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1 Ministério da Educação Departamento do Ensino Secundário PROGRAMA DE EDUCAÇÃO FÍSICA 10º Ano Profissionalizante Autores João Jacinto (Coordenador) Lídia Carvalho João Comédias Jorge Mira Agosto 2002

2 Programa elaborado por João Jacinto, João Comédias, Jorge Mira e Lídia Carvalho, a partir da revisão dos programas de Educação Física do Ensino Secundário realizada pelos mesmos autores. 1

3 ÍNDICE 1 - INTRODUÇÃO APRESENTAÇÃO DO PROGRAMA FINALIDADES... 6 Extensão da Educação Física... 7 QUADRO 1- Extensão da Educação Física OBJECTIVOS GERAIS... 9 Objectivos comuns a todas as áreas... 9 Objectivos das áreas de opção VISÃO GERAL DOS CONTEÚDOS - Níveis de especificação e organização curricular QUADRO 2 - COMPOSIÇÃO CURRICULAR SUGESTÕES METODOLÓGICAS AVALIAÇÃO Normas de referência para a definição do sucesso em Educação Física Aspectos Operacionais Ensino Secundário 10º ano profissionalizante RECURSOS DESENVOLVIMENTO DO PROGRAMA ESPECIFICAÇÃO DO PROGRAMA DO 10º ANO PROFISSIONALIZANTE DESENVOLVIMENTO DAS CAPACIDADES MOTORAS CONDICIONAIS E COORDENATIVAS APRENDIZAGEM DOS PROCESSOS DE DESENVOLVIMENTO E MANUTENÇÃO DA CONDIÇÃO FÍSICA APRENDIZAGEM DOS CONHECIMENTOS RELATIVOS À INTERPRETAÇÃO E PARTICIPAÇÃO NAS ESTRUTURAS E FENÓMENOS SOCIAIS EXTRA-ESCOLARES, NO SEIO DOS QUAIS SE REALIZAM AS ACTIVIDADES FÍSICAS ACTIVIDADES FÍSICAS Especificação do Programa Actividades Físicas BIBLIOGRAFIA

4 1 - INTRODUÇÃO A disciplina de Educação Física tem hoje, no quadro organizativo do Sistema Educativo, um papel fundamental no processo de desenvolvimento integral do jovem e adolescente, mantendo-se no currículo dos alunos desde o início até ao fim da escolaridade secundária. Tal facto acarreta para todos os intervenientes neste processo responsabilidades acrescidas, já que os processos de progressão, solidificação e ampliação dos efeitos desta área curricular não podem permanecer indiferentes a esse processo de continuidade. Sem dúvida que existe um conjunto de factores que afectam esse processo, alguns dos quais não são directamente controlados pelos docentes enquanto responsáveis últimos do processo educativo, como é o caso da qualidade e adequação das instalações para a Educação Física. Outros factores não esgotaram ainda todas as possibilidades de potenciar as suas virtualidades e procuram, num processo dinâmico, novas achegas para aumentar os seus contributos para a melhoria e a qualidade da disciplina. Neste caso estão sem dúvida os Programas Nacionais de Educação Física, que se têm vindo a mostrar ajustados e com possibilidades de fazer emergir ainda mais as suas virtualidades, como foi reconhecido pelas várias entidades participantes no processo de revisão curricular. A possibilidade da sua construção integrada, permitindo um processo relativamente estabilizado de articulação vertical e horizontal, forneceu-lhes uma consistência que, aliada a um conjunto de decisões estratégicas e de ampla participação de diferentes sectores do mundo das actividades físicas e desportivas, lhes permitiu atravessar o tempo sem desgaste nem significativa desactualização. Assim sendo, todos os programas que surjam no quadro desta área disciplinar têm, inevitavelmente, de se enquadrar na sua filosofia, sujeitando-se ao quadro global das decisões da sua construção, bem como aos aspectos nele referenciados que, sendo de ordem genérica e transversal aos diferentes programas, devem concorrer de forma idêntica para todo e qualquer programa nesta área. Esta é a decisão básica e estruturante do presente programa, enquadrando-o no conjunto de todos os restantes da área da Educação Física e procurando que se torne mais um elo de 3

5 composição curricular, sofrendo as influências das decisões já anteriormente tomadas, mas igualmente fornecendo novos motivos de reflexão e de enriquecimento. É importante referir que, à semelhança da Educação Física do currículo do Ensino Secundário (cursos gerais e cursos tecnológicos), a Educação Física dos cursos do 10º ano profissionalizante integra também a componente de formação geral da matriz curricular. É neste contexto que se entende que a concepção, o modelo curricular e os princípios e pressupostos de elaboração dos programas nacionais de Educação Física se mantenham neste programa. Nesse sentido, esta disciplina, embora tenha contornos específicos próprios deste curso e da sua organização curricular, deve assumir as mesmas finalidades da Educação Física do Ensino Secundário. Naturalmente que as especificidades do presente curso deverão marcar as decisões mais particulares da sua estruturação, mas essas particularidades deverão assentar no quadro já estabilizado da disciplina e da lógica que presidiu à sua estruturação ao longo dos anos de escolaridade. Assim, este programa não repetirá aspectos que estão já plasmados nos Programas Nacionais de Educação Física, mas remeterá para os mesmos sempre que as orientações agora sugeridas tenham por base decisões tomadas para os referidos Programas. Sempre que for caso disso, introduzirá as especificidades, alertando para os aspectos globais que deverão ser equacionados para melhor interpretação deste programa. Naturalmente que o presente curso não pode ganhar foros de marginalidade na organização global da disciplina e no conjunto de decisões tomadas pelo Grupo de Educação Física. Pelo contrário, os seus aspectos particulares devem ser objecto de atenção especial, garantindo-lhe eventuais meios que melhor possam contribuir para o sucesso duma população escolar com especificidades marcadas. Assim, um dos aspectos particulares mais relevantes deste curso é, sem dúvida, a possibilidade muito forte de os jovens concluírem neste ano a sua escolaridade. É neste contexto que a promoção do gosto pela prática regular de actividade física, no sentido de um estilo de vida activo, se assume, neste programa, como uma prioridade essencial. Realce-se aqui a primeira finalidade da Educação Física, transcrita adiante, que, na perspectiva da Saúde e bem-estar, considera a aprendizagem dos conhecimentos relativos aos processos de elevação e/ou manutenção da Aptidão Física e o desenvolvimento de uma atitude positiva face à prática regular de actividade física, bem como a promoção de hábitos 4

6 e conhecimentos que lhes permitam continuar o processo de desenvolvimento das capacidades físicas até aí conseguido, para além da permanência na escola (educação permanente). Igualmente pelas características especiais que, eventualmente, possa ter a população-alvo destes cursos, e na perspectiva da promoção do gosto pela actividade física atrás referida, bem como de uma atitude positiva e favorável face à escola, prescreve-se que os alunos possam seleccionar e praticar actividades das suas preferências, respeitando uma matriz que garanta os benefícios variados próprios de uma Educação Física ecléctica. 5

7 2 - APRESENTAÇÃO DO PROGRAMA FINALIDADES Visando a Aptidão Física, na perspectiva da melhoria da qualidade de vida, Saúde e bemestar: - consolidar e aprofundar os conhecimentos e competências práticas relativos aos processos de elevação e manutenção das capacidades motoras; - alargar os limites dos rendimentos energético-funcional e sensório-motor, em trabalho muscular diversificado, nas correspondentes variações de duração, intensidade e complexidade. Favorecer a compreensão e aplicação dos princípios, processos e problemas de organização e participação nos diferentes tipos de actividades físicas, na perspectiva da animação cultural e da educação permanente, valorizando, designadamente: - a ética e o espírito desportivo; - a responsabilidade pessoal e colectiva, a cooperação e a solidariedade; - a consciência cívica na preservação das condições de realização das actividades físicas, em especial a qualidade do ambiente. Reforçar o gosto pela prática regular das actividades físicas e aprofundar a compreensão da sua importância como factor de Saúde ao longo da vida e componente da cultura, quer na dimensão individual, quer social. - Assegurar o aperfeiçoamento dos jovens nas actividades físicas da sua preferência, de acordo com as suas características pessoais e motivações, através da formação específica e opcional, num conjunto de matérias que garanta o desenvolvimento multilateral e harmonioso da Aptidão Física, considerando nesse conjunto os diferentes tipos de actividades físicas: - as actividades físicas desportivas nas suas dimensões técnica, táctica, regulamentar e organizativa; - as actividades físicas expressivas (danças), nas suas dimensões técnica, de composição e interpretação; - as actividades físicas de exploração da natureza, nas suas dimensões técnica, organizativa e ecológica; - os jogos tradicionais e populares. 6

8 Extensão da Educação Física No quadro 1 estão representadas as sub-áreas que caracterizam os diferentes tipos de actividades, em cada uma das áreas definidas pelas finalidades. Identificam-se também as matérias dentro dessas áreas e/ou sub-áreas, considerando as formas típicas das habilidades, os regulamentos, a constituição de grupos e as qualidades biológicas e psicológicas solicitadas. Algumas áreas surgem com maior discriminação do que outras, o que resulta não só da sistematização teórica das actividades físicas, mas também das correcções introduzidas após se considerarem os critérios de exequibilidade e desenvolvimento da Educação Física. 7

9 JOGOS DESPORTIVOS COLECTIVOS Futebol Voleibol Basquetebol Andebol Corfebol Râguebi Hóquei em campo Softebol/Basebol QUADRO 1- Extensão da Educação Física 1. ACTIVIDADES FÍSICAS DESPORTIVAS GINÁSTICA ATLETISMO RAQUETAS COM- BATE Solo Aparelhos Rítmica Acrobática Corridas Saltos Lançamentos Badminton Ténis Ténis de Mesa PATINA- GEM NATA- ÇÃO ACTIVIDADES JOGOS RÍTMICAS TRADICIONAIS EXPRESSIVAS E POPULARES Luta Patinagem Natação Dança Moderna Infantis Judo Artística Danças Outros Hóquei Tradicionais Corridas Portuguesas Danças Sociais Aeróbica 4. ACTIVIDADES EXPLORA- ÇÃO NATUREZA Orientação Montanhismo/ Escalada Vela Canoagem etc. A. DESENVOLVIMENTO DAS CAPACIDADES MOTORAS CONDICIONAIS E COORDENATIVAS B. APRENDIZAGEM DOS PROCESSOS DE DESENVOLVIMENTO E MANUTENÇÃO DA CONDIÇÃO FÍSICA C. APRENDIZAGEM DOS CONHECIMENTOS RELATIVOS À INTERPRETAÇÃO E PARTICIPAÇÃO NAS ESTRUTURAS E FENÓMENOS SOCIAIS EXTRA-ESCOLARES, NO SEIO DOS QUAIS SE REALIZAM AS ACTIVIDADES FÍSICAS 8

10 2.2 - OBJECTIVOS GERAIS O conjunto destes objectivos sintetiza as competências a desenvolver e aparece organizado em dois sub-conjuntos: um que traduz os objectivos transversais a todas as áreas e actividades da Educação Física, e outro relativo às áreas e sub-áreas de opção dos alunos (ver cap Visão Geral dos Conteúdos). Objectivos comuns a todas as áreas 1. Participar activamente em todas as situações e procurar o êxito pessoal e do grupo: - relacionando-se com cordialidade e respeito pelos seus companheiros, quer no papel de parceiros quer no de adversários; - aceitando o apoio dos companheiros nos esforços de aperfeiçoamento próprio, bem como as opções do(s) outro(s) e as dificuldades reveladas por ele(s); - interessando-se e apoiando os esforços dos companheiros com oportunidade, promovendo a entreajuda para favorecer o aperfeiçoamento e satisfação própria e do(s) outro(s); - cooperando nas situações de aprendizagem e de organização, escolhendo as acções favoráveis ao êxito, segurança e bom ambiente relacional na actividade da turma; - apresentando iniciativas e propostas pessoais de desenvolvimento da actividade individual e do grupo, considerando as que são apresentadas pelos companheiros com interesse e objectividade; - assumindo compromissos e responsabilidades de organização e preparação das actividades individuais e/ou de grupo, cumprindo com empenho e brio as tarefas inerentes; - combinando com os companheiros decisões e tarefas de grupo com equidade e respeito pelas exigências e possibilidades individuais. 2. Analisar e interpretar a realização das actividades físicas seleccionadas, aplicando os conhecimentos sobre técnica, organização e participação, ética desportiva, etc. 3. Conhecer e interpretar os factores de Saúde e risco associados à prática das actividades físicas e aplicar as regras de higiene e de segurança. 9

11 4. Conhecer e aplicar diversos processos de elevação e manutenção da condição física de uma forma autónoma no seu quotidiano, na perspectiva da Saúde, qualidade de vida e bem-estar. 5. Elevar o nível funcional das capacidades condicionais e coordenativas gerais, particularmente de resistência geral de longa e média durações, da força resistente, da força rápida, da flexibilidade, da velocidade de reacção simples e complexa, de execução, de deslocamento e de resistência, e das destrezas geral e específica. Objectivos das áreas de opção 6. Cooperar com os companheiros para o alcance do objectivo dos Jogos Desportivos Colectivos, realizando com oportunidade e correcção as acções técnico-tácticas, em todas as funções, conforme a posição em cada fase do jogo, aplicando as regras não só como jogador mas também como árbitro. 7. Compor, realizar e analisar esquemas individuais e em grupo da Ginástica (Acrobática, Solo, Aparelhos ou Rítmica), aplicando os critérios de correcção técnica, expressão e combinação das destrezas, e apreciando os esquemas de acordo com esses critérios. 8. Realizar e analisar, em equipa, provas combinadas do Atletismo (saltos, lançamentos, corridas e marcha), cumprindo correctamente as exigências técnicas e do regulamento, não só como praticante mas também como juiz. 9. Apreciar, compor e realizar sequências de elementos técnicos da Dança em coreografias individuais e de grupo, correspondendo aos critérios de expressividade, de acordo com os motivos das composições. 10. Realizar com oportunidade e correcção as acções técnico-tácticas de Jogos de Raquetas, garantindo a iniciativa e ofensividade em participações individuais e a pares, aplicando as regras não só como jogador mas também como árbitro. 11. Realizar com oportunidade e correcção as acções do domínio de oposição em Jogo formal de Luta ou Judo, utilizando as técnicas de projecção e controlo, com oportunidade e segurança (própria e do opositor) e aplicando as regras, quer como executante quer como árbitro. 12. Utilizar adequadamente os patins, em combinações de deslocamentos e paragens, com equilíbrio e segurança, em composições rítmicas individuais e a pares (Patinagem 10

12 Artística), cooperando com os companheiros nas acções técnico-tácticas em jogo de Hóquei em Patins, ou em situação de Corrida de Patins. 13. Praticar jogos tradicionais populares de acordo com os padrões culturais característicos. 14. Realizar actividades de exploração da natureza, aplicando correcta e adequadamente as técnicas específicas, respeitando as regras de organização, participação e especialmente de preservação da qualidade do ambiente. 15. Deslocar-se com segurança no meio aquático, coordenando a respiração com as acções propulsivas específicas das técnicas seleccionadas. 11

13 2.3 - VISÃO GERAL DOS CONTEÚDOS - Níveis de especificação e organização curricular O conteúdo de cada uma das matérias encontra-se no Programa Nacional de Educação Física, especificado em três níveis: - Introdutório, onde se incluem as habilidades, técnicas e conhecimentos que representam a aptidão específica ou preparação de base ( fundamentos ); - Elementar, nível em que se discriminam os conteúdos que representam o domínio (mestria) da matéria nos seus elementos principais e já com carácter mais formal, relativamente aos modelos de prática e organização da actividade referente; - Avançado, que estabelece os conteúdos e formas de participação nas situações típicas da actividade referente, correspondentes ao nível superior que poderá ser atingido no âmbito da disciplina de Educação Física. Preconiza-se um regime de opções no seio do curso, de modo que cada aluno possa aperfeiçoar-se nas seguintes matérias (conforme os objectivos gerais): duas ou uma de Jogos Desportivos Colectivos, duas ou uma da Ginástica ou da Dança ou da Patinagem ou do Atletismo, uma de Desportos de Combate ou de Desportos de Raquetas, uma de Outras (Actividades de Exploração da Natureza, Natação, etc.). ÁREAS E SUB-ÁREAS DE MATÉRIA Categoria I Categoria II Categoria III Categoria IV NÚMERO DE MATÉRIAS A SELECCIONAR JOGOS DESPORTIVOS COLECTIVOS 2 ou 1 GINÁSTICA ou DANÇA ou PATINAGEM ou ATLETISMO DESPORTOS DE RAQUETAS ou DESPORTOS DE COMBATE OUTRAS (Actividades de Exploração da Natureza, Natação, etc.) 2 ou

14 No caso das categorias I e II em que se indica a possibilidade de se poder seleccionar uma ou duas matérias de cada uma delas, significa que se seleccionar duas matérias de uma categoria só se pode seleccionar uma da outra. No total, devem ser seleccionadas cinco matérias. Esta diminuição do número de matérias seleccionadas que compõem o currículo dos alunos, quando comparado com a Educação Física dos cursos gerais e dos cursos tecnológicos do Ensino Secundário, justifica-se fundamentalmente pela diminuição de cerca de metade da carga curricular da Educação Física do 10º ano profissionalizante em relação aos restantes cursos do Ensino Secundário, isto é, de três horas por semana (cursos gerais e cursos tecnológicos) para dois tempos de 45 minutos (10º ano profissionalizante). O agrupamentos das matérias pelas categorias atrás descritas é resultado das seguintes opções: categoria I - Jogos Desportivos Colectivos, no sentido de se valorizar actividades com bola e em equipa; categoria II Ginástica, Dança, Patinagem ou Atletismo, actividades predominantemente de natureza individual que implicam habilidades em que o controlo do próprio corpo no espaço é um aspecto fundamental e em que as três primeiras exigem uma dominante expressiva (a sequência na ginástica ou a coreografia na dança); categoria III Desportos de Raquetas ou Desportos de Combate, actividades realizadas fundamentalmente a pares, em situações de cooperação/oposição directa; Categoria IV Outras (Actividades de Exploração da Natureza, Natação, etc.), outras actividades com especial relevo para as de exploração da natureza. O modelo de organização curricular adoptado permite que os alunos se aperfeiçoem nas matérias da sua preferência, mas também que, no seu conjunto, essas actividades apresentem, globalmente, um efeito de elevação da Aptidão Física geral e de desenvolvimento multilateral do aluno, nos diferentes modos de prática, de operação cognitiva e de interacção pessoal característicos das áreas da Educação Física, representadas no quadro de extensão curricular (Quadro 1). Dever-se-á seguir o princípio adoptado para a aplicação da generalidade dos programas de Educação Física - os níveis de exigência do currículo real dos alunos e a duração e periodização das actividades (matérias) serão definidas pelo professor no plano de turma, a partir da avaliação inicial e tendo por referência os objectivos gerais. 13

15 QUADRO 2 - COMPOSIÇÃO CURRICULAR 1º CICLO MATÉRIAS 2º CICLO 3º CICLO 10º ANO 11º/12º ANOS JOGOS (INTRODUTÓRIO) PERÍCIAS E MANIPULAÇÕES DESLOCAMENTOS E EQUILÍBRIOS JOGOS (ELEMENTAR) GINÁSTICA PATINAGEM (INTRODUTÓRIO) JOGOS AVANÇADO - - ELEMENTAR P A R T E A V A N Ç A D O PARTE AVANÇADO JOGOS FUTEBOL DESPORTIVOS COLECTIVOS PARTE ELEMENTAR P A R T E A V A N Ç A D O PARTE AVANÇADO VOLEIBOL BASQUETEBOL INTRODUTÓRIO P A R T E A V A N Ç A D O PARTE AVANÇADO (AVANÇADO) ANDEBOL GIN. SOLO PARTE E L E M E N T A R ELEMENTAR INTRODUTÓRIO PARTE ELEMENTAR P A R T E A V A N Ç A D O PARTE AVANÇADO PARTE ELEMENTAR GIN. APARELHOS ELEMENTAR+ PARTE AVANÇADO ELEMENTAR+ PARTE AVANÇADO GIN. ACROBÁTICA - P A R T E E L E M E N T A R ELEMENTAR GIN. RÍTMICA ATLETISMO INTRODUTÓRIO INTRODUTÓRIO P A R T E A V A N Ç A D O PARTE AVANÇADO GINÁSTICA (AVANÇADO) OU ATLETISMO PERCURSOS NA NATUREZA PERCURSOS NA NATUREZA RAQUETAS (RAQUETAS MADEIRA) E L E M E N T A R ELEMENTAR (AVANÇADO) PATINAGEM PARTE ELEMENTAR E L E M E N T A R ELEMENTAR DANÇA DANÇA PARTE ELEMENTAR E L E M E N T A R ELEMENTAR (AVANÇADO) DANÇA (INTRODUTÓRIO) DANÇA (INTRODUTÓRIO) ORIENTAÇÃO (Percursos na Natureza) I N T R O D U T Ó R I O J. TRADICIONAIS - (PROGRAMA DE ESCOLA) (PROG. ESCOLA) LUTA MATÉRIAS ALTERNATIVAS INTRODUTÓRIO (Desportos de Combate) OUTRAS AERÓBICA, CAMPISMO/PIONEIRISMO, CANOAGEM, CICLOCROSSE/CICLOTURISMO, CORFEBOL, CORRIDAS EM PATINS, DANÇAS SOCIAIS, DANÇAS TRADICIONAIS PORTUGUESAS, GOLFE, HÓQUEI EM PATINS, HÓQUEI EM CAMPO, JOGO DO PAU, JUDO, MONTANHISMO/ESCALADA, NATAÇÃO, ORIENTAÇÃO, PRANCHA À VELA, RÂGUEBI, SOFTEBOL/BASEBOL, TÉNIS DE MESA, TÉNIS, BADMINTON, TIRO COM ARCO, VELA, etc 14

16 Neste quadro (quadro 2) não aparece a área de treino das capacidades motoras, nem as que representam os conhecimentos e as atitudes. Segue-se o princípio de que essas áreas deverão ser tratadas não só como características ou elementos intrínsecos à actividade motora dos alunos, mas também através da exercitação e exigências específicas em todas as aulas, qualquer que seja a matéria/tema principal da aula (e, obviamente, de maneira adequada a esse tema, quer como condição ou complemento de aprendizagem, quer como compensação ou contraste ). 15

17 2.4 - SUGESTÕES METODOLÓGICAS As sugestões metodológicas gerais relativas à aplicação deste programa no 10º ano profissionalizante são as enunciadas nos programas de Educação Física do Ensino Secundário, no que se refere à lógica e princípios do projecto curricular de Educação Física e da elaboração do plano da turma, pese embora alguma especificidade deste programa. A filosofia do programa e a concepção de Educação Física mantêm-se, como se refere na introdução; considerando esta área disciplinar na componente de formação geral, comum a todos os indivíduos, as preocupações pedagógicas são as mesmas, considerando as diferenças relativas às características da população-alvo. Alguns aspectos merecem, contudo, uma atenção particular, nomeadamente nas decisões de composição do currículo dos alunos face às suas características e à carga horária prevista. São, de facto, estes factores que sofrem alteração na disciplina de Educação Física destes cursos e que estão interligados. A organização dos horários é uma condição de garantia de qualidade da Educação Física que não pode ser descurada, sob pena de coarctar o desenvolvimento dos alunos, designadamente ao nível das possibilidades de desenvolvimento da Aptidão Física e do seu efeito sobre a Saúde. O número de sessões semanais e a forma como são distribuídas ao longo da semana são um dos aspectos críticos na organização dos recursos temporais. Estando, neste curso, a carga semanal da Educação Física reduzida a 90 minutos, este programa foi elaborado na condição de existirem no mínimo duas sessões de Educação Física por semana, com tempo útil de 45 minutos, em dias não consecutivos, por motivos que se prendem, entre outros, com a aplicação dos princípios do treino e o desenvolvimento da Aptidão Física na perspectiva da Saúde. A organização do tempo de aula em períodos de tempo útil cria a necessidade de o Departamento de Educação Física colaborar com os órgãos responsáveis da escola na definição de critérios que visem encontrar os melhores cenários de organização dos horários de Educação Física, garantindo as condições necessárias à plena realização da mesma. O facto de o número de sessões semanais e de a carga horária total serem reduzidos pode condicionar o nível de desenvolvimento das competências, comparativamente com os restantes cursos do Ensino Secundário, embora se mantenham válidas as referências essenciais explicitadas nos Objectivos Gerais. 16

18 No entanto, e considerando que este será provavelmente o último ano da escolaridade dos alunos que frequentam este curso, torna-se muito importante que se privilegie a promoção de hábitos e de gosto pela actividade física ao longo da vida. É particularmente importante, neste contexto educativo, que os alunos adquiram as competências essenciais que lhes permitam a assunção de um estilo de vida activo, que passa pela promoção da autonomia na realização de actividade física, de acordo com preceitos metodológicos correctos. Reforça-se a ideia, já expressa nas Sugestões Metodológicas da Educação Física dos cursos gerais e tecnológicos do Ensino Secundário, de que todas as situações educativas deverão ter presente aquela finalidade, apresentando, no quadro da promoção da autonomia e do gosto pela actividade física, as seguintes características genéricas: inclusivas, pois nenhum aluno pode ser excluído por dificuldades ou aptidão insuficiente, nem por exigências gerais que deixem de considerar as suas possibilidades; proporcionando muito tempo de prática de actividade física com significado e qualidade, isto é, adequada às necessidades e características dos alunos; significativas, correspondendo às expectativas de aperfeiçoamento pessoal do aluno. Os desafios devem ser colocados acima das suas possibilidades do momento, mas acessíveis a curto prazo. No seu conjunto, a actividade do aluno deve ser de moderada a intensa, constituindo-se como carga física que permita a elevação do nível funcional das capacidades motoras. Esta característica assume, neste curso, uma predominância de relevo e implica, portanto, uma atenção especial por parte do professor, de forma a minimizar os efeitos da redução da carga curricular da Educação Física; agradáveis, possibilitando que os alunos realizem a actividade de que necessitam, mas também a de que gostam, conciliando-a com motivações, gostos e interesses; variadas, solicitando diferentes capacidades e colocando exigências diversificadas do ponto vista motor e do tipo de esforço; realizadas num ambiente pedagógico que promova a cooperação e entreajuda, o respeito pelos outros, o sentido da responsabilidade, a segurança e o espírito de iniciativa, reconhecendo-se que as actividades específicas da Educação Física se realizam fundamentalmente em grupo (em cooperação/oposição), apresentando-se como terreno excelente para a Educação para a Cidadania. 17

19 O presente programa foi elaborado, como se refere na introdução, de modo a que alunos e professor seleccionem, no âmbito do plano da turma, as matérias que compõem o seu currículo, escolha essa que deve ser condicionada, de modo a garantir o desenvolvimento de competências diversificadas. Esta escolha, à semelhança do 11º e 12º anos dos cursos gerais, deve ocorrer após o período de avaliação inicial em que os alunos experimentam as actividades que a escola lhes pode oferecer, em simultâneo com o processo de avaliação inicial conduzido pelo professor. No que se refere ao programa de conhecimentos, pelas razões atrás evocadas (tempo disponível e características dos alunos), as competências deverão ser trabalhadas desejavelmente em contexto de actividade física, dando especial ênfase aos assuntos relacionados com o desenvolvimento da Aptidão Física e a promoção da Saúde. 18

20 2.5 - AVALIAÇÃO A avaliação dos alunos em Educação Física realiza-se de maneira equivalente às restantes disciplinas da componente de Formação Geral do curso, aplicando-se as normas e princípios gerais que a regulam. No que se refere à especificidade da disciplina, a avaliação decorre dos objectivos, os quais explicitam os aspectos em que deve incidir a observação dos alunos nas situações apropriadas. Os objectivos enunciam também, genericamente, as qualidades que permitem ao professor interpretar os resultados da observação e elaborar uma apreciação representativa das características evidenciadas pelos alunos. Considera-se que o reconhecimento do sucesso é representado pelo domínio/demonstração de um conjunto de competências que decorrem dos objectivos gerais. O grau de sucesso ou desenvolvimento do aluno no decurso da Educação Física corresponde à qualidade revelada na interpretação prática dessas competências nas situações características (inscritas na própria definição dos objectivos e.g., jogo 3x3, percurso, composição, etc.). Os critérios de avaliação estabelecidos pelo Departamento de Educação Física e pelo professor permitirão determinar concretamente esse grau de sucesso. Os critérios de avaliação constituem, portanto, regras de qualificação da participação dos alunos nas actividades seleccionadas para a realização dos objectivos e do seu desempenho nas situações de prova, expressamente organizadas pelo professor para a demonstração das qualidades visadas. Neste processo de construção do sistema de avaliação, cabe ao Departamento de Educação Física definir claramente quando se considera que o aluno está apto a aprender um nível mais exigente do programa, isto é, explicitar os critérios que permitirão interpretar o modo de participação dos alunos nas actividades, e concluir que o aluno cumpre determinada etapa da aprendizagem de uma dada matéria (por exemplo, está apto a aprender o Nível Elementar do Andebol). Os processos e os resultados da avaliação devem contribuir para o aperfeiçoamento do processo de ensino-aprendizagem e, também, para apoiar o aluno na procura e alcance do sucesso em Educação Física no conjunto do currículo escolar e noutras actividades e experiências, escolares e extra-escolares, que marcam a sua educação (repouso, recreação, alimentação, convívio com os colegas e adultos, etc.), directa ou indirectamente representadas neste programa. 19

21 Os procedimentos aplicados devem assegurar a utilidade e a validade dessa apreciação, ajudando o aluno a formar uma imagem consistente das suas possibilidades, motivando o prosseguimento ou aperfeiçoamento do seu empenho nas actividades educativas e, também, apoiando a deliberação pedagógica. Esta acepção mais ampla da avaliação confere-lhe um carácter formativo, tornando-a um instrumento pedagógico. Normas de referência para a definição do sucesso em Educação Física À semelhança do definido para o Ensino Básico e cursos gerais e tecnológicos do Ensino Secundário, estas normas têm o propósito de tornar mais claras e visíveis (e coerentes) as condições genéricas de obtenção da classificação de 10 valores, independentemente de outros parâmetros de avaliação definidos pela escola. A determinação da fronteira entre o aluno apto e não apto na Educação Física tem de assentar em pressupostos que conjuguem a grande diversidade de condições das escolas, as diferentes capacidades dos alunos e a própria filosofia do programa quanto à sua gestão e à diferenciação das matérias que compõem o currículo. A preocupação fundamental destas normas de referência está em concorrer e potenciar as características mais importantes da Educação Física e do Programa Nacional de Educação Física, nomeadamente as apostas na formação ecléctica do jovem, bem como o apelo e valorização da flexibilidade de tratamento dos conteúdos programáticos. No entanto, as matérias leccionadas devem aproximar-se o mais possível das que estão previstas neste programa, sendo desejável que nenhuma das categorias consideradas seja excluída, diminuindo assim as possibilidades de formação do jovem. Embora partindo do pressuposto que nos 2º e 3º ciclos todas as matérias nucleares do programa nacional são leccionadas, a aplicação destas normas não fica inviabilizada quando tal não se verificar. Igualmente importante é assegurar o princípio de ajustamento do programa ao estádio de desenvolvimento dos alunos, o que equivale a dizer que as normas que se apresentam têm de proporcionar o equilíbrio e potenciar os pontos fortes dos alunos, garantindo que para todos se encontra a sua mais-valia. 20

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