PLANO DE NEGÓCIOS PARA ABERTURA DE UMA LOJA DE LINGERIE

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1 LUCIANA VON MUHLEN DA SILVA Trabalho de Conclusão de Estágio PLANO DE NEGÓCIOS PARA ABERTURA DE UMA LOJA DE LINGERIE Trabalho desenvolvido para o Estágio Supervisionado do Curso de Administração do Centro de Ciências Sociais Aplicadas - Gestão da Universidade do Vale do Itajaí. ITAJAÍ SC, 2008

2 Meus Agradecimentos: Agradeço a Deus pelo privilégio concedido a mim ao permitir-me a conclusão deste curso; À minha querida mãe Eli Von Muhlen pelo incentivo, carinho, dedicação e ajuda ao longo desse caminho; Ao meu amado esposo Alois Max Wagner pela compreensão, por acreditar no meu potencial, pelo amor, carinho e dedicação; Ao meu bebê que está a caminho, que estava esperando a mamãe se formar para vir a este mundo; Agradeço também a amiga Brenda Wojciechowski Rodrigues, pelo aconchego nas horas difíceis, pelo carinho e pelas risadas. Por fim, agradeço aos professores Edemir Manoel dos Santos, Clóvis Demarchi e a professora Antônia Egídia de Souza minha orientadora, pela orientação, incentivo e atenção dispensada. Então, lhes deixo um Muito Obrigado, com a certeza que nada foi em vão!

3 Agradeço todas as dificuldade que enfrentei; não fosse por elas, eu não teria saído do lugar... As facilidades nos impedem de caminhar. Mesmo as críticas nos auxiliam muito. Chico Xavier

4 4 EQUIPE TÉCNICA a) Nome do estagiário Luciana Von Muhlen da Silva b) Área de estágio Administração Geral c) Supervisor de campo Edemir Manoel dos Santos d) Orientador de estágio Prof. Antônia Egidia de Souza e) Responsável pelos Estágios em Administração Prof. Eduardo Krieger da Silva, MSc

5 5 DADOS DE IDENTIFICAÇÃO DA EMPRESA a) Razão social Universidade do Vale do Itajaí UNIVALI Pré-Incubadora de Empresas Univali b) Endereço: Rua: Uruguai, 458 Itajaí SC Bloco 29-4º andar c) Setor de desenvolvimento do estágio Gestão de Projetos d) Duração do estágio 240 horas e) Nome e cargo do supervisor de campo Edemir Manoel dos Santos - Gerencia da Pré-Incubadora f) Carimbo e visto da empresa

6 AUTORIZAÇÃO DA EMPRESA ITAJAÍ, 17 DE NOVEMBRO DE A Pré-Incubadora de Empresas Univali, pelo presente instrumento, autoriza a Universidade do Vale do Itajaí UNIVALI, A PUBLICAR, em sua Biblioteca ou em outros espaços de publicação, o Trabalho de Conclusão de Estágio, executado durante o Estágio Supervisionado pela acadêmica Luciana Von Muhlen da Silva. Edemir Manoel dos Santos Gerencia da Pré-Incubadora

7 RESUMO Este trabalho apresenta um plano de negócios para implantação da loja de lingerie Boldness Moda Íntima. O objetivo foi analisar a viabilidade da instalação de uma loja de moda íntima no município de Itajaí SC. A tipologia do trabalho caracteriza-se como uma proposição de planos com enfoque qualitativo e aporte quantitativo. Para a coleta de dados utilizou fontes primárias e secundárias. As fontes primárias foram por meio de aplicação de questionários e as fontes secundárias análise de informações disponíveis em instituições como: IBGE, SEBRAE. A análise dos dados foi realizada com o auxílio de ferramentas de estatísticas e análise de conteúdo e o plano de negócios foi elaborado através do Software SEBRAE - MG. Com o resultado da pesquisa verificou-se a viabilidade do negócio. Palavras-chave: Empreendedorismo; plano de negócios; moda íntima.

8 LISTA DE ILUSTRAÇÕES Quadro1: Roteiro esquematizado para o projeto do negócio Figuras1: Variáveis que influenciam o ambiente organizacional Figura 2: Componentes do microambiente Figura 3: O processo de construção de cenários industriais Figura 4: Cadeia de Valores Genérica Quadro 2: Matriz SWOT Figura 5: Estratégia Competitiva Quadro 3: Diferenças entre visão e missão Quadro 4: Fornecedores Quadro 5: Variáveis analisadas Quadro 6: Concorrentes de moda íntima em Itajaí Quadro 7: Modelo adaptado da matriz Swot Figura 6: Foto do prédio onde será instalada a loja Quadro 8: Investimento inicial Quadro 9: Projeção de resultados Quadro 10: Relação entre compra e venda... 70

9 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO Problema de Estágio Objetivos Objetivo Geral Objetivos Específicos Aspectos Metodológicos Caracterização da Pesquisa População e amostra Procedimentos e instrumentos de coleta de dados Tratamento e análise dos dados REVISÃO TEÓRICA Empreendedorismo Características e perfil do empreendedor Características das Micro e Pequenas Empresas Plano de Negócios Etapas do plano de negócios Sumário executivo Definição do negócio Equipe gerencial Plano operacional Plano de marketing Plano financeiro PLANO DE NEGÓCIOS PARA ABERTURA DE UMA LOJA DE LINGERIE Caracterização da Organização Histórico do MEU e a Pré- Incubadora de Empresas da Univali Diagnóstico do ambiente Macroambiente Ambiente setorial Entrantes potenciais Fornecedores Compradores Concorrentes... 55

10 Matriz SWOT Sumário Executivo Estrutura da Empresa Gestão e Equipe profissional Mercado potencial As oportunidades Elementos de diferenciação Projeção de vendas Rentabilidade e projeções financeiras Descrição do empreendimento Definição do negócio Localização e infra-estrutura Estrutura legal Gerência e equipe profissional Plano operacional Ações de marketing Produto Preço Promoção Praça Análise Financeira Análise de Investimento CONSIDERAÇÕES FINAIS REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS APÊNDICES...77 Apêndice A Instrumento de coleta de dados...77 Apêndice B Gráfico dos resultados da pesquisa realizada com 100 clientes em potencial...79 Apêndice C Plano de negócios... Erro! Indicador não definido.

11 1 INTRODUÇÃO O mercado está crescendo e os consumidores cada vez mais exigentes, as empresas precisam se adaptar as mudanças para enfrentar a concorrência. Maximizar a qualidade dos produtos e serviços possibilita rentabilidade e estabilidade da organização, desde que ela se adapte as mudanças e busque alternativas inovadoras. Sendo assim, os gestores precisam ser criativos e inovadores para não só se manter no mercado, mas também criar oportunidades. Muitas vezes o gestor de uma empresa não é empreendedor, não arrisca, não inova, e isso faz muitas vezes perder o seu espaço no mercado. Em função desse novo contexto tem surgido no meio acadêmico e empresarial o debate sobre o fenômeno empreendedor. É relevante destacar que esse debate tornou-se fundamental, porque o empreendedor é capaz de identificar e desenvolver oportunidades de mercado. As oportunidades de mercado são percebidas pelos empreendedores através de algumas técnicas, entre elas o plano de negócios. O plano de negócios é fundamental na hora de determinar os recursos necessários para abrir uma empresa. Ele permite analisar a situação atual e então formular aonde quer chegar, levando em consideração o ambiente interno e externo o qual as organizações estão expostas. O plano deve ser seguido sempre, mas nos primeiros anos de vida tem-se que ter uma atenção especial, para que o negócio se fortaleça. Este trabalho, foi elaborado com um plano de negócios do software SEBRAE- MG, e desenvolvido dentro do MEU- Movimento Empreendedor da Univali, o qual possibilita o desenvolvimento de projetos incubados. Nesse sentido, é imprescindível que haja um administrador empreendedor na organização para aproveitar as oportunidades sem medo de errar, pois muitos administradores não são empreendedores o que faz com que muitas empresas não evoluam e podem até quebrar. A atualização permanente e aperfeiçoamento dos conhecimentos e atitudes, acerca de novos métodos e técnicas para inovar podem significar muito e até tornar uma pequena empresa em uma grande empresa. Diante desse contexto a proposta de estágio é desenvolver um plano de negócios para a abertura de uma loja de lingerie.

12 Problema de Estágio No Brasil a mortalidade das micro e pequenas empresas tem sido alvo de análise e discussão no meio acadêmico e empresarial. As causas de fracasso, segundo especialistas como Dolabela (1999), Dornelas (2001) são: incompetência gerencial, inexperiência em gerenciamento, localização errada, entre outras. Diante dessas colocações, percebe-se a necessidade de um plano de negócios para iniciar um empreendimento. O plano de negócios nada mais é do que o mapa dos caminhos do empreendimento para o empreendedor acompanhar e auxiliar o desenvolvimento e crescimento de sua empresa. Dornelas (2001), afirma que plano de negócios é um documento usado para descrever um empreendimento e o modelo de negócio que será seguindo na empresa. Acrescenta-se ainda que o plano de negócios busca minimizar erros e melhorar o desempenho das empresas. Diante das questões destacadas acima o problema de estudo que se estabelece é o seguinte: quais são as variáveis que se deve analisar para a abertura de uma loja de lingerie? E quais são os fatores críticos de sucesso? 1.2 Objetivos Objetivo Geral O presente trabalho de conclusão de curso teve como objetivo geral, elaborar um plano de negócios para a implantação da empresa Boldness Moda Íntima Objetivos Específicos Realizar um diagnóstico do ambiente. Definir o negócio. Estabelecer missão e visão. Definir ações de marketing.

13 13 Definir plano de Recursos Humanos. Definir plano financeiro. 1.3 Aspectos Metodológicos Nesta parte do trabalho serão apresentados os aspectos metodológicos contemplados pelos seguintes itens: caracterização da pesquisa, contexto e participantes, procedimentos e instrumentos de coleta de dados e por fim, tratamento e análise dos dados Caracterização da Pesquisa Para a proposta do presente trabalho a tipologia mais recomendada é a proposição de planos. A proposição de plano tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas encontrados, e contribuir com o conhecimento científico. De acordo com Roesch (1999, p. 75), são considerados estudos constantes nesta categoria as propostas, sistemas, manuais e programas. Tendo definido o plano é possível partir para a abordagem a ser utilizada que foi qualitativo com aporte quantitativo. Segundo Richardson é possível afirmar sobre a análise qualitativa que: [...] os estudos que empregam uma metodologia qualitativa podem descrever a complexidade de determinado problema, analisar a interação de certas variáveis, compreender e contribuir no processo de mudança se determinado grupo e possibilitar, em maior nível de profundidade, o entendimento das particularidades do comportamento dos indivíduos. (RICHARDSON, 1999, p.80). Em suma, este estudo é uma pesquisa qualitativa com aporte quantitativo, que se concretizou por meio de uma proposição de planos, o qual foi um plano de negócios para a implantação de uma loja de moda íntima na cidade de Itajaí-SC População e amostra A população participante do estudo se constitui de potenciais clientes. Para Pries (2007) população é o conjunto de pessoas que residem em determinado território, que pode ser uma cidade, um estado, um país ou mesmo o planeta como

14 14 um todo. Ela pode ser classificada segundo sua religião, nacionalidade, local de moradia e atividade econômica, a população tem seu comportamento e suas condições de vida retratada através de indicadores sociais. Segundo dados da SEMI (2007), no Município de Itajaí são habitantes, sendo que o número de mulheres é de e de homens Para Gil (2002), o tamanho da amostra adequada para um nível de confiança de 95%, neste caso, pode ser apresentado através do cálculo da amostra (n = 1x50x50/5²), considerando uma margem de erro de +/- 10% tem-se uma amostra de 100 participantes, todas do sexo feminino, considerando este o público alvo da proposta Procedimentos e instrumentos de coleta de dados No caso especifico desse trabalho a coleta os dados ocorreu de duas formas: fontes primárias e fontes secundárias. Para Mattar (2000, p. 48), as fontes primárias são aquelas que são coletados pela primeira vez, enquanto os secundários já serviam a outros objetivos e serão utilizados para melhorar o entendimento da pesquisa, ou dar-lhe o apoio necessário. Nesse sentido, para o propósito do trabalho utilizou-se questionário para identificar os potenciais clientes. Esse tipo de instrumento favorece a coleta de dados, garantindo ao pesquisador maior flexibilidade e permitindo que aproveite melhor a resposta dos questionados, já que conforme Richardson (1999, p. 68), a coleta de dados tem como objetivo a obtenção da realidade que se deseja pesquisar. E para as fontes secundárias utilizaram-se documentos de instituições como: IBGE, SEBRAE, CDL, Banco Central, Jornal Gazeta mercantil, Revista Conjuntura econômica Tratamento e análise dos dados Para o tipo de trabalho que se realizou as técnicas de análise de dados mais adequadas são de dois tipos: análise de conteúdo e técnicas estatísticas. Para tratar os dados secundários à melhor alternativa para análise dados é a análise de conteúdo, que na visão de Roesch (1999) permite investigar o tema em profundidade. A segunda possibilidade é fazer uso dos métodos estatísticos que na

15 15 visão Roesch (1999) essa técnica é usada para tratar dados quantitativos. A abordagem quantitativa será usada para realizar pesquisa com os clientes em potenciais.

16 2 REVISÃO TEÓRICA Este capítulo fundamenta a pesquisa baseado na concepção de vários autores sobre empreendedorismo e plano de negócios. 2.1 Empreendedorismo O processo pelo qual as pessoas iniciam e desenvolvem um negócio é conhecido como empreendedorismo. Esse conceito é muito mais amplo e aborda vários aspectos, tendo como base a antecipação dos fatos e a visão futura do negócio. Na visão de Dolabela (1999, p. 40), o empreendedorismo trata-se de um fenômeno cultural, ou seja, ele é o resultado dos hábitos, práticas e valores das pessoas. Pode-se dizer que existe pessoas com maior tendência empreendedora do que outras. A questão levantada na pesquisa é que se pode aprender a ser empreendedor a partir da convivência com outros empreendedores, ou seja, através de rede de relacionamentos. Dentro do mesmo enfoque Dornelas (2001, p. 23) afirma que em todo o mundo, o interesse pelo empreendedorismo se estende além das ações dos governos nacionais, atraindo também a atenção de muitas organizações multinacionais. Por essa razão, Souza e Guimarães (2006), propõem um desafio de buscar entender as razões que determinam, incentivam ou limitam a ação empreendedora que é de importância, principalmente, para países como o Brasil, que buscam consolidar um processo de desenvolvimento econômico e social sustentável. Chiavenato (2004) relata que o empreendedorismo busca constante por oportunidades, como o custo de pesquisa às vezes é inviável para muitos microempresários é necessário observar a viabilidade do negócio que já se tem em mente ou procurar nichos de mercado e a partir daí desenhar um plano de negócios. O termo empreendedorismo, na visão de Gimenez (2000, p. 10), é o estudo da criação e da administração de negócios novos, pequenos e familiares, e das características e problemas especiais dos empreendedores. Nesse sentido, Dolabela (1999) argumenta que o empreendedorismo utilizado para designar os estudos relativos ao empreendedor, seu perfil suas origens, seu

17 17 sistema de atividades, seu universo de atuação. E o empreendedor é tido como gerador de riquezas, seja na transformação de conhecimento em produtos ou serviços, na geração do próprio conhecimento ou na inovação em outras áreas. Ele também afirma que: [...] o empreendedorismo deve conduzir ao desenvolvimento econômico, gerando e distribuindo riquezas e benefícios para a sociedade. Por estar constantemente diante do novo, o empreendedor evolui através de um processo interativo de tentativa e erro; avança em virtude das descobertas que faz, as quais podem se referir a uma infinidade de elementos, como novas oportunidades, novas formas de comercialização, vendas, tecnologia, gestão etc. (DOLABELA, 1999, p. 45). Segundo pesquisa SEBRAE (2004), a capacidade empreendedora, é formada por atributos como criatividade, perseverança e coragem de assumir riscos no negócio, é condição fundamental de sucesso para empresários e seus negócios. Empreendedorismo envolve liderança, identificação de oportunidades, bem como o aproveitamento dessas para criar riqueza (GIMENEZ, 2000, p. 11). Além disso, quando se fala de empreendedorismo deve-se lembrar de pessoas como Jean-Baptiste Say [1827], que é considerado o pai do empreendedorismo, e o economista austríaco Schumpeter [1934], que relançou as idéias sobre o empreendedor e seu papel no desenvolvimento econômico (DOLABELA, 1999, p. 67). Acrescenta-se ainda que não se pode falar em empreendedorismo sem falar de empreendedores, pois, são estas ações de pessoas que não tem medo inovar e arriscar que possibilitam desenvolvimento para a organização e em conseqüência para a sociedade. E quanto maior o risco do empreendedor, maior será o seu lucro Características e perfil do empreendedor O perfil do empreendedor está relacionado com pessoa que consegue fazer as coisas acontecerem, pois é dotado de sensibilidade para os negócios, tino financeiro e capacidade de identificar oportunidades (CHIAVENATO, 2004, p. 5). Já para Dornelas (2001), o empreendedor possui uma percepção apurada, direção, dedicação e muito trabalho dessas pessoas que fazem toda a diferença no mundo dos negócios.

18 18 Os empreendedores são pessoas diferenciadas, que possuem motivação, e são apaixonadas pelo que fazem não se contentam em ser mais um na multidão, querem ser reconhecidas e admiradas, referenciadas e imitadas, querem deixar um legado (DORNELAS, 2001). Sendo assim, para Souza e Guimarães (2006), o empreendedor precisa inovar para ser competitivo, é uma forma de inserção na sociedade. Esse perfil é interpretado como o líder é que orienta estrategicamente, e não mais controlar, mas sim, desenvolver potenciais pessoais e profissionais de cada membro da organização É oportuno lembrar que, o fato de ser um empresário não quer dizer necessariamente que é um empreendedor, pois o empreendedor tem um perfil inovador, e esta sempre criando uma nova situação para sua empresa ou trabalho, enquanto o empresário está mais preocupado com os aspectos operacionais da administração do negócio (SOUZA e GUIMARÃES, 2006).. Para McClelland (apud SOUZA e GUIMARÃES, 2006, p. 17) há algumas características essenciais do empreendedor como: buscar oportunidades, correr riscos, criatividade, iniciativa, inovação, liderança, necessidade de realização e proatividade. Desta forma, o autor descreve o empreendedor como sendo fundamental para criar oportunidade e para abertura de novos negócios. Já para Malheiros, Ferla e Cunha (2003), as características básicas do empreendedor é ter iniciativa, persistência, especialização, persuasão e capacidade de assumir riscos, os empreendedores não fogem aos obstáculos. Imaginam caminhos novos, diferentes; mudam ou criam valores (MALHEIROS, FERLA e CUNHA, 2003, p.22). De acordo com Tachizawa e Faria (2002, p.26), empreendedores são pessoas que fazem a diferença, que realizam que fazem acontecer, que desenvolvem sua capacidade de superar limites. Acrescenta-se ainda que para Malheiros, Ferla e Cunha (2003, p. 22), empreendedores são pessoas capazes de sonhar e transformar sonhos em realidade. Identificam oportunidades, agarram-nas, buscam recursos e transformam tais oportunidades em negócios. Nem todas as pessoas têm capacidades de gerar idéias e implantá-las. Outros têm muitas idéias e não tem oportunidade de expor as idéias existentes, sendo que a liberação da criatividade dos empreendedores pode ser considerada um dos recursos mais eficientes para a produção de bens e serviços, pelo qual se podem solucionar os problemas sócio-econômicos de um país (DEGEN, 1989).

19 19 É fácil notar a importância do empreendedor para a economia de um país. De acordo com Degen (1989), ele é a peça fundamental na construção de riqueza e garante, à medida que produz e oferece serviços e o bem estar da sociedade. Nesse sentido, para que um empreendimento tenha êxito é necessário um conjunto de fatores, que envolve o entendimento do empreendedor de todo o processo gerencial, bem como um nível de conhecimento que lhe permita conduzir as atividades gerenciais necessárias ao negócio (TACHIZAWA e FARIA, 2002) Características das Micro e Pequenas Empresas Ao analisar as mudanças tributárias, efetuadas pelo governo pode-se identificar um cenário obscuro para as micro e pequenas empresas. O principal motivo da maioria dos fechamentos das empresas envolve questões trabalhistas e fiscais. Os empresários, em diversas ocasiões, ficam em dúvida entre enfrentar os constantes e maciços aumentos de tributos, omitirem informações ao fisco ou migrar definitivamente para a informalidade (PRIESS, 2007). Segundo Dolabela (1999), na década de oitenta com a redução do ritmo de crescimento da economia, aumentou o nível de desemprego, os pequenos negócios passaram a ser considerados uma alternativa para mão de obra excedente, fazendo surgir ao final da década novas formas e mais concretas para incentivar a abertura de micro e pequenas empresas na economia. Pesquisa SEBRAE (2004) revela que anualmente são formadas no Brasil em torno de 470 mil novas empresas. Dados desta mesma pesquisa apresentam taxa de mortalidade de 49% para empresas com até dois anos de existência, 56,4% para empresas com até três anos de existência, e 59,9% para empresas com até quatro anos de existência. As empresas nascentes, mesmo outras que desejam se expandir, um desejo natural de muitos brasileiros, acaba se debatendo com um número elevado de impostos e a não menos absurda burocracia. O que se vê é que uma empresa, sediada em qualquer parte do país, é obrigada a arcar, no mínimo, com quatro impostos federais (PIS, Cofins, Contribuição Social e Imposto de Renda), além de outros estaduais (como o ICMS) e municipais (ISS, por exemplo), somando oito tributos, sem incluir outras taxas (PRIESS, 2007).

20 20 Para Motta (2000), a diversidade de critérios utilizados pelas instituições que regulamentam e tributam as MPEs causam complicações para os empreendedores. Isso porque as empresas recebem incentivos do Governo Federal, Estadual e Municipal, porém os critérios adotados são diferentes para cada uma. Sendo assim, frequentemente uma microempresa para fins de IR (imposto de Renda) não se enquadra nos limites de isenção do ISS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e sobre Prestação Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação), ou seja, é considerada microempresa para o governo federal, mas não para o governo estadual. A lei (n , de 30 de dezembro de 1991), descreve o incentivo e facilidade operacional das empresas de pequeno porte. A organização é considerada microempresa aquela cujo faturamento anual não ultrapasse o valor de Ufir (Unidade Fiscal de Referencia), ou R$ ,00 (cento e vinte mil reais), ou outro limite que venha a ser alterado por nova lei (CHIAVENATO, 2004, p.47). De acordo com Tachizawa e Faria (2002), o número de microempresas cresceu muito e representava em 2002, 97% das novas organizações abertas no país. Esse número é representativa, e expressa a alteração do cenário econômico, onde a freqüência com que ocorre é intensa. Além disso, uma das tendências mais significativas para os próximos anos são as grandes organizações tornarem-se obsoletas. Eles afirmam que elas poderão ser grandes demais para serem administradas, para mudarem e para se adaptarem às novas regras de produtividade e eficácia empresarial (TACHIZAWA e FARIA, 2002, p.11). Dentro dessa linha de pensamento, Cunha e Ferla (1997) afirmam que as razões para o crescimento das micro, pequenas e médias empresas são muitas, além da inatividade das grandes empresas. Entre os fatores citados estão às mudanças de comportamento dos indivíduos, caracterizado pelo constante crescimento e diversidade da sociedade; a mudança nas indústrias devido à revolução da tecnologia, a falência do setor público e estatal, eliminando os empregos; e a própria mentalidade do brasileiro, que sonha em abrir o seu próprio negócio. O crescimento acelerado das MPEs é altamente benéfico. Os argumentos em favor dessas organizações têm aumentado consideravelmente em razão da

21 21 fragmentação do mercado em nichos e segmentos de clientes (TACHIZAWA e FARIA, 2002). O empreendedor surge como estimulo ao desenvolvimento econômico e social do país, pois ele é o mecanismo acionador dos processos que deverão encadear uma serie de ações e transformações e que é muito provável que esse processo inicie com micro e pequenas empresas (DOLABELA, 1999). A tendência atual é o oferecimento de produtos e serviços customizados, visando à total satisfação dos clientes. 2.2 Plano de Negócios Para iniciar e desenvolver um negócio é necessário o planejamento, uma das mais importantes atividades do empreendedor. É no plano de negócios que a organização define aonde ela quer chegar e identificar as oportunidades de negócio. Chiavenato (2004, p.127) apresenta algumas orientações relativas ao plano de negócios como: [...] Todos os planos têm um propósito comum: a previsão, a programação e a coordenação de uma seqüência lógica de eventos, os quais se bem sucedidos, deverão conduzir ao alcance do objetivo que se pretende. Geralmente o plano é um curso predeterminado de ação sobre um período especificado de tempo e proporcionam respostas as seguintes questões: o que, quando, como, onde e por quem. Na verdade é uma tomada antecipada de decisões sobre o que fazer, antes de a ação ser necessária. Planejar consiste em simular o futuro desejado e estabelecer previamente os cursos de ação necessários e os meios adequados para atingi-los. Destaca-se também que o plano de negócios é o conjunto de dados e informações sobre o futuro empreendimento, que define suas principais características e condições para proporcionar uma análise da sua viabilidade e dos seus riscos, bem como para facilitar a sua implementação (CHIAVENATO, 2004). Para entender os empreendedores preocupados com o futuro de sua organização, foram criados métodos com o objetivo de facilitar ou sistematizar as informações, de modo que sejam utilizadas para a tomada de decisão estratégica (BIAGIO e BATOCCHIO, 2003). Pauline e Veronez (apud BIAGIO e BATOCCHIO, 2003, p.29), afirmam que a principal razão do fracasso de um empreendimento é a falta de planejamento

22 22 adequado. Para dar vazão e efetivar o processo de planejamento criou-se um importante instrumento de gestão, denominado plano de negócios. O plano de negócios é um documento usado para descrever um empreendimento e o modelo de negócios que o sustenta. Sua elaboração envolve um processo de aprendizagem e auto-conhecimento, e ainda permite ao empreendedor situar-se no ambiente de negócios (DORNELAS, 2001). O plano de negócios para Chiavenato (2004, p. 128) é uma espécie de visualização de uma idéia, um pequeno check list para não deixar passar nada despercebido. Nesse sentido para que um plano de negócios seja eficaz é preciso responder os seguintes questionamentos: 1. Ramo de atividade: Por que escolheu este negócio? 2. Mercado consumidor: Quem são os clientes? O que tem valor para o cliente? 3. Mercado fornecedor: Quem são os fornecedores de insumos e serviços? 4. Mercado concorrente: Quem são os concorrentes? 5. Produto/serviço a serem ofertados: Quais são as características dos produtos/serviços ofertados? Quais são os seus usos menos evidentes? Quais são as vantagens e desvantagens diante dos clientes? Como criar valor para o cliente por meio dos produtos/serviços? 6. Localização: Quais são os critérios para avaliação do local ou do ponto? Qual é a importância da localização para seu negócio? 7. Processo operacional: Como sua empresa vai operar etapa por etapa? (Como fazer?); Como fabricar? Como vender? Como fazer o serviço? Qual trabalho será feito? Quem o fará? Com que material? Com que equipamento? Quem tem conhecimento e experiência no ramo? Como fazem os concorrentes? 8. Previsão de produção, previsão de vendas ou previsão de serviços: Qual é a necessidade e a procura do mercado? Qual é a sua provável capacidade de produção? Qual é a disponibilidade de matérias-primas e de insumos básicos? Qual é o volume de produção/vendas/serviços que você planeja para seu negócio? 9. Análise financeira: Qual é a estimativa de receita da empresa? Qual é o capital inicial necessário? Quais são os gastos com materiais? Quais são os gastos com pessoal de produção? Quais são os gastos gerais de produção? Quais são as despesas administrativas? Quais são as despesas com vendas? Qual é a margem de lucro desejada? Quadro1: Roteiro esquematizado para o projeto do negócio Fonte: CHIAVENATO, 2004, p Antes de montar o negócio, é necessário mapear e obter o perfil dos compradores, fornecedores e concorrentes. Elaborar um plano de negócios com o maior número de detalhes possíveis e verificar sua real viabilidade É fundamental para o sucesso do futuro empreendimento.

23 Etapas do plano de negócios O plano de negócios movimenta todos os dados necessários para montar um negócio e é através dele que se pode identificar onde se está situado no mercado e para onde se quer ir. De acordo com Dornelas (2001), não existe uma estrutura rígida e especifica para a elaboração de um plano de negócios, pois cada negócio possui particularidades e semelhanças, sendo impossível estabelecer um modelo padrão que seja aplicável a qualquer tipo de negócio. Nesse sentido, Biagio e Batocchio (2003) afirmam que não existe um tamanho ou composição ideal de um plano de negócios. Cada empresa deve procurar o que melhor convém, considerando seus objetivos e sua forma de utilização. As etapas que compõem um plano de negócios devem estar ordenadas de forma lógica, a fim de facilitar o seu entendimento. Quanto mais sucinto e claro as etapas melhor a compreensão do leitor. Cabe destacar que um plano de negócios viável deve conter as seguintes etapas: sumário executivo, descrição do negócio análise de mercado, equipe gerencial, plano operacional, plano de marketing e plano financeiro Sumário executivo O sumário executivo é a principal seção do plano de negócios. Ele apresenta ao público alvo os objetivos do plano de negócios e, portanto deve ser claro, revisado várias vezes e deve conter uma síntese do que será apresentado, preparando o leitor e o atraindo para uma leitura com mais atenção e interesse. Segundo Dornelas (2001), o sumário executivo é a principal seção do plano de negócios, deve apresentar uma síntese, preparando o leitor e o atraindo para uma leitura com mais atenção e interesse. De acordo com Biagio e Batocchio (2003), o sumário executivo deve ocupar apenas uma página, sendo composto de partes, e no máximo cinco parágrafos. Na primeira parte deve-se fazer uma apresentação do negócio; na segunda parte, descrever o porquê da empresa ter elaborado o plano; na terceira e última parte, deve-se

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