Como estimar peso vivo de novilhas quando a balança não está disponível? Métodos indiretos: fita torácica e hipômetro

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1 Como estimar peso vivo de novilhas quando a balança não está disponível? Métodos indiretos: fita torácica e hipômetro Introdução O principal objetivo nos sistemas de criação de novilhas leiteiras é conseguir peso e altura adequados para primeira parição aos 24 meses de idade, otimizando programas de reposição. Um recente estudo avaliando o crescimento atual novilhas holandesas em fazendas leiteiras dos Estados Unidos revelaram que os animais apresentavam-se mais pesados e mais altos em relação aos padrões publicados entre 30 e 50 anos atrás. O conhecimento da taxa do ganho de peso vivo nas novilhas permite adequação dos manejos nutricionais, avaliação da eficiência alimentar, determinação exata de doses farmacêuticas e avaliação do status de saúde dos animais. Os valores de peso corporal também podem ser utilizados para a constatação de animais mais fracos e melhorar a eficiência da criação de novilhas de reposição. Estes fatores demonstram a importância da compreensão e do monitoramento do desempenho de novilhas. Uma variedade de métodos é usada para medir ou estimar o peso vivo (PV) em novilhas Holandesas, sendo a pesagem individual dos animais o de melhor acurácia, seja em balança mecânica ou eletrônica. Pesquisas mostraram que a maioria de produtores de leite descreve que a pesagem dos animais consome muito tempo e representa alto custo em equipamentos (Heinrichs et al., 1992). Também, a falta de balança em pequenas propriedades tem reduzido a possibilidade de alguns produtores de monitorar o desenvolvimento de novilhas e adequar manejos. Como resultado, diversos métodos indiretos para estimar o PV foram desenvolvidos. O método indireto mais comum e mais barato de estimar o PV de bezerras e novilhas leiteiras é a fita torácica de pesagem. Este método consiste em uma fita de medição que é colocada em torno da circunferência do tórax do animal. O perímetro torácico corresponde a um PV estimado a partir de medidas de novilhas em fazendas comerciais na Pensilvânia (EUA) (Heinrichs e Hargrove, 1987). Estudos anteriores investigaram as relações entre várias medidas de crescimento no gado leiteiro para predizer o peso vivo. Heinrichs et al. (1992) encontraram que a largura do traseiro era uma das medidas mais relacionadas ao PV e que não era influenciada pela condição corporal. Recentemente, o hipômetro (Hipometer, Dairy Innovations, Alexander, NY) tem sido desenvolvido para estimar o PV pela largura entre junção dos quadris entre os trocanteres do fêmur (Skidmore, 2001). O hipômetro consiste em 2 braços que se abrem em torno dos trocanteres do fêmur (Figure1). Baseado

2 na largura entre os braços, o PV pode ser estimado. Embora a fita para perímetro torácico tenha sido validada extensivamente com resultados publicados (Heinrichs and Hargrove, 1987), não existem publicações validando o método do hipômetro ou a comparação direta entre os dois métodos de predição de PV. Figura 1. Representação diagramática do local em que o hipômetro é colocado nos trocanteres dos fêmures esquerdo e direito para estimar PV em novilhas. Assim, Dingwell et al. (2006) avaliaram o hipômetro e a fita torácica de pesagem para predição do PV de novilhas Holandesas em comparação ao peso medido em balança eletrônica, bem como estudaram as fontes de erros entre a fita e o hipômetro em relação à balança. Material e Métodos Foram utilizadas novilhas Holandesas de 3 rebanhos de centros de pesquisa associados com a universidade de Guelph (Elora, Kemptville e Ponsonby Research Stations), e a Shur Gain Research, em Burford, Ontário. Estas bezerras e novilhas variaram entre 1 semana a 24 meses de idade, eram criadas em diferentes tipos de instalação (casinha, piquete ou loosing housing) e recebiam dieta baseada em programa de alimentação formulado de acordo com o NRC, de acordo com a idade.

3 Os dados foram coletados durante uma ou mais visitas a cada fazenda para maximizar os dados coletados. Uma visita repetida foi realizada em uma única fazenda, onde existiu a possibilidade de reavaliar novilhas em idade mais avançada do grupo inicial avaliado. Os animais eram pesados individualmente em balança eletrônica, calibradas anualmente, como parte de um procedimento padrão. As novilhas tinham então o peso estimado utilizando-se a fita torácica de pesagem (Nasco, Ft.Atkinson, WI) e o hipômetro (Dairy Innovations). A utilização do hipômetro era realizada por uma pessoa diferente, que não tinha qualquer conhecimento das medições anteriores com os outros métodos. Os braços eram colocados sobre o trocanter dos fêmures esquerdo e direito do animal (Figura 1). O peso foi registrado de acordo com a largura da abertura dos braços do compasso pela leitura direta no aparelho (Skidmore, 2001). Para comparação de médias, as 311 observações foram agrupadas em 1 de 8 categorias por idade: <3 meses, 3 a <6 meses, 6 a <9 meses, 9 a <12 meses, 12 a <15 meses, 15 a <18 meses, 18 a <21 meses e >21 meses. Os valores de peso médio e medidas associadas da variação para cada um dos 3 métodos foram calculados usando SAS (PROC UNIVARIATE, MEIOS de PROC, SAS, V. 8.1; SAS Institute, ) para o total e para cada categoria da idade. Resultados e Discussão Os resultados dos pesos médios são sumarizados na Tabela 1. A média de peso para todos os animais foi de 261±124kg. Não houve diferenças significativas entre este peso e os pesos médios totais medidos pela fita ou hipômetro (254±123 kg e 258±118 kg, respectivamente). Nas avaliações através dos grupos de idade diferentes, foram observadas diferenças entre os métodos de avaliação de peso vivo nas categorias de idade < 3 e entre 18 e 21 meses (Tabela 1). Para bezerras com menos de 3 meses de idade, a estimação do PV pela fita torácica foi significativamente diferente do peso encontrado pela balança eletrônica (58 e 74 kg, respectivamente), o que não ocorreu com hipômetro. Para novilhas entre 18 e 21 meses, os pesos médios estimados pelo hipômetro (544 kg) e pela fita torácica (554 kg), foram significativamente diferentes do peso médio da balança (598 kg). Tabela 1. Comparação de medidas de PV usando balança eletrônica, fita torácica de pesagem e hipômetro para diferentes grupos de idade de 311 novilhas Holandesas.

4 a,bp>0,05 Para a maioria das medidas de peso, o método de medida indireta não diferiu da medida direta. Nas bezerras com menos de 3 meses de idade os valores obtidos através da fita torácica foram significativamente menores que aqueles obtidos com a balança eletrônica, sugerindo mais estudos para o uso da fita torácica em animais muito jovens ou ainda a adaptação desta ferramenta de manejo. Para novilhas entre 18 e 21 meses, o hipômetro e a fita torácica subestimaram os pesos, o que pode ter sido influenciado por um número limitado de medições realizadas neste grupo. Entretanto, não houve diferença significativa entre os métodos, sugerindo que o hipômetro pode ser usado como um método para estimar o PV de bezerras e novilhas Holandesas. Os coeficientes de correlação entre os pesos do hipômetro x balança eletrônica e da fita torácica x balança eletrônica foram altos A dispersão dos dados para o hipômetro x balança eletrônica e da fita torácica x balança eletrônica são mostradas nas Figuras 2 e 3, respectivamente. Uma relação linear padrão foi observada, com variação notável para cada medida acima de 500 kg. Os valores da correlação da concordância entre o hipômetro e balança eletrônica e a fita e balança eletrônica foram de 0,98 e 0,99, respectivamente.

5 Coeficientes de correlação para o hipômetro e a fita torácica quando comparados com a pesagem em balança eletrônica foram bastante elevados. Quando agrupados por idade, os coeficientes continuaram altos, sugerindo que o hipômetro e a fita torácica apresentavam-se próximos da pesagem em balança eletrônica. A elevada concordância nos valores da correlação para os métodos indiretos, quando comparados com a balança, sugere que havia poucas observações para uma linha de 45 perfeita. No grupo entre 18 e 21 meses de idade, os valores da concordância para o hipômetro e a fita torácica caíram drasticamente, sugerindo muita variação. É relevante ressaltar que a maioria das novilhas nesta categoria era de uma única estação experimental, indicando que fatores específicos desse rebanho relacionados com nutrição, condição corporal, genética podem resultar nestas diferenças. Os resultados obtidos pelo hipômetro e pela fita torácica correspondem com resultados obtidos por pesagem eletrônica. O método da fita torácica tem sido amplamente validado e utilizado (Heinrichs & Hargrove, 1987). Pelo fato dos resultados do hipômetro apresentarem também alta correlação às pesagens em balança eletrônica, ele é aparentemente um outro método útil para estimar o PV de novilhas Holandesas indiretamente.

6 É de conhecimento de todos que a fita torácica está mais disponível para as fazendas leiteiras do que as balanças eletrônicas. Além disso, é o método mais barato entre os métodos disponíveis e pode ser utilizado em vacas. Entretanto, o método da fita torácica envolve ainda contato muito próximo com o animal. Em algumas situações, este processo pode ser inconveniente, consumir muito tempo e ainda apresentar perigo. Adicionalmente, medidas torácicas podem ser de difícil execução e mudanças na posição do animal durante a medição podem afetar os resultados. O hipômetro requer muito menos contato com o animal e uma vantagem do método é sua facilidade de utilização. O operador pode caminhar num corredor num sistema tie-stall ou atrás dos animais realizando pesagens com rapidez e facilidade. Similar à fita torácica, o interesse em usar o hipômetro é a variação associada com as diferentes forças e pressões ao aplicar o dispositivo. É importante enfatizar que o hipômetro deve ser usado com uma quantidade apropriada de pressão no compasso, que é determinado por uso repetido e periódico. É também importante que os copos nos braços do hipômetro estejam colocados na posição correta sobre o trocanter dos fêmures da esquerda e direita. Neste estudo, os técnicos foram treinados na colocação e na calibração da haste. Uma outra limitação do hipômetro é que ele não é calibrado ou fabricado para animais grandes como vacas em lactação, sendo que a escala não estende além de 700 kg. Conclusões A pesagem de bezerras e novilhas em balança eletrônica é o método com maior acurácia para obtenção do peso vivo. Entretanto, quando não se tem disponibilidade de balança, métodos indiretos são necessários. O hipômetro apresentou resultados bastante similares ao método da fita torácica e balanças eletrônicas para medidas de peso de novilhas de varias idades. A correlação das medidas entre todos os 3 métodos foi elevada, e aceitável para animais entre 3 a 15 meses de idade. O hipômetro pode ser um método alternativo para estimar o peso vivo de novilhas holandesas. Entretanto, estudos adicionais para validar este método são incentivados, particularmente nas novilhas com menos de 3 meses de idade e para animais em produção.

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