Infra-estrutura para inovação e desenvolvimento

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1 Infra-estrutura para inovação e desenvolvimento Painel: Telecomunicações, acessibilidade, TICs e inovação As telecomunicações constituem um setor de infra-estrutura de importante impacto no crescimento e desenvolvimento de uma nação. O avanço deste setor representa grandes ganhos sociais e econômicos para um país. Socialmente, cito, a título de exemplificação, o ensino à distância por meio de recursos de televisão ou de Internet, o que possibilita o acesso à educação de qualidade pela população das áreas distantes dos grandes centros. Do ponto de vista da economia, é notável o impacto da chegada das telecomunicações em localidades antes não atendidas, aproximando fornecedores de consumidores e possibilitando o alcance a mercados antes não explorados. O avanço das telecomunicações, no último decênio, muito tem contribuído no sentido de dela advirem ganhos sociais e econômicos para a sociedade brasileira. O setor muito evoluiu no que diz respeito à universalização e massificação dos Serviços de Telecomunicações, não tendo, no entanto, atingido os níveis de qualidade exigidos pela sociedade. A planta do Serviço Telefônico Fixo Comutado STFC evoluiu de 18,8 milhões de acessos instalados em 1997 para mais de 41 milhões em Na época da privatização, cerca de 20 mil localidades eram atendidas pelo Serviço, sendo que hoje este número passa de 36 mil. Além disso, hoje existem mais de 1,1 milhões de Telefones de Uso Público TUP instalados, quando em 1997 este número pouco passava de 500 mil. No Serviço Móvel Pessoal SMP, a planta evoluiu de 4,5 milhões de acessos em 1997 (antigo SMC) para mais de 164 milhões de acessos em 2009, dos quais aproximadamente 82% são prépagos. Estes números representam um crescimento de mais de 3.500%. Além disso, no que diz respeito aos acessos de comunicação multimídia (SCM), o número de acessos cresceu de 123 mil em 2000 para mais de 13 milhões em Para que tudo isto fosse alcançado, foram investidos mais de R$ 140 bilhões (valor deflacionado) no período compreendido entre os anos de 1998 e Página 1 de 7

2 Quanto à qualidade dos Serviços prestados, também se caminhou. Atualmente, por meio de planos gerais (PGMQ), a Anatel exige o cumprimento de metas de qualidade no STFC, no SMP e nos serviços de televisão por assinatura. Tais metas consideram tanto indicadores técnicos quanto aqueles relacionados ao atendimento aos usuários, com a avaliação da qualidade percebida medida por meio do Índice de Atendimento IDA. Apesar deste avanço, a Anatel reconhece que muito ainda pode-se e deve-se evoluir no setor de telecomunicações brasileiro. Os esforços devem ser empenhados de maneira a levar o acesso aos diversos Serviços de Telecomunicações ao maior número de brasileiros e, é claro, com qualidade adequada. Além disso, é de fundamental importância que se dê um foco especial na questão do acesso em banda larga, canal essencial para que as informações cheguem a toda a população, garantindo-se assim sua inclusão digital e uma série de benefícios que advém do acesso às Tecnologias da Informação e Comunicação TICs. Para tanto, no sentido de melhorar e evoluir o cenário atual, é necessário que a Agência planeje sua atuação para o período vindouro, coordenando suas diversas ações no sentido de alcançar estes objetivos de melhoria. Neste sentido, a Anatel aprovou, em 2008, o Plano Geral para Atualização da Regulamentação das Telecomunicações no Brasil PGR, formalização à sociedade das Ações de curto, médio e longo prazo, que a Agência terá em sua pauta no próximo decênio no exercício de seu papel de implementadora das políticas públicas de telecomunicações. Entre os objetivos dispostos no PGR, cito, como principais norteadores da atuação da Agência: A massificação do Acesso em Banda Larga, tendo em vista a demanda crescente por conteúdo multimídia e as possibilidades de inclusão social que este conteúdo permite; A redução de barreiras ao acesso e ao uso dos Serviços de Telecomunicações por classes de menor renda, pois os impactos sociais e econômicos positivos das telecomunicações tornam imperativo que estas sejam acessíveis a todas as classes da população; Página 2 de 7

3 A melhoria dos níveis de qualidade percebida pelos usuários na prestação dos Serviços, de maneira a garantir que suas necessidades sejam plenamente atendidas; e A ampliação do uso de redes e Serviços de Telecomunicações, de forma a promover desenvolvimento social e econômico nacional, bem como remunerar o capital investido na construção destas redes. O desenvolvimento de tecnologias e indústria nacionais. Uma vez implementadas as diversas Ações dispostas no PGR, a Anatel espera que o Brasil alcance os seguintes níveis de evolução dos Serviços em 2018: 1) mais de 50 milhões de acessos do STFC; 2) aproximadamente 270 milhões de acessos do SMP, o que representa uma teledensidade de quase 130%. Destes, aproximadamente 125 milhões são acessos em banda larga; 3) aproximadamente 18 milhões de acessos dos serviços de televisão por assinatura; e 4) quase 40 milhões de acessos fixos em banda larga. Este número, somado aos 125 milhões de acessos móveis em banda larga, resulta em aproximadamente 165 milhões de acessos em banda larga em Além disso, com a implementação destas Ações, a Anatel estima que serão investidos R$ 250 bilhões em todo o setor de telecomunicações nos próximos dez anos, cerca de 1,8 vezes mais o que foi aplicado no setor no último decênio. Especificamente no que diz respeito aos serviços de acesso em banda larga, vários projetos vêm sendo desenvolvidos pela Agência no sentido de massificar o acesso em banda larga, seja ele fixo ou móvel. O recente Edital das Faixas F, G, I e J, realizado pela Agência em 2007, impôs obrigação que as vencedoras atendam mais de municípios com acesso em banda larga móvel prestado por meio do SMP, levando cobertura celular a todos os municípios até Além disso, a Anatel estuda a imposição de obrigações semelhantes nos próximos Editais de Licitação de radiofreqüências que serão realizados pela Agência. Página 3 de 7

4 O novo Plano Geral de Metas de Universalização PGMU, aprovado em 2008 pelo Decreto nº 6.424, impôs obrigação às concessionárias do STFC de levarem o backhaul, infra-estrutura de rede de suporte do STFC para conexão em banda larga, a cem por cento dos municípios brasileiros até 31 de dezembro de Este novo PGMU é resultado das negociações, junto às prestadoras, de troca das obrigações de universalização anteriores, tendo a Agência participado ativamente destas negociações. Projeto que prevê a substituição de Postos de Serviços de Telecomunicações PST por Infra-Estrutura de Banda Larga nos Municípios: os municípios com até 20 mil habitantes terão Infra-Estrutura de banda larga (backhaul) com capacidade de 8 MBps; com até 40 mil habitantes, acesso de 16 MBps; com até 60 mil, acesso de 32 MBps; e acima de 60 mil habitantes, acesso mínimo de 64 MBps, compromissos que serão realizados até 31/12/2010. O programa Banda Larga nas Escolas é resultado de um trabalho conjunto dos ministérios da Educação, das Comunicações, Planejamento, Casa Civil e Anatel. Tal programa tem o objetivo de levar, gratuitamente, o serviço de banda larga a mil escolas públicas de ensino básico do país. Os resultados deste programa irão beneficiar 37,1 milhões de alunos ao longo de três anos, representando 84% dos estudantes. Coerentemente com o que dispõe o PGR, a Agência vem trabalhando para disponibilizar novas faixas de radiofreqüência para possibilitar a oferta de Banda Larga por meio dos mais diversos Serviços. Entre elas, cito as faixas de 450 MHz, 2,5 GHz e 3,5 GHz, cujos trabalhos encontram-se em andamento na Agência. Também em andamento está a Licitação para Banda H e sobras de radiofreqüências do SMP com compromissos de abrangência. Página 4 de 7

5 Projeto de Acesso Banda Larga na Faixa de 2,4GHz e 5,8GHz: A Anatel por meio do Regulamento sobre Equipamento de Radiação Restrita, isentou de qualquer autorização as entidades (condomínios, associações, cooperativas, prefeituras, etc) que pretendem disponibilizar acesso sem fio por meio de equipamentos de radiação restrita nas faixas de 2,4 GHz e 5,8 GHz, para uso próprio. Projetos associados à Anuência OI_BrT: Modernização e Expansão da Rede de Fibra Ótica Nacional e Oferta de facilidades de Rede (EILD, Backhaul, Recursos rede de STFC Local, Cadastro e uso plataforma Prépago) compatível com as melhores práticas de competição, devidamente automatizada. Além destes projetos e outros projetos que vêm sendo empenhados pela Agência, é importante ter em mente a questão da transmissão dos diversos conteúdos gerados pelos Usuários. O crescente aumento do tráfego, seja pelo aparecimento de novas funcionalidades e, conseqüentemente, de novos conteúdos multimídia, seja pela inserção digital de localidades antes não atingidas, torna imperativo que a capacidade das redes de transmissão seja incrementada. Assim, deve-se estabelecer mecanismos que incrementem o uso de fibras ópticas para interligação dos municípios, criando um backbone nacional com altíssima capacidade de transmissão. Como conhecedores do cenário de oferta de telecomunicações no País sabemos que a expansão da rede a todos os pontos do território nacional é tarefa que deve ser tomada em conjunto por vários segmentos, para que seja alcançada. Com esse objetivo, destaco os pontos fundamentais à criação de um backbone nacional: 1. O backbone deve alcançar todos os municípios do País e ter capacidade suficiente para fluir tráfego de alta velocidade; 2. A construção do backbone pressupõe atuação governamental por meio de incentivos; Página 5 de 7

6 3. implantação do backbone pode ser executada por uma ou mais grandes empresas dedicadas à implantação de infra-estrutura de alta velocidade de modo a permitir o acesso em todos os municípios por grande número de outras empresas. O Modelo que propomos para o alcance desse objetivo envolve ações em diversos mercados: Atacado (Rede de Transporte de Alta Velocidade a todos os municípios): 1. Empresa detentora do backbone deve negociar a capacidade de tráfego com todas as prestadoras de serviço de telecomunicações que o solicite; 2. Imposição de metas e prazos de entrega para detentores de PMS; 3. Imposição de obrigações de investimento em infra-estrutura; 4. Definição do modelo de competição. Varejo (Rede de Acesso ao usuário final 1ª milha/última milha): 1. Imposição de metas para detentores de PMS; 2. Estímulos para pequenos e médios prestadores; 3. Incentivos para grandes grupos saírem de suas áreas de atuação; 4. Pluralidade de prestadores no acesso, utilizando as capacidades dos sistemas de telecomunicações para a oferta de múltiplas facilidades que perpassam todos os Serviços. Mercado e Indústria Nacional: 1. Estímulo à produção de conteúdo nacional 2. Estímulo à utilização das redes (Atacado/Varejo) 3. Estímulo ao desenvolvimento de tecnologia e indústria nacionais esse objetivo deve ser observado em todo o escopo de atuação da Agência. Desde a pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e serviços, até a operação das redes, a Anatel buscará promover o desenvolvimento da cadeia de valor de telecomunicações no país, por meio dos mecanismos regulatórios que tem ao seu dispor. Ênfase também deve ser dada à criação e ao desenvolvimento de Página 6 de 7

7 4. software e de aplicações de telecomunicações as TICs que se tornam a cada dia mais necessárias na cadeia de valor. Qualidade e atendimento aos Usuários: As ações para massificação do acesso em banda larga devem essencialmente também se ater às questões de qualidade e atendimento aos Usuários. A capilarização do acesso em banda larga não pode ocorrer de outra maneira que não garantindo níveis satisfatórios de qualidade percebida pelos Usuários e, assim, pleno atendimento de suas necessidades. A Agência vem trabalhando nesse sentido em ações como a inclusão de metas de qualidade percebida nos Planos Geral de Metas de Qualidade para o STFC e SMP, por meio de atuação em parceria com os órgãos de defesa do consumidor e atuando fortemente com as prestadoras de serviços de telecomunicações no sentido de reforçar às empresas que o Usuário é o elo mais importante na cadeia de prestação de serviço de telecomunicações. Como se pode ver, o atual estágio de desenvolvimento das telecomunicações demanda que atenção especial seja dada pelos órgãos responsáveis à massificação do acesso em banda larga, levando-o a toda a população com níveis de qualidade percebida satisfatórios. Somente assim se poderá promover a inclusão digital e o desenvolvimento desta população, garantindo seu acesso à informação e aos benefícios que daí advém. Obrigado, JARBAS JOSE VALENTE SUPERINTENDENTE DE SERVIÇOS PRIVADOS Página 7 de 7

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