CÂMARA DOS DEPUTADOS Gabinete do Deputado FERNANDO JORDÃO - PMDB/RJ Brasília, 21 de março de 2011.

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1 Gabinete d Deputad FERNANDO JORDÃO - PMDB/RJ Brasília, 21 de març de Quand ingressei cm Requeriment slicitand a presença de Vssas Senhrias na Cmissã, estava assustad, cm, aliás, tda a ppulaçã, cm s acnteciments d Japã. Eu esperava que pudéssems discutir sistema de segurança d Cmplex Nuclear Álvar Albert, em Angra ds Reis e desenvlver, de fat, uma frma de envlver tda a ppulaçã na execuçã das simulações d Plan de Emergência. O Sistema de Prteçã a Prgrama Nuclear Brasileir fi instituíd pel Decret-Lei n 1809, de 07 de utub r de 1980, e regulamentad em 1997 Para atender as requisits de licenciament da Usina Nuclear Angra 1, fi elabrada em 1978, a primeira VERSÃO DO Plan de Emergência Extern Trcems, bviamente, que nunca precisems clcar em prática tal plan. Mas se fr precis fazê-l será que a nssa ppulaçã, principalmente s mradres a redr das usinas, estã apts a cumprir suas atribuições? Fui Prefeit de Angra ds Reis pr dis mandats e estu cnvict de que a nssa ppulaçã nã sabe que fazer e, mesm s que participam das simulações feitas a cada dis ans, em sua grande mairia, nã entende a imprtância de tal at e tampuc acredita na eficácia desse trabalh? O Plan de Emergência Extern d Estad d Ri de Janeir estabelece a remçã da ppulaçã terrestre que nã pssui meis própris, pr mei de ônibus da Eletrnuclear e das empresas cncessinárias de transprte da regiã Os abrigs sã as esclas municipais e estaduais predefinidas 1

2 Gabinete d Deputad FERNANDO JORDÃO - PMDB/RJ Já s ilhéus seriam remvids pel Primeir Distrit Naval e serã brigads n Clégi Naval de Angra ds Reis. Paira n ar uma grande insegurança, até mesm descnfiança: muits duvidam que alguém virá resgatá-ls? Além diss, na simulaçã tud parece muit ensaiadinh, cm num filme de rteir pré-definid. O clima está quase sempre perfeit. A simulaçã nunca é feita em dias de chuva O imprvis praticamente nã existe. O rteir é cumprid em td seu rigr. As datas esclhidas sã sempre fra de qualquer feriad. Tds estã na expectativa de que as sirenes irã tcar numa hra determinada, sem surpresa. Mesm assim, e talvez pr iss mesm, muita cisa acaba nã cnvencend. As pessas, mradres mesm, encaram quase cm uma diversã um entreteniment, e nã cm alg séri que pde salvar a sua e a vida de muitas utras pessas. Além diss, há inúmeras dúvidas que pairam n ar. A mbilizaçã da cmunidade será feita através de um sistema de alarme de sirenes, cmpst pr 8 trres dtadas de sirenes de alta ptência, acinad, inclusive, pr cntrle remt, e que pde até emitir mensagens gravadas u em viva vz. Mas esse sistema já teve prblemas cm um acinament acidental e geru um cas ttal. Pr frça de um relev bastante acidentad, nenhuma rádi alcança tda a extensã d municípi e, prtant, as mensagens pdem nã chegar a tds. Mas n plan está 2

3 Gabinete d Deputad FERNANDO JORDÃO - PMDB/RJ previst que as estações de rádi e TV estã preparadas para divulgar instruções em cas de necessidade. O que será feit entã para garantir a eficiência dessa cmunicaçã? Pelas infrmações que ns chegaram, a rede de TV que deverá transmitir as mensagens de alerta será a Master TV. Se iss fr verdade, tems um grande prblema, prque ela é uma TV a cab, que só pega em partes específicas, já que na mair parte de Angra nã há cabeament, iss sem cntar cm fat de que as pessas de menr renda nã têm acess a essa tecnlgia. Quem irá tirar as pessas da área a ser evacuada? Onde essas pessas ficarã reunidas? Ns pnts de reuniã, cuja mairia é descampada, cm acntece n pst de gaslina d Frade? Lembrem-ns que n Japã, a recmendaçã fi de que tds ficassem em casa para nã se submeterem a partículas radiativas que pderiam pairar n ar. Nesses pnts de reuniã haverá atendiment médic para quem precisar? Deve-se ressaltar que muitas pessas ficarã nervsas e, crises de hipertensã, pr exempl, serã cmuns. O Hspital de Praia Brava terá cndições plenas para atender as necessidades? Cm garantir que suas instalações nã serã atingidas pela radiaçã, vist que ele se lcaliza tã pert das usinas? Será que nã seria mment de investirms n Hspital de Emergência, lcalizad n bairr da Japuíba, para atenderms a demanda que existirá? Além diss, precisams ns atentar a fat de que s mradres da área a lad de Paraty. Nesse cas precisams 3

4 Gabinete d Deputad FERNANDO JORDÃO - PMDB/RJ pensar na unidade de saúde de Paraty, bem cm n treinament de seus prfissinais. Lembrem-ns também, que há pucs meses, esse hspital enfrentu prblemas cm seu pessal, inclusive cm intervençã de diversas autridades, que questinaram víncul trabalhista ali existente. Quant temp demrará s ônibus para transprte? Nesse mei temp haverá alimentaçã para essas pessas? E quem mra nas Ilhas, cm serã transprtads? E as nssas estradas estã em cndições de fazer parte dessa evacuaçã. A BR-101 funcina precariamente e em alguns trechs s desmrnaments sã cnstantes e tráfeg, quand existe, vem send feit em desvis que mais parecem trilhas. A RJ 155 é uma estrada cm traçad muit ruim, que passa pr uma serra e que nã suprtaria um grande flux de veículs numa mesma direçã, apesar de ter sid recentemente revitalizada. Pr tud iss e muit mais é que pensams que Plan de Evacuaçã deve cmeçar d iníci literal: Primeir cnscientizand a ppulaçã, cm um trabalh cnstante, séri e eficaz. Os calendáris que a Eletrnuclear elabra, apesar de serem maravilhss adrns, nã têm funcinad nessa cnscientizaçã da ppulaçã, nem tampuc em sua infrmaçã. O trabalh precisa cmeçar nas esclas, numa parceria séria cm as redes de ensin. Nã só para fazer uma visita guiada as instalações, mas para sanar as dúvidas, infrmar e, principalmente, fazer a sciedade entender que ela tem 4

5 Gabinete d Deputad FERNANDO JORDÃO - PMDB/RJ que ter cnsciência de que sem ela nã haverá plan de evacuaçã que funcine. Mas essa respnsabilidade nã é da sciedade, é da empresa, d gvern, que instalu em Angra ds Reis duas usinas nucleares, vai instalar a terceira e nã está levand a séri a necessidade de envlver a sciedade em td esse prcess de prevençã. Sei que muit já fi investid niss, mas s resultads sã pífis, diante da desinfrmaçã existente. Para finalizar gstaria de frisar que mais imprtante que tdas as ações gvernamentais é a participaçã da cmunidade. Afinal, nã só em cas de acidentes nucleares, mas em qualquer crrências de desastre, mesm que natural, sfre mais quem nã está preparad. Pr mais remta que seja a pssibilidade de crrência de um acidente, devems estar preparads para saber que fazer, cm fazer e quand fazer e ainda treinar estes prcediments em exercícis simulads. Esse cmprtament é a diferença em ser mais u mens afetad. 5

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