A C R I A N Ç A, A S B I R R A S E O

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1 A C R I A N Ç A, A S B I R R A S E O P A P E L D O S E D U C A D O R E S Orador: Dr. Vasco Catarino Soares* Promoção: Insight Psicologia * Psicoterapeuta da INSIGHT; Prof. Universitário; Psicólogo Clínico; Doutorando Em Neuropsicologia Clínica INSIGHT Psicologia e Recursos Humanos, Lda. Lisboa Rua Conde de Redondo, nº 60-5º Lisboa T: Leiria Rua Dr João Soares, Lote A R/C Esq Leiria T: Amora Rua Profº Egas Moniz, 24-A Sala B Amora - Paivas T:

2 A CRIANÇA, AS BIRRAS E O PAPEL DOS PAIS INTRODUÇÃO Entre o 2º e o 3º ano de vida da criança ocorrem 3 aquisições fundamentais e determinantes para o desenvolvimento emocional da criança: Aquisição da marcha; Emergência da linguagem; Controlo dos esfíncteres. A aquisição da marcha permite à criança uma maior autonomia relativamente aos cuidadores ( posso afastar-me quando eu quero e com isso consigo avaliar os outros. Preocupá-los ou agradá-los ). Com o início da linguagem a criança pode exprimir aquilo que quer. Associada a esta aquisição está a aprendizagem da palavra NÃO, e com isso pode, finalmente, manifestar-se relativamente aquilo que lhe desagrada, dando-lhe uma sensação de poder. Dr. Vasco Catarino Soares 2

3 O controlo dos esfíncteres permitem à criança a capacidade de retenção ou expulsão, que esta vai usar para dominar na relação com os pais. Ex. Os pais à espera enquanto a criança no bacio demora uma eternidade; ou os presentes que aparecem atrás de uma porta lá de casa, etc. Ao nível do seu desenvolvimento cognitivo, durante este período de vida, a criança encontra-se numa fase marcada pelo egocentrismo, que a leva a sentirse o centro do mundo e das atenções, ainda sem qualquer possibilidade de perceber ou sentir empatia pela opinião ou desejo dos outros. Aliás, nesta idade a criança não imagina que o mundo existe nos sítios onde ela não está. É então nesta panóplia de acontecimentos e capacidades adquiridas que surgem as temidas BIRRAS. Considerando-se o centro das atenções, e agora com possibilidade de manifestar a sua vontade (sobretudo através do NÃO), de se poder afastar, espernear ou correr, a criança vai usar e abusar desses meios com o intuito de nunca ser contrariada, pois nesta idade continua a prevalecer o principio do prazer. Dr. Vasco Catarino Soares 3

4 QUAL É AFINAL O PAPEL DOS PAIS NO MEIO DE TUDO ISTO? Para a maioria dos pais esta fase do crescimento é bastante complicada devido às confrontações diárias com os seus filhos, e às cada vez maiores exigências destas crianças. O NÃO surge antes dos pais terminarem a pergunta ou afirmação: não se querem vestir; não querem aquela comida; querem determinado brinquedo e não outro; não querem ir ao colégio; querem ficar a ver televisão; não se querem deitar. Enfim, Quero, posso e mando é o que parecem dizer a todo o momento. Por vezes, as BIRRAS vêm e vão rapidamente. Noutras alturas, duram muito tempo e são associadas a grandes crises de choro convulsivo, gritos estridentes, com derrube de objectos, chegando, algumas crianças, a atirar-se elas próprias ao chão. Estas BIRRAS surgem dentro e fora de casa e sobretudo com as pessoas mais próximas da criança. Dr. Vasco Catarino Soares 4

5 O QUE AS POTENCIA Considerando que todas as crianças passam por esta fase, e que os pais têm de estar prevenidos, pois não acontece só aos outros, as BIRRAS são, no entanto, agravadas quando os pais se tornam permissivos e acabam por ceder quase sempre às exigências dos pequenos ditadores. Muitas das vezes é o medo de criar traumas, de ouvi-los chorar, ou por que estão demasiado cansados e acham que se desta vez lhe fizerem a vontade acabam por acalmar. Também acontece os pais fazerem as vontades todas fora de casa por causa da vergonha (eles têm as cordas vocais poderosas e afinadas) ou com receio de serem olhados de lado como maus pais ( coitada da criança que é tão contrariada ). Dr. Vasco Catarino Soares 5

6 COMO LIDAR COM ELES PARA QUE AS BIRRAS DIMINUAM 1- Primeiro é preciso tempo. A criança precisa deste confronto com o adulto para aprender os seus limites e a lidar com a frustração de não ter tudo aquilo que quer. E estas duas aquisições (resultantes das birras e do modo como são geridas) vão ser muito importantes para o seu desenvolvimento pessoal. 2- Torna-se necessário fazer uma selecção das BIRRAS. A criança deve poder ganhar em pequenas coisas (Não quero que me leias este livro! Quero o outro! Não quero banana! Não quero cumprimentar o teu amigo!...) ao mesmo tempo que é estimulada a argumentar porquê. No entanto, deve ser contrariada relativamente a tudo o que a ponha em perigo (andar de carro sem cadeirinha, mexer na gaveta dos talheres), que a prejudique (deitar-se tarde, comer demasiados doces e salgadinhos, usar sandálias em pleno inverno,...), e tudo que faça a criança sentir-se o dono lá de casa e dos pais (dar pontapés à mãe durante a birra, obrigar o pai a dar-lhe o telemóvel, exigir brinquedos e guloseimas...). Dr. Vasco Catarino Soares 6

7 3- Não entrar em grandes explicações morais do porque é que a criança não pode fazer o que quer, nem apelar aos sentimentos da criança (Olha que a mãe fica triste! Olha que a avó chora!). Esta atitude só enerva mais a criança, uma vez que já está exaltada, e dá-lhe mais espaço para armar a BIRRA. 4- Nunca ceder a meio de uma BIRRA. Se os pais concluem que não é para fazer a vontade, então devem conter a BIRRA até ao fim sem ceder. 5- Demonstrar à criança que pode chorar (até faz bem), queixar-se e tentar consolar-se no seu colo ou com algum objecto de conforto. 6- Nunca humilhar a criança por se descontrolar ou por chorar (por exemplo, mariquinhas ou pareces um bebé... ). 7- Depois dos ânimos acalmarem a criança deve ser valorizada por ter conseguido acalmar-se sem o seu desejo ter sido satisfeito. Dr. Vasco Catarino Soares 7

8 Em situações extremas, em que os pais tenham a sensação de que já não controlam a situação e que os petizes fazem o que querem e cada vez exigem mais, não hesitem em procurar um psicólogo da que vos ajudará a lidar com a situação. FIM Dr. Vasco Catarino Soares 8

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