EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS ESCOLAS DA REDE PÚBLICA DE ENSINO NA BACIA DO RIO BARIGUI

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1 EDUCAÇÃO AMBIENTAL NAS ESCOLAS DA REDE PÚBLICA DE ENSINO NA BACIA DO RIO BARIGUI ANGELO,Cristiane UTP/PR ROSA,Maria Arlete - UTP/PR Eixo Temático: Diversidade e Inclusão Agência Financiadora: não contou com financiamento Resumo Este artigo apresenta os resultados parciais da pesquisa em desenvolvimento, tendo como tema a educação e meio ambiente. A pesquisa encontra-se na fase de estudo exploratório quanto aos dados bibliográficos e campo de pesquisa. A pergunta colocada para a investigação é: quais aspectos influenciam a educação ambiental nas escolas da rede pública estadual de ensino localizadas na bacia do rio Barigui, em Curitiba e Região Metropolitana? Como objetivo geral busca-se analisar a educação ambiental da rede pública de ensino localizadas na bacia do rio Barigui. Nas indicações teóricas e metodológicas serão utilizados os conceitos de educação ambiental (DIAS,1995), (REIGOTA, 1995), (SORRENTINO, 1995), (JACOBI,2005) e (GOHN, 1994); espaço escolar; práticas educativas (ROSA, 1999); bacia hidrográfica(porto, 2005) e (SANTOS); riscos ambientais e sustentabilidade (STAHEL, 1995). Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, tendo como campo de pesquisa 59 escolas da rede pública estadual de ensino localizadas nesta bacia hidrográfica. A técnica de pesquisa adotada será do tipo estudo de caso e seus procedimentos. Quanto aos resultados esperados, pretende-se: a caracterização das escolas no contexto da sustentabilidade da bacia do rio Barigui, assim como conhecer quais escolas desenvolvem ações de educação ambiental no espaço escolar. Também, a configuração das ações realizadas pelas escolas no âmbito do espaço escolar, bem como sistematizar indicadores socioambientais para avaliar os resultados das ações realizadas pela escola no contexto da bacia hidrográfica do rio Barigui. Como resultado parcial da pesquisa destaca-se ausências de informações de localização das escolas por bacia hidrográfica, no caso a bacia do rio Barigui, pelos órgãos públicos consultados. Palavras-Chave: Educação Ambiental. Escola. Práticas Educativas. Sustentabilidade e Bacia Hidrográfica.

2 Introdução Este artigo apresenta os resultados parciais da pesquisa em desenvolvimento, tendo como tema a educação e meio ambiente. A pesquisa encontra-se na fase de estudo exploratório quanto aos dados bibliográficos e do campo de pesquisa. A pergunta colocada para a investigação é: quais aspectos influenciam a educação ambiental nas escolas da rede pública estadual de ensino localizadas na bacia do rio Barigui, em Curitiba e Região Metropolitana? Como objetivo geral busca-se analisar a educação ambiental da rede pública de ensino localizadas na bacia do rio Barigui. Este artigo trata das considerações da base conceitual, em seguida da aproximação da unidade territorial do campo de pesquisa e seus procedimentos metodológicos, concluindo-se com as considerações finais. 2 Considerações da base conceitual As considerações teóricas desta reflexão abordam as noções de educação ambiental e escola. Esta relação terá como referências as práticas educativas no contexto da bacia hidrográfica ao considerar os riscos ambientais e a sustentabilidade local e global na articulação da escola com a comunidade em que esta inserida. 2.1 Educação Ambiental e Escola Ao se considerar a noção de educação ambiental, embora marcada pela escassez de trabalhos que tratam dessa temática no meio acadêmico, destacam-se os trabalhos de Dias (1992), Reigota (1994), Sorrentino (1995) e Jacobi (2005). Tais estudos são referências importantes nesta área de conhecimento e contribuem para reflexão das determinações educativas, num plano mais amplo da educação ambiental. Assim, contribuem para alargar a compreensão de novos saberes gerados em torno da diversidade e da construção de sentidos nas relações indivíduos-natureza, nos riscos ambientais globais e locais e nas relações ambiente-desenvolvimento (JACOBI, 2005, p. 247) A educação ambiental escolar considerada nesta reflexão se estabelece a partir da relação entre educação, meio ambiente e escola no contexto da bacia hidrográfica. Para Dias ao considerar educação ambiental a partir da Primeira Conferência Intergovemamental sobre educação ambiental, realizada em 1977 em Tbilisi, Georgia (ex

3 4991 URSS), reafirma o processo permanente no qual os indivíduos e a comunidade tomam consciência do meio ambiente e adquirem os conhecimentos, os valores, as habilidades, as experiências e a determinação que os tomam aptos a agir individual e coletivamente para resolver problemas ambientais presentes e futuros (DIAS, 1992, p. 92). Para Dias a educação ambiental, deve promover o desenvolvimento de conhecimento, de atitude e de habilidades necessárias à preservação e melhoria da qualidade ambiental. Pois a função do trabalho didático ao envolver o tema de meio ambiente é contribuir para formação cognitiva e social do aluno. De modo que, o mesmo seja capaz de atuar na realidade sócioambiental comprometido com a sociedade local e global. Para este autor a educação ambiental é um conjunto de conteúdos e práticas ambientais, orientadas para a resolução dos problemas concretos do ambiente, através do enfoque interdisciplinar e de participação ativa e responsável de cada indivíduo da comunidade. A educação ambiental deve alcançar a todas as pessoas, dentro e fora das escolas. Nas associações comunitárias, religiosas, culturais, esportivas, profissionais, entre outras. Deve ir onde as pessoas estão reunidas. Sendo assim, a educação ambiental é considerada ferramenta fundamental como garantia de um meio equilibrado, em que o homem trabalhe de forma sustentável, de forma a não agredir o meio ambiente. (DIAS, 1992, p. 27). Reigota aborda meio ambiente como representação social, sendo que a educação ambiental na escola expressa a identificação das representações da comunidade escolar envolvida neste processo educativo. Meio ambiente é o lugar determinado ou percebido, onde os elementos naturais e sociais estão em relações dinâmicas e em interação. Essas relações são determinadas por processos de criação cultural e tecnológica, processos históricos sociais de transformação do meio natural e construído. Para o autor meio ambiente se constituí como lugar determinado e/ou percebido, onde ocorre a dinâmica das relações em constante interação dos aspectos naturais e sociais. Tais relações são geradoras de processos de criação cultural e tecnológica, assim como de processos históricos e políticos de transformação da natureza e da sociedade. (REIGOTA, 1994, p. 21) O autor, ainda, afirma que no contexto latino-americano para a educação ambiental se coloca o desafio da necessária mudança de mentalidade sobre as idéias de modelo de desenvolvimento baseado na acumulação econômica, no autoritarismo político, no saque aos recursos naturais, no desprezo, às culturas de grupos minoritários e aos direitos fundamentais do

4 4992 homem... educação política deve estar empenhada na formação do cidadão nacional, continental e planetário baseando-se no diálogo de culturas e de conhecimento entre povos, gerações e gêneros (REIGOTA, 1994,p. 21). Assim, para Reigota a temática de educação ambiental está entrelaçada pelas questões sociais, econômicas, culturais, tecnológicas e ambientais. A educação ambiental pode ser realizada em todos os níveis da sociedade, nas escolas, nas reservas ecológicas, nas associações de bairros, nos sindicatos, nas universidades e nos meios de comunicação de massa. Segundo Sorrentino, considera a educação ambiental a partir da visão sistêmica e participativa. Trata-se de uma política pública com foco na questão socioambiental a qual tem por finalidade abrir espaços que possam contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos seres humanos e de todas as espécies e sistemas naturais com os quais compartilhamos o planeta ao longo dos tempos. Isso se dá ao assumirmos nossas responsabilidades individuais e coletivas, interligadas pelas circunstâncias sociais e ambientais (SORRENTINO, 2005, p, 288). Este autor, ainda, considera que as políticas públicas para a educação ambiental esta na dinâmica das relações dialéticas e compartilhado pelo Estado e sociedade civil. Na reflexão da temática de educação ambiental, considera-se que as práticas educativas nas dimensões da sustentabilidade 1, são elementos articuladores significativos das práticas sociais da humanidade na busca por modelos sustentáveis de sociedade. Para Jacobi repensar as práticas sociais e o papel dos educadores na formação do cidadão ecológico, estabelece como tarefa, a necessidade de assumir um papel cada vez mais desafiador, demandando a emergência de novos saberes para apreender processos sociais cada vez mais complexos e riscos ambientais que se intensificam (JACOBI, 2005, p. 247). Tais modelos exigem o exercício de visão holística da realidade, integrando as condições materiais de sustentabilidade - equilíbrio físico-químico e biológico, ao funcionamento da sociedade, a partir da redefinição da política da nossa sociedade atual e do seu modelo de civilização, bem como ao trabalho de consciência individual, de integração da psique pessoal, capaz de gerar ações rumo a mudanças (STAHEL, 1995, p. 126). Nessa 1 Considerando a etimologia, sustentabilidade é - que pode se sustentar, e a etimologia de sustentar é - segurar por baixo; servir de escora a; impedir que caia; suportar; apoiar.

5 4993 perspectiva, coloca-se a importância do estudo das práticas educativas de sustentabilidade que busquem identificar a configuração do conteúdo das potencialidades individuais na vida social. Revelar as possibilidades de existência, nas práticas individuais, de capacidades potenciais de integração a ações coletivas, visando mudanças numa dimensão qualitativa das práticas individuais e coletivas, com o objetivo de se alcançar a sustentabilidade para as gerações atuais e futuras na sociedade planetária. Considera-se aspecto norteador à abordagem da prática educativa de sustentabilidade (ROSA, 1999), enquanto educação para uma prática de cidadania ambiental (JACOBI, 2005) como possibilidade de motivar e sensibilizar o indivíduo a transformar as diferentes formas de participação em fatores potenciais para dinamizar a sociedade e ampliar o controle social sobre a coisa pública que, segundo Jacobi trata-se de criar as condições para ruptura com a cultura política dominante e para uma nova proposta de sociabilidade baseada na educação para a participação (JACOBI, 1998/1999, p. 2). Essa modalidade de educação concretiza-se pela pluralidade de atores, ativados no seu potencial participativo: - adquirindo condições de intervenção consistente, sem tutela nos processos de decisões públicas, legitimando e consolidando propostas de gestão, tendo como base a garantia de acesso à informação e consolidação de canais para a participação; - institucionalizando o controle social, na esfera pública e privada na garantia da cidadania. Para Jacobi o exercício educativo de cidadania implica autonomia e liberdade responsável, participação na esfera política democrática e na vida social (JACOBI, 2005, p. 243). Tais referências estabelecem parâmetros para a noção de prática educativa de sustentabilidade. Portanto, o processo educativo não ocorre de forma preestabelecida, mas o aprendizado configura-se pela aquisição de saber autoconstruído na dimensão sócioambiental mencionada acima, resultado da construção desse conhecimento coletivo. A avaliação dos resultados obtidos nesse aprendizado autoconstruído verifica-se na dimensão do campo político e atuação social, configurado pela qualidade da prática social; pelo nível qualitativo das ações políticas produzidas; pela qualidade de organização social, política e ambiental; pela qualidade da participação social e política e pelos resultados adquiridos e conquistados pelas práticas sociais e de cidadania. Esse aprendizado autoconstruído é gerado por diferentes fontes promotoras dessa prática educativa, sendo os principais promotores desse aprendizado a escola, as entidades do movimento social organizado e o poder público. A constituição desse saber

6 4994 autoconstruído, no processo de participação social, segundo Gohn, apresenta como fontes promotoras: 1) - a aprendizagem gerada com a experiência de contato com fontes de exercício do poder; 2) - a aprendizagem gerada pelo exercício repetido de ações rotineiras que a burocracia estatal impõe; 3) - a aprendizagem das diferenças existentes na realidade social a partir da percepção das distinções nos tratamentos que os diferentes grupos sociais recebem de suas demandas; 4) - a aprendizagem gerada pelo contato com as assessorias contratadas ou que apóiam o movimento; 5) - a aprendizagem da desmistificação da autoridade como sinônimo de competência, a qual seria sinônimo de conhecimento. (GOHN, 1994, p. 50) Ao relacionar este aprendizado autoconstruído com a educação ambiental na perspectiva de prática educativa de sustentabilidade a afirmação de Jacobi contribui para a compreensão desta relação ao abordar a educação ambiental como um processo intelectual ativo, enquanto aprendizado social, baseado no diálogo e interação em constante processo de recriação e interpretação de informações, conceitos e significados (JACOBI, 2005, p. 245), em que o cidadão pode ter experiências diferenciadas a partir da sala de aula, do espaço escolar e comunidade em que está inserido. A educação ambiental constitui-se como processo de transformação da sociedade diretamente afetada pelos riscos e agravos socioambientais, segundo Jacobi (2005). Assim, representa um instrumento essencial para superar os atuais impasses da sociedade. Considera o autor, que neste início do século XXI, coloca-se uma emergência, mais do que ecológica,sendo uma crise do estilo de pensamento, dos imaginários sociais, dos pressupostos epistemológicos e dos conhecimentos sustentadores da modernidade. Assim, para Jacobi (2005) a educação ambiental se coloca como instrumento estratégico para o desenvolvimento de um mundo sustentável. Os educadores assumem papel decisivo na transmissão do conhecimento, qualificando os alunos para um posicionamento critico face à crise socioambiental. A educação ambiental, fomenta possibilidades de espaços comunitários de aprendizagem, no sentido do fortalecimento de aprendizagens e religações socioambientais, ou seja, através do incremento de reflexões, com os sujeitos envolvidos e suas comunidades, sobre questões relacionadas ao desenvolvimento regional, à geração de renda, à qualidade de vida, a impactos ambientais, a unidades de conservação. Neste sentido, Carvalho comenta

7 4995 sobre trabalhos em educação ambiental, que integrem a dimensão do ensino formal ao não formal, de maneira a que esta divisão vá se constituindo em integração: A preocupação com os problemas ambientais locais ajuda a criar esse novo espaço de relações que, sem excluir a escola, a expande e constitui a comunidade como um novo ator nessa dinâmica, estabelecendo novos vínculos de solidariedade. Trata-se, enfim, de gerar novas reciprocidades entre a escola, a comunidade e a realidade socioambiental que as envolve. (CARVALHO, 2004, p.158) 2.2. Educação Ambiental: as prática educativa no contexto da bacia hidrográfica Considera-se que a gestão compartilhada de políticas públicas no território da bacia hidrográfica, constitui-se como determinante integrador no exercício de construção de um conhecimento da complexa realidade sócio-ambiental urbana. Para tanto, de acordo com Jacobi, exige dos atores sociais a internalização de um saber ambiental a partir de um conjunto de disciplinas, visando a construir um campo de conhecimento capaz de captar as multicausalidades e as relações de interdependência dos processos de ordem natural e social que determinam as estruturas e mudanças socioambientais (JACOBI, 2005, p. 245). O conhecimento produzido pelo compartilhamento de saberes socializados de diferentes área de atuação, estimulam o sentido de compreensão de totalidade do território na gestão da bacia, seus problemas e demandas ambientais locais. A partir da água como elo articulador comum, o espaço geográfico unitário da bacia, possibilita potencializar as práticas educativas para integração de diferentes áreas de atuação de âmbito local articuladas ao contexto ambiental global, como exemplo, os efeitos das mudanças climáticas nos alagamentos recorrentes da cidade. O enfoque de Porto (2008) será considerado para abordar bacia hidrográfica como sendo um ente sistêmico, é onde se realizam os balanços de entrada proveniente da chuva e saída de água através do exutório, permitindo que sejam delineadas bacias e sub-bacias, cuja interconexão se dá pelos sistemas hídricos (PORTO, 2008, p. 3). Para a autora, as atividades humanas são desenvolvidas no espaço geográfico definido como território da bacia hidrográfica. Sendo tal espaço constituído por todas as áreas urbanas, industriais, agrícolas ou de preservação fazem parte de alguma bacia hidrográfica... o que ali ocorre é conseqüência das formas de ocupação do território e da utilização das águas que para ali convergem (PORTO, 2008, p. 3).

8 4996 Santos (2002) complementa esta abordagem, afirmando que este espaço geográfico é constituído por um sistema de objetos e um sistema de ações, sendo os objetos um produto de elaboração social...um resultado do trabalho. A ação é o próprio homem e resultam de necessidades essas...materiais, imateriais, econômicas, sociais, culturais, morais, afetivas, é que conduzem os homens a agir e levam a funções (SANTOS, 2002, pp ). Considera, ainda, as potencialidades dos diferentes espaços. Indica elementos que iluminam a reflexão sobre a noção de espaço geográfico como híbrido dos sistemas de objetos e de ações, sendo a intensionalidade, as normas e o território elementos significativos para se estabelecer outra possibilidade de globalização. Essa, a partir do princípio do pensamento único à consciência universal, como base para uma inteligência planetária que tenha como foco central a sustentabilidade da vida na sociedade. Este autor, também contribui, para ampliar o conceito de redes ao considerar as redes nas dialéticas do território, atribuindo dimensões diferenciadas no contexto das atividades humanas e do espaço, enquanto totalidade, expressão do meio natural na relação com o meio técnico-científico-informacional. Considera-se que na dialética das relações sociais no território da bacia hidrográfica se constituem as redes de práticas sociais com conteúdo sócioambientais, sendo determinantes explicativos na construção de análise deste território ao indicar elementos para a compreensão da vida urbana e sua sustentabilidade. A temática de sustentabilidade, riscos ambientais e educação ambiental (JACOBI, 2005) adquire papel estratégico no atual debate da relação meio ambiente-desenvolvimento, sendo que estes temas são marcados por relações de complexidade e permanentes desafios. A reflexão sobre a sustentabilidade do modelo de desenvolvimento adotado pela sociedade contemporânea, exige que sejam considerados os riscos e agravos ambientais como ameaças constantes aos ecossistemas e a vida no planeta. A educação ambiental assume um papel estratégico na mudança de hábitos e práticas sociais, visando formar uma cidadania ambiental com foco em uma sustentabilidade ampliada. De acordo com Jacobi (2005) a participação dos educadores neste contexto estratégico atribui relevância decisiva na inserção da educação ambiental na escola. Ao possibilitar a qualificação dos alunos para um posicionamento crítico face à crise socioambiental. Cabe aos educadores a transformação de hábitos e práticas sociais e formação de uma cidadania ambiental. O exercício de cidadania ambiental com a proliferação de posições de compromisso com a sustentabilidade,

9 4997 Para o autor o desafio global da sustentabilidade traz consigo novas oportunidades de colaboração entre as disciplinas, entre governos, cientistas e empresários, e entre aqueles comprometidos com respostas inovadoras aos complexos problemas ecológicos, sociais e econômicos. A função social da escola coloca-se como determinante ao buscar transmitir uma compreensão clara do papel que cada cidadão desempenha na participação de se obter resultado de sustentabilidade para a comunidade e para o planeta. Construir tais valores sociais e ambientais no espaço escolar contribui para que os alunos assumam uma missão e propósito de cidadania comprometida com a sustentabilidade local e planetária. Portanto, sendo esta a meta da educação ambiental no espaço escolar a ser estudado. (JACOBI, 2005) 3 Aproximação do campo de pesquisa a educação ambiental na escola 3.1 Considerações metodológicas A bacia hidrográfica do rio Barigui, caracteriza-se por estar localizada na maior Sub- Bacia do Estado, a bacia hidrográfica do rio Iguaçu. Está entre as seis subbacias de Curitiba, compostas pelos rios Passaúna, Belém, Atuba, Ribeirão dos Padilhas, Iguaçu e Barigui. Esta bacia é a maior em área, ocupando 32,58% de área da cidade com 140,8 quilômetros quadrados, corta a cidade de norte a sul, caracterizando-se tipicamente como uma bacia de rio urbano ocupa um terço da área urbana, um terço da população do município reside nesta bacia em um terço dos bairros da cidade. (BRISKI,2009). Assim, sua população reside em domicílios, sendo domicílios em assentamentos irregulares (18,11%), possuí 56,49 m² de área verde por habitante, 99% dos domicílios com abastecimento de água, 60% domicílios com rede de esgoto e 100% domicílios com coleta de lixo. A presente pesquisa em desenvolvimento caracteriza-se como um estudo de caso das escolas localizadas na bacia do rio Barigui. O campo de pesquisa são as 59 escolas de rede publica estadual de ensino dos municípios de Curitiba, Almirante Tamandaré e Araucária. Na etapa de caracterização do objeto de pesquisa, buscou-se identificar as escolas localizadas no território da bacia hidrográfica. Para tanto foram consultados órgãos públicos como Companhia de saneamento do Paraná (SANEPAR) e Secretária de Estado de Educação do Paraná, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Também, teve

10 4998 contribuição significativa os professores do Curso de geográfica da Universidade Tuiuti do Paraná. Esta contribuição foi determinante na integração dos dados destes órgãos com a sistematização das informações estabelecidas como objetivo desta pesquisa. Assim, expressando-se como resultado parcial desta pesquisa. De acordo com Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na cidade de Curitiba no ano de 2009, constam 151 escolas de ensino fundamental da rede pública estadual; com alunos matriculados no ensino fundamental da escola pública estadual. Em relação ao ensino fundamental da escola pública municipal constam 172 escolas, com alunos matriculados; tendo docentes para o ensino fundamental da escola pública municipal. No ensino médio de escola pública estadual foram alunos matriculados; com docentes para o ensino médio da escola pública estadual. Na cidade de Almirante Tamandaré no ano de 2009 foram matriculados alunos no ensino fundamental da rede pública. Em relação a rede pública estadual de ensino fundamental foram alunos matriculados; com 317 docentes no ensino fundamental da escola pública estadual. Na escola pública municipal de ensino fundamental constam alunos matriculados. A cidade de Araucária no ano 2009 foram matriculados alunos no ensino fundamental da rede pública. Em relação a rede pública estadual de ensino fundamental constam alunos matriculados, com 142 docentes no ensino fundamental da rede pública estadual. Na escola pública municipal de ensino fundamental foram alunos matriculados, com 745 docentes. Destaca-se que, o aspecto metodológico inovador desta pesquisa será a utilização do processo de coaching como técnica para a coleta de dados a ser utilizado na realização das entrevista com os professores das escolas da rede público de ensino situadas na bacia do rio Barigui. Coaching é uma ferramenta de auto-avaliação e aprendizagem. Foi criado para revisar, introduzir princípios, estruturas, práticas e métodos importantes de orientação. Diálogos de coaching eficazes sempre dirigem a conversação para eliminar a distância entre o nível de resultados atual do participante e os resultados pretendidos (NIEDERER e PORCHÉ, 2002, p. 4-8).

11 Considerações finais As considerações finais a serem consideradas neste artigo trata dos resultados parciais da pesquisa em desenvolvimento, assim como dos objetivos a serem alcançados na conclusão da investigação. Como resultado parcial da pesquisa, constatou-se as dificuldades de se obter informações das escolas e sua localização no espaço geográfico da bacia hidrográfica do rio Barigui pelos órgãos públicos. Fato que indica a necessidade de avanços na gestão dos instrumentos da política de educação ambiental. Os objetivos a serem alcançados nas etapas previstas da pesquisa, buscam analisar a educação ambiental da rede pública de ensino localizadas na bacia do rio Barigui; configurar as ações realizadas pelas escolas no âmbito do espaço escolar; sistematizar indicadores socioambientais na avaliação de resultados das ações realizadas pela escola no contexto da bacia hidrográfica do rio Barigui. Em síntese, a educação ambiental constitui-se como uma expressão de prática social no contexto da insustentabilidade da realidade urbana no território da bacia hidrográfica, podendo se expressar como possibilidade de boas práticas de sustentabilidade diante dos riscos ambientais distribuídos de forma desigual. Assim, o princípio de sustentabilidade presente nas práticas sociais, configura-se como importante conteúdo de aprendizado socioambiental adquirido pela escola e lideranças que atuam no território da bacia hidrográfica. Ainda, contribuí para esse aprendizado, a participação da escola e de tais lideranças na construção de uma cidadania sócio-ambiental local no âmbito da bacia, constituindo-se como oportunidade de boas práticas de sustentabilidade. REFERÊNCIAS BRISKI, S. J., GÓES, C. T. (Celma Tessari de Góes), KURTA, J., JUNIOR, F. S. de J.Análise Qualiquantitativa da Bacia do Rio Barigui para verificação de seu estado Hidrológico e Ambiental In: XIII Simpósio Brasileiro de Geografia Física, 2009, Viçosa - MG. CARVALHO, I. C. M. Educação ambiental: a formação do sujeito ecológico. São Paulo: Cortez, DIAS, Genebaldo. Educação Ambiental, Princípios e Práticas. São Paulo: Editora Gaia, 1992.

12 5000 FERREIRA, Lucia & JACOBI, Pedro. As cidades e a sustentabilidade. In: Debates socioambientais, São Paulo, no.11, 1998/1999, p GOHN, Maria da Gloria Marcondes. Teorias dos Movimentos Sociais: paradigmas clássicos contemporâneos. São Paulo: Loyola, JACOBI, Pedro. Educação para a cidadania: participação e co-responsabilidade. In: Socioambientais, São Paulo, no. 7, 1997, p Educação Ambiental: o desafio da construção de um pensamento crítico, complexo e reflexivo. In: Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 31, n. 2, maio/ago. 2005, p NIEDERER,J, PORCHÉ,G. Coaching o apoio que faz as pessoas brilharem. 5ed. Rio de Janeiro: Campus, 2002 PORTO, Monica. Ferreira do Amaral PORTO & PORTO, Rubem La Laina. Gestão de Bacias Hidrográficas. In:Estudos Avançados, vol. 22, n. 63. São Paulo, REIGOTA, Marcos. Meio Ambiente e Representação Social. São Paulo: Cortez,1994. ROSA, Maria Arlete. Curitiba: um estudo sobre a prática educativa de sustentabilidade o caso da Vila Sagrada Família. Tese de Doutorado, Programa de Pós- Graduação em Educação, da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo,1999. SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço. São Paulo: Hucitec,1996. SORRENTINO, Marcos. Educação Ambiental e Universidade: um estudo de caso, Tese de doutorado, Faculdade de Educação, da Universidade de São Paulo, STAHEL, Andri Werner. Capitalismo e entropia: os aspectos ideológicos de uma contradição e a busca de alternativas sustentáveis. In: Desenvolvimento e natureza: estudos para uma sociedade sustentável. Cavalcanti, Clóvis. (org.). São Paulo: Cortez, Pernambuco: Fundação Joaquim Nabuco, 1995.

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