Redes Regional e Nacional de Televisão: TV Mirante e TV Globo. Roseane Arcanjo Pinheiro Universidade Metodista de São Paulo.

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1 1 Redes Regional e Nacional de Televisão: TV Mirante e TV Globo Roseane Arcanjo Pinheiro Universidade Metodista de São Paulo Resumo As redes midiáticas se expandiram nas últimas décadas no Brasil. Nesse panorama, o objetivo é descrever o funcionamento das TV locais e regionais, verificando quais suas possibilidades de atuação e como se desenvolvem em um sistema televisivo caracterizado pelo predomínio do eixo Rio-São Paulo. Para compreender essa realidade, optou-se por analisar a experiência da Rede Mirante de Televisão, uma afiliada da Rede Globo, localizada no Estado do Maranhão, Região Nordeste. Realizou-se uma pesquisa qualitativa, onde foi utilizada a técnica de estudo de caso. A principal conclusão é que trata-se de uma rede semiflexível, onde se interrelacionam as linhas mestras, emitidas pela rede nacional, e a autonomia das redes afiliadas para elaborar, produzir e gerar conteúdos para a programação jornalística exibida para todo o país. Palavras-chave: Redes; Estratégia-Rede; Redes Midiáticas; Tecnologia; Produção Jornalística; Operacionalização; Infra-Estrutura. 1. Introdução O marco das transmissões em rede nacional no Brasil foi a apresentação em 02 de setembro de 1969 do Jornal Nacional, principal programa jornalístico da Rede Globo. Com o alcance de 54 milhões de telespectadores, a transmissão possibilitou o envio para todo o país de imagens do Rio, São Paulo e Porto Alegre (BAHIA, 1972, p.146). Desde acontecimento até a atualidade, as redes nacionais cresceram em número e poderio tecnológico, processo capitaneado principalmente pelos investimentos estatais e a globalização da economia. Hoje o país possui sete redes de televisão (Rede Globo, SBT, Record, Bandeirantes, Rede TV, Rede Cultura e TVE), além de outros canais, disponibilizados através da TV por assinatura, como Globo News (SKY) e Band News (DIRECT TV). As redes nacionais coordenam um leque de emissoras menores, filiadas e afiliadas, e geram para todo o país programas jornalísticos, culturais e educativos. Em suas grades de programação que incluem jornalismo, novelas, seriados, filmes, musicais etc é inserida a programação regional. O estímulo à produção regional e à valorização da cultura nacional está

2 2 previsto pela Constituição Federal, através do artigo 221, mas a participação das emissoras menores ainda depende da regulamentação do artigo constitucional e por isso a porcentagem de conteúdo local varia de rede para rede. Desde 1991, tramita na Câmara Federal, o projeto de lei da deputada federal Jandira Feghali (PCdoB/Rio de Janeiro), que trata da regionalização da produção e do mercado audiovisual, com propostas para regulamentar o conteúdo local nas emissoras de TV. Em função da falta de regulamentação, a produção regional depende das articulações entre rede nacional e emissoras nos Estados, da infra-estrutura tecnológica disponível, do número de anunciantes, da audiência e da qualificação dos recursos humanos de cada afiliada. A valorização do local nos meios de comunicação é um dos reflexos do processo de internacionalização da economia e do fim das barreiras geográficas e culturais, desencadeados pelo desenvolvimento tecnológico e econômico, principalmente nos século XX e XXI. No contexto global de expansão do sistema capitalista, novos mercados consumidores são desbravados e públicos com demandas específicas são descobertos, estabelecendo-se complexas conexões entre global e o local, como aponta BOURDIN (2001, p.68-69). Dessa forma, a compreensão do mundo, sublinha ROBERTSON (2000, p.262), perpassa pelas conexões das localidades, ou melhor dizendo, pela invenção da localidade ou ideologia do lar. Essa ânsia pelo particular vem essencialmente da condição ou sensação do desenraizamento, da ausência de laços mais estreitos, da busca por uma identidade mais delineada, uma das características do mundo globalizado, testemunha da memorável proliferação da organização e promoção internacional da localidade (2000, p.262). Com o objetivo de compreender a interpenetração entre grupos midiáticos nacionais e regionais, outra face da convergência entre meios de comunicação, economia e tecnologia, pesquisa-se a experiência da Rede Mirante de Televisão, afiliada da Rede Globo no Maranhão, em um cenário onde predominam as redes midiáticas da região Sudeste, principalmente do eixo Rio-Paulo. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, onde utilizou-se a técnica de estudo de caso. Para realizar o trabalho foram feitas entrevistas com a coordenadora do Núcleo da rede da TV Mirante, jornalista Eveline Cunha, e com a repórter de rede em São Luís, jornalista Viviane Medeiros. 2. As Redes Nacionais de Televisão no Brasil A primeira emissora de televisão do Brasil e da América Latina, a TV Tupi de São Paulo, inaugurada em setembro de 1950, nasceu sob um projeto de rede nacional, os Diários Associados, do empresário e jornalista Assis Chateaubriand, proprietário de uma cadeia de

3 3 jornais. Chateaubriand idealizou uma emissora de televisão que pudesse gerar programação para todas as regiões, projeto que se estendeu às suas emissoras de rádio (MORAES, 1994). Para o jornalista, os meios de comunicação teriam um espaço cada vez maior na vida de homens e mulheres, representando um mercado não explorado e com grande potencialidade no Brasil. Além da TV Tupi, outras emissoras foram fundadas nos anos 50 e 60 e paulatinamente foram concretizando projetos de redes de comunicação. Em 1953, a TV Record foi inaugurada incrementando o recém-nascido mercado televisivo. Nos primeiros anos, a emissora, de propriedade da família Machado de Carvalho, apostou na cobertura esportiva, shows, jornalismo e musicais. Atualmente o grupo, de propriedade da Igreja Universal do Reino de Deus, é o terceiro colocado em audiência, com cobertura de aproximadamente 90 milhões de telespectadores em municípios brasileiros. Desde 2000 disponibiliza seus programas no exterior através da Record Internacional (REDE RECORD, 2006). Fundada em 1965, a Rede Globo conta com 113 emissoras entre geradoras e afiliadas, a TV Globo pode ser assistida em 99,84% dos municípios brasileiros (REDE GLOBO, 2006). Com programação baseada em shows, dramaturgia, jornalismo, entretenimento e documentários, emprega 13 mil funcionários. A maior parte da sua programação é produzida em seus estúdios, chegando a 88% no horário nobre e também é apresentada no exterior através da Globo Internacional, chegando a 5, 5 milhões brasileiros e portugueses. Também na década de 60, de acordo com MULLER (2005, p.02-03), o empresário João Jorge Saad obteve a concessão do canal 13 de televisão e colocou no ar em 13 de maio de 1967 a TV Bandeirantes, a primeira a produzir uma programação e transmiti-la em cores a todo o país. Na década de 70, o grupo começou a montagem da Rede Bandeirantes e adquiriu canais em Minais Gerais e Rio de Janeiro. Hoje possui 27 afiliadas e 9 filiais, atingindo municípios e chegando a domicílios. O Grupo Bandeirantes de Comunicação tem 79 emissoras, captadas por cerca de 43 milhões de domicílios com TV (REDE BANDEIRANTES, 2006). A iniciativa privada apostou nos investimentos no segmento televisivo e estimulou projetos semelhantes do poder público. As emissoras de TV públicas surgiram no final dos anos 60 com propostas de programação voltada para educação e cultura. Entre 1967 e 1974 foram criadas 9 emissoras públicas, após estudos realizados pelo Ministério da Educação. Atualmente os principais canais públicos são a TVE Brasil e a Rede Cultura. A TVE Brasil dispõe de dois canais de TV convencionais (TVE Brasil e TVE do Maranhão); um canal de TV via satélite; três canais de rádio convencionais, rádios MEC AM e MEC FM, no Rio de Janeiro, a Rádio MEC- Brasília e um por satélite (TVE BRASIL, 2005).

4 4 Atingindo localidades, a TV Cultura, com sede em São Paulo e administrada pela Fundação Padre Anchieta, está disponível nas modalidades digital e analógica, compreendendo 21 estados, além do Distrito Federal. Apresenta afiliadas em 20 desses estados e na capital federal (TV CULTURA, 2005). Nas décadas de 80 e 90, dois grupos midiáticos despontaram no mercado de comunicação, o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT) e a Rede TV, e acirraram a concorrência. Hoje disputam o segundo e o terceiro lugares na preferência do público, ao lado da Rede Record. O Sistema Brasileiro de Televisão, fundado em 19 de agosto de 1981 pelo apresentador Sílvio Santos, é composto por 107 e emissoras que abarcam 98% da população. O grupo atinge 15 milhões de brasileiros diariamente e abocanha em média 21 % do bolo publicitário no meio televisivo (SBT, 2005). A rede de televisão mais nova, a Rede TV, entrou no ar em 1999 com cinco emissoras (REDE TV, 2005). Com uma programação que oferece entretenimento, esportes, jornalismo e especiais, a Rede TV, em sete anos saltou de 5 para 42 emissoras, abrangendo 84% do território nacional e municípios. 3. Os Grupos Midiáticos nas Regiões do País 1Ao passo que as redes nacionais cresciam em tamanho e faturamento, grupos de mídias regionais ou locais iniciavam suas atividades para atender demandas específicas relacionadas às questões econômicas, sociais, culturais e políticas de suas localidades. As redes regionais possuem perfis diferenciados, são grupos que se dedicam ao ramo das comunicações ou que também agregam investimentos em outros setores da economia, como gás e transportes. A temática é estudada pelo Núcleo de Pesquisa em Regionalização e Internacionalização Midiática, liderado pela Prafa. Dra. Anamaria Fadul, na Universidade Metodista de São Paulo. O grupo está realizando o mapeamento dos grupos midiáticos nas regiões Norte, Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e Sul (MULLER, 2003). Para compreender a dinâmica e a trajetória dessas organizações, destacam-se quatro casos: Rede Amazônica (região Norte), Grupo Verdes Mares de Comunicação (região Nordeste), Rede Matogrossense de Televisão (região Centro-Oeste) e Rede Brasil Sul de Comunicação-RBS (região Sul). Através da iniciativa dos empresários Phelippe Daou, Milton Cordeiro, Joaquim Margarido e Robert Phellipe, a Rede Amazônica de Televisão iniciou suas operações em setembro de 1972 como TV Amazonas, canal 05. Cravada em uma extensa área e onde o transporte fluvial é predominante, levar a programação para todo a região, excluindo Pará e Tocantins, instalar transmissores e antenas nos municípios e convencer as lideranças locais da importância da

5 5 empreitada, foram os principais desafios da emissora (CABRAL, 2003, p.19). Essas dificuldades foram superadas com a transmissão via satélite em 1982 através do Intelsat. Outra mudança ocorreu em 1986 quando a TV Amazonas deixou a Rede Bandeirantes e se tornou afiliada da TV Globo. A expansão do grupo, os investimentos implementados e o incremento tecnológico impulsionaram a TV Amazonas a tornar-se líder de audiência e a superar os obstáculos iniciais, como afirma CABRAL (2003, p.20): Hoje, está interligada a maior parte do Estado distribuindo programações locais, estaduais e regionais (graças a sua ligação ao grupo Rede Amazônica de Rádio e Televisão), nacionais e internacionais pois, é filiada a Rede Globo, que atinge mais de 90% do território brasileiro, e tem parceria com a CNN, trocando matérias sobre a Amazônia e treinando seus profissionais. A Rede Amazônica, localizada em Manaus, abrange a maior parte da região Norte, com emissoras em cinco capitais (Manaus, Porto Velho, Boa Vista, Macapá e Rio Branco), sua infraestrutura é composta ainda por 05 geradoras, 05 estações em UHF, 08 minigeradoras e 202 retransmissoras, além do canal temático AmazonSat, com sinal aberto em toda a região amazônica, sendo captado nas demais regiões através de antena parabólica (REDE AMAZÔNICA, 2006). No Nordeste, o Sistema Verdes Mares de Comunicação, de Fortaleza-CE, seguiu caminho semelhante ao da Rede Amazônica. O grupo lançou em 01 de julho de 1998 a Rede Diário com o objetivo de divulgar para todo o país a cultura do povo cearense. A rede é afiliada da Rede Globo e compreende outras mídias como jornal, rádio e internet (LIMA, 2004, p.11). A Rede Diário chega a 63 municípios cearenses e a nove Estados brasileiros por canais abertos ou por assinatura: São Paulo, Espírito Santo, Minas Gerais, Maranhão, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba, Acre e Rondônia. A Rede Diário tem o maior número de profissionais de jornalismo entre as emissoras locais. São 76 profissionais na capital e no interior do Ceará, além de outras equipes em Recife, Teresina e São Paulo. Outra característica é a cobertura de eventos relacionados à cultura popular, festividades religiosas, carnavais fora de época e exposições agropecuárias promovidas no Estado. De acordo com LIMA (2004, p.13), o telespectador, seja cearense ou nordestino, acaba se identificando com o que vê na tela e isso é demonstrado pelos números de mensagens que a TV recebe todos os dias. São cerca de mil e 500 s por mês, além de centenas de cartas. Na região Centro-Oeste, a primeira emissora de televisão foi a TV Morena, Canal, do Grupo Zahran, inaugurada em dezembro de Dois anos depois, a mesma organização colocou no

6 6 ar a TV Centro América, em Cuiabá-MT, o marco das atividades da Rede Matogrossense de Televisão-RMT (REDE MATOGROSSENSE, 2006). O grupo, além do mercado de comunicação - formado por oito canais - diversificou seus negócios com a Copaz Distribuidora de Gás, a transportadora Transgas e o Haras El Zahan. Afiliada da Rede Globo desde 1976, a RMT transmite suas imagens para aproximadamente 200 municípios do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul e detém 75% de audiência regional sustentada por uma programação voltada para temas regionais, rurais, jornalísticos e esportivos (REDE MATOGROSSENSE, 2006). Na região Sul, o grupo RBS, de Porto Alegre/RS, mantém 6 jornais, 26 emissoras de rádio, um portal de notícias, duas emissoras locais e uma gravadora. Possui ainda 18 emissoras de TV afiliadas à Rede Globo. Outro braço da empresa, fundada em 1957 pelo empresário Maurício Sirotsky Sobrinho, é a Rede Gaúcha Sat, detentora de 123 emissoras afiliadas em dez Estados brasileiros (RBS, 2006). A rede pauta-se pelo incentivo à popularização da cultura regional dos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina por meio da realização de campanhas, eventos e produção de documentários. 4. TV Mirante, um Núcleo de Rede no Maranhão As experiências regionais, a exemplo das redes citadas acima, denotam um crescente interesse das populações por notícias e serviços relacionados à sua realidade, demanda captada pelos grupos midiáticos, associados às grandes redes nacionais. Para conhecer a autonomia das afiliadas para a produção audiovisual e a visibilidade desse material nas tevês nacionais investiga-se a trajetória da Rede Mirante de Televisão, no Maranhão, integrante do Sistema Mirante de Comunicação, o maior grupo privado de comunicação do Estado. O Maranhão é o segundo maior território em extensão no Nordeste, representando 21,36% da região. Sua população é de habitantes, conforme Censo Demográfico de 2000, do IBGE, sendo que 59,5% moram nas áreas urbanas e 40,5% na zona rural. A capital São Luís apresenta habitantes. A economia maranhense está estruturada em atividades agropecuárias, industriais e serviços (GOVERNO DO ESTADO, 2005). No entanto, a pobreza é um dos principais entraves ao desenvolvimento econômico. No ranking dos 50 municípios mais miseráveis do país, 23 pertencem ao Maranhão (FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS, 2006). Quadro 01 Dados sócio-econômicos e geográficos - Maranhão População Distribuição Extensão Produto Renda per Pop. (em km²) Interno capita (R$) - Bruto ano 2000 Nº municípios

7 7 (bi de R$) Urbana: 59, ,293 13, , % Rural: 40,5 % Fonte: Governo do Estado, Atlas de Desenvolvimento Humano/PNUD, IBGE, Conf. Nac. Municípios O Sistema Mirante de Comunicação, que surgiu em 01 de maio de 1959, é formado pelas seguintes organizações: Rede Mirante de Televisão, jornal O Estado do Maranhão, Rádio Mirante FM, Rádio Mirante AM e o portal de notícias Imirante. Outro ramo de atuação é a indústria do entretenimento, com a organização de shows de artistas e do Marafolia, carnaval fora de época que ocorre no mês de outubro em São Luís. A empresa é propriedade da família do senador José Sarney (PMDB-AP). A missão da instituição é informar, entreter e oferecer produtos e serviços com qualidade e identificados com a história e a cultura do Maranhão e do Brasil. (REDE MIRANTE, 2005). A Rede Mirante de Televisão, fundada em São Luís no dia 15 de março de 1987, atinge hoje 195 do total de 217 municípios maranhenses (ATLAS DE COBERTURA DA REDE GLOBO, 2005). Para atingir o maior número de localidades, a Rede Globo autorizou 20 prefeituras a retransmitirem seu sinal (ver Quadro 02). Inicialmente afiliada do SBT, a Rede Mirante lançou o telejornal Mirante Notícias, seu primeiro programa local. Posteriormente surgiram os telejornais Studio 10 e Idéia Nova; o esportivo Camisa 10; o programa de entrevistas Meio-Dia; o programa Ação em Cena, visando o público jovem; e o Revista 10, com jornalismo, variedades e entretenimento. Em 1991, ao tornar-se afiliada da Rede Globo de Televisão, adotou o padrão de qualidade da emissora e seus parâmetros para produção de conteúdo, treinamento de recursos humanos e veiculação de programas. Associada a Globo, a Rede apostou em novos programas, enfocando assuntos relacionados à comunidade - Repórter Mirante, exibido nas tarde de sábados, e o Mirante Comunidade, que vai ar nas manhãs de domingo e reforçou o departamento de jornalismo, colocando na grade de programação duas edições diárias do telejornal local, JMTV, uma no final da manhã e outra no início da noite (REDE MIRANTE, 2005). Quadro 02 Municípios maranhenses com retransmissores Rede Globo** Município População

8 8 Amapá do Maranhão Apicum-Açu Bacurituba Belágua Buriti Central do Maranhão Feira Nova do Maranhão Fernando Falcão Governador Newton Bello Itaipava do Grajaú Lago Verde Maranhãozinho Matões do Norte Porto Rico do Maranhão Santa Filomena do Maranhão Santana do Maranhão Santo Amaro do Maranhão São Raimundo do Doca Bezerra São Roberto Serrano do Maranhão Fonte: Atlas de Cobertura Via Satélite, Rede Globo **Os municípios possuem permissão da Rede Globo para retransmitir o sinal, dessa forma o telespectador não necessitará de antena parabólica. 5. TV Mirante e a TV Globo: Conteúdos Local e Nacional No interior do Maranhão, a Rede Mirante estruturou emissoras nos municípios de São Luís, Imperatriz, Timon e Santa Inês (ver Mapa 01). De acordo com a coordenadora do Núcleo de rede da TV Mirante, jornalista Eveline Cunha, essas emissoras geram material jornalístico para os telejornais locais através de 22 equipes (ver Quadro 03) e estão distribuídas da seguinte forma: Quadro 03 Distribuição das equipes de jornalismo nas emissoras do Interior

9 9 Município Número São Luís 11 Imperatriz 05 Timon 01 Caxias 01 Codó 01 Bacabal 01 Santa Inês 02 TOTAL 22 Fonte: Núcleo de Rede Sistema Mirante de Comunicação TV São Luís Mapa 01 Cobertura Rede TV Mirante Santa Inês TV Imperatriz TV Timon Rede Mirante de Comunicação: emissoras da capital e interior Fonte: Atlas de Cobertura da Rede Globo de Televisão, 2005

10 10 De acordo com a coordenadora de rede da TV Mirante, as emissoras do interior produzem conteúdo para os telejornais locais, com entradas ao vivo das equipes de Imperatriz e Timon. Imperatriz entra ao vivo no Bom Dia Maranhão com 2 vts e no JMTV, de meio dia, com 3. São vts de Imperatriz e da região, inclusive Açailândia. Timon também entra ao vivo e coordena as cidades de Caxias, Codó, e região. Eles produzem na região, mandam o vt para lá, onde é editado e gerado para São Luís. Santas Inês não tem Embratel e por isso manda vt com menos freqüência ou pelo malote ou em ônibus, explica. Se as emissoras do interior também produzem conteúdo para os telejornais locais, o núcleo de rede da TV Mirante é responsável pela produção de material jornalístico para os programas da Rede Globo de Televisão. Para atender a demanda da rede nacional, o núcleo possui um repórter, um produtor e um coordenador. Atualmente a repórter da Rede Globo em São Luís é a jornalista Viviane Medeiros, que também pode produzir matérias jornalísticas para os telejornais locais. O repórter de rede permanece como correspondente por dois anos em média, sendo substituído por outro jornalista indicado pela Rede Globo. A jornalista é a quarta repórter de rede em São Luís, anteriormente trabalharam Cristina Graeml, Edmilson Ávila e Wallace Lara. Viviane Medeiros afirma que as pautas são escolhidas pelo repórter em conjunto com a produção. Tanto repórteres quanto produtores têm absoluta liberdade para escolher os temas e sugerir as pautas. E, é claro, é importante ficar atento ao que está acontecendo porque muitas vezes uma reportagem nasce do factual. Sobre os desafios de gerar conteúdo de interesse nacional com referências locais, a jornalista destaca que o mais relevante é produzir um material jornalístico diferenciado. Quando chegamos a um lugar desconhecido levamos conosco uma espécie de olhar estrangeiro. É um olhar fresco para tudo o que está em volta. Muitas vezes, enxergamos novidade no que era visto como lugar-comum. (...). É o que faz com que um tema aparentemente local ganhe uma abordagem não apenas nacional mas, sobretudo, diferenciada. E o resultado acaba despertando o interesse do telespectador. Por isso, acho muito saudável esse intercâmbio de profissionais nas redações Brasil afora. A coordenadora de rede, Eveline Cunha confirma que a Rede Globo não determina uma quantidade de matérias de cada afiliada para o Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal Nacional, Jornal da Globo, Fantástico, Globo Repórter (TV aberta) ou para os programas da GloboNews (TV por assinatura). As praças oferecem as pautas para a Rede Globo através de , canal de voz ou telefone, conforme o perfil e público de cada telejornal. Com a autorização da cabeça

11 11 de rede, o material é produzido, editado e gerado para São Paulo. As orientações da Rede Globo, afirma Eveline, estão relacionadas ao tipo de matéria que interessa a cada telejornal. De forma geral, as reportagens podem ser factuais - sobre acontecimentos do dia ou produzidas, quando são abordados temas relacionados ao Maranhão e que despertem interesse nacional. A produção do material dependerá dos fatos, do assunto abordado e do jornal que poderá veiculá-lo, como observa a coordenadora de rede: Vale pra quem pensar primeiro. Um exemplo é de que todo o Nordeste está fora do horário de verão, mas a gente ofereceu a matéria primeiro para mostrar que o horário de banco por aqui muda, os vôos e assim há 2 anos que o Maranhão fecha a matéria de rede sobre o início do horário de verão para quem está de fora do novo horário. Um dos telejornais mais concorridos é o Jornal Nacional, diz Eveline, por conta do perfil do programa, voltado para política, economia e noticiário internacional. As principais praças, como São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, ocupam geralmente maior espaço em razão da importância política e econômica dessas cidades. No entanto, se o material de São Luís for factual tem maior chance de entrar em qualquer programa da Rede Globo. A jornalista relembra um acontecimento local que se tornou nacional: Um exemplo foi quando a ponte que dá acesso a São Luís rompeu, ficamos ilhados e a cidade estava cheia de caminhoneiros com prejuízos porque não conseguiam sair. O assunto valeu de várias formas: uma espécie de satisfação para mostrar os que não conseguiram sair; o absurdo de uma capital que por um pequeno problema fica isolada; depois veio o risco de desabastecimento, chegou a faltar gasolina no interior. Você percebe que um único assunto representou várias reportagens e abordagens. O conteúdo produzido pelo Núcleo de Rede no Maranhão é enviado via Embratel para a Rede Globo. Diariamente, a Rede Mirante tem dois horários reservados para o envio do material: as reportagens para Jornal Hoje são encaminhadas às 11:30h e para o Jornal Nacional às 17:30h. Os outros telejornais não apresentam horário específico. Outro caminho é o malote quando a matéria não é factual. Quando há dificuldades com a geração pela Embratel, o núcleo recorre às afiliadas mais próximas do Estado, como conta a coordenadora: No final de novembro (de 2005) roubaram os fios da Embratel na capital maranhense. Não se podia gerar nada daqui e foi justamente quando aconteceu o flagrante de um padre em um motel. No primeiro dia mandamos uma foto pela internet e informações pra uma nota com a foto dele no Jornal Nacional. No dia seguinte, fizemos a matéria aqui, editamos em um espaço de

12 12 tempo corrido, colocamos a fita em um avião e mandamos para Fortaleza e lá a afiliada da Globo, a TV Verdes Mares, fez a geração. Isso aconteceu por 15 dias. A Rede Mirante de Televisão vem ocupando um espaço significativo na grade de programas jornalísticos da Rede Globo. No mês de novembro de 2005, na TV aberta foram veiculadas 20 matérias geradas pelo Maranhão, totalizando quase uma por dia. De janeiro a novembro do mesmo ano, em todos os programas da rede nacional, foram exibidas 135 reportagens produzidas pela Mirante. Na TV fechada, em 2004, o Maranhão foi o Estado que mais enviou material para o programa Via Brasil, do canal Globo News, segundo informação do Núcleo de Rede. A repórter de rede, Viviane Medeiros, avalia de forma positiva a veiculação das matérias jornalísticas a partir do Maranhão: Temos um aproveitamento de quase 100% do nosso trabalho nos últimos meses, o que mostra que estamos afinando nossa relação com os jornais, entendendo o perfil de cada um deles e melhorando a nossa produção. Em média, temos tido de dez a quinze reportagens por mês no ar, o que significa dizer que a cada três dias o Maranhão é visto em algum telejornal nacional Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal Nacional e Jornal da Globo (...) Além disso, em um ano tivemos quatro participações no Globo Repórter, o que, até então, nunca havia acontecido na TV Mirante. Os profissionais e técnicos que participam da produção de conteúdo local ou nacional participam de treinamento oferecido pela Rede Globo. O objetivo é manter o padrão de qualidade em todas as afiliadas. A capacitação acontece através de intercâmbio e de cursos chamados de UniGlobo, que podem ser presenciais ou virtuais. São envolvidos repórteres, produtores, editores e cinegrafistas de todo o Brasil. 6. Conclusões As redes nacionais de televisão no Brasil firmaram-se a partir dos anos 60 e 70 com a consolidação do mercado, maior de investimento no segmento e desenvolvimento tecnológico, que permitiu a geração do sinal da cabeça de rede para todas as regiões. O país tem atualmente sete redes de televisão, sendo duas públicas e cinco privadas, abrangendo praticamente todo o território nacional. Neste panorama, as redes regionais cresceram e ampliaram seus negócios. A valorização das demandas locais tem suas raízes em um processo de expansão do sistema capitalista que remonta aos séculos XIX e XX, desencadeador do desmonte das barreiras geográficas, culturais e políticas entre as nações. A internacionalização da economia acentuou a circulação

13 13 de bens culturais e o desenvolvimento tecnológico propiciou o surgimento de redes de serviços e o acesso aos novos consumidores espalhados pelo planeta. À semelhança de outros países, no Brasil, os grupos midiáticos de comunicação, situados nas regiões mais desenvolvidas, concentraram a produção e a geração de conteúdo. No entanto, suas redes locais, em face do desenvolvimento técnico, crescimento do mercado publicitário e oferta de mão de obra qualificada, ampliaram sua participação nos programas jornalísticos das redes nacionais. Para compreender a trajetória e expansão das redes regionais, estudou-se a Rede Mirante de Comunicação, afiliada da Rede Globo no Maranhão há 15 anos. Detectou-se que não existe uma articulação engessada entre rede nacional e afiliada. A veiculação de mensagens produzidas localmente nos programas exibidos ema rede nacional está relacionada a quatro variáveis de naturezas diferentes: abordagem do fato, se for de interesse local com repercussão social (motivação cultural); essência da notícia, se factual ou atemporal, perfis do programa nacional que veiculará a reportagem e de seu público (motivação jornalística); condições técnicas de geração (motivação tecnológica) e o patamar econômico e político da cidade ou Estado gerador do material jornalístico (motivação política-econômica). Por outro lado, a Rede Globo costuma recomendar padrões às suas afiliadas quanto à questão técnica, com vistas a manter a qualidade do conteúdo a ser veiculado, pois a geração do material deve ser via satélite, salvo exceções; e à linguagem, os formatos jornalísticos adotados se assemelham nas afiliadas, os programas apresentam o mesmo cenário com pequenas alterações, os apresentadores adotam vestimentas semelhantes e a edição das reportagens segue modelo das edições nacionais. Essas linhas gerais são repassadas aos técnicos e profissionais de comunicação através de capacitações presenciais ou virtuais. A Rede Mirante de Televisão, como as demais afiliadas, pode realizar projetos próprios, com um programa de variedades diário, a exemplo do Revista 10, já exibido ao 12h, ou inspirar-se em programas nacionais e produzir o Mirante Repórter, com o mesmo perfil do Globo Repórter, e colocá-lo no ar no horário no sábado à tarde. A autonomia da rede estende-se às emissoras o interior, com as quais se articulada para produzir reportagens para todo o Maranhão, sem intervenções ou monitoramento da emissora nacional. Pode-se afirmar que a Rede Mirante de Comunicação faz parte de uma rede semiflexível, onde se inter-relacionam as linhas mestras emitidas pela rede nacional e a autonomia das redes afiliadas para elaborar, produzir e gerar conteúdos para a programação jornalística exibida para todo o país. Nota-se que a Rede Globo utiliza estratégias para manter sua articulação com as redes locais ao delimitar um projeto geral a ser seguido por todas as suas afiliadas, ao enviar

14 14 um repórter de rede visando troca de experiências, realizar capacitações permanentes com as equipes e manter contato diário para intercâmbio de idéias (reuniões com viva voz, telefone, s etc) Conforme MARCON; MOINET (2001, p.23), a estratégia vencedora é aquela que recupera a informação no fundo de seus filets, trata-a e a transforma em decisão-ação desejada, portanto entendemos que a Rede Globo segue uma estratégia-rede, ou seja uma ação movida por um fim, sistema no qual ocorre a investigação do ambiente e a coordenação dos atores a serviço do projeto final, do propósito coletivo amparado pela dinâmica das ligações flexíveis. A relação Rede Mirante-Rede Globo espelha-se no princípio da inteligência, que se concretiza através de liderança com autoridade, credibilidade e a idéia-força, condutora do projeto coletivo. A inteligência é uma aptidão estratégica geral para resolver problemas particulares. A rede oferece à inteligência um extraordinário meio de ação estratégica: a ligação (MARCON; MOINET, 2001, p.20). As reflexões sobre a performance das redes midiáticas e as articulações de seus integrantes geram temas a serem pesquisados nos cursos de graduação e pós-graduação em comunicação por conta da complexidade e singularidades da trajetória dos meios de comunicação no Brasil. Podem ser realizados estudos comparativos sobre a produção regional veiculada em rede nacional e como as redes locais penetram nas redes nacionais, descortinando suas estratégias e inovações no processo de produção jornalística, no desenvolvimento tecnológico e na geração de gêneros ou formatos que posteriormente podem ser adotados pelos grupos midiáticos nacionais. 7. Referências Bibliográficas BAHIA, Juarez. Jornal, História e Técnica. 3 ed. São Paulo: Ibrasa, BOURDIN, Alain. A questão local. Rio de Janeiro: DP &A Editora, CABRAL, Eula Dantas Cabral. História da Televisão Amazonense. Rede Alfredo de Carvalho. In: I Encontro Nacional de História da Mídia Brasileira, 2003, Rio de Janeiro. Disponível em Acesso em: 09 dez LIMA, Maria Érica de Oliveira. Mídia Regional: estudo de caso do grupo Somzoom Sat e TV Diário. In: ENCONTROS LUSO-GALEGO DE COMUNICACIÓN E CULTURA/III CONGRESO LUSO-GALEGO DE ESTUDOS XORNALÍSTICOS, II, 2004, Santiago de Compostela, Espanha. FUNDAÇÃO GETÚLIO VARGAS. Mapa da Fome II. Fundação Getúlio Vargas. Disponível em: Acesso em 02 jan 2006.

15 15 GOVERNO DO ESTADO DO MARANHÃO. Informações Gerais. Governo do Estado. Disponível em: <http://www.ma.gov.br/cidadao/estado/informacoes_gerais.php>. Acesso em 15 dez MARCON, Christian; MOINET, Nicolas. Introdução. In: Estratégia-rede: Ensaio de Estratégia. Caxias do Sul: EDUSCS, MORAIS, Fernando. Chatô: Rei do Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, MULLER, Karin. Grupos Midiáticos Regionais do Nordeste: processos de regionalização e internacionalização. São Paulo: Fapesp; Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social/Universidade Metodista de São Paulo, Rede Bandeirantes no Maranhão. Regiocom. In: X Colóquio Internacional de Comunicação para o Desenvolvimento Regional, 2005, Chapecó. Cátedra Unesco de Comunicação-UMESP/Unochapecó, PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA. Constituição Brasileira. Brasília, Subchefia para Assuntos Jurídicos/Casa Civil. Disponível em: Acesso em 02 jan REDE AMAZÔNICA DE TELEVISÃO. Histórico. Rede Amazônica.Disponível em: <http://portalamazonia.globo.com/redeamazonica/historico.htm>. Acesso em 11 jan REDE BANDEIRANTES. Atlas de cobertura. Rede Bandeirantes. Disponível em: <http://www.jovedata.com.br/band/atlas2/resumobr.htm>. Acesso em: 05 jan RBS. Apresentação do grupo. Rede Brasil Sul. Disponível em: <http://www.rbs.com.br/rbscom/jsp/default.jsp?contexto=grupo&paginamenu=../library/menu_gr upo_apresentacao.lbi&paginaconteudo=../library/gruporbs_capa.lbi>. Acesso em: 10 jan REDE GLOBO. Atlas de Cobertura Maranhão. Rede Globo de Televisão. Disponível em: <http://comercial.redeglobo.com.br/atlas2004/mapas/php/con_satelite2.php?puf=ma>. Acesso em: 13 dez Institucional. Rede Globo de Televisão. Disponível em: <http://redeglobo3.globo.com/institucional/>. Acesso em: 12 dez REDE MATOGROSSENSE. Grupo. Rede Matogrossense de Televisão.Disponível em: <http://www.fundacaozahran.org.br/sec.htm?cont=grupo&gru_id=3>. Acesso em: 10 jan REDE MIRANTE DE TELEVISÃO. Quem somos. Imirante. Disponível em <http://imirante.globo.com/_index.asp>. Acesso em 05 dez REDE RECORD. Empresa. Portal Rede Record.Disponível em:<http://www.rederecord.com.br/empresa.asp>. Acesso em 10 dez

16 16 REDE TV. Institucional. Rede TV. Disponível em: <http://www.redetv.com.br/>. Acesso em: 05 dez ROBERTSON, Roland. Globalização: teoria social e cultural global. Petrópolis: Vozes, SBT.Institucional. SBT. Disponível em: < Acesso em 12 dez TV CULTURA. Institucional. TV Cultura. Disponível em: <http://www.tvcultura.com.br/detalhe_institucional.aspx?id=40>. Acesso em: 30 dez TVE BRASIL. Institucional. TVE Brasil. Disponível em: < Acesso em: 21 dez

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