ATENÇÃO. O Banco do Brasil apesar de não ser mais uma autoridade, ainda exerce atividades típicas de Banco Central.

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2 1. BREVE HISTÓRICO DO SFN O SFN brasileiro é relativamente novo. Tem pouco mais de 50 anos. Foi criado em Mas isso não quer dizer que não existiam instituições financeiras anteriormente. Com a vinda da realeza portuguesa em 1808, foi criado o Banco do Brasil, primeira instituição financeira do país. Nessa época não existia órgãos normativos e fiscalizadores. O BB foi criado para ser o banco do Governo. Era uma autoridade monetária, fazendo papel de Banco Central até CASCA DE BANANA O Banco do Brasil apesar de não ser mais uma autoridade, ainda exerce atividades típicas de Banco Central. Já um segundo marco veio acontecer mais de 100 anos depois: em 1920 quando foi fundada a Inspetoria Geral dos Bancos. Seu objetivo era fiscalizar as instituições financeiras atuantes da época, que já eram bem mais do que apenas o Banco do Brasil. Depois da Segunda Guerra Mundial, ocorreu, no mundo todo, uma série de importantes acontecimentos para que a organização financeira mundial pudesse chegar ao que vivenciamos hoje. Exemplos disso é a criação do Fundo Monetário Internacional ( FMI) e o do Banco Mundial. Seguindo esse movimento, o Brasil criou a Superintendência da Moeda e do Crédito ( SUMOC), no ano de O SUMOC, por sua vez, também tinha a missão de supervisionar a atividades das instituições financeiras, mas tinha um controle financeiro maior que a Inspetoria Geral dos Bancos. Na década de 50, juntamente com os Estados Unidos, estudos foram realizados objetivando descobrir o motivo do Brasil ser um país subdesenvolvido. Constatou-se na época que era pela falta de investimentos na infraestrutura pois não havia o dinheiro para o financiamento. Criou-se então, em 1952, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico, BNDES. Seu objetivo é ajudar e financiar novos negócios, novos empreendimentos que possam contribuir com o crescimento nacional. No início, o BNDES era um Banco de Fomento. Mais tarde, em 1964, o SUMOC mudaria de nome e viraria o que conhecemos hoje como o Banco Central do Brasil. Essa mudança ocorreu por meio da Reforma Bancária pela lei 4595/64 que, além dessa mudança, criou o Conselho Monetário Nacional (em 31 de dezembro de 1964). Esse conselho tem o poder máximo do Sistema Financeiro Nacional e é responsável por fazer as regras e decidir o melhor caminho para que o sistema financeiro tenha o melhor desempenho possível. Também na Reforma Bancária foi decidida a composição original do Sistema Financeiro Nacional. Essa composição ficou com: Conselho Monetário Nacional, Banco Central do Brasil, o Banco do Brasil, o Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico (BNDES) e as outras instituições financeira, tanto privadas quanto públicas, do Brasil ATENÇÃO Com a reforma bancária de 1964 foi extinto o conselho da SUMOC e a SUMOC e outros órgãos foram criados.

3 Conselho da SUMOC Conselho Monetário Nacional SUMOC Banco Central No ano de 1965, se iniciou o Sistema Financeiro de Habitação (SFH), sendo que seu principal provedor seria o Banco Nacional da Habitação (BNH). No entanto, em 1986, o BNH foi extinto e as suas atribuições foram passadas para Caixa Econômica Federal. Banco do Brasil AUTORIDADES antes da reforma bancária Tesouro Nacional SUMOC BNDES A Comissão de Valores Mobiliários foi criada em 1976 e, dez anos mais tarde, ocorreu a transferência da autoridade de produção de moedas referentes ao estado, do Banco do Brasil para o Banco Central. Em 1988, entrou em vigor a nova constituição que buscava, entre outras coisas, o equilíbrio econômico. Essa fase foi de crescimento do Sistema Financeiro Nacional, acompanhado de um grande acrescimento da economia privada. Nesse mesmo ano, foi autorizado o que se chamou de constituição dos bancos múltiplos, que permitia a que a mesma pessoa jurídica pudesse operar com mais de uma carteira (como carteira comercial, de investimento, de desenvolvimento.) ao mesmo tempo, o que antes era proibido. NÃO CAIA NESSA! As duas principais leis que estruturaram o Sistema Financeiro são: Lei 4595/64 Reforma Bancária Lei 4728/65 Lei do Mercado de Capitais CUIDADO: A lei 4595 criou o Banco Central e o Conselho Monetário Nacional. A Comissão de Valores Mobiliários foi criada em Outro marco importante para a história aconteceu em 1995, quando foi criado o Programa de Estímulo à Reestruturação do Sistema Financeiro Nacional (PROER), que, como o próprio nome diz, visava dar força ao sistema financeiro nacional. E em 20 de junho de 1996 foi criado o Comitê da Politica Monetária (COPOM), responsável por definir a taxa básica dos juros aplicadas em território nacional (taxa SELIC). Antes disso, em 1994, o Brasil dava início ao Plano Real. Era uma série de medidas que visavam uma recuperação da economia brasileira que estava em baixa. Com a moeda desvalorizada e com uma inflação que fugia do controle, o Brasil estava em uma complicada situação financeira. Entre as medidas do plano, estava a troca da moeda de circulação no país. Foi lançada a moeda Real que, junto às outras medidas tomadas pelo governo, conseguiram frear a inflação e recuperar a economia brasileira. Fernando Henrique Cardoso, ex presidente do Brasil, era o ministro da Fazenda na época o lançamento do Plano Real, sendo que o projeto foi um trabalho seu. Em 1999, foi lançada a cédula de credito bancário. Essa medida se deu para criar um título de credito que pudesse facilitar, padronizar medidas como empréstimos, financiamentos ou repasses. Em 2002,

4 ocorreram várias mudanças importantes para o Sistema Financeiro Nacional: nasceu o novo Sistema de Pagamento Brasileiro (SPB), criação de Sistema de Transferências de Reservas (STR) e também da Transferência Eletrônica Disponível ( TED). 2. SISTEMA FINANCEIRO NACIONAL NOÇÕES GERAIS O Sistema Financeiro Nacional é o local no qual o conjunto de instituições financeiras promovem a intermediação do fluxo monetário entre os agentes econômicos superavitários e os deficitários. Uma pessoa, um banco, uma empresa, são exemplos de agentes econômicos. FIQUE LIGADO A principal função do SFN é a intermediação do fluxo monetário entre os agentes econômicos superavitários e os deficitários. De início, eu quero que você memorize e faça a seguinte conexão: Deficitários NECESSIDADE de recursos financeiros Gastam mais do que ganham Tomadores Superavitários DISPONIBILIDADE de recursos financeiros Ganham mais do que gastam Poupadores Olha só como funciona: Vamos imaginar os amigos Esculápio e Gumercindo (agentes econômicos). Esculápio, servidor público, ganha R$ 9.000,00 e tem despesas mensais de R$ 6.000,00. Os R$ que lhe sobram, deposita em uma poupança. Esculápio é um poupador. Do outro lado temos Gumercindo, concurseiro, lutando por uma vaga no serviço público, ganha R$ 2.000,00 e em certo mês teve despesas de R$ 3.000,00. Gumercindo então, precisa tomar crédito para saldar seus compromissos. Então está fácil, basta Gumercindo pedir para Esculápio emprestado. Só que não é tão simples. O que sobra a Esculápio, ele deposita na poupança de sua filha e, além disso, sabe que Gumercindo tem histórico de mau pagador e que se emprestar corre o risco de perder o dinheiro. É ai que entram as instituições financeiras, ou seja, os bancos. SEM PÂNICO De acordo com a Lei nº 4.595/1954, Instituições financeiras são pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Então, necessitando de crédito, o agente deficitário (Gumercindo) vai ao banco (intermediário financeiro) e pega dinheiro emprestado. Por sinal, mas não obrigatoriamente, esse é o mesmo banco em que Esculápio (agente superavitário) tem a poupança. Olha só o que acontece:

5 Superavitários Depositam as sobras Instituições Financeiras Intermedeia Deficitários Gastam menos do que ganham Coleta, intermediação e aplicação Precisam suprir a carência de recursos Dessa forma, Esculápio indiretamente empresta a Gumercindo, porém com um risco muito menor que se lhe emprestasse diretamente. Chegamos assim, a mais uma importante função do SFN, a diversificação do risco do emprestador. Então tome nota: FUNÇÃO PRINCIPAL FUNÇÃO SECUNDÁRIA Intermediação do fluxo monetário entre os agentes econômicos superavitários e os deficitários [desenvolvimento equilibrado] Diversificação do risco do emprestador O Examinador pode ainda perguntar sobre uma terceira função do SFN. Está é a FISCALIZATÓRIA, ou seja, os órgãos que regulamentam e fiscalizam o SFN, também fazem parte dele. Uma outra coisa que é importante você saber desde já: Os agentes superavitários geram operações passivas para os bancos, ou seja, são uma obrigação do banco para com o poupador, pois este leva seus recursos para as instituições financeiras, e estas os remuneram por esses valores. Um exemplo clássico é a conta poupança. Os doadores (outra denominação para poupador) depositam dinheiro nessa conta. Quando há o saque, respeitados as regras existentes, esse valor está reajustado com as taxas do mercado. Veja na prática: Digamos que em 1/01/2015, você tinha R$ 1.000,00 em uma conta poupança. Em 1/06/2015, você tira um saldo e verifica que o valor atual é de R$ 1.020,00. Este foi reajustado. Estes R$ 20,00 são um passivo para o banco, uma obrigação para com terceiros. Data inicial 01/01/2015 Data final 01/06/2015 Valor nominal R$ 1.000,00 Correção no período Aprox. 2% Valor corrigido R$ 1.020,00 Já as operações com os agentes deficitários, geram um ativo ao banco, pois é através deste que o banco ganha dinheiro. Um exemplo é o financiamento de um veículo. Esses juros que o banco cobra é um ativo. É uma obrigação de terceiro para com ele. Deixe eu aproveitar e lhe dizer o que é juros: juros é o preço do dinheiro. Sim, é quanto custa para obter crédito. JUROS Remuneração que o tomador de um empréstimo deve pagar ao proprietário do capital emprestado. A intermediação de recursos financeiros de terceiros, é a essência do sistema financeiro. O intermediário financeiro une poupadores e tomadores, promovendo a satisfação das necessidades de cada um.

6 NÃO CAIA NESSA! O agente pode ser ao mesmo tempo, superavitário e deficitário? Claro que pode. Ele pode, ao mesmo tempo ter uma poupança e ter o financiamento da casa própria. A coleta dos recursos ocorre por meio dos depósitos dos agentes superavitários, atividade também conhecida como captação. Os recursos aplicados pelos poupadores poderão ser remunerados ou não remunerados, a depender do tipo de operação. Um depósito em uma conta poupança renderá ao titular desta, certa remuneração, como vimos acima. Já um depósito na conta corrente, não irá gerar nenhum tipo de ganho ao cliente. Analogicamente, o banco é um comerciante como qualquer outro, que compra no atacado e vende no varejo. Compra barato no atacado e vende caro no varejo. E qual é o produto que o banco comercializa? É o dinheiro. Ele compra o dinheiro do poupador, pagando juros de poupança (aprox. 6% ao ano) e vende aos tomadores através de empréstimos e financiamentos a 6% ao mês, por exemplo. Empréstimos Financiamentos Não tem uma destinação específica. O tomador pode usar os recursos como ele bem quiser Há destinação específica. Visa sempre aquisição de certo bem ou serviço. Por exemplo financiamento de carro, casa etc. Fique ligado na diferença entre Ativo e Passivo bancário: ATIVO BANCÁRIO Crédito para tomadores Remuneração (juros) RENDA DOS BANCOS Depósito de poupadores PASSIVO BANCÁRIO Remuneração (juros) Renda Poupadores Com isso, podemos concluir que a diferença entre o ativo e o passivo bancário, ou seja, é a diferença cobrada pelos bancos entre a taxa de empréstimo dos tomadores de crédito e a taxa de captação paga aos clientes. Esta diferença é chamada de Spread. POUPADOR 1% Banco 5% TOMADOR Agora uma observação importante. Você notou que o banco usa o dinheiro dos clientes e o empresta a eles mesmos? É isso mesmo! O banco pega seu dinheiro (depósitos) e o empresta a você mesmo (crédito).

7 RETORNO (+juros) Superavitários Depósitos Saques Intermediários Financeiros Crédito Pagamentos Deficitários O Brasil é um dos países com maior spread bancário no mundo, além de ser detentor também de uma das mais elevadas taxas de juros. Isso decorre do risco de inadimplência. No início da aula falamos que uma das funções do Sistema Financeiro é a diversificação do risco do emprestador. O dinheiro que você deposita no banco é emprestado para outros clientes. Você praticamente não tem risco de perder esses valores, pois quando você quiser pode ir ao banco e sacar o dinheiro. Já em relação aos bancos o risco existe. Esse risco é inerente do mercado. Nem todos os tomadores honrarão com o compromisso de pagar o banco. Por mais que o banco selecione a forma de conceder crédito, nenhuma instituição financeira no mundo trabalha com risco zero. Por falar em risco, saiba que o Sistema Financeiro é injusto. Quer saber como? Olha só: Imagine que eu e o Silvio Santos precise emprestado 100 mil reais. De um lado, euzinho, simples professor para concursos. De outro lado temos o megaempresário e multimilionário empresário do ramo de entretenimento. Quem você acha que vai conseguir a melhor taxa de juros no banco? O Silvio Santos. Mas professor, é injusto! Quem ganha menos deveria ter acesso a melhores taxas. Pois bem meu aluno, os bancos oferecem taxas menores a quem tem mais poder aquisitivo e taxas maiores a quem tem menor poder aquisitivo. Parece injusto mas é isso mesmo. É assim que é feito o gerenciamento de risco pelo banco. Quem ganha mais, tem grande probabilidade de devolver o dinheiro tomado. Já aquele que ganha menos, está mais suscetível à inadimplência. Professor Silvio Santos Este gerenciamento é necessário, pois se os bancos concederem crédito sem visualizar o risco, podem gerar riscos aos poupadores. Como dissemos anteriormente, os poupadores depositam suas sobras nos bancos, justamente para receberem certa remuneração sem risco. Se os bancos começarem a não receberem dos tomadores, há crise no sistema financeiro. Chamamos isso de relação RISCO/RETORNO. Quanto maior o risco, maior o retorno para o banco. RISCO (+ risco calote) Num sistema com risco elevado, os poupadores irão querer sacar suas reservas, o que piora o equilíbrio do sistema, pois nenhuma instituição financeira no mundo suportaria que seus clientes sacassem seus depósitos simultaneamente. Se isso ocorresse, abalaria a economia do país. Quando isso acontece, a principal atitude dos governos é decretar feriado bancário e limitação do valor de saques.

8 Para manter o equilíbrio do sistema financeiro, é necessária forte fiscalização e regulamentação pelos Governos. E nesse contexto que os agentes econômicos de regulação e fiscalização gerenciam. Temos o BACEN, CMN, CVM e diversos outros. Estudaremos todos eles pormenorizadamente. Para fecharmos o tópico, grave o seguinte: Intermediação do fluxo monetário Funções do SFN Diversificação do Risco Promover o desenvolvimento equilibrado Fiscalização das instituições que o compõe

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