Empreendedorismo do Rio de Janeiro: Conjuntura e Análise n.5 Marolinha carioca - Crise financeira praticamente não chegou ao Rio

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1 Empreendedorismo do Rio de Janeiro: Conjuntura e Análise n.5 Marolinha carioca - Crise financeira praticamente não chegou ao Rio Equipe: André Urani (editor responsável) Adriana Fontes Luísa Azevedo Sandro Burgi Os efeitos da crise financeira internacional no país e no Rio de Janeiro começaram a ser sentidos no final de 28. Com o término do primeiro quadrimestre de 29 e a disponibilização de dados para o mês de maio já é possível notar algumas tendências relativas à repercussão da crise no mercado de trabalho brasileiro e fluminense. Os anos de 23 a 28 foram especialmente favoráveis para a economia nacional e do Rio de Janeiro, o que levou a uma grande vitalidade do mercado de trabalho 1. A partir de dados da PME/IBGE, o dinamismo do mercado de trabalho pôde ser verificado em três indicadores básicos: i) taxa de desemprego, que saiu de 12,3% em 23 para 7,9% em 28 no Brasil Metropolitano, e de 9,2% para 6,8% na Região Metropolitana do Rio de Janeiro; ii) rendimentos reais médios do trabalho, que aumentaram 11,3% e 15,5% no período, no Brasil Metropolitano e na Região Metropolitana do Rio de Janeiro (), respectivamente; e, iii) porcentagem da população empregada com carteira de trabalho, que é uma proxy do grau de formalização dos trabalhadores. Este indicador cresceu mais de 4 p.p. para as duas dimensões territoriais consideradas. Os dados relativos ao primeiro quadrimestre de 29 mostram que o Rio de Janeiro está reagindo melhor à crise do que o Brasil. Desta forma, a taxa média de desemprego na nos quatro primeiros meses do ano foi de 6,7%,,1 ponto percentual abaixo da observada no mesmo período de 28, enquanto no Brasil Metropolitano houve um aumento de,2 p.p. entre o primeiro quadrimestres de 28 e 29 e este indicador chegou a 8,7%. Segundo os dados do CAGED/MTE, em função da desaceleração da atividade econômica, houve decréscimo no saldo de empregos formais criados no primeiro quadrimestre de 29 em relação ao de 28, tanto no Brasil Metropolitano quanto na. Contudo, no Brasil Metropolitano (BM) houve saldo negativo dos postos de trabalho no primeiro quadrimestre deste ano, ocorrendo destruição de 12 mil vagas. Já na Região Metropolitana do Rio de Janeiro foram criados 5 mil postos de trabalho nos quatro primeiros meses de 29. Assim, a perda de dinamismo do mercado de trabalho da não foi tão forte. Os movimentos mais recentes do mercado de trabalho podem ser analisados a partir das informações referentes ao mês de maio de 29. Ao confrontar o saldo do emprego formal em Maio com o de Abril, é possível perceber sinais de recuperação tanto no Rio de Janeiro quanto no Brasil. Entretanto, a variação positiva para o país (24%) é cerca de 6 pontos 1 Embora os resultados dos últimos meses de 28 reflitam a desaceleração da atividade econômica, em termos de médias anuais o desempenho do mercado de trabalho brasileiro e fluminense foi positivo.

2 percentuais mais elevada do que no Rio de Janeiro (18%). Esta diferença dobra ao se considerar as regiões metropolitanas de ambos, onde a recuperação é mais intensa o nível de emprego aumentou 84% no Brasil Metropolitano e 73% na. Não obstante, a base de comparação para o Brasil é relativamente menor do que para o Rio devido à maior retração da economia nacional nos meses precedentes. De acordo com o gráfico 1, a diferença entre a taxa de desemprego da e do Brasil Metropolitano mais do que quadruplicou entre outubro de 28 e maio de 29: Gráfico 1: 9,5 Taxa de desemprego na RMBR e - Out/8 a Mai/9 9, 8,5 8, 7,5 7, BM 6,5 6, out/8 nov/8 dez/8 jan/9 fev/9 mar/9 abr/9 mai/9 Fonte: PME/IBGE. Pode-se observar, segundo o gráfico 2, que a trajetória da renda real média do trabalho principal habitualmente recebida foi bastante favorável para a durante o primeiro quadrimestre de 29, o que fez com que os rendimentos do trabalho alcançassem um patamar significativamente mais elevado do que no Brasil Metropolitano. Entretanto, no último mês ocorreu uma deterioração da renda mais acentuada na do que na RMBR. Gráfico 2: Renda real média na RMBR e - Out/8 a Mai/9 R$ out/8 nov/8 dez/8 jan/9 fev/9 mar/9 abr/9 mai/9 BM Fonte: PME/IBGE.

3 Olhando para os registros de criação e destruição de empregos formais, nota-se que o saldo acumulado entre admitidos e desligados tanto do estado quanto da região metropolitana do Rio de Janeiro é ligeiramente positivo entre outubro de 28 e maio de 29, fato que não se verifica para o Brasil Metropolitano e o país como um todo. Isso explica, em parte, o comportamento da taxa de desemprego no Rio de Janeiro. Movimentos na taxa de participação 2 constituem outro fator que também pode influenciar o nível de desocupação da população. Na, houve retração de 2 pontos percentuais na taxa de participação entre outubro de 28 e maio de 29. Gráfico 3: Variação do nível de emprego formal - Out/8 a Mai/ BR BM* Fonte: CAGED/MTE. Nota: *São consideradas as 6 regiões metropolitanas da PME. Ao analisar a variação do nível de emprego formal por setores, fica evidente a forte participação da indústria na destruição de postos de trabalho no Brasil. No Rio de Janeiro e na, além do menor peso desse setor no mercado de trabalho (12,6% no estado e 1,6% na Região Metropolitana, em contraste com 2,3% em âmbito nacional e 16,4% no Brasil Metropolitano, respectivamente), a indústria teve um bom desempenho, puxada principalmente pela construção civil - até o mês de março a indústria sozinha estava demitindo. Os parcos efeitos da crise no Rio de Janeiro se concentraram no comércio, que apresentou variação negativa do nível de emprego formal, como pode ser visto no gráfico 5 abaixo: 2 Definida como a razão entre a população economicamente ativa (PEA) e a população em idade ativa (PIA).

4 Gráficos 4 e 5: Variação do nível de emprego formal na indústria - Out/8 a Mai/ Fonte: CAGED/MTE. Nota: *São consideradas as 6 regiões metropolitanas da PME. BR BM* Variação do nível de emprego formal no comércio - Out/8 a Mai/ Fonte: CAGED/MTE. Nota: *São consideradas as 6 regiões metropolitanas da PME. BR BM* Aproximadamente 37% dos postos de trabalho existentes no estado e 35% na (de acordo com a RAIS de 27) estão nas micro e pequenas empresas 3. As MPEs foram as responsáveis pelo saldo positivo de empregos formais no Rio de Janeiro, o que demonstra o dinamismo do mercado de trabalho nesse nicho. Gráfico 6: Variação do nível de emprego formal no estado e região metropolitana do - Out/8 a Mai/ MPEs 3.83 Demais empresas Total Fonte: CAGED/MTE. Em relação ao comportamento do emprego formal nas micro e pequenas empresas fluminenses por setor, o comércio merece destaque pelo saldo positivo entre admitidos e desligados, ao contrário do que ocorreu para o mercado de trabalho considerando o total de empresas. Ainda assim, o comércio foi o setor menos dinâmico para as MPEs do Rio de Janeiro entre outubro de 28 e maio de 29, como pode ser depreendido do gráfico A definição de micro e pequena empresa é a mesma utilizada pelo Sebrae, que segue o critério do número de empregados. Microempresas são os estabelecimentos com até 9 empregados nos setores comércio, serviços e agropecuária e com até 19 empregados na indústria. Pequenas empresas são os estabelecimentos com 1 a 49 empregados nos setores comércio, serviços e agropecuária e com 2 até 99 empregados na indústria. 4 Deve-se ter em mente que, segundo a RAIS de 27, 67,4% das empresas nesse setor são MPEs no estado. Este percentual equivale a 63,8% na.

5 Gráfico 7: 2. Variação setorial do nível de emprego formal nas MPEs - Out/8 a Mai/ Indústria Comércio Serviços Fonte: CAGED/MTE. No universo das micro e pequenas empresas do estado do Rio de Janeiro e da, o setor de serviços teve o melhor desempenho no período analisado, fazendo com que o mesmo ocorresse no mercado de trabalho como um todo, embora as MPEs representem apenas 26,5% e 26,3% do montante de empregos no e na, respectivamente. Pode-se concluir que os efeitos da crise financeira internacional no Rio de Janeiro são consideravelmente menos intensos do que no Brasil. Grande parte disso se deve à retração da indústria, no Brasil Metropolitano, que tem menor peso na. A vitalidade observada nas MPEs, que foram as responsáveis pelo saldo positivo de empregos formais entre outubro de 28 e maio de 29, também colaborou de forma importante para amortecer o impacto da crise no Rio de Janeiro.

6 O Mercado de Trabalho no Rio de Janeiro: aspectos positivos e negativos Lauro Ramos O Rio de Janeiro é tradicionalmente a região metropolitana (RM) que ostenta a menor taxa de desemprego no âmbito das seis RMs cobertas pela Pesquisa Mensal do Emprego (PME), do IBGE. As possíveis razões arroladas para essa característica vão desde a maior importância dos setores de serviços e comércio no Rio de Janeiro, que são mais informais e mais flexíveis, até a super-representação do setor público, que oferece vínculos mais estáveis e colabora para atenuar as oscilações dos rendimentos do trabalho e, portanto, o dinamismo daqueles dois segmentos. Do lado da oferta, a grande proporção de aposentados e idosos pode ajudar a entender a menor incidência de desemprego na medida em que reduz a pressão pela criação de novos postos de trabalho e, também, contribui para a estabilização do poder de consumo. Em função disso não seria difícil de entender um desempenho relativamente melhor do mercado de trabalho do Rio de Janeiro vis-à-vis as demais RMs no bojo das adversidades que se abateram recente sobre a economia brasileira. De fato, como fica claro no gráfico 1 da seção de análise desse número, a taxa de desemprego do Rio acompanhou a do Brasil Metropolitano no último trimestre do ano passado, mas manteve-se relativamente estável ao longo do início desse ano 5, descolando da taxa agregada da PME. 6 Não obstante a conotação positiva do comportamento desse indicador, algumas ressalvas e observações se fazem necessárias: - a relativa estabilidade, sem tendência de crescimento, no início de 29 se deve a uma retração da oferta; uma vez que, de forma similar às demais RMs, o nível de ocupação caiu de maneira preocupante nos primeiros meses do ano, ainda que sucedida por uma estabilidade em abril e maio, conforme pode ser constatado no gráfico; - os rendimentos médios reais apresentam uma trajetória distinta do agregado da PME, na medida em que houve um encolhimento no período imediatamente posterior ao início da crise, que foi sucedida por uma recuperação apreciável nos primeiros meses desse ano. O último mês de maio, todavia, revelou uma corrosão significativa, que além de praticamente anular os ganhos dessa fase de retomada ainda trouxe os rendimentos do Rio de Janeiro para junto da média. Isso significa dizer que as perdas acumuladas nos últimos oito meses foram maiores no Rio que no agregado das seis RMs. Dado o caráter amostral da pesquisa essa queda em maio pode, é importante frisar, não refletir fielmente a realidade, mas por certo não é bem-vinda; - como conseqüência, a massa de rendimentos apresentou uma contração de 4,8% no período pós início da crise, contra 1,8% para o conjunto das RMs. 5 Igual a 6,6% em janeiro e em maio, pouco acima da marca de 6,2% registrada em dezembro último. 6 Essa taxa passou de 8,2% em janeiro para 8,8% em maio, bem acima do patamar de 6,8% registrado em dezembro de 28.

7 5.2 População Ocupada e Rendimento Médio Real Habitualmente Recebido no Trabalho Principal (em R$ de Maio de 29) (em 1 pessoas (em R$) Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Jan Fev Mar Abr Mai População Ocupada Rendimento Rendimento Brasil Em suma, em alguns aspectos a resposta do mercado de trabalho do Rio de Janeiro tem sido positiva em relação às outras RMs, em outros nem tanto, ou até negativa. O traço em comum de todos os mercados metropolitanos é que não é claro ainda que os impactos da crise tenham ficado para trás, podendo haver, ou não, efeitos adicionais nos próximos meses se não se verificar uma recuperação mais vigorosa da demanda por mão de obra que resulte em aquecimento desses mercados. Resta esperar; por via das dúvidas com champagne no gelo e aspirina no bolso.

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