana e Afrobrasileiras (Candomblé, Umbanda, Congada, entre outras). Para tanto, faremos um breve resgate das contribuições pós-coloniais, mais precisamente trabalhando com o conceito de colonialidade de poder e procurando relacionar essa proposição com as noções de reprodução do espaço urbano. 1. INTRODUÇÃO As contribuições postas no presente artigo têm como intuito principal expor alguns dos resultados da pesquisa que culminará na apresentação de um trabalho monográfico a ser defendido no final do ano, realizado rente ao curso de graduação em Geografia da Universidade Estadual de Goiás, em sua Unidade Universitária de Ciências Sócio-Econômicas e Humanas (UnUCSEH). Além disso, o trabalho também está vinculado à execução e conclusão de dois projetos de pesquisa, a saber: Projeto Igbadu: Territórios, gênero e história dos candomblés de Goiânia (FAPEG/SEMIRA) e Projeto Mães de santo: domínios territoriais, sociais e históricos do sagrado em Goiânia - GO (FAPEG/SEMIRA), coordenados respectivamente pelas professoras Dra. Eliesse Scaramal (UFG-FCHF) e Ms. Mary Anne Vieira Silva (UEG-UnUCSEH). O tema abordado refere-se à segregação urbana imputada sobre as Religiões de Matriz Africana na Região Metropolitana de Goiânia e destacar a problemática da ausência de políticas públicas para esse grupo religioso. Para tanto, partimos da concepção de que os seguimentos religiosos de origem africana demarcam uma posição espacial de grupo sociocultural do meio urbano, uma vez que suas práticas, bem como a sua cosmovisão, inserem-se em uma perspectiva cultural produzida no espaço da cidade. O foco do presente estudo não é o de trabalhar a cultura das religiões afrobrasileiras em Goiás em sua cosmogonia, em seus valores simbólicos e, tão pouco, enveredar-se por um viés fenomenológico. A nossa análise será trabalhada sob o viés dialético, em uma perspectiva totalizante. Nesse intento, realizamos nossa análise partindo das relações materiais, procurando compreender como as práticas culturais produzidas pelas citadas religiões são posicionadas nas hierarquias socioespaciais no âmbito da cidade, mais precisamente na Região Metropolitana de Goiânia. A partir disso, uma das categorias de análise a ser trabalhada é a cultura, elencando as suas dinâmicas em seus diferentes lócus de enunciação no meio 1

2 urbano. Na discussão sobre esse tema, consideramos importante destacar as considerações realizadas por Cosgrove e Jackson (2000). Esses autores realizam uma discussão acerca dos novos rumos dos estudos culturais, nos quais a cultura é entendida conforme as oscilações políticas, em que as imposições de culturas dominantes reproduzem a relação entre conhecimento e poder. Nesse sentido, os autores citados, influenciados por Stuart Hall, destacam a necessidade de focalizar a análise da cultura em termos mais adequados de um subcapitalismo (COSGROVE e JACKSON, 2000, p.25). Assim, vemos a cultura como um aspecto das relações políticas e sociais que se apresentam no espaço. Para além disso, enfatizaremos os processos históricos de formação e constituição da cidade de Goiânia, entendendo como os agentes de produção do espaço agiram nessa metrópole e como o processo de formação da Região Metropolitana de Goiânia (RMG) consolidou uma estrutura hierárquica desigual para aqueles que apresentam disposições culturais e práticas diferenciadas dos modelos padrões normativos da sociedade moral cristã e capitalista. Assim, a situação das religiões afrobrasileiras no espaço metropolitano goianiense requer um debate em que se questione as formas de acessos e direitos ao uso dos lugares na metrópole. Essas religiões são concebidas a partir de lógicas diferenciadas que diretamente marginalizam grupos socioculturais no espaço. Ora essa marginalização acontece a partir dos imperativos econômicos e políticos, ora pela rejeição e preconceito sobre práticas referentes aos simbolismos de outras culturas além daquela fundada pela ideologia dominante. Buscaremos entender como a lógica social imputada no espaço da metrópole corrobora para a existência de uma suposta marginalização de grupos subordinados. Será que a segregação social das religiões afrobrasileiras em Goiânia, já diagnosticada em alguns estudos empreendidos ao longo dos últimos anos (LOUZADA, 2008; RAMOS, 2007; SCARAMAL, 2011; ULHÔA, 2008), também se reproduz espacialmente? Esses estudos, para Scaramal (2011), visibilizam os sujeitos sociais que foram encobertos por práticas de preconceitos e intolerâncias no convívio social e em suas relações históricas, bem como no direito de reconhecimento identitário. Para a autora mencionada o estado de Goiás se apresenta como uma especificidade em relação a outros estados em que essas religiões possuem maiores tradições e historicamente praticam ações de resistências aos elementos que buscam obliterar o seu reconhecimento. Em Goiás, as religiões afrobrasileiras sofrem invisibilidades espacial e semântica que ocasionam a necessidade de ações que primem por alterar a realidade vigente. Para tanto, o espaço urbano se constitui como o lócus de vivência dos grupos marginalizados culturalmente. 2. A PRODUÇÃO DO ESPAÇO URBANO EM GOIÂNIA Inicialmente a cidade de Goiânia foi planejada para comportar a quantidade de 50 mil habitantes (ARRAIS, 2004). O processo de controle do território empreendido pelo Estado diminui após a década de A partir desse período tem-se uma expansão desordenada da cidade, uma vez que essa ausência de controle do Estado permite a criação de inúmeros loteamentos, que de início não apresentam uma infraestrutura adequada para a habitação, como água encanada, saneamento básico e pavimentação asfáltica. 2

3 Diante da crescente e acelerada expansão de Goiânia, Moraes (1991, apud FREITAS, 2004) divide o período de ocupação e transformação do espaço urbano goianiense em quatro fases: Primeira fase ( ): período de criação e ocupação inicial do espaço goianiense. Segunda fase ( ): período de expansão desordenada e perda do controle estatal sobre a criação de novos loteamentos em Goiânia. Esse período é denominado por Moyses, et al (2007) por Boom do Mercado Imobiliário. Terceira fase ( ): período de intensificação do processo de horizontalização de Goiânia. Quarta fase (1975 aos dias atuais): período de surgimento de movimentos sociais organizados que lutam por melhores condições de uso e apropriação do espaço urbano nas regiões norte e noroeste da cidade. Diante dessa intensificação e consolidação do espaço de Goiânia, forma-se a Região Metropolitana de Goiânia (RMG). Ela foi criada pela Lei Complementar nº27, de 30 de dezembro de 1999, art. 1º, que recebeu nova redação dada pelas Leis Complementares nº54, de 23 de maio de 2005 e nº78 de 25 de março de Atualmente compõe os municípios de Goiânia, Abadia de Goiás, Aparecida de Goiânia, Aragoiânia, Bela Vista de Goiás, Bonfinópolis, Brazabrantes, Caldazinha, Caturaí, Goianápolis, Goianira, Hidrolândia, Inhumas, Guapó, Nerópolis, Nova Veneza, Santo Antônio de Goiás, Senador Canedo, Terezópolis e Trindade. Essa periodização e a formação da região metropolitana nos permitem entender o processo histórico de produção do espaço urbano goianiense e, assim, apreender os aspectos que atuaram para a produção espacial da metrópole. Os espaços da cidade passam a atender as necessidades do sistema capitalista. O crescimento urbano favorece a formação de novas ocupações que passam a se localizar em áreas relativamente distantes daquelas centrais. Tal processo promove o surgimento de novas centralidades que, em boa parte, são decorrentes da lógica desigual de concentração de renda, adensamento populacional, intensificação dos vetores produtivos, mercados de consumo e trabalho e lazer. Nesse crescimento, têm-se ordens coesivas, que agrupam determinadas formas comerciais em uma determinada área do espaço, fruto das determinações mercadológicas. Não obstante, os grupos sociais que não atendem determinadas exigências econômicas são segregados nesse espaço especulado, buscando por novas áreas habitáveis, salvo quando o fenômeno da inércia ocorre, uma vez que esse não se faz seguindo modelos e lógicas econômicas ou sociais, mas valores topofílicos ou até ordens subjetivas, que não são analisadas quando se vê o espaço em uma escala totalizante. Essas lógicas de crescimento e expansão da metrópole imputam indubitavelmente a ocorrência dos processos de segregação. 3. SEGREGAÇÃO ESPACIAL E OS INTRUMENTOS LEGITIMADORES DO PODER Villaça (1998) trata da segregação urbana, de um modo geral, a partir da concepção de valor do uso do solo. Nesse sentido, esse autor combate a ideia de 3

4 que a segregação seria uma consequência do valor do uso do solo, onde os solos mais baratos, dotados de condições inferiores de infraestrutura, são ocupados por aqueles que não possuem renda suficiente para adquirir imóveis em locais mais valorizados, estes só ocupados pelos indivíduos mais ricos da sociedade. Na verdade, ao invés de o valor do uso do solo causar a segregação, para Villaça (1998, p.151) os preços do solo é que são frutos da segregação. Assim, o processo de segregação encarado pelo autor como uma tendência e não como um fato seria uma consequência e não uma causa, sendo que as camadas mais ricas ocupariam tanto as terras baratas quanto as terra mais caras. Quando Corrêa (2001) narra o processo de descentralização, fala da formação de novas centralidades e uma conseqüente valorização desse terreno, que antes era ocupado por habitantes de média e baixa renda e, com o passar do tempo, vai sendo ocupado por classes de renda mais elevada devido à intensa especulação do solo, que vai ficando mais caro à medida que a segregação acontece e as casas mais exuberantes vão se erguendo e modificando a paisagem do lugar. Nesses termos, em um outro momento, Villaça (1997, p.6) define segregação como sendo a alta concentração de camadas sociais em determinada parcela do espaço urbano. Isso significa que em nenhuma outra parte da cidade essa concentração é maior. Não significa que nessa parte haja predominância e muito menos exclusividade dessas camadas. O autor nos diz, então, que não é uma inteira homogeneidade ou necessariamente uma predominância da classe dominante em um determinado local do espaço que caracteriza a segregação (ainda que a classe dominada ocupe de forma quase que homogênea as periferias), mas sim o fato de essa mesma classe dominante tenha preferências no acesso a setores mais valorizados. Em suma, podemos entender a segregação como um produto da existência de classes sociais, sendo a sua espacialização no urbano (CORRÊA, 1995, p.60) É importante destacar que estamos falando de segregação sob a ótica da dominação, pois ainda existem outras formas sociais desse processo reproduzidas no espaço, como a segregação funcional, no sentido de formação de polos industriais, em que as grandes fábricas e indústrias são deslocadas para determinadas localidades a fim de atender necessidades logísticas dessas corporações, bem como direcionar o fluxo dos transportes, entre outros fatores que se resumem em ordens de planejamento territorial do uso da cidade. Além disso, fala-se também na auto segregação, onde a classe dominante se desloca espontaneamente para outras localidades que não centrais, a fim de evitarem a marginalidade e a violência presente nesses grandes centros, isolandose em condomínios fechados afastados, mas com condições logísticas privilegiadas, muitas vezes efetuadas pelo Estado, a fim de garantir plenas condições de mobilidades dos grandes proprietários de renda no que diz respeito ao acesso às áreas centrais e aos pontos comerciais da cidade. Dessa feita, encaramos a segregação como a dinâmica própria da divisão espacial do trabalho em que se considera não só quanto ao aspecto da produção, mas principalmente quanto ao consumo diferenciado à produção pelas diferentes classes sociais (FREITAS, 2004). Ainda arriscamos em ir um pouco mais além e 4

5 encarar a segregação também como um processo de reprodução de uma dominação histórica do padrão de vida eurocêntrico sobre todas as outras formas de comportamento, onde a lógica da cidade se faz de acordo com o padrão de vida europeu, que disciplina a sociedade e a produção do espaço e exclui do meio urbano qualquer disposição cultural que siga uma outra lógica espaço-temporal. Mais adiante trabalharemos essa conceituação mais detalhadamente. Corrêa (1995) chama de dinâmica espacial da segregação o processo de sua própria capacidade de transformação. Repetindo a tese de Villaça (1991) a segregação é uma tendência e não um fato torna-se claro que entender a sua dinâmica é fator de máxima importância no presente trabalho. Em termos gerais, a dinâmica da segregação urbana pode ser entendida através do processo de ocupação da cidade. Com a formação inicial os sítios naturais ou áreas centrais no seio da cidade, as populações de alta renda e algumas de classe média, ocupam essas centralidades. Com o processo de expansão urbana, êxodo rural e aglomeração de uma população pobre, essas classes mais abastadas realizam uma segregação voluntária, dirigindo-se para áreas mais afastadas dos grandes centros. É valido ressaltar que a auto segregação, de acordo com inúmeros autores, como Corrêa (1995), Villaça (1997), Santos (2004), Carlos (2007), não se faz isolada, relaciona-se dialeticamente com a segregação enquanto imposição social, de modo que auto segregação implica em outras segregações que reproduzem as dominações sociais. Além disso, o processo de descentralização que não se faz somente por essa atitude de migração da classe dominante, como também da necessidade de criação de novas centralidades no espaço da cidade, faz com que setores que antes possuíam uma baixa especulação imobiliária, passem a ser mais valorizados, o que dificulta a permanência da população de baixa renda que outrora ocupara essas localidades, uma vez que o padrão de vida muda, os impostos aumentam e a paisagem se transforma. Como consequência, existem casos de segregação, pois além da possibilidade de permanência da população de baixa renda nessas novas áreas centrais se tornar comprometida, o próprio acesso a essas localidades se torna um privilégio (CORRÊA, 2001). De acordo, então, com os autores mencionados, podemos perceber que a classe dominante se agrupa em espécies de núcleos que, em sua maioria, circunda a antiga área central. Villaça (1998) denomina esse processo como a decadência do centro, sendo que a partir de um ponto de contato com o centro, essas classes se expandiram num setor de círculo por bairros próximos ao centro (VILLAÇA. 1998, p.154). Na cidade de Goiânia, temos claramente a reprodução do processo acima narrado. A área central, que constituía a área inicial de planejamento da cidade, foi sendo desocupada a partir da década de 1950 pela classe dominante, em virtude do processo de descentralização bem como pelos altos índices de violência e periferização dessa área. Novas centralidades surgiram ao redor do centro de Goiânia, em bairros como o Setor Bueno, Marista, Sul, Sudoeste, Oeste, Coimbra, Urias Magalhães e, posteriormente, alguns um pouco mais afastados, como o Jardim América, Parque Amazônia e até mesmo alguns bairros da cidade de Aparecida de Goiânia, que já se encontra conurbada com a capital. 5

6 Nesse processo, as populações que antes moravam nesses bairros foram aos poucos os deixando para áreas com impostos mais baratos e menor custo de vida. Restava à população migrante de baixa renda ocupar áreas periféricas de Goiânia ou da Região Metropolitana, uma vez que a especulação imobiliária dessas novas áreas centrais elevou em demasia o preço do solo nos supracitados bairros. Temos aí a segregação espacial reproduzida na metrópole goianiense. 3. O ESPAÇO URBANO MOLDADO PELA COLONIALIDADE DE PODER Já destacamos aqui que procuramos ver a segregação urbana como uma reprodução da divisão social de classes, ampliando esse conceito para uma reprodução também das hegemonias históricas do poder eurocêntrico. Quijano (2005) trabalha com o conceito da colonialidade de poder. Partindo do conceito foucaultiano de poder disciplinar, que fala da existência de um poder geral, ditado ou não por leis, que condiciona a vida do indivíduo na sociedade, Quijano destaca que essa forma de condicionamento ou de disciplinarização acontece em sociedades antes colonizadas sobretudo na América Latina reproduzindo o modelo europeu de sociedade, de produção e de vivência. Nesse sentido, entendemos o fenômeno da segregação urbana como uma reprodução desse modelo no espaço. Essa forma de poder apresenta-se, entre outras coisas, como um fator político e, assim, como destaca Massey (2009), cria a sua própria espacialidade. Esse conceito é tratado por Quijano a partir das relações de dominação, onde as hierarquias sociais em todo mundo são definidas a partir do fator raça. Entretanto, os critérios definidores desse padrão não possuem uma lógica definida: A formação de relações sociais fundadas nessa ideia produziu na América identidades sociais historicamente novas: índios, negros e mestiços, e redefiniu outras. Assim, termos como espanhol e português, e mais tarde europeu, que até então indicavam apenas procedência geográfica ou país de origem, desde então adquiriram também, em relação às novas identidades, uma conotação racial. E na medida em que as relações sociais que se estavam configurando eram relações de dominação, tais identidades foram associadas às hierarquias, lugares e papéis sociais correspondentes, como constitutivas delas, e, consequentemente, ao padrão de dominação que se impunha. Em outras palavras, raça e identidade racial foram estabelecidas como instrumentos de classificação social básica da população (QUIJANO, 2005, p.107) 1. Destarte, habitando um mesmo espaço, tem-se os diferentes segmentos étnicos que se distribuem ao longo do território, este hierarquizado pelas formas dominantes de pensamento, que se auto sustentam a partir de seus próprios valores e de sua concepção de maioridade, colocando-se acima dos demais saberes produzidos e colonizando os seus comportamentos e vivências cotidianas. Essas formas de pensamento agem em prol da imposição do seu próprio padrão de vida 1 Grifos do autor. 6

7 sem se importarem com a lógica de produção e uso do tempo e do espaço das manifestações socioculturais realizadas pelos povos subalternizados. Essas formas deterministas de imposição da ideia de raça, impregnam todas e cada uma das áreas de existência social e constituem a mais profunda e eficaz forma de dominação social, material e intersubjetiva, ou seja, agem em todas as escalas, do local ao global, agindo inclusive nas relações cotidianas mais triviais, formando a base intersubjetiva mais universal de dominação política dentro do atual padrão de poder (QUIJANO, 2002, p.4). Dessa feita, podemos dizer que a colonialidade do poder, enquanto uma forma aguda e atual do poder disciplinar, age enquanto imperativo sobre as práticas subalternas, erigidas sob os ditames de uma hegemonia que se configura e é legitimada pelas condições impostas pelo histórico processo de colonização e consolidadas pela globalização dos dias atuais. Atualmente, o conceito de colonialidade de poder vem ganhando cada vez mais destaque dentro das ciências sociais. Entretanto, dentro da Geografia não encontramos atualmente registros sobre essa discussão, o que é um grave problema. Outra preocupação é a de que os debatedores dessa discussão, com destaques para Santos (2002; 2004; 2010), Lander (2005), Castro-Gómez (1998; 2005a; 2005b), Mignolo (2005), entre outros, não apresentam registros, em suas análises, de um debate sobre a forma com que essa colonialidade se relaciona com os padrões espaciais, sobretudos os realizados no âmbito da cidade. A cidade, por sua vez, é o resultado da construção daquilo que nela é praticado, enquanto que o urbano é a sua construção, a imposição de abstrações, formalidades e aparências. Assim, uma sociedade colonial produz um espaço urbano colonial, e a cidade é a representação dessa produção, pois, como diz Lefebvre (1991, p.47), a cidade tem uma história: ela é a obra de uma história, isto é, de pessoas e de grupos bem determinados que realizam essa obra nas condições históricas. Desse modo, as análises de conformação de uma história não devem negligenciar o debate da vivência social adquirida no contexto citadino e tão pouco os estudos sobre a cidade devem se esquecer das constituições da história. Corrêa (2001, p.150), em sua já clássica expressão, nos faz lembrar que fragmentado, articulado, reflexo e condicionante social, o espaço urbano é também o lugar onde os diferentes grupos sociais vivem e se reproduzem, [...] um campo simbólico que tem dimensões e significados variáveis. Desnecessário então dizer que esse campo simbólico é palco das mais diferentes formas simbólicas. Essas produções simbólicas fazem desse campo, uma arena, onde os dominantes, aqueles socialmente mais potentes, conseguem ocupar o lugar mais alto das hierarquias que se conjugam nessa arena simbólica. Assim, concordamos com Carlos (2003, p.71) quando afirma que no embate entre o que é bom para o capital e o que é bom para a sociedade hoje, o urbano se produz, a cidade se estrutura e a paisagem ganha a sua configuração. O estudo de caso do presente trabalho é uma expressão sobre como se configuram essas relações. Ao longo das pesquisas empreendidas, diagnosticamos a notória espacialidade das casas de Candomblé ao longo da Região Metropolitana de Goiânia; notamos, enfim, a forma com que o processo de segregação age sobre elas e a dificuldade que os praticantes dessa religião possuem em negociar por 7

8 políticas e ações públicas que propiciem melhores condições na busca pela sobrevivência da cultura de matriz africana. Nesse ínterim, o espaço urbano se configura como reprodutor e também como articulador desses processos, fomentando diferentes graus de invisibilidade, onde se torna nítida na vivência da cidade a ampla hegemonia existente, por exemplo, pelas religiões de credo dominante, sobretudo as de cunho cristão. Praças são construídas aos arredores de igrejas e templos católicos, grandes salões pentecostais se erguem em espaços privilegiados e de fácil acesso, ao mesmo tempo em que as práticas umbandistas e candomblecistas são realizadas longe dos olhos dos espectadores menos atentos, que vivenciam a cidade mas não percebem o que se esconde por trás dela. As prerrogativas que ditam essas condições advêm da colonialidade aqui já explicada, que permeia os mais diferentes graus e escalas da sociedade, e exerce o seu controle desde as mais infinitesimais relações até a amplitude social em seu todo. Divisões raciais foram criadas, onde ao dominador europeu atribui a si a condição de branco e aos inferiores a denominação das raças de cores. Assim, como salienta Quijano (2010, p.121), isso facilitou a naturalização do controle eurocentrado dos territórios, dos recursos de produção na natureza. Isso propiciou a geração das classificações sociais, estas se estabeleceram na cidade e fizeram desta o seu espaço de sustento, uma vez que os territórios, sejam eles urbanos ou rurais, tinham o controle do sujeito colonizador. No presente estudo, entendendo que as Religiões de Matriz Africana são legado das produções culturais dos povos subalternos nessa colonialidade do poder, podemos perceber o quão sólida são essas dominações e o grau de concretude que elas ainda se apresentam na atualidade. 4. A NECESSIDADE DE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA O POVO DE SANTO EM GOIÂNIA E REGIÃO METROPOLITANA As origens do Candomblé e Umbanda no Brasil remontam ao período colonial brasileiro, quando a força de trabalho era a escravocrata e quando o tráfico de negros advindos da África para o Brasil se fez mais intenso. Desse modo, os mais diversos troncos étnicos africanos habitaram o mesmo espaço em terras brasileiras, que passou a se configurar como um espaço diaspórico. Cada um desses troncos étnicos tinham os seus próprios padrões culturais de vivência, bem como os seus próprios cultos. O que ocorreu no Brasil foi a interação entre essas diferentes práticas culturais, sendo que tal processo resulta na africanidade hoje presente. Dessa africanidade, surgiram religiões como o Candomblé, a Umbanda e algumas outras distribuídas pelas mais diversas localidades do país. Em Goiás, as Religiões de Matriz Africana se constituíram apenas em meados do século XX, advindas, sobretudo, da Bahia e do Rio de Janeiro. Essas religiões, atualmente, não dispõem das mesmas condições que as religiões cristãs na busca por sua sobrevivência. Em Goiás, por exemplo, até o momento não existem registros de políticas públicas voltadas para o povo de santo, enquanto frequentemente são realizadas ações pelo Estado que se autoproclama laico em favor das religiões Católica e Protestante. 8

9 Para elencar brevemente os problemas existentes no que se refere às atuais condições das comunidades de terreiro na Região Metropolitana de Goiânia, foram realizados visitas a campo em diferentes casas de Candomblé, algumas poucas localizadas na mancha urbana da metrópole goianiense e outras muitas localizadas nas zonas mais periféricas. Os problemas constatados são: 1. Alto custo dos impostos cobrados, sobretudo os impostos fundiários. A valorização resultante da especulação imobiliária eleva os gastos para a manutenção das casas à medida que o processo de verticalização se intensifica. 2. Dificuldade dos praticantes em conseguir locais adequados para a realização de seus cultos. Esse problema é ainda mais agravante quando se vê a realidade que as casas de Umbanda têm de praticar os seus rituais em quintais da casa civil de seus líderes. 3. Problemas na obtenção de renda e benefícios. Os pais-de-santo não possuem acesso direto a qualquer direito trabalhista, ao contrário do que acontece com padres e pastores. Isso faz com que esses pais-de-santo tenham de buscar por outras fontes de renda ou inserir suas casas na lógica de um mercado religioso cada vez mais complexo. 4. Problemas de salubridade. Muitas casas não possuem o mínimo de condições de higiene necessária, não pela falta de cuidado de seus zeladores, mas pela falta de condições financeiras para manterem as suas casas. 5. Problemas de acessibilidade e infraestrutura. Muitas casas se encontram em regiões periféricas da cidade devido aos imperativos causados pelo processo da segregação urbana. Essas localidades não contam com ruas asfaltadas (estas muitas vezes apresentam erosões que dificultam em demasia o traslado dos praticantes), água encanada e/ou tratamento de esgoto. 6. Degradação ambiental provocada pelo crescimento das cidades. O Candomblé precisa da natureza para a realização de seus cultos, uma vez que as matas, os rios e tudo mais são elementos sagrados dentro dessa religião, entretanto, a expansão do meio urbano dificulta a preservação desses elementos. Há, inclusive, o registro de duas casas de Candomblé na cidade de Aparecida de Goiânia que sofrem com processos de erosões nos rios que passam ao fundo de suas casas Problemas jurídicos. Os terrenos onde geralmente se realizam as práticas das Religiões de Matriz Africana quase sempre são de propriedade particular do líder da casa ou de algum de seus membros. Em casos de falecimento do dono da casa, os direitos de propriedade passam a ser da família do proprietário, independente de essa fazer ou não parte da religião, o que se configura como um problema, pois essa é a base para gerar conflitos entre as famílias que, de direito, tem a propriedade da casa dos religiosos que nela habitam. 2 Esses dois casos citados, foram devidamente investigados no esforço do presente trabalho e serão detalhados no próximo capítulo. 9

10 A despeito das problemáticas encontradas, o Artigo 44 do Código Civil brasileiro faz as seguintes considerações: Art. 44. São pessoas jurídicas de direito privado: I - as associações; II - as sociedades; III - as fundações. IV - as organizações religiosas; (Incluído pela Lei nº , de ). V - os partidos políticos. (Incluído pela Lei nº , de ). 1o São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento 3. Para o Código Civil brasileiro, as organizações religiosas podem ser consideradas pessoas jurídicas, ou seja, possuem garantias e o direito de possuírem o seu CNPJ (Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas). Conforme o Código Civil, ainda, as instituições religiosas dispõem de algumas benesses quando devidamente registradas. Para que o registro ocorra, no entanto, faz-se necessário seguir alguns critérios estabelecidos por lei, como criar um estatuto interno, possuir ata de fundação, bem como discriminar em documento específico o nome da liderança e o local onde são praticados os cultos, caso exista um endereço fixo. Após ser devidamente realizado o registro, as casas possuidoras de CNPJ passam a gozar dos seguintes benefícios: 1. Direito à isenção de imposto de renda; 2. Direito à isenção de impostos fiscais (como o IPTU, IPVA, ISS, etc.). 3. Direito de recebimento de doações dos praticantes, da comunidade externa ou do Estado; 4. Os líderes podem ser dispensados de serviços militares; 5. Autonomia jurídica: o direito de praticarem os seus cultos sem o risco de infligirem as leis. Exemplo: praticar o sacrifício de animais sagrados em oferenda aos orixás ou inquices sem o risco de sofrer sanções do IBAMA por desrespeitarem o código ambiental; 6. Direitos trabalhistas. Os líderes (pais-de-santo e babalorixás) têm o direito, por exemplo, de se aposentarem e todos os praticantes que possuírem cargos no terreiro, o de receber salário; 7. Liberdade de realizar casamentos dentro do próprio terreiro; 8. Intervenções sanitárias, caso seja necessário o apoio do Estado para suprir determinadas condições de insalubridade ou problemas coletivos de saúde dentro da religião; Ao analisar então o amparo que as leis garantem para os praticantes e os problemas que constatamos durante as visitações em campo, problematizamos a 3 Grifo nosso. 10

11 seguinte questão: se as leis asseguram essa série de benefícios, porque os mesmos não são executados? Talvez, de início, a resposta esteja no fato de a maioria das casas de Religiões de Matriz Africana em Goiânia e Região Metropolitana não ser registrada perante o Estado, vivendo em uma espécie clandestinidade. A hipótese é a de que os diferentes terreiros não apresentem grandes articulações e um bom grau de organização. Outro fator é a desinformação por parte dos praticantes dessas religiões acerca de seus benefícios. Sobre essa questão, a Federação de Umbanda e Candomblé do Estado de Goiás (FUCEGO) realizou o 1º Seminário de Religiosidade de Matrizes Africanas do Estado de Goiás nos dias 17 e 18 de junho de 2011 para discutir essas e outras questões. De forma resumida, uma das considerações desse seminário foi justamente a falta de organização dos praticantes das Religiões de Matriz Africana na busca pela ocupação dos espaços públicos. Para os participantes desse evento, é preciso sair da clandestinidade e deixar de se esconderem, se mostrarem para a sociedade e, assim, lutar devidamente pelos seus direitos. Durante o seminário organizado pela FUCEGO, realizou-se uma mesa de discussão acerca da necessidade do registro das casas de Candomblé, Umbanda e de outras denominações religiosas que também possuem influência africana em seus cultos, como é caso da Congada 4. O objetivo dessa mesa era o de esclarecer aos participantes os procedimentos necessários para a formalização de suas casas para a criação de CNPJ, detalhando todos os trâmites burocráticos a serem cumpridos. Na exposição, a fala predominante era a de que as Religiões de Matriz Africana possuem direitos consagrados em constituição mas que, pelas amarras históricas de encobrimento e retaliação às práticas dessas religiões, as mesmas erroneamente se esconderam e, portanto, não procuraram exercer os seus direitos garantidos em lei. Entretanto a fala de uma mulher responsável pela organização de um grupo de Congada em Goiânia foi bastante significativa para que se percebesse que o problema não é tão simples. Ela relatou que, há um certo tempo, cumpriu todos os processos exigidos pela lei para formalizar a sua religião, entretanto, não conseguiu completar a sua missão pelo simples fato de o cartório onde ela tentou registrar a sua casa não reconhecer a Congada como prática religiosa. A praticante ainda relata o preconceito que sofreu pelos funcionários do setor público que a atendeu. Assim, percebemos que o processo é histórico e se reproduz em todas as esferas da sociedade, inclusive dentro dos próprios aparelhos do Estado. Dessa forma, não é o simples ato do fazer aplicar a lei a resolução dos processos históricos de encobrimento para com as Religiões de Matriz Africana em Goiás. Em outras palavras, podemos dizer que a lei existe, porém a sua existência e a sua aplicação são instâncias completamente diferentes. Além do mais, não existem registros de benefícios adquiridos pelas casas que venceram as barreiras e conseguiram registrar as suas casas. Com isso, percebemos que os processos de encobrimento vão muito mais além do que a própria posição do Estado para com os grupos minoritários. 4 A Congada se trata de um desfile ou procissão que reúne elementos das tradições culturais e religiosa da Angola e do Congo com influências das tradições ibéricas e cristãs. 11

12 No ano de 2005, a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Municipal da cidade de Goiânia (SEPLAM) realizou um levantamento acerca das concessões de terrenos realizadas pela prefeitura municipal para entidades religiosas em Goiânia. O resultado desse levantamento foi a elaboração de um documento que detalhava todos os endereços dos locais onde foram realizadas as doações, a destinação original desses terrenos e o seus destinos finais, inclusive discriminando quais foram as entidades religiosas que contaram com o benefício. As informações geradas por esse documento podem ser mais bem analisadas a partir dos gráficos 01 e 02 a seguir: Gráfico 01 Detalhamento dos destinos originais dos terrenos doados para entidades religiosas em Goiânia entre os anos de 1980 e Fonte: SEPLAM, Gráfico 02 Relação dos segmentos religiosos que receberam terrenos da prefeitura de Goiânia entre os anos de 1980 e Destaque para a Maçonaria que, mesmo não sendo uma religião, também consta nos dados. Fonte: SEPLAM, Ao proceder as análises dos dois gráficos acima, percebemos, primeiramente, que apenas 10 (dez) do total de 25 (vinte e cinco) terrenos doados para entidades religiosas em Goiânia realmente estavam planejadas para esse intuito. O restante, 12

13 segundo consultas juntamente ao próprio SEPLAM, são frutos, provavelmente, de projetos de leis enviados por vereadores e/ou membros da Assembleia legislativa. Em um segundo momento, percebemos também que, de acordo com o gráfico 02, não foram registradas doações para Religiões de Matriz Africana no período acima elencado. Na busca pela atualização dos dados, não foram obtidas novas informações, uma vez que a SEPLAM não atualizou o estudo realizado. Mas os nossos trabalhos realizados juntamente à FUCEGO e aos praticantes das Religiões de Matriz Africana mostram que nenhuma doação aconteceu para as suas entidades. Assim, temos a comprovação do não reconhecimento do Estado para com essas religiões e, o mais agravante, que a laicidade do Estado é questionável, uma vez que o mesmo dispõe de mecanismos de favorecimento das religiões historicamente hegemônicas em Goiás e no Brasil, sobretudo o catolicismo e o protestantismo. Assim, percebemos que o Estado age enquanto agente da dominação, que reproduz no espaço a lógica de valores coloniais e desconhece a diferença entre os grupos, negando as vivências pluriculturais, apesar de esse comportamento não estar previsto em lei. 5. À GUISA DE UMA CONCLUSÃO As Religiões de Matriz Africana em Goiás inserem-se em uma lógica de subalternidade frente aos ditames de poder existentes na sociedade contemporânea. Nesse sentido, entendemos que a lógica de produção do espaço, bem como a ampliação da rede urbana nas grandes e médias cidades são determinados por inúmeros fatores, dentre os quais procuramos enfatizar o histórico processo de colonialidade que, mesmo tempos depois do processo de colonização, ainda se faz presente no cotidiano e nas práticas socioespaciais. Assim, consideramos ser necessária uma ampliação desse debate, enfatizando o processo de desigualdade existente, através de materiais didáticos como cartilhas e panfletos explicativos que permitam ao grande público ter acesso às informações pertinentes aos problemas elencados durante a nossa pesquisa. Nesse sentido, o que se tem atualmente no Estado de Goiás é definitivamente muito pouco, apesar dos esforços realizados, por exemplo, pelo Centro Interdisciplinar de Estudos África-Américas (CIEAA/Neab/UEG), em denunciar a atual realidade e propor ao Estado algumas políticas de contrapelo à realidade proeminente 5. Todavia, é preciso, sem dúvida, um maior envolvimento do chamado povo de santo em estabelecer um movimento organizado em favor de seus interesses e a realização de mais debates no sentido de estabelecer um maior esclarecimento sobre as possíveis ações públicas em favor desse grupo religioso historicamente desfavorecido em suas práticas. Além do mais, é preciso que o subalterno se posicione a fim de questionar a ordem geral do sistema capitalista que cria uma imagem do homem burguês ocidental e oblitera tudo o que foge à sua imagem. Essa posição só será possível por meio de uma maior articulação interna entre as diferentes casas de Candomblé e Umbanda, bem como através de uma plena 5 Tais esforços podem ser detectados através do site 13

14 atuação da Federação de Candomblé e Umbanda do Estado de Goiás junto aos praticantes dessas religiões. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ALFREDO, Anselmo. Economia Política da Cidade. In: CARLOS, Ana Fani A. (org.). Ensaios de Geografia Contemporânea. Milton Santos: obra revisitada. São Paulo: Hucitec, ARRAIS, Tadeu de Alencar. Geografia Contemporânea de Goiás. Goiânia: Ed. Vieira, CARLOS, Ana Fani A. A Cidade. 7ª ed. São Paulo: Contexto, O Espaço Urbano: novos escritos sobre a Cidade. São Paulo: Labur Edições, CASTRO-GÓMEZ, Santiago. Geografías poscoloniales y translocalizaciones narrativas de lo latinoamericano. In. FOLLARI, Roberto e LANZ, Rigoberto (org.). Enfoques sobre Posmodernidad en América Latina. Caracas: Editorial Sentido, CORRÊA, Roberto Lobato. Espaço: um conceito-chave para a Geografia. In: CASTRO, Iná Elias, GOMES, Paulo C. da Costa e CORRÊA, Roberto Lobato (orgs.). Geografia: Conceitos e Temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995a.. O Espaço Urbano. 3º ed. São Paulo: Ática, 1995b.. Trajetórias Geográficas. 2ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, COSGROVE, Denis e JACKSON, Peter. Novos Rumos da Geografia Cultural. In: CORRÊA, R. L. e ROZENDAHL, Z. (orgs.). Geografia Cultural: um século (2). Rio de Janeiro: EdUERJ, pp FREITAS, Cesar A. Labre Lemos de. Vale dos sonhos: movimentos sociais urbanos e disputa pelo espaço em Goiânia. Dissertação de Mestrado, IESA/UFG: Goiânia, GOMES, Paulo César da Costa. A Condição Urbana. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, LEFEBVRE, Henri. O Direito à Cidade. São Paulo: Editora Moraes, LOUZADA, Natália do Carmo. Religiões Afrobrasileiras e de Matriz Africana em Goiânia: uma proposta de Análise Pós-Colonial. Monografia - Graduação em História, Universidade Estadual de Goiás. Anápolis, MOYSES, Aristides; SILVA, Eduardo Rodrigues; BORGES, Elcileni de Melo e RIBEIRO, Marcelo Gomes. Da Formação Urbana ao Empreendedorismo Imobiliário: a nova face da metrópole goianiense. Mercator, Revista de Geografia da UFC, ano 06, nº 12, QUIJANO, Anibal. Colonialidade do poder, Eurocentrismo e América Latina. In: LANDER, Edgardo (org.). A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas latino-americanas. Buenos Aires: Colección Sur Sur, CLACSO, pp

15 RAMOS, Marcos Paulo de Melo. A Negativação Semântica das Religiões de Matriz Africana a Partir do Discurso Evangélico - Monografia - Graduação em História, Universidade Estadual de Goiás. Anápolis, QUIJANO, Anibal. Colonialidade, Poder, Globalização e Democracia. Revista Novos Rumos. nº 37, pp Colonialidade do poder e classificação social. In: SANTOS, Boaventura de Sousa; MENESES, Maria Paula (orgs). Epistemologias do Sul. São Paulo: Cortez, pp SANTOS, Boaventura de Sousa. Para uma sociologia das ausências e uma sociologia das emergências. Revista Crítica de Ciências Sociais. nº 63, pp SANTOS, Milton. Por uma Geografia Nova: da crítica da Geografia à Geografia Crítica. São Paulo: Hucitec, O Espaço Dividido: Os dois circuitos da Economia Urbana nos Países Subdesenvolvidos. 2ª ed. São Paulo: Edusp, A Natureza do Espaço: Técnica e tempo, razão e emoção. 4ª ed. São Paulo: Edusp, SCARAMAL, Eliesse. Notas bibliográficas sobre a história do Candomblé em Goiás ( ). Revista Brasileira de História das Religiões. Maringá (PR) v. III, n.9, Disponível em Acesso em: 07 de julho de SOUZA, Marcelo Lopes de. Mudar a Cidade: uma introdução crítica ao planejamento e gestão urbanos. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, O Desafio Metropolitano: um estudo sobre a problemática sócio-espacial nas metrópoles brasileiras. 2ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, TOLEDO JR., Rubens de. O Espaço como Instância Social: a base para uma Geografia Nova. In: CARLOS, Ana Fani A (org.). Ensaios de Geografia Contemporânea. Milton Santos: obra revisitada. São Paulo: Hucitec, ULHOA, Clarissa Adjuto. Ilê Axé Omi Bagtô Jegedé: apontamentos preliminares sobre o processo de constituição do primeiro terreiro goiano de Ketu. Monografia - Graduação em História, Universidade Estadual de Goiás. Anápolis, VILLAÇA, Flávio. Efeitos do Espaço Sobre o Social na Metrópole Brasileira. VII Encontro Nacional da ANPUR. Recife, Espaço Intra-Urbano no Brasil. São Paulo: FAPESP, Lincoln Institute,

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