HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR: UM OLHAR PROFISSIONAL CUIDANDO DO CUIDADOR.

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1 HUMANIZAÇÃO HOSPITALAR: UM OLHAR PROFISSIONAL CUIDANDO DO CUIDADOR. AUTORA: MARIA ELISA FERNANDES DOS SANTOS Hospital Pediátrico Maria Alice Fernandes uma instituição pública regido pela lei nº 8080/90 que integra o sistema único de saúde SUS, vinculado a Secretária de Saúde do Governo do Estado do Rio Grande do Norte. Natal - RN. INTRODUÇÃO O mundo atual vem passando por profundas mudanças em conseqüências das conquistas e evolução tecnológica, que vem gerando transformações, desafios, oposições e contradições. Uma nova ordem econômica mundial, que segundo Buzzi, propõe á humanidade identificar-se com o projeto de globalização, visualizado na exterioridade da tecnologia de máquina e no virtual das telecomunicações que oferecem favores e prometem uma vida mais intensa, ao essencial por ora possível da existência humana. (2002, pág. 57). Nos últimos anos, o hospital conheceu uma série de mudanças tecnológicas e ganhou também uma nova forma de administração com a formação dos primeiros Administradores Hospitalares profissionais. A sociedade também conheceu várias mudanças, infelizmente nem todas positivas, como é o caso do aumento descontrolado da violência em todas as suas dimensões: física, psicológica, moral, política e social. E porque mais violentada, a sociedade clama por justiça e busca a preservação de seus direitos fundamentais, dentre os quais, se destaca a dignidade e o valor a pessoa humana. Os hospitais foram transformados em instituições profissionais vez que priorizam a tecnologia e as realizações tecno-cientifícas dos que ali atuam. Um ambiente onde as inovações tecnológicas e o profissionalismo são considerados a essência primordial e fundamental do tratamento, mas sabe-se que, no contexto de suas aplicações, não considerar o sujeito dessa ação de nada valerá.

2 Percebe-se que o domínio das práticas mecanicistas o homem tem sido despersonalizado e subjugado. É preciso resgatar o sentido da existência humana no mundo, construir uma nova concepção, resgatar a aliança humana, como diz Crema (1997, pág ) é tempo de religar [...]. Todos nós temos um negócio em comum que se chama espécie homo sapiens. Os profissionais são tidos como as molas propulsoras das instituições. Não existe fator mais importante que o fator humano. Todos nós somos peças fundamentais para o fator mudança. Humanizar implicará em mudanças de atitudes, voltada para uma Ética baseada no respeito, na solidariedade e na integridade das relações consigo e com o outro. Humanizar implicará sempre em ser, e ser é ter cuidado, essência do ser humano, cuidado consigo, cuidado com o outro, cuidado com o universo. Leonardo Boff fala que o cuidado é essência ao ser humano, o que permite a revolução da ternura, fazendo surgir o ser humano complexo, sensível, solidário, cordial, conectado com a vida, com todos os seres e com o universo. O profissional, a equipe, o cuidador precisam ser considerados e vistos como indivíduos de modo de ser, sentir, expressar. Esse indivíduo como qualquer humano pode manifestar sentimentos, reações, comportamentos positivos e negativos que podem interferir na conduta profissional. Cada um de nós tem vulnerabilidade, reações peculiares. É com base nesse pensamento que acreditamos ser de suma importância pesquisar o nível de satisfação destes profissionais já que esta intimamente relacionado com o grau de motivação, estilo de liderança, das normas da estrutura organizacional, das condições e do conteúdo do trabalho, de tudo que provoque as diferentes espécies de motivação de seus colaboradores. A pergunta é: Estará essa instituição de saúde cuidando do seu profissional? Cuidando de quem cuida?

3 Para BOFF (1999, pág. 33) o que se opõe ao descuido e ao descaso é o cuidado. Cuidar é mais que um ato é uma atitude de ocupação, preocupação de responsabilidade e de envolvimento afetivo com o outro. Wolff (1998) escreve que o cuidar no contexto hospitalar requer do cuidador competência clínica e inter pessoal, implicam em formação de vínculo, relações de ser e saber fazer. Há conhecimento e reconhecimento, através de expressões que envolvem a fala, o olhar ou o toque físico. OBJETIVOS GERAL: - Implementar uma prática hospitalar mais humanizada, voltada para o cuidador, através do diagnóstico do nível de satisfação e qualidade de vida no trabalho dos colaboradores do HMAF. ESPECÍFICOS: - Refletir sobre a tarefa assistencial e a relação com a ética no atendimento; - Desenvolver e promover a articulação entre os diversos setores; - Adotar uma nova mentalidade pela compreensão de si mesmo e da sua subjetividade, para melhor interação de quem cuida e de quem é cuidado; - Buscar e reivindicar meios que fortaleçam e elevem a qualidade de vida do profissional e do usuário, principais protagonistas da instituição hospitalar do sistema de saúde. PROBLEMATIZAÇÃO TEÓRICA A busca pela humanização hospitalar vem sendo discutida com ênfase desde a implantação do PNHAH Programa Nacional de Humanização e

4 Assistência Hospitalar, em 2002 pelo Ministério da Saúde, que nasceu de uma iniciativa estratégica para buscar iniciativas capazes de melhorar o contato humano entre profissional de saúde e usuário, entre os próprios profissionais e entre o hospital r a comunidade, de modo a garantir o bom funcionamento do Sistema Único de Saúde SUS. A maior expectativa do programa é criar uma nova cultura de humanização, uma filosofia organizacional que promova a conjugação cotidiana do verbo humanizar. Isso para que o processo de humanização da assistência hospitalar não seja interrompido com as mudanças da direção, chefia ou governo. (Ministério da Saúde, 2002). Humanizar a assistência hospitalar é dar lugar não só a palavra do usuário como também a palavra do profissional de saúde, de forma que tanto um quanto o outro possa fazer parte de uma rede de diálogo. Cabe a esta rede promover as ações, campanhas, programas e políticas assistenciais englobando aspectos tais como: justiça; cidadania, direitos humanos, liberdade, participação, autonomia, igualdade e complexidade, responsabilidade, equidade, qualidade e excelência, radicalidade, tolerância entre outros. Sabe-se que o trabalho de equipe multidisciplinar é primordial dentro da instituição hospitalar, mais para isso faz-se necessárias trocas de informações, capacitações, para o desenvolvimento de um trabalho de qualidade na assistência ao usuário. A humanização no hospital significa tudo quanto seja necessário para tornar a instituição adequada a pessoa humana e a salvaguarda de seus diretos fundamentais. (Mezono, 1995, pág. 275). Ainda de acordo com o autor, a humanização, de fato, não é um conceito. É uma filosofia de ação solidária. É uma presença! É a mão estendida! É o silencio que comunica! É a lágrima enxugada! É o sorriso que apóia! É a dúvida desfeita! É a confiança restabelecida! É a informação que esclarece! É o conforto na despedida. É verdade que os funcionários do hospital não devem assumir todas as dores dos usuários, pois isto lhes tiraria o equilíbrio necessário para atendê-los,

5 mas eles devem manter e desenvolver o necessário grau de compreensão, para responder as necessidades, mesmo não expressas, daqueles por cujo cuidado são responsáveis. Esta compreensão exige qualidades humanas fundamentadas em diferentes formas de abordagem para cada usuário, de acordo com as suas necessidades e expectativas. Sendo tão amplo e abrangente o conceito de humanização, o trabalho em saúde implica em cooperação, em articulação entre profissionais. É um processo de constantes encontros e desencontros entre distintos saberes e práticas, onde os conflitos emergem freqüentemente com o trabalhador. Cujos anseios, angústias diante do sofrimento do outro, também podem causar desvios e deslizes no ato do cuidar, uma vez humanos que são. Mas diante da coerção social precisam inúmeras vezes esconder para dentro de si as insatisfações, as necessidades e superar-se a si próprio. O sentido genuíno do cuidar é de promover a vida. A qualidade de nossas vidas depende do cuidado que dispensamos a ela. Desenvolver tudo o que existe ou tudo que se encontra em potencial de energia em nós compreende uma forma primária de estar no mundo. Assim, a forma como vivemos a vida, como nos relacionamos com o mundo, com as pessoas, com a família, com os amigos, com o trabalho, interfere na forma como cuidamos. O cuidado é uma forma de atenção que envolve percepção, ação que proporcione bem estar ao outro. Como diz Morim, o sujeito surge para o mundo interagindo-se na intersubjetividade no seu meio de existência, sem o qual perece [...] e é nesse encontro que a compreensão ocorre. (2002, pág. 78). Então como pode o cuidador cuidar se não é cuidado. É uma necessidade social de todo profissional, sentir-se reconhecido, valorizado, amparado, cuidado e não que esteja reduzido ao mero fato de existir, de estar presente e de cuidar.

6 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS Este projeto está sendo desenvolvido no Hospital Pediátrico Maria Alice Fernandes, situado á rua Pedro Álvares Cabral, s/nº Parque dos coqueiros. É um hospital público estadual, de referência em atendimento a crianças e adolescentes para todo estado. Atualmente com um quadro de 408 colaboradores, possuí 75 leitos. Distribuídos em clínica médica e clínica cirúrgica, UTI, atendimento ambulatorial e de urgência. Os sujeitos dessa pesquisa foram os colaboradores dos níveis elementar, médio e superior. A pesquisa quantitativo-qualitativa, a partir de dados que identifique os níveis de satisfação dos servidores da referida instituição. Para Minayo, (2000, pág. 36), a questão quantitativa e qualitativa, são inseparáveis e interdependentes. O próprio caráter específico do objeto de conhecimento é o ser humano e a sociedade. A coleta de dados foi realizada por meio de questionário, distribuídos com os colaboradores. Para Kahn e Cannell a entrevista é uma conversa a dois, feita por iniciativa do entrevistador, com vistas a um objeto. (apud MINAYO, 2000, pág. 107).

7 ANÁLISE E INTERPRETAÇÃO DOS DADOS Esses gráficos representam o resultado da pesquisa aplicada junto aos colaboradores do Hospital Pediátrico Maria Alice Fernandes, em relação: Em relação a sua vida, você se sente;

8 O que significa o trabalho em sua vida

9 Qualidade de vida no trabalho é:

10 Como você analisa o HMAF

11 Com os resultados obtidos em que 69% dos colaboradores manifestaram satisfação no plano familiar, enquanto em termos de realização profissional 48% sentem-se plenamente realizados. O trabalho é fonte de prazer e realização pessoal para 79% dos sujeitos, com o que concordam plenamente; 20% parcialmente; 1% discordam ou não responderam. O Relacionamento entre gestores e chefias é considerado por 48% como ótimo; 27% bom; 12% regular; 9% ruim; 4% não responderam; quanto ao Relacionamento entre colegas: 52% consideram ótimo; 31% bom; 11% regular; 6% não responderam ou não observaram. As Condições e segurança no trabalho são vistas por 36% como ótimas; 33% bom; 13% regular; 13% ruim, 5% não responderam ou não observaram. Reconhecimento pelas atividades que exerçe: 40% ótimo; 29% bom; 14% regular; 9% ruim; 8% não responderam ou não observaram. Esse trabalho mostrou que embora o trabalho dos profissionais da saúde seja considerado uma fonte de prazer e que grande parte deles estejam felizes em seu ambiente familiar, é necessário investir em seu melhoramento profissional, proporcionar-lhes treinamentos dentro de suas habilidades, enaltecer seus méritos, melhorar suas condições de segurança e realizar atividades recreativas para promover maior entrosamento entre os colegas e incrementar seu nível de qualidade de vida no trabalho.

12 CONSIDERAÇÕES FINAIS As organizações precisam ter atitude, ousar, inovar na sua gestão para modernizar-se e acompanhar as transformações que acontecem no mundo organizacional. Quebrar paradigmas, lançar na luta pela excelência, mesmo enfrentando obstáculos e restrições impostas por várias situações, inclusive o de mudanças. Valorizar iniciativas proativas, comemorar as pequenas vitórias e estimular a criatividade dos servidores pode ser o caminho para uma nova realidade funcional e de qualidade de vida nas organizações. Somente um profissional envolvido com as questões sociais e culturais poderá transformar hábitos já adquiridos, e promover o estabelecimento de novas atitudes. Estando o HMAF inserido no contexto da política de Qualidade de Vida no Trabalho de acordo com os resultados obtidos na pesquisa, Cabe a implantação e ou implementação de ações que visem uma maior sintonização, produtividade e conseqüentemente uma melhor qualidade de vida no tocante a satisfação pessoal e profissional.

13 REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS BOFF, Leonardo. Saber cuidar: ética do humano compaixão pela Opetrópolis: Vozes, BRAZIL. Ministério da Saúde. Secretária de Assistência á Saúde. Construção de uma cultura de humanização. In Programa Nacional de Humanização da Assistência Hospitalar. Brasília: Ministério de Saúde, 2002, pág. 12-(14). BUZZI, A. R. A identidade humana: modos de realizações. Petrópolis: Vozes, LELOUP, Jean-Yves. Et al. Construir o tempo da incerteza. In: CREMA, R. LIMA & LIMA, L.M.A.O. Espírito na saúde. Petrópolis: Vozes, MEZOMO, João Catarin. Gestão da qualidade na Saúde: Princípios básicos. São Paulo: MINAYO, Maria Cecília de Souza. O desafio do conhecimento: pesquisa qualitativa em Saúde. São Paulo: Rio de Janeiro : Abrasco, MORIN, Edgar. O Método 5. A humanidade. Porto Alegre: Sulina, WOLFF, L. D. G. et.al. Cuidar/ Cuidando: elementos e dimensões na perspectiva de pessoas internadas em hospitais de ensino. Revista Cogitare Enfermagem, Curitiba

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