Disciplina: Economia & Negócios Líder da Disciplina: Ivy Jundensnaider Professora: Rosely Gaeta

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1 Disciplina: Economia & Negócios Líder da Disciplina: Ivy Jundensnaider Professora: Rosely Gaeta NOTA DE AULA 01 O PROBLEMA ECONÔMICO Recursos Limitados versus Necessidades Ilimitadas A Economia é a área do conhecimento (e, mais especificamente, das Ciências Sociais) que investiga como produzir bens e serviços para atender necessidades ilimitadas dados os recursos que são escassos e finitos. Por isso mesmo, por muitos ela é chamada de Ciência da Escassez. Explicaremos isso melhor... Imagine um indivíduo há cinquenta anos. Será que ele precisava ter um computador pessoal em casa? Ele precisava de celular? Ele precisava de uma televisão de plasma? Claro que não. Mas, porque ele não precisava? Porque não havia necessidade desses bens ou porque ele ainda não havia descoberto esses bens e tampouco descoberto a utilidade desses bens? O capitalismo vive exatamente de descobrir novas necessidades e de oferecer bens e serviços que possam suprir essas necessidades. Imagine que terrível para o mundo dos negócios se ficássemos satisfeitos em ter o mesmo aparelho celular por anos e anos! Portanto, o consumo é fundamental para o funcionamento do sistema. Para consumir cada vez mais, é importante descobrir cada vez mais outras necessidades que possam ser satisfeitas mediante o ato do consumo envolvendo a troca do bem por um valor monetário. Em contrapartida, os recursos disponíveis para a produção desses bens e serviços não são infinitos e não crescem conforme vão surgindo novas necessidades. Em verdade, é historicamente provado que cada vez o estoque desses recursos necessários é cada vez menor. O que fazer então? Essa é uma resposta que os economistas pretendem oferecer. É uma resposta que você também deverá oferecer quando trabalhar numa empresa e atuar no mundo dos negócios. Os Fatores de Produção: Capital, Recursos Naturais, Força de Trabalho, Tecnologia, Capacidade Empresarial Denominamos os recursos para a produção de bens e serviços de fatores de produção. A esses recursos indispensáveis ao processo produtivo de bens materiais chamaremos de terra, trabalho, capital, tecnologia e capacidade empresarial. Por terra entende-se as terras destinadas à agricultura e pecuária, ou seja, terras cultiváveis, florestas, minas e outros produtos provenientes da utilização do solo. Por trabalho entende-se a mão de obra empregada na produção de mercadorias ou na prestação de serviços. Portanto, o homem.

2 Por capital, entenderemos o capital financeiro, ou seja, o dinheiro necessário para dar impulso a qualquer empreendimento industrial, comercial ou qualquer outro que seja. Também consideramos como capital as máquinas, os equipamentos e as instalações. Por tecnologia, entenderemos as máquinas e equipamentos necessários à produção das mais diversas mercadorias. Também chamamos de tecnologia as técnicas de produção utilizadas pelas empresas, ou seja, o know how relativo à técnica de produção e ao conhecimento científico. Por capacidade empresarial entenderemos as habilidades e ações empresariais, quer dizer, os frutos do empreendedorismo dos empresários, ou daquelas pessoas disponíveis a empreender um novo investimento ou aptas a abrir uma empresa. Cada um destes fatores de produção quando empregados na produção de qualquer mercadoria deve receber alguma remuneração. Assim: À remuneração do fator de produção terra damos o nome de aluguel. À remuneração do fator de produção trabalho, chamaremos salário. O capital recebe sua remuneração na forma de juros. Tecnologia utilizada na produção de mercadorias recebe a remuneração em forma de direito à propriedade. A capacidade empresarial recebe lucros na forma de remuneração. Curvas de Possibilidade de Produção Você já entendeu que devem ser produzidos bens e serviços para atender necessidades ilimitadas. Também já entendeu que os recursos para essa produção o estoque de fatores de produção é limitado. Imagine agora uma economia em que só se produzam dois bens: café e milho. Poderíamos representá-la da seguinte forma:

3 Figura 1: Curva de Possibilidade de Produção As quantidades de café estão representadas no eixo vertical e as quantidades de milho estão representadas no eixo horizontal. Portanto, Y = toneladas de café e X = toneladas de milho. Essa Curva de Possibilidades de Produção (CPP), também chamada de Curva de Transformação, mostra as quantidades máximas que podem ser produzidas das duas mercadorias em um sistema econômico, dadas as combinações ótimas entre os seus fatores de produção disponíveis. Dito de outra forma: ao simplificarmos demasiadamente a realidade, estamos supondo que para a produção de café e de milho seja necessária a utilização de quantidades de fatores de produção e que, nesse caso, todos os recursos disponíveis na economia estão sendo utilizados na produção dessas duas mercadorias. Estamos afirmando que todas as quantidades disponíveis de terra, de trabalho, de capital, de tecnologia e de capacidade empresarial foram destinadas à produção das máximas quantidades de cada uma dessas mercadorias em atendimento às necessidades de consumo da população. Vejamos o que representa cada um dos pontos marcados. Os pontos A, B e C representam as combinações possíveis (e máximas) de produção das duas mercadorias. O ponto B mostra que há produção das duas mercadorias, tanto de café quanto de milho e o ponto C mostra que há produção das duas mercadorias, mas que a produção de uma só pode aumentar em detrimento da produção da outra. A origem dos dois eixos mostra que não há qualquer produção, nem de café nem de milho. Dessa forma, se houvesse um ponto situado na origem, ele representaria o total desemprego de recursos. Já o ponto D mostra a capacidade ociosa da economia, pois seria como se por ele passasse uma CPP imaginária, ou seja, um ponto para dentro daquela CPP que representa as quantidades máximas que essa economia pode produzir diante da disponibilidade total de fatores de produção. O ponto D mostra que há fatores de produção disponíveis que não estão sendo utilizados. Por fim, temos o ponto E, posicionado à direita na CPP. Esse ponto seria alcançado em uma situação de longo prazo, quando fossem aumentadas as quantidades de fatores de produção disponíveis na economia. O ponto E demonstra que houve um deslocamento das possibilidades de produção da

4 economia no sentido de um aumento simultâneo nas quantidades produzidas das duas mercadorias. Da Curva de Possibilidades de Produção apresentada, chegamos a mais um importante conceito em Economia, qual seja, o conceito de custo de oportunidade. Assim, o conceito de custo de oportunidade diz respeito às quantidades de uma mercadoria que deixam de ser produzidas para que sejam produzidas maiores quantidades de outra mercadoria. O custo de oportunidade pode ser entendido também como uma taxa de sacrifício: para satisfazer as necessidades de consumo da sociedade por uma maior quantidade de determinada mercadoria, devemos sacrificar essa mesma sociedade com a menor produção de alguma outra mercadoria. Podemos dizer que quando aumentamos em uma unidade a produção de milho, ou seja, quando passamos a economia do ponto A para o ponto B, sacrificamos a sociedade em duas toneladas de café. Há, portanto, um custo de oportunidade de 2 toneladas de café para a produção de 1 tonelada de milho. Quando essa economia avança do ponto C para o D, o custo de oportunidade de se produzir milho aumenta. Passa agora a ser de 3 toneladas de café, ou seja, foram aumentadas as taxas de sacrifício em trocar a produção de café pela de milho. Podemos ainda conceituar o custo de oportunidade como o que deixamos de produzir de uma mercadoria para que seja aumentada a quantidade produzida de alguma outra. A pergunta que você deve estar se fazendo agora é: como calcular o custo de oportunidade da degradação ambiental? Pense a respeito: muitos classificam a Economia como sendo uma ciência preocupada, fundamentalmente, com a Lei da Escassez: há sempre pouco para muitos. Necessidades Humanas e Bens Temos as mais variadas necessidades. Para cada uma delas, é produzido um bem ou serviço que possa satisfazê-la. Agora, gostaríamos de falar um pouco sobre os vários tipos de bens e serviços. Qual a diferença entre bens e serviços? Os bens são tangíveis, podem ser tocados, são materiais. Os serviços são intangíveis. Exemplos? Uma camiseta é um bem e a assistência que o dentista presta ao paciente é um serviço. Dentre os bens, temos os livres e os bens econômicos. Os bens são livres quando não representam custo para o seu consumo. Os bens são econômicos quando envolvem uma relação de pagamento para que possam ser consumidos. Os bens também podem ser intermediários e os finais. Os intermediários, como o próprio nome diz, são aqueles que serão usados como matéria prima para a produção de outros bens. Os finais são aqueles prontos para consumo, e eles podem ser usados tanto para produzir outros bens (sendo, portanto, bens de capital) como podem ser usados para o consumo das pessoas. No último caso, temos então bens de consumo durável (que têm durabilidade, não sendo consumidos imediatamente) e os bens de consumo não-durável (que são destruídos com o consumo).

5 Anexo I BioAgroEnergia h34 Paulo Costa Etanol onde mora o perigo "Ethanol-3D" - Wikimedia Commons Em 2006/2007 o etanol combustível virou uma febre mundial. Euforia desmedida fez com que o mundo pensasse que estavam resolvidos todos os problemas ambientais e de clima com o desenvolvimento do combustível verde, limpo. Está provado que o etanol, em particular o derivado da cana-de-açúcar é neste momento a fonte mais limpa e barata de energia combustível que se conhece em escala comercial. Mas há um pequeno problema etanol não jorra de um poço em alto mar ou nas areias do deserto. Para se produzir etanol no Brasil são necessários pesados investimentos, manejo agrícola adequado no plantio e trato da cana, condições climáticas favoráveis para o desenvolvimento da safra, competição pela terra com outras culturas e mais uma dezena de condicionantes que não se resolvem da noite para o dia. Mas a cada mês a indústria automobilística lança ao mercado centenas de milhares de novos carros flex e no usuário consolida-se a expectativa de ter o etanol como uma opção sempre presente a preços competitivos. Um estudo recente feito por conceituado escritório de consultoria em gestão de riscos diz textualmente que (conforme) dados preliminares levantados pela Archer Consulting o setor vai precisar de investimentos de 31,46 bilhões de dólares para os próximos quatro anos. O número pressupõe a utilização de 41 bilhões de litros de etanol em 2013/2014. Somem-se a esse volume mais 6,5 bilhões de litros para atender a exportação e álcool outros fins. O Brasil deverá ter em 2014 quase 37 milhões de veículos leves e mais de 14 milhões de motocicletas. Claro está que não é impossível para o Brasil chegar a este volume de produção dentro deste prazo. Afinal, os EUA já atingiram bilhões de galões (cerca de 40.6 milhões de metros cúbicos) em 2009, mesmo considerando que seu etanol vive o eterno dilema da disputa entre o milho para alimentação humana ou para a produção de combustível veicular. Mas não podemos esquecer que o setor canavieiro vem de dois

6 a três anos de resultados negativos de ponta a ponta, ou seja, desde o produtor rural independente até as usinas e destilarias. Este artigo não pretende ser negativista ou desestimulante mas servir de alerta ao setor como um todo. O que estamos vivenciando é um momento de consolidação do mercado em mãos fortes, de empresas que dominam a arte de gerenciar seus negócios e que conhecem os mercados onde atuam. Além disto, temos a expectativa da entrada de novos participantes, também na figura de organizações de porte. O que é preciso ressaltar é que o business da energia renovável tem uma perspectiva de crescimento irreversível dentro de um novo mundo em que a preocupação ambiental passou a fazer parte do cotidiano de toda a gente. Não há o que temer mas há que se preparar para avançar com os projetos em andamento e pensar um modelo geral para o setor que contemple esta necessidade de contínuo crescimento. Sinal amarelo para todos os envolvidos.

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