Assinatura Confiável de Documentos Eletrônicos

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1 EVANDRO ARAUJO DE SOUSA Assinatura Confiável de Documentos Eletrônicos Júlio da Silva Dias, Ricardo Felipe Custódio, Carlos Roberto de Rolt Confiável de Documentos Eletrônicos.pdf Trabalho da disciplina INE 5631 Projetos I do Curso de Sistemas de Informação, Departamento de Informática e Estatística, Universidade Federal de Santa Catarina. Prof. Renato Cislaghi FLORIANÓPOLIS OUTUBRO 2004

2 1. Introdução A partir da existência da legislação que torna válido os documentos eletrônicos, o interesse pelos mesmos aumentaram. E para que o documento seja seguro juridicamente é necessário os requisitos de autenticidade, integridade, irretratabilidade e tempestividade das informações. A autenticidade e a integridade são obtidas através da assinatura digital e o resumo criptográfico respectivamente, já a tempestividade é obtida pelo carimbo de tempo, o qual é produzido pela Protocolizadora Digital de Documentos Eletrônicos. A irretratabilidade esta associada à assinatura digital, o que traz preocupação, pois um documento pode ser assinado digitalmente sem o consentimento do assinante, isto devido pelo processo indireto que a assinatura digital é obtida. No uso de assnaturas digitais é verificado a existência de dois modelos de leis, que tratam a questão da inversão do ônus da prova, são eles: - modelo de lei da Uncitral: o assinante deve provar que a assinatura não foi de sua autoria ou foi obtida de forma fraudulenta. A legislaçao brasileira tem semelhanças com este modelo; - diretiva da comunidade européia: a parte interessada deve apresentar evidências que o assinante realizou a assinatura. O trabalho tem o objetivo de propor um sistema de assinatura digital seguro e confiável permitindo o assinante controlar os documentos que estão sendo assinados e registrar tais assinaturas. Também é proposto a adoção de uma lista de documentos revogados que constará a revogação de um documento já assinado ou a revogação de um documento antigo devido a emissão de um novo documento. Assim atendendo o requisito de irretratabilidade tornando o documento seguro juridicamente. 2. Documentos Eletrônicos Um software específico converte uma sequência de bits, ou seja, o documento eletrônico, em informação a ser corretamente revelada se a plataforma computacional for confiável e se o arquivo tem formato que não permite várias interpretações pelo software. Pesquisadores e instituições têm proposto o desenvolvimento de plataformas computacionais seguras. A utilização dessa plataforma permitiria a conexão segura entre os subsistemas da plataforma, mas existe a possibilidade do controle do sistema por parte dos fabricantes de software e hardware ou somente a permissão para executar determinados tipos de software.

3 Apesar da polêmica, a utilização de uma plataforma segura tornaria o processo de assinatura e leitura de documentos eletrônicos mais confiável. Caso não seja utilizado esta plataforma, deve-se desenvolver outros mecanismos. Estudos mostram que formatos de representação podem levar a problemas para a obtenção da visualização do documento, independente da plataforma e software utilizados nesta transformação, não expressando corretamente o seu conteúdo de acordo com a vontade do assinante. Deseja-se então: o que você assina é o que você vê WYSIWYS. 3. Assinatura Digital A assinatura é a espressão de vontade ou o consentimento do assinante em relação ao conteúdo do documento. Existe uma ligação entre o conteúdo do documento e o assinante, de maneira indireta, através do resumo do documento cifrado (hash, representando de forma única o documento) com a chave pública do assinante. Na assinatura digital atemporal, o assinante cifra com sua chave privada o resumo do documento constituindo sua assinatura, que é verificada por outros através da chave pública. A ligação entre a chave pública (correspondente a chave privada do assinante) e o assinante é conforme o certificado digital emitido pela autoridade certificadora. Esta ligação permite verificar a autenticidade do documento. Já a integridade é verificada comparando-se o resumo do documento com o resumo decifrado com a chave pública do assinante. Neste esquema falta o registro do instante do tempo da realização da assinatura, e a confiança no documento assinado com o esquema atemporal esta calcada na chave pública da autoridade certificadora. Na assinatura digital temporal, um resumo do documento é enviado para a Protocolizadora Digital de Documentos Eletrônicos PDDE, para ser afixado a hora e a data da assinatura. O recibo da protocolização é anexado ao documento, ai o assinante cifra com sua chave privada o novo resumo, obtendo-se a assinatura digital do documento. A validação da assinatura digital atemporal é relizada na leitura do documento, se no momento da verificação, o certificado digital do assinante estiver revogado ou expirado, o documento é inválido, devido a falta do instante de tempo em que a assnatura foi realizada. Já para a assinatura digital temporal, a validação é feita com base no instante de tempo do recibo de protocolização. Para revogar documentos com a assinatura digital atemporal, basta revogar o certificado digital do assinante, o que não se aplica para a assinatura digital temporal. Uma alternativa, no caso da assinatura temporal, seria emitir novo documento invalidando os termos do documento anterior,

4 mas mesmo assim, o documento anterior continuaria válido. Este problema poderia ser tratado por um sistema de gerenciamento eletrônico de documentos. Uma política de assinatura define regras a serem respeitadas para tornar as assinaturas válidas. Deve-se considerar uma especificação de políticas para a realização de assinaturas digitais, que serão obedecidas na sua realização, tornando a assinatura válida ou não, conforme a especificação. Pontos vulneráveis na tradicional assinatura de documentos eletrônicos: - conteúdo a ser assinado não é visualizado de forma confiável; - impossibilidade de auditoria em documentos assinados com determinada chave privada; - falta de política clara para as condições de assinatura confiável; - revogar certificados para revogação seletiva de documentos. 4. Sistema de Assinatura Segura de Documentos Eletrônicos É proposto um sistema de assinatura confiável sem precisar de plataforma de software e hardware confiável, onde é possível: visualizar o conteúdo do documento; determinar os tipos de documentos que podem ser assinados; realizar auditoria e revogar documentos sem revogar o certificado digital. O sistema é composto de um assinador que tem acesso ao gerente de assinaturas (realiza a assinatura digital), ao registro de assinaturas (tem o histórico das assinaturas realizadas e/ou tentadas) e à PDDE (inserção de tempo). A assinatura pelo sistema proposto consiste em inserir uma política de assinaturas no certificado do assinante, verificar o histórico das assinaturas realizadas, inserir o recibo de protocolização da PDDE e tornar visível a imagem em formato convencional do documento assinado. A proposta do novo sistema agrega confiança ao processo através do registro de assinaturas, pois o assinante pode provar as assinaturas realizadas ou não com sua chave privada. Da garantia ao assinante sobre o que assina através da visualização da imagem do documento, assim é dificultado a fraude pela plataforma computacional e garante que o assinante não poderá refutar a assinatura por não ter visto o conteúdo do documento. E com a descrição do documento é possível verificar se a assinatura atende as políticas de assinatura. É proposto ainda a criação de uma lista de documentos revogados, sendo o assinante responsável pela sua atualização, isso para tratar da revogação dos documentos.

5 5. Considerações Finais A validade das assinaturas digitais é questionada pois são realizadas sobre plataformas computacionais não seguras, a solução seria utilizar plataformas seguras, mas as mesmas possuem pontos fracos. Foi proposto então, um sistema confiável de assinatura digital independente da plataforma computacional ser ou não ser segura.

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