UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE ALIMENTOS

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE ALIMENTOS ÍRIS BRAZ DA SILVA ARAÚJO DEFINIÇÃO DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO EM UMA EMPRESA DE PANIFICAÇÃO ATRAVÉS DO MÉTODO DO CENTRO DE CUSTOS João Pessoa, 2010

2 UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE ALIMENTOS ÍRIS BRAZ DA SILVA ARAÚJO DEFINIÇÃO DOS CUSTOS DE PRODUÇÃO EM UMA EMPRESA DE PANIFICAÇÃO ATRAVÉS DO MÉTODO DO CENTRO DE CUSTOS Relatório de Estágio apresentado ao curso de graduação em Engenharia de Alimentos da Universidade Federal da Paraíba, como requisito parcial para a conclusão do curso de graduação em Engenharia de Alimentos. Orientador(a): Profª. Dra. Maria Silene Alexandre Leite.. João Pessoa, 2010

3 UNIVERSIDADE FEDERAL DA PARAÍBA CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENGENHARIA DE ALIMENTOS ÍRIS BRAZ DA SILVA ARAÚJO DETERMINAÇÃO DOS CUSTOS DA PRODUÇÃO EM UMA EMPRESA MODERNA DE PANIFICAÇÃO ATRAVÉS DO MÉTODO DO CENTRO DE CUSTOS Relatório de Estágio apresentado ao curso de graduação em Engenharia de Alimentos da Universidade Federal da Paraíba, como requisito parcial para a conclusão do curso de graduação em Engenharia de Alimentos. Orientador(a): Profª. Dra. Maria Silene Alexandre Leite. Aprovada em janeiro de Orientador(a): Profª. Dra. Maria Silene Alexandre Leite.

4 Às minhas avós Bernadete e Nair e ao meu avô Júlio, por infelizmente estarem assistindo esta grande conquista em minha vida longe de mim

5 AGRADECIMENTOS A Deus, por me trazer de volta a paz espiritual nos momentos mais críticos que passei. Aos meus pais, Camilo e Edivânia, por me apoiarem incondicionalmente em todos os momentos de vida e por tudo aquilo que consegui alcançar até hoje. Essa conquista é de nós três! Ao meu irmão Iago, por sempre conseguir me descontrair quando eu estou em apuros! Aos meus queridos amigos de curso Sonnalle, Lincoln, Valquíria, Fabio, Sinara, Renata, Kércia e Johnathas, por me alegrarem até nas situações mais entediantes que passamos na universidade, além da motivação que passamos e recebemos constantemente uns dos outros. Vocês são meus amigos, meus parceiros, meus irmãos! À minha orientadora, professora Maria Silene, por ter me indicado para esta oportunidade de estágio e por toda a assistência a mim prestada durante o período. À toda equipe da empresa onde cumpri minhas atividades de estágio: à direção da empresa, pela cooperação com minhas atividades; à equipe da administração, por toda a ajuda e apoio; e a todos os funcionários desde os meninos do balcão, o pessoal da lanchonete, as meninas dos caixas até a equipe da produção (panificação, confeitaria e cozinha), por sempre colaborarem com meu trabalho quando eu precisei. Aos meus professores da graduação, por muitas vezes acreditarem na minha capacidade quando nem eu mesma acreditei. A você, Lúcio, por todo o apoio dado a mim, e pela paciência que você sempre teve comigo.

6 RESUMO ARAÚJO, Íris Braz da Silva. Determinação dos custos da produção em uma empresa moderna de panificação através do método do centro de custos. Relatório de Estágio. Curso de graduação em Engenharia de Alimentos da Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa, p. 44, Este Relatório de Estágio teve por objetivo determinar os custos dos produtos de circulação diária em uma empresa de panificação, através do método do centro de custos. A pesquisa foi realizada durante os meses de setembro, outubro e novembro do ano de 2009, através de levantamentos de itens produzidos, vendidos e também de todos os custos que incidiram sobre estes itens. Os resultados dos cálculos dos custos mostraram que 4 dos 82 itens produzidos diariamente estavam causando prejuízos à empresa. Portanto, a aplicação das ferramentas de custeio é essencial no processo de tomada de decisões, por parte dos gestores, já que estes terão dados concretos para auxiliar no controle da produção e das vendas. Palavras-chave: panificação, custos, método do centro de custos.

7 LISTA DE TABELAS Tabela 1 - Cronograma de atividades durante o estágio na empresa Tabela 2 - Classificação dos custos da produção Tabela 3 - Taxas de depreciação anual Tabela 4 - Relação dos equipamentos ligados à produção Tabela 5 - Potência elétrica de máquinas e equipamentos Tabela 6 - Valores dos custos da produção Tabela 7 - Matriz de custos Tabela 8 - Itens de custos e bases de distribuição Tabela 9 - Dados para determinação do Mark-up... 35

8 SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO Problematização do tema Justificativa Objetivos Objetivos gerais Objetivos específicos FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Custos da Produção Análise de Custo/Volume/Lucro METODOLOGIA RESULTADOS E DISCUSSÕES Caracterização da empresa Estrutura organizacional Classificação dos custos da produção Sistema de acumulação de custos Sistemas de custeio Análise de Custo/Volume/Lucro Determinação dos custos da produção através do método do centro de custos (RKW) Formação do preço de venda CONSIDERAÇÕES FINAIS Limitações da pesquisa Outras sugestões REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANEXOS ANEXO A ANEXO B ANEXO C... 44

9 8 1. INTRODUÇÃO Neste capítulo, serão apresentados a problematização da ausência da mensuração dos custos de produção no setor de panificação, bem como os objetivos e as razões de se aplicar os métodos de custeio em empresa deste segmento. 1.1 Problematização do tema O segmento da panificação, que no final dos anos 80 passou por um período de crise perdendo clientes para os supermercados e lojas de conveniência, se reformulou no final dos anos 90, voltando a crescer novamente. Hoje comemora uma fase promissora, atraindo mais e mais consumidores. O motivo do sucesso está nos ambientes modernos e agradáveis, na higiene, nos produtos de qualidade, no atendimento personalizado e no preço competitivo (CORREIO DA PADARIA, 2009, apud REVISTA PADARIA 2000, 2008). Para manter este preço competitivo no mercado, uma saída está na inovação de produtos e serviços, aliado a um controle efetivo dos custos da produção incidentes. Para minimizar tais custos, é necessário adotar medidas estratégicas de controle da produção, procurando aperfeiçoar o desempenho dos serviços. Muitas panificadoras modernas estão optando por funcionar oferecendo uma série de atividades integradas, o que na maioria das vezes resulta na redução de custos da produção de bens e serviços, que são repassados aos consumidores. As padarias modernas, além de dispor de uma estrutura que beneficia a produção em geral, também contam com sistemas de automação integrados. Estes sistemas contribuem para que se consiga obter um controle do estoques, das quantidades produzidas e vendidas na empresa, além de ser uma ferramenta de padronização dos processos utilizados, para que os produtos não sofram perdas ou alterações de qualidade por algum motivo qualquer. Os sistemas de automação permitem que sejam lançadas notas fiscais de entrada de mercadorias, quantidades dos itens produzidos e também quantidades vendidas, entre outros benefícios de caráter administrativo.

10 9 As empresas que procuram mensurar os custos da produção de seus itens fabricados dispõem de um subsídio relevante no processo decisório. Portanto, o presente trabalho consiste em quantificar os custos da produção para os itens de fabricação diária da empresa de panificação em questão, através de um método de custeio que mais se ajusta ao seu processo produtivo, que é o método do centro de custos, já que a mesma é dividida em setores distintos de produção. Portanto, têmse a seguinte questão: Como definir os custos de produção em uma empresa do segmento de panificação? 1.2 Justificativa Com o crescimento das empresas e o conseqüente aumento na complexidade do sistema produtivo, constatou-se que as informações fornecidas pela contabilidade de custos eram potencialmente úteis ao auxílio gerencial, extrapolando a mera determinação contábil do resultado do período. Os sistemas de custos podem ajudar a gerência da empresa basicamente de duas maneiras: auxílio ao controle e à tomada de decisão. No que se refere ao controle, os custos podem, por exemplo, indicar onde problemas ou situações não previstas podem estar ocorrendo, através de comparações com padrões e orçamentos. Informações de custos são, também, bastante úteis para subsidiar diversos processos decisórios importante à administração das empresas (BORNIA, 2009). O pão francês ainda é o produto mais vendido na maioria das padarias brasileiras, porém, nos últimos nove anos, o setor passou por várias mudanças e hoje é comum o consumidor fazer refeições no local e comprar uma série de itens, que antigamente só eram encontrados nos supermercados, mercearias ou em lojas especializadas. Padarias se tornaram centros de conveniência e gastronomia. A reinvenção trouxe resultados positivos e fez com que o segmento passasse ileso pela crise mundial (DIB, 2009). Em pesquisa da ABIP (Associação Brasileira das Indústrias de Panificação), em 2008, em 11 capitais brasileiras detectou-se que o principal ponto que orienta as novas posturas do setor é o binômio preço-qualidade, caracterizado pela diversidade

11 10 dos produtos oferecidos, conforto no acesso, estacionamento, ambiente agradável, apresentação, atenção e presteza dos funcionários (SINDIPAN, 2008). Segundo o SINDIPAN (Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de São Paulo), em 1984 estimava-se cerca de 42 mil padarias artesanais no Brasil. Em 1994 este número elevou-se para cerca de 60 mil e em 1997 caiu para cerca de 60 mil observando-se uma recuperação em 2.008, atingindo estabelecimentos. Para manter uma estrutura como uma padaria em funcionamento sem que esta venha a causar prejuízos, é necessário utilizar ferramentas que auxiliem no controle interno da empresa, como estoques, quantidades produzidas e também que mantenha os produtos com alto padrão de qualidade. Segundo o SEBRAE (2007), 80% das micro e pequenas empresas desaparecem antes de completar um ano de existência. A principal razão da falência, segundo os especialistas, é a incapacidade de administrar o capital de giro, ou seja: os estoques, o caixa e o financiamento a clientes. Tais variáveis muitas vezes são passíveis de controle interno, quando se baseiam em um plano de marketing, produção, financeiro e de gestão que aponta ao empresário os caminhos a seguir e se há necessidade de corrigir os rumos. Portanto, tem-se que é fundamental para uma empresa sobreviver o planejamento e controle de suas atividades, principalmente no que diz respeito à produção (KALLAS, 2008). Para uma empresa de panificação, principalmente as mais modernas, que trabalham com diversos tipos de produtos e serviços simultaneamente, ter um sistema de custos integrado ao seu banco de dados é de fundamental importância para os gestores, pois estes terão dados que auxiliarão na tomada de decisões, principalmente para determinar não somente qual produto, serviço ou até mesmo setor produtivo está sendo mais rentável para a empresa, mas também que estratégia tomar para diminuir custos, aumentar a lucratividade e minimizar desperdícios. Portanto, é indispensável calcular os custos dos produtos segundo o método que mais se adéqua ao sistema produtivo da empresa.

12 Objetivos Objetivo geral Definir os custos da produção em uma empresa de panificação com o uso do método do centro de custos Objetivos específicos Identificar o sistema de produção adotado pela empresa; Descrever como ocorre o Planejamento e Controle da Produção (PCP); Definir o sistema de acumulação de custos; Realizar uma análise de Custo/Volume/Lucro dos itens fabricados; Determinar os custos da produção dos itens através do Método do Centro de Custos; Determinar o lucro obtido com a venda dos produtos através do cálculo do Markup, para a formação do preço de venda. A seguir, estão descritos todos os conceitos utilizados para a execução dos métodos de custeio utilizados no presente trabalho de estágio.

13 12 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O setor de panificação e confeitaria vive uma espécie de seleção natural, onde sobrevivem apenas os mais competentes. O segmento, que está entre os maiores do país, é composto por mais de 63 mil panificadoras em todo o país, sendo mais de 60 mil destas micro e pequenas empresas (96,3% das padarias brasileiras), que atendem em média 40 milhões de clientes por dia (21,5% da população nacional). São 700 mil empregos diretos e 1,5 milhão indiretos, que fazem com que sua participação na indústria de produtos alimentares seja de 36,2%, e na indústria de transformação 7% do total (PROPAN, 2009). O aumento da concorrência vem provocando profundas transformações nos sistemas produtivos das empresas. A tendência dessas modificações pode ser obtida procedendo-se a uma comparação entre o sistema produtivo de uma empresa moderna e o de uma empresa tradicional. A produção típica da empresa tradicional era composta por poucos artigos, feitos em grandes lotes, com alto volume de produção. Na empresa moderna, há grande flexibilidade na produção, isto é, cada vez mais é preciso fabricar produtos com muitos modelos, feitos com prazos mais curtos, com vidas úteis menores, devendo ser entregues em menos tempo ao cliente. Essas exigências fazem com que a produção seja efetuada em lotes pequenos, com alta qualidade (BORNIA, 2009). No processo de melhoria contínua, a eliminação dos desperdícios é peça de fundamental importância. Para sobreviver no mercado moderno, a empresa moderna trabalha continuamente para eliminar os desperdícios, entendendo-se por desperdício todo insumo consumido de forma não eficiente e eficaz, desde materiais defeituosos até atividades desnecessárias. Além dos desperdícios, existem algumas atividades que são imprescindíveis à fabricação do produto, mas que não agregam valor a ele, como a preparação de máquinas e a movimentação de materiais. Embora não possam ser eliminadas completamente, podem e devem ser melhoradas, restringindo-se ao mínimo possível e merecendo, então, tratamento análogo ao dispensado aos desperdícios (BORNIA, 2009).

14 13 Para uma empresa poder funcionar garantindo sua eficiência e eficácia, esta deve adotar um sistema de produção com vistas a realizar suas operações e produzir seus produtos ou serviços. Para Moreira (2008), sistema de produção é o conjunto de atividades e operações envolvidas na produção de bens ou serviços. Neste, distinguem-se alguns elementos constituintes fundamentais, como os insumos, o processo de criação ou conversão, os produtos ou serviços e o subsistema de controle. Os insumos são os recursos a serem transformados diretamente com os produtos, como as de matérias-primas, e mais os recursos que movem o sistema, como mão-de-obra, o capital, as máquinas e equipamentos, as instalações, o conhecimento técnico dos processos, entre outros. O processo de conversão muda o formato das matérias-primas ou muda a composição e forma dos recursos. O sistema de controle é a designação genérica que se dá ao conjunto de atividades que visam assegurar que programações sejam cumpridas, que padrões sejam obedecidos, que os recursos estejam sendo usados de forma eficaz e que a qualidade desejada seja obtida (MOREIRA, 2008). Os sistemas de produção podem ser classificados principalmente com o tipo de produto a ser produzido. Uma das utilidades das classificações esses sistemas é permitir discriminar grupos de técnicas de planejamento e gestão da produção apropriadas a cada tipo particular, o que racionaliza a escolha e a tomada de decisão sobre qual delas adotar em determinada circunstância (PERALES, 2001). Segundo Moreira (2008), de acordo com o fluxo do produto, os sistemas de produção são divididos em três categorias: a) Os sistemas de produção contínua, que apresentam seqüência linear de fluxo e trabalham com produtos padronizados, podendo ser produção contínua propriamente dita, que tende a ter um alto grau de automatização e a produzir produtos altamente padronizados, ou de produção em massa, no caso de linhas de montagem em larga escala de poucos produtos com grau de diferenciação relativamente pequeno; b) Os sistemas de produção intermitente, podendo ser produção por lotes, quando ao término da fabricação de um produto outros produtos tomam seu

15 14 lugar nas máquinas, de maneira que o primeiro produto só voltará a ser fabricado depois de algum tempo, ou produção por encomenda, onde o cliente apresenta seu próprio projeto do produto, devendo ser seguidas essas especificações na fabricação; c) Os sistemas de produção de grandes projetos sem repetição, onde o produto é único, não havendo rigorosamente um fluxo do produto, pois existe uma seqüência predeterminada de atividades que deve ser seguida, com pouca ou nenhuma repetitividade. As diferentes formas de classificação dos sistemas produtivos ajudam a entender o nível de complexidade necessário para a execução do planejamento e controle das atividades produtivas. O grau de padronização dos produtos, o tipo de operações necessárias e a natureza dos produtos são fatores determinantes para a definição das atividades do Planejamento e Controle da Produção (TUBINO, 2000). O Planejamento e Controle da Produção (PCP) é a função administrativa de apoio que tem por objetivo fazer os planos que orientarão a produção e servirão de guia para seu controle. Em termos simples, o PCP determina o que vai ser produzido, quanto vai ser produzido, como vai ser produzido, onde vai ser produzido, quem vai produzir e quando será produzido (WEIL, SCHOEPS, MOTTA e MACHLINE, 1990; RUSSOMANO, 1995, apud COIMBRA, 2006). A natureza do planejamento e controle muda ao longo do tempo. No longo prazo, os gerentes de produção fazem planos relativos ao que eles pretendem fazer, que recursos eles precisam e quais objetivos eles esperam atingir. O planejamento e o controle de médio prazo estão preocupados em planejar em mais detalhes, avaliando a demanda global que a operação deve atingir de forma parcialmente desagregada. No curto prazo, muitos dos recursos terão sido definidos e será difícil fazer mudanças de grande escala nos recursos. Todavia, intervenções a curto prazo são possíveis se as coisas não ocorrem conforme os planos (SLACK, CHAMBERS e JOHNSTON, 2008). O curto prazo está relacionado com o nível operacional, um dos níveis hierárquicos do PCP, no qual é realizado o acompanhamento da produção, preparando a programação, administrando estoques, seqüenciando, emitindo e

16 15 liberando as ordens de compra, fabricação e montagem (MOLINA e RESENDE, 2006). Um dos objetivos de se fazer uma programação da produção é o de reduzir custos operacionais. Reduzir custos operacionais requer que sejam reduzidos os estoques de produtos acabados, de matérias-primas e de material em processo (produtos semiprocessados); por sua vez, atingir um grau de produtividade desejada de pessoas e máquinas pode exigir um grau de ocupação desses recursos que acabe levando ao aumento dos estoques (MOREIRA, 2008). 2.1 Custos da produção Por definição, os custos de produção correspondem à soma dos custos dos materiais diretos, com a distribuição dos custos fixos e dos custos da mão-de-obra direta (EMBRAPA, 2006). Os sistemas de custos da produção devem permitir a criação de diferentes visões de custos a partir das necessidades dos usuários. A montagem destes sistemas depende do estabelecimento dos critérios de valorização e dos princípios e métodos de custeio (VELOSO, 2001). Os princípios de custeio buscam avaliar e qualificar o conteúdo da informação trabalhada. Estão divididos em: Custeio por Absorção Total, Custeio por Absorção Ideal e Custeio Variável (ERHART et al, 2005, apud FILOMENA, LEMOS, KLIEMANN, 2004). O primeiro considera que todos os custos fixos e variáveis devem ser repassados aos produtos, inclusive as perdas. O segundo considera que todos os custos fixos e variáveis devem ser alocados aos produtos, exceto aqueles relacionados às perdas. Já o último considera que os custos fixos não devem ser inseridos no custo dos produtos ou serviços ofertados, considerando que apenas os custos variáveis incidem na elaboração do produto (ERHART et al, 2005, apud BEBER, SILVA, DIÓGENES E KLIEMANN, 2004). Os métodos de custeio, os quais ocupam-se da atribuição dessas informações aos produtos/serviços, são numerosos, e dentre eles destacam-se: Custo-Padrão, Centro de Custos, Custeio Baseado em Atividades (ABC) e Unidades

17 16 de Esforço de Produção (UEP) (ERHART et al, 2005, apud FILOMENA, LEMOS, KLIEMANN, 2004). O custo-padrão consiste em técnica de fixar previamente preços para cada produto que a empresa fabrica, para fins de uso gerencial das informações ou para agilizar os processos de encerramentos mensais (BRUNI e FAMÁ, 2008). O método do centro de custos consiste na divisão da organização em centros, onde os custos são alocados e depois distribuídos aos produtos. O método de custeio baseado em atividades (ABC), segundo Bruni e Famá (2008), emprega as atividades desenvolvidas dentro da organização para alocar os custos, a fim de distribuir os custos aos produtos de forma mais coerente. O método da UEP, segundo Bornia (2009), baseia-se na unificação da produção para simplificar o processo de controle de gestão. A mensuração do desempenho da empresa é feita por meio de custos e medidas físicas de eficiência, eficácia e produtividade. É importante principalmente para o caso de empresas multiprodutoras. De maneira geral, o cálculo dos custos dos produtos dá-se através da divisão dos custos associados a cada produto pelas quantidades produzidas. Nesse processo, há a necessidade de identificarmos os custos associados a cada produto (cálculo dos custos dos produtos). Para essa identificação, a classificação dos custos diretos e indiretos torna-se importante, pois a análise dos custos diretos é simples, enquanto que os indiretos demandam procedimentos mais complexos (BORNIA, 2009). Custos diretos são aqueles facilmente relacionados com as unidades de alocação de custos (produtos, setores, clientes, entre outros.). Exemplos de custos diretos em relação aos produtos são a matéria-prima e mão-de-obra direta. Os custos indiretos não podem ser facilmente atribuídos às unidades, necessitando de alocações para isso, a exemplo do aluguel (BORNIA, 2009). Para alocar tais custos, faz-se uso de um método de custeio. Dentre os métodos citados, tem-se o método do centro de custos, ou RKW (sigla para Reichskuratorium für Wirtschaftlichtkeit, que significa Instituto Real para a Economia ). Este teve origem na Alemanha, no início do século XX, derivando do

18 17 princípio de custeio por absorção integral, pois mantém a filosofia de alocação dos custos fixos e variáveis aos produtos, incluindo-se as despesas (BACKES et al, 2007). O método do centro de custos se torna o mais indicado para ser aplicado quando a empresa encontra-se dividida em setores, onde cada setor pode ser considerado um centro de custos. Este método trabalha apenas os custos indiretos, não sendo apropriado para os custos de matéria-prima, e tem como característica principal a divisão da organização em centros de custos, por meio de bases de distribuição e, depois, repassados aos produtos por unidades de trabalho (BORNIA, 2009). Para que se possa implantar o método RKW ou custeio pleno, são necessários que os procedimentos do método sejam obedecidos, os quais podem ser sintetizados em cinco fases: (1) Separação dos custos em itens; (2) Divisão da empresa em centros de custos; (3) Identificação dos custos com os centros (distribuição primária); (4) Redistribuir os custos dos centros indiretos até os diretos (distribuição secundária); (5) Distribuição dos custos dos centros diretos aos produtos, ou seja, a distribuição final (BACKES et al, 2007, apud BORNIA, 2009). A principal vantagem do método de custeio por centros de custos ou RKW é o fato de serem utilizados todos os gastos ocorridos na organização, sem exceções. Com isso se obtém uma informação de custos completa e conservadora, isto é com prudência em considerar como base na formação de preços o montante total de custos e despesas em que a empresa incorre, pois, a partir disso, o preço praticado para cada produto permitiria a cobertura de todos os gastos (VARTANIAN, 2000, apud BACKES et al 2007). Com os custos dos produtos devidamente alocados, segue na etapa a formação do preço de venda. O cálculo do preço de venda deve chegar a um valor que permita trazer à empresa a maximização dos lucros, ser possível manter a qualidade, atender aos anseios do mercado àquele preço determinado e melhor aproveitar os níveis de produção (BRUNI e FAMÁ, 2008). Para se chegar ao preço a ser praticado, muitas vezes pode-se empregar o mark-up, do inglês marca acima, índice que, aplicado sobre os gastos de

19 18 determinado bem ou serviço, permite a obtenção do preço de venda (BRUNI e FAMÁ, 2008). 2.2 Análise de Custo/Volume/Lucro Para ajudar na tomada de decisões sobre os produtos, faz-se uso da Análise de Custo/Volume/Lucro. Esta ferramenta consiste em um conjunto de procedimentos que determinam a influência no lucro provocada por alterações nas quantidades vendidas e nos custos (BORNIA, 2009). A análise de Custo/Volume/Lucro examina o comportamento das receitas e custos totais, os resultados das operações decorrentes de mudanças ocorridas nos níveis de saídas (vendas), preços de venda, custos variáveis por unidade ou custos fixos (HORNGREN et al, 1999, apud MORAES e WERNKE, 2006). Envolve os conceitos de margem de contribuição, razão de contribuição, ponto de equilíbrio e margem de segurança. A margem de contribuição é o montante da receita subtraído dos custos variáveis. Representa a parcela do preço de venda que resta para a cobertura dos custos e despesas fixos e para a geração do lucro, por produto vendido (BORNIA, 2009). margem de contribuição = preço custos variáveis unitários Outro conceito importante, relacionado à margem de contribuição, diz respeito ao cálculo da razão de contribuição, que representa igualmente à parte de vendas que cobrirá os custos e despesa fixas e originará o lucro, porém em termos percentuais (FERREIRA, 2005). razão de contribuição = margem de contribuição unitária/preço O Ponto de Equilíbrio, segundo HILLMANN apud MARTINS (2000), também denominado ponto de ruptura ou Break-even-point, nasce da conjugação dos custos

20 19 totais com as receitas totais. O Ponto de equilíbrio tradicional tem por objetivo apurar um determinado número na escala produtiva de uma atividade, expresso em quantidade de produtos ou em equivalentes em dinheiro. O Ponto de Equilíbrio representa o ponto neutro de resultado, ou seja, abaixo dos valores ou de certa quantidade de produtos demandados, a empresa terá prejuízo; acima, lucro. Pode ser determinado em unidades físicas (Q 0, determinado pela equação 1) ou em unidades monetárias (R 0, determinado pelas equações 2 e 3). Q CF mc Equação 1 Ponto de Equilíbrio em unidades físicas Equação 2 Ponto de Equilíbrio em unidades monetárias Equação 3 Ponto de Equilíbrio em unidades monetárias Onde: CF = custos fixos; mc = margem de contribuição; RC = razão de contribuição; p = preço de venda. Os tipos de ponto de equilíbrio citados referem-se ao ponto de equilíbrio contábil, podendo se adaptar para obter os pontos de equilíbrio econômico e financeiro. Segundo BORNIA (2009), no ponto de equilíbrio contábil, são levados em conta todos os custos e despesas contábeis relacionados com o funcionamento da

21 20 empresa. Já para o ponto de equilíbrio econômico, são também imputados nos custos e despesas fixos considerados todos os custos de oportunidades referentes ao capital próprio, e outros do gênero, mostrando a rentabilidade real que a atividade escolhida traz, confrontando-a com outras opções de investimento. No caso do ponto de equilíbrio financeiro, os custos considerados são apenas os custos desembolsados, que realmente oneram financeiramente a empresa. Este informa o quanto a empresa terá de vender para não ficar sem dinheiro para cobrir suas necessidades de desembolso. Com relação à margem de segurança, tem-se que esta consiste no excedente das vendas da empresa sobre as vendas no ponto de equilíbrio. Conseqüentemente, representa o quanto as vendas podem cair sem que haja prejuízo para a empresa. Pode ser expressa quantitativamente, em unidades físicas ou monetárias, ou sob a forma percentual. Margem de segurança % vendas ponto de equilíbrio vendas Para o estudo em questão, foram utilizados todos os conceitos apresentados neste capítulo. Serão definidos no capítulo 3, com base no que foi exposto, o sistema produtivo da empresa e como está estruturado o PCP da mesma. Também serão mostradas a Análise de Custo/Volume/Lucro e os custos da produção, segundo os princípios de custeio mencionados e também segundo o Método do Centro de Custos, para então definir o quanto a empresa lucra com a venda de cada produto.

22 21 3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS De acordo com Yin (2005), a pesquisa se trata de um estudo de caso, pois esta é uma metodologia de investigação particularmente apropriada quando se deseja compreender, explorar ou descrever acontecimentos e contextos complexos, nos quais estão simultaneamente envolvidos fatores. Este método é adequado quando se pretende definir os tópicos de investigação de forma abrangente, considerar a influência do contexto de ocorrência do fenômeno em estudo para obter ajuda diante de múltiplas fontes de dados. O instrumento de pesquisa utilizado para o estudo de caso foi o banco de dados que a empresa possui, integrado ao sistema de automação comercial, o Satwin. Este é um programa ligado ao PROPAN (Programa de Apoio à Panificação) que possibilita o controle da empresa como um todo, desde a compra de matériasprimas até o lançamento de itens produzidos, a fim de controle de estoques. As atividades necessárias à definição dos custos de produção foram iniciadas em junho de 2009, se estendendo até o mês de dezembro do mesmo ano. No início do trabalho, foi executada a coleta de dados, através de um levantamento de todos os itens produzidos na empresa, nos três setores (padaria, confeitaria e cozinha), para determinar quais do total de produtos eram fabricados diariamente. Após esta etapa, foram levantadas também todas as matérias-primas relacionadas com a produção de cada item, para posteriormente levantar o custo de matéria-prima. De posse destes dados, o banco de dados do software utilizado pela empresa, o Satwin, foi atualizado. Todos os produtos cadastrados neste sistema foram submetidos à análise, a fim de determinar se estes estavam sendo produzidos (ativos) ou não (inativos). Para os produtos ativos, foram atualizadas as receitas, que ao mesmo tempo que auxiliam na padronização da qualidade informam o custo de matéria-prima por unidade ou quilograma de produto. Os custos de produção foram obtidos com ajuda do próprio software, dos arquivos da administração da empresa e também de dados fornecidos pelo serviço de contabilidade da empresa, para o trimestre Setembro/Outubro/Novembro, do ano

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