PROPRIEDADE INTELECTUAL E O ACESSO À INFORMAÇÃO EM BIBLIOTECAS DIGITAIS NO BRASIL.

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1 JULIANA DA SILVA SANTIAGO PROPRIEDADE INTELECTUAL E O ACESSO À INFORMAÇÃO EM BIBLIOTECAS DIGITAIS NO BRASIL. Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) apresentado ao Departamento de Biblioteconomia e Documentação da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Biblioteconomia e Documentação. ORIENTADORA: Profª. Drª. Asa Fujino. São Paulo 2007

2 2 Santiago, Juliana da Silva. Propriedade intelectual e o acesso à informação em Bibliotecas Digitais no Brasil / Juliana da Silva Santiago. São Paulo: J.S. Santiago, p. Monografia (Trabalho de Conclusão do Curso de Biblioteconomia) Escola de Comunicações e Artes Universidade de São Paulo, Orientadora: Profª Drª Asa Fujino. 1. Propriedade Intelectual. 2. Direitos Autorais. 3. Internet. 4. Bibliotecas Digitais. I. Autor. II. Título.

3 3 Termos de Aprovação Nome do autor: Juliana da Silva Santiago Título da Monografia: Propriedade Intelectual e o Acesso à Informação em Bibliotecas Digitais no Brasil. Presidente da Banca: Profª Drª Asa Fujino Banca Examinadora: Profº Dr. José Fernando Modesto da Silva Instituição: Universidade de São Paulo Regina dos Anjos Fazioli Santos Instituição: Governo do Estado de São Paulo Aprovada em: / /

4 Para Carlos, Madalena, Luciana e toda a lista. 4

5 5 AGRADECIMENTOS Agradeço primeiramente a Deus por ter aturado todas as blasfêmias por mim proferidas durante a elaboração deste trabalho, sem enviar um raio sequer à minha cabeça, nem relaxar os cuidados referentes à minha proteção. A minha família e a minha orientadora pela paciência e boa vontade em aguardar todos esses anos pela elaboração deste trabalho sem nunca faltar com apoio em tempo integral, carinho desmedido e puxões de orelha quando necessário. Incluindo também aqueles que infelizmente não puderam esperar este tempo todo e tiveram de partir. A equipe da Biblioteca Virtual do Governo do estado de São Paulo por todo suporte operacional, profissional, emocional e acadêmico. A Fernanda Bianchi, secretária de graduação e Ronaldo Cruz, secretário do departamento por ajudarem a desenrolar a minha vida acadêmica. E finalmente aos meus amigos que, apesar de terem sido amplamente negligenciados, jamais me abandonaram durante toda a jornada. Em especial a minha competentíssima equipe particular de revisão Dyane, Karin e Tiago, a não menos competente equipe de distração Moisés, Aline, Heres, Alessandra, Gilberto, Gledson, Caio, Daniela, Juliétti e os demais agregados.

6 6 SANTIAGO, Juliana da Silva. Propriedade Intelectual e o Acesso à Informação em Bibliotecas Digitais no Brasil. São Paulo, f. Monografia (Trabalho de Conclusão de Curso) Departamento de Biblioteconomia e Documentação. Escola de Comunicações e Artes. Universidade de São Paulo. RESUMO: Dada a facilidade de acesso aos conteúdos das Bibliotecas Digitais em contraposição às deficiências sociais de acesso à informação como um todo (seja por meio de livros, bibliotecas e acesso às fontes de pesquisa), verifica-se muitas vezes que, numa tentativa viabilizar o acesso a tais obras, há um estímulo à distribuição cópias de trechos de materiais em formato digital de forma ilícita, sem que haja o devido reconhecimento aos direitos morais e financeiros de seus autores. Este trabalho refere-se à análise das possibilidades de se alcançar o justo equilíbrio entre o direito de propriedade e o direito do público à informação. Discute também o direito de acesso ou direito de controlar o acesso às informações contidas nas bases de dados das Bibliotecas Digitais. Palavras-Chave: Propriedade Intelectual, Direitos Autorais, Internet, Bibliotecas Digitais.

7 7 SUMÁRIO 1 Introdução Metodologia O Conceito de Informação Aplicações Atualidade O Preço da Informação O que é Internet? Histórico Internet no Brasil Funcionamento Legislação As Bibliotecas Digitais Histórico Legislação Propriedade Intelectual, Direitos Autorais e de Cópia Histórico Legislação Propriedade Intelectual e suas relações com a Internet Problemas Propostas Propriedade Intelectual aplicada ao caso das Bibliotecas Digitais Contras Prós Considerações Gerais Referências Anexos Legislações Citadas Texto Integral da Convenção de Berna Texto Integral da Lei n 9.610/98 de Consolidação dos Direitos Autorais no Brasil.77 Portaria e Decreto de Criação do Comitê Gestor da Internet no Brasil Declaração Universal dos Direitos Humanos

8 8 1- INTRODUÇÃO A curiosidade sobre o tema surgiu por razões profissionais. Após dois anos trabalhando em um serviço eletrônico de informações aos cidadãos do Governo do Estado de São Paulo, nos defrontamos com dúvidas a respeito da divulgação de informações em formato digital disponíveis na Web. A preocupação gira em torno de como a tecnologia das Bibliotecas Digitais e seus conteúdos se comportam em relação às leis de Propriedade Intelectual, uma vez que não há ainda controle efetivo sobre a disponibilização de material em formato digital na Internet. E, em havendo mecanismos de controle, como estes afetam o acesso à informação e quais conseqüências acarretam ao desenvolvimento de pesquisas e conseqüentemente da sociedade. O interesse em analisar o conceito de Propriedade Intelectual e as políticas de Direitos Autorais no Brasil em relação ao acesso das informações disponíveis em Bibliotecas Digitais dá-se em um momento em que a criação intelectual digitalizada encontra-se legalmente protegida como outra obra qualquer, possuindo os mesmos pressupostos de sanções e punições para sua proteção. A dificuldade está na efetividade de sua proteção, tendo em vista a facilidade de copiá-la. Atualmente, dada a facilidade de acesso aos conteúdos das Bibliotecas Digitais em contraposição às deficiências sociais de acesso à informação como um todo (seja por meio de livros, bibliotecas e acesso às fontes de pesquisa), verifica-se muitas vezes que, numa tentativa de suprir a falta de acesso a tais obras, estimula-se a distribuição de cópias de trechos de livros muitas vezes de forma ilícita, sem que haja o devido reconhecimento aos direitos morais e financeiros de seus autores. A dúvida que paira sobre o tema refere-se então à possibilidade ou não de se alcançar o justo equilíbrio entre o direito de propriedade e o direito do público à informação. Discute também o direito de acesso ou direito de controlar o acesso às informações contidas nas bases de dados das Bibliotecas Digitais, uma vez que, segundo Lima (2002), estamos na era da revolução tecnológica, onde a informação torna-se uma fonte de poder cara, e o acesso à informação é um dos pressupostos do Estado Democrático.

9 9 1.1 Metodologia: Este trabalho teve como base literatura das áreas de Direito, Biblioteconomia, Documentação e Ciência da informação. Durante a pesquisa bibliográfica evidenciamos a dificuldade em localizar textos específicos sobre bibliotecas digitais. Então, optamos por trabalhar com textos gerais sobre direitos autorais na Internet como um todo e, a partir da análise, destacar as similaridades e especificidades do tema, com o objetivo de definir o que é propriedade intelectual e como suas regulamentações interferem no acesso às informações disponíveis em Bibliotecas Digitais. O método de coleta de dados escolhido foi a pesquisa documentária feita através de ferramentas de busca na Internet e utilização dos acervos da Biblioteca da Escola de Comunicações e Artes, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo e da Biblioteca da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Em virtude do tempo disponível para a execução deste trabalho e pela grande quantidade de bibliografia a respeito do tema na área de Direito, optou-se por efetuar um recorte temporal como critério para a seleção bibliográfica, levando-se em consideração a escolha de obras datadas a partir do ano 2000, salvo em caso de bibliografias básicas relacionadas ao tema e com preferência pelos resultados em idioma português. O tempo para execução deste trabalho também foi fator preponderante para que não fossem englobados os temas Direito Internacional e Propriedade Industrial, devido aos seus diversos desdobramentos.

10 O CONCEITO DE INFORMAÇÃO E SUAS APLICAÇÕES. A palavra Informação vem do latim informationem, ("delinear, conceber idéia"), ou seja, dar forma ou moldar na mente. Os dicionários definem em linhas gerais informação como o ato de informar. Sob essa visão, a informação é vista como "algo" advindo de uma ação do verbo informar. Entretanto, não é feita uma descrição desse algo e não se faz uma descrição das características desse objeto sobre o qual a ação de informar age. vago e intuitivo: Iamamoto (1999) afirma que o conceito que temos de informação é bem Quando fazemos uma pergunta, estamos pedindo informação. Quando assistimos televisão ou um filme, estamos absorvendo informação. Ao ler um jornal, uma revista em quadrinhos, ou ao ouvir uma música, sabemos que estamos lidando com algum tipo de informação. Até quando contamos uma piada estamos transmitindo informação. Usamos, absorvemos, assimilamos, manipulamos, transformamos, produzimos e transmitimos informação durante o tempo todo, durante todo o tempo. (http://www.ime.usp.br/~is/ddt/mac333/aulas/tema-11-24mai99.html) Ou seja, não temos uma definição precisa do que é informação. Não temos uma definição que diga o que é e o que não é informação. Sabe-se intuitivamente o que é, entretanto, a realidade atual tem exigido uma definição precisa do que é a informação, já que estamos na Era da Sociedade da Informação. A importância da informação em nossas vidas e a forma como a encaramos estão sendo modificadas, e não temos muitos estudos sobre a informação em si permanecendo assim com um conceito vago. Segundo Barbosa (2001), informação é tudo que flui do emissor para o receptor extrínseca ou intrinsecamente. Para ser considerada como tal, a informação deve ser inteligível, relevante, completa, oportuna e confiável. Tem como objetivo (quando disseminada de forma correta) promover o desenvolvimento do indivíduo, de seu grupo e da sociedade como um acréscimo de bem estar e de qualidade de convivência, alcançado através do conhecimento.

11 Aplicações: Berbe (2005) explica que a informação tem diferentes funções dependendo da área em que é utilizada. Para Biblioteconomia e Ciência da Informação, informação representa o conteúdo de um acervo, armazenada em suportes físicos ou digitais, com potencial para agregar valor ao usuário visualizado pelo sistema de informação. Na comunicação, informação desempenha o papel de núcleo no processo comunicativo e tem significado associado à mensagem. Na administração, informação é insumo. Na computação é um conjunto de dados qualificados. Existem diferenças entre dados e informações. Segundo Iamamoto (1999) um dado é uma seqüência de símbolos, é um ente totalmente sintático, não envolve semântica como na informação. Os dados podem ser representados com sons, imagens, textos, números e estruturas. Uma base de dados, também denominada banco de dados ou, em inglês, database, pode ser conceituada como uma fonte de informação armazenada eletronicamente em formato digital de modo que possibilite o usuário a reagir com os recursos disponíveis Atualidade: A Sociedade da Informação (termo que, segundo Moura (2004), surgiu no fim do Século XX vinda da expressão Globalização ) surge como uma fase em que as transmissões de dados são de baixo custo e as tecnologias de armazenamento são amplamente utilizadas, onde a informação flui a velocidades e em quantidades, antes inimagináveis, assumindo valores políticos, religiosos, sociais, econômicos, e etc. e ainda age como um novo modo de evitar a exclusão social e para dar oportunidades aos menos favorecidos. De acordo com Milanesi (2002), a informação passou da posse de poucos para um bem adquirível e desejável por qualquer pessoa como instrumento de elevação social e para a sociedade como condição fundamental para seu próprio desenvolvimento.

12 12 Carvalho (2001) afirma que o século XX afigurou-se como o século da Revolução da Informação, onde uma informação neutra e parcial divulga fatos, dados e qualidades objetivamente apuradas com função social de contribuir para a elaboração do pensamento e cita que entusiastas indagam se o homem será capaz de conservar a possibilidade de formar um pensamento que lhe seja próprio, na medida em que o progresso tecnológico permite um fluxo incomensurável de informações que podem comprometer sua capacidade de reflexão O Preço da Informação: Martins (2001) afirma, que através da história da evolução da sociedade, diversos foram os critérios de avaliação da riqueza e do poder dos homens e das nações. Atualmente, a grande riqueza do homem é a informação e o capital de grandes empresas encontra-se centralizado em dois elementos básicos: Informação e Capital Intelectual. Informação esta que com o advento da tecnologia tornou-se cara de produzir, mas barata de reproduzir. Economistas afirmam que a produção de um bem de informação envolve altos custos de produção, mas baixos custos ditos marginais, ou seja, baixo custo de produção de cópias adicionais. Carboni (2000) explica que boa parte desta equação vem de longe. Data do século XV quando a invenção da imprensa pelo alemão Johan Gutemberg permitiu a impressão e a reprodução com maior facilidade dos exemplares manuscritos, divulgação de novas idéias, bem como sua difusão ao público, aumentando em muito o acesso a informações. Com isso, as obras impressas tornaram-se objeto de transações comerciais e fonte de lucro, abrindo um novo horizonte diante da necessidade de uma efetiva proteção às criações intelectuais e repressão às suas violações conforme veremos no decorrer deste trabalho. Segundo Singer (2000), na economia anterior aos tempos da Internet, a informação era uma mercadoria suficientemente valorizada para que o seu preço

13 13 cobrisse seus custos de produção, processamento e distribuição e ainda proporcionasse bons lucros às empresas. Um dos grandes feitos da nova economia é a redução de grande parte dos custos da informação, sobretudo o seu processamento, armazenamento e distribuição. Conseqüentemente, o preço da informação caiu na mesma medida, chegando em muitos casos a zero, pois a publicidade paga parte do custo da informação e quando este se torna muito pequeno, a informação pode ser oferecida de graça. O efeito da nova economia sobre o conhecimento está sendo, no entanto, oposto. O autor afirma que o conhecimento ganho pela análise e interpretação de informações, quando produzido por capitais privados, está sendo vendido a preços de monopólio e que este fato ganha relevância à medida que a produção de conhecimentos está sendo privatizada. Até há alguns anos, grande parte da produção científica era paga com recursos públicos e por isso os conhecimentos assim ganhos eram oferecidos de graça, como bens públicos. Agora, uma parte crescente desta produção se realiza em empresas privadas, que tratam de proteger o seu direito de propriedade intelectual mediante o patenteamento ou o monopólio da reprodução o chamado copyright sobre o qual falaremos posteriormente. Singer (2000) afirma ainda que só se produz conhecimento novo estudando e incorporando ou criticando e rejeitando conhecimentos anteriores e se estes são protegidos pelo sigilo industrial, só o detentor da patente tem acesso a conhecimento indispensável à produção do novo. O efeito geral é concentrar os capitais 'científicos' e a produção científica nos países em que residem a maioria dos detentores de direitos de propriedade intelectual. A Internet produziu enorme aumento de demanda por conhecimento científico, sob a forma de texto ou incorporado em produtos. A difusão pelo 3º Mundo do respeito da propriedade intelectual, majoritariamente de nãoresidentes, implica em restringir o livre uso do conhecimento para a produção de mais conhecimento além de onerar o déficit nas contas

14 14 externas e agravar a dependência econômico-financeira das grandes potências. (http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos/eno h tm) Assim sendo, restringir ou não o acesso à informação afeta diretamente a economia mundial, tanto ao prejudicar a possibilidade de desenvolvimento de determinados países quanto a gerar prejuízos para a vasta indústria que engloba tanto os produtores quanto os que lidam com o comércio dos diversos bens de informação. Torna-se necessário criar políticas que relacionem estes dois setores de forma equilibrada, uma vez que prejuízos em quaisquer destas circunstâncias atingem seriamente a ambos os lados da questão.

15 O QUE É INTERNET? Trata-se da mais famosa rede de informação, que pode ser entendida como um conglomerado de redes em escala mundial de milhões de computadores interligados que permite o acesso a informações e todo tipo de transferência de dados, sem que haja uma determinada central. A Internet é a principal das novas tecnologias de informação e comunicação, pois possibilita o acesso a informações de forma mais ampla e menos dispendiosa. Alguns dos serviços disponíveis na Internet, além da Web, são os acessos remotos a outras máquinas, transferência de arquivos, correio eletrônico, boletins eletrônicos (news ou grupos de notícias), bate-papo on-line (chat), mensagens instantâneas (ICQ, MSN Messenger, Blogs), Skype (novo tipo de serviço de telefonia), etc Histórico 1 : Surgiu entre as décadas de 60/70, período em que a Guerra Fria confrontava as duas maiores potências da época, os Estados Unidos e a ex-união Soviética. O governo americano queria desenvolver um sistema para que seus computadores militares pudessem trocar informações entre si, de uma base militar para outra. Foi assim que surgiu a ARPANET, o antecessor da Internet, um projeto iniciado pelo Departamento de Defesa Americano que realizou então a interconexão de computadores, através de um sistema conhecido como chaveamento de pacotes, que é um esquema de transmissão de dados em rede de computadores no qual as informações são divididas em pequenos pacotes, que por sua vez contém trecho dos dados, o endereço do destinatário e informações que permitiam a remontagem da mensagem original. 1 Fonte: WIKIPEDIA, verbete Internet [at al]. Disponível em:: Acesso em: 28 novembro 2007.

16 16 Este sistema garantia a integridade da informação caso uma das conexões da rede sofresse um ataque inimigo, pois o tráfego nela poderia ser automaticamente encaminhado para outras conexões. Em 1991, durante a Guerra do Golfo, certificou-se que esse sistema realmente funcionava, devido à dificuldade dos Estados Unidos para derrubar a rede de comando do Iraque, que usava o mesmo sistema. O sucesso do sistema criado pela ARPANET foi tanto que as redes agora também eram voltadas para a área de pesquisas científicas das universidades. Com isso, a ARPANET começou a ter dificuldades em administrar todo este sistema, devido ao grande e crescente número de localidades universitárias contidas nela. Dividiu-se então este sistema em dois grupos, a MILNET, que possuía as localidades militares e a nova ARPANET, que possuía as localidades não militares. Um esquema técnico denominado IP (Internet Protocol Protocolo da Internet) permitia que o tráfego de informações fosse caminhado de uma rede para outra. Todas as redes conectadas pelo IP na Internet comunicam-se em IP, para que todas possam trocar mensagens. Através da National Science Foundation, o governo americano investiu na criação de backbones (espinha dorsal, em português), que são poderosos computadores conectados por linhas que tem a capacidade de dar vazão a grandes fluxos de dados, como canais de fibra óptica, elos de satélite e elos de transmissão por rádio. Além desses backbones, existem os criados por empresas particulares. A elas são conectadas redes menores, de forma mais ou menos anárquica ou, conforme Eric Schmidt, citado por Corrêa (2000): A Internet é a primeira coisa que a humanidade criou e não entende a maior experiência de anarquia que jamais tivemos (p. 07) É basicamente isto que consiste a Internet, que não tem um dono específico, daí advem sua principal característica. Segundo Carboni (2000), qualquer pessoa com um computador e um modem pode ter acesso através de um provedor pago ou gratuito, seja para a obtenção de informações nela disponíveis, seja para alimentá-la com suas próprias informações, o que se tornou muito comum com a popularização dos

17 17 Blogs (página da Web cujas atualizações - chamadas posts - são organizadas cronologicamente como um histórico ou diário). Contudo, a Internet de hoje, com sua interatividade, redes interligadas de computadores e seus conteúdos multimídia, só se tornou possível pela contribuição do Cientista Tim Berners-Lee e ao CERN, Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire - Centro Europeu de Pesquisas Nucleares, que criaram a World Wide Web, inicialmente interligando sistemas de pesquisa científicas e mais tarde acadêmicas, interligando Universidades; a rede coletiva ganhou uma maior divulgação pública a partir dos anos 90. Em agosto de 1991, Sir Tim Berners-Lee publicou seu novo projeto para a World Wide Web, dois anos depois de começar a criar o HTML, o HTTP e as poucas primeiras páginas no CERN, na Suíça. Em 1993 o Web Browser Mosaic 1.0 foi lançado, e no final de 1994 já havia interesse público na Internet. Em 1996 a palavra Internet já era de uso comum, principalmente nos países desenvolvidos, referindo-se na maioria das vezes a WWW Internet no Brasil: Silva (2001) afirma que as primeiras redes formadas no Brasil tiveram bases em redes telefônicas e de telex, ainda nos anos 60 e 70, e empregadas por grandes empresas como bancos, companhias de aviação, multinacionais e alguns órgãos do governo. Em 1987, a FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) e o LNCC (Laboratório Nacional de Computação Científica) conectaram-se a instituições nos EUA. Após conseguirem acesso a redes internacionais, essas instituições incentivaram outras entidades do País a usar as redes. As entidades conectavam-se utilizando recursos próprios e pagando à EMBRATEL (Empresa Brasileira de Comunicação) as tarifas normais pela utilização de

18 18 circuitos de comunicação de dados. O critério utilizado para selecionar onde se conectar foi em função da distância. Esse modelo funcionou por algum tempo e mostrou a necessidade de um projeto adequado para a formação de um backbone nacional (para conectar os centros provedores de serviços especiais à redes regionais que, por sua vez, também deviam ser fomentadas). Em 1992, o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e a Associação para o Progresso das Comunicações (APC) liberam o uso da Internet para ONGs. No mesmo ano, o Ministério da Ciência e Tecnologia inaugurou a Rede Nacional de Pesquisa (RNP) e organizou o acesso à rede por meio de um "backbone (tronco principal da rede). Dois anos depois, a Embratel inicia serviço comercial de acesso à Internet. Segundo Silva (2001), embora os usuários desses recursos, em grande parte possuíssem formação técnica a utilização da Internet ainda se limitava a uma categoria social de maior poder aquisitivo, tendo em vista os recursos mínimos exigidos para usar os serviços, ou seja, linha telefônica e de microcomputador, demandava um alto investimento que só algumas pessoas podiam realizar, fato que restringiu a popularização do sistema. Atualmente, o acesso à Internet no país ainda é muito limitado. Para a Agência Nacional de Telecomunicações - ANATEL, a utilização da Internet no Brasil ainda tem como obstáculo, além do baixo poder aquisitivo da população, questões mercadológicas que impedem a chegada de portais de acesso em regiões menos desenvolvidas do país. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 32,1 milhões de brasileiros, cerca de 21,9% da população acima dos 10 anos de idade, utilizaram a rede mundial de computadores, no país no ano de O número é expressivo, e coloca o Brasil como o primeiro país da América Latina e o quinto no mundo no uso da Internet. Se for considerado, no entanto,

19 19 o número de internautas em relação à população do país, a situação relativa do país é bem diferente. Nesta avaliação, o Brasil ocupa a 62ª posição mundial e a quarta na América Latina, sendo ultrapassado pela Costa Rica, Guiana Francesa e Uruguai. De acordo com o IBGE o governo brasileiro, pretende mudar este quadro desenvolvendo políticas públicas em parcerias com os governos estaduais e municipais, além do apoio da iniciativa privada para promover o acesso à Internet através projetos sociais e atividades reguladas pela ANATEL. 3.3 Funcionamento: Segundo Porta (2001), quando o usuário se conecta a rede, ele utiliza um servidor 2, que por sua vez é conectado a roteadores (responsáveis pela orientação do caminho que a informação deve percorrer numa rede) e backbones e daí a qualquer computador no mundo usando o mesmo protocolo. O usuário, ao se conectar ao seu provedor 3, recebe um endereço dado por este, baseado no IP do próprio servidor. Este endereço é expresso em formato numérico e é transferido em palavras pelo chamado DNS Domain Name System (Sistema de Nome de Domínio). Assim sendo, teoricamente é possível identificar o usuário através dos dados mantidos por seu provedor sobre aquele IP específico em determinado dia e hora. Diz-se teoricamente porque Porta (2001) afirma ser possível, através de técnicas adequadas que se consiga fazer a conexão ao provedor, navegar e enviar mensagens como se fosse o titular de determinada conta registrada no referido provedor de acesso, o que demonstra a fragilidade ainda existente no quesito de segurança quanto a identificação do usuário. 2 diz-se de ou computador us. numa rede para proporcionar algum tipo de serviço (como acesso a arquivos ou a periféricos compartilhados) aos demais componentes da rede (Fonte: HOUAISS ON LINE. Disponível em: < >. Acesso em 11 nov. 2006) 3 empresa ou organização que tem instalada uma conexão de alta capacidade com uma grande rede de computadores, e que põe à disposição de outros usuários o acesso a esta rede, por meio de linhas telefônicas ou cabos, cobrando ou não pelo serviço.( (Fonte: HOUAISS ON LINE. Disponível em: < >. Acesso em: nov. 2006).

20 Legislação: Com o aumento da influência da Internet e do mundo virtual nas relações humanas, a legislação brasileira precisa adaptar-se aos avanços tecnológicos uma vez que cerca de 8,5 milhões dentre os internautas são brasileiros. Para isso foi criado o Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br) em 31 de maio de 1995 e institucionalizado apenas pelo Decreto Presidencial nº 4.829, de 3 de setembro de , com a proposta de coordenar e integrar todas as iniciativas de serviços Internet no país. Mantém grupos de trabalho e coordena diversos projetos em áreas de importância fundamental para o funcionamento e o desenvolvimento da rede no Brasil. Composto por membros do governo, do setor empresarial, do terceiro setor e da comunidade acadêmica tem entre suas atribuições: A proposição de normas e procedimentos relativos à regulamentação das atividades na Internet; A recomendação de padrões e procedimentos técnicos operacionais; O estabelecimento de diretrizes estratégicas relacionadas ao uso e desenvolvimento da Internet no Brasil; A promoção de estudos e padrões técnicos para a segurança das redes e serviços no país; A coordenação da atribuição de endereços Internet (IPs) e do registro de nomes de domínios usando <.br>; A coleta, organização e disseminação de informações sobre os serviços Internet, incluindo indicadores e estatísticas. Assim como o Comitê, toda a legislação quanto ao que se refere à Internet no Brasil é recente. Segundo Souza (2007) ainda encontra-se, em tramitação no Congresso Nacional, projeto de lei (nº 1589/99), o qual versa sobre o "spam", ou seja, mensagens indesejadas ou não solicitadas via . As medidas do legislativo, adotadas até o momento, revelam-se insuficientes para atribuir solidez às relações travadas por meio da rede. Tramita 4 Anexo 03, p.104.

21 21 atualmente na Comissão de Constituição e Justiça do Senado um projeto de lei que obriga a identificação dos usuários da Internet antes de iniciarem qualquer operação que envolva interatividade, como envio de s, conversas em salas de bate-papo, criação de blogs, captura de dados (como baixar músicas, filmes, imagens), entre outros. O acesso sem identificação prévia seria punido com reclusão de dois a quatro anos. Os provedores ficariam responsáveis pela veracidade dos dados cadastrais dos usuários e seriam sujeitos à mesma pena (reclusão de dois a quatro anos) se permitissem o acesso de usuários não-cadastrados. O texto é defendido pelos bancos e criticado por ONGs (Organizações Não-Governamentais), por provedores de acesso à Internet e por advogados. Os usuários teriam de fornecer nome, endereço, número de telefone, da carteira de identidade e do CPF às companhias provedoras de acesso à Internet, às quais caberia a tarefa de confirmar a veracidade das informações. O acesso só seria liberado após o provedor confirmar a identidade do usuário. Para isso, precisaria de cópias dos documentos dos internautas. Os provedores de acesso à Internet argumentam que o projeto vai burocratizar o uso da rede e que já é possível identificar os autores de crimes virtuais, a partir do registro do IP utilizado pelos usuários quando fazem uma conexão. O número IP é uma espécie de "digital" deixada pelos internautas. A partir dele, chega-se ao computador e, por conseguinte, pode-se chegar a um possível criminoso. Mas, para se aplicar à devida sanção penal, deve-se ter fixado um sujeito infrator. O direito penal não pode alcançar pessoas abstratas, virtuais. Diante deste fato é que os crimes realizados neste ambiente se caracterizam pala ausência física do criminoso, por isso, ficaram usualmente definidos como sendo crimes virtuais. Terceiro (2002) afirma que os tribunais de todos os modos tentam conter os chamados "crimes virtuais", observando e fazendo analogia a casos em concretos, aplicando uma solução que ora achar justa. Devido à ausência de tipificação legal, discriminante das condutas dos agentes que utilizam a Internet como instrumento na

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