Estudo 4- Oportunidades de Negócios em Segmentos Produtivos Nacionais. Estudo - Potencial de Negócios para o País na Área de Mercado de Carbono

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1 Centro de Gestão e Estudos Estratégicos Ciência, Tecnologia e Inovação Mudança do Clima Estudo 4- Oportunidades de Negócios em Segmentos Produtivos Nacionais Estudo - Potencial de Negócios para o País na Área de Mercado de Carbono Enéas Salati FBDS

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3 Mudança do Clima POTENCIAL DE NEGÓCIOS PARA O PAÍS NA ÁREA DE MERCADO DE CARBONO Para considerarmos as oportunidades de projetos nas áreas de reflorestamento, florestamento e agro-negócios em geral, é necessário ter uma ordem de grandeza das: a) variações dos estoques de carbono em diversos compartimentos da vegetação e do solo; b) emissões decorrentes das atividades agro-pecuárias; c) variações dos fluxos entre os diversos compartimentos e a atmosfera. A tabela abaixo indica as estimativas globais dos estoques de carbono na vegetação e nos solos até 1 m de profundidade. Bioma Área (milhão m 2 ) Vegetação Estoque de Carbono (GtC) Solo Total Floresta Tropical Floresta Temperada Floresta Boreal Savana Tropical Pastagens Temperadas Áreas Desérticas e Semi- Desérticas Tundra Áreas Inundadas Áreas Cultivadas Total ,011 2,477 O atual estoque de carbono na atmosfera corresponde a 760 bilhões de toneladas de carbono na forma de CO 2. Na década de 90, essa quantidade aumentou uma média de 3,3 ± 0,2 GtC a cada ano, proveniente da combustão 3

4 de combustíveis fósseis. O carbono na atmosfera representa apenas uma fração de aproximadamente 30% do carbono dos ecossistemas terrestres. A vegetação global contém cerca de 500 GtC, enquanto o solo contém GtC na forma de matéria orgânica e detritos. Pelos números acima, observa-se a importância do manejo dos solos, das atividades florestais e da agro-pecuária no controle das concentrações de carbono na atmosfera. Uma mudança da produção de carne para produtos vegetais no que diz respeito ao alimento humano poderá aumentar a eficiência energética e diminuir as emissões, especialmente de N 2 O e CH 4. Significantes reduções de gases de efeito estufa poderiam ser obtidos através de práticas de agricultura, tais como: aumento do carbono fixado por conservação do solo e redução da intensidade do uso do solo; redução da emissão de CH 4 pela melhoria do manejo de áreas irrigadas, pela melhoria do uso de fertilizantes e pela diminuição de emissões de CH 4 pelos ruminantes; evitar emissões pelas atividades de agricultura das emissões de N 2 O, através do uso de de-fertilizantes de "slow release", adubos orgânicos e inibidores de nitrificação. Com respeito à absorção de CO 2 por reflorestamento e aflorestamento, o Brasil tem também grandes potencialidades em: implantação de florestas econômicas, especialmente nas florestas para abastecimento das indústrias de base florestal. Nesse caso, as melhores oportunidades de negócios são oferecidas pelo Chicago Climate Exchange-CCX que admite o comércio de carbono estocado em áreas reflorestadas a partir de 1990 nas áreas desmatadas até aquela data. As negociações são feitas com a variação do estoque de carbono 4

5 Mudança do Clima destas florestas nos anos 2003, 2004, 2005 e A FBDS já aprovou vários projetos junto ao CCX, sendo que a quantidade de carbono a ser comercializada já é da ordem de 7 milhões de toneladas de CO 2, e deve chegar a 14 proximamente, com o compromisso de manter áreas equivalentes florestadas por 30 anos. O reflorestamento de áreas de preservação, como é o caso do reflorestamento com matas ciliares. O Brasil possui uma grande quantidade de áreas que foram desmatadas ao longo dos córregos e rios e que hoje estão sendo reflorestadas em programas especiais. A Secretária de Meio Ambiente do Estado de São Paulo já vem implantando projetos nesse sentido e a área potencial naquele Estado é maior que 1 milhão de hectares. Situações semelhantes existem praticamente em todas as regiões do País, especialmente nas áreas mais densamente povoadas. Situação que merece especial atenção seria o reflorestamento das cabeceiras dos formadores do rio São Francisco. De forma geral, o reflorestamento em áreas desmatadas na Amazônia representa também uma grande oportunidade. Somente na Amazônia são mais de de hectares de áreas degradadas sendo que uma grande parte poderá ser utilizada para plantações florestais comerciais (em média 5 a 7 ton C/ha.ano, e até 10 no caso de eucaliptos) e outra parte para reflorestamento de áreas de conservação. 5

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