UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS Departamento de Ciências Sociais Programa de Pós-Graduação em Ciência Política

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1 UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO CARLOS Departamento de Ciências Sociais Programa de Pós-Graduação em Ciência Política Título: A regionalização da informação e o poder local: o caso de São Carlos ( ) Henrique de Oliveira Teixeira Fapesp - Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo São Carlos - SP Julho de 2011.

2 Resumo. Com o desenvolvimento da sociedade da informação nas últimas décadas observou-se uma tendência crescente de valorização da cultura local pelos mass media na dinâmica de suas transmissões. Desta maneira, é possível observar que novos espaços econômicos, sociais e, principalmente, políticos são acionados pelos meios de comunicação transformando a espécie de relação com a esfera pública local. Aliado com essas mudanças se dá as alterações no âmbito da política local, sua constituição passa a ter influência das discussões e motivações provenientes dos canais baseados nessa ótica, compreendendo transformações importantes no que diz respeito ao ator político local. A construção desse sistema evidentemente advêm de outros paradigmas, mas é importante notar que eles abrem a possibilidade de alteração das antigas formas de dominação, baseadas em preceitos como o do clientelismo e coronelismo político, por exemplo. Para tanto, o presente artigo tem a intenção de apresentar os conceitos de poder local e de regionalização da mídia, em especial a televisão, que surgem e acionam esses novos preceitos, salientados no âmbito dos municípios do interior paulista, como no caso de São Carlos. Palavras-chave: Poder local; Regionalização da informação; Município de São Carlos. 1

3 1. Introdução. O desenvolvimento dos meios de comunicação no Brasil sofreu de uma lógica própria de transformações que levaram a sua consolidação no território nacional bem como a sua inserção nas dinâmicas regionais e, apesar de ter compreendido diversas abordagens de investigações que procuraram tratar de seu modelo de consolidação, não recebeu no âmbito da regionalização uma atenção específica. A regionalização da mídia, ou melhor, a sua distribuição por meio de afiliadas, é um fenômeno marcante no Brasil, especialmente a partir dos anos 70 1, e tem sido pouco relevante para a literatura das ciências sociais. Por conseguinte, é justamente a partir dessa nova dinâmica imprimida pela produção de informação com os cenários mais delimitados atingidos pela suas afiliadas que, o campo político regional sofre uma inflexão importante. Portanto, a intenção desse artigo recai, justamente, na tentativa de compreender como a consolidação de emissoras regionais modifica a articulação entre o campo político (e, mais especialmente, os atores políticos de uma região determinada) e os canais de comunicação (dos quais a televisão é o maior exemplo), e nesse sentido, discutir dois conceitos que permeiam essa análise: o de poder local; e o de regionalização da informação. Para tanto, foi escolhida a região de São Carlos, que desde 1989 dispõe de uma importante emissora afiliada, a EPTV Central 2. A compreensão desse processo estabeleceria as disposições e a arquitetura do campo político local que se forma, especialmente, a partir da segunda metade do século XX. E desta maneira, a análise se concentra em demonstrar de que modo a introdução dessa nova perspectiva a foco regional da mídia - passa a exercer uma função importante no cotidiano da comunidade regional em questão, dando vazão a novas práticas políticas a as dificuldades de sobrevivências de antigas formas de dominação que condicionam este cenário que, por sua vez, determina uma condição ao poder local. Quer dizer, figuras como a do coronel, ou mesmo a proeminência política de certas famílias, por exemplo, que passam a enfrentar atritos e dificuldades na manutenção de 1 É importante notar que é a partir dos anos 70 que esse fenômeno começou a atrair a atenção dos empresários de comunicação, políticos e pesquisadores da América Latina e Europa. Contudo, foi somente nos anos 80 que esses projetos começaram a ser implementados efetivamente. Cf. Scarduelli, As Emissoras Pioneiras de Televisão, afiliadas da Rede Globo, inaugura em 1989 sua afiliada em São Carlos. Afiliada esta que passa a ser a terceira emissora do grupo em termos de estrutura, precedida pelas EPTV Campinas (1979), Ribeirão Preto (1981) e, seguida pela do Sul de Minas (1988). Cf Bazi, 2001; FAabbri, Para maiores detalhes sobre a atuação da EPTV, ver o site: 2

4 sua influência em razão de diversas mudanças que surgem a partir dos anos 50 e, posteriormente, da estruturação e ampliação dos ramos dos meios de comunicação 3. Para tanto, o estudo desse processo elucidaria, em especial, as relações e as novas prioridades políticas estabelecidas no decorrer do processo de construção da televisão como principal canal informacional da região de São Carlos. E, portanto, se preocupará em compreender de que maneira a mídia regional e sua atuação redefine as práticas dos atores políticos e vice-versa, no período de 1989 a 2000 que representa a consolidação do mercado cultural na região com o estabelecimento de sua principal emissora, a EPTV Central 4. Aliado com esses aspectos dos meios de informação, nesse período, é possível verificar também fenômenos importantes na formação dos cargos formais, dos quais a eleição do executivo do município de São Carlos assume papel elucidativo. Isto é, notase a mudança na postura do campo político, como por exemplo, no processo eleitoral de 1999 com a vitória do Partido dos Trabalhadores 5 para a prefeitura. Em outras palavras, é nesse período que se pode observar dois principais momentos que articulam o foco dessa pesquisa, sendo possível, desta maneira, confluir o relacionamento das transformações políticas com as articulações dos canais de informação. Com a valorização dessa espécie de mídia, as relações de poder local serão marcadas por novos cenários e agentes, e são essas questões que a pesquisa dessas relações pretende avaliar. De que forma a regionalização da mídia constituiu uma modificação dos agentes políticos? E de que maneira estes enfrentaram esses novos processos? De que forma as elites locais, especialmente as eleitas nesse período, construíram novas alianças e práticas na tentativa de sanar as novas pressões? Como a nova atuação desses atores políticos são-carlenses estabeleceram - ou se não 3 De modo algum pretende-se considerar que a expansão dos mecanismos de informação extingue, como único caminho, antigas formas de dominação e figuras que caracterizaram o cenário político nacional desde os primórdios da República. Mas é intenção dessa pesquisa verificar de que maneira estas condições persistem, se persistem e se em virtude das novas articulações apontadas pela análise há a formação de outras formas de dominação com outros caracteres fundamentais. Cf Kerbauy, Está claro que este aspecto é representado essencialmente pelo estabelecimento da EPTV Central sediada em São Carlos. Contudo, a constituição de outras emissoras afiliadas a outras empresas de comunicação na região no mesmo período demonstra o crescimento dessa região no mercado cultural, bem como o período de sua estruturação. Cf. Damiano, Primeira vitória do PT no município, anteriormente dominado por partidos como PDT (Partido Democrático Trabalhista) e PTB (Partido Trabalhista Brasileiro), contando com uma curiosidade: a vitória ocorreu com uma margem de 128 votos, isto é, para o candidato do PTB, Dagnone de Mello, e para o candidato do PT, Newton Lima. Informações obtidas no site do Tribunal Superior Eleitoral: 3

5 estabeleceram - transformações na estruturas do poder local? Portanto, é intenção desse estudo responder a essas principais questões. É importante notar que no atual processo de disposição dos meios de comunicação a televisão assume um papel fundamental, se constituindo, apesar do surgimento de novos meios e mecanismos, como principal referência na discussão da mediação entre os campos político e social e os indivíduos espectadores. Isto é, a dinamização, complexificação e integração das atividades da sociedade contemporânea à medida que novos sistemas organizacionais surgem e novas formas de constituição da esfera pública são formadas, estão compreendidas no cotidiano dos meios de comunicação, e suas relações com os indivíduos se re-configuram, ao longo desses momentos. Vale salientar que a construção do real numa determinada sociedade inserida nesse contexto e, por conseguinte, a cultura inerente a esta sociedade estão imbricados nas produções dos meios de comunicação (WILLIAMS, 1989). Desta maneira, com as transformações das tecnologias de comunicação, que sofreram ao longo de sua história grandes avanços, houve uma ampliação informativocultural que se desenvolveu rapidamente, gerando um processo, cada vez maior, de trans-nacionalização de conteúdos informativos e aparatos tecnológicos, tendo como vetor, em especial, a televisão (RAMOS, 2005). Essas novas formas de comunicação, em termos de conteúdo informativo-cultural, linguagens e meios técnicos de distribuição, lançaram os indivíduos em um novo paradigma comunicacional. Dentre as principais construções que surgem desse processo estão o crescimento das emissoras de televisão e, posteriormente, a construção de cada vez mais afiliadas, a ampliação dos canais a cabo, a propagação da TV digital, entre outras. Assim, o crescimento e as novas articulações que os meios de comunicação assumem determinam aos municípios e as novas localidades em que se inserem uma ferramenta importante para o rompimento com as possibilidades de exercício discricionário do poder extralegal (KERBAUY, 2000, pp. 36). Quer dizer, estes veículos imprimiriam, principalmente no interior de São Paulo, uma diminuição do isolamento dessas regiões que, por sua vez, é uma característica que possibilitava o domínio político, por exemplo, dos antigos coronéis, dando vazão ao surgimento de um novo tipo de político local, com um perfil mais moderno (KERBAUY, 2000, pp. 24). Em outras palavras, os meios de comunicação assumem em virtude de sua inserção no espaço regional funções sociais que, aliadas com seus interesses como ramo da indústria cultural, dinamizam e transformam este campo social. Essas 4

6 transformações, conseqüentemente, constroem novas dinâmicas entre os atores políticos e a esfera pública local. Por conseguinte, é importante notar que tendo em vista este cenário é possível apontar uma fase da multiplicidade da oferta (BRITTOS, 1999), cuja ampliação dos veículos produtores de bens culturais passou a atingir cada vez mais localidades. Processo este que, no final do século XX, mais especificamente em sua última década, alcançou a região de São Carlos. Com a estruturação da EPTV Central, a política municipal e a elite do poder local viram-se colocadas num novo paradigma. Deste modo, atribuiu-se ao cotidiano deste espaço uma característica essencial, que passa a articular a integração do individuo dessa comunidade, agora, em uma sociedade aberta e globalizada (MARTÍN-BARBERO, 2003). Essas reflexões apontariam para a força do significado dessa nova interpretação do regional, que configura mudanças significativas no perfil dos atores políticos. No que diz respeito a atuação dos meios de comunicação na cidade, nota-se que esses veículos, bem como os projetos e a espécie de programação desenvolvida por eles - de valorização da cidadania, ou seja, da busca pela promoção e ampliação de uma espécie de democracia 6, por exemplo - determinam transformações do espaço e o locus da realização política. Quer dizer, além de empreender o desenvolvimento das redes de televisão, o crescimento por afiliadas conduziu, justamente em virtude da função que essas emissoras desempenham no contexto local, novas práticas de negociação política, as quais acabaram por determinar uma nova condição para os atores municipais. Contudo, apesar das configurações que o surgimento de uma nova compreensão do poder local acionado, em especial, pela regionalização da mídia determinarem na esfera restrita dos municípios, elucidados pelo interior do Estado de São Paulo, uma nova formatação do campo político constituído por atores com outros perfis de ação, este artigo pretende elucidar a concepção que esses dois conceito assumem nessa analise. Evidentemente, apesar de apontar as condições que essas transformações podem assumir na vida política local, o presente estudo pretende somente dispor as principais características e condições de desenvolvimento que modificam as estruturas do poder local e também as principais características que levam as redes de televisão à instalação de afiliadas. 6 A questão da discussão de uma espécie de ampliação da democracia, que está aliada com a busca pela cidadania do público espectador desse meio de comunicação regional, será discutida mais adiante. Por ora, vale notar que, independente da proporção que essa condição assuma, este valor está na pauta de contribuições que essas emissoras rogam para si. 5

7 2. Cenário local. O final do século XX, especialmente as suas duas últimas décadas, significou uma mudança na compreensão, ou no arranjo, das estruturas locais de poder. De relações de poder consolidadas desde o período da Primeira República, baseadas na figura do coronel, do patrão ou do líder carismático populista, esse espaço sofre modificações importantes conduzidas, em especial, pelo processo de redemocratização de 1988 também pela mudança dos paradigmas de isolamento desses municípios frente ao cenário político nacional. Portanto, mais importante do que a extinção de antigas praticas de dominação, nota-se que esses municípios são responsáveis por mudanças significativas na experiência democrática brasileira, conduzidas no liminar do autoritarismo. Evidentemente, esse processo de mudança não está distribuído de forma homogênea no território nacional, nem tampouco deixa de ser ambíguo ou mesmo frágil no que diz respeito as suas condições de superações de estruturas posteriores. Contudo, compreender a formação de uma nova arquitetura política local, que é o significado deste item, conduz a analisar esse espaço de uma maneira diferente, de uma maneira que prioriza as novas formas de comunicação e a conseqüente construção de um novo perfil de proeminência do político. Assim, quando se volta para o cenário político dos anos oitenta, notamos que o processo de redemocratização e o conseqüente processo constituinte modificaram a arquitetura política, ou federativa, brasileira (TOMIO, 2002). Quer dizer, aliando a retomada de prerrogativas suprimidas pela ditadura militar de anos anteriores, a Constituição de 1988 atribuiu aos municípios um grau mais elevado de autonomia política baseada na sua configuração como entes federativos, formatando a federação brasileira em três níveis 7, a União, os Estados e os municípios. Esse sistema, vale notar, não possibilita somente outra atuação da política e dos políticos locais 8, no que diz respeito a não intervenção de outros agentes em algumas espécies de decisões, mas também uma autonomia particularmente sentida no âmbito econômico garantida por uma nova composição da política tributária da federação. Entretanto, é possível apontar que mudanças significativas na estrutura da dominação política do espaço local sofreu re-significações desde a tomada de poder 7 Cf.Tomio, Nesse caso, local está alinhavado com o sentido de uma política municipal. Contudo, a definição de poder local será discutida mais especificamente no próximo item. 6

8 pelos militares em 1964, por meio, justamente, da estrutura configurada pelo seu governo autoritário (KERBAUY, 2000). O processo de dominação política tradicional, entendida no âmbito dessa análise enquanto práticas coronelísticas, especialmente, vão sendo desconfiguradas e paulatinamente substituídas por outras formas de atuação do político e de configuração de sua posição no espaço local. Isto é, apontar as transformações alinhavadas pelas mudanças políticas que começam a surgir no cenário nacional pós-64 significa compreender que as condições que passam a afetar os municípios - estes, portanto, como principal referência geográfica do que corresponde o local - no processo de redemocratização e de entrada dessas regiões no cenário dos meios de comunicação nacionais vem para concretizar as práticas políticas referentes às duas décadas anteriores. Deste modo, o que se pretende nessa breve exposição de dois conceitos é corroborar com as discussões referentes ao processo de descentralização da política nacional e, por conseguinte, a espécie de reformulação do federalismo que procurou remodelar as relações intergovernamentais dando mais autonomia aos municípios brasileiros. Evidentemente, não se pretende tomar o processo como um todo, mas entende-lo a partir da atuação dos políticos são-carlenses com referência a um novo peso na balança do município, a EPTV Central. É importante notar que esse processo, determinado especialmente pela abertura política do final dos anos 70 e também pela Constituição de 1988, referente ao processo de redemocratização brasileiro, conduziu a um crescimento no número dos municípios que referendam a nova ordenação da política nacional como um todo. Esse crescimento 9 demonstra a nova estratégia de organização federativa e, apesar de São Carlos não se constituir em um município criado nesse período, determina um novo parâmetro para análise da ciência política sobre o período e, ainda mais, sobre os ditames municipais. Em suma, ao compreender o processo político que envolve os espaços locais no contexto brasileiro do final do século XX, pretende-se analisar o impacto, ou melhor, as novas possibilidades conduzidas pela inserção do novo paradigma comunicacional, ou televisivo, nesses contextos. O local, portanto, do ponto de vista político é conduzido a novas relações estritamente determinadas pelo novo contexto social e político brasileiros, mas também pela nova ordem e importância que certos municípios assumem no organograma das redes de comunicação. Ou seja, a regionalização das emissoras de 9 Vale notar que apesar do crescimento efetivo no número dos municípios brasileiros nesse período, há controvérsias quanto a real mudança na distribuição e arrecadação fiscal. Cf. Souza et al,

9 televisão conduziu - sendo ou não os principais agentes - não somente uma reformulação das economias locais e dos aspectos de seus comércios, mas, além disso, uma nova característica nos interesses dos atores políticos O conceito de poder local no Brasil. A análise do sistema político brasileiro que veio tomando forma, em especial, desde a proclamação da República em 1889, e mesmo antes em seu período de Império, já produziu diversos paradigmas. Desde análises que tinham por essência a percepção das elites políticas sobre os rumos que o sistema sócio-político e econômico deveriam gerir, conduzidas por perspectivas liberais, corporativistas 10, passando pela compreensão do desenvolvimento e da economia e, chagando até o reflexo local desses fenômenos. Evidentemente, dentre essa ampla configuração de correntes de interpretações e estudos sobre os fenômenos políticos que solaparam as bases da nação, as análises que levaram o espaço local, seu campo de atuação, bem como sua importância frente às estruturas mais gerais fundamentaram correntes e paradigmas importantes no desenrolar das ciências humanas, em especial a ciência política, no Brasil. Assim, vale notar, no que diz respeito aos estudos sobre o poder local, que as concepções negativistas 11, características da análise de autores como Oliveira Viana (1973), Raimundo Faoro (1958) e Victor Nunes Leal (1978) que buscaram entender o cenário político brasileiro anterior aos anos 80 (COSTA, 1996), acabaram cedendo à nova condição desse poder tendo em vista os novos processos políticos iniciados nas transformações decorrentes dessa época. Deste modo, esses autores apesar de apresentarem significativas diferenças em suas análises com referência ao poder local, assumem algumas premissas condutoras que são comuns. Quer dizer, há uma aproximação de suas teses quando notamos que o espaço local está constituído e determinado em virtude das relações que remontam ao domínio privado, ao poder dos favores e interesses dos senhores e coronéis. Esses espaços restritos, portanto, ao contrário do que se poderia imaginar a democracia liberal, estariam dominados pela tradição e por relações fundadas no autoritarismo, e no oligarquismo. 10 Basta ver o debate dos constituintes de 1934, por exemplo. Cf. Bonavides, P.; Andrade, P., Quer dizer, esses autores descreviam o espaço local como o reinado de configurações políticas baseadas numa ordem de relações privativista e dominada por praticas que comprometiam o alcance dos interesses públicos. 8

10 Em suma, é importante salientar que colocar as questões que alinhavaram o pensamento social brasileiro do século XX na ordem do debate, significa acompanhar as principais interpretações e, especialmente, as transformações que a categoria poder local sofreu ao longo de seu percurso na ciência política. Desta maneira, justamente por permitir diferentes análises que a retomada histórica desse conceito se faz importante na tentativa de atribuir suas características no período que se pretende compreender, qual seja, o período de abertura política que são sentidas já a partir de meados da década de 70 e, ainda mais, na condução da redemocratização brasileira. Justamente, tendo a compreensão da importância do local e de suas relações como ponto de partida é que Oliveira Viana (1973) vai realizar sua investigação acerca da construção política no território brasileiro. Esse estudo pretende detalhar o local, e compreender em que medida os laços de solidariedade são construídos possibilitando, por esta via, enxergar a organização desses espaços e, por sua vez, considerar as principais relações que permearam a política brasileira no início do século XX. Para tanto, nota-se que há a alusão para a perspectiva que dá ênfase a uma proposição pragmática de organização e construção do Estado. Essa proposição de organização estatal tem a intenção de valorizar a iniciativa técnica e administrativa, entendida, nesse momento, como principal ferramenta de construção da nação e que, por sua vez, deve ser dirigida por um poder executivo forte (VIANA, 1973). Deste modo, a busca por um desenvolvimento centralizado tem como justificação o lapso temporal no processo de desenvolvimento do Brasil, pois, o processo de modernização do Estado foi mal conduzido desde a Republica Velha. A continuação desta espécie de política acabou conduzindo uma profunda degradação das instituições políticas que estavam baseadas pela condução das políticas localistas (federalismo) e que, não tinham como meta a centralização estatal indo, por conseguinte, na contramão da história. Essa condição que não valoriza a centralização político-adminsitrativa, e que ao contrario sedimentou sua base gerencial nos espaços mais locais do sistema político, era ainda agravada por esses espaços estarem fundamentados na esfera do rural. Portanto, a organização do Estado brasileiro estaria configurada por laços intergovernamentais 12 cujos níveis seriam absolutamente precários, prevalecendo uma lógica política em que a noção de poder se liga à figura de um chefe, configurando a 12 Ou seja, entre as esferas do poder federal, dos estados e dos municípios. Cf. Viana,

11 idéia de que a única solidariedade possível neste cenário é a solidariedade do clã, fundada sob a perspectiva do domínio rural (VIANA, 1973). A falta de um elemento de centralização por parte das instancias maiores, portanto, é o que mais se destaca nesse processo, mas também surge como um fundamento da ordem legal possível de ser construído. Ou seja, ao demonstrar aspectos do processo de disparidade política no Brasil, que também combina elementos da repressão, o lugar do local passa a ser transpassado pela condição de violência e anarquia (VIANA, 1973). É justamente por essa razão que as conclusões que apontam a formação do Brasil como nação passam a ser aquelas que apontam a característica centralizadora que o identifica (VIANA, 1973). Grosso modo, é possível sintetizar essa interpretação sob a égide da dificuldade brasileira para a formação de instituições políticas autônomas, especialmente quando a política, e mais especificadamente a política local, está fundada sobre os alicerces de uma prática tradicional. Ou melhor, se a solidariedade constituída ao longo de nossa história não é capaz de gerar autonomia das populações locais, se o processo de centralização política é o que demarca nossa formação, então, ao pensar a Nação de uma forma geral vemos a necessidade de superar esses traços por meio da ação concreta do Estado, dada a incapacidade de se gestar mecanismos democráticos de interação social 13. Essa influência, por um caminho tortuoso, é o que determinou o fracasso ou inexecução das instituições políticas vindas de importação de nossas matrizes coloniais ou de pura inspiração ideológica e, ainda sedimentou as dificuldades para a implantação das instituições democráticas liberais no país. Ademais, é importante salientar que entre os traços principais da cultura política brasileira estão o privatismo e o personalismo, que se constituem como formadores de uma espécie de psicologia política que tem como fundamento as heranças coloniais (VIANA, 1973). Essa tradição do subconsciente coletivo, presente desde os primórdios da nossa história, subsistem nas estruturas locais, envolvendo as "elites superiores", interferindo na formação e no funcionamento dos governos provinciais e do Império, num primeiro momento, e da chamada República Velha, num segundo momento. Nesse percurso, o ideário privatista, ou do domínio privado, se constituía na marca da disputa pela conquista do poder municipal. Motivo identificado com o interesse pessoal dos chefes de clãs, uma vez que essa motivação consistia na força inspiradora dos clãs 13 Daí compreendermos parte de suas teses a respeito do Estado corporativista. 10

12 eleitorais, formadores dos partidos políticos, vistos como simples organizações de interesse privado com funções no campo político (VIANA, 1973). Assim, a disputa por esse poder não ocorria, ainda segundo Viana (1973), ao redor da realização de qualquer espécie de interesse geral ou público das localidades (ou melhor, dos municípios), mas, a disputa pelo poder local era motivada apenas pelo prestígio, pela importância pessoal em detrimento aos adversários locais. A compreensão dessa situação desembocava na ausência, pelas figuras locais que disputavam o poder e mesmo da população rural que os cercavam, da compreensão do poder do Estado como órgão do interesse público. Vale notar que essa configuração foi tradicionalmente conduzida desde a formação do Império e da ordem constitucional no Brasil, transloucando um problema para a instalação e consolidação da República e do regime democrático. Deste modo, quando se compreende a motivação egoísta dos lideres locais ou provinciais é possível perceber a razão da ligação sinonímica dos órgãos de Estado com apenas o significado de uma força ou poder posto a sua disposição para servir aos seus interesses e de seus correligionários, ou para oprimir os adversários e seus interesses. O que é importante notar é que essa condução da política local, herdada da Colônia, não sofre nos primeiros movimentos da nação livre nenhuma profunda alteração. Com isso, é possível identificar outras características das nossas instituições políticas, especialmente, quando se refere à contradição existente entre os costumes e o comportamento e o que está estabelecido de maneira legal, quer dizer, a complicada questão de que os textos constitucionais brasileiros (1824, 1891 e 1934) inspirados externamente são contrastantes com a nossa cultura política. Essa condição seria o impedimento que resulta na compreensão da impossibilidade prática de se instalar ou se concretizar no Brasil um Estado Nação no puro estilo inglês ou americano, assentado sobre bases populares e democráticas. Nesse sentido, o município é visto como a primeira estrutura local do novo Estado Nacional de base democrática, que o autor identificava no Império brasileiro. Após compreender a interpretação de Viana (1973) acerca das relações locais, é possível tomar outra perspectiva acerca do poder local, este outro ponto de vista pode ser considerado presente em Raimundo Faoro (1958). Para tanto, num primeiro momento, é preciso compreender que este autor procura analisar os aspectos da formação política e econômica brasileira, uma busca que segue desde a história do Império Português, passa pelas relações e situações conduzidas no Brasil colônia até 11

13 culminar nas considerações acerca de sua história republicana. Este trajeto, evidentemente, além de alinhar questões importantes da formação histórica brasileira também pretende re-significar e apresentar diferentes conexões existentes entre a história e o que se desenha no Brasil em termos político-institucionais. Essa análise permite perceber que há, no principio da história políticoinstitucional brasileira, a predominância de um estamento burocrático. Quer dizer, o exercício efetivo do poder político se dá a partir do próprio Rei, o que confere ao processo de expansão portuguesa na colônia um caráter orientado (FARRANHA et al, 2006). Quando estabelecido no Brasil, o poder político português passa a conviver com o domínio da propriedade territorial. O que é importante notar é que estes dois elementos vão conduzir o processo pelo qual as terras são distribuídas, tendo em vista a busca pela ocupação da colônia. Em outras palavras, essa configuração determina que a distribuição de terras é uma concessão do Rei, sendo que este ainda detém o poder sobre elas, ou seja, é uma ocupação. É deste modo que ocorrerá a constituição da sociedade agrária brasileira, conferindo, desde então, à formação da nação um caráter em que o Estado é o promotor de todo o conjunto de ações que se adiantam a qualquer possibilidade de constituição de estruturas administrativas e políticas autônomas. Dado este cenário, portanto, não é difícil compreender como o patrimonialismo se tornou uma expressão característica da sociedade brasileira. Quer dizer, ao procurar essas condições Faoro (1998) chega nas condições que instituem o poder local, que marcaram a organização administrativa, social, econômica e financeira desde a época colonial. A importância de nos remetermos ao período da exploração portuguesa está justamente em compreender a estrutura do sistema que se forma quando, no plano administrativo, o Rei se constitui como senhor de tudo, e o funcionário, ou o súdito, é apenas depende de sua importância. Deste modo, as características construídas no período absolutista configuravam ao poder uma condição de mando despótica, seja qual for a área da organização administrativa, nesse caso da colônia, especialmente. Evidentemente, tal organização político-administrativa não permitia outra forma de relações senão àquelas baseadas na pessoalidade e na subjetividade de contato com as autoridades, reservando a elite de poderosos o apelo ratificador ao rei, esse Estado préliberal não admite a fortaleza dos direitos individuais, armados contra o despotismo e o arbítrio (FAORO, 1958, p. 172). 12

14 Assim, se o poder político, nesse momento, está fundamentado através da figura do rei português, a organização da administração da colônia, por sua vez, se estrutura verticalmente, de uma maneira hierárquica na qual o topo é ocupado pelo detentor do cargo real, seguido pelos governadores-gerais, pelos capitães (donos das capitanias) e, por fim, pelas autoridades municipais (FAORO, 1958). Essa organização determina ao rei um auxilio de vários ministros que compõem uma estrutura colegiada. Esse aspecto, embora contenha características que limitam o poder moderador, admite, na verdade, que a relação que se estabelece a partir dessa estrutura é o estabelecimento e a ampliação dos privilégios de uma determinada camada social, especialmente quando as questões e os assuntos são relativos à colônia. Dessa configuração, portanto, não se originou um campo de selfgovernment, ou do exercício de liberdades municipais. Mas sim, criou-se um governo no território brasileiro sem lei e sem obediência, à margem do controle, inculcando ao setor público a discrição, a violência, e o desrespeito ao direito. Privatismo e arbítrio se confundem numa conduta de burla à autoridade, perdida esta na ineficiência. Este descompasso cobrirá, por muitos séculos, o exercício privado de funções públicas e o exercício público de atribuições não legais. O déspota colonial e o potentado privado têm aí suas origens que o tempo consolidará (FAORO, 1958, p ). Por conseguinte, a importância dessa construção dos aspectos políticoadministrativos da Brasil no momento em que ainda era colônia portuguesa está justamente em demonstrar que, tanto em Viana (1973) quanto em Faoro (1958), há a inexistência de um self-government. Quer dizer, sob essa perspectiva é possível compreender a constituição dos elementos que conduzirão o domínio público a ser envolvido pelo domínio privado. Esse envolvimento, por sua vez, conduz a impossibilidade de uma autonomia administrativa, tendo em vista a posição que a Coroa Portuguesa vai conceder aos municípios no território brasileiro. Em outras palavras, a organização municipal, embora enfocada e existente na distribuição administrativa da política colonial, tem um caráter altamente centralizado e subordinado, ou melhor, até é possível considerar momentos de estímulos aos municípios, mas que são subordinados ao compromisso de se submeter ao papel de braço administrativo da centralização monárquica 14 (FAORO, 1958). 14 A própria categoria de vila, habitada a possuir a câmara, depende da vontade régia, mesmo quando a palavra do soberano se limita a reconhecer um fato. Cf. Faoro, 1958, p

15 As possíveis conseqüências dessa configuração estão no fato da política conduzida desde os primórdios do Brasil enquanto Estado, mesmo que subordinado a dominação portuguesa, não estar baseada em praticas mais descentralizadoras, além de uma ausência da autonomia municipal, formando os contornos de uma arena pública marcada pela lógica da exclusão. Nesse sentido, vale salientar o exemplo que Faoro (1958) utiliza para nos mostrar isso é como a estrutura eleitoral vai se consolidar. Os aptos a votar, neste caso, são os chamados homens bons, que, segundo Faoro, compreendiam os corregedores e juízes ou aqueles a quem a Coroa reconhecia a condição de proprietário, (FAORO, 1958); ao povo em geral a possibilidade de deliberação não existe. Deste modo, uma estrutura política está construída no território brasileiro, uma estrutura que se origina em virtude de uma concepção patrimonialista, na qual os favores particulares são preteridos a qualquer ação proveniente do caráter público, e essa disposição, erigida a partir da dependência brasileira, não se altera com advento das conquistas posteriores, tais como, a independência e a proclamação da republica, ao contrário, ela acaba sendo reforçada e legalizada por meio de um aparato institucional altamente centralizado. A formação desse patronato político brasileiro, portanto, em Faoro (1958) se apresenta de maneira completamente diferente da construção que deu, por exemplo, Sergio Buarque de Holanda ao termo patrimonialismo (SCHWARTZMAN, 2003). Quer dizer, ao invés de atribuir ao político brasileiro a condição de homem benevolente e cordial que não distinguia, na vida pública, quais eram seus interesses privados e quais eram os interesses públicos, Faoro (1958) procura seguir uma concepção weberiana. Assim, ao questionar o processo de formação econômica e política brasileiras, ele compreende que a formação e a centralização do poder ao redor da corte portuguesa determinou a usurpação das funções políticas em causa própria por autoridades que não tinham outra intenção que não a de dominar a maquina política e administrativa e se utilizar dela. Em outras palavras, se forma no Brasil uma espécie de estamento burocrático, aos moldes weberianos, derivado de Portugal que seria conseqüência de formação do patrimonialismo como forma de dominação política tradicional típica de sistemas centralizados que, na ausência de um contrapeso de descentralização política, evoluiria para formas modernas de patrimonialismo burocrático-autoritário, em contraposição às formas de dominação racional-legal que predominaram nos países capitalistas da Europa Ocidental (SCHWARTZMAN, 2003). 14

16 O poder local nessas análises assume o aspecto de uma estrutura profundamente relacionada com o espaço privado e de interesses de lideranças que pretendem utilizar das estruturas de comando em beneficio próprio. Aliada a essa condição, vale notar que na estrutura municipal - que pode ser considerada como espaço próprio das relações estabelecidas na categoria do poder local - apesar de estar profundamente relacionada com o espaço privado e de mando do senhor de engenho, mas, ao mesmo tempo, ela evolui para uma perspectiva de representação que inclui largas parcelas da sociedade. É com essa perspectiva que a análise de Leal (1978) se desenvolve, compreendendo que ao mesmo tempo em que se permite a sobrevivência de certas estruturas de poder tradicionais na esfera municipal, baseadas na idéia de privatismo, por exemplo, estas terão que competir com a modernização incipiente e dependente desse período, mais especificadamente, de meados do século XX. É justamente nesse sentido que as investigações desse autor vão discorrer sobre o espaço municipal brasileiro que se tem sua política dominada pela dinâmica privada e pela concorrência da modernização insurgente. Em virtude dessa compreensão o espaço de desenvolvimento do poder local pode ser analisado tendo em vista dois paradigmas, conservação e a mudança. Em outras palavras, a questão do espírito municipal, por conseguinte, traz consigo, ao mesmo tempo em que há a perspectiva do mando estreitamente ligada à figura do coronel, também um espírito público (LEAL, 1978). Desta maneira, é possível compreender que o problema central do espaço local no Brasil se refere à sua falta de autonomia ligada a conservação de elementos da configuração política advindas de outros tempos do país. Nesse sentido, as dificuldades de operação dessas duas lógicas são verificadas na prática por problemas como [...] penúria orçamentária, excesso de encargos, redução de suas atribuições autônomas, limitações ao princípio da eletividade de sua administração, intervenção da polícia nos pleitos locais (LEAL, 1978, p. 50). Contudo, ao contrario do que se poderia supor, as Constituições republicanas não foram capazes de ampliar essa falta de autonomia, com exceção da Constituição de 1946 e, posteriormente, a de 1988, que recolocaram a problemática municipal, principalmente no que tange às questões das finanças públicas. Por conseguinte, quando percebemos a dificuldade no enfretamento das questões tradicionais, nota-se a construção de outro paradoxo na configuração política da esfera local: a falta de autonomia legal em contraposição com a ampla autonomia extralegal dos chefes 15

17 municipais. Essa autonomia dos chefes municipais é traduzida num acesso privilegiado às esferas do poder, que mantém e reforça os elementos do coronelismo. Percebe-se deste modo, na rápida passagem sobre o tema poder local nesses autores, a existência de uma concepção comum: o espaço do poder local, ou os municípios se traduzem, essencialmente, numa esfera fundamentada no mando e desmandos, colocando em segundo plano os interesses públicos que surgem a partir das múltiplas interações dos sujeitos sociais. 2.2.Mudança no poder local. Deste modo, ao compreender a dinâmica que atingiu as relações de poder estabelecidas no âmbito local é possível apontar as transformações que rondaram essa esfera a partir das modificações ocorridas com o golpe militar de A intenção, ao olhar para essa nova configuração do local, é justamente contrapor a imagem construída por análises como as apontadas no item anterior da política local, que a entendiam como esfera privilegiada do coronelismo, passando a verificar novos padrões e procedimentos adotados à medida que progredi a integração nacional e se rompe o isolacionismo local (KERBAUY, 2000, pp. 13). Assim, o ponto de partida dessas mudanças é o ano de 1964, quando a implantação de um regime autoritário no Brasil e o conseqüente processo de modernização conservadora ampliaram de modo substantivo o papel interventor do Estado sobre a economia e a sociedade. Por sua vez, sustentada pela esfera pública e privada, tal modernização tinha como intenção eliminar todos os obstáculos ao aprofundamento e consolidação do modo de produção capitalista, em busca de uma autoridade forte e do desenvolvimento e da racionalização do sistema administrativo. Por conseguinte, dentre o conjunto de mudanças institucionais impostas pelo Regime Militar, o período entre 1964 e marcado, especialmente, pela intensificação do autoritarismo e por uma arena partidária e eleitoral bastante restrita - deu inicio a um processo de transformação que redimensionou a política local, alterando as relações intergovernamentais e oferecendo novos balizamentos ao comportamento eleitoral. Nesse sentido, as mudanças que mais contribuíram para determinar esse novo perfil do poder local e da política do interior foram: a extinção dos antigos partidos políticos e a implementação do bipartidarismo (em 1965); a reforma tributária (também em 1965); a Lei Orgânica dos Municípios de 1967; e a restrição do papel do legislativo, estabelecido pela constituição de 1967 (KERBAUY, 2000). 16

18 É importante notar que essas mudanças são intensificadas ainda mais com o processo de transformação urbana, em curso no país desde a década de 50, com especial reflexo no interior do Estado de São Paulo, que possibilitou a proliferação de novos interesses e a transformação dos padrões de participação política. Contudo, a passagem de uma sociedade rural para uma sociedade urbana não foi suficiente para eliminar o tradicionalismo e o coronelismo, ela somente configurou o cenário para que os efeitos das mudanças institucionais sobre as transformações urbanas criassem condições políticas propícias ao desaparecimento do coronelismo, enquanto prática corrente do poder local. Contudo, uma ressalva se faz importante: a nova ordem política que Kerbauy (2000) pretende verificar no interior não elimina elementos políticos tradicionais, por isso, a análise adquire, as vezes, um caráter ambíguo, ou melhor, um caráter que conflui tanto as configurações tradicionais da política local quanto o novo perfil desse político. Assim, a autora ressalta que seu modelo teórico caracteriza o novo político local como um político moderno. Esse político seria um tipo intermediário entre o tradicional e o ideológico, aproximando-se do político profissional de tipo weberiano (KERBAUY, 2000, p. 19). Essa definição, portanto, caracteriza o novo perfil desse político como moderno, isto é, um agente que atua no sentido de montar uma máquina partidária representativa dos interesses locais, na tentativa de pressionar as agências burocráticas e o governo federal em busca de recursos financeiros e de cativar as clientelas usuárias dos serviços e equipamentos sociais, advindas, fundamentalmente, do processo acelerado de urbanização. Esse político moderno exerce sua atividade em caráter permanente, vive profissionalmente da política e transforma os partidos em verdadeiras empresas que visam à conquista do voto. O novo perfil desse autor local é circundado pela preocupação, ao mesmo tempo, com as estratégias políticas municipal e estadual e com a utilização dos meios de comunicação, que passam a ter força cada vez maior. A mídia nesse ínterim redefinirá um perfil mais adequado à imagem que os eleitores querem ver nos políticos, uma vez que os políticos locais passam a ser cada vez mais visíveis para o eleitorado (KERBAUY, 2000, pp. 20). Nessa mudança do jogo político das esferas municipais, os meios de comunicação 15 vão se transformando num instrumento de poder cada vez mais ativo, motivados pelo acesso mais direto e que lhes permite uma interferência mais 15 Com especial atenção para as emissoras de televisão, e como o estudo do caso da EPTV Central pretende verificar. 17

19 presente no espaço público, dimensionando muitas vezes a agenda politicoadministrativa dos municípios. Nesse sentido, essas reformas do Estado, introduzidas pelos governos militares pós-64, mudanças que visavam a racionalização e a burocratização da máquina, também representaram uma tentativa de reprimir o poder privado e tornar efetivamente pública e centralizada a administração do poder político local. Essas reformas darão continuidade ao processo de transformação do poder local, apontada no embate da conservação e mudança por Leal (1978), e que compreende a luta contra os interesses duais existentes na gestão municipal. Por conseguinte, ainda segundo Kerbauy (2000), diante das transformações do período pós-64, as análises que procurassem investigar o poder local deveriam considerar os novos processos que redimensionam essa realidade. Processos esses que envolvem a perda da exclusividade do coronelismo como intermediador entre poder publico e o eleitorado, envolvem também o surgimento de novos atores coletivos (advindos especialmente por causa da urbanização, na implementação de novas atividades industriais e comerciais, e das novas relações de trabalho) que colaboram para a integração física do país, graças à melhoria dos meios de comunicação e de transporte, facilitando o acesso direto dos candidatos ao eleitorado. Deste modo, é importante notar que estes novos mecanismos que medeiam as relações políticas (clientelismo de massa, burocratismo, corporativismo, sindicalismo) desmontam as maquinas coronelistas locais e dão à política local uma nova dinâmica, o que implica maior racionalidade, partidarismo, etc. Assim, como já foi apontado, esses processos sugerem para Kerbauy (2000), o surgimento de uma liderança política nova, a construção de um político moderno que é capaz de organizar institucionalmente sua atividade política, profissionalizando sua liderança, além de formar seguidores, estruturar um partido e preparar sucessores representativos dos interesses locais. Essa figura nova no espaço local também passaria a ser responsável pela pressão às agencias burocráticas e ao governo central em busca de recursos e, por outro lado, cativar largas clientelas usuárias dos serviços e equipamentos sociais. Aliado com as funções e as intenções dessa nova figura há o surgimento e expansão dos meios de comunicação, cuja força cada vez maior, será responsável por redefinir seu perfil político de modo mais adequado à imagem que a base eleitoral faz de suas lideranças, uma vez que os políticos locais passam a ter maior visibilidade para essa base. 18

20 Ao construir esse novo cenário nota-se que a política de clientela e política partidária não são, portanto, dimensões antagônicas nem do comportamento eleitoral, nem da prática política. Quer dizer, o clientelismo é compatível com a manifestação de uma preferência partidária mais ou menos pronunciada, mas, no entanto, a opção pelo partido, tanto por parte do político quanto do eleitor, não significa opção ideológica. Os partidos políticos procurariam usar as instituições e recursos públicos em favor de seus próprios fins (KERBAUY, 2000, pp. 44). E como esses favores de vários tipos são trocados por votos, a política local se confunde com interesses partidários, que se identificam com interesses de facções locais. Apesar do convívio, num período de mudanças nas praticas políticas municipais, entre as antigas e as novas formas de dominação, é possível apontar que a modernização política acaba por corroer as antigas formas de lideranças, em especial, a do coronel, esvaziando seus recursos de controle social. O novo político que surge busca adequar-se à nova realidade através de novos procedimentos políticos locais. Nesse sentido, o conceito de político moderno foi usado para designar o político profissional e assim tomá-lo mais adequado à nova situação do poder local e da política interiorana. E também, como um outro objetivo, procurou-se compatibilizar o modelo teórico à analise empírica do poder local, recuperando os elementos que o diferenciam da imagem rural e localista. Esse novo político local, portanto para a autora, deve ser capaz de institucionalizar sua atividade política, profissionalizando sua liderança, estruturando seu partido no município e preparando sucessores representativos dos interesses locais, além de estabelecer estratégias políticas de relacionamento com os governos federal e estadual. Nesse caso, a utilização dos meios de comunicação em larga escala, ao mesmo tempo que lhe dá maior visibilidade ante o eleitorado, torna-o sujeito a maiores pressões, o que o obriga a estabelecer um complexo processo de mediação que passa pelos representantes locais (deputados e vereadores), pelo corpo técnico da prefeitura e pelas administrações estadual e federal (KERBAUY, 2000, pp. 141). O estabelecimento das novas relações políticas, especialmente no final do século XX - como o clientelismo de massa, o burocratismo e o corporativismo - impedem a manifestação de premissas políticas universalistas em detrimento de outras. Permanece a lógica da deferência, que dificulta a plena expressão da cidadania e tem o resultado de acentuar os princípios da desigualdade presentes na ordem institucional. Esses mecanismos funcionam como controle político de uma sociedade em mudança, que 19

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