Recepção do telejornal produzido em Santa Maria

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1 Recepção do telejornal produzido em Santa Maria Prof. Ms. Viviane Borelli 1 Acadêmica Emília Cristina Maria 2 O objetivo da comunicação é apresentar o projeto de pesquisa que está em fase inicial no Curso de Comunicação Social do Centro Universitário Franciscano (Unifra), Santa Maria, RS. O projeto Recepção do telejornal produzido em Santa Maria está vinculado às disciplinas de Teoria da Comunicação I e II e ao Programa Especial de Treinamento (Propet), criado pela Pró-reitoria de Graduação para complementar as atividades de ensino. Além de incentivar a reflexão teórica, será desenvolvida uma pesquisa empírica sobre os modos de recepção dos telejornais santa-marienses, com objetivo de compreender como os usuários transformam a oferta discursiva no seu próprio telejornal. A pesquisa será realizada com receptores dos telejornais locais, Pampa Meio-Dia (Rede Pampa de Comunicação/Record) e Jornal do Almoço (RBS TV/Rede Globo). Tendo como base algumas técnicas da semiologia dos discursos, serão utilizados procedimentos teóricos e metodológicos de caráter qualitativo e aplicados um conjunto de instrumentos de coleta de dados, como questionário, entrevistas e grupos de discussão. Embora o foco esteja nas condições de recepção por parte dos usuários, serão consideradas as gramáticas de produção e recepção por compreender que as relações entre as duas instâncias são marcadas por estratégias de construção de sentidos. Palavras-chave Recepção, telejornal, produção de sentidos Introdução O objetivo da reflexão é apresentar o desenvolvimento dos primeiros passos do projeto de pesquisa Recepção do telejornal produzido em Santa Maria, que está em fase inicial no curso de Comunicação Social do Centro Universitário Franciscano (Unifra), Santa Maria, RS. O campo de pesquisa está sendo delimitado e será composto por receptores dos telejornais locais, Pampa Meio-Dia, da Rede Pampa de Comunicação, afiliada da Rede Record, e Jornal do Almoço, da RBS TV, afiliada da Rede Globo. 1 Jornalista, professora do curso de Comunicação Social - Jornalismo e Publicidade e Propaganda - do Centro Universitário Franciscano (Unifra) e doutoranda do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Comunicação pela Unisinos, São Leopoldo RS, - área de concentração em processos midiáticos. 2 Acadêmica de Comunicação Social Jornalismo, Bolsista Propet (Programa Especial de Treinamento) da Unifra.

2 O projeto de pesquisa representa uma complementação das atividades desenvolvidas em sala de aula nas disciplinas de Teoria da Comunicação I e II e é vinculado ao Programa Especial de Treinamento (Propet), criado pela Pró-reitoria de Graduação para complementar as atividades de ensino. O objetivo do projeto é incentivar a reflexão teórica, dando destaque às teorias da comunicação, e também possibilitar aos alunos um processo de iniciação científica através da aplicação de uma pesquisa empírica. Mesmo que o projeto tenha apenas uma bolsista, outros alunos também estão envolvidos através da participação em grupos de estudo e como voluntários na aplicação de fases da pesquisa. Dessa forma, o trabalho desenvolvido não fica reduzido somente a um ou outro aluno, mas a um grupo interessado em aprofundar estudos teóricos e iniciar-se no campo da pesquisa acadêmica. Por estar vinculado às disciplinas de Teoria da Comunicação I e II, o projeto vai proporcionar um diálogo entre aqueles que estão trabalhando diretamente nele e os demais alunos do curso através de um seminário em que serão apresentadas as fases de investigação e os resultados da pesquisa sobre a recepção do telejornal produzido em Santa Maria. Neste momento inicial, estão sendo realizados encontros para reflexão teórica com objetivo de ampliar o campo de conhecimento dos alunos envolvidos e de definir as estratégias teóricas e metodológicas a serem adotadas no desenvolvimento do projeto. Além disso, estão sendo aplicadas técnicas quantitativas de coleta de dados em caráter exploratório para que depois possa ser delimitado o campo efetivo de investigação e, a partir de então, seja dado um tratamento qualitativo à pesquisa. Mesmo que o enfoque central seja nas condições de recepção dos telejornais locais por parte dos usuários, estão sendo consideradas de forma conjunta as gramáticas de produção e recepção por compreender que as relações entre as duas instâncias são marcadas por estratégias de produção de sentidos. Para isso, faz-se necessária uma breve caracterização dos telejornais Jornal do Almoço/RBS e Pampa Meio-Dia/Rede Pampa de Comunicação. É importante salientar que em outras regiões do estado são produzidos telejornais locais tanto pela RBS TV quanto pela Rede Pampa de Comunicação. A diferença entre as duas emissões é que o Jornal do Almoço é integrado a um telejornal estadual enquanto o Pampa Meio Dia é único neste horário. 2

3 O Jornal do Almoço local tem duração de 26 minutos (o estadual dura 40 minutos), iniciando às 12h, e a área de abrangência é a centro-oeste do Rio Grande do Sul, num total de 39 municípios, o que representa aproximadamente 220 mil pessoas, segundo perspectiva apontada pelo editor do telejornal, Julio Cargnino. Por serem muito caras, o Ibope realiza apenas pesquisas de audiência duas vezes ao ano. O Jornal do Almoço estima 70% de audiência mais ou menos 3 neste horário. Segundo o editor, não mudam muito os levantamentos. Aqui é muito...como se não houvesse concorrência, o público tem poucas opções e os números não mudam tanto a cada seis meses 4. É preciso salientar que a audiência refere-se a todo o telejornal Jornal do Almoço (em rede estadual), já que não há medição apenas da parte local. O Pampa Meio-Dia dura 35 minutos, iniciando às 12h25. O telejornal abrange de forma amplamente nove cidades, mas há outros municípios em que o sinal chega a alguns lugares de forma mais reduzida. De acordo com o editor do telejornal, Airton Amaral, estima-se que o telejornal atinja 850 mil pessoas. Em relação à audiência, o telejornal não tem indicadores oficiais, baseando-se em pesquisas realizadas por empresas especializadas, como a Revista Amanhã. Nosso referencial é a Revista Amanhã, que avalia as marcas mais lembradas. E o Pampa Meio-Dia e eu, como apresentador, fomos os mais lembrados em televisão local desde Na última, em 2002, nós tivemos um índice de 44%, acho. O JA ficou com 20,5% 5. A partir dessas falas informativas, percebe-se algumas contradições: enquanto o editor do Jornal do Almoço/RBS fala que não há concorrência neste horário, o editor do Pampa Meio-Dia salienta que o telejornal é o mais lembrado (o índice atribuído ao Pampa Meio-Dia é mais que o dobro atingido pelo JA) segundo levantamento da Revista Amanhã. Esses dados deverão ser melhor investigados, já que a proposta é analisar a recepção do telejornal produzido em Santa Maria com objetivo de perceber se a comunidade de usuários reconhece na produção discursiva valores e marcas identitárias locais. Dessa forma, é necessário diferenciar o Jornal do Almoço como um todo dos primeiros blocos locais ao telejornal estadual. Também é importante salientar que o bloco local do Jornal do Almoço encerra no momento em que está iniciando o Pampa Meio-Dia, possibilitando que as pessoas assistam aos dois telejornais locais ou que depois das 12h25 fiquem alternando entre o bloco estadual do Jornal do Almoço e o Pampa Meio-Dia. 3 Segundo informação do editor, Júlio Cargnino, em entrevista realizada no dia 23 de março de Idem 5 Segundo informação do editor, Airton Amaral, entrevistado no dia 24 de março de

4 A seguir, serão apresentadas algumas informações sobre o funcionamento e as regras dos telejornais, colhidas através de entrevista com os editores. Também serão explicitados os passos inicias para delimitação do objeto e do campo de investigação, bem como das primeiras idas a campo com objetivo de explorar e conhecer melhor os receptores dos telejornais locais. Explorando o campo de pesquisa Como já foi referido, o desenvolvimento do projeto de pesquisa Recepção do telejornal produzido em Santa Maria iniciou em março e deve prosseguir até outubro de Dessa forma, nesta primeira fase, os trabalhos estiveram relacionados à ampliação teórica sobre os estudos em recepção 6, à caracterização dos telejornais a serem estudados e à delimitação do campo de investigação, com aplicação de um questionário exploratório para que se possa conhecer um pouco o universo dos receptores. Para isso, foi traçado um planejamento metodológico com intuito de dar conta das várias ações que fazem parte dessa fase inicial: foram assistidas algumas edições dos telejornais; através de pesquisa bibliográfica, está sendo aprofundado o conceito de recepção e realizado um levantamento preliminar de alguns estudos sobre recepção de telejornal; foram entrevistados os editores dos dois telejornais e foram aplicados questionários exploratórios a uma amostra aleatória dentro da delimitação do campo de investigação. Para dar conta do objeto de pesquisa, estão sendo definidos os procedimentos técnicos/metodológicos a partir das próprias características do estudo, que é de iniciação científica, tem um prazo reduzido para investigação e está sendo realizado com intuito de aprofundar os conhecimentos teóricos apreendidos em sala de aula. Assim, a metodologia está sendo delimitada através de pré-observações, concebendo-as como um conjunto de pré-operações para reunir dados. Estão sendo mesclados procedimentos quantitativos com qualitativos por compreender que era necessário conhecer um pouco mais o universo dos telespectadores antes de realizar uma pesquisa mais vertical e aprofundada com alguns públicos específicos. Para ALVES-MAZZOTTI e GEWANDSZNAJDER (2001), as pesquisas 6 Alguns estudos que estão sendo analisados são FAUSTO NETO (1996, 2002), GOMEZ (2000), JACKS (1993, 1996), LOPES (2000),MALDONADO GOMEZ DE LA TORRE (2000) RONSINI (s/d), SOUSA (2000). 4

5 qualitativas são caracterizadas como multimetodológicas, já que utilizam uma variedade de procedimentos e instrumentos de coleta de dados. Compreende-se que a amplitude do objeto exige uma série de estratégias metodológicas para que se possa coletar dados específicos para a explicitação do objeto de pesquisa. Nesse sentido, BECKER (1997) corrobora com esse intuito ao defender que muitas vezes o objeto de pesquisa deve ser visto a partir de multimétodos de pesquisa, o que pode dar mais sustentação ao trabalho, possibilitando a checagem de dados. Essa conjugação de procedimentos técnicos é necessária num movimento de delimitação do campo de investigação, em que é fundamental conhecer características da audiência para que depois seja possível aprofundar com alguns usuários dos telejornais suas estratégias de recepção e produção de sentidos. Acredita-se que os estudos em recepção representam uma abordagem teórica significativa dentro do campo da teoria da comunicação para compreensão de como os sujeitos atribuem sentido às mensagens produzidas pelos meios de comunicação. Para compreender as negociações entre recepção e produção, o suporte a ser investigado não pode ser isolado, mas, pelo contrário, deve-se compreende-lo nas múltiplas relações com o contexto social, histórico e cultural em que está presente. Dessa forma, buscou-se caracterizar de forma mais abrangente os telejornais locais, aprofundando o conhecimento dos seus modos de operar e funcionar como oferta discursiva para a comunidade de usuários. Com esse intuito, elaborou-se um pré-roteiro de perguntas a serem feitas para os dois editores dos telejornais. Nesse caso, aplicou-se a técnica da entrevista semi-estruturada, em que o pesquisador, através de tópicos e temas mais gerais, possibilitou ao entrevistado que relatasse sua experiência e fornecesse as informações básicas. Em relação ao conceito de entrevista semi-estruturada, THIOLLENT (1981, p.35) a define como um procedimento aplicado a partir de um pequeno número de perguntas. Neste sentido, compreende-se que, além de ter efetuado uma entrevista semi-estruturada, aproximou-se um pouco também do que o autor concebe como entrevista aprofundada, em que a conversação é iniciada a partir de um tema geral sem estruturação do problema por parte do investigador. Para BURGESS (s/d), a utilização de entrevistas não estruturadas permite, especialmente, um detalhamento de questões, pois a entrevista é tida como uma conversa, em que pesquisador e pesquisado estabelecem uma relação de confiança e de trocas. Nesse 5

6 sentido, antes de fazer as entrevistas pessoalmente, os entrevistados foram contatados por telefone para se inteirarem do projeto. Com isso, estabeleceu-se um clima de confiança entre entrevistador/entrevistado. Um pré-contato, como sugere GIL (1994), representa a busca de confiança e familiaridade para que depois se possa efetivar a entrevista. Para isso, é fundamental uma contextualização do projeto de pesquisa, utilização dos dados, objetivos, entre outros fatores, já que a entrevista, mesmo com objetivos determinados para investigação, é uma relação social. Para ALVES-MAZZOTTI e GEWANDSZNAJDER (2001, p.168), as entrevistas aplicadas à pesquisa qualitativa são muito pouco estruturadas, assemelhando-se a uma conversa. Elas são úteis, especialmente, quando se pretende compreender o significado atribuído pelos sujeitos a eventos, situações, processos ou personagens que fazem parte de sua vida cotidiana. A entrevista possibilita, então, detalhamentos sobre determinados fatos, temas e acontecimentos que se queira compreender, aprofundar ou abordar de uma forma geral. As entrevistas realizadas com os editores estão em fase inicial de análise, mas já dão algumas pistas sobre o funcionamento dos telejornais. À medida que serão realizadas entrevistas mais aprofundadas com alguns receptores, os dados obtidos com os editores terão mais expressividade no conjunto do projeto de pesquisa. A seguir, serão relacionadas algumas informações apreendidas nas entrevistas com os dois editores dos telejornais. A partir das entrevistas, verificou-se que, enquanto o Jornal do Almoço segue uma estrutura mais geral, o Pampa Meio-Dia produzido em Santa Maria tem características muito particulares, diferenciando-se dos demais telejornais da Rede Pampa de Comunicação. É o padrão de uma rede, da Globo. Toda orientação segue nesse perfil de como estruturar o telejornal, como trabalhar textos, como deve se portar o repórter, o apresentador e tudo mais. A maneira de falar mesmo deve seguir um padrão. (...) A gente busca cada vez mudar, mas não pode radicalizar, começar a emitir opinião, por exemplo. O que a gente tenta é tornar os jornais mais conversados, buscar a linguagem coloquial e, na medida do possível, tentar transparecer para o telespectador que estamos conversando com ele. Mas tem que ir aos pouquinhos para mão chocar o telespectador, já que tem toda uma questão histórica. (...) A diferença entre SM e POA é que eles conseguem cumprir melhor as exigências por ter uma estrutura maior 7. 7 Segundo informação do editor, Júlio Cargnino, em entrevista realizada no dia 23 de março de

7 A partir da fala do editor do Jornal do Almoço local, observa-se que não há diferenças em relação à linguagem do telejornal estadual, há apenas uma estrutura melhor para cumprir o trabalho. Dessa forma, mesmo sendo local, o telejornal segue uma estrutura nacional, o padrão Globo, em que são mantidas características mais gerais ainda que se trate de uma produção local. Em relação ao Pampa Meio-Dia, essa estrutura mais geral desaparece, dando lugar a uma produção local, centrada na figura do editor/apresentador. A linguagem foi por mim definida há nove anos e há um direcionamento para atingir maior público. A partir de 1997, o Pampa adquiriu esse formato atual. (...) Meu projeto era fazer um telejornal comunitário, então como coordenador de jornalismo eu precisava de um apresentador que se dispusesse a fazer um jornal comunitário. Isso significa ter uma atitude profissional muito ampla, desde o modo como se atende o telespectador no telefone, como conversa com as pessoas na rua, como aborda uma fonte e a forma de se apresentar 8. A partir dessas informações, percebe-se que o formato do telejornal foi definido por uma pessoa e não por uma Rede como no caso do Jornal do Almoço. O editor do Pampa Meio-Dia, ao contrário da equipe do Jornal do Almoço (os apresentadores variam muito e várias pessoas editam as matérias), emite opiniões e centraliza a produção do telejornal, já que ele define as pautas, edita as matérias e apresenta o telejornal. Há outras diferenças identitárias entre os dois telejornais em relação à definição do público, da abrangência e dos objetivos. O editor do Jornal do Almoço informa que organiza o trabalho em função de um público bem amplo. Porém, mesmo não tendo um perfil exato, diz que tem uma idéia, reforçada por pesquisas, de que quem está em casa ao meio-dia é a dona-de-casa, a pessoa que não trabalhou de manhã, o estudante 9. Assim, a equipe trabalha com um público heterogêneo, de várias idades e classes. Em relação a objetivos, fala que o principal é informar, sem esquecer que o telejornal deve ter um fator de entretenimento. O editor do Pampa Meio Dia informa que organiza o telejornal em função de um público geral, não havendo telespectadores específicos. Em relação ao objetivo principal, é taxativo Há direcionamento para a linha comunitária que não abrimos mão 10. Dessa 8 Segundo informação do editor, Airton Amaral, entrevistado no dia 24 de março de Segundo informação do editor, Júlio Cargnino, em entrevista realizada no dia 23 de março de Segundo informação do editor, Airton Amaral, entrevistado no dia 24 de março de

8 forma, o telejornal apresenta-se mais com características comunitárias e o Jornal do Almoço aproxima-se mais do nível informativo e de entretenimento. Como já foi dito, as entrevistas possibilitaram informações bem mais amplas que as apresentadas neste primeiro momento em que o objetivo era fazer apenas uma caracterização mais geral dos telejornais, percebendo suas particularidades, abrangência, objetivo, estimativa de público, entre outras questões. A partir de pré-observações e de algumas informações prestadas pelos editores dos dois telejornais, passou-se a estudar uma delimitação do campo de investigação para que se pudesse conhecer um pouco mais a comunidade de usuários e, a partir daí, passar para um aprofundamento com alguns receptores. Como o objetivo principal é compreender como os usuários dos telejornais negociam com a oferta discursiva, produzindo seu próprio telejornal, ou seja, como produzem sentidos próprios a partir do discurso televisivo, decidiu-se fazer primeiramente um estudo exploratório para que depois fosse possível ter uma caracterização mais específica dos receptores. A delimitação do campo de investigação foi uma questão-chave para a processualidade da pesquisa. Neste sentido, decidiu-se aplicar um questionário exploratório com a comunidade universitária, com o quadro de funcionários e de professores da Unifra. Selecionou-se esse campo reduzido de abrangência por compreender que se trata de um projeto de iniciação científica que não tem pretensões de fazer um levantamento na comunidade santa-mariense, mas apenas num segmento mais limitado, em que seja possível apreender algumas questões para ampliar o conhecimento sobre a produção do telejornal local e os vínculos com os receptores. Como os dois editores falaram que não há pesquisas que apontem os públicos específicos, mas que eles são mais gerais, sugerindo que são de várias classes e escolaridades, optou-se por um estudo sobre a recepção do telejornal produzido em Santa Maria a partir do público que integra a vida universitária. Em relação à metodologia da pesquisa, LOPES (2001) destaca a complementaridade das técnicas de coleta de dados, salientando que, muitas vezes, a melhor estratégia é combinar técnicas de amostragem probalística e não-probalística. Nesse caso, inicialmente, aplicou-se um questionário exploratório de caráter aleatório para que depois se possa partir para a escolha intencional dos entrevistados. 8

9 Por se tratar de um estudo exploratório e não estatístico, delimitou-se a amostra aleatória em 10% dos professores e funcionários, por compreender que é um público mais reduzido, heterogêneo em relação à idade e escolaridade e por ser mais difícil estipular um padrão, e em 5% a comunidade universitária 11 por ser um segmento mais amplo e homogêneo, com escolaridade e idade mais aproximadas. Como o estudo é de caráter qualitativo, a pretensão era fazer um levantamento mais exploratório com intuito de conhecer um pouco mais o público, não havendo preocupações estatísticas. Escolheu-se uma amostra aleatória para permitir que cada unidade tivesse probabilidade igual de ser escolhida. Assim, passou-se a estipular estratégias para o procedimento de coleta de dados, aplicando-se os questionários em vários turnos, nos dois Campus da instituição, nos horários de início, intervalo e final das aulas, possibilitando uma amostra mais diversa, sem divisão por curso ou turno. As questões do questionário exploratório foram breves e simples, buscando-se conhecer a faixa etária, que telejornais eram assistidos e com que freqüência. Dividiu-se também por curso, no caso dos alunos, por setor (funcionários) e por área de atuação (os professores). Na fase atual, os dados estão sendo analisados de forma mais específica para que se possa ter uma caracterização dos vários tipos de receptores que integram a comunidade de investigados. A partir dos dados preliminares, constatou-se que há tipos distintos de usuários dos telejornais: aquele que assiste apenas ao Jornal do Almoço, o que assiste apenas ao Pampa Meio-Dia, aquele que fica alternando entre um e outro e aquele que assiste aos dois. Dessa forma, o objetivo agora é encerrar essa fase do levantamento exploratório para que se defina uma análise mais aprofundada com cada uma das categorias de telespectadores. Primeiras observações Como já foi dito, a pesquisa encontra-se na fase de definição metodológica e teórica para que se possa ter uma processualidade condizente com os objetivos da pesquisa compreender, a partir de um conjunto de técnicas e estratégias metodológicas, como os usuários transformam a oferta discursiva em seu próprio telejornal. Para isso, a partir de algumas técnicas da Semiologia dos Discursos, serão aplicadas técnicas de pesquisa qualitativa, como entrevista em profundidade e grupos de discussão. 11 A instituição possui 317 professores, 103 funcionários e alunos. 9

10 É importante salientar que, a partir dos dados coletados nos questionários exploratórios, pretende-se fazer um diagnóstico dos vários tipos de receptores para que se investigue cada um dos universos. Até o momento, mesmo que com dados parciais, observou-se que a maioria dos telespectadores do Jornal do Almoço assiste o telejornal mais de três vezes por semana, que é representativo o índice de usuários que alternam entre um e outro e que grande parte dos telespectadores do Pampa Meio-Dia vêem o jornal de uma a três vezes por semana. Dessa forma, deve-se considerar os receptores habituais, os ocasionais e os zappeadores. Para finalizar, destaca-se que a prática da pesquisa na graduação representa a ampliação dos conhecimentos adquiridos em sala de aula, especialmente nas disciplinas teóricas do curso de Comunicação Social e, sobretudo, a possibilidade de iniciar os alunos no campo da pesquisa científica. Bibliografia ALVES-MAZZOTTI, Alda Judith e GEWANDSZNAJDER, Fernando. O método nas ciências naturais e sociais pesquisa quantitativa e qualitativa. São Paulo: Pioneira, BECKER, Howard. Métodos de pesquisa em Ciências Sociais. São Paulo: Hucitec, BURGESS, Robert. A pesquisa de terreno. S/d. FAUSTO NETO, Antonio. O outro telejornal. Relatório de pesquisa UFRJ, TV Reality Show: estratégias de produção e recepção da comunidade de sentidos. Relatório de pesquisa-unisinos, GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, GOMEZ, Guillermo Orozco. La investigación en comunicación desde la perspectiva cualitativa. México: Universidad Nacional de La Plata, P.129 a 151. JACKS, Nilda. Pesquisa de Recepção: investigadores, paradigmas, contribuições latino-americanas, in Revista Brasileira de Comunicação, São Paulo, n.1, jan.93. P.22 a 33.. Tendências latino-americanas nos estudos da recepção. Revista Famecos. Porto Alegre, n.5, dez. 96. P. 44 a 49. LOPES, Maria Immacolata Vassalo de Lopes. Uma metodologia para a pesquisa das mediações. In coletânea Mídias e Recepção PPG em Ciências da Comunicação. Unisinos e Compos. Unisinos: São Leopoldo, P. 119 a Pesquisa em comunicação. São Paulo: Loyola, MALDONADO GOMEZ DE LA TORRE, Alberto Efendy. Explorar a recepção sem dogmas, em multiperspectiva e com sistematicidade. In coletânea Mídias e Recepção PPG em Ciências da Comunicação. Unisinos e Compos. Unisinos: São Leopoldo, P. 5 a 18. RONSINI, Veneza Mayora. Televisión e identidad cultural. Felafacs- s/d. P.102 a 111. SOUSA, Mauro Wilton. Novos cenários no estudo da recepção mediática. In sociedade Mediática-significação, mediações e exclusão. Santos: Leopoldianum, P.77 a

11 THIOLLENT, Michel. Crítica metodológica, investigação social e enquete operária. São Paulo: Polis,

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